"1. Houve uma entrega de prémios no Dubai, e lá estava o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença. E falou, falou, falou a um canal
de televisão. Disse que "o ano de 2025 é excecional
para o futebol português”. Como será, certamente,
“excecional” o ano de 2026, 2027, 2028 e 2029 e
todos os anos em que ele for presidente de Qualquer Coisa Portuguesa de Futebol, seja a Federação, a Liga ou da mais moderna Associação
Recreativa. Qualquer coisa sonante e que meta
bola. O resto são berlindes.
2. O presidente da FPF explicou a razão porque foi
excecional o ano de 2025 para o futebol português.
E, modéstia à parte, qual foi o seu papel nesta
excecionalidade toda como é vista até além-fronteiras: “É o reconhecimento do trabalho que está a
ser feito, que depois permite estes patamares de
reconhecimento internacional.” Embrulhem.
3. Mas o autoelogio não fica por aqui. O sujeito é convencido. Poder ter muito mérito e um projeto revolucionário de bom – sim, porque também há projetos revolucionários de maus –, mas dá nas vistas,
impressiona incautos porque até falando em português consegue falar em inglês e tudo ao mesmo
tempo, sem se atrapalhar. “O futebol português é
role model na criação e potenciação de talento do
jovem jogador, do treinador, do dirigente, da organização.” Sobretudo na potenciação do dirigente,
acrescentamos nós sem querer ofender ninguém.
4. O presidente da Federação acredita – pudera! –
que a seleção nacional pode vencer o próximo
Mundial e que tem em Cristiano Ronaldo, o “capitão” da equipa nacional, “uma marca que ultrapassa a portucalidade”. Ora, o que é isso da “portucalidade” é que faltou explicar. Para que não se perca
tempo, escusam de ir a correr ao dicionário, porque não está lá nada sobre a “portucalidade”…
5. O caminho para o título mundial, segundo Pedro
Proença, não tem nada que saber. Atentem: “Se
voltarmos a há séculos, à forma como liderámos
o processo dos Descobrimentos, diria que é um
bocadinho essa a dinâmica.” Basta só mesmo um
bocadinho de Vasco da Gama, de Diogo Cão e de
Álvares Cabral, à baliza, e já está. Uma dinâmica
e peras.
6. E porque não uma Universidade de Futebol sob o
alto patrocínio da FPF? Dito e feito, já lá vem no
horizonte uma coisa dessas. “A Universidade do
Futebol, que a FPF vai lançar, é também para trazer o conhecimento técnico. Assegurámos não só o
passado, o presente, mas o futuro também está
assegurado.” Assegura tudo, está garantido.
7. Oh, que este futuro chegue já em 2026, porque não
se aguenta mais a espera."
Leonor Pinhão, in O Benfica

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