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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Danny é como o Benfica, é bom para o país

"Foi bom para o país que o Benfica tivesse sido eliminado da Taça e também foi bom para o país que Danny tivesse evitado, nos últimos instantes do jogo no Porto, dar a vitória ao Zenit


FOI muito bom para o país que o Benfica tivesse sido eliminado da Taça de Portugal. Estarão, com certeza, lembrados que na semana em que o Benfica ganhou ao Sporting para o campeonato foi aprovado o Orçamento Geral do Estado sem que ninguém reflectisse sobre isso, porque não se falou doutra coisa a não ser da gaiola da Luz e da fabulosa exibição de Diego Capel.

Lembram-se? O País em crise, um Orçamento Geral do Estado de rapina, a senhora Merkel e o senhor Sarkozy a quererem acabar com o euro, e nem uma palavrinha mais acesa sobre tais assuntos teve a capacidade de incendiar a sociedade portuguesa. Com toda a comunicação social focada na gaiola da Luz, até se podia ter oferecido o Mosteiro dos Jerónimos à banca internacional para abater na dívida que ninguém tinha dado por tal coisa.

E por isto mesmo foi bom para o país a justíssima eliminação do Benfica da Taça de Portugal. Caso contrário, teríamos mais um derby este mês o que significaria, pelo menos, outros quinze dias de alienação total. Uma semana antes do jogo, com a revisão da matéria dada e uma semana depois do jogo, com o rescaldo das ocorrências.

Foi bom para o país e foi bom para o Sporting, convém acrescentar.

Numa prova que caminha para o centenário e cuja final se disputa tradicionalmente no Verão, o Sporting é o primeiro clube a ganhar e a festejar a conquista do troféu ainda antes do Natal.

POLÍTICA nacional à parte, não foi uma semana boa nem para o Benfica nem para o FC Porto. Se um Benfica medianamente esforçado não chegou para o Marítimo, um FC Porto muito esforçado também não chegou para o Zenit.

Saiu o Benfica da Taça de Portugal, saiu o FC Porto da Liga dos Campeões e saiu Danny de boa saúde do Dragão, o que também se deve saudar.

Danny é como o Benfica, é bom para o país e não teme os sacrifícios que tal estatuto implica. Na quarta-feira, nos últimos instantes do jogo, quando o FC Porto só atacava e o Zenit só contra-atacava, a bola foi lançada para Danny que avançou perigosamente para a baliza de Helton. Mas teve o bom senso de se deixar desarmar. Seria mau para o país se Danny marcasse o golo da vitória dos russos no Dragão.

Seria mau para o país e para Sociedade Protectora dos Animais.


O Salgueiros faz 100 anos e já conheceu melhores dias. Uma sucessão de gestões danosas atirou com o Salgueiros para uma situação imprópria do seu historial. Para mim, o Salgueiros foi sempre o Salgueiral. E isto d2 lhe chamar Salgueiral é carinho, não é desprezo nem olhar de cima. As notícias do centenário do Salgueiros vieram, naturalmente, acompanhadas por alguns pormenores sobre a fundação do clube.

Na verdade, não são pormenores. São pormaiores. O Salgueiros nasceu depois de um grupo de amigos ter assistido a um jogo de futebol entre o FC Porto e o Benfica disputado no Campo da Rainha, na cidade do Porto. Gostaram tanto do que viram que, de regresso a casa, pararam na rua à conversa e, à luz de um candeeiro da via pública, decidiram fundar o seu próprio clube.

São também lampiões, portanto, os salgueiristas. Como se não lhes bastasse este notável pedigree, os seus fundadores tomaram outra decisão importante quando escolheram o equipamento, vermelho e branco, igualzinho ao do Benfica de Lisboa que tinham visto jogar para, assim, se distanciarem das cores do FC Porto, o vizinho da mesma cidade.

O Salgueiros passou um mau bocado, praticamente refundou-se para subsistir, e hoje luta pelo regresso às provas nacionais. A equipa de futebol do Salgueiral está na 3ª posição da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto, com menos um jogo do que o líder da tabela, o Felgueiras.

É incrível como o Porto, uma cidade pujante de comércio e de associativismo, não conseguiu manter nas primeiras linhas da competição os seus clubes históricos, como o Salgueiros e o Boavista. Mas é assim, não dá para todos. É uma pena.



«OH, Inglaterra, minha Inglaterra / com os teus gloriosos olhos austeros.» É um poema, está visto. Um poema do poeta inglês Willian Ernest Henley que viveu e produziu a sua obra no século XIX. Este poeta Henley é também o autor do poema Invictus que Nelson Mandela recitava na prisão e serviu de inspiração para o filme de Clint Eastwood com o mesmo nome.

Mas tudo isto vem a propósito de quê?

Da Inglaterra e dos pequenos tormentos que André Villas-Boas e David Luiz por lá têm passado, eles que em Portugal, cada um no seu clube e na sua função, foram não só incontestados mas apontados como exemplo para as gerações futuras. Agora estão os dois em Inglaterra e vida não lhes parece correr tão bem porque tudo aquilo que em Portugal eram as qualidades fantásticas dos dois, em Inglaterra são defeitos.

A Inglaterra, como os seus «gloriosos olhos austeros», não suporta o futebol azougado de David Luiz, que levava ao delírio o Estádio da Luz, e não tolera os mind games de Villas-Boas, que punham em sentido os árbitros e os jornalistas do Condado Portucalense.

David Luiz, diz a imprensa britânica, pode ser transaccionado na abertura do mercado de Inverno pelo preço de 16 milhões de euros, ele que custou 24 milhões a Abramovich. Tony Cascarino, a velha glória irlandesa que jogou no Chelsea no início dos anos 90, apontou recentemente aquilo que considera serem as falhas do jovem defesa central brasileiro: «Ele pensa de forma errada e tem o péssimo hábito de tentar passes arriscados quando só precisa de defender. Será difícil perder esses maus hábitos.»

André Villas-Boas, diz também a imprensa inglesa, teve o lugar por um fio antes destas duas últimas vitórias do Chelsea, para o campeonato inglês e para a Liga dos campeões, frente ao Valência. Para lá dos resultados não estarem a corresponder às expectativas do magnata russo que o contratou, o jovem treinador chegou também com os maus hábitos do futebol português. E os «gloriosos olhos austeros» da Inglaterra logo o sancionaram com uma multa de 12 mil libras (perto de 19 mil euros) quando, depois de perder com o Queens Park Rangers, Villas-Boas se atreveu a dizer que o árbitro tinha feito um trabalho «muito, muito pobre», pequeníssimo, quase anémico insulto em termos lusitanos. Mas tremenda falha para um desportista na Inglaterra de Henley e de outros civilizadores.

E se, em Inglaterra, afirmar que o árbitro foi «muito, muito pobre» dá uma multa de 19 mil euros, imagine-se a coima que Villas-Boas terá de pagar se um dia, no rescaldo de um resultado menos feliz, disser em inglês tudo o que disse em português, em Guimarães, na época passada, depois do empate do FC Porto no berço da nacionalidade: «A minha expulsão é ridícula» … «O árbitro cometeu um erro declarado que mudou o sentido do jogo» … «por favor, alguém meta pressão na TVI…»

Havia de ser bonito.

Sobretudo naquela parte em que Villas-Boas diria, em inglês, please, someone put pressure on BBC!»

Pressure on BBC? I beg your pardon??????!!!!!

Mas isso nunca vai acontecer.

«Oh Inglaterra, minha Inglaterra / com os teus gloriosos olhos austeros…»



LIEDSON já sabe ao que sabe ser campeão. O caminho não foi fácil. Aos 21 anos, Liedson era caixa de um supermercado e quando saiu do Brasil para a Europa não era, propriamente, nenhuma vedeta. Nunca jogara sequer em nenhum escalão da selecção brasileira. Depois de sete anos no Sporting a disfarçar com os seus golos todas as crises de Alvalade, regressou ao Brasil para jogar no Corinthians.

E o Corinthians ganhou o campeonato no domingo. No mesmo dia em que morreu Sócrates, o doutor, que fez no timão meia dúzia de épocas de sonho. Sócrates sempre disse, reza a lenda, que gostaria de morrer num domingo em que o Corinthians «levantasse um título». Foi precisamente isso que aconteceu. E é assim que vai ficar para a História.



VENDO as imagens na televisão, fica-se com a ideia de que os simpáticos adeptos do belenenses que se deslocaram a Alvalade ficaram um bocado enjaulados no estádio, confinados entre grossas redes laterais, dissuasoras de qualquer comportamento menos digno que, aliás, não se previa. Também é verdade, registe-se, que à frente não tinham rede alguma que lhes perturbasse a visão. Mas também não fazia falta porque está lá o fosso que sempre é mais medieval do que pré-histórico.



P.S. – Foi um grande aborrecimento o jogo de ontem do Benfica com os romenos, só compensado pelo gosto de ficar em primeiro lugar no grupo. Ontem também ficou provado que o grande resultado do Benfica nesta “poule” foi a vitória em Basileia. Incrivelmente, o Manchester City e o Manchester United foram parar à Liga Europa que, sem a chegada destes ingleses, até já parecia a Taça de Portugal."



Leonor Pinhão, in A Bola

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