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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Não se acorda o Rei!


"O CAMPEONATO DO MUNDO DE 1966 CONSOLIDOU A FAMA DE EUSÉBIO, MESMO ENTRE OS SEUS COMPANHEIROS DE EQUIPA

E m julho de 1966, os Magriços rumaram a Inglaterra para disputar a fase final do Campeonato do Mundo. A equipa ficou instalada no Hotel Stanneylands, em Manchester, onde foi hasteada a bandeira portuguesa ao lado da bandeira do Reino Unido, comprovando a hospitalidade de que os portugueses desfrutaram.
O selecionador nacional, Manuel da Luz Afonso, explicou a distribuição dos atletas lusos pelos quartos, assumindo como propositada a divisão de atletas do mesmo clube por quartos diferentes: “Quisemos agrupar jogadores de clubes diferentes, não só para fortalecer os laços de camaradagem […] como para evitar a formação de ‘grupinhos’.” No entanto, havia pares tradicionais, já velhos conhecidos, e assim o benfiquista Eusébio dividiu o quarto com o sportinguista Hilário.
O primeiro susto da comitiva portuguesa surgiu, precisamente, do quarto n.º 22, onde os dois moçambicanos pernoitavam, que acompanhamos pelas palavras de Hilário: “Eu estava já deitado e eis que me dá uma dor terrível nos intestinos. Pensei que a coisa fosse passageira e, já a custo, dirigi-me a uma das casas de banho do hotel na esperança de que se tratasse da vulgar dor de barriga.” Mas quando quis voltar para o quarto, Hilário não conseguia andar, com uma dor tão aguda que mal lhe permitia respirar.
Perante a necessidade de chamar alguém que o ajudasse, o mais natural seria chamar o seu companheiro de quarto, “mas Eusébio dormia tão bem, tão profundamente que não o quis acordar”. Foi então que pegou no telefone e pediu à rececionista que ligasse para o quarto do médico que acompanhava a comitiva, mas a comunicação foi afetada pela linguagem e a rececionista não o conseguiu ajudar. Acabou por ser o fotógrafo do jornal A Bola, Nuno Ferrari, que o acudiu, chamando de seguida o médico da Federação Portuguesa de Futebol, que lhe diagnosticou uma cólica biliar. Apesar de este problema de saúde ser uma incógnita quanto à recuperação, no dia seguinte Hilário já se encontrava muito melhor.
Ultrapassado este percalço, Eusébio continuou o seu sono reparador, e Hilário conseguiu alinhar no primeiro encontro da equipa portuguesa no Campeonato do Mundo de 1966, frente à Hungria, 2 dias depois deste episódio. Portugal venceu o encontro por 3-1 com golos dos benfiquistas José Augusto, que bisou, e Torres. Esta foi, até à atualidade, a melhor prestação da equipa das quinas em Campeonatos do Mundo, alcançando o honroso 3.º lugar, com Eusébio a sagrar-se o melhor marcador da competição.
Saiba mais sobre Eusébio na área 24 – O “Pantera Negra” e Outras Lendas, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

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