"Investir na centralização, liderar em vez da permanente ameaça de incumprir a lei.
Pedro Proença já prestou vários maus serviços ao futebol português, um deles quando contaminou o debate sobre a centralização dos direitos televisivos como se fosse apenas uma discussão sobre distribuição de dinheiro, tendo lançado a ideia irrealista de que a centralização iria gerar uma receita global bem superior a 300 milhões de euros, dando por garantido que todos (TODOS) os clubes passariam a receber mais do que atualmente recebem. Já é evidente para todos que esse valor não será atingido, que foi um momento — como tantos outros — de delírio e oportunismo de Proença.
Se somarmos o valor que os clubes hoje recebem, o “bolo” deverá rondar os 180 milhões. Dou por garantido que será muito difícil fazer crescer esta verba com o atual estado das nossas competições e a saturação da oferta a nível global.
Partindo dessa realidade, e acreditando que a Liga, por alguma via, consiga quem pague acima dos 200 milhões, mesmo assim há uma consequência inevitável: menos dinheiro imediato para Benfica, Porto e Sporting face ao que hoje recebem através das negociações individuais.
O CFO do Benfica veio, por estes dias, admitir a perda, num processo de centralização, de receitas na ordem dos 10 a 15 milhões (não creio que a ordem seja tão grande), e admitir viver à margem da lei. Tenho um recado para Nuno Catarino: a lei não vai ser alterada; a centralização vai avançar.
E o Benfica fará melhor em abandonar a resistência ao inevitável e concentrar energias no que pode genuinamente construir. Passar a liderar em vez de ser liderado.
Quem quiser perceber o que está em jogo — e o que é possível recuperar e superar através de um modelo de receitas mais sofisticado — tem à disposição o trabalho que Nicola Ventra tem desenvolvido nesta área: combate à pirataria, licenciamento de álcool, fiscalidade inteligente, apostas desportivas e outros vetores ainda por explorar. Há um caminho mapeado por este jovem italiano que trabalha entre nós há muitos anos. Basta segui-lo.
Não faz sentido transformar a discussão numa ameaça permanente de desrespeito pela lei. A centralização não foi concebida para cristalizar o status quo; foi criada para corrigir desequilíbrios estruturais do futebol português e aumentar o valor global da competição.
Se os três grandes continuarem a olhar apenas para o ganho imediato, o risco é perpetuar um campeonato previsível, financeiramente frágil e cada vez menos relevante no contexto europeu. Se, pelo contrário, assumirem uma visão estratégica, poderão perceber que aceitar perder um pouco hoje pode significar ganhar muito mais amanhã.
Mais vale investir na centralização e liderar. Perdemos mais dinheiro a contratar mal do que perderemos na centralização."
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