"1. O que mudou no futebol português depois do fim de
Pinto da Costa? Alguma coisa terá mudado porque
desapareceu o que sempre constituirá uma novidade em relação aos 42 anos em que foi a figura de
proa da atividade mais popular do país.
2. Chamar-lhe figura de proa é uma gentileza a que
me permito em nome, francamente, nem sei bem
de quê. Mas, pronto, por hoje fica assim.
3. Em vésperas de jogo para os quartos de final da
Taça de Portugal, o atual presidente do FC Porto
pronunciou um aparente elogio ao Benfica afirmando que a eliminatória seria disputada entre as
duas melhores equipas portuguesas. Que ninguém
se iluda. Pode parecer uma grande alteração de
paradigma isto de se ver e ouvir um presidente do
FC Porto a reconhecer ao Benfica qualidade no seu
jogo, mas não é. Na realidade, é a mesma coisa de
sempre. Há muitas décadas que o FC Porto faz a
política de estar bem com um e mal com o outro.
4. Olhemos para o exterior com olhos de compreender. Na medida em que o presidente do Sporting
continua, nesta era de André Villas-Boas, a insultar os pergaminhos e a honra do FC Porto exatamente com a mesma intensidade com que o fez
nos anos finais da era de Pinto da Costa, é natural
que o presidente do FC Porto se veja forçado por
essas circunstâncias a ter de se atirar mais a
Alvalade do que à Luz. Acreditem que ele preferiria sempre o contrário.
5. A imprensa, sempre muito imediatista nas suas
análises, decretou que o presidente do FC Porto, ao
ser “simpático” com o Benfica elogiando-lhe a
capacidade competitiva – “… as duas melhores equipas de Portugal” –, não estava mais do que a dar
“uma bicada” no Sporting com quem vem trocando
desconsiderações. Com esta predisposição para
acreditar em tudo, enfim, é fácil ser-se analista.
6. Vamos lá então às supostas novidades. No dia
anterior à eliminatória da Taça de Portugal uns
energúmenos postaram-se nas imediações do
hotel onde o Benfica pernoitou fazendo a grande
barulheira do costume. E, no mesmo dia, o
FC Porto publicitou um comunicado extenso e
recheado de pormenores protestando contra a
nomeação do árbitro do jogo, Fábio Veríssimo, a
quem o nosso povo chama Fábio “Verdíssimo”, por
ironia, certamente.
7. Duas quartas-feiras fatídicas afastaram o Benfica
da luta pela Taça da Liga e pela Taça de Portugal.
Em Leiria foi tudo muito mau. No Porto serve de
consolo – servirá? – o Benfica ter terminado o jogo
a pressionar os donos da casa e a falhar uma oportunidade de baliza aberta. Fraco consolo de qualquer maneira."
Leonor Pinhão, in O Benfica

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