"LUÍS NAIA FOI UM ATLETA
PROFÍCUO EM SUCESSOS.
E, 20 ANOS DEPOIS
DE SE RETIRAR, VOLTOU
A MARCAR O DESPORTO
BENFIQUISTA.
Além do râguebi, do polo
aquático e dos sucessos
que teve na natação
pura, Luís Naia (1905-1986) tem os seus maiores feitos
escritos em provas de águas
abertas, especialmente nas Travessias do Tejo.
Entre 1928 e 1933, o atleta
apresentou-se em 8 Travessias
do Tejo, 5 delas no verão. As
outras partiram da vontade do
nadador de “rija têmpera”, entre
1930 e 1932, no dia de Natal,
assumindo-se como o sucessor
de Eduardo Vieira Alves, nadador
do Algés que, em 1929, implementou uma prova de águas
abertas em pleno inverno, prática comum noutros países europeus. Naia teve, em 1930, o seu
maior êxito, valendo-lhe a distinção de Águia de Prata. No ano
seguinte, foi acompanhado pelo
seu colega Eduardo Silva e, em
1932, nadou sozinho. “A Federação nunca reconheceu os meus
tempos”, lamentou-se anos
depois, por serem provas “de iniciativa e expensas” do atleta.
Depois de abandonar a prática, foi seccionista de natação e
de futebol no Clube, e era relevante gerente no pugilismo lisboeta, modalidades que seguia
com gosto. Além disso, esteve
numa comissão criada nos anos
50 para a construção de uma piscina e revitalização da natação
no Benfica.
Quase 20 anos depois da sua
última participação em travessias, Luís Naia inscreveu-se na
Travessia do Tejo de 1952, com 46
anos, na categoria de veteranos.
A prova, “a mais antiga do calendário, mais espetacular e que
melhor serve de propaganda da
modalidade”, estava então a
cargo da Associação de Natação
de Lisboa. Novamente às suas
custas, o veterano alugou um
“Gasolina” para os sócios do Benfica acompanharem a Travessia.
Com lotação para 50 pessoas, a
receita reverteria inteiramente
para o Estádio da Luz.
No domingo, 28 de setembro de
1952, numa manhã de sol radiante, centenas de espectadores acorreram às praias da Trafaria para
verem os 38 nadadores lançarem-se à água. No Tejo navegavam
“centenas de barcos” a acompanhar a corrida, entre eles o Maria
Edeltrudes, com um grande
número de benfiquistas a bordo.
Luís Naia foi o primeiro dos
quatro veteranos a cruzar a meta
em Algés, com um brilhante 7.º
lugar em absolutos, ultrapassado
apenas por um júnior e 9 lugares
acima do 1.º principiante. A prova
foi dominada pelo Sport Algés e
Dafundo, que só não foi 1.º lugar
em principiantes, ganho pelo
Estoril, e em veteranos, com Luís
Naia a bater o seu antigo colega
Manuel da Fonseca em mais de 5
minutos.
Os periódicos celebraram o
regresso do Benfica numa prova
de natação, que “bastou para
mobilizar algumas dezenas de
adeptos, que acompanharam a
prova e se manifestaram calorosamente durante a corrida”.
Conheça outros atos abnegados que ajudaram à construção
do Estádio da Luz na exposição
temporária Um por Todos e Todos
pelo Estádio – Memórias do Estádio da Luz (1954-2003), no Museu
Benfica – Cosme Damião."
Pedro S. Amorim, in O Benfica

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