Últimas indefectivações

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Tudo isto é triste

"Das ameaças aos actos, eis que os árbitros avançam para uma ‘greve’ que irá afectar a jornada deste fim-de-semana na antecâmara do clássico FC Porto-Benfica. Cansados dos insultos, das suspeitas e das insinuações, os árbitros decidiram avançar para a decisão mais radical que naturalmente põe em causa a integridade da competição. Ter árbitros de bancada a dirigir jogos de uma liga profissional não é saudável para a credibilidade de qualquer prova.
Aquilo a que se tem assistido nos últimos tempos (agravado por estes dias) indiciava que os árbitros poderiam efectivar a ‘greve’ que deixa as instituições desportivas – clubes, federação, associações, liga - muito mal na fotografia pela simples razão de não terem sido capazes de resolver os seus problemas. O apelo de Fernando Gomes no parlamento caiu em saco roto e nem impeliu o governo a actuar.
A conclusão é triste: parece que tudo se faz para denegrir a imagem do nosso futebol. Que dirá o mundo da bola que há pouco mais de um ano se espantava com Portugal campeão europeu? A imagem fica afectada, prevalecendo os defeitos sobre as imensas virtudes que temos. Às tantas já não sei se o melhor não será mesmo sujeitarmo-nos a tudo isto, batermos no fundo para que a depuração seja total, eliminando-se, em definitivo, os podres que existem."

António Magalhães, in Record

PS: A sério: «(agravado por estes dias)» !!! Então o facto do Benfica ter tornado públicas ameaças e coacções feitas a árbitros, é visto como um insulto aos árbitros!!! A sério...!!!

Vitória difícil, mas saborosa...

Benfica 3 - 1 Zalau
26-24, 19-25, 25-23, 25-16


Excelente vitória, contra um adversário de boa qualidade... Nos últimos anos, nesta fase, encontrámos adversários mais acessíveis!!!

A equipa melhorou bastante em relação aos primeiros jogos, o Gradinarov está a receber melhor, e o Mrdak está a demonstrar que vai ser um Oposto útil...

Foi bom fazer os '3 pontos', porque o jogo na próxima semana na Roménia não vai ser fácil... temos que melhorar o Bloco!

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sabor, decepção, hábito

"O futebol foi abrindo noticiários, mas fechando corações. Foi passar a girar à volta do nada e perder a centralidade do jogo.

O saboroso
Começo pelo melhor. Falo do programa da RTP, a 'Grandiosa enciclopédia do Ludopédio'. Semanalmente, aos sábados, desde 2015, é possível ver um programa sobre futebol, é feito com alma, serenidade, conhecimento e sensibilidade. O de sábado passado foi o seu número 100, que, em televisão, significa quase uma eternidade. Tive o gosto e o privilégio de ter sido convidado para participar no centenário, assim fazendo companhia ao moderador Carlos Manuel Albuquerque e aos mestres Rui Miguel Tovar e João Nuno Coelho, que, em conjunto, têm sabido com eloquência e leveza (muito diferente de ligeireza) oferecer-nos uma quase hora semanal de viagem pelo passado do Ludopédio planetário. Verdadeiro serviço público, porque fazendo parte da memória colectiva e transmitindo, com pedagogia e sentido ético, o que representou e pode representar uma actividade sem fronteiras e com presença frequente nas nossas vidas.
Dizia William Faulkner que «o passado não só não passou ainda está para vir». Devo dizer que, no actual momento por que passa o futebol português, bom seria que aquela máxima se lhe pudesse aplicar. O futebol é isso mesmo: ludopédio, quer dizer jogo (prazer) com os pés (mas com cabeça). Ao passar de ludopédio puro, para desporto, depois para espectáculo, em seguida para negócio e, por fim, para uma chamada indústria, o futebol foi abrindo noticiários, mas fechando corações. Foi passar a girar à volta do nada e perder a centralidade do jogo. Foi perder o humano e o simples para glorificar o dinheiro e a iconografia do sucesso. Foi perder a sacralidade do ofício, para absorver a futilidade da aparência.
É também por esta via de reviver com saudade, mas sem saudosismo, o futebol, que vejo e me delicio com o programa, e, assim, me afasto de enxurradas de lixo que nos entram pela casa dentro. Para estas lixeiras, o passado não existe e o futuro pouco importa. Basta a ilusão do presente. Lirismo da minha parte? Talvez sim, mas foi assim que nasci para o futebol entre intrépidas rivalidades e humanas personalidades.
Para quem quiser lavar a alma com consolo e fruir da sabedoria dos protagonistas do programa, só pode pedir «venham mais cem...» (programas). Ou, parafraseando a canção de Zeca Afonso, «venham mais cinco...» (centenários).

O decepcionante
Campeão do Mundo por quatro vezes e finalista por seis ocasiões, fica fora do Mundial-2018, depois de 50 anos ininterruptos de presenças. Pessoalmente, tenho pena. A Itália - mesmo que em crise - faz falta (como também o faz a Holanda).
Porquê, perguntaremos. É certo que na fase de grupos, a Itália só perdeu um dos 12 jogos, precisamente com a Espanha e no play-off com a Suécia só foi batido por um decisivo golo. Mas, há muito se anteviam consequências de uma silenciosa degradação do futebol transalpino. Escrevia o Corriere della Sera no dia seguinte ao da eliminação: «Doente em técnica, finanças e política. Praticantes sem jogo, dirigentes-empresários e jogadores-empresa, pobreza gestionária, liga sem guia». Em Itália, 54,3% dos jogadores da série A não são italianos (creio que em Portugal deverá também andar por esta cifra, senão mesmo maior) e - pasme-se - 30% são estrangeiros no que lá chamam o campeonato Primavera (mais ou menos equivalente à série A júnior).
Quando olho para jogos do campeonato italiano, verifico a falta de qualidade e inovação na maioria dos estádios, quase sempre maio-vazios. A isso não será certamente alheio o facto de só quatro clubes na série A terem estádio próprio (Juventus, Udinese, Atalanta e Sassuolo) e na série B apenas um (Frosinone)! Aliás, mesmo como produto de exportação, a Série A italiano deixa muito a desejar, se comparada com as Ligas inglesa, espanhola e alemã. Jogos chatos, soporíferos, lentos e pouco entusiásticos. Nos últimos anos e com a excepção da Juventus e, aqui ou acolá, do Nápoles e da Roma, as equipas jogam muito pouco. Veja-se o caso dos clubes de Milão - AC Lilan e Inter - para já não falar da Lazio e Sampdoria, outros reinantes na Europa. Nas competições europeias e nesta década, se exceptuarmos a Juventus duas vezes finalista derrotada na Champions, não há vencedores italianos. E na Liga Europa teríamos de recuar 19 anos para encontrar finalistas transalpinos!

O habitual
Bafejados por um sorteio que lhes permitiu jogar no seu reduto, Benfica, Porto e Sporting seguem em frente na Taça, com mais ou menos dificuldade. O Porto nos magnânimos 7 minutos, o Sporting surpreendentemente a precisar de um magnífico Rui Patrício e sobre o Benfica falarei adiante.
Os oitavos de final apresentam-se matematicamente interessantes: 8 equipas da 1.ª divisão (entre as quais as seis melhores equipas, com a excepção do Sp. Braga), 4 do 2.º escalão e ainda 4 resistentes do 3.º, escalão. O sorteio de hoje será por isso interessante.
O Benfica venceu um histórico da Taça - o Vitória de Setúbal - com uma exibição razoável na primeira parte e medíocre no 2.º tempo. Vá lá saber-se porquê. Como aspectos positivos, o renegado Bruno Varela, o já indiscutível Krovinovic, o regressado Cervi (continuo a não perceber porque não joga mais) e o surpreendente Keaton Parks que me parece um jogador com bom futuro. Negativamente, Samaris faltoso por excesso (merecia, de facto, um amarelo) e Douglas que sendo defesa não sabe sequer defender, ainda que ataque bem.
Mais um jogo muito falado quando à arbitragem. Aliás, os jogos do Benfica, mesmo que iguais aos dos adversários directos, são sempre eleitos para a acidez do costume. Percebe-se o intuito... Vejamos neste caso o que sucedeu. O treinador do Vitória José Couceiro, um homem do futebol que aprecio pela sua serenidade, cultura e sensatez, desta vez falou de um penalty não marcado como não havia falado do mesmo modo quando a sua equipa perdeu em Alvalade com um penalti mais do que discutível. O ambiente que agora se vive no futebol português favorece a facilidade com que se analisam as arbitragens em jogos contra o Benfica. Num ponto, porém, Couceiro tem razão: o da tendência para os clubes menores serem desfavorecidos no tom da arbitragem nos jogos com os grandes. Voltando à Luz, não se pode apenas ver o lance do admissível penalty de Bruno Varela, sem se falar de dois penalties favoráveis ao Benfica (um deles nas barbas do árbitro, sobre Krovinovic) e um fora-de-jogo inacreditavelmente não assinalado que só não deu golo do Vitória porque o guardião encarnado fez uma grande defesa.

Contraluz
- Exemplo I: Gigi Buffon
A poucos jogos de ser o mais internacional do planeta e impossibilitado de fazer o seu sexto Mundial, o guarda-redes da Nazionale e da Juventus mereceria bem mais. Comovido e comovente, Buffon evidenciou a sua classe de jogador e de homem no momento de provável despedida dos grandes palcos com a maglia azurra.
- Exemplo II: Tarantini
Assim é conhecido futebolísticamente Ricardo José Alves Monteiro. Jogador do Rio Ave há muitos anos, terá passado ao lado de uma grande carreira num dos grandes, dado o seu perfil de homem e jogador. Em 14 de Novembro deu uma entrevista em A Bola, reveladora do seu carácter e percurso. Não aturdido pelo fascínio temporário do futebol tratou de cuidar do seu futuro e de investir na sua formação.
- Ausência: Grandes jogadores do Rússia-2018
Para além de Buffon, o Mundial da Rússia não verá jogadores como Gareth Bale (País de Gales), Arjen Robben (Holanda), Alexis Sanches e Arturo Vidal (Chile), Aubameyang (Gabão), Pjanic (Bósnia). E por pouco Messi lá está... enfim, uma camioneta de milhões e o sofá cheio de sonhos.
- Ameaça: «Cristiano Ronaldo quer sair do Real Madrid»
É recorrente. De quando em vez, falso ou verdadeiro, lemos este desejo. Para uma equipa que está a 10 pontos do líder Barcelona, não é a melhor altura para estes estados de alma...
- Paciência: Gonçalo
Tal pai, tal filho. Afirmou que «na Luz há sempre coisa estranhas». Gostava de o ver dizer isso no Dragão..."

Bagão Félix, in A Bola

Vermelhão: Consequências...!!!

CSKA Moscovo 2 - 0 Benfica


Apesar da matemática ainda ter dado alguma (pouca) esperança, tenho a certeza que quase todos os Benfiquistas, sabiam que a saída da Europa, era o mais provável, depois das primeiras quatro jornadas, mesmo assim, esperava-se mais... as consequências das decisões tomadas na pré-época, estão à vista! O mais frustrante de hoje, é mesmo perceber que do outro lado estava um adversário totalmente ao nosso alcance... mesmo o Benfica 'irregular' da época anterior - que eliminou o Besiktas por exemplo -, teria chegado e sobrado para o CSKA e o Basileia!!!

Mas somando todos os problemas e equívocos que temos tido desde o início da época, nos últimos dias perdemos 3 titulares indiscutíveis neste momento: Rúben (apendicite), Svilar (gripe) e Grimaldo (qualquer coisa...)... se juntarmos a não inscrição do Krovinovic na Champions, hoje 'entrámos', com menos quatro titulares!!!

Sendo que neste novo Modelo de jogo, a ausência do Krovi terá sido talvez a mais decisiva!!! Após o jogo de Guimarães, houve uma onda de elogios ao rendimento do Jonas, jogando sozinho na frente, eu na altura tentei ser 'prudente'... e infelizmente, o tempo está-me a dar razão!!!

Como os problemas atraem ainda mais problemas, nos 5 jogos da Champions deste ano, tivemos sempre erros graves das equipas de arbitragem, e sempre contra o Benfica! Até em Basileia houve pelo menos um erro grave quando o resultado ainda estava em 1-0!!! Mais um golo em fora-de-jogo... e mais um auto-golo do Jardel em Moscovo (que me lembre é o segundo!!!).

Já afirmei anteriormente: muitos dos actuais problemas do Benfica, devem-se a opções tomadas entre Junho e Agosto... mesmo assim, em condições normais temos potencial para lutar por todos os títulos internos, todos... O problema é que hoje não vivemos condições 'normais' em Portugal... e temo que os 'pormenores' nos vão ser fatais...

Mas no Domingo estarei na Luz... e no jogo com o Basileia - também lá estarei -, estou curioso para perceber qual vai ser a assistência!!!

Abaixo do nosso potencial

CSKA Moscovo 2 - 0 Benfica


Depois de vários pontos desperdiçados nas jornadas anteriores, acabámos por ficar 'teoricamente' de fora da próxima fase da Youth League, pela primeira vez: além da vitória obrigatório sobre o Basileia no Seixal na última jornada, o CSKA tem que ganhar em Manchester, o que é bastante improvável...!!!

Com este plantel tínhamos a obrigação de seguir em frente... e o problema nem foi o jogo de hoje, jogado em condições muito complicadas, com neve, temperaturas muito baixas e num sintético... o problema foi por exemplo a forma como permitimos o empate ao Manchester no Seixal...!!!

Excelência e performance: o papel da (des)motivação

" “A persistência pode transformar o fracasso num extraordinário sucesso”
– Matt Biondi, nadador olímpico, 11 vezes medalhado

O ser humano é naturalmente motivado, curioso e com uma genuína e espontânea vontade de aprender.
O processo educativo (parental e escolar) e a socialização de que todos vamos sendo alvo, para além de alavancar o nosso crescimento como pessoas, no que respeita ao que se designa por "hard skills" (*) e "soft skills" (**), muitas vezes, acaba por, de uma forma ou de outra, ir contribuindo igualmente para a existência de pequenos processos de desmotivação (que podem vir resultar num processo mais profundo de desinvestimento).
Estes processos ou "focos" de desmotivação (para a escola, emprego, desporto ou, simplesmente, sair com amigos), vão-se instalando de forma subtil e gradual, afectando a noção que temos de nós próprios e dos nossos recursos pessoais (logo, a nossa confiança pessoal).
Traduzindo-se, frequentemente, num acumular de, ora pequenas, ora grandes frustrações, resultantes da dificuldade em destrinçar entre o esforço que conseguimos (ou não) produzir e a obtenção de um dado resultado (que pode, ele próprio, ser à partida uma meta desajustada ao momento actual), tendem a ser, em si mesmo, um desafio às nossas competências de auto-consciência e auto-regulação.
Por esta razão, contribuem fortemente para a nossa "lista interna" de "objectivos impossíveis"... Acabando, inevitavelmente, por condicionar o nosso caminho de "expertise" (mestria), não permitindo que se evolua de forma tão destacada como poderia, quanto mais não seja porque nos vamos lançando cada vez mais para “metas” (objectivos) menos desafiantes, logo, onde temos “quase a certeza” que iremos alcançar o sucesso (numa estratégia inconsciente de tentar proteger o que “resta” da nossa confiança – acabando por se virar, inevitavelmente, contra este mesmo propósito).
A grande questão desta "desmotivação" que se vai instalando é que, para além de sermos fortemente capacitados para encontrar todo o tipo de argumentos para nos auto-convencermos que "até não queremos isto para nós" - concorrer "àquele" emprego, convidar aquela pessoa para sair, seguir uma carreira de músico, etc. (o que, na realidade, mais não é do que uma brilhante estratégia para não "irmos a jogo" e testarmos as nossas reais capacidades) - muito frequentemente, e por se ir instalando devagarinho, nem temos noção de como se "agigantou" dentro de nós.
Contudo, e de igual forma, a desmotivação transporta não só a oportunidade de identificar o que nos fragiliza e retira do processo que, outrora, determinamos como o caminho para o objectivo que foi por nós determinado, mas também a oportunidade de treinar uma nova atitude face à frustração que nos levará a transformar fuga em determinação.
Por esta razão, importa que se passe a olhar para este tipo de processo emocional, não como algo que temos que evitar sentir a todo o custo, mas sim como uma fonte de oportunidades para aprofundar a consciência que temos de nós próprios e das escolhas que fazemos e nos transportam para este “agora”, onde a frustração e decepção emergem.
Este é, de facto, o poder subjacente às emoções (ditas) negativasdas quais, culturalmente, aprendemos a “fugir” e que, afinal, transportam em si mesmas uma gigantesca oportunidade de transformação.
E, por isso, é que os Atletas de Excelência, face ao erro e frustração... repetem, repetem, repetem... enfim, persistem.

(*) “hard skills” - competências técnicas associadas a uma dada área do saber.
(**) “soft skills” - competências interpessoais, que nunca foram alvo de um processo educativo estruturado, e que se reflectem na nossa capacidade de gerir stress, lidar com conflitos, sermos líderes ou liderados, entre tantas outras."

Vila do Conde

Mais um daqueles Sorteios muito estranhos...

Rio Ave - Benfica nos Oitavos-de-final da Taça de Portugal!
Já jogámos nos Estádios dos Arcos, esta época, num momento em que estávamos a jogar mal, e saíamos com um empate injusto, depois de muito desperdício, principalmente na 2.ª parte...

Este não é o teu Benfica? Baza para os dragartos e some da minha vista.

"O programa Chama Imensa, de ontem, não serviu apenas para tentar acordar as autoridades e para evidenciar o nervosismo que se apoderou imediatamente de diversas personalidades dúbias, gente mais ou menos engajada que gosta de presumir um estatuto de superioridade moral e isenção. O Chama Imensa não serviu apenas para por a nu a merda de comunicação social que temos, os seus objectivos e a linha editorial de cada um. Compare-se o alarido pelos traques do chico e o silêncio de sacristia que se apoderou da escumalha. O Chama Imensa teve outra enorme utilidade. A de pôr a descoberto um certo tipo de benfiquismo de pacotilha que tomou conta das redes sociais. Estou cansado de os aturar. «este não é o meu Benfica» é a frase que me faz pensar se o manual do brunalgas não foi feito para os adeptos errados.
Tu que, do alto da tua superioridade moral, achas que este não é o teu Benfica, informa-me se o teu Benfica é aquele que foi roubado, humilhado e vilipendiado, durante mais de trinta anos, sem que tu mexesses uma puta de uma palha para o defender. Diz-me se o teu Benfica é aquele que não tinha a merda de um campo para treinar, mas que tinha um estádio a cair aos bocados, as contas da água e da luz por pagar, e os adversários a gozar. Não, este Benfica não é o teu. O teu é o Benfica que nunca acerta nas contratações e o que erra sempre nas vendas. O que só tem velhos, putos e lesionados. É o Benfica que nunca tem médicos capazes, enfermeiros, fisioterapeutas e recuperadores eficazes...
O teu Benfica é o do Salvio que tu queres meter à força no banco precisamente na altura em que é titular da selecção Argentina. O teu Benfica é o do Luisão que está velho desde que completou trinta anos. O teu Benfica é do Slivar a quem condenas o mais pequeno percalço mas que não perdoarás a quem ousar vendê-lo (ao desbarato) por menos de 100M€. O teu Benfica é o dos "Douglas" que todas as épocas ajudas a queimar mesmo antes de vestirem a camisola sagrada. O teu benfiquismo é achar sempre que "este é o pior plantel de sempre" e exigir-lhe sempre que seja campeão europeu. O teu Benfica é o que te irrita quando compra um jogador de um milhão mas que te deixa raivoso quando é vendido por 40. O teu Benfica é o que erra quando aposta nos jovens da casa mas que também se equivoca quando vai contratar fora. Porque contrata velhos fora de prazo ou porque são novos e sem experiência. E porque os que chegam são sempre piores que os que saem e porque os que saem são sempre melhores que os que chegam.
O teu Benfica é aquele que nunca joga nada mesmo quando ganha tudo folgadamente. O teu Benfica é o único clube do Mundo que está sempre obrigado a ganhar mesmo quando é sobejamente roubado. O teu Benfica é o único clube do Mundo que não pode permitir-se sofrer um golo sem que tu o acuses de não saber defender. O teu Benfica é o único do Mundo que não pode falhar sem que tu o critiques porque não sabe marcar. O teu Benfica tem sempre os piores treinadores, os piores avançados e os piores defesas. Não tem um médio direito mesmo que ele seja considerado o melhor do campeonato. O Jorge Jesus é uma merda no teu Benfica e um génio se mudar para o Sporting. O Rui Vitória é o craque do Guimarães que gostarias de ver no teu Benfica e um propalado incompetente depois de ganhar 12 dos 16 títulos possíveis, no Benfica.
O teu benfiquismo vê-se quando te pões ao lado dos que acusam o Benfica de corrupção, porque um comentador trocou uns e-mails com amigos seus. O teu benfiquismo vê-se quanto te pões do lado dos que condenam o Benfica porque alguém terá pedido uns bilhetes (que pretendia pagar) a Fernando Seara, para ver jogar o Benfica. Vê-se quanto te pões ao lado dos que querem manchar a reputação do Benfica porque um comentador recebeu no seu e-mail uma copia de um documento publicado no site da federação. Nessa altura, do alto da tua superioridade moral, tu que és um acérrimo defensor da verdade, exiges que se investigue e que se punam os culpados. Os culpados de quê, caralho? Tu que presumes de "verdadeiro benfiquista" mas que nunca te indignaste com a devassa de correspondência privada, exiges veementemente que os culpados (culpados de quê, caralho?) sejam punidos mas nunca te indignaste com os dois mil euros que o vice-presidente do sporting depositou na conta de um árbitro ou com os ataques dos superdragões às famílias do árbitros.
E sabes porquê, "verdadeiro idiota"? Porque tu és o cretino que defende nas redes sociais e na comunicação social que mesmo que o Benfica sofra três golos de forma irregular - num qualquer Benfica-Boavista - tem, mesmo assim, a obrigação de ganhar!
O Benfica denuncia casos que estão a ser investigados pela justiça e tu, do alto da tua sapiência e superioridade moral, vens exigir-lhe que o demonstre com provas? O Benfica é algum tribunal? Tu que cagas tacos por todos os lados exigindo "justiça" para os que "não" são teus, com base em e-mails pirateados, frases truncadas retiradas do contexto e documentos que são do conhecimento público...tu que te recusas a perceber que o Benfica está perante o maior e mais abjecto ataque da história do futebol português. Tu que não te cansas de dizer que "este não é o teu Benfica", muda-te para os dragartos, caralho. Some da minha vista, baza do meu mural, dá corda às ferraduras e põe-te na puta da alheta do meu blog. Bloqueia-me, compra o livro do chico traques e delicia-te com o manual do brunalgas."


PS: Subscrevo, como é óbvio... e acrescento um tema: As perguntas que não está a ser feitas?!
A prova, que o Benfica tem mesmo que denunciar tudo e todos, é que mesmo após o Chama Imensa de Segunda-feira, nenhum avençado junta-letras fez as perguntas normais nestas circunstâncias:
- Quais foram os árbitros ameaçados?!
- Identificaram os ameaçadores?!
- Estão todos ligados ao mesmo Clube?!
- Quais foram os jogos...?!
- Qual foi o árbitro que recebeu o telefonema do Pinto da Costa?!
- As denúncias às autoridades foram feitas pelos próprios árbitros, ou por terceiros?!
- Quem testemunhou os 'elogios' do Luís Gonçalves ao Luís Ferreira: 'és um dos nossos, está descansado que não vai descer«?!!!
- etc... etc... etc...
Pois é, alguém leu ou ouviu estas perguntas nos últimos dias?!!!
Será que alguém leu ou ouviu algum jornaleiro minimamente independente, a realçar que as denúncias feitas no Chama Imensa, são 'casos' que estão a ser investigados pelas autoridades judiciais?!!! Que o Benfica não roubou informação, nem manipulou correspondência privada...?!!!
Será que alguém perguntou ao CD da FPF se existe algum processo aberto sobre estas ameaças aos árbitros... sendo que algumas delas até já tinham sido publicitadas pelo presidente da FPF, no Parlamento?!!!

O mais inacreditável, é que algumas das denúncias feitas na Segunda já tinham sido feitas em programas anteriores, mas como não tinha havido 'comunicado' a anunciar o programa, ninguém deu importância!!!
As reacções dos árbitros, do CD e afins só vem provar que o Benfica tem que fazer alguma coisa... A habitual conversa de 'divisão interna' da crítica constante, só fragiliza o Benfica...

O Benfica há mais de um ano que está a ser constantemente atacado, com mentiras, falsidades e teorias da conspiração absurdas: começou com os vouchers, passou rapidamente pela cartilha e depois os e-mails...
Neste período enorme, o Benfica, fez queixa nas autoridades competentes e esperou... esperou... esperou... e nada foi feito, o Estado demitiu-se de actuar, os principais responsáveis desportivas cruzaram os braços.
Pois bem... parece que agora vão 'acordar', muito bem... vamos à guerra!

ADENDA:
Para anónimo que enfiou a carapuça, aqui fica a melhor descrição possível dos tais e-mails verdadeiros!!!

Alvorada... com o Manteigas

Benfiquismo (DCLXV)

Equilíbrio !

105x68... Taça, Champions, Apitos...

Apostar na formação?

"Os números falam por si: a última convocatória para as selecções jovens mobilizou 30 jogadores do Benfica (sete nos sub-21; cinco nos sub-20; seis nos sub-19 e 12 nos sub-17). Neste momento, na equipa principal, são titulares dois jogadores da formação (Rúben Dias e Diogo Gonçalves) e ainda três produtos do scouting (Grimaldo assinou no primeiro ano de sénior; André Almeida tinha 20 anos quando foi contratado e, claro, Svilar). Se a isto somarmos a transição de sucesso para a equipa principal de Renato, Guedes, Lindelof, Ederson e Nélson Semedo, temos um retrato de uma estratégia que está a dar frutos.
Do ponto de vista económico, a aposta do Benfica é correta. Um clube português já não pode competir com clubes do norte da Europa. O fosso financeiro agravou-se e jogadores que dão garantias competitivas imediatas deixaram de estar ao alcance dos clubes nacionais. Perante este novo contexto, restam três caminhos: formar localmente, contratar jovens talentos de outras paragens, que demorarão a vingar na equipa titular, ou, alternativamente, ir buscar jogadores já no ocaso da carreira, que podem dar retorno desportivo imediato, mas que são investimentos a fundo perdido. 
Além do mais, como demonstram as contas dos clubes – num exercício que gera muita perplexidade –, os únicos casos em que os encaixes correspondem a um valor aproximado ao da venda é, precisamente, quando os jogadores vêm da formação. Nas outras situações, há que amortizar o valor da compra do passe e os anos de contrato cumpridos.
Um clube português, hoje, está obrigado a formar localmente para garantir a sustentabilidade financeira do seu modelo de negócio. Mas, dá-se o caso de o futebol não ser um negócio como os outros. É esse um dos argumentos de Simon Kuper e de Stefan Szymansky no muito recomendável Soccernomics.
Para os autores do livro, o futebol não só é um mau negócio (os clubes apropriam-se de uma percentagem ínfima do valor que geram em entretenimento e a maior parte não gera lucros e não distribui dividendos), como nem sequer é um negócio com dimensão (as receitas do Real Madrid são sensivelmente as mesmas da centésima vigésima empresa finlandesa) e, além do mais, os clubes são frequentemente mal geridos – com contratações baseadas na clubite não há, na verdade, nível de incompetência que não seja tolerado.
Trata-se, é claro, de um extremar de argumentos para sublinhar um paradoxo: quando se procura gerir o futebol como um negócio, não é apenas o sucesso desportivo que fica em risco, também o negócio é afectado.
O que é que isto tem a ver com a aposta na formação? Tudo. O Benfica, se quiser ser sustentável, tem de apostar na formação, da mesma forma que o Benfica, se quiser continuar a vencer, tem de continuar a gastar dinheiro em jogadores feitos, sob pena de deixar de ganhar e, até, da aposta na formação ser ela própria inglória."

Vitória...

West Ham B 0 - 2 Benfica B
Alan (9', 27')


Boa vitória em Inglaterra na Premier League International Cup (sub-23), mesmo sem alguns dos titulares da B, conseguimos a vitória...
Na 3.ª jornada, vamos defrontar o Tottenham...

Andamos todos doidos?!

"Começo por mim, por nós, os ex-árbitros comentadores de arbitragem. Somos irresponsáveis quando nos esquecemos no papel pedagógico que podemos e devemos ter na análise que fazemos das arbitragens.

Sim! Andamos todos doidos. Senão doidos, irresponsáveis. Senão todos, muitos de nós!
Começo por mim, por nós, os ex-árbitros comentadores de arbitragem. Somos irresponsáveis quando nos esquecemos no papel pedagógico que podemos e devemos ter na análise que fazemos das arbitragens. Opinar sobre determinado lance, qualquer um pode fazer. Esclarecer sobre as Leis de Jogo e ajudar a perceber as tomadas de decisão, certas ou erradas, de um árbitro, são uma obrigação que temos para com o Futebol.
Alguns presidentes dos clubes e SADs quando não respeitam a função que desempenham nem a história das instituições que representam. O líder de uma organização, seja ela qual for, nunca será respeitado se tiver um discurso populista, mal-educado, provocador, focado apenas em factores externos e ao sabor de resultados. Um líder que não seja respeitado, dificilmente alcançará o sucesso. 
Alguns directores de comunicação dos clubes. Essas, actualmente, importantes personagens são a cara e a voz do descrédito do futebol português. Quando há casos, exponenciam-nos. Quando não há casos, criam-nos. “Vivem” dentro das redes sociais e dos canais dos seus clubes e, através do seu discurso, inflamam e descredibilizam tudo o que não seja da sua cor. Com isto descredibilizam-se a si e à sua função.
Os árbitros e a estrutura da arbitragem. Não pelos erros que cometem em campo, pois esses, embora indesejáveis, são naturais, mas pela falta de firmeza na luta contra o actual estado das coisas. Quando nos sentimos vítimas de algo e não fazemos nada para o deixar de ser, estamos a pactuar com os criminosos. Anunciar uma greve (que seria aos bochechos) e depois cancelá-la sem que nada tivesse efectivamente mudado, foi um tiro nos pés.
Alguns programas de televisão e jornais que se escudam atrás das vendas e das audiências para justificar os “conteúdos” que nos oferecem. Os bons programas de futebol têm audiências. Os bons artigos de futebol têm leitores. Ir pelo caminho mais fácil descredibiliza, não só o futebol, mas também os órgãos de comunicação social que não exigem a si próprios serem palco de credibilidade e seriedade.
Alguns adeptos (quero acreditar que são cada vez menos). Aqueles que aceitam consumir 90 minutos de jogo jogado e, depois, horas e horas de discussão sobre algo que está colado ao futebol, mas que nada tem a ver com ele. Esses adeptos estão a alimentar o descrédito do futebol. Esquecem-se que com o descrédito do futebol, vem o descrédito de qualquer vitória dos seus clubes.
As marcas. Aquelas que, por enquanto, ainda investem milhões de euros a patrocinar uma liga de futebol e os clubes que nela participam sem, aparentemente, exigir em troca a boa imagem daquilo que patrocinam.
Andamos todos doidos? Somos irresponsáveis? Estamos a matar o nosso desporto? Quem conseguir olhar de forma fria e desapaixonada para tudo o que se tem passado esta época, só pode responder que sim
Eu nunca vou deixar de gostar de futebol. Eu nunca vou deixar de consumir futebol. A maior parte dos leitores é como eu. Mas atenção... há já toda uma geração que prefere encher um pavilhão para ver um jogo de futebol jogado numa consola por dois “craques” do PES ou do FIFA (videojogos de futebol) a ver um jogo real. Sim, andamos doidos... E distraídos!"

Pelo bem do futebol

"Com a visita ao Santa Clara o projecto de combate à manipulação de resultados, ‘Deixa-te de Joguinhos’, que uniu Sindicato, Federação Portuguesa de Futebol e Liga Portugal, cumpriu o objectivo de visitar todos os plantéis das competições profissionais, sensibilizando os jogadores, em especial, para esta realidade dramática no desporto a nível global.
As acções de sensibilização incidiram sobre o modus operandi das organizações criminosas que utilizam o futebol para lucrar indevidamente no mercado das apostas, os factores de risco, as consequências disciplinares e criminais para os agentes envolvidos e os instrumentos para denunciar às autoridades competentes a ocorrência de abordagens. Estamos perante um bom exemplo de cooperação institucional na defesa da modalidade.
Contudo, o Sindicato não esquece o trabalho e o investimento que deve ser feito a montante, continuando a desafiar as instituições que tutelam o futebol português para actuar sobre as situações de fragilidade económica dos jogadores, por incumprimento contratual dos clubes, e sobre um sistema de licenciamento e controlo financeiro eficaz, a fim de diminuir as fragilidades exploradas pelos ‘match-fixers’.
A nível europeu, decorreu na passada sexta-feira mais uma reunião do diálogo social europeu para o sector futebol profissional. O Sindicato integrou a delegação da FIFPro que debateu com representantes de clubes, ECA, EPFL e UEFA, medidas para salvaguardar os direitos laborais dos jogadores, seriamente afectados, em particular na Europa de leste, e os problemas da actual regulamentação de transferências e intermediários. A discussão prossegue, pelo bem do futebol."

Talento desportivo: o Santo Graal do recrutamento!

"No treino desportivo existem duas questões cujas respostas valem 1 milhão de euros: como identificar talento desportivo para uma determinada modalidade e o que fazer com ele?
A identificação de talento desportivo conduz a uma das etapas essenciais no processo de construção de uma equipa, o recrutamento, sendo certo que a falta de critérios e a falta de uma correta identificação de talento pode levar a um recrutamento ineficiente e ineficaz. Se o scouting das equipas de alto rendimento está nos dias de hoje muito facilitado pela tecnologia existente, o mesmo não acontece nas equipas de formação. Nestas, o que fazem a maioria dos treinadores e dirigentes em termos de recrutamento? Duas estratégias recorrentes são a de enviar mensagem a convidar directamente os atletas de outro clube ou utilizar os pais para convencer outros pais de atletas de outro clube a transferir os filhos no ano seguinte. Regista-se uma crescente falta de ética nesta perseguição aos considerados melhores atletas de outros clubes, muito facilitada pela comunicação através das redes sociais.
O que se promete a estes jovens e aos seus pais aquando das tentativas de recrutamento? Melhores condições de treino, melhores treinadores, melhor plano de carreira desportiva? Não! Normalmente o que se oferece é a promessa de ser campeão no ano seguinte.
Urge a definição de regras de actuação e uma reflexão sobre este tema na tentativa de regular ou alertar para este tipo de comportamentos. Ao mesmo tempo, o desafio de estruturar a detecção de talentos deve constituir uma prioridade do IPDJ e das federações, definindo-se uma equipa de especialistas para cada modalidade, necessariamente pequena e de abrangência nacional, que defina critérios de avaliação e que os implemente na prática. A exigência de medalhas olímpicas ou de apuramentos para campeonatos da Europa ou do Mundo deve ser acompanhada de meios mais eficazes para se poder identificar e recrutar os melhores e com maior potencial, pois isso seria um passo gigantesco para o desenvolvimento desportivo.
Na literatura científica existem vários exemplos de bateria de avaliações das qualidades físicas, técnicas, tácticas ou psicológicas para diferentes modalidades. Por exemplo, em modalidades colectivas será tão importante avaliar a capacidade de decisão em jogos reduzidos como avaliar as características biológicas e maturacionais, não excluindo jovens que tenham um desenvolvimento tardio a este nível.
O Instituto de Desporto Australiano tem sido um exemplo mundial na identificação de talento desportivo, tendo criado um sistema online de recrutamento com base na escola. Para além dos atributos físicos e fisiológicos, muitos outros factores são determinantes, como a motivação, determinação, atitude positiva e treinabilidade, i.e., a capacidade de ser treinável, por exemplo. 
Vários estudos indicam que algumas capacidades só se manifestam após um período de treino, pelo que, identificar talento, por si só, não é suficiente. O sucesso de um programa de identificação de talentos, de acordo com a experiência Australiana, é o de proporcionar a esses atletas, o melhor programa de treino e sistema de apoio possíveis, concomitantemente com um plano de carreira adequado. Na elaboração deste percurso desportivo colaboram especialistas de diversas áreas complementares: preparação física, fisiologia, aquisição motora, nutrição, psicologia, fisioterapia, recuperação física e coordenação de carreira atlética e académica.
Podemos concluir que, para todos os níveis de recrutamento, do clube à selecção nacional, a identificação de potenciais valores para uma modalidade desportiva é um passo decisivo, mas saber o que fazer com esses talentos, construindo um percurso de carreira planeado e estruturado, é o que definitivamente marca a diferença em termos de sucesso desportivo."

Alvorada... em Guerra!

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O Recruta 1987/63 da 1.ª Bateria de Instrução foi dispensado do corte de cabelo

"Eusébio contado por ele mesmo. A sua vida militar do Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa, em Queluz. Um tempo diferente na vida de um jogador de futebol.

vários livros sobre Eusébio e a fascinante história da sua vida. À minha conta, escrevi dois. O meu bom amigo João Malheiro tem várias obras sobre Eusébio. E Eusébio também se escreveu a si próprio.
Isto é, fez uma autobiografia: Meu nome é Eusébio.
Teve um ghost writer, como gostam de dizer os ingleses. 'Escritor fantasma', o homem que recolheu as suas declarações e as colocou em letra de forma: Fernando Garcia.
Já li o Meu Nome é Eusébio por diversas vezes. Por outras, apenas episódios soltos. Ontem dediquei-me a um deles e senti necessidade de o repartir com os meus sempre simpáticos e pacientes leitores que, há anos a fio, me aturam nestas páginas.
Dou a palavra a Eusébio.
'Dia 25 de Outubro de 1963. Dez horas da manhã. Acompanhado de um funcionário do departamento de futebol do Benfica, apresentei-me no quartel do Regimento de Artilharia Antiáerea Fixa, em Queluz. Lá iria encontrar elementos bem conhecidos do público, como Jacinto, Pedras e Calado, do Benfica; Esteves e Rodrigues, do Belenenses, e Feijão e José Carlos, do Seixal'.
Confesso que esta descrição me fez recordar a minha amaldiçoada entrada em Mafra, ou Máfrica, ou lá como chamassem àquele maldito penedo
Mas voltemos ao Eusébio: 'Olhava para tudo e para todos. Mirava a remirava tudo à minha volta, procurando adivinhar o mundo novo que me esperava. Reconhecendo-me, a malta parecia dizer. «Olha o que nos saiu na rifa!...» A primeira operação foram as impressões digitais. A partir dessa altura passei a ser o Recruta 1987/63 da 1.ª Bateria de Instrução do RAAF. Fui dispensado do banho e do corte de cabelo com o compromisso de o cortar ainda mais curto, se bem que não estivesse comprido'.
O soldado português...
O Regime tinha uma palavra de ordem:
'O Soldado Português é Tão Bom Como os Demais'.
Pleno orgulho militar!
Eusébio não se sentia particularmente orgulhoso: 'Como todos os outros recrutas, fui receber o fardamento cumprindo as mesmas formalidades que todos os outros e obedecendo à mesma disciplina'.
Também o soldado Eusébio era como os demais!
'Principiou o trabalho, começaram os primeiros exercícios. Marchas, meia volta à esquerda ou à direita... Os meus ouvidos habituaram-se a novas vozes de comando, não do treinador, mas, desta feita, dos oficiais e dos graduados. Aprendi o manejo das armas, ouvindo disciplinadamente e com atenção as indicações dos meus superiores. (...) Havendo uma selecção militar de futebol, fui convocado para os treinos da equipa que iria participar no Torneio Internacional, nela me integrando. Foi assim que joguei, sucessivamente, contra as turmas similares do Luxemburgo, da França, da Grécia e da Espanha, voltando a defrontar, mais tarde, os luxemburgueses e os espanhóis. Nem sempre fui feliz, pois nem sempre joguei bem. Mas procurei, nessas alturas, actuar o melhor que sabia e podia, como se estivesse a representar o meu clube ou a selecção nacional. Em doze jogos, marquei nove golos. Falhei muitos mais porque não pude ou não soube. Mas a minha vontade e o meu entusiasmo estiveram sempre presentes, como se cada encontro fosse uma final, como se houvesse em vista um tentador prémio de jogo'.
Eusébio, nos campos de futebol, era um atirador!
Ah! E eu, sinceramente, não acredito que não pôde ou não soube marcar golos.
Se havia algo que ele sabia fazer, com ou sem espingarda ao ombro, era marcar golos. A farda pouco importava."

Afonso de Melo, in O Benfica

O 'novo recruta'

"O verão de 1950 ficou marcado pela digressão da equipa latina a África e pela chegada de José Águas.

A conquista da Taça Latina, a 18 de Junho de 1950, trouxe ao Benfica uma maior visibilidade no mundo futebolístico. Afinal, acabava de conquistar o seu primeiro título internacional! A digressão pelo continente africano, que se realizou entre 25 de Agosto e 4 de Setembro de 1950, foi um exemplo da popularidade crescente que o Benfica viria a experimentar na década seguinte. Os estádios onde os 'encarnados' se exibirem ficaram lotados, por todo o lado aglomeravam-se multidões, pois toda a gente queria ver o Benfica e os seus jogadores. Durante mais de um mês, a equipa campeã latina realizou uma dezena de jogos em Moçambique, na África do Sul e em Angola.
Foi de território angolano que trouxeram um dos seus mais valiosos diamantes: José Águas. 'José Santos Águas tem 18 anos, um metro e oitenta, nasceu em Luanda, joga futebol há dois anos e é branco' e tinha 'acompanhado a comitiva benfiquista desde o Lobito, onde jogava pelo Lusitano Sports Clube'. O atleta suscitou o interesse de Ted Smith e o mister colocou-o logo a actuar na equipa rubra quando ainda se encontravam em Angola, dando-lhe 'vinte valores' na sua primeira actuação de águia ao peito.
Frente a uma selecção de atletas do Lubango, José Águas jogou a avançado centro e marcou a avançado centro e marcou três dos sete golos do Benfica, demonstrando desde logo o seu valor. A imprensa da época descreveu-o como sendo um 'jogador calmo, consciente e fino', cujo 'ponto forte é o jogo de cabeça e a prontidão do remate', 'seco de corpo mas de grande habilidade, um jovem (...) que leva consigo a esperança de uma boa promessa para o futebol continental'.
O orgulho e emoção que José Águas sentia por envergar tão gloriosa camisola era visível, pois o próprio afirmava que 'a grande ambição da sua vida de jogador era vestir a camisola do Benfica'.
José Águas jogou de 'águia ao peito' durante 14 épocas, foi capitão de equipa e bicampeão europeu. Conquistou ainda cinco Campeonatos Nacionais e sete Taças de Portugal. Com 483 golos marcados, é o segundo maior goleador da história do Clube, logo a seguir a Eusébio, e foi cinco vezes o melhor marcador do Campeonato Nacional. Uma das suas Bolas de Prata pode ser vista na área 20 - Águias-Mores do Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

Blá blá blá blá e sem lá e a corrupção

"A facilidade com que cada pessoa fala hoje de qualquer tema é qualquer coisa de inacreditável. Todos sabem de tudo e de nada, e os que sabem de nada julgam que sabem de tudo! É um retorno sem retorno possível.
A tecnologia veio criar uma nova forma de as pessoas se relacionarem, qual seja, injuriarem-se, ofenderem-se, violentarem-se por dá cá um palha.
Ao mesmo tempo, veio criar novas formas de emprego e de ganhar dinheiro.
Antigamente a produção de riqueza era agrícola, industrial e posteriormente passou a albergar o sector dos serviços, a que se chamou de sector terciário, um sector já com características imateriais. Mas eis que senão, é criado um novo sector de riqueza, ele próprio assente somente em critérios invisíveis, etéreos e sem existência material - é o caso das empresas hoje mais ricas, como o Facebook, a Google, o Instagram, a Amazon e muitas e muitas outras empresas do género.
A criação de riqueza destas empresas nada tem que ver com a criação de riqueza tradicional, pois não é uma realidade palpável e está sustentada em bytes e circular por fibra óptica. É esta a realidade actual!
É evidente que toda a educação baseada nas primitivas formas de produção de riqueza ficou de repente obsoleta, se bem que não se consegue perceber como se possa só viver com tecnologia, mas isso é outra questão. Como tudo o que é alterado repentinamente por efeito da tecnologia, não tem um acompanhamento mutacional igual em termos de ser humano e muito menos de cultura. Daí que os conceitos de corrupção utilizados pelos antigos nada tenham que ver com os conceitos de corrupção na perspectiva legal.
O art.º 373 do Código Penal define o que entendem sobre corrupção passiva.
Artigo 373.º
Corrupção passiva
1 - O funcionário que por si, ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, ou a sua promessa, para a prática de um qualquer acto ou omissão contrários aos deveres do cargo, ainda que anteriores àquela solicitação ou aceitação, é punido com pena de prisão de um a oito anos.
2 - Se o acto ou omissão não forem contrários aos deveres do cargo e a vantagem não lhe for devida, o agente é punido com pena de prisão de um a cinco anos.
Podemos resumir nos seguintes elementos, sempre sujeitos ao arbítrio de cada cabeça:
- Relativamente ao círculo de autores exige que o agente seja funcionário, no sentido definido pelo artigo 386.º do Código Penal;
- No que concerne à acção que ela se traduza num acto de solicitação ou de aceitação;
- Quando ao objecto de acção, requer que se trate de uma vantagem patrimonial ou não patromonial ou da sua promessa indevida.
Deixemos de parte a análise do elemento subjectivo que basicamente poderemos chamar da vontade e consciência.
E vejamos o crime de corrupção activa:
Artigo 374.º
Corrupção activa
1 - Quem, por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, der ou prometer a funcionário, ou a terceiro por indicação ou com conhecimento daquele, vantagem patrimonial ou não patrimonial com o fim indicado no n.º 1 do artigo 373.º, com pena de prisão de um a cinco anos.
2 - Se o fim for o indicado no n.º 2 do artigo 373.º, o agente é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa até 360 dias.
3 - A tentativa é punível.
- Relativamente ao círculo de autores, podem ser todas as pessoas existentes no planeta Terra, expecto os que a lei considere como funcionários no sentido definido pelo artigo 386.º do Código Penal, porque estes estão no lado passivo;
- No que concerne à acção, impõe que ela se traduza, num acto de dar ou prometer dar;
- Quanto ao objecto da acção, requer que se trate de uma vantagem patrimonial ou não patrimonial;
O que é que isto tudo quer dizer?
Que hoje em dia para existir crime de corrupção não é sequer necessário que exista corrompido e corruptor, bastando a solicitação, aceitação, a promessa de dar, sem que exista mesmo entrega da qualquer coisa.
Vamos a um exemplo, se uma determinada pessoa disser a um funcionário das finanças para o receber primeiro que todos os outros e depois tomamos um cafezinho - isto é crime! E neste caso apenas temos como praticando o crime aquele que prometeu o cafezinho. Não é preciso mais nada.
Na verdade, basta a mera promessa de vantagem. Isto quer dizer que, no caso que relatamos, tenha a pessoa sido atendida primeiro que os outros e tenha sido pago o café, não chega sequer a interessar para nada! Basta a promessa de vantagem para a prática de algo contrário ao dever do cargo.
A não execução do crime apenas funciona como atenuante da pena.
É por isso que também é crime de corrupção activa o condutor de um veículo automóvel que, na sequência da realização de teste de alcoolemia, diz ao militar da GNR: «Você quer quinhentos contos ou mil contos para mandar embora? Eu telefono e o dinheiro está cá em cinco minutos».
E não esquecer que, nos termos do artigo citado, a tentativa de corrupção activa ainda é punida!
Esta concepção é diametralmente oposta ao conceito antigo de corrupção, em que a maioria das pessoas foi ensinada que a corrupção implicava uma solicitação efectiva e ainda uma entrega efectiva. E que era activa do lado de quem pedia e passiva do lado de quem aceitava. Já se viu que não é nada disto!
O funcionário comete crime de corrupção passiva, quer solicite, quer aceite, portanto, quer esteja no lado passivo, quer esteja no lado activo da relação.
Nada disto é pois hoje em dia como era. Nada!

Até para a semana."

Pragal Colaço, in O Benfica

Por cada golaço de que me lembro há uma polémica estúpida que faço por esquecer

"(Atenção: esta crónica foi escrita sem recurso a auxiliadores de memória, ou a pesquisas em motor de busca. Se ainda quiser continuar, avance por sua conta e risco)
Nada é eterno, tudo se renova e transforma, e a serpente engole a própria cauda.
É claro que há o golo divino de El Diego, a defesa de Banks, a Cruijff-turn – sem tradução que realmente lhe faça jus –, o penálti de Panenka e a irrepetibilidade do remate de Van Basten que ficam para sempre, mas pouco mais se consegue empoleirar, em perfeito equilíbrio e por todo o sempre, em cima da bola. Para todos os que, como eu, sofrem com uma memória ainda ZX Spectrum, não poder retirar de debaixo da cartola tudo o que já viveram de uma baliza à outra é pecado sem redenção. Sem consolo possível.
Claro que os flashes surgem e vão, em associações mentais que só os neurónios conhecem e entendem. O míssil teleguiado de Seedorf, os passes de Pirlo, o golo sem ângulo de Roberto Carlos. O livre-banana de Roberto Carlos, e a cara de parvo de Barthez em ficheiro anexo. A raquetada à-Djokovic de Zidane para o match point. A bicicleta de Rivaldo. A bicicleta de alta montanha de Hugo Sánchez. Os slalons de Laudrup. Os slalons de Messi. O elástico de Romário. Os arranques do Fenômeno. Os livres do Pernambucano.
O calcanhar de Redondo. O calcanhar de Giannini. O calcanhar de Madjer. Esse.
Fragmentos de momentos de espanto.
O moinho nas pernas de Negrette. As triveladas do meio da rua de Josimar. A finta estúpida de Kanchelskis. A finta estúpida de Cuau-qualquer-coisa Blanco. A finta (adivinharam!) estúpida do Foquinha Kerlon.
O chapéu de gola levantada de Cantona. As pedaladas de Waddle. De Robinho. De Neymar. Passes com as costas de Ronaldinho. A bicicleta de Ronaldinho. O tomahawk de Cristiano. As assistências de Kaká. A visão periférica de Rui Costa. O arranque de Shevchenko. O arranque de Weah.
Já só funciono com ligação USB 3.0 a disco externo, tal a incapacidade de guardar memórias novas por muito tempo. Uma espécie de Leonard do Memento de Christopher Nolan, mas sem a parte da violência. Pelo menos para mim.
É aqui que vocês entram. Nasceram provavelmente com um upgrade de memória que vos permite guardar foras-de-jogo, penáltis e golos mal anulados, polémicas para esgrimir em palanques sociais e rebater resultados negativos, ou mesmo exacerbar positivos. Desenterrar o passado para condicionar o presente, contrapor alegações a alegações, quando são todos, absolutamente todos, iguais.
Terá, acredito, também que ver com o tempo que se propõem a discutir isso um pouco por todo o lado, e aquele em que aplaudem argumentos, uns mais cegos do que outros, de quem até parece acreditar fielmente naquilo que diz.
É que se é difícil equilibrar momentos eternos em cima de bola cheia – talvez seja mais fácil sobre uma furada – será igualmente complicado manter os argumentos de superioridade de uns sobre outros, ou de vítimas de uns para os outros. No futebol, nada é eterno, nem os protagonistas do bom ou do mau. Há sempre alguém disposto a voltar ao topo, a todo o custo, até escorregar por ali abaixo. 
A bola nos pés de Baggio. Sorridente, feliz, disposta a fazer tudo por ele. De Rui Costa para Batigol, e a explosão no pé direito do argentino. A encontrar-se com Piojo López no contra-ataque, e Mendieta, atrás, a olhá-los à distância qual pai embevecido. De Xavi para Iniesta, para Xavi, de novo para Iniesta. Raúl à boca da baliza. Golo! O golaço que todos querem que passe despercebido. Que seja esquecido.
De que é que estávamos mesmo a falar?"

Benfiquismo (DCLXIV)

À chuva...

Luisão....

Tribuna... Irresponsabilidades

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Chama Imensa... Revelações

O futebol na sociedade portuguesa

"O futebol português apresenta-se básico e imediatista, submetido à ditadura do proletariado cibernético, em pleno primado do populismo.

O último fim de semana, sem surpresas de monta na Taça de Portugal, acabou por ser marcante quanto à guerrilha que continua a minar o futebol português. Da banda do Dragão, assistiu-se à apresentação de um livro que se perfila como lídimo sucessor do Eu, Carolina. E de Alvalade, pela pena de Bruno de Carvalho, surgiram alguns posts que não deixaram ninguém indiferente, essencialmente pela irreversibilidade dos conflitos abertos...
A este nível, o futebol português apresenta-se básico e imediatista, submetido à ditadura do proletariado cibernético, em pleno primado do populismos.
Mas será que é só no futebol que a sociedade portuguesa se revela com estes contornos? Não, o futebol está plenamente inserido num contexto temporal que nivela por baixo, menoriza protagonistas e vive por ditames circunstâncias.
É verdade que, nos últimos tempos, aquilo que no futebol, em termos de conflitualidade, já era mau, piorou exponencialmente, atingindo níveis de insanidade incompatíveis com uma sociedade civilizada. Mas a dimensão dada a outras matérias - e o caso mais recente de desproporção foi o jantar Web Summit no Panteão Nacional - mostra-nos que cada vez mais estamos sujeitos à influência de uma comunicação sem regras que se impõe através de redes alternativas baseadas na falta de critério e na ausência de escrutínio.
O que é que isto tem a ver com o que se verifica, desgraçadamente, no futebol? Tudo! É farinha do mesmo saco, de um populismo acéfalo que se alimenta do imediatismo, dos comentários impreparados e, last but not least, da escassez de jornalismo, numa era em que se confunde essa área nobre da nossa vida com propaganda e dissertação casuística e irresponsável nas redes sociais.
Regressemos ao futebol e a uma ideia de Henrique Calisto, partilhada na última Quinta da Bola: «Não há situações, por piores que sejam, que impeçam as partes desavindas de se sentarem à mesa para a resolução de problemas comuns». Em tese, Calisto tem razão. Na prática, na vigência dos mandatos de Pinto da Costa, Filipe Vieira e Bruno de Carvalho, tenho as mais fundadas dúvidas sobre a sua exequibilidade. A sensação que me fica é de que os clubes estão à beira do abismo e preparados para dar um passo em frente.

Ás
Carlos Pinto
A pouco e pouco o Santa Clara tem vindo a posicionar-se para nova aventura entre os maiores clubes do futebol nacional. A vitória sobre o Desportivo de Chaves, na Taça de Portugal, veio reforçar essa convicção e mostrar que poderá haver, nos Açores, mais cedo do que mais tarde, novo polo descentralizado da I Liga...

Ás
Marco Silva
O Watford regressou às vitórias e às boas exibições, no culminar de uma semana em que o treinador português andou nas bocas do mundo, assediado pelo poderoso Everton, que estava disposto a abrir muito os cordões à bolsa para garantir o seu concurso. Marco continua a protagonizar uma história de sucesso em fronteiras.

Duque
Oreste Vigorito
O presidente do Benevento, da Séria A italiano, fica na história por razões incómodas: o seu clube, ao perder ontem em casa com o Sassuolo, passou a ser o pior de sempre nas maiores Ligas europeias, com 13 derrotas nas 13 primeiras jornadas! Já trocou de treinador, Baroni saiu e De Zerbi entrou, mas nada mudou.

Tapie, caso de estudo na cidade de Marselha
«O que senti quando 50 mil pessoas me incentivaram no Vélodróme? Senti que devo ter feito alguma coisa relevante...»
Bernard Tapie, antigo presidente do Marselha
Bernard Tapie, antigo presidente do Marselha (afundou o clube em casos de corrupção), ministro nos idos de Miterrand e empresário do jet set, está muito doente, um cancro no estômago e esófago obriga-o a luta sem quartel. Deu ontem para entrevista e afirmou que vai encontrando força sobretudo no carinho que sente dos adeptos do OM. É verdade e dá que pensar...

Campeão do Mundo
Pedro Lamy, fazendo equipa com o austríaco Mathias Lauda e o canadiano Paul Dalla Lana, sagrou-se campeão mundial de resistência de 2017, na categoria LM GTE AM, ao vencer as 6 horas do Bahrain. Longe vão os tempos em que Pedro Lamy, agora com 45 anos, fazia um anúncio televisivo em que dizia «tenho cara de miúdo mas já sou muito rodado» e é uma pena que um acidente numa sessão de treinos em Inglaterra lhe tenha cortado uma carreira muito promissora na F1. Mas o talento continua lá, no melhor piloto português de sempre...
Forma directa de passar mensagem
A Itália falhou a qualificação para o Mundial da Rússia e a indignação dos media transalpinos traduziu a frustração de uma sociedade que há 60 anos não vivia tal provação. A manchete do Il Tempo, reproduzida ao lado, é paradigmática, na brutalidade, à medida da desilusão: «Vão mas é trabalhar!»"

José Manuel Delgado, in A Bola

Os árbitros cada vez mais expostos

"Olhemos para a arbitragem de João Capela no Benfica - V. Setúbal. Não para discutirmos quem foi mais ou menos beneficiado, mas para tentarmos perceber um pouco melhor as razões que podem ter levado ao infeliz trabalho do árbitro no Estádio da Luz. Veja-se as estatísticas: 48 faltas. Como escreveu o Hugo Vasconcelos, Capela «usou e abusou do apito». Se quisermos ir mais longe, fora das áreas marcou tudo, o que era e o que não era, talvez para não dar azo a que um daqueles lances divididos acabasse num golo que - na Taça não há VAR - viesse depois a revelar-se precedido de irregularidade. Dentro das áreas, pelo contrário, não apitou nenhuma das vezes que devia - e devia ter marcado, pelo menos, um penalty para cada lado.
Claro que poderíamos ir, simplesmente, pelo facto de haver, em Portugal como lá fora, bons e maus árbitros. E encaixar João Capela numa dessas categorias. Mas seria demasiado redutor. Pensemos, antes, na forma como os departamentos de comunicação dos três grandes passaram a comentar, em tempo real, a actuação dos árbitros, piorando o ambiente - já de si hostil - em torno da arbitragem. Haverá, é certo, os que lidam melhor com a pressão. Mas mesmo que de forma inconsciente, e por isso não assumida, parece impossível que haja algum que não se lembre, antes de apitar a favor ou contra Benfica, Sporting ou FC Porto, do barulho que a sua decisão criará e a quem, ou ao quê, passará a ser associado. Ficam, pois, mais expostos ao erro. E têm tendência a defender-se, como fez Capela na Luz. Bem vistas as coisas, talvez seja esse o objectivo dessa estratégia de bater só por bater. Porque ter razão deixou há muito de ser o mais importante. Interessa é ganhar, custe o que custar. Mesmo que com isso se vá matando, aos poucos, o futebol."

Ricardo Quaresma, in A Bola

PS: Duas notas:
- primeiro, houve 5 lances duvidosos nas áreas: 4 na área do Setúbal, e 1 na área do Benfica (duas mãos na bola e lances com o Jonas e outro com o Krovi; e o lance do Varela). Quando se diz que ficou pelo menos um penalty por marcar para cada lado, até parece que o mal foi distribuído pelas aldeias!!!
- segundo, esta estratégia de critica imediata logo a seguir ao final do jogo, começou há mais de um ano... parece que só agora, depois do Benfica começar a imitar os outros, é que os opinadores, acham que se está a matar o futebol... Quando o Benfica se mantinha calado, e os outros faziam barulho, estava tudo bem...!!!

Como treinar a sorte no desporto?

"Quem treina e compete quer acreditar que o seu desempenho e sucesso não depende da sorte. Nada ou quase nada. Mas temos de ser realistas, a sorte existe e, segundo Huizinga, é um dos quatro pilares que caracterizam qualquer jogo. E com isto não significa que treinemos menos ou que deixemos que o «acaso» possa ter mais peso do que já tem naquilo que são as nossas marcas, desempenhos ou objectivos. E a sorte também não dá mais ou menos trabalho. As vitórias regulares é que dão muito trabalho. Alcançar objectivos ambiciosos mas realistas é que torna a sua exequibilidade num esforço constante e construtivo.
Então como se treina para se ter sorte ou menos azar? Não se treina. A definição de sorte enquadra-se aí mesmo, nesse equilíbrio de hipóteses em que podem acontecer determinados acontecimentos e que não dependem nada ou quase nada dos intervenientes. O que se treina é o modo como nos relacionamos com ela e como reagimos aos mesmos acontecimentos que nos possam parecer justos ou injustos. E aí sim, o treinador pode ter um trabalho fundamental no modo como os seus atletas e as suas equipas reagem nos momentos seguintes à dita sorte ou azar. O modo como o atleta mantém o seu equilíbrio emocional ou perde o controlo sobre aquilo que são as suas prioridades e qualidades, que não podem ser distorcidas ou diminuídas em função do descontrolo emocional que se apodera de nós.
O treino serve para que possamos depender menos do fator aleatório que é a sorte, mas por muito que treinemos ou queiramos controlar tudo durante a competição, sabemos que isso raramente sucede. As equipas e os atletas melhor preparados são aqueles que reagem melhor e de modo mais célere ao que vai acontecendo no jogo ou na competição. E nós não conseguimos controlar tudo, por muito que nos esforcemos. As melhores equipas parecem nem nestes momentos perder o controlo sobre o que pode ser realizado e como tem de ser realizado.
O conhecimento que o treinador tem de cada atleta permite-lhe que cada momento possa ser potenciado e gerido em função dos acontecimentos que se encaixam naquilo a que o senso comum define como sorte. E um dos factores que mais nos rodeia e nós nem damos por isso e que se pode encaixar nisso que é a sorte são os factores contextuais, que favorecem mais uns do que outros, pela simples característica que enquanto seres humanos nos adaptamos mais ou menos a situações completamente distintas.
Em tempos tive um treinador que durante os treinos «provocava» a sorte e o azar e que nos criava sem nos apercebermos uma situação de completa frustração e injustiça pelos factos que aconteciam à nossa volta. Só mais tarde percebi que o modo e o tempo que demorávamos a reagir àquilo não dependia apenas da competência técnica ou da importância que aquele jogo ou resultado tinha para cada um de nós, mas sim pelo controlo ou descontrolo emocional e pela capacidade de foco."

Benfiquismo (DCLXIII)

Malta...