"«Lembras-te daquela vez que estávamos no minuto 98 e precisávamos de marcar o 4º golo ao Real Madrid e o Trubin foi lá para a frente?»
Já o foi dito por tanta gente, mas o futebol é incrível. Abençoados ingleses que criaram este desporto lá no séc. XIX! Claro que gostos e opiniões são sempre debatíveis, mas este é mesmo o melhor desporto do mundo (por alguma coisa é o mais popular).
Já tive a felicidade de em viagens aos Estados Unidos ter visto um jogo de hóquei no gelo dos Rangers no Madison Square Garden, em que eles marcaram o golo único da vitória já no prolongamento, e não vi um festejo como o do Trubin.
Vi um jogo da NBA dos Milwaukee Bucks em que estiveram quase o encontro todo a perder e nos minutos finais fizeram um triplo frente ao líder da conferência que os colocou pela primeira vez na frente do marcador e não vi um festejo como o do Trubin.
Vi um jogo da NFL entre os Packers e os Chicago Bears, considerada a maior rivalidade de todo o futebol americano, e em que os Packers, a jogar em casa, fizeram um touchdown no último minuto que lhes garantiu a vitória e não vi um festejo como o do Trubin.
E, claro, as restantes modalidades em Portugal. O andebol do Benfica a ganhar uma competição europeia no MEO Arena, o hóquei em patins com aquela fantástica equipa do Benfica com o Panchito, Filipe Gaidão ou Vìtor Fortunato, o basket dos anos 90 com Carlos Lisboa e Jean Jacques. Nunca, nada, se aproximou a um festejo como o do Trubin.
É óbvio que há coisas muito mais importantes do que o futebol. Basta termos um problema de saúde ou alguém que amamos profundamente morrer, para colocar o futebol em perspetiva. Na verdade, aquilo são apenas 22 homens a correr atrás de uma bola e a tentar enfiá-la dentro de umas redes. Mas, ah, a beleza disto, a paixão disto!
Afirmo sem qualquer dúvida que quem não gosta de futebol, não sabe o que perde. As emoções que o jogo nos dá, não há dinheiro que as pague. As experiências sensoriais que o Benfica já me deu, as viagens que fiz, as pessoas que conheci, as amizades que ganhei... tudo porque uns seres humanos há mais de 100 anos resolveram criar um clube de futebol. Como eram mais pobres as nossas vidas sem Benfica e sem futebol!
Foi incrível. Foi mágico! Aursnes a centrar e Trubin a cabecear. Já todos vimos e revimos aquele lance vezes e vezes sem conta. Já todos pesquisamos mais e mais vídeos do golo, mais e mais comentários ao golo, mais e mais reações ao golo. Em português, em inglês, em francês, em italiano, em ucraniano, em árabe, em toda e qualquer língua de um lance que correu o mundo.
Tanto, que quase nos esquecemos que a juntar a isso demos quatro ao todo poderoso Real Madrid! E podiam ter sido facilmente oito! Falhámos tantos golos!! Ai se o Benfica jogasse com esta mesma intensidade e qualidade em todos os jogos...
Agora virão os próximos dias e o sonho desvanece e voltaremos ao cinzento. O Benfica continua a 10 pontos do 1º lugar, está eliminado de todas as taças, provavelmente não vamos ganhar nada este ano, vamos para apenas um campeonato e zero taças de Portugal nos últimos sete anos, o clube continua a ser mal gerido.
Aliás, vamos a ver o que faz já no domingo em Tondela. I'm old enough to remember que em 2006 fomos a Anfield vencer o campeão europeu Liverpool por 2-0 e dias depois empatámos 0-0 com a Naval em casa. Que em 2013 derrotámos o Fenerbahçe na Luz por 3-1 e apurámo-nos para a décima final europeia da nossa História e dias depois empatámos com o Estoril em casa. Que em 2021 goleámos o Barcelona por 3-0 na Luz e dias depois perdemos com o Portimonense em casa.
Lá está, o futebol - e especialmente o Benfica - é uma montanha-russa de emoções.
Mas foi bonito, pá. O Benfica deve (devia) viver de títulos e não de momentos, mas é óbvio que este foi um dos jogos das nossas vidas, que este foi um dos aqueles jogos que entram para os anais da História, um dos mais gloriosos de sempre do Benfica. Daqui a uns dias, semanas, meses estaremos de novo a resmungar, eu incluído, porque o Benfica continua cheio de problemas e entregue às pessoas erradas, mas até um relógio avariado está certo duas vezes ao dia e naquela noite, naquele estádio, naquele minuto 98, naquela cabeça do Trubin, tudo fez sentido e o Benfica foi mágico, como sempre queremos que seja.
Aconteça o que acontecer daqui para a frente, we'll always have Trubin. Guardaremos aquilo num cantinho especial aqui do coração e daqui a muitos anos estaremos a contar a filhos e netos como foi ver o Aursnes a centrar e o guarda-redes do Benfica a marcar de cabeça ao minuto 98 ao todo-poderoso Real Madrid e a fazer 4-2 e a apurar o Benfica para a fase seguinte da Liga dos Campeões.
Agora, se não se importam, vou ver mais vídeos do golo do Trubin..."

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