"O CAMPEONATO
DO MUNDO DE 1966
CONSOLIDOU A FAMA
DE EUSÉBIO, MESMO
ENTRE OS SEUS COMPANHEIROS DE EQUIPA
E m julho de 1966, os Magriços rumaram a Inglaterra
para disputar a fase final
do Campeonato do Mundo.
A equipa ficou instalada no Hotel
Stanneylands, em Manchester,
onde foi hasteada a bandeira portuguesa ao lado da bandeira do
Reino Unido, comprovando a
hospitalidade de que os portugueses desfrutaram.
O selecionador nacional, Manuel da Luz Afonso, explicou a
distribuição dos atletas lusos
pelos quartos, assumindo como
propositada a divisão de atletas
do mesmo clube por quartos
diferentes: “Quisemos agrupar
jogadores de clubes diferentes,
não só para fortalecer os laços de
camaradagem […] como para evitar a formação de ‘grupinhos’.”
No entanto, havia pares tradicionais, já velhos conhecidos, e
assim o benfiquista Eusébio dividiu o quarto com o sportinguista
Hilário.
O primeiro susto da comitiva
portuguesa surgiu, precisamente,
do quarto n.º 22, onde os dois
moçambicanos pernoitavam, que
acompanhamos pelas palavras de
Hilário: “Eu estava já deitado e eis
que me dá uma dor terrível nos
intestinos. Pensei que a coisa
fosse passageira e, já a custo, dirigi-me a uma das casas de banho
do hotel na esperança de que se
tratasse da vulgar dor de barriga.”
Mas quando quis voltar para o
quarto, Hilário não conseguia
andar, com uma dor tão aguda
que mal lhe permitia respirar.
Perante a necessidade de chamar alguém que o ajudasse, o
mais natural seria chamar o seu
companheiro de quarto, “mas
Eusébio dormia tão bem, tão profundamente que não o quis acordar”. Foi então que pegou no telefone e pediu à rececionista que
ligasse para o quarto do médico
que acompanhava a comitiva,
mas a comunicação foi afetada
pela linguagem e a rececionista
não o conseguiu ajudar. Acabou
por ser o fotógrafo do jornal
A Bola, Nuno Ferrari, que o acudiu, chamando de seguida o
médico da Federação Portuguesa
de Futebol, que lhe diagnosticou
uma cólica biliar. Apesar de este
problema de saúde ser uma
incógnita quanto à recuperação,
no dia seguinte Hilário já se
encontrava muito melhor.
Ultrapassado este percalço,
Eusébio continuou o seu sono
reparador, e Hilário conseguiu
alinhar no primeiro encontro da
equipa portuguesa no Campeonato do Mundo de 1966, frente à
Hungria, 2 dias depois deste episódio. Portugal venceu o encontro por 3-1 com golos dos benfiquistas José Augusto, que bisou,
e Torres. Esta foi, até à atualidade, a melhor prestação da equipa
das quinas em Campeonatos do
Mundo, alcançando o honroso 3.º
lugar, com Eusébio a sagrar-se o
melhor marcador da competição.
Saiba mais sobre Eusébio na
área 24 – O “Pantera Negra” e
Outras Lendas, do Museu Benfica – Cosme Damião."
Marisa Manana, in O Benfica

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