"Parece um paradoxo, e na verdade acaba por ser, quando
sabemos que devemos educar
os nossos filhos com os valores
da justiça, da igualdade e da
liberdade, mas, por outro lado,
tendo contrariado nós próprios
esses valores, sofremos as consequências em privação de
liberdade e, ainda assim, temos
os nossos filhos junto connosco
para educar.
Esta é sem dúvida uma das
situações limite a que nenhum
de nós gostaria de se sujeitar.
Mas a vida é como é e, num
estado de direito, a lei é feita
para todos e tem de ser cumprida por todos. Num estado de
direito assume-se que os erros
se pagam, mas as oportunidades não se retiram, pelo que
toda a gente deve ter a possibilidade de se corrigir, mudar comportamentos e conquistar um
futuro diferente sem os erros do
passado. Para isso, a instituição
prisional é, não só punitiva, também uma instituição de reeducação de adultos e reintegração
social.
No entanto, quando falamos de
uma prisão em que as condenadas são mães e em que a Justiça
considera o mal menor que as
crianças na sua primeira infância fiquem delas mesmo em
ambiente prisional, a situação
complica-se, e adquire contornos difíceis de gerir. Por isso, a
instituição prisional procura
também adaptar-se, proporcionando às crianças o melhor que
pode ao nível da sua educação e
não as privando da relação com
a mãe numa altura tão importante da sua vida.
Mãe é Mãe, mas como fica o
coração materno, dividido entre
a alegria de ter a criança junto
de si e a culpa de estar presa?
Por isso são tão importantes atividades que ajudem estas
mulheres a reconstruir um
pouco do seu bem-estar emocional para que possam melhor
gerir a relação de maternidade
em benefício dos seus filhos.
É essa a razão de ser da Fundação Benfica: manter atuação
neste domínio, sempre com a
participação emotiva de atletas
nestas ações.
Obrigado, Benfica!"
Jorge Miranda, in O Benfica

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