"As águias golearam (4-0) a equipa da Amadora. Pavlidis bisou, Sidny destacou-se contra a ex-equipa mas o encontro foi dos jovens de 17 anos: Banjaqui estreou-se a titular e assistiu Anísio Cabral, que marcou um minuto depois de entrar
Quantas vezes terão eles imaginado este momento? Ou será que foi tão perfeito, tão ideal, que nem sequer cabia nos mundos que a mente constrói e desenha?
Daniel Banjaqui e Anísio Cabral passaram os últimos anos a crescer juntos. Sub-15, sub-17, seleções. A ganhar, sendo campeões do mundo e europeus sub-17. A sonhar.
Terão sonhado com isto? Nas longas tardes que os adolescentes têm, quando olham para o céu e se divertem a arquitetar as possibilidades do futuro, será que este momento entrou em brincadeiras?
"Nós na equipa principal, na Luz. Tu cruzas, eu cabeceio, golo, vitória do Benfica".
Não foi imaginação. Foi realidade. Minuto 84. Banjaqui, novidade do onze de Mourinho, a subir pela direita. Bola na área. Anísio Cabral fora lançado um minuto antes, um avançado de 17 anos com zero minutos na equipa B, virgem no futebol profissional. Cabeceamento, golo.
A festa dos meninos de 17 anos contrasta com os problemas do Benfica recente. A equipa não deixa de estar longe da liderança da I Liga, fora da Taça, fora da Taça da Liga, em situação difícil na Europa. Mas perder a esperança é perder a vida e, em Anísio e Banjaqui, houve uma bebedeira de otimismo.
O Estrela fez a curta viagem até à Luz com uma equipa radicalmente diferente da que apresentaria há um mês. O mercado levou Sidny, Kikas, Ngom, Montóia ou Chernev, os castigos tiraram Abraham Marcos e Jovane Cabral do desafio. Os médios Kevin Jansonn e Tom Moustieram fizeram os primeiros minutos pelos tricolores, que até tiveram a primeira grande oportunidade através de outra novidade recente.
Leandro Antonetti, internacional por Porto Rico, atuou de início pela primeira vez, aproveitando a orfandade de Kikas. Logo ao primeiro minutos, um erro dos que Otamendi volta e meia faz isolou o avançado, mas António Silva evitou um golo certo.
Muito às custas do entusiasmo de Banjaqui, o Benfica respondeu com algum perigo. Aurnses atirou ao lado, o adolescente também tentou, Sidny bateu um livre de pé esquerdo — com o ex-Estrela é sempre preciso indicar com que pé executa, tal a ambidestria — para voo competente de Renan.
No entanto, a maior parte do primeiro tempo encarnado foi de monotonia. Dificuldades para fazer o Estrela sofrer, circulação lenta, Mourinho a olhar para o relvado como um detetive que fareja o perigo.
Sindy Cabral tem um jogar que parece respirar através do cruzamento. Olhar para a área e colocar lá a bola sai-lhe como opção natural, uma e outra vez. À sexta ocasião que repetiu o gesto, aos 42', o canto que executou de pé direito foi direito à cabeça de Pavlidis, que levou as águias para o descanso em vantagem.
Quaisquer pretensões de pontuar que o Estrela tivesse caíram por terra no arranque da etapa complementar. Os amadorenses, que fruto do mercado e de castigos atuaram sem os autores de 18 dos 23 golos neste campeonato, nunca triunfaram em casa do Benfica e somaram a 13.ª derrota seguida na visita ao poderoso vizinho.
Aos 55' e aos 58', os locais passaram da margem mínima para uma liderança confortável. Sidny saiu da vida dos cruzamentos para ganhar um penálti que levou Pavlidis para o ponto onde costuma ser infalível, mas onde desperdiçara em Turim. Não se pode dizer que a execução tenha acusado o desacerto de Itália: tiro forte e colocado, partindo a baliza, como Mou pedira.
Depois foi Bernardo Schappo a ter saudades de quando o Estrela tinha um plantel algo mais composto. Janeiro está a ser de reconstrução e, quiçá querendo puxar a vida atrás, o central serviu Sidny. Lopes Cabral aceitou a oferta, marcando e pedindo desculpa à sua antiga equipa.
O fim da tarde foi de festa. Rafa Silva entrou e regressou. Mas o Benfica não acabou a olhar para trás, para o passado, mas para o futuro. No cruzamento de Banjaqui, no remate de Anísio, nos jovens do Seixal, talvez tenha estado uma mensagem que este Benfica atribulado pode apreender."

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