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sábado, 23 de fevereiro de 2019

A bênção. E a sina!

"A esperteza de Bruno Lage e o contraste com algumas incoerentes opções de Keizer

Na Turquia, o Benfica foi quase sempre uma equipa melhor sem bola do que com bola. Foi melhor sem bola porque mesmo os mais jovens jogadores encarnados têm muita escola e sabem tacticamente muito dos diferentes momentos do jogo e são muito solidários a defender. E foi pior com bola por maior imaturidade e menor experiência daquele eixo central do meio-campo mas também pela menor capacidade de construir a partir de trás, com a alteração surpreendente que o treinador fez também dos dois laterais. Foi o Benfica em Istambul uma equipa bem mais incapaz de controlar o jogo, o que não surpreendeu, apesar de tudo lhe ter corrido tão bem e bem melhor do que qualquer encomenda, como diz a sabedoria popular...
Agora, na Luz, a águia já foi bastante melhor com bola, também porque Bruno Lage arriscou bem menos, mantendo, creio que acertadamente, a estrutura defensiva, ao contrário do que tinha feito em Istambul, quando, recordo mais uma vez, decidiu jogar com Corchia e Yuri Ribeiro num onze que já surpreendia por ter Florentino e Gedson no chamado meio-campo defensivo.
Por ter mexido menos no onze, Bruno Lage garantiu, creio, uma equipa mais consistente com a bola e menos vulnerável do que foi no jogo da primeira mão, no qual duas ou três intervenções de Vlachodimos foram muitíssimo importantes, se bem se lembram, para o Benfica poder trazer para Lisboa a vantagem que lhe deu, afinal de contas,  conforto para o que veio a ser o sucesso numa eliminatória difícil, frente a um Galatasaray muito adulto e bem mais forte na estrutura física dos jogadores, como se viu, ao levarem vantagem sempre que o duelo se impunha mais físico do que técnico.
Seja como for, com mais ou menos risco, o que Bruno Lage está a conseguir, na verdade, mais do que recolocar a equipa no caminho do bom futebol, do futebol que agrada aos adeptos, daquele futebol (como nos tempos de Jesus) positivo, arriscado, ofensivo, que procura mandar no jogo, mais do que tudo isso, repito, o que Bruno Lage está a conseguir é devolver a confiança e o entusiasmo aos adeptos e a alegria e a autoestima aos jogadores. E isso, nos tempos que foram correndo pelos lados da Luz, é a bênção que, há mais ou menos dois meses, já poucos esperariam possível esta época.
Uma bênção que Lage está, para já, a saber construir, juntando algumas decisivas peças ao puzzle que é sempre o trabalho de um treinador de futebol, a começar pelo sinal de inteligência que deu ao fazer a equipa regressar ao 4x4x2 que foi sempre a marca do Benfica de Jorge Jesus (que tanto sucesso teve) e com o qual Rui Vitória conseguiu ganhar tudo o que ganhou na Luz.
Lembro aliás que quando decidiu alterá-lo para o 4x3x3, Vitória perdeu tudo o que tinha para perder. E acabou como acabou.
Lage não foi nisso. E o resultado já está à vista.
(...)

Julgo que foi Jorge Jesus francamente feliz (e sábio) na forma que encontrou para retratar um pouco o valor, o talento, o potencial do jovem João Félix, que tanto se tem mostrado à Europa do futebol sobretudo desde que Bruno Lage substituiu Rui Vitória no comando da equipa do Benfica. Disse Jesus mais ou menos isto, que o jovem Félix tão depressa parece ter coisas de Rui Costa, como parece ter coisas de Kaká, e é isso mesmo,, só mesmo alguém que sabe tanto de futebol como Jorge Jesus para retratar de forma tão feliz o talento de um jovem jogador que tem tanto para crescer como tem de potencial valor para se tornar no futuro uma das grandes figuras do futebol português.
Há, no entanto, algo que desde o princípio me impressiona no futebol de João Félix, que nunca vi, na realidade, no jogo de Rui Costa ou mesmo de Kaká, que é, por um lado, a capacidade de rematar com os dois pés - lembram-se do golo que não valeu em Alvalade, feito com o pé esquerdo?! -, e sobretudo, e muito em especial, o jogo de cabeça de Félix, que surpreende, e que nesse aspecto se aproxima mais de um João Vieira Pinto, que tinha, como todos se recordarão, além de muitos outros atributos, um exímio jogo aéreo quando se tratava de atacar em plena área adversária.
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

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