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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

OPA(h)!

"Para que serve a OPA parcial da Benfica SGPS SA – detida a 100% pelo Benfica – a accionistas dispersos, que detêm 28% do capital social?
Na cabeça de cada benfiquista, o Clube deve ser dono do seu futebol. Logo, recuperar 28% de quem é dono do futebol do Benfica é um propósito "à Benfica". Mas outros objectivos intermédios devem ser ponderados. Por que razão existirão na SAD do Benfica accionistas que, em conjunto, podem eleger um administrador, ou podem aceder, ao abrigo do direito à informação societária, a informações privilegiadas do futebol benfiquista?
Seria aberrante, por exemplo, que o accionista Joaquim Oliveira – sim, esse que também é, ou foi, accionista do Porto e outros clubes concorrentes do Benfica - se unisse ao accionista José António dos Santos para aceder a documentos da SAD do Benfica, como contratos, listas de credores, devedores, fluxos financeiros, etc. No entanto, isso pode acontecer enquanto tiverem as posições qualificadas que têm.
Por outro lado, quem garante aos benfiquistas que esses accionistas não vendem as suas acções a Jorge Nuno Pinto da Costa, Fernando Madureira ou Francisco Marques? Estranho, não é? Mas pode acontecer. Agora, imaginem os calafrios que o Sporting não passa com a posição da Holdimo na sua SAD!
Com uma posição superior a 90%, o Benfica faz o que quiser. Até pode querer vender parte do capital pelo justo valor da SAD, sem que accionistas desalinhados com o Benfica o possam impedir. Essa decisão é - deve ser - dos Benfiquistas.
Por fim, porque é que o Benfica há de estar sujeito à pressão de distribuir dividendos para fora do seu universo, especialmente num ano excepcional - como este de 2019 - em que foi vendido um jogador por um preço superior à valorização no balanço de todos os nossos activos com duas pernas?
Porquê agora, é a questão que se segue. Não é pela ocorrência de nenhum fenómeno cósmico, mas quase. Agora, pela primeira vez em quase vinte anos, o Benfica tem os capitais próprios recompostos, tem capacidade financeira para investir no seu principal activo – a propriedade do seu futebol – e manter o necessário investimento no plantel.
A permanência da SAD em bolsa facilita o recurso à emissão de empréstimos obrigacionistas, ainda que se revelem cada vez menos necessários (já “só” devemos 150 milhões de euros) e mantém a pressão saudável sobre a gestão, pois qualquer interessado – a começar e a acabar nos benfiquistas - pode consultar os documentos publicitados pela emitente Benfica SAD tornando, por isso, a informação mais credível e transparente.
Para a sobremesa fica o preço.
Numa OPA não há vários preços. Ou seja, um para fundadores, outro para órgãos sociais, outro para benfiquistas, outro para não benfiquistas, um para portugueses, outro para estrangeiros. Numa OPA há apenas um preço, e esta é a modalidade de compra legalmente possível.
Tirando da controvérsia do preço aqueles benfiquistas que são accionistas de centenas de acções e que nunca as venderão, restam os investidores financeiros e/ou aqueles com posições qualificadas, neste grupo se inclui Luís Filipe Vieira. A propósito, o Benfica tem utilizado a sua participação accionista conjugada com a do seu presidente e de mais ou outro investidor de 2001 para formar maiorias qualificadas. Mas quem garante que isto será assim para sempre? Alguém sabe como pensam os seus herdeiros?
O preço de cada acção reflecte o valor da sociedade anónima e para chegar ao valor justo há um sem número de critérios, sobre os quais não especularemos.
Saber se o valor de 5 euros proporciona mais valias, se não releva a desvalorização sofrida pelos accionistas fundadores ao longo deste período, se premeia o risco daquele momento, se é, por esses e outros motivos, excessivo ou escasso, é assunto que diz respeito a quem tem de decidir se vende.
O que é certo é que o Benfica se disponibiliza a comprar e, se o faz em contexto de intensa regulação, é porque o pode fazer.
O pior que lhe pode acontecer é sofrer uma “contra-OPA”, algo que não se pode excluir neste momento. Aí contaríamos com o benfiquismo de quem tem as acções para não as vender, ou vender apenas se o Benfica cobrir tal oferta. Não se verificando esta hipótese, resta a esperança de que o Benfica reforce o mais possível a sua posição.
Teorias da conspiração sobre conflito de interesses? O campo é fértil e a esta hora não faltarão denúncias. Tanto melhor!"

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