"Em quatro meses, época do Benfica nas competições nacionais ficou comprometida. Talvez Mourinho nem continue, mas 2025/2026 ainda pode trazer frutos para colher mais tarde
Não faço a menor ideia sobre a continuidade e vontade de José Mourinho continuar no Benfica em 2026/2027. A aura do regresso do Special One rapidamente se esfumou e, em quatro meses apenas, a época encarnada ficou praticamente sentenciada nas competições nacionais —e na Champions veremos o que traz, amanhã, o jogo em Turim. Os 10 pontos de distância para o FC Porto fazem do campeonato um sonho quase irreal e as Taças já lá vão.
Depois do jogo em Vila do Conde, quando questionado sobre Rafa, Rui Costa salientou a vontade de «continuar o bom caminho», mas é difícil perceber qual é ele quando a época das águias está quase reduzida a cinzas e, a meio desta década, as conquistas do Benfica no futebol masculino se resumem a um campeonato, uma Taça da Liga e duas Supertaças. Nem tudo está mal na Luz, é claro, e a formação é uma das boias a que o clube se pode agarrar neste momento. Resta perceber para que é que ela serve.
Quando chegou ao Sporting, em março de 2020, Ruben Amorim apanhou uma equipa destroçada e com 10 jornadas pela frente e no 4.º lugar na Liga. Desportivamente, já pouco havia a fazer — os leões terminariam na mesma quarta posição, em igualdade pontual com o SC Braga —, mas Amorim olhou para a formação e lançou, então, as bases para o futuro e os frutos foram colhidos um ano depois: na época do título, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes ou Matheus Nunes foram, uns mais e outros menos, muito importantes nas contas de Amorim.
É certo que esse contexto do leão, a reerguer-se do ataque à Academia, é diferente, Amorim e Mourinho pensam de forma igualmente diferente e, apesar de o título ser uma miragem, ser 2.º (acesso à Champions) será bem diferente de ser 3.º (que dá Liga Europa). Mas até que ponto não fará sentido fazer algo semelhante na Luz até maio? Até porque o passado recente mostra que nos últimos campeonatos ganhos houve papel preponderante da formação: em 2018/2019, Bruno Lage apostou firme em Rúben Dias, Ferro, Florentino e João Félix, em 2022/2023 foram António Silva e João Neves com Roger Schmidt.
Há estatutos para serem geridos e foram gastos muitos milhões num investimento sem precedentes e que se está a revelar errático, mas Banjaqui, José Neto, Mauro Furtado, Rafael Quintas ou Gonçalo Moreira não merecerão mais atenção — e com isto refiro-me a minutos de utilização consistente e a sério — do que serem mera propaganda? Foi Mourinho que, a 13 de dezembro, disse que podia estrear um menino do Seixal a cada fim de semana, tamanha e tão boa é a fartura. Talvez esteja na altura de o mostrar."

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