"O JOGO ENTRE BENFICA
E SPORTING DE 10
DE ABRIL DE 1960
DÁ O RETRATO DAS
PRINCIPAIS INDISPOSIÇÕES SOFRIDAS
PELOS ASSISTENTES
Benfica e Sporting, no frente
a frente da 24.ª jornada do
Campeonato Nacional de
1959/60, foi o jogo do ano
antes de começar. Um dérbi entre
os dois maiores rivais de Lisboa e a
grandeza dos “protagonistas e das
interrogações que suscitava” justificavam-no. O 4-3 para o Benfica
teve consequências a longo prazo,
com o Clube a conquistar o título,
um mês depois, e a ter acesso direto à Taça dos Clubes Campeões
Europeus de 1960/61.
A enchente era esperada. Com
45 mil bilhetes vendidos, o mercado negro borbulhava apesar
dos esforços da PSP, e mesmo
com preços inflacionados os
bilhetes vendiam-se. Milhares de
adeptos acorreram, da província
e do Golfo da Guiné. O Estádio da
Luz foi um conclave do sentimento desportivo e clubístico.
Com o 3.º anel em construção,
sorria ao soalheiro domingo primaveril e ao primeiro adepto a
chegar, vindo de Castelo Branco,
às sete da manhã, nove horas
antes do início da partida.
Às 10 da manhã, vislumbrava-
-se um “formigueiro humano”
nas ruas e azinhagas em torno
do Estádio. O serviço de bar
duplicou o stock e aumentou
para 420 o número de vendedores, mais 80 que o habitual.
A equipa de râguebi apresentou-
-se antes do jogo na condição de
campeã nacional, título conquistado de manhã. Entre os milhares
de aplausos, ouviu pedidos para
que ficassem, que “ainda vão ser
precisos” em campo. A dimensão
deste jogo transcendia o próprio
campo, com o nervosismo a tornar pequeninos os corações dos
que assistiam. E com 50 mil pessoas reunidas, a probabilidade de
ocorrências aumentava.
As duas equipas de Bombeiros
Voluntários, os Lisbonenses e os
de Lisboa, não tiveram mãos a
medir: um senhor, ao acender
um cigarro, incendiou a caixa de
fósforos que lhe queimou um
dedo; dois desmaios por insolação; uma senhora entalou um
dedo na porta do automóvel e um
senhor numa cancela; uma
senhora desmaiou por se perder
no meio da multidão e outra
feriu-se ao cair.
Uma senhora perdeu os sentidos à saída, devido ao natural
aperto da multidão, e o caso
doloroso da morte do antigo
guarda-redes do Benfica, Pedro
da Conceição, que se sentiu
indisposto nos primeiros minutos da partida e, mesmo com
intervenção do médico encarnado, José Pinho, acabou por
falecer “vítima de comoção”.
Pelo menos outras duas pessoas desmaiaram pelo excesso
de emoção.
Às forças de socorro presentes
no Estádio não se pouparam louvores pelo auxílio prestado, a
todo o instante, sem momentos
de repouso, acorrendo pelos apelos do público, dos altifalantes ou
das autoridades presentes.
Outros jogos impactantes da
história do Benfica estão disponíveis para visualização na área
4 – Momentos Únicos, do Museu
Benfica – Cosme Damião."
Pedro S. Amorim, in O Benfica

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