"Nunca percebi bem – pelo menos por boas razões - alguma resistência a investir no mercado interno. Os riscos são menores, o que se gasta é ‘mais em conta’, revitaliza-se a economia da nossa Liga, e faz-se, por outra via, o que é pretendido com a centralização: diminuir o fosso entre uns e os outros.
Não gosto de generalizações, que na maior parte das vezes levam a conclusões redutoras e mentirosas. Portanto, não ouso afirmar que os grandes clubes nacionais deviam olhar exclusivamente para o mercado interno, na hora de reforçarem os plantéis. Mas talvez não seja desapropriado assumir que só deviam recorrer ao exterior depois de esgotadas as hipóteses, a nível doméstico. É certo que estamos a patinar em gelo fino, no que toca a certezas, quando se fala num processo de integração bem-sucedida de um novo jogador, porque as variáveis são muitas, da adaptação ao clube, à relação com os novos companheiros, sem esquecer o modelo de jogo adotado pelo treinador. Dito tudo isto, o que é razoável quando um clube contrata um jogador? Em minha opinião, é que o faça, dentro de parâmetros pré-estabelecidos, inserido numa política que ofereça uma taxa de sucesso de 80 por cento (há 20 por cento que serão sempre compostos por imponderáveis). É inadmissível, e deve levantar suspeitas quanto à bondade das motivações, que se verifique, por exemplo, o inverso, 20 por cento de sucesso e 80 por cento de insucesso, e já houve fases em que vimos isso mesmo acontecer.
Ora, como será possível minimizar o risco (que existe sempre)? Se estivermos a falar de um clube de top mundial, é mais fácil, pega-se em 100 milhões de euros e aponta-se ao que de melhor houver no mercado; se falarmos de um emblema português de primeira linha, que disporá, digamos, de 20 milhões, os cuidados devem ser outros, o que recomenda que primeiro olhem para dentro de portas, e só depois, eventualmente se abalancem para o estrangeiro. Um jogador que evolua no campeonato português, está, por natureza adaptado ao nosso tipo de futebol, conhece os clubes e pode ser observado múltiplas vezes, o que minimiza o risco.
Contratar jogadores para construir um plantel, não é ir à procura de nomes, como na PlayStation, muito menos sucumbir ao complexo periférico, que faz parte da nossa essência, de achar que só porque vem lá de fora é necessariamente melhor. Vou resistir à tentação de dar exemplos práticos, que podiam ilustrar esta tese, para não abrir portas à clubite. Mas, para além das vantagens atrás enunciadas, ainda há outra consequência, benéfica, de comprar cá dentro, que tem a ver (além de ser por norma mais barato) com a dinâmica da economia dos clubes, que é reativada, gerando-se um efeito dominó de crescimento. Não sei se os clubes habitualmente compradores são muito sensíveis a este argumento, mas numa altura em que se fala de inverter a escassa competitividade da I Liga (ao fim de 16 jornadas o quarto já está a 11 pontos do terceiro, para não falar do primeiro...) e da necessidade de aproximar recursos, através da centralização, deixar o dinheiro no mercado interno só pode ser uma boa ideia.
PS – O projeto ‘Benfica District’ foi aprovado, numa Assembleia Geral que foi para além da ‘bolha’ da Luz, por cerca de 60 por cento dos sócios encarnados, em linha com a maioria que deu a reeleição a Rui Costa. Legitimado por este triunfo, o presidente dos encarnados fica com a bola nos pés, e com a responsabilidade de distribuir jogo, a sua especialidade quando era o ‘maestro’."

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