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quarta-feira, 1 de maio de 2024

De volta à ribalta


"José Lisboa provou que, apesar da idade, o seu talento se mantinha intacto

A última imagem é a que fica na memória. Sendo a carreira no desporto tão curta, com o passar dos anos, os jogadores vão-se debatendo com o momento de a terminar. Os últimos anos são passados numa luta entre a cabeça e o corpo, que fisicamente já não responde tão rápido quanto antigamente. Mas como se pode abandonar algo que se faz desde criança e em que se foi tão feliz? Os jogadores mais talentosos, habituados a exibirem-se em grande nível semana após semana, têm o peso adicional da imprensa, que se apressa a decretar o final da carreira assim que o seu rendimento tenha um decréscimo.
No final da década de 1950, José Lisboa deparou-se com uma contestação que o surpreendeu. Estava habituado aos holofotes desde muito cedo: 'Aos 7 anos, já se notabilizava entre os seus camaradas pelo virtuosismo que evidenciava no manejo do seu improvisado stick'. O hoquista revelava talento inato para a modalidade, despertando o interesse do Benfica. Em 1943, foi convidado a participar num treino de captação dos encarnados agradando de imediato. Ingressou no Clube e foi queimando etapas à mesma velocidade que patinava.
Em 5 de Maio de 1947, realizou a sua primeira partida pela equipa de honra, frente ao Dramático de Cascais. Contudo, a estreia oficial seria apenas no início do ano seguinte. Na 1.ª jornada da Taça de Honra, Lisboa apontou o único golo dos benfiquistas frente a Académica da Amadora. Com uma excelente exibição, ganhou um lugar no cinco dos encarnados: 'Teve uma ascensão rápida. Era uma autêntica promessa, mais do que isso, era uma certeza. Deu nas vistas'.
Com o hóquei em patins do Benfica arredado dos títulos há algumas épocas, os dirigentes resolveram apostar na formação. A aposta resultou, com José Lisboa, Cruzeiro e Perdigão e revelarem-se jogadores de elevava qualidade: 'Estava-se na época doirada do hóquei patinado, a Lisboa era uma autêntica coqueluche'. A conquista de troféus não tardou. Em 1951, os benfiquistas venceram o Campeonato de Lisboa e sagraram-se campeões nacionais, pela primeira vez. Ao longo dessa década, viriam a ganhar, ainda, 3 Taças de Honra, mais 3 Campeonatos de Lisboa e mais 3 Campeonatos Nacionais.
Apesar dos títulos, subitamente as suas exibições começaram a ser contestadas: 'Teve um eclipse. O tempo continuava a sua marcha avassaladora. Estava dado como velho'. Em 1960, perante as críticas, José Lisboa não baixou os braços e iniciou a época em grande forma, 'sendo um dos obreiros' da vitória no Campeonato de Lisboa. Já no Campeonato Nacional, o hoquista manteve a toada e liderou os benfiquistas rumo à conquista do título, em que se 'assinalaram extraordinárias exibições'. Terminada a temporada, a sua resiliência motivou elogios: 'Exemplo de reconquista duma posição perdida, é um precioso estímulo para todos aqueles que se deixam enlevar pelo desânimo'.
Saiba mais sobre as várias conquistas de José Lisboa na área 3 - Orgulho Eclético, do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

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