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sexta-feira, 27 de março de 2026

Ronaldinho, a alegria do futebol


"No passado sábado, Ronaldinho celebrou o 46.º aniversário. E quando este jogador faz anos é o futebol que está de parabéns. «Quando tens uma bola de futebol nos pés, tu estás livre. Tu estás realmente feliz», nas palavras de Ronaldinho Gaúcho. E talvez seja mesmo isto que tanta gente tenta explicar sem nunca conseguir dizer tão bem.
Porque não se trata só de futebol. Trata-se de um estado raro, quase invisível, em que o tempo abranda e o mundo é muito mais leve. É aquela «gaveta do nada» fantástica, onde estamos realmente a aproveitar o momento. É curioso como esse tipo de felicidade não grita e, ainda assim, não falta nada naquele momento. É por isso que tantas pessoas voltam sempre ao mesmo. Ao futebol, à música, ao mar, à corrida... Qualquer coisa que as leve de volta a essa gaveta. Porque lá dentro não há obrigações nem fretes.
Ronaldinho Gaúcho foi tudo isso, e muito mais, no topo do desporto-rei. O camisola 10 não foi apenas um jogador de futebol, mas sim um estado de espírito. Um lembrete vivo de que o jogo, antes de ser tática e estatísticas, é alegria. É liberdade e arte.
Quando o futebolista brasileiro estava em campo, algo mudava. O futebol deixava de ser previsível e tornava-se surpresa. Cada toque na bola parecia carregado de imaginação, como se ele estivesse a brincar na rua, descalço, sem pressão, sem medos. O sorriso constante, mesmo nos momentos mais difíceis, dizia tudo. Para ele, jogar nunca foi um peso, foi sempre um autêntico privilégio.
Hoje, vivemos uma era em que o futebol é cada vez mais físico e mais controlado. Os jogadores são atletas quase perfeitos, as equipas funcionam como máquinas afinadas, cada movimento parece calculado ao milímetro e as amarras táticas falam mais alto do que a imprevisibilidade. Também há beleza nisso. Mas é uma beleza diferente. Mais eficiente do que espontânea.
Ronaldinho era o contrário disso tudo. Era o improvável. O gesto que ninguém esperava. O drible que parecia impossível. Ele jogava com a leveza de quem não precisava de provar nada a ninguém. E talvez por isso tenha provado tudo. Era o futebol em estado puro. Na verdadeira essência da palavra.
Comparar Ronaldinho aos tempos de agora é quase comparar um poema a um relatório. Ambos têm valor, mas só um faz o coração bater mais rápido. Num mundo cada vez mais sério e acelerado, ele foi a prova de que jogar com um sorriso pode ser a maior forma de genialidade.
Quando se fala de Ronaldinho Gaúcho, os 15 troféus conquistados ao longo da carreira são quase um detalhe. Uma das mais bonitas histórias aconteceu quando jogava no Barcelona, no El Clásico contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu. Depois de marcar dois golos incríveis, com dribles que deixaram toda a defesa perdida, algo raro aconteceu. Os adeptos do Real levantaram-se e aplaudiram-no, completamente rendidos ao futebol em estado puro. Num dos palcos mais difíceis do mundo, Ronaldinho não foi vaiado. Foi celebrado. Não como adversário, mas sim como um verdadeiro artista.
Há também a famosa história ocorrida na sua infância. Ainda jovem, num jogo de futsal, Ronaldinho marcou todos os golos da sua equipa numa vitória por 23-0. Mais do que o número, impressiona a naturalidade com que isso é contado. Como se já ali fosse inevitável que ele seria realmente diferente.
Ronaldinho Gaúcho nunca pareceu obcecado por ser o melhor do mundo. Talvez por isso tenha sido, à sua maneira, absolutamente único no mundo do futebol. As histórias dele não são só sobre vencer. São sobre encantar e inspirar. E isso, no desporto atual, é talvez o troféu mais raro de todos."

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