Últimas indefectivações

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Pinto dos Apintos

"Muito pia o Pinto dos Apintos! De bico adunco e perfil de anão, usa o seu covil esconso nas vizinhanças de Medancelhe para receber, em festa, os apintadores mais sinistros. Esta gente é assim: fascina-se pela incompetência e pela má-fé. Logo, há que premiá-las. O Juiz-de-linha-que-não-quer-ver levanta a bandeirola como se estivesse numa estação de comboios e comete um crime? Pois faça-se uma homenagem que ele bem merece! E ele aproveita o bochinche para cuspir um ror de porcarias, revelando bem a estrutura de que é feito. Para tal mamífero, roubar não é crime: crime é roubar e não saber fugir. E como soube fugir, sente-se ilibado. E como o Pinto dos Apintos se apressou a organizar uma pândega saloia em sua honra, até se sente orgulhoso do saque.
Sabemos todos que Portugal não é propriamente um local bem frequentado. Mas estes sicários ultrapassam o mínimo admissível. São cultivadores da pilhagem, da traficância, da espoliação e da mentira. Príncipes negros da iniquidade. Riem-se em público das suas canalhices e o Pinto dos Apintos recebe-os com abraços tão felizes como insanos. O Azeiteiro-da Cabeça-d'Unto não podia faltar.
Dificilmente arranjariam um sem-vergonha cara-de-pau mais a jeito para alegrar a banbochata. Traz sempre consigo meia-dúzia de vulgaridades para encher páginas de jornais, envolto numa empáfia tão genuína que nos faz perguntar em que raio de espelho se mira ao acordar para não perceber o quão alambicado é? Frívolos, risíveis, prolongam a festa até às tantas. Os próximos esbulhos estão aí ao virar da esquina. E as próximas homenagens também."

Afonso de Melo, in O Benfica

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