"1. O último dérbi teve o seu momento inesquecível.
Um dérbi, qualquer dérbi, é uma soma de muitos
momentos. A escolha do momento dos momentos
de um dérbi é uma prerrogativa de cada um de nós.
Uns escolherão uma situação com que vibraram
especialmente, outros escolherão outra que mais
lhe agradará recordar pela vida fora. É também
para isto que os dérbis servem, para o compêndio
das memórias individuais.
2. Falando por mim, o momento inesquecível do último dérbi não foi o golo de Rafa, que nos deu a vitória, nem foi a vitória propriamente dita. O Benfica
nasceu para ganhar. Ganhar ao rival mais antigo é
sempre uma beleza, e ganhar ao rival mais antigo
na sua própria casa é de inquestionável beleza,
sobre isto nem há discussão.
3. No entanto, vencer o Sporting no recinto do Sporting, por muito que seja um motivo de regozijo, não
é assim um feito de uma enorme raridade. Daqueles feitos que acontecem muito esporadicamente e
que justificam festejos extraordinários.
4. O dérbi do último domingo foi o 92.º Sporting-Benfica jogado para o Campeonato na casa do Sporting
e foi a 35.ª vitória do Benfica, que igualou o número
de vitórias do Sporting sobre o Benfica. O resto são
empates.
5. Ou seja, na qualidade de visitante, o Benfica é o pior
adversário com que o Sporting pode sonhar na
Liga nacional. Não deixa de ser curioso o Benfica
ter atingido estes números no domingo, tendo em
conta que uma claque do Sporting aproveitou a
visita da nossa equipa a Alvalade para desfraldar
um pano com os dizeres “nós somos o vosso maior
pesadelo”, quando, na realidade, passa-se exatamente o contrário.
6. Voltemos ao que foi, no meu entender, o momento
inesquecível deste último dérbi. Ocorreu ao minuto
35 da primeira parte, quando o árbitro da partida
mostrou o cartão amarelo ao capitão da equipa da
casa, o dinamarquês Hjulmand. Lembram-se?
É natural que se lembrem, até por ser uma raridade vermos Hjulmand a ver um cartão amarelo. Mas
viu e foi-lhe muito bem aplicado. O jogador, surpreendido, reagiu à punição, erguendo os braços e
gesticulando teatralmente durante alguns segundos, ou para provar a sua inocência ou para provar
o seu desacordo, vá lá saber-se…
7. O nosso Fredrik Aursnes a tudo assistiu a curta
distância e não resistiu a fazer uma imitação perfeita do esbracejar do capitão do Sporting, reproduzindo-lhe os gestos e a cadência. Foi perfeito.
E pronto, será este o meu momento inesquecível
do dérbi. Aursnes, a espelhar o jogo de braços de
Hjulmand perante uma plateia maioritariamente
adversa. Só por isto valeu a pena ter visto o jogo na
televisão através da Sport TV."
Leonor Pinhão, in O Benfica

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