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domingo, 1 de março de 2026

E uma Superliga sul-americana?


"Em teoria, a Taça dos Libertadores da América já começou, com a mini-maratona de pré-eliminatórias, mas, na prática, o início é a 18 de março, data do sorteio da maratona da fase de grupos, grupos esses cujos resultados determinarão os acasalamentos dos oitavos até à final, em Montevideu, a 28 de novembro.
Já se fazem, entretanto, as primeiras previsões de favoritismo na imprensa e nas casas de apostas. O Flamengo, atual campeão e com uma constelação de estrelas no plantel, lidera os prognósticos. Seguido do Palmeiras, vice em 2025 e também com um punhado de astros para Abel Ferreira gerir. Em terceiro, segundo os especialistas e a bolsa, o Cruzeiro, agora com Gerson. Em quarto, o Fluminense, campeão em 2023, e em quinto o Corinthians, de Memphis e outros.
Nada de anormal, certo? Tudo anormal, na verdade, porque são todos brasileiros. Imagine-se que na Liga dos Campeões, os pundit e as bets só apontavam clubes ingleses como candidatos? Ou espanhóis, italianos, alemães, franceses?
De facto, só depois daquele quinteto se fala no Boca Juniors e empatado com o sexto brasileiro, o Botafogo, campeão em 2024. O Estudiantes também é referido mas caiu na bolsa por ter perdido o treinador Eduardo Domínguez para… o Atlético Mineiro, outro brasileiro que nem sequer está na Libertadores. A LDU Quito e o Independiente del Valle, do Equador, pequeno país em rápido crescimento futebolístico, espécie de Noruega dos trópicos, portanto, têm hipóteses residuais, segundo as previsões.
O ano de 2026 deve marcar, então, a ultrapassagem do Brasil à Argentina em número de troféus conquistados — hoje está 25 a 25. Os clubes brasileiros, muito mais ricos do que a concorrência, ganharam as últimas sete edições. Logo, a Libertadores tornou-se uma espécie de Brasileirão anabolizado. Ou, tendo em conta que o paulista Palmeiras ganhou duas dessas sete e as últimas quatro foram levantadas pelos cariocas Flamengo, duas, Fluminense, uma, e Botafogo, outra, o torneio parece, afinal, uma versão continental da final da Taça Rio-São Paulo.
Se a história da Rio-São Paulo, cujo auge foram os anos 50 e 60 do século passado, com réplicas no atual, é a de uma competição agregadora — clubes de outros estados passaram a integrá-la e, dessa forma, nasceu o Brasileirão —, a Libertadores corre o risco de se tornar desagregadora — um quintal chique de brasileiros milionários e convidados.
Não seria de estranhar, por isso, que alguém, com cifrões no lugar de pupilas, à Florentino Pérez, se lembrasse um dia destes de criar uma exclusiva Superliga sul-americana: com, por exemplo, uma dúzia de brasileiros, mais Boca Juniors e River Plate, que está este ano fora da Libertadores, e um ou dois convidados por mérito desportivo ou mérito financeiro, num hino à lendária desigualdade do continente."

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