"O FC Porto conquistou o seu 31º campeonato. Já só está a 7 do Benfica. Pensar que quando Pinto da Costa foi eleito Presidente o seu clube só tinha 7 campeonatos e o Benfica 24. Ou que em 1996 o Benfica tinha o dobro dos campeonatos do seu rival do norte (30 contra 15). A verdade é que por mais que isto custe a um benfiquista, o Porto já nos ultrapassou no palmarés europeu, com mais taças conquistadas, apesar do Benfica ter mais finais, mais jogos, mais golos, mais presenças em 1/2 finais ou 1/4 de final e estarmos igualados na principal competição europeia. Mas as taças não enganam, são 2 (ou 3 se inserirmos a Taça Latina na contagem) contra 7. E qualquer dia arriscamo-nos a que nos ultrapassem também nas taças nacionais. Não naquelas contagens absurdas de juntar os troféus todos, como se todos tivessem a mesma importância, mas chegarmos a um dia em que o FC Porto possa ter mais campeonatos e mais Taças de Portugal que o Benfica.
Se poderá ser verdade afirmar que a hegemonia do FC Porto acabou com o golo do Kelvin em 2013, pois o clube do Norte que até aí e desde 1985 vencia aos bis, tris, tetras e pentacampeonatos de cada vez e deixou de vencer com essa regularidade esmagadora, a verdade é que também não deixou de ter conquistas e não atravessa um Vietname como o Benfica atravessou ou até a tal Singapura que o Benfica atravessa neste momento. Nos últimos 13 anos o FC Porto venceu 4 campeonatos (contra 6 do Benfica e 3 do Sporting), mas não tem tido secas muito prolongadas e tem vencido várias Taças de Portugal pelo meio. Já o Benfica nos últimos 7 anos leva apenas 1 Campeonato e 0 Taças de Portugal. Souberam os adeptos do FC Porto mudar o ciclo a tempo em relação a Pinto da Costa e André Villas Boas finalmente acertou na sua 3ª tentativa com treinadores. Veremos se isto será o início de novas grandes conquistas para o clube do Norte com Farioli ou algo momentâneo, como foi Roger Schmidt no Benfica ao chegar, ver, vencer, perder e ir embora.
Quanto ao Benfica, terminará a época com apenas a Supertaça no bolso e reduzido a uma feroz luta pelo 2º lugar com o Sporting. Fruto de algum mérito em não ter caído totalmente, daí ainda estar invicto, o que não deixa de ser algo notável após 32 jogos, mesmo que com 10 empates pelo meio e uma queda enorme do Sporting no rendimento nos últimos jogos. Após o empate com o Famalicão, o Benfica ainda depende de si, mas terá que somar pontos na recepção a um Braga em busca de nova final Europeia e na deslocação derradeira a Estoril. Se conseguir o 2º lugar será um consolo na rivalidade com o Sporting e importante do ponto de vista financeiro, se perder a posição para os leões será o falhanço total dos objetivos propostos a um José Mourinho para o difícil desafio que lhe foi proposto de apanhar um comboio em movimento.
É impossível nesta crónica não referir que o Benfica foi profundamente prejudicado pela arbitragem em Famalicão. Desde um penalty por marcar, ao amarelo ao Rios, ao canto que não existe e dá o golo à equipa do norte a uns inacreditáveis 15 (!) minutos de desconto dados pelo árbitro, fica a sensação que este tudo fez para dificultar a vida ao Benfica. Rui Costa no final e bem reclamou, mas se o Benfica não é respeitado ou não tem soft power, seja na arbitragem ou na questão da centralização, é também culpa dele que sempre apoiou o status quo na Liga e na Federação, chegando a dizer numa Assembleia Geral aos sócios que o avisavam do perigo que não se revoltava porque o Benfica tinha que ir atrás dos outros e não entrar em contra-mão na auto-estrada. Como dizia Pedroto, Rui Costa quis ser um bom rapaz e agora é comido...
Mas é essa a personalidade do Maestro. É um tipo indeciso, de vistas curtas e incapaz de roturas. Tanto nos poderes e domínios do futebol português, como com a equipa que o acompanha, tantos ainda vindos da Presidência de Vieira, como nas alterações de treinador. Acaba por ser sempre as circunstâncias a fazerem-no mudar e não ele a ter o rasgo ou a antecipação. Por isso tivemos Roger Schmidt despedido no início da temporada 24/25, Bruno Lage no início da 25/26 e agora também sentimos que Rui não sabe bem o que fazer com José Mourinho. Ou se sabe, não quer ou não se consegue comprometer. Por alguma coisa em todas as conferências os jornalistas perguntam a Mourinho se continua ou não continua. Tal como tanta coisa no Benfica, as coisas para 26/27 irão ser feitas em cima do joelho. Estamos à espera para ver se ficamos em 2º ou em 3º lugar para saber o nível de investimento que será feito, ficamos à espera se José Mourinho recebe propostas da Seleção ou do Real Madrid para ver se fica ou vai e depois ficaremos à espera para ver se o Benfica acerta nas contratações para a próxima época e Mourinho arranca bem ou se começa mal, irá ser despedido, como Schmidt e Lage e pediremos a outro para apanhar novamente um comboio em movimento.
É um Benfica mal gerido que vai vendo FC Porto e Sporting vencendo troféus (ao ponto que estes já têm até mais picardias entre si do que com o Benfica), aproximando-se ambos cada vez mais do seu em tempos invejável e inigualável palmarés, sob aprovação de uma maioria de sócios benfiquistas que se habituou a este novo mundo. Vivem no seu síndrome de Estocolmo, revoltam-se é com quem critica o estado do Benfica, não querem mudar, e depois chegamos ao estádio e ainda os vemos a fazer a onda e a gritar pela Norauto."

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