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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Pizzi, porto seguro

"Médio atinge números fantásticos em jornada em que o FC Porto mostra garras, e Chaves e V. Guimarães confirmam grande momento.

Os últimos dois jogos do Benfica na Liga, em casa e com o apoio de um estádio cada vez mais entusiasmado, não foram fáceis.
No momento da viragem da época e numa altura em que se aproximam meias-finais de competições internas e os oitavos da Liga dos Campeões, com quatro pontos a maior para o segundo na Liga, os encarnados atravessam, a julgar pelas exibições mais recentes, fase menos fluída. Uma eventual falta de frescura, física e até, possivelmente, mental.
É verdade que é demasiado cedo para antever nuvens negras sobre o futuro da equipa esta época – e os homens de Rui Vitória já tiveram uma fase mais dramática, quebrada com o triunfo no dérbi com o Sporting –, mas cabe-nos a todos olhar para lá de uma recuperação fantástica de 0-3 para 3-3 ou de uma goleada por 4-0 ao último. O 0-3 frente ao Boavista terá sido um primeiro sintoma, com a equipa a sentir falta de pernas para atacar o 4-3 nos últimos minutos, tal como uma hora de seca frente ao último sublinhado outro. São incidentes que aparecem, ressalve-se, depois de dois excelentes triunfos em Guimarães, intervalados por poucos dias.
A qualidade individual dos jogadores, sobretudo do meio-campo para a frente, tem disfarçado o maior cansaço. É óbvio que alguma insegurança defensiva – evidente perante o conjunto portuense – não é alheia à ausência de Fejsa. 
Não podemos parar aqui, na defesa. A influência do sérvio estende-se depois à perda de alguma capacidade de pressão à frente e da facilidade, perante equipas com transição mais frágil, de roubar a bola próximo da área rival, criando vagas sucessivas no ataque. Com Fejsa em campo, varrendo de lado a lado à frente dos centrais, o Benfica começa puxar a manta muito acima a fim de reconquistar a posse de bola bem cedo.
Samaris tem tentado disfarçar, mas as características do grego são diferentes e obrigam a equipa a outro tipo de movimentos, criando mais vazios entre linhas.
Coube a Pizzi resolver. Apesar de frente a Boavista e Tondela não ter estado no melhor nível de discernimento, conseguiu com a sua capacidade individual encontrar soluções para uma partida bloqueada. Dois golos que fazem subir os números fantásticos do médio português, que só à sétima jornada assumiu de vez a posição 8 – com o Braga, na Supertaça, e Tondela começou à direita; perante o V. Setúbal foi segundo avançado; frente a Nacional, Arouca, Besiktas, Sp. Braga e Chaves esteve destacado à esquerda. Foi sempre a peça mestra do puzzle que encaixava em qualquer buraco vazio.
Melhor marcador dos encarnados na Liga com oito golos e sem ser o escolhido para os penáltis, e já com quatro assistências, Pizzi faz subir as estatísticas quando somadas todas as competições: 11 golos (oito da Liga, mais dois na Taça de Portugal e outro na Supertaça) e sete assistências (as já referidas quatro, mais duas na prova-rainha e outra no arranque da nova época, em Aveiro).
É o médio quem tem sido o porto seguro numa equipa em que se têm destacado ainda o gélido Ederson, a força de Nélson Semedo, que já leva dois golos e seis assistências em todas as competições, um Fejsa sempre impressionante, os goleadores Mitroglou e Jiménez, e um variadíssimo leque de soluções para as alas, desde um Cervi que já marcou em todas as competições, passando por um Salvio menos exuberante mas objectivo (seis golos e sete assistências, em todas as provas), e por um Gonçalo Guedes que se vestiu, à sua maneira, de Jonas até ao regresso do brasileiro, podendo agora estar prestes a deixar o clube.
Pizzi tem unido todas as pontas, e será obviamente fundamental para o que vem aí em termos colectivos. No plano individual, já vai na melhor época de sempre. A renovação surge como prémio merecido.

O FC Porto mantém-se por perto e voltou a ter de recuperar de uma desvantagem, mesmo depois de se ter adiantado primeiro no marcador. Foi um muito bom Rio Ave aquele que se apresentou no Dragão.
A equipa de Nuno Espírito Santo terá de sair viva do clássico de daqui a duas jornadas e isso só conseguirá se vencer na Amoreira e, depois, no Dragão, o Sporting, isto caso o Benfica cumpra nos seus compromissos. Se os encarnados fraquejarem, melhor então para Nuno Espírito Santo e para a sua jovem equipa, com o campeonato ainda mais efervescente.
Dificilmente o FC Porto conseguirá virar todos os jogos da forma como fez frente ao Rio Ave, com três bolas paradas. No entanto, depois de novamente ter mostrado dificuldades no controlo da partida, apoiou-se em mais dois livres indirectos – já tinha dessa forma inaugurado o marcador – para recuperar o ascendente. Alex Telles chegou às sete assistências (cinco na Liga, duas na Champions), Marcano assinou o quinto golo (quarto no campeonato), Felipe o terceiro (segundo na Liga) e Danilo o segundo (ambos na principal prova do futebol português).
Os dragões mostram aos rivais uma arma importante para o que resta da temporada e numa das suas fases mais decisivas. Será desta que se torna de vez consistente?

Elogios ainda para os fantásticos Desportivo de Chaves e Guimarães. Os flavienses, sempre muito organizados, igualaram o Marítimo no sexto lugar. Já os vimanarenses venceram na visita ao rival Sp. Braga e têm o quarto lugar e o Sporting a um ponto. Dois projectos bem estruturados e com provas dadas esta temporada, com resultados que ainda tornam mais válidos todos os passos dados no passado recente."

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