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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nadar pelo Estádio da Luz


"LUÍS NAIA FOI UM ATLETA PROFÍCUO EM SUCESSOS. E, 20 ANOS DEPOIS DE SE RETIRAR, VOLTOU A MARCAR O DESPORTO BENFIQUISTA.

Além do râguebi, do polo aquático e dos sucessos que teve na natação pura, Luís Naia (1905-1986) tem os seus maiores feitos escritos em provas de águas abertas, especialmente nas Travessias do Tejo.
Entre 1928 e 1933, o atleta apresentou-se em 8 Travessias do Tejo, 5 delas no verão. As outras partiram da vontade do nadador de “rija têmpera”, entre 1930 e 1932, no dia de Natal, assumindo-se como o sucessor de Eduardo Vieira Alves, nadador do Algés que, em 1929, implementou uma prova de águas abertas em pleno inverno, prática comum noutros países europeus. Naia teve, em 1930, o seu maior êxito, valendo-lhe a distinção de Águia de Prata. No ano seguinte, foi acompanhado pelo seu colega Eduardo Silva e, em 1932, nadou sozinho. “A Federação nunca reconheceu os meus tempos”, lamentou-se anos depois, por serem provas “de iniciativa e expensas” do atleta.
Depois de abandonar a prática, foi seccionista de natação e de futebol no Clube, e era relevante gerente no pugilismo lisboeta, modalidades que seguia com gosto. Além disso, esteve numa comissão criada nos anos 50 para a construção de uma piscina e revitalização da natação no Benfica.
Quase 20 anos depois da sua última participação em travessias, Luís Naia inscreveu-se na Travessia do Tejo de 1952, com 46 anos, na categoria de veteranos. A prova, “a mais antiga do calendário, mais espetacular e que melhor serve de propaganda da modalidade”, estava então a cargo da Associação de Natação de Lisboa. Novamente às suas custas, o veterano alugou um “Gasolina” para os sócios do Benfica acompanharem a Travessia. Com lotação para 50 pessoas, a receita reverteria inteiramente para o Estádio da Luz.
No domingo, 28 de setembro de 1952, numa manhã de sol radiante, centenas de espectadores acorreram às praias da Trafaria para verem os 38 nadadores lançarem-se à água. No Tejo navegavam “centenas de barcos” a acompanhar a corrida, entre eles o Maria Edeltrudes, com um grande número de benfiquistas a bordo.
Luís Naia foi o primeiro dos quatro veteranos a cruzar a meta em Algés, com um brilhante 7.º lugar em absolutos, ultrapassado apenas por um júnior e 9 lugares acima do 1.º principiante. A prova foi dominada pelo Sport Algés e Dafundo, que só não foi 1.º lugar em principiantes, ganho pelo Estoril, e em veteranos, com Luís Naia a bater o seu antigo colega Manuel da Fonseca em mais de 5 minutos.
Os periódicos celebraram o regresso do Benfica numa prova de natação, que “bastou para mobilizar algumas dezenas de adeptos, que acompanharam a prova e se manifestaram calorosamente durante a corrida”.
Conheça outros atos abnegados que ajudaram à construção do Estádio da Luz na exposição temporária Um por Todos e Todos pelo Estádio – Memórias do Estádio da Luz (1954-2003), no Museu Benfica – Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

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