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sábado, 31 de janeiro de 2026

Dizer bem não vende muito, mas cá vai uma tentativa


"Para país que tão maltrata o seu futebol e a si próprio, diria que o comportamento das equipas portuguesas na UEFA não envergonha ninguém. Às vezes não fazia mal um bocadinho de autoestima

A frase mais sábia que ouvi na quinta-feira, depois da épica noite europeia de quarta-feira, saiu da boca de um estimado amigo, jornalista com opinião (não é bem a mesma coisa que influencer, perdão): «Apesar de tão maltratado, o futebol português ainda consegue ter noites como esta.»
Pronto, assim já disse mal de qualquer coisa antes de dizer bem, o que parece ser condição sine qua non, cada vez mais, para captar a atenção do estimado leitor. Acontece que hoje me apetece falar bem de algo, e não está difícil de imaginar de quê.
Mas já lá vamos, que antes ainda se consegue mais uma buchinha de mal dizer, aliás com inteira pertinência: o Sporting viu-se a perder pela segunda vez em Bilbau porque Matheus Reis achou que estava a disputar o campeonato português, no qual um jogador de clube grande que seja duas vezes agarrado ao de leve por um jogador de clube menos grande dá direito a parar, fazer um ar aborrecido e exigir ao árbitro a faltinha da ordem. Na Europa não dá, aprendizagem feita (espera-se, até porque vai dar jeito nos oitavos de final, entre tubarões e peixes de águas profundas).
Benfica e Sporting, na quarta, foram bem seguidos por FC Porto e SC Braga, na quinta, e Portugal acabou por ter uma semana europeia de luxo, que pode muito bem ter valido o acesso, a partir de 2027, de três equipas à UEFA Champions League, onde quase tudo mexe e onde vale realmente a pena andar para compor orçamentos.
Já o tenho afirmado de quando em vez: o futebol português está longe de ser a desgraça que os seus próprios protagonistas parecem querer fazer crer, semana após semana, na lana caprina das questiúnculas locais. Perdem-se em acusações mútuas e mantêm espingardas constantemente dirigidas uns aos outros, a árbitros e a jornalistas. Volta e meia lá vem o argumento de mesa de café: «Depois querem ser competitivos lá fora.»
Pois bem — não só querem como são. Com orçamentos bastante inferiores qualificam-se para os oitavos de final da liga milionária ou batem adversários de outra dimensão pelos golos que são precisos e detalhes de cinema fantástico que correm Mundo. Na liga menos milionária , mas não menos digna, Portugal é o único país com mais que uma equipa apurada diretamente para os oitavos. Para país tão maltratado por si próprio diria,em bom futebolês, que já não é chita..."

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