Últimas indefectivações

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Arouca é equipa da nossa Europa

"Foi importante ganhar na Amoreira, depois do deslize do Porto em Alvalade. No domingo contra o Arouca será o jogo que ficará na memória durante três semanas. Outubro terá o travo deste resultado, e a paragem do campeonato terá outro sabor com a liderança isolada que temos neste momento.
Domingo dará o mote de discussão no futuro próximo, ou os méritos da liderança, ou deméritos dos tropeços.
Jogámos mal na Alemanha, o jogo correu mal, mas o resultado é justo, e mesmo a invenção de um penalty naquele momento do jogo não retira os méritos de uns alemães que foram melhores.
O Bayer foi quase sempre melhor, quase sempre mais rápido, quase sempre mais forte tacticamente. Resta dar os parabéns a quem os merece, não porque se quisesse perder, mas porque não se mereceu ganhar.
Jogaremos as últimas fichas da prestação da UEFA no Casino de Monte Carlo. Mas quem joga no casino sabe que são baixas as probabilidades de êxito. O ritmo dos alemães do Bayer Leverkusen deve servir de mote para o nosso jogo contra o Arouca. Quem joga com aquela intensidade fica sempre muito mais perto de ganhar. Quem fica à espera que chova um golo, porque é teoricamente melhor, arrisca-se a ser surpreendido. Na aritmética final, é a diferença entre ser campeão ou não. Os nossos adversários já tiveram surpresas (várias), nós estamos avisados.
Ser profissional, para o Benfica, é perceber a importância do Arouca na geografia europeia do nosso campeonato. Sim porque Portugal é a minha parte preferida da Europa.
O sorteio da Taça quis um clássico cedo e pôs o Benfica a subir à serra desde o início da prova para tentar manter o troféu. Da serra da Estrela até ao Jamor é sempre a descer."

Sílvio Cervan, in A Bola

Maxi 300

Encarnado é o Vermelho-amor (época...)

"Bem podia esta crónica começar com a análise das palavras do desesperadíssimo Pinto da Costa; porventura, iniciar-se com o Caso da Fruta e a falta de vergonha dos seus protagonistas, mormente se vierem a falar de arbitragem; ou reflectir sobre a falta de memória de Bruno de Carvalho e cotejá-la com a de Luís Filipe Vieira, que tem acarinhado os antigos atletas de forma edificante.
Todavia, o acontecimento mais relevante da semana é a liderança reforçada do nosso clube no Campeonato. Merecidíssima, diria, mesmo que dotado de um olhar neutro! Quem joga com esta alma e vontade, logra este percurso. É um regalo ver a atitude da equipa e repercussão desta nos adeptos. Ou a atitude dos adeptos e a repercussão desta na equipa? Tanto faz, por serem ambas autênticas.
Bem sabemos que estamos no início da contenda e, pelas razões que se conhecem, este ano o Campeonato é mais longo quatro jornadas. Não se ganham campeonatos à sexta jornada, mas esta felicidade, de vermos como caminha a equipa, ninguém no-la pode tirar.
Hoje, já ninguém questiona a qualidade da equipa, ao invés, rasgam-se elogios ao grupo de trabalho de Jorge Jesus. Vejam bem! Agora, é reconhecido o trabalho que a Direcção efectuou até ao derradeiro minuto do último dia de mercado (e para além dele, como no caso Jonas!) e o acerto dessas escolhas. Creio que o alto profissionalismo e grandeza do Benfica depressa passaram aos novos atletas, tornando a integração mais fácil e estimulante.
Porém, e apesar da supramencionada qualidade dos nossos jogadores, é certo que a equipa vai ter reforços por altura do Natal. Há pelo menos quatro atletas que darão uma força suplementar ao grupo: Fejsa, Sulejmani, Rúben Amorim e Sílvio, são quatro jogadores, sem excepção, que disputarão a titularidade.
Ah, é verdade, Júlio César e Jonas serão reforços para breve.
Não se distraiam rapazes!"

Carlos Campaniço, in O Benfica

Diz-se por aí (época...)

"Diz-se por aí que assistimos, no jogo com o Zenit, a uma manifestação de benfiquismo de que nem os sócios mais velhos têm memória. Não me recordo, de facto, de nada assim, pelo menos nas últimas duas décadas. Porém, o que me parece importante é destacar a forma notável como os jogadores canalizaram essa sensibilidade e esse carinho dos Sócios e dos adeptos, produzindo um fantástico jogo frente a um Estoril com um dedo muito significativo do Futebol Clube do Porto. E, para que conste, manteria estas palavras mesmo que o resultado tivesse sido de empate... ou de derrota.
Mais uma vez, a chave do sucesso de jogo do Benfica está na persistência, na fé do seu modelo de jogo e, claro, no grande catedrático de futebol que é Jorge Jesus. Os jogadores e o treinador acreditam até ao último minuto, mantêm um jogo de passes rápidos e posse de bola em vantagem ou em igualdade, correm para o esférico e ganhar por dois ou a perder por um. Uma equipa notável em técnica e persistência que tenho a certeza que a História saberá honrar.
O Benfica está a tornar-se, verdadeiramente, um modelo de credibilidade, força e consistência no futebol português. Enquanto Lopetegui insiste em fazer de bebé sofrido e criticar cada decisão dos árbitros em campo, Marco Silva não consegue ter mão num Bruno de Carvalho cada vez mais fora de si e do controlo razoável que seria exigível a um dirigente desportivo. Esta semana que passou foi exemplo disso mesmo. E, enquanto isso, o Benfica preparava serenamente no Seixal o próximo jogo da Liga dos Campeões.
É por isso que volto a insistir: esta época 2014/2015 vai ser marcante e decisiva. A vitória final do SLB representará a superioridade do trabalho sobre a lamúria; da credibilidade sobre o espalhafato mediático e da solidez financeiro sobre as derivas financeiras irresponsáveis. Por agora, os nossos adversários contentam-se em falar da arbitragem ou de um Benfica delapidado de alguns grandes jogadores. Veremos, no final, para onde pende a balança. Não se esqueçam: Deus dá sono, mas não dorme."

André Ventura, in O Benfica

As andanças do demónio

"O escritor Jorge de Sena, na obra 'Antigas e Novas Andanças do Demónio', tem um excelente conto titulado como 'Defesa e Justificação de um Ex-Criminoso de Guerra'. O interesse desse conto começa na amarga ironia do título. Há crimes que não prescrevem, não se é um ex-criminoso de guerra. Um crime de guerra é um crime que não permite atirar o passado do criminoso para as calendas do esquecimento.
Pode o criminoso relativizar o crime, pode o criminoso evocar o contexto do crime como atenuante ou gritar 'ad mauseam' que o crime prescreveu ou enviar os diligentes cães de fila silenciar a realidade.
Ainda assim, não deixará de ser um criminoso. Pode o dito criminoso puxar o brilho às vitórias, pode justificar o crime com o superior interesse da causa que defendia e, mesmo assim, não deixa de ser um criminoso. Pode o criminoso, com o passar dos anos, encontrar um qualquer Tribunal que, em nome da Norma e do Direito, finja fazer Justiça e não o condenar que, mesmo assim, não deixa de ser um criminoso. Não se é criminoso em função da consequência, do castigo, do acto. É-se criminoso porque praticou o crime. Pode o criminoso exibir a absolvição ou a anulação de uma sentença que lhe seja desfavorável que isso não o iliba de ser um criminoso. O criminoso que cumpre uma pena passa a ter a sua dívida saldada para com a sociedade, a não ser que seja um daqueles criminosos de que nos fala Jorge de Sena. Um criminoso que nunca paga pelo seu crime nunca deixa de ser um criminoso em dívida para com a sociedade - é como se fosse duplamente criminoso.
Podem vir as comendas, as ameaças, os encómios na imprensa, os títulos vistosos e as lavagens públicas de imagem. Pode vir, inclusivamente, a ordem suprema de silenciar as vozes que lhe recordam o crime. Pode vir tudo isso e o mais que se inventar que, ainda assim, um criminoso continua a ser um criminoso. As andanças do demónio não deixam de ser andanças do demónio, independentemente de serem novas ou antigas."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Impunidade

"Não confio na justiça.
Não necessariamente nos profissionais que a compõem, mas no sistema em si, que parece feito de encomenda para garantir impunidade à alta corrupção, e ao crime mais requintado.
Manobras dilatórias, incidentes processuais, recursos, contra-recursos, aclarações, nulidades, adiamentos, prescrições, e afins, constituem o labiríntico dicionário jurídico com que a verdade se confronta, ficando esta quase sempre a perder.
Não esperava, pois, que dos tribunais comuns resultasse nada de substantivo relativamente ao processo Apito Dourado, assim como não o espero de outros processos de grande dimensão e mediatismo - com as excepções que a regra normalmente concede.
Mas uma coisa é perceber, com maior ou menos resignação que o ultra-garantismo do sistema judicial português promove a impunidade, outra, bem diferente, é dele inferir inocências que só por má fé, ou insulto, poderão ser alegadas. E é isso que tem sido feito, quer por agentes desportivos (nomeadamente os órgãos de justiça desportiva), quer por alguns comentadores, a propósito da absolvição de Pinto da Costa.
Todos sabem que só um mero artefacto, que considerou nulo o principal meio de prova, permitiu que o processo Apito Dourado tivesse um desfecho à revelia da verdade dos factos. Mas a justiça desportiva ignorou essa evidência, enveredando por um caminho de desresponsabilização e facilitismo, que, infelizmente, também não surpreende. Daí a lermos e ouvirmos comentários alarves, defendendo a candura do presidente do FC Porto, e pretendendo tomar-nos por idiotas, foi um pequeno passo.
Porém, as escutas existem. E tal como o Galileu, ninguém nos demoverá de as evocar, pelo menos enquanto muitos dos seus protagonistas continuarem por aí, a poluir o nosso futebol.
Já sofremos o suficiente com décadas de corrupção e falseamento de resultados desportivos pelas mais diversas vias. Não temos também de ficar condenados ao silêncio, perante uma verdade que foi ouvida, de viva voz, por quem a quis ouvir."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

É preciso saber jogar com as arestas

"De qualquer maneira, e em termos práticos, é menos angustiante dispor de um defesa-central de cabeça poliédrica do que de um defesa-central de pés poliédricos.

EM Portugal vai correndo bem. Na Europa o Benfica é órfão de Garay e não há volta a dar-lhe. Os óbices a uma época triunfal não têm beliscado o Benfica interno mas o Benfica externo, com duas jornadas disputadas da Liga dos Campeões está à beira de deixar fugir até a Liga Europa se não se puser rapidamente em sentido.
A questão da baliza, as mazelas de Fejsa, Sílvio e de Rúben Amorim, a timidez de Samaris, a puberdade de Crisante, a ausência física de um goleador e a ausência física de um Garay qualquer para substituir o verdadeiro Garay são pedregulhos no caminho deste Benfica quando se defronta com os seus pares europeus.
Não custa admitir que o resultado de ontem foi melhor do que a exibição. O Benfica marcou um golo na única jogada que soube construir até à baliza alemã. Mas foi uma vez sem exemplo.

por casa a história é outra. Ninguém quer ser o campeão das Vindimas, nem o campeão de Inverno nem o campeão de data alguma que não aconteça em Maio, o mês das flores.
Por isso mesmo o discurso de Jorge Jesus está acertado com as expectativas e com a realidade nacional. 
Surpreendentemente para muita gente depois de uma pré-temporada difícil, o Benfica segue na liderança do campeonato quando, na verdade, ainda nada lhe correu particularmente de feição.
Enquanto Júlio César não estiver totalmente apto o Benfica continua com um problema por resolver na sua baliza, enquanto Feijsa não recuperar o Benfica continua com um problema por resolver no seu meio campo, enquanto Samaris não resolver o seu problema de timidez e Crisante não resolver o seu problema de puberdade as opções deixam de existir.
E enquanto Lima e Derley não desatarem a marcar golos à cadência desejável o Benfica continua com um problema no seu ataque que tem vindo a ser debelado, cá por casa, graças ao admirável Talisca do campeonato nacional e às bombas de Eliseu. Domingo o jogo é com o Arouca que veio empatar à Luz na época passada. É só para avisar.

GRASSA a cobiça estrangeira por Talisca. Que não se vá embora já neste próximo Janeiro são os meus votos. A sua exibição ontem em Leverkusen dá asas ao desejo de o ver ficar mais uns tempos no Benfica. 

O presidente do FC Porto diz que se está a repetir o filme da época anterior ainda que, nesta época, o filme tenha começado mais cedo. Lá saberá Pinto da Costa de que filmes fala.
Se fala para dentro do FC Porto, supostamente falará do filme da força interior que transborda de Julen Lopetegui neste ora findo Setembro de 2014 por comparação com o filme da falta de força interior que não transbordava de Paulo Fonseca no já longínquo Setembro de 2013.
E será esse, então, o mesmo filme com direito a sequela: Força Interior 1 e Força Interior 2.
Se, no entanto, a dita «repetição do filme da época anterior» foi um falar para fora e particularmente dirigido ao Benfica, que lidera o campeonato com mérito e sem favores, ficamos todos, os que somos do Benfica, a fazer votos para que se cumpre na íntegra a profecia do presidente do FC Porto.
Que se repita, assim, o filme da época passada no que aos duelos particulares entre os dois emblemas diz respeito. E que o Benfica volte a afastar brilhantemente o FC Porto da Taça de Portugal e da Taça da Liga jogando com 10 contra 11 durante mais de uma hora em cada partida.
Chama-se a isto ser levado ao colo.
E sem chorar.

A publicidade feita à absolvição dos casos da fruta e do café com leite foi uma manifesta manobra contra os interesses dos seus inocentados protagonistas que não tinham interesse algum em rever o assunto reerguido em praça pública e no Youtube?
Mania da perseguição? Não. Mania da absolvição, isso sim.

NO fim-de-semana houve um clássico. Ainda o Sporting vencia o FC Porto por 1-0 quando o jovem Naby Sarr, com a bola nos pés, querendo presumivelmente lançar a sua equipa para o ataque acabou por desacertar de tal monta no seu propósito que o lance terminou com uma reposição de linha lateral favorável aos visitantes.
A bola, que era para seguir direitinha em frente, saiu-lhe tortíssima para o lado. Corria o minuto 32 do jogo. A transmissão televisiva pontuou o momento com um grande plano de Marco Silva sorrindo condescendente à oblíqua trajetória da bola saída dos pés poliédricos de Naby Sarr.
O que, certamente, não o impedirá de vir a fazer uma longa e profícua carreira se for aperfeiçoando o uso dos ângulos e arestas dos seus pés poliédricos de modo a imprimir à bola o efeito mais conveniente em prol do benefício do colectivo a que pertence.
Nesta fase ainda tão precoce da sua carreira tudo se resume a uma questão de humildade porque saber jogar com o que se tem, quer no futebol ou na vida, é definitivamente a atitude a tomar.
Tome-se o exemplo do capitão do Benfica, Luisão, também ele um defesa-central que leva uma bela carreira e longa internacional ao mais alto nível e que até foi titular da selecção do Brasil há uns anos.
Luisão, ao contrário de Naby Sarr, não tem pés poliédricos. Mas tem cabeça poliédrica, o que tem sido uma enorme bênção para as nossas cores.
A cabeça poliédrica do estimado Luisão tem valido ao Benfica uma excelente safra de golos nas balizas adversárias, golos que surgem sempre inesperadamente quando a bola bate no ângulo certo, na aresta exata daquele crânio impecavelmente rapado que confere ares de faraó ao nosso capitão.
É preciso saber jogar com as arestas. E Luisão sabe. De qualquer maneira, e em termos práticos, é menos angustiante dispor de um defesa central de cabeça poliédrica do que de um defesa central de pés poliédricos.
Não se queixe muito o Sporting destas irregularidades geométricas dos objectos sólidos porque, neste campeonato, já beneficiou de um golo e de um consequente empate oferecidos pelos pés poliédricos do nosso guarda-redes Artur que de uma devolução de bola conseguiu fazer um centro milimétrico para a cabeça de Slimani.
Sem este momento poliédrico do último derby, facciosismos à parte, quase acredito que o Benfica poderia ser líder do campeonato com mais uns quantos pontos à maior sobre os seus perseguidores. Mas não se pode ter tudo.

NAQUELA simpática competição de sub-19 paralela à Liga dos Campeões dos crescidos, o Benfica venceu por 3-2 o Bayer de Leverkusen na casa do adversário e, imagine-se, jogando contra 10 desde os minutos finais da primeira parte.
Está montada uma conspiração internacional.

VÍTIMA de guerrinhas e de lesões, o brasileiro Kléber esteve dez meses sem jogar à bola e dois anos sem marcar um golo. Regressou em grande no sábado na qualidade de titular do Estoril marcando um golo ao Benfica. E repito: o Benfica é muito mais do que um clube, é uma obra social.

O filho do Zahovic e o Matic, ele próprio, são para já os autores dos golos sofridos pelo Sporting nos dois jogos que leva disputados a contar para a Liga dos Campeões. Ambos jogaram no Benfica. Ora aqui está outra conspiração internacional."

Leonor Pinhão, in A Bola

Sp. Covilhã

O sorteio ditou uma viagem ao sopé da Serra da Estrela, na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, a primeira com equipas da 1.ª divisão.
Preferia jogar na Luz, já que este jogo está enfiado, entre compromissos das Selecções, e uma deslocação decisiva ao Mónaco para a Champions, e assim tinha-se poupado em viagens...
Só tenho um receio: o Sp. Covilhã decidiu esta época mudar de Estádio, deixou o moderno complexo da cidade, para regressar ao antigo Estádio Santos Pinho... mais pequeno, com um relvado em pior condições...e numa cota de 1200 metros de altitude!!!
Já vi um jogo esta época, transmitido na televisão, com muita lama...!!!

Campeões europeus (II)

"Um aplauso muito grande para a Federação Portuguesa de Ténis de Mesa e seu presidente Pedro Moura, para o seleccionador Pedro Rufino e para os novos campeões tenistas Marco Freitas, Tiago Apolónia e João Monteiro, Diogo Chen e João Geraldo. Na decisiva final, os números 4, 7 e 19 do ranking europeu derrotaram os números 1, 2 e 13! Uma palavra, ainda para a equipa feminina que se mantém na principal divisão das selecções europeias.
Aliás, é bom recordar que já em Julho duas tenistas (Rita Fins e Patrícia Maciel) se sagraram campeãs europeias de pares femininos juniores. Antes, Portugal já tinha sido ouro com Diogo Chen em 2011 (pares mistos cadetes), com Marco Freitas em 2002 (singulares, cadetes), 2003 (pares cadetes), em 2004 e 2005 pares juniores (também com Tiago Apolónia) e em 2006 (singulares juniores).
Muito cedo, Marco Freitas, Tiago Apolónia e João Monteiro foram jogar para a Alemanha e, no caso do primeiro, mais recentemente para França. Assim tiveram as melhores condições técnicas, competitivas, logísticas profissionais para se alcandorarem a um tão elevado nível.
Não deixa de ser curiosa a circunstância de termos sido já campeões europeus (ou mundiais) em várias modalidades como, por exemplo, hóquei em patins, atletismo, judo, ciclismo e agora ténis de mesa e nunca o termos sido em futebol (sénior). Neste desporto qualquer competição é objecto de entediantes horas sem conteúdo e infinitas reportagens sobre fait divers, com os 'artistas' sempre em plano de distanciamento endeusado.
Na rarefacção de boas notícias que nos orgulhem, esta conquista desportiva foi saborosa. Obrigado!"

Bagão Félix, in A Bola

Campeões europeus (I)

"Esta semana tenho todos os motivos para que os meus pontapé-de-saída ponham de lado o imperial e dominador futebol. Mesmo em semana de Champions. Hoje e amanhã não escrevo sobre a hegemónica bola de futebol, mas sobre a minúscula bola de celulóide e 40mm de diâmetro com que se joga a modalidade (palavra já de si redutora) de ténis de mesa.
Portugal sagrou-se campeão europeu por equipas de ténis de mesa, derrotando na final a poderosa hexa-campeã Alemanha. Um feito que nem um optimista sonho previra, mesmo realizando-se o torneio em Lisboa.
Este notável título faz-me também recordar os meus tempos de jovem em que nos divertíamos alternando matraquilhos (então chamados apenas matrecos) com ténis de mesa (então apelidado, em jeito de onomatopeia, pingue-pongue). Até por isso a minha relação com este desporto faz parte da minha vida e memória. Num tempo em que a mesa do jogo era apenas verde e o nosso ídolo era Alberto Ló.
Este feito não foi objecto de abertura de telejornais ou de entusiásticas parangonas nos jornais. O costume quando se sai da órbita do futebol. Na segunda-feira, ao ler as primeiras páginas dos diários, constatei: dos cinco generalistas, só dois incluíram uma pequena notícia sobre os novos campeões. O jornal de maior circulação ignorou o assunto na primeira página (em que havia 11 manchetes!). Dos económicos, zero. E dos três desportivos, a inserção foi feita mas sempre em segundo plano, porque o salário de William Carvalho, mas balelas de José Mourinho e Olivier e Tello no próximo jogo eram assuntos inadiáveis e prioritários... (continua amanhã).

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Próxima Final: Arouca no Domingo...

Bayer Leverkusen 3 - 1 Benfica

O nosso Campeonato é o Arouca no Domingo. Não sou só eu que o digo, alguns colunistas indefectíveis como o Cervan e a Leonor têm repetido isso mesmo, sempre que temos jogos da Champions... obviamente que isso não desculpa más exibições, ou más decisões, mas esta época foi claro desde de início, que o Benfica tinha obrigatoriamente de se concentrar, especialmente, no Campeonato, por diversos motivos, inclusive alguma incapacidade própria... E não será esta derrota, que vai alterar o cenário, aliás após o Sorteio, os jogos em Leverkusen e em São Petersburgo, seriam sempre, em qualquer circunstância muito complicados... 

Na crónica do jogo do Estoril, pedi a titularidade do André Almeida a '6'. O Jesus optou pelo Cristante, jogador que devido à sua condição de 'não utilizado', já estava a ganhar entre os Anti's internos, o estatuto de injustiçado; ou grande jogador que o Jesus está a desperdiçar...!!! É fácil afirmá-lo no fim do jogo, mas como foi óbvio, a opção do Jesus correu mal... O Cristante tem boa posse de bola, capacidade de passe, mas falta-lhe intensidade física na marcação e na recuperação, exactamente aquilo que precisamos urgentemente...
Aquilo que está a faltar ao Benfica neste momento, é um Fejsa. É tão simples quanto isso. Este ano ao contrário de outras épocas, o Jesus ainda não encontrou uma opção às ausências do Fejsa e do Rúben Amorim... Todas as considerações tácticas ou técnicas que se possam fazer nos jogos mais competitivos do Benfica deste ano, estão condicionadas pelo desequilibro do meio-campo do Benfica, provocado pelo défice físico na recuperação da bola... Com adversários mais acessíveis a nível interno, este problema nota-se menos, mas ele está lá...

Hoje, a pressão do Bayer, impediu o Benfica de ter bola, fomos incapazes de contornar a estratégia Alemã, que conseguiu manter um ritmo elevado durante muito tempo... algo que na Liga Alemã eles fazem regularmente. A bola praticamente não chegou lá à frente... E quando parecia que íamos entrar no jogo, após o golo do Salvio (2-1), sofremos outro golo na jogada imediatamente a seguir...
A presença do Maxi no banco também não é novidade, nas últimas época Europeias, tem sido habitual o Jesus apostar no André Almeida na UEFA, mas neste jogo, com tantas dificuldades em criar jogo pelo meio, na 1.ª parte, ficámos também sem as cavalgadas ofensivas do Maxi, que em muitos jogos acabam por desequilibrar os nossos adversários...
Apesar de não ser prioritário, deixo o aviso: apesar dos 0 pontos após 2 jogos, temos todas as hipóteses de qualificação para os Oitavos, basta vencer ao Mónaco, algo que está perfeitamente ao nosso alcance... apesar do Mónaco Europeu, ser diferente do Mónaco interno, até o Jardim, mandou essa 'boca' aos jogadores no final do jogo da Rússia... a entrega é completamente diferente!!! Mas também recordo aquilo que disse no início da época: prefiro o 4.º lugar, do que o 3.º... e ir novamente disputar a Liga Europa.

Individualmente, não existe muitas notas... mas este até pode ter sido o jogo ideal para o Júlio César ganhar ritmo, pois dificilmente fará outro jogo pelo Benfica, com tantas intervenções...!!!

Não posso concluir a crónica sem falar da arbitragem: depois das Meias-finais com a Juventus (onde o Cakir que até marca penalty's a favor dos Corruptos na Ucrânia, mas na Luz parece que tinha a 'visão' tapada!!!) na Liga Europa; depois da inenarrável exibição do Bitch na Final com o Sevilha; depois do penalty sobre o Salvio contra o Zenit; depois de tudo isto, ver um árbitro Inglês marcar um penalty destes contra o Benfica, logo a seguir ao golo do Benfica... e ainda ter tido tempo para não ter visto, um corte com o braço dentro da área do Bayer nos últimos minutos, que faria o 3-2 (além de um agarrão descarado ao Luisão na última jogada da partida...) ; só posso concluir, que não vale a pena apostar muito na Europa...

No Domingo vamos ter mais uma Final !!! Basta recordar as últimas visitas do Pedro Emanuel à Luz, para perceber que o jogo vai ser muitíssimo complicado... ainda por cima com um jogo Europeu pelo meio. Mais uma vez exige-se apoio, muito apoio... a caminho do Bicampeonato.

UEFA Youth League - 2.ª jornada

Bayer Leverkusen 2 - 3 Benfica

Se eu mandasse alguma coisa na Formação do Benfica, depois de jogos destes, obrigava os 'putos' a fazerem remates à baliza... até caírem para o lado!!! O problema é generalizado em Portugal, mas é irritante ver uma equipa desperdiçar tantas oportunidades de golo, algumas de forma displicente... hoje até um penalty falhámos!!! E se não fosse a expulsão do jogador do Bayer, duvido que conseguíssemos vencer!!! Jogadores como o João Gomes, ou o Caramelo, que recentemente passaram pela Formação do Benfica, são o exemplo de como se desperdiça talento em Portugal. Actualmente temos o Hugo Neto, que é um verdadeiro ponta-de-lança, oportunista e que faz aquilo que quase ninguém sabe fazer: marca golos!!! O Romário é mais rápido, tem força, sabe driblar (às vezes), mas no momento da decisão, parece o Ballotelli!!! Enquanto se continuar a ignorar, que ser ponta-de-lança não é ser driblador, elegante, ou espectacular, mas sim ser eficaz, vamos continuar a ter jogos irritantes, como o desta tarde...

Depois da expulsão do jogador do Bayer, ainda na 1.ª parte, o jogo só ficou decidido, ao intervalo. As palavras do Tralhão tiveram algum efeito, porque a entrada no 2.º tempo foi decisiva... 

Uma palavra para o João Carvalho, que não sendo ponta-de-lança, marcou dois golos muito importantes, e outra nota para o Renato Sanches que fez 3 assistências... O Renato precisa de jogos destes, contra adversários fisicamente fortes, mas deve evitar algumas atitudes, tipo 'birras' só porque perdeu as bolas...

Como desperdiçar 2 pontos !!!

Benfica B 1 - 1 Santa Clara

Este foi daqueles jogos, onde o Benfica foi superior, marcou (bom golo), podia ter marcado mais... mas depois resolveu baixar a intensidade do jogo , supostamente gerindo o resultado, mas onde se 'cheirava' à distância, que a qualquer momento podia surgir o golo do empate.. e foi mesmo isso que aconteceu!!!
O objectivo desta equipa B, é a evolução dos jogadores, mas depois de um início de Campeonato tão bom, é frustrante perder pontos desta maneira, quando é perceptível a todos, que esta equipa tem potencial para ser Campeã da II Liga. Além disso, além da componente táctica e técnica, a componente psicológica da ambição (do 'mau perder') também deve fazer parte da aprendizagem...
Foi bom ver o Rochinha de volta à equipa...

Thierry; Semedo, Lindelof, Valente (Menga, 90'), Rebocho; Amorim (Rochinha, 78'), Pinto; Costa, Santos (Dawidowicz, 60'), Guedes; Fonte.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Um grão de areia na «Máquina de Ocwirk»

"Morreu Fernando Cabrita, o seleccionador nacional que ordenava. «Vamos a eles que nem Tarzões!». Figura única do futebol português, ficou para a história por muitos episódios, mas nenhum mais marcante do que o de um Portugal-Áustria.

Vamos à história! Na qualificação para o Campeonato do Mundo de 1954, que teve lugar na Suíça, mandou o sorteio que Portugal decidisse eliminatória preliminar com a Áustria. Estando o encontro da primeira «mão» marcado para Viena no dia 27 de Setembro de 1953, Salvador do Carmo, novamente chamado para orientar a equipa numa campanha mundialista, reuniu os seleccionadores em meados do mês. Com o campeonato ainda de férias, a preparação física dos jogadores era a grande preocupação do treinador Álvaro Cardoso. Durante dez dias, o Estádio do Jamor foi o palco das sessões de treino portuguesas. Um episódio marcante continuava a ensombrar, no encanto, a deslocação de Portugal: o do abandono, menos de um ano antes, do futebol por parte de Jesus Correia, aos 28 anos e no auge das suas capacidades. Sendo-lhe imposta, por parte do seu clube, o Sporting, a condição de só poder continuar a jogar futebol na equipa «leonina» desde que abandonasse o hóquei em patins, o popular «Necas» optou pela primeira paixão desportiva da sua vida deixando o selecção portuguesa órfã de um dos seus jogadores mais categorizados, mantendo-se em actividade no Paço d'Arcos e dedicando-se ao seu emprego no Grémio dos Armazenistas de Mercearia, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Não foi a ausência de Jesus Correia que justificou a monstruosa derrota. Perante uma selecção austríaca que era, indiscutivelmente, uma das mais fortes do Mundo, composta à base do Rapid de Viena e tendo jogadores de grande classe como o enorme Ocwirk, médio-direito de recursos inexcedíveis, o interior-esquerdo Probst, o médio-centro Ernst Happel (que seria, mais tarde, um treinador de reconhecidos méritos), o avançado-centro Dienst, ou o famoso «Tigre de Viena», o guarda-redes Zeman, Portugal fazia, logo à partiad, figura de parceiro menor de uma eliminatória desigual. E a estadia na capital austríaca ganharia tons de pesadelo. No Estádio do Prater, mais de 60.000 pessoas assistiram ao massacre de Portugal face a uma equipa que deixara de ser o «Wunder-tean» do saudoso Mathias Sindelar, o «Homem de Papel», para se transformar na «Máquina de Ocwirk».
Lançado-se em turbilhão sobre um conjunto português que deixou cedo transparecer as suas debilidades físicas, a Áustria chegaria rapidamente aos 3-0 com golos de Ocwirk (13 minutos) e Probst (15 e 20). Até ao intervalo, Probst (33) voltaria a marcar, e a segunda parte seria o especlho da primeira: 5-0 por Probst (59); 5-1 por Águas (60); 6-1 por Ocwirk (69); 7-1 por Probst (73); 8-1 por Wagner (84) e 9-1 por Dienst (89).
Os 9-2 de Viena são num ponto de viragem na história da selecção portuguesa, de futebol. Foram, por assim dizer, a última «cabazada» sofrida por Portugal nos seus confrontos internacionais e deram início a uma fase de renovação de métodos e de mentalidades que teria o seu ponto alto na década seguinte.

Eis que entra Cabrita!
Com o jogo da primeira «mão» bem fresco na memória, Salvador do Carmo congemina a melhor forma de evitar nova derrota volumosa perante a «irmã gémea» da Hungria, que acabara de esmagar a grande Inglaterra com 6-3 em Wembley e 7-1 em Budapeste. José Águas, lesionado, deixa de ser uma peça utilizável. Para o seu lugar é chamado o portista Monteiro da Costa. E a táctica parece estar definida: Serafim das Neves terá como missão segurar o goleador Probst, autor de cinco tentos em Viena; Cabrita marcará o gigante Ocwirk - decisão curiosa e a valer muitas críticas; Matateu será deslocado para a esquerda de modo a impedir o internacional austríaco por esse lado já que a Áustria carrila o seu jogo ofensivo sobretudo pela direita. É desta forma que Portugal arranca um empate sensaborão (0-0) mas que ganha foros de enorme proeza. O sacrifício de Cabrita será glorificado por muitos anos, de tal forma que a estreia do jovem alcantarense Germano, que entra no segundo tempo a substituí-lo, passa quase despercebida.
Estávamos a 29 de Novembro de 1953. Fernando da Silva Cabrita, que se afirmara como avançado-centro no Olhanense - acabara de viver dois anos desterrado no modesto Angers, de França, antes de seguir para o Sporting da Covilhã, e passara outros cinco afastado da Selecção Nacional - transformara-se primeiro num interior e, depois, por necessidade, no «homem que secou Ocwirk», nesse tempo considerado como um dos maiores dianteiros do Mundo, um matulão de enorme habilidade, ponta-de-lança do Áustria de Viena (mais tarde contratado pela Sampdória, sendo o segundo jogador austríaco a demandar ao «calcio») e figura da equipa da Áustria que conquistou o terceiro lugar nesse Campeonato do Mundo.
A vergonha dos nove de Viena caia no esquecimento. Ernst Ocwirk ficara no bolso de Cabrita para felicidade dos portugueses. Um avançado a marcar outro - caso raro nesse tempo. Mas que os antigos não esquecerão.

«Era um homem muito dedicado e compenetrado, um homem de arregaçar as mangas, um operário»
José Augusto

«Fernando Cabrita será sempre recordado como alguém muito marcante para o Futebol em Portugal»
Toni

«Quando estava no Atlético em 1965/66, o Fernando Cabrita foi ver todos os meus jogos. No último jogo esperou por mim à saída da cabine e disse-me que estava no hora de ir para o Benfica. Era um homem com H grande»
José Henrique

«Era um bom treinador. Embora não fosse o nosso treinador principal, era um adjunto competente»
Fernando Chalana

«O Fernando Cabrita foi um grande amigo em toda a sua vida. Desde jogador a teinador tivemos sempre um belíssmo relacionamento»
Artur Santos"

Afonso de Melo, in O Benfica 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Lixívia VI

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica............ 16 ( 0) = 16
Braga............... 11 (-2) = 13
Corruptos........ 12 (+2) = 10
Sporting............ 10 (+1) = 9

Estará realmente alguma coisa coisa a mudar no Tugão?! Expulsam-se (bem) adversários do Benfica; não se marcam penaty's que não existem contra o Benfica...; até se expulsam alguns jogadores dos Corruptos (bem expulsos); não se inventam penalty's a favor dos Corruptos... Tudo isto é estranho, muito estranho...!!! Quando personagens macabras como Lourenços Pintos aparecem nos jornais clamando por arbitragens isentas de erros... é porque alguma coisa de muito 'grave' se está a passar!!! Imaginem os capangas do Al Capone no auge do seu reinado de terror (e altamente lucrativo, de contrabando de bebidas alcoólicas), virem publicamente criticar a Lei Seca imposta pelo Governo Federal!!! Vamos ficar atentos, para verificar se é Sol de pouca dura, ou se é para continuar...!!!

No Estoril, tivemos no geral uma boa arbitragem. No essencial manteve o critério. Cometeu erros, principalmente disciplinarmente... perdoou vários amarelos aos canarinhos: Filipe Gonçalves e Sebá principalmente... Tecnicamente, deixou jogar.
No penalty pedido pelos Anti's, é um lance normal, onde o Kléber tenta aproveitar-se do contacto... o Jardel foi algo ingénuo, e pôs-se a jeito... mas felizmente o árbitro não estava para ali virado!!! No resto do jogo houve vários lances parecidos, e nunca foi marcada falta: existe um sobre o Talisca ainda na 1.ª parte, que deu um contra-ataque perigoso ao Estoril; e no 1.º golo do Benfica, o Kléber tentou ludibriar o árbitro na mesma forma, deixando-se cair para trás...
A expulsão do canarinho Uruguaio, é óbvia. Dizem que o Enzo 'sacou' o amarelo, mas eu pergunto ao contrário: se o Enzo, após aquele 'carrinho' negligente, não fizesse o que fez, não estaria a ser burro?!!!
No 2.º golo do Estoril, o Kuca joga a bola com a Mão no início do lance, mas pareceu-me não intencional...
É normal as equipas do Couceiro perderem com o Benfica, mas também é normal ver o Couceiro no banco contra o Benfica com uma garra pouco vista!!! Transmitindo aos jogadores níveis de motivação raros...!!! Dito isto, só digo que este jogo serviu também - mais uma vez -, para demonstrar a anedota da luta anti-Doping no futebol em Portugal!!! Estou curioso para ver qual será o próximo jogo que o Kléber vai jogar, e de que forma ele irá fazê-lo...!!!
Tal como fiz na crónica do jogo, não posso deixar de fazer referência à forma abjecta como o narrador da PoskosTV, comentou o jogo, com destaque para a azia no 1.º golo do Benfica: a forma quase desesperada, como ele apelou aos jogadores do Estoril, para que na próxima jogada idêntica, darem porrada no Talisca... em vez de elogiar o Baiano... é do mais nojento que ultimamente ouvi PorkosTV !!! Como normalmente desligo o som, as outras asneiras passam-me ao lado, mas como assisti a este jogo num espaço público, desta vez fui obrigado a aturá-los!!!

O Basco continua a empatar, e continua a chorar as arbitragens... cheira-me que não vai aquecer a cadeira, se por um lado espero que lá fique por muitos anos, por outro lado, seria bom sinal, ir pregar para outra freguesia...!!! No meio da propaganda houve dois lances no clássico duvidosos:
1 - Quaresma se calhar merecia o vermelho... o amarelo soube a pouco!!!
2 - No lance do suposto penalty, mesmo após várias repetições não fiquei com uma opinião definitiva. Pois tenho duvidas se a bola raspa no 'pneu' do Maurício, antes de lhe bater no braço...!!! Apesar de achar que este é daqueles lances que em velocidade normal, parece não existir falta, já que o toque de calcanhar acaba por surpreender o defesa Lagarto.
Houve outros erros, como o fora-de-jogo num dos últimos lances da partida, que o Tello fez o o favor de desperdiçar...!!! Mas, os dois lances mais importantes foram os dois que eu relevei... Como durante o jogo, fiquei com a impressão que o critério foi igual para as duas equipas, dou o benefício da duvida ao Olarápio!!!
ADENDA: Depois de rever as imagens dos tais dois lances mais 'duvidosos' decidi alterar a minha opinião!!! A falta do Quaresma é para vermelho, ele além de dar um pontapé com uma perna, pisa o pé de apoio do Nani...; em relação ao penalty, admito que continuo com dúvidas, mas para dividir o 'mal pelas aldeias'!!!

Em Braga, o Bruno Esteves teve mais uma arbitragem horrível...!!! Começou com a expulsão do Boateng aos 10 minutos: existe contacto do braço com a cara, mas é um contacto perfeitamente normal... Infelizmente nos últimos anos, a opinião pública desportiva, tentou transformar estes lances (todos) em Vermelho directo, o que é um erro... Os jogadores tem braços, e não podem jogar sem eles!!!
O outro grande erro foi o golo anulado ao André Pinto. Na repetição não vejo qualquer falta... até pode ter existido, mas na televisão não parece. Até parece que são os dois Vila-condenses que chocam um no outro!!!
No penalty do Ukra, dou-lhe o beneficio da dúvida... O Ukra foi imprudente, não me parece que tivesse intenção, mas acabou por levantar ligeiramente o braço, aumentando a volumetria. E era fácil, perceber o que o jogador do Braga ia fazer...

Anexos:
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Cosme, Prejudicados, Sem influência no resultado
2.ª-Boavista(f), V(1-0), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Setúbal(f), V(0-5), Capela, Nada a assinalar
5.ª-Moreirense(c), V(3-1), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Estoril(f), V(2-3), Vasco Santos, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Académica(f), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
2.ª-Arouca(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (2-0), Sem influência resultado
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Belenenses(c), E(1-1), Cosme Machado, Nada a assinalar
5.ª-Gil Vicente(f), V(0-4), Beneficiados, (1-4), Sem influência no resultado
6.ª-Corruptos(c), E(1-1), Benquerença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar

Corruptos
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-0), Mota, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4.ª-Guimarães(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
5.ª-Boavista(c), E(0-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
6.ª-Sporting(f), (1-1), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar

Braga
1.ª-Boavista(c), V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-0)?!, Impossível contabilizar
2.ª-Moreirense(f), E(0-0), Paixão, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Estoril(c), V(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), D(1-0), Proença, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(f) E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Rio Ave(c), V(3-0), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar

As Contas

"As Contas  de 2013/14 trazem à colação vários elementos e obrigam a diversas reflexões. Desde logo, a noção importantíssima de equilíbrio que percorre toda a contabilidade benfiquista e que parece estar ainda muito longe da prática dos nossos adversários directos ao título. Efectivamente, ao aumento dos valores do passivo, corresponde um aumento do activo. Isto significa que os capitais próprios são positivos. Ou, por outras palavras, as contas estão em ordem, são credíveis e todos os compromissos do Benfica são perfeitamente cumpríveis. Ao mesmo tempo, merece destaque evidente o valor global da instituição Benfica que, juntando a facturação do clube e da SAD, ultrapassa o valor de 200 milhões de euros. Ora, é a primeira vez que um clube em Portugal ultrapassa esta barreira em termos de proveitos consolidados.
É esta relação proveitos-custos que torna a contabilidade benfiquista como um grande lição para os restantes clubes em Portugal, habituados à lógica do empurrão do passivo financeiro para um futuro incerto e indeterminado. Na verdade, o aumento dos custos do Benfica não desvia a linha do respectivo aumento das receitas, denotando assim aquele equilíbrio contabilístico mágico que é uma obra monumental do Luís Filipe Vieira.
Merecem ainda destaque o aumento exponencial das receitas televisivas e o impacto financeiro da BTV, Mantendo a mesma estrutura de custos, a BTV conseguiu proveitos na ordem dos 28,1 milhões de euros, premiando a aposta num canal multifacetado. A BTV é a cara verdadeira da supremacia benfiquista, pois só uma marca poderosíssima poderia conseguir um impacto financeiro da sua televisão muito acima de Chelsea ou o Barcelona. Ora, é esta relação-compromisso-vontade dos sócios, em Portugal e no estrangeiro, que representa a medida do sucesso da BTV... e do Benfica."

André Ventura, in O Benfica

Guiados pela justiça

"Seria difícil estabelecer um nexo de causalidade entre a liderança isolada do Benfica na classificação do Campeonato, e a maravilhosa atitude dos benfiquistas nos últimos minutos do jogo com o Zenit para a Liga dos Campeões. Mas uma coisa sucedeu à outra, como que premiando o trabalho, o esforço, a fé e o sentido de comunhão que haviam sido demonstrados dias antes, e constituem parte integrante da nossa matriz identitária.
O que se viu na partida internacional foi belo, e incomum em estádios portugueses. Algumas mentes mais empedernidas desdenharam daqueles aplausos, confundindo a satisfação por um resultado (e nenhum de nós saiu satisfeito da Luz nessa noite), com o reconhecimento do trabalho de profissionais que, perante múltiplas contrariedades, lutaram até à última gota de suor por um desfecho mais feliz. Participar naquele momento foi algo que me orgulhou enquanto benfiquista, enquanto apaixonado do futebol, e até enquanto português.
Como tantas vezes acontece, no futebol e na vida, justiça seguiu os seus próprios caminhos: no domingo, uma conjugação de resultados favoráveis guindou o Benfica à liderança da tabela classificativa, algo que afaga a moral da equipa e dos adeptos, e constitui precioso estímulo para os compromissos vindouros. Vencer o Moreirense não foi tarefa fácil. Em primeiro lugar devido à organização colectiva que o conjunto minhoto apresentou, um segundo lugar devido ao anti-jogo que cedo começou a praticar, e em terceiro a um certo adormecimento do Benfica ao longo da primeira parte - o qual poderá ter a ver com o desgaste físico e anímico da partida anterior, mas que deverá servir de aviso para uma equipa que tem na conquista do Bi-Campeonato a sua grande prioridade.
Nos próximos dias, mais um duplo compromisso. E mais um desafio à concentração competitiva da nossa equipa. Todo o grupo de trabalho estará certamente desperto para a importância do jogo de Leverkusen. É muito importante que se mantenha ainda mais desperto para o jogo com o Estoril."

Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 28 de setembro de 2014

Vitória na Póvoa...

Póvoa Futsal 1 - 3 Benfica

Um dos melhores jogos da temporada, com claras melhorias na consistência defensiva...
A única má notícia do dia foi a lesão do Ré, espero que tenha sido só um susto.

sábado, 27 de setembro de 2014

Susto... rectificado !!!

Estoril 2 - 3 Benfica

Depois do empate de ontem no clássico, a vitória hoje era obrigatória... não pela matemática, mas pelo moral. O jogo não podia ter começado melhor, com 2 golos do Talisca... mas a eficácia demonstrada nos primeiros 8 minutos, desvaneceu-se!!! Bola ao poste, remates de golos interceptados por defesas, enfim... O Benfica tinha entrada a pressionar alto, permitia pouco ao Estoril... mas depois, baixámos o ritmo, e o Estoril começou a criar perigo junto da nossa baliza. Quase sempre da mesma forma: pouca pressão do Benfica no meio-campo, nas zonas do Nico e do Toto, a permitir passes perigossíssimos para as costas dos nossos Centrais... Não estou a culpar o Nico e o Toto, mas se tivesse o Fejsa em campo, duvido que o Estoril tivesse espaço para fazer este tipo de jogo!!! Repito, o Samaris tem bons pormenores (quase sempre com a bola nos pés), mas a defender, ainda está longe daquilo que é exigido ao '6' do Benfica... O problema é que o '6' do Benfica, é o principal 'equilibrador' do Benfica, e sem equilíbrio, vai ser difícil ganhar jogos, contra adversários mais competentes... Por exemplo, na próxima Quarta-feira em Leverkusen, espero que o titular seja o André Almeida... e o Samaris até pode jogar!!!

Dentro da 'sorte', tivemos 'azar' no 1.º golo do Estoril, pois parece-me que o remate iria para fora, sem o desvio do Maxi... Até reagimos bem, com nova bola no poste, desta vez numa cabeçada do Jardel... mas o intervalo, veio na altura certa.
Não entrámos mal no 2.º tempo, mas o Estoril praticamente na 1.ª oportunidade da 2.ª parte, marcou, numa jogada que começou com uma bola controlada por um braço canarinho...

Com 2-2 o jogo começou a mudar, primeiro, foi a habitual falta de ambição das equipas mais pequenas, que mesmo estando a jogar bem - e com o Benfica a denotar dificuldades... -, com o empate, baixaram a intensidade, tentando gerir o 'pontinho'... e isso ajudou o Benfica; depois, o canarinho mais 'amarelo' em campo, deu o berro (é incrível como em Portugal se permite, autênticas 'bombas atómicas' de Doping, como hoje foi visível no Kléber - e não foi o único... -, com total impunidade!!!); e finalmente aos 65 minutos o Cabrera foi expulso, com um duplo amarelo justissimo (outro dos 'amarelos'...!!!), o estranho neste jogo foi mesmo não terem existido mais amarelos e vermelhos, pois a 'amarelinha' é difícil de controlar... perguntem ao Sebá, que incrivelmente chegou ao fim do jogo sem um único amarelo!!!

Já com o Ola John e o Derley em campo, numa jogada onde o Salvio fez um grande passe, e o Derley demonstrou a sua utilidade, o Lima acabou por decidir o jogo... confirmando os 3 pontos para o Benfica. Até final do jogo, controlámos, mas podíamos e devíamos ter marcado, pelo menos mais um...

Fiquei surpreendido com a arbitragem do Vasquinho, não concordei com tudo (principalmente nos amarelos...), mas admito que conseguiu manter o critério. Durante a semana vai-se falar do encosto do Jardel, mas durante todo o jogo, naquele tipo de jogadas, nunca marcou faltas, dentro ou fora da área... para os dois lados.
Assim o momento Asco do jogo, ficou a cargo dos meninos da PorkosTV: então não é, que após a cavalgada no 1.º golo do Talisca, onde o brasileiro fez quase 40 metros com a bola controlada, aquilo que os Porkos se lembraram de dizer, é que a defesa do Estoril foi mole, e que alguém devia ter 'partido' uma perna ao Talisca...!!! Se um Brahimi, ou um João Mario tivessem feito algo parecido, será que eles teriam chegado à mesma conclusão!!! 

Vitória fácil...

Benfica 39 - 20 Santo Tirso

Nestes jogos acredito que a equipa vai estar quase sempre bem, a vontade dos jovens em mostrarem-se, vai acabar por fazer a diferença... mas quando o grau de dificuldade aumentar, duvido...

Caneco perdido...

Valongo 7 - 5 Benfica

Desilusão em Albergaria-a-Velha, com a derrota na Supertaça... num jogo onde o adversário aproveitou todas as situações de 'bola parada' e nós falhámos várias...
A equipa está mais forte em relação à época anterior com a entrada do Nicolia, mas devido às características do Argentino, vai demorar algum tempo aos restantes jogadores, rotinar as movimentações!!!
Não entro na onda das criticas assassinas aos treinadores e jogadores, sempre que obtemos um resultado negativo, mas hoje o Pedro Henriques tinha que ter entrado mais cedo (especialista a defender 'bolas paradas' recordo!!!), hoje foi visível que não seria dia do Trabal...!!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Surpresa e prémio

"Se em Agosto alguém dissesse que o Benfica liderava isolado à quinta jornada, quase ninguém acreditava. Em rigor, pelas análises da pré-época, esse lugar só poderia ser do FC Porto e da sua equipa maravilha, ou quando muito do Sporting, no sonho de algum inebriado sportinguista pelas palavras do seu presidente.
É uma surpresa e um prémio. Uma surpresa pela rapidez com que o Benfica conseguiu aproximar o plantel a uma equipa competitiva, e um prémio para a eficácia e trabalho que Jorge Jesus teve.
O jogo com o Moreirense  mostrou que há ainda muito a melhorar para colocar a equipa em linha com a ambição dos adeptos. Os benfiquistas apanharam um valente susto no domingo, susto que só passou a ter piada no fim do jogo do Dragão. Que o jogo contra o Moreirense seja o equivalente ao Benfica - Gil Vicente da última época.
Domingo, no Estádio do Dragão, Lopetegui meter mais água do que aquela que a equipa conseguiu drenar. Contra um limitado Boavista que fez da alma o seu argumento futebolístico, o FC Porto perdeu dois pontos caricatos. Petit enorme.
Isto nada muda de essencial e o FC Porto será o principal rival do Benfica na luta pelo título, tem melhores jogadores e melhor equipa do que o Sporting. Tudo que não seja uma vitória azul e branca logo à noite no clássico de Alvalade será uma grande surpresa. Não nego que gostava que houvesse surpresa, na qual não acredito. Mas também apostava 'singelo contra dobrado' numa goleada do FC Porto ao Boavista e... perdi. São a vantagem, beleza e sortilégio do futebol.
O Estoril - Benfica será uma partida muito difícil e vai ser um teste importante à nossa capacidade e ambição. Só uma vitória do Benfica na Amoreira pode transformar o resultado do clássico numa notícia positiva para o Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Do D'Artgnan ao cavalo do Gary Cooper

"Foi surpreendente o zero a zero no Dragão no reencontro oficial dos emblemas, respectivamente, mais absolvidos e mais condenados do processo do Apito Dourado.

A troca de galhardetes entre Jorge Jesus e José Mourinho é assunto que morreu na semana passada. Quem o enterrou foi o treinador do Benfica que, ao invés do treinador do Chelsea, não tem licenciatura universitária mas teve o bom senso prático de não dar corda ao boneco.
Até porque percebeu que a conversa lhe estava de feição, Jorge Jesus não deu troco às tiradas literárias de um José Mourinho fazendo-se douto e sabido perante um maltrapilho da língua e da gramática, porque foi a isto que o treinador do Chelsea quis reduzir o treinador do Benfica. Foi feio.
De uma maneira geral, as simpatias da opinião pública ficaram-se pela causa do maltrapilho neste combate desproporcionado e, por isso mesmo, para o inglório campo do amesquinhador.
Há expressões idiomáticas bem engraçadas na nossa língua, no nosso jargão. «Conheces fulano tão bem como eu conheço o D’Artagnan» é uma delas e não obriga a um conhecimento da obra de Alexandre Dumas, antes pelo contrário.
E há outros exemplos do género que até poderiam ser úteis ao próprio José Mourinho. Atente-se no episódio recente do empate do Chelsea em Manchester.
Os londrinos deslocaram-se à casa do campeão City, viram-se a ganhar por 1-0 mas acabaram por se deixar empatar bem perto do fim do jogo, mercê de um golo de Frank Lampard, jogador que o Chelsea deixou sair para o rival depois de um romance de parte a parte que durou 13 anos em Stamford Bridge. 
Naturalmente, terminado o jogo, a malévola imprensa britânica abeirou-se do treinador do Chelsea para colher a reacção do português ao golo do seu antigo jogador. Mourinho saiu-se com um «a história de amor acabou» o que, francamente, não é nada de especial como saída.
Mais lhe valia ter-se inspirado na velha e consagrada tirada do grande e já desaparecido António Medeiros, outro treinador sem licenciatura universitária, que um dia, aborrecido com as questões que lhe colocavam alguns adeptos em fúria, a todos respondeu com um «vão mas é conversar com o cavalo do Gary Cooper!»
Lembram-se? E acabou-se logo ali a conversa.
E tal como não é preciso ter lido Dumas para «não conhecer» o D’Artagnan, também não é obrigatório um doutoramento em coboiadas nem, muito menos, uma medalha de ouro num concurso olímpico de hipismo para se poder mandar alguém ir falar com «o cavalo do Gary Cooper».
Pelo menos é assim que eu vejo as coisas e com toda a imparcialidade.

O Moreirense esteve uma hora e picos a ganhar por 1-0 ao Benfica no Estádio da Luz e durante uma hora e picos ouvi-os cantar pelo caminho no regresso a casa.
O treinador do Moreirense, como quem não quer a coisa, tinha avisado nas vésperas do jogo. «Se trouxermos os três pontos vimos a cantar o caminho todo.» Aparentemente ninguém fez caso. E chegando o Moreirense ao intervalo a vencer por 1-0 o Benfica, não se podendo dizer que o resultado fosse inferior à exibição, era justo o prémio para os organizadíssimos visitantes.
E ainda mais justo o castigo para os lentíssimos donos da casa a quem, sejamos francos, nunca passou pela cabeça, ao longo do exasperante decorrer de uma tarde sofrida e desinspirada, verem-se na posição de líderes isolados do campeonato pelo fim da noite.
Por tudo isto, foi ainda mais saboroso o balanço do fim-de-semana.
No entanto, da exibição coletiva do Benfica pouco há a reter para além de alguns factos soltos. Tais como o empenho a 100% de Enzo Pérez, o regresso de Lima aos golos, uma bela estirada de Júlio César evitando um auto-golo de Jardel e, pairando acima destas ocorrências, a acertadíssima bomba de Eliseu que abriu o caminho à vitória.
Se estavam à espera os nossos jogadores de receber uma estrondosa ovação depois de perder em casa com o Moreirense, desenganem-nos rapidamente por favor. Estas singularidades do comportamento do público são isso mesmo, singularidades. E convém não abusar.
Agora segue-se uma viagem ao Estoril. O Estoril, ao contrário do Bayer de Leverkusen, é que é do nosso campeonato. Cuidado com o Kuca.

A diferença de potencial entre o FC Porto e o Boavista é de tal monta que nem os mais optimistas entre os seus rivais acreditaram que, com menos um em campo desde o meio da primeira parte, não conseguiria a renovada equipa azul e branca desembaraçar-se com toda a naturalidade do Boavista.
Passaram-se, entretanto, seis anos sem o Boavista entre os grandes. E na ante-ante-véspera do juízo jurisdicional sobre a não-existência da fruta, no decorrer do tal ressuscitado primeiro derby da Invicta logo aconteceu uma expulsão de um jogador do FC Porto antes da meia hora de jogo. Terá sido, conclui-se, a vingança do xadrez.
Foi, sem dúvida, surpreendente o zero-a-zero no Dragão no reencontro oficial dos emblemas, respectivamente, mais absolvidos e mais condenados do processo do Apito Dourado.
Foi um bom jogo em termos de empenho de todos os intervenientes. Sem Maicon em campo, houve vinte e duas oportunidades para desfeitear Mika, contou Julen Lopetegui logo na flash-interview. É muita oportunidade desperdiçada.
O atributo mais notável que vem revelando este regressado Boavista é o contágio da equipa pela personalidade do seu treinador. Na noite de domingo foram 11 Petits em campo. Neste FC Porto em construção, tantas são caras novas, que também a personalidade do seu treinador só pode ser, para já, a argamassa da equipa.
Resumindo: 11 Petis contas 10 Lopeteguis deu no que deu: 0-0.

NO nosso panorama audiovisual surgem agora os três grandes empatados visto que cada um tem o seu canal próprio de televisão. O Sporting foi o último a chegar a este patamar tecnológico e informativo e, uma vez mais, os últimos são os primeiros. E os primeiros em quê?
É um facto indisputado que nenhuma estação de televisão propriedade de um clube de futebol, seja em Portugal seja na Conchinchina, nasceu para dar cartas na dificílima arte do desapego e da imparcialidade no que diz respeito ao comentário a embates desportivos envolvendo as suas cores.
No entanto, é caso para se dizer que, em termos dos mínimos expectáveis nesse capítulo, a Benfica TV e o Porto Canal, por comparação com a Sporting TV, estão à altura de um Washington Post por comparação com a sempre desbocada Gazeta de Mira Coelhos que, se existisse, haveria de ser obra.

FERNANDO SANTOS é o novo seleccionador nacional. Chega ao cargo que é um castigo, face ao panorama geral, com um outro castigo aos ombros, este imposto pela FIFA. Fernando Santos já soma dois castigos e ainda nem começou.
Merece, por isso mesmo, toda a simpatia o seleccionador que já foi treinador do FC Porto, do Sporting e do Benfica. A escolha de Fernando Gomes, em termos de não fazer ondas e deixar toda a gente satisfeita, não podia ter sido mais criteriosa e cuidada.
Sobre o castigo imposto pela FPF a Fernando Santos – obrigando-o a ser seleccionador nacional em maré muito baixa de seleccionáveis – está já tudo dito. Sobre o castigo que lhe foi imposto pela FIFA garante a imprensa que pode ser revista e diminuída a pena aplicada. Ou seja, Fernando Santos pode ir mais cedo do que se esperava para o banco de Portugal.
A acontecer, trata-se de uma situação curiosa porque sendo encurtado o castigo ao ex-seleccionador da Grécia, como consequência é aumentado o castigo ao novo seleccionador de Portugal, obrigando-o a ir para o banco mais cedo que estava previsto… Boa sorte, mister!"

Leonor Pinhão, in A Bola

Fernando Santos

" 'Habemus' seleccionador! Fernando Santos foi o escolhido. Ainda bem. Trata-se de um treinador português, maduro, sabedor, exigente, justo, rigoroso. E, não menos importante, é um homem de carácter, com princípios e valores éticos às vezes tão arredios do futebol. Sem alardes folclóricos e amuletos inconsequentes, nem amuos de quem parece andar mal com o mundo.
Tem pela sua frente um caminho tão aliciante quanto complexo. Na minha opinião de mero observador, a nossa selecção precisa de uma radical renovação e regeneração. Exige, também, uma alteração de mentalidades em muitos jogadores, que precisam de sentir a alegria e o orgulho de envergar a camisola representativa do nosso país.
Mas isto não se faz do dia para a noite. Necessita de pesquisa, estudo e paciência. Em Portugal, vai-se notando um rareamento de grandes jogadores. Ou porque não os há mesmo, ou porque estão envoltos no nevoeiro de um relativo anonimato até chegarem a um dos grandes clubes. Fernando Santos é a pessoa certa para este enorme desafio. Homem sereno, humanista e perseverante sabe bem quão importante é resgatar a selecção de interesses particularistas, de jogos de sombras, de egos potenciadores e de vaidades tontas e quão necessário se torna devolver-lhe a alegria de jogar, a simplicidade de se se estar nos eleitos e o orgulho de pertença.
Agora que Fernando Santos deixou a selecção helénica e vivendo nós num mundo globalizado, faço votos para que não se veja grego a treinar Portugal, que os atletas não joguem para inglês ver e que o novo seleccionador os ponha a jogar como um relógio suíço."

Bagão Félix, in A Bola

Bebé Tiago...

Ritmo Benfica...

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Eu estive lá

"Tenho mais de 30 anos de Estádio da Luz. Tempo suficiente para já ter visto de tudo: conquistas gloriosas, derrotas formativas e jogadas mágicas. De todas guardo igual memória. Aprendi a gostar do Benfica com vitórias como as da caminhada rumo à final da UEFA com Eriksson; com derrocadas como a sofrida com o Liverpool, em meados dos oitenta, às mãos de Bento, que era um gigante; ou com dribles como os do Diamantino, que num jogo contra o Porto, de tanto fintar o Laureta, acabou por deixá-lo sentado.
O futebol é ma ficção que podemos viver, sentados na bancada. Mas não há nisto nada contemplativo. Quem vê futebol com paixão no estádio, participa do jogo. Sei que é assim. Os medos dos adeptos (a ansiedade que sentimos numa bola mal atrasada para o guarda-redes, as dúvidas em relação a um defesa que teima em deixar-nos mal), bem como a nossa confiança (traduzida na alegria que vislumbramos no extremo a quem as fintas saem sempre), ligam-nos ao jogo, mas transmitem-se também ao jogo. O Benfica é a continuação do que passa nas bancadas da Luz.
De tudo o que vivi, não me recordo de uma noite como a de 16 de Setembro de 2014. Escrevo por extenso a data dessa terça-feira, em que perdemos com o Zenit, pois passará a estar inscrita na minha memória, lado a lado com outros momentos formativos de benfiquismo.
Para trás vai ficar a sonolência colectiva do início da partida e a história esquecerá o resultado. Quando olharmos para este dia, recordar-nos-emos, todos os que lá estiveram, do cântico espontâneo e prolongado. Sei de certeza firme que o que se passou naquela noite vai ser o suplemento de alma para grandes conquistas e que, no fim da época, quando Luisão levantar a taça, o fará com a força de todos nós, que empurramos o Benfica para as vitórias. A cantar."


PS: Sobre este assunto não posso deixar sem referência, a forma como esta manifestação de Benfiquismo (que eu também participei), foi recebida pelos nossos 'supostos' rivais!!!
A ignorância demonstrada sobre o significado destes cântico, só me deixa ainda mais orgulhoso de ser Benfiquista...

Gramática e D'Artagnan

"Este meu pontapé-de-saída é em redor de outros pontapés, mais ou menos literários, mais ou menos teatrais. Refiro-me à expressão pontapés na gramática que é considerada ofensiva. Se fosse defensiva melhor seria dizer contrapés na gramática. Ou, ainda, se fosse culposa e objecto de penalização, talvez se pudesse falar de mão na gramática. É uma expressão que junta futebol e linguística. Há quem seja melhor na gramática dos pontapés de que nos pontapés na gramática. E, pelo que vi nos últimos dias, há quem, acima de qualquer suspeita, se considere num estádio superior no mundo dos pontapés e da gramática. Ou seja, conciliando em pleno a gramática do futebol e o futebol da gramática.
Sabemos que a gramática também tem a ver com as orações bem divididas e educadas. Nestas, o sujeito é fundamental. Mas o predicado é indispensável. Assim como os complementos, atributos e apostos ou continuados.
Alguém escreveu que a discrição é a gramática da boa linguagem, que se aprende com o uso. Por isso, há outras gramáticas na vida, como a gramática da civilidade. E nesta, quantas vezes um analfabeto é melhor professor do que um catedrático. Nem sempre o problema está na gramática propriamente dita. Pode estar, mais acentuadamente, na dialéctica, na lógica, na retórica e na oratória. De que alguns se alimentam freneticamente para manter a gramática (de outros) numa posição dramática.

P.S. Parece-me que ele é íntimo com D'Artagnan é gramaticalmente inadequado. Em vez de íntimo com D'Artagnan deve dizer-se íntimo de D'Artagnan ou que tem um contacto íntimo com D'Artagnan... No melhor pano caí a nódoa."

Bagão Félix, in A Bola

O verdadeiro Mourinho

"Talisca é um jogador brasileiro do Benfica de 20 anos, que, no entanto, já originou uma polémica entre dois treinadores que tinham idade para ser quase seus avós. E que ganham milhões.
O caso foi este: Mourinho disse que os ingleses conheciam bem Talisca, que só não foi para Londres por razões burocráticas. Jesus respondeu que "eles conheciam tanto o Talisca como eu conhecia o D’Artagnan".
O caso não ficou por aqui.
Mourinho replicou e, numa alusão às falhas gramaticais de Jesus, disse: "Eu tento educar-me para não dar pontapés na gramática".
Convenhamos que este tipo de ataques não é bonito. Jesus não tinha de pôr em causa as afirmações de Mourinho. Mas as suas palavras foram ditas em jeito de desabafo, com a impulsividade própria das pessoas simples.
Mourinho foi mais refinado. Não tentou contrariar Jesus: tentou atacá-lo no amor-próprio, espetar-lhe a faca, dizendo que ele é um ignorante, que fala mal e portanto devia estar calado.
Uma coisa são as ‘bocas’, normais no mundo do futebol. Outra são os ataques pessoais. E estes revelam mais sobre quem os faz do que sobre as suas vítimas."

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Da Suécia à Dinamarca só a memória é curta...

"Lembro-me de 1981. E de 1977. Sempre em Outubro. No Estádio da Luz. Dois golos de Pietra. Um de cabeça, e outro de «penalty»; um pela selecção nacional, outro pelo Benfica. Como se fosse um avançado-centro.

Com sua licença, prezado leitor, hoje por aqui vai passar o Pietra. Minervino José Lopes Pietra: 10 anos como jogador do Benfica. Pau para toda a obra: vi-o jogar a defesa-direito e a defesa-esquerdo, a trinco e até a avançado quando teve de ser, e já lá vamos não tarda.
Tenho-o como um bom amigo. Muitos e muitos anos de grandes conversas, algumas delas no saudoso António, da Ajuda, com o Eusébio também.
Vou à arca das memórias, e há jogos inesquecíveis. Do Pietra, claro está. Um deles pela selecção nacional, no Estádio da Luz, frente à Suécia. Dia 14 de Outubro, no Estádio da Luz. Estive lá: eu e mais uns 70 mil. Portugal lutava para se qualificar para o Campeonato do Mundo de 1982, em Espanha, e falhou redondamente. Os apurados seriam a Escócia e a Irlanda do Norte. Os suecos, que visitaram Lisboa já sem hipóteses, instalaram-se em Tróia nos dias que antecederam o encontro, aproveitando uma réstia de sol ocidental e a tranquilidade arenosa da península. Os jornais bateram na tecla: se Portugal trabalhava para atravessar a fronteira no mês de Junho que e seguiria, a Suécia ia a banhos. Valeram os banhos: a Suécia ganhou por 2-1, obrigando a Equipa-de-Todos-Nós a ter de vencer o jogo seguinte, em Israel, para continuar a alimentar ténues e quase invisíveis esperanças. Debalde: nova derrota, desta vez por humilhantes 1-4.
Mas vamos ao Pietra! Jogou no lado esquerdo de uma defesa que contou com Gabriel, Humberto Coelho e Eurico. Bento foi o guarda-redes, mas saiu por lesão ao intervalo, entrando Amaral. Chalana só durou 15 minutos, dando o lugar a Costa. E Juca, o seleccionador, foi dizimado pela crítica por ter deixado à margem da partida os artistas Alves e Oliveira. Aos 39 minutos, os suecos ganharam vantagem por Larsson, Nervos na Luz. Era fundamental uma vitória, e eis que ela se escapava por entre os dedos como a fina areia que brilha nas praias de Tróia ao Carvalhal. Depois houve fé. O público tornou-se feroz. Numa equipa que contava ainda com Shéu e Carlos Manuel, Romeu, Nené e Jordão, Pietra foi enorme. Tinha um estilo único: meias em baixo, cabelo crespo, bigode imponente. Varreu corredores, lançou-se sobre os enormes escandinavos como a alma de um desesperado, levantou-se nas alturas para, aos 74 minutos, cabecear na grande área de Thomas Ravelli a bola centrada por Gabriel que dava o empate português. Lembro-me bem: houve uma explosão por todo o estádio. Uma explosão de crença. Portugal atirou-se para a frente e, por momentos, tudo parecia estar exactamente no lugar em que deveria estar. Engano. A um minuto do final, um pontapé de Persson silenciou piramidal, todos podíamos ouvir o bater do enorme coração do Pietra.

Avançado-centro em Copenhaga
Quatro anos antes, também em Outubro, no dia 19, estive igualmente no Estádio da Luz. Gosto de demandar aos estádios em dias ou noites de futebol. Em Portugal, em Inglaterra, no Brasil ou na Índia. Por todo o mundo procuro o futebol ao vivo, palpitante, longe do sofá e do rectângulo da televisão pelo qual se teima em perseguir apenas a bola, fugindo aos sons e às sensações que se entranham nas memórias.
O Benfica jogava para a Taça dos Campeões com o BK 1903, ou BK de Copenhaga, como o denominavam uns e outros. Boldklubben 1903 de nome original. Em 192 fundiu-se como o Kjobenhavns Boldlub, o KB, e deu lugar ao actual FC Copenhaga.
Eram os oitavos-de-final. Na primeira eliminatória, o Benfica afastara o Torpedo de Moscovo com vitória no desempate em grandes penalidades, na segunda «mão», em Moscovo, depois de dois irritantes zero-a-zero.
Bento foi a figura desse duplo confronto. Pietra seria a figura do segundo duplo confronto.
O jogo da Luz não me deixou grandes recordações. E a memória ficou curta. Foi uma hora e meia monótona. Era um Benfica à Mortimere: regular, mas não espantoso. Apesar de ter um trio de ataque de luxo, com Chalana, Nené e Vítor Baptista.lembro-me de Vítor Baptista sair de cabeça rachada (entrando Celso para o seu lugar) e de Toni, o «capitão», jogar no centro do terreno, com José Luís sobre a direita e Pietra sobre a esquerda. De Bastos Lopes ser o defesa-direito, com Humberto Coelho e Eurico ao meio e Alberto na esquerda. Era um Benfica em renovação, com Vítor Martins lesionado.
No início do segundo tempo, um remate de Alberto bateu no braço de um defesa dinamarquês. Pietra adiantou-se. Chutou e o guarda-redes segui a bola com o braço mas sem lhe chegar. Vitória por 1-0 que deveria ser suficiente perante tão medíocre adversário.
Em Copenhaga, quinze dias mais tarde, o jogo foi duro e feio. Mortimore fez alinhar quase o mesmo onze, apenas com Vítor Martins no lugar de Nené. Os primeiros vinte minutos dos encarnados prometeram uma vitória fácil, mas ela foi árdua e árida como os Invernos do norte da Europa. A violência espalhou-se pelo relvado. Vítor Martins saiu lesionado para entrar Shéu. Mais tarde seria José Luís a vítima, entrando Pereirinha. Entretanto, aos cinco minutos da segunda parte, o extremo-direito do Benfica arranca em velocidade levando atrás três adversários; centra com primor da linha de fundo para a área dinamarquesa onde surge Pietra a saltar mais alto do que os centrais e a fazer mais alto do que os centrais e a fazer o golo único e definitivo. 1-0 mais 1-0: duas vezes Pietra. Como se fosse avançado-centro. Escreviam os críticos que o futebol dos campeões nacionais não tinha qualidade para enfrentar as grandes equipas do continente. Tinham razão: nos quartos-de-final frente ao Liverpool, que nesse ano conquistou a sua segunda Taça dos Campeões, foi um descalabro.
Em Lisboa, no jogo a primeira «mão», chovia-que-Deus-a-dava. Tempo bom para patos. E para ingleses. O Pietra esteve lá. E eu também. O primeiro Benfica-Liverpool de uma séria que viria a tornar-se clássica. Sairá um destes dias do baú inesgotável das lembranças. E ocupará uma página como esta."

Afonso de Melo, in O Benfica