Últimas indefectivações

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Dois lances que serviram de lição

"A última jornada da I Liga trouxe para primeiro plano dois lances muito interessantes sob o ponto de vista de arbitragem. Um pelo facto de exigir uma leitura e interpretação atenta do protocolo do videoárbitro (VAR), outro porque vem evidenciar a grande diferença entre a análise em campo e na televisão em movimento normal de uma jogada, em oposição à análise frame a frame dessa mesma situação. Vamos por partes.
No jogo Vitória Guimarães-Sporting, ao minuto 53, Guedes isola-se e perante o guarda-redes Renan acaba por ser tocado. O árbitro assinala de imediato livre directo à entrada da área e mostra cartão vermelho. Por ter havido um vermelho directo o VAR em função do protocolo, foi rever o lance para ver se estava tudo correcto ou se havia alguma irregularidade e, numa primeira análise, a infracção do guarda-redes "leonino" foi dentro da área o que transformava, de imediato, o livre directo em pontapé de penálti. E como houve uma tentativa de jogar a bola, de acordo com a alteração da chamada "tripla penalização", a sanção disciplinar era apenas de amarelo.
Contudo, o árbitro, após o VAR rever o lance e recomendar uma revisão do mesmo, dirigiu-se à área de revisão para ver as imagens e acabou por decidir recomeçar o jogo com pontapé livre indirecto a favor do Sporting por fora de jogo de Guedes no início da jogada.
Em primeiro lugar, dizer que esta decisão final foi correcta e obedeceu claramente ao que está escrito em termos de protocolo. E para percebermos isso socorremo-nos do livro das leis de jogo e na página 141 o ponto 2 diz que para decisões/incidentes relacionados com golos, penálti/não penálti, e cartões vermelhos por anular uma clara oportunidade de golo, pode ser necessário rever a fase de ataque que levou directamente à decisão/incidente. Isto poderá incluir a forma como a equipa atacante ganhou a posse da bola na jogada. Ora, é aqui que se enquadra este lance, pois o início da jogada começa com um fora de jogo de Guedes e, a partir daí, tudo o que se seguiu foi anulado e toda esta situação acabou por ser "salva" pela excelente intervenção do videoárbitro.
Um caso interessante ocorreu também no FC Porto-Rio Ave ao minuto 63, quando Soares tocou com o pé esquerdo na bola mas com o joelho direito tocou e derrubou o pé esquerdo de Nadjack, tudo isto no interior da área portista.
Em movimento normal parecem simultâneos ambos os toques, quer na bola, quer no joelho, o que na perspectiva do árbitro fica a ideia de corte legal e toque no adversário em virtude da acção e do movimento de ambos os jogadores. Por ser um lance de área o VAR foi analisar o lance e das duas uma, ou considerou correcta a decisão do árbitro, ou achou que sendo eventualmente duvidoso não havia um erro claro e óbvio e daí que, de acordo com o protocolo, não fez nenhuma intervenção. 
Contudo, ao analisar o lance frame a frame vê-se que Soares toca primeiro com o joelho no seu adversário derrubando-o e só depois há corte na bola o que significa que, em termos técnicos e de acordo com a lei, no plano teórico temos uma situação de penálti.
Em conclusão este lance é o típico penálti de televisão, impossível de detectar por parte do árbitro mas possível de analisar pelo VAR, mas onde um protocolo com características diferentes poderia levar pelo menos a uma intervenção por parte do árbitro no sentido de ser ele a ver as repetições no monitor e dar uma decisão final. Ou seja, o protocolo diz: "(...) O árbitro pode iniciar uma revisão para um potencial claro e óbvio erro ou incidente grave não detectado quando o VAR recomendar uma revisão (...)".
Pessoalmente, preferia que o VAR não tivesse qualquer intervenção quando a decisão inicial do árbitro fosse clara e obviamente correcta e em todas as outras situações para os quatro momentos previstos em caso de dúvidas ou lances, no limite, o árbitro iria ao monitor para ser ele a rever e a manter ou alterar a sua própria decisão.
Por último, dizer que não há sistemas perfeitos e infalíveis mas este videoárbitro veio para ficar, vai evoluir e melhorar, mas é, efectivamente, uma ferramenta utilíssima e que resolve muitos dos erros, conferindo uma outra verdade desportiva que todos nós queremos em geral e os árbitros em particular."

Amphilóquio e as suas circunstâncias

"De cada vez que escrevo sobre Roma lembro-me do episódios da guerra das trattorias. Conto já de seguida. Salvo erro encontrei-o num dos livros de Dino Segre, ou seja, o Pitigrilli, um desses seres humanos abençoados com o dom magnífico e divino do humor. Talvez em A Loura Dolicocéfala, mas não vou jurar. Bom, havia portanto três trattorias numa das ruelas estreitas do Transtevere. Certo dia, o dono de uma delas resolveu abrir a guerra publicitária. Vai daí, colocou um cartaz à porta: «Este é o melhor restaurante do mundo!». Com ponto de exclamação e tudo. Ligeiramente irritado, o vizinho mais próximo recorreu igualmente à propaganda. Mas foi subtil. Limitou-se a uma frase de cariz assassino: «Este é o melhor restaurante da rua!».
O terceiro proprietário tinha, pelos vistos, uma noção das realidades muito mais concreta. Não virou as costas ao conflito da exposição. Lá terá pensado para com os seus botões que a escalada dos autoelogios atingira um ponto do não retorno. Então, para fugir ao ridículo, limitou-se a ser sublime. E o seu restaurante passou a exibir uma declaração simplista: «Aqui come-se».
Veio este arrazoado a propósito de Roma, para fugir aos estereótipos de Rosselini, Ana Magnani e Anita Ekberg a tomar banho na fonte de Trevi, mas eu queria era mesmo falar de Amphilóquio, o primeiro brasileiro a ser campeão do mundo de futebol, e da estranha equipa da Brazilazio. O som tem algo de familiar? Pois claro! É uma mistura entre Brasil e Lazio. Como vêem, Roma não caiu aí em cima por mero acaso, aos trambolhões do céu da imaginação.
Vou portanto até ao início da década de 1930. E à história de um rapaz brasileiro chamado Amilcar Barbury que apareceu na Lazio para tentar a sorte como jogador mas, tendo rebentado um joelho uns meses após a sua chegada, foi convidado para ocupar o lugar de treinador. Ora, este Barbury tinha sido precedido por dois outros compatriotas, filhos de emigrantes italianos do Brasil: Juan e Octavio Fantoni. Mas conhecidos por Ninão e Nininho. Convenhamos: formidável esta dupla - Ninão e Nininho. Tanto podiam ser músicos sertanejos como personagens do La Strada de Fellini. Lembram-se? Com o Anthony Quinn e a Giulietta Masina? Zampanó è Arrivato!!!.
Prossigamos na fascinante aventura do nunca mais acabar de brasileiros que começou a desaguar nas margens do Tibre nesses anos 30 em que a Itália se preparava para ser duplamente campeã do mundo de futebol. Depois de Ninão e Nininho, vindos do Palestra de Belo Horizonte, clube de italianos, claro está, atracou em Génova o vapor Conte Verde. Era o dia 22 de julho de 1931, um daqueles dias caídos no olvido mas fundamentais para a história daquele jogo inventado pelos ingleses em redor da redondez de uma bola, essa mágica senhora das paixões, como diria o Poeta da Montanha.
Viajavam nesse navio nada menos do que o tal Barbury, que viria a ser o técnico da Lazio, Pepe Rizzeti, do Palestra Itália de São Paulo, Del Debbio, um centro-campista do Corinthians, e o interior Tedesco, do Santos. No dia 6 de Agosto, é a vez do navio Duilio entrar no porto de Génova. Traz no bojo Rato Castelli, médio-centro, Demaria, ponta-esquerda, Serafini, ponta-direita, e um extremo azougado com um nome esdrúxulo: Anphilóquio Guarisi Marques, nascido em São Paulo, em 1905, de pai português e mãe italiana. No Brasil adquirira a prosaica alcunha de Filó; em Itália seria Guarisi.
Não foi preciso muito tempo para que esta escola de samba com jeito para o futebol, todos contratados pela Lazio, que chegou a ter um total de 13 italo-brasileiros ao mesmo tempo, arranjasse umas tranquibérnias lá no Brasil de onde tinham vindo. Uma reportagem feita pelo Il Littoriali, tri-semanário que funcionava como suplemento do Corriere dello Sport, trouxe a público declarações inflamadas dos recém-chegados nas quais renegavam o seu estatuto de brasileiros e afirmavam estar, agora sim, na sua verdadeira pátria. O Jornal dos Sports não os poupou: renegados, traidores, ingratos e vendidos, foram vários dos mais suaves adjectivos que encontraram para qualificar os compatriotas.
Amphilóquio, o Filó, destacara-se no Paulistano, na Portuguesa e no Corinthians, jogara ao lado do lendário Friedenreich e fora chamado por quatro vezes à selecção do Brasil. Mas não levou a bem ter ficado de fora da convocatória para o Mundial de 1930, no Uruguai. «Eras sobre eras se somem/No tempo que em eras vem», escrevia Pessoa n’A Mensagem. Filó deixou de ser Filó e passou a ser Guarisi, nome da mãe, italiana como já vimos, e adotou a nacionalidade de tal forma que Vittorio Pozzo começou a chamá-lo para a squadra azzurra. Em 1934, Filó já não Filó, fez parte da Itália que venceu o Mundial. Era reserva, só actuou num jogo. Mas, no Brasil esqueceram o vitupério e gabam-se, hoje, de o ter como primeiro brasileiro campeão do mundo. Quanto aos portugueses, nem sabem quem é o Marques, da parte do pai. Basicamente, querem que o Filó se quilhe."

Estar (ou não) em Bombaim

"Os pobres são necessários em Bombaim. Eles são as mãos e o trabalho barato. Mas a cidade não foi feita para os acomodar.

Bombaim – De há uns anos para cá começaram a chamar-lhe Mumbai. Parece que acaba de vez com a velhíssima teoria de que seria a Boa Baía dos portugueses. Virá de Mumbadevi, a Mãe, na língua do Maharastra. Muito bem. Não vou discutir. Não gosto de discutir etimologias. Saio sempre a perder. Mumbai; ou Bombaim, tanto faz.
Espreitei por todo o Mundo o cancro devastador da pobreza. Das grandes cidades de África às capitais da América Central e do Sul, passando por lugares sinistros de Portugal onde há meninos que passam as noites escondidos do frio por debaixo de folhas de cartão canelado. Mas na Índia vi a miséria. Uma miséria capaz de marcar a memória com o ferro em brasa de uma chaga que se não explica.
Dizem as estatísticas que, de há vinte anos a esta parte, entram em Bombaim mais de mil e quinhentas novas pessoas por dia. Vêm dos campos e trazem nada consigo. E em Bombaim não há espaço para eles. Os velhos blocos de apartamentos estão cheios, os arranha-céus entretanto construídos estão cheios; as barracas erguidas a torto e a direito estão cheias. Foi V.S. Naipaul, Nobel da Literatura, que escreveu: “Estar em Bombaim é estar na multidão permanente.
De dia, as ruas estão apinhadas; de noite, os pavimentos estão repletos de gente que dorme”.
Os pobres são necessários em Bombaim. Eles são as mãos e o trabalho barato. Mas a cidade não foi feita para os acomodar. As estatísticas dizem também que cerca de duzentas e cinquenta mil pessoas dormem nas ruas de Bombaim. Dormem? Mas dormir do verbo dormir? Este número parece demasiado curto, extraordinariamente curto para quem atravessa os quilómetros e quilómetros de avenidas da cidade e os vê empilhando-se em passeios, nas ombreiras das portas, nos separadores das vias rápidas. É preciso um esforço muito grande para entender a Índia. É preciso entender que a mendicidade sempre foi importante para os hindus como uma espécie de teatro religioso, uma demonstração dos trabalhos do “karma”, uma lembrança permanente das obrigações de cada um para consigo próprio e para com as suas vidas futuras. Apenas o exagero dos números foi, com o tempo, desvalorizando esta ideia.
Em Bombaim vi defeitos físicos que não pensava possíveis. Vi mutilações horrendas que aterrorizam os olhares. Muitas são, ao que me dizem, infligidas na infância pelos pais, que assim julgam garantir um futuro para os seus filhos, ou por um mendigo-chefe de uma qualquer estrutura organizada de pedintes que adquiriu a criança e pretende assim provar-lhe os pecados cometidos nas suas vidas anteriores. E os miseráveis foram corrompendo a nobreza de Bombaim. Escureceram essa cidade de edifícios vitorianos e fachadas góticas imponentes. E transformaram-se numa força política de importância primordial num processo lento de reacção comunitária perante as necessidades destes milhares e milhares de milhares de sem-abrigo. Uma força política nascida de uma nova religião cujos seguidores se consideram adstritos a um exército: o Shiv Sena, o exército de Shiva. Não o Shiva deus, mas Shivaji, o líder da guerrilha maratha no Séc. XVII que desafiou o império mongol e fez dos marathas, o povo da região de Bombaim, um dos grandes poderes da Índia durante o século que se seguiu.
Junto ao Hotel Taj Mahal, um dos mais luxuosos do Mundo, de frente para as portas da Índia, está a estátua equestre de Shivaji. Ele é o emblema do poder do Sena, do poder das colónias do pavimento, do poder dos habitantes das ruas, dos párias que demandavam a cidade e o trabalhos nas antigas fábricas de cortumes. Lá dentro, pelo corredores, fotografias de artistas, de cinema, da música, do desporto. Gosto de vir aqui. Acreditem: é barato. Para nós, que não queremos gastar mais de 25 euros num jantar e jantá-lo sentado entre o explodir das estrelas. Mas, quando saírem, saiam devagar.
Pelas vizinhas artérias de Colaba, pela largura de Cama Road, ali ao lado, espalham-se as figuras descarnadas dos seus súbditos sem cama e sem comida. Não os pisem."

A pelintrice de D. Manuel

"Vasco da Gama – Eles por aqui dizem Vascudegama, tudo misturado. Ou então apenas Vasco, para facilitar, aí já sem u. O aeroporto de Dabolim fica mesmo ao lado. Península de Mormugão, a 30 quilómetros de distância de Pangim, no delta do rio Zuari, maior porto de Goa, barcos parados sobre as águas, um ou outro, mais pequeno, de pesca, que zarpa em direcção ao horizonte, os edifícios da base naval indiana da INS Hansa, as instalações mal cuidadas dos Estaleiros Navais de Goa, os ferries para Dona Paula. Ao longe, a Ilha Grande, e as baías consecutivas de Bimbel Beach e Bagmalo Beach, sempre para sul até Velsão, Cansaulim e Majorda.
Estou na zona mais densamente habitada do estado de Goa, o mais pequeno de toda a Índia. Aquele que foi português até dezembro de 1961 mas cujas estações de caminhos-de-ferro, percursos fluviais e divisões administrativas ainda fui obrigado a decorar anos mais tarde, na Escola Primária de Santa Cruz, na ilha da Madeira, o ponto mais alto da ternura, num sala pejada de bibes brancos que tinha dependuradas na parede as fotografias de Sua Excelência o Presidente da República, Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz, e do Senhor Presidente do Conselho, Professor Marcello José das Neves Alves Caetano, sob um crucifixo no qual jazia, em prata, um Cristo cabisbaixo que velava por nós e, sobretudo, por eles. Goa, Damão e Diu, a Ilha de Angediva e os enclaves de Dadrá e Nagar-Haveli. Começávamos as aulas pela manhã com a lengalenga da Avé Maria Cheia de Graça/O Senhor é Convosco, ventre e tudo, e fechávamos para o almoço com as vozes afinadas nos Heróis do Mar/Nobre Povo/Nação Valente. Eram tempos bizarros, convenhamos.
Quando Vasco da Gama chegou à Índia era maio e fazia um calor insuportável em Calecute. Aliás, ensina-nos a História, era domingo quando Vasco da Gama chegou à Índia, mas só na segunda-feira é que João Nunes foi até Calecute. Os barcos ficaram parados um pouco mais a norte, ao largo de Pandarane e de Kappad Beach.
João Nunes era um degredado, mas parece que não era mau homem e revelava até alguma sensibilidade. Num assomo de ciúmes, espancou brutalmente o primo Fernão Nunes que lhe cobiçava a mulher, Constança, causando-lhe a morte. Ou talvez não tenha sido bem assim. Não garanto. João Nunes foi condenado ao degredo e ao porvir. Viu a cidade dos Samorins.
Parece que os presentes que Vasco da Gama levou ao Samorim de Calecute não eram lá grande coisa: algum tecido; uma dúzia de casacos; seis chapéus; coral; seis bacias; uma caixa de açúcar; um barril de mel e outro de manteiga rançosa.
Conta-se que o Samorim de Calecute riu-se que nem um perdido com os presentes de Vasco da Gama e com a pelintrice de D. Manuel, que queria ser Rei do Mundo comprando monarcas menores à conta de bugigangas.
Na Índia, dar presentes é muito importante. Mesmo que esses presentes façam as pessoas casquinar de gozo. Para os indianos, os presentes representam um regresso à infância, e na Índia a infância é transcendente.
A infância é a fase da vida em que temos mais dificuldade de separarmos o nosso mundo interior do mundo exterior. Os indianos vivem num estado de desenvolvimento em que o mundo exterior não tem uma existência independente, mas vive eternamente relacionado consigo e com os seus sentimentos. De certo modo, é como se vivessem numa infância permanente. Por isso as coisas não são apenas coisas: são boas ou más, ameaçadoras ou reconfortantes, brilhantes ou sombrias, conforme os sentimentos de quem as vê.
Estando em Vasco da Gama, Alto de Chicalim, a ver o mar pelo qual Vasco da Gama aqui chegou antes de isto ser Vasco da Gama, não consegui deixar de sorrir a pensar no Samorim de Calecute às gargalhadas perante os presentes foleiros de D. Manuel. Não deve ter sido uma situação agradável para Vasco da Gama. Até certo ponto, o Samorim mandou-o à merda. E isso não vinha nas sebentas..."

Quem 'matou' a mudança? Suspeito n.º 11 - As situações... e os momentos de...

"Estava uma manhã cinzenta, mas não chovia e o Detective Colombo descia a rua em paralelo que dava acesso ao Pavilhão de treinos das modalidades “amadoras”. A meio da descida, começa a visualizar o principal campo de treinos de Futebol. Uns passos mais à frente e à sua direita uns poucos degraus, um pequeno espaço e o acesso ao Pavilhão de treinos. Passada a porta, um pequeno átrio para se assistir aos treinos e a seguir uma porta de acesso aos balneários. Passou a porta e encontrava-se num corredor. Enquanto se dirigia para uma porta ao fundo, o Detective Colombo constatava várias portas de acesso a diferentes balneários. Começava pelo balneário dos Minis, seguia-se o dos Treinadores e ao fundo 3 portas. Na sua direita, a porta do balneário das equipas mais velhas, à sua esquerda uma entrada directa para um dos campos de treino e em frente a porta de acesso à arrecadação. Estava aberta, mas mesmo assim o Detective Colombo bateu à porta.
O Sr. Carlos estava a tratar dos equipamentos, virou-se e disse – “deve ser o Detective Colombo!”. “Sim, sou” – respondeu o Detective. “Disseram-me que iria passar por cá para falar comigo” – devolveu o Sr. Carlos. O Sr. Carlos estava na casa dos 60, mas aparentava mais idade. Era de estatura baixa, moreno, bigode farfalhudo, cabelo grisalho, rosto muito “moreno” das muitas horas de trabalho no exterior, não de praia, e marcado por muitas rugas. Era um trabalhador competente e incansável. O primeiro a chegar ao Pavilhão e o último a sair. Deslocava-se sempre na sua “pasteleira”. Vivia para o Clube, para os atletas e recordava com saudade os tempos de juventude em que tinha feito parte de um grupo de Teatro amador. Era muito reservado, observador, discreto e contido.
“Sr. Carlos, como sabe, estou a trabalhar para o Clube a pedido do Presidente Angie” – começou por dizer o Detective Colombo. O Pavilhão estava tranquilo, não havia nenhuma equipa presente e o Sr. Carlos tinha todas as suas tarefas resolvidas, pelo que respondeu – “sei que sim Sr. Detective o Presidente Angie ligou-me pessoalmente a pedir para colaborar com o Detective”. O Detective Colombo ficou admirado e pensou “o Presidente ligou directamente!”. A sua cara desencadeou a resposta do Sr. Carlos – “parece admirado Sr. Detective, mas estou no Clube há muitos anos e o Presidente Angie, também passou por este Pavilhão, na sua meninice e eu já cá estava”.
“Pois bem, o Sr. Carlos está diariamente no Pavilhão, vê muitas equipas e jogadores a jogar, vê muitos jogadores e gostava de saber o que é que, na sua perspectiva, poderá estar a impedir as equipas e jogadores de melhorarem os seus resultados?” – perguntou o Detective. O Sr. Carlos ficou intrigado, mas dado o pedido ter sido feito directamente pelo Presidente Angie, anuiu em colaborar e começou por dizer – “os nossos miúdos e graúdos dão-se muito bem com os adversários que conhecem. Chegam ao Pavilhão cheios de confiança, equipam-se rapidamente, entram no Pavilhão a pensar que vão ganhar e as coisas correm muito bem. Há dias em que os seus desempenhos são memoráveis. Contudo, quando o adversário é desconhecido, como acontece em alguns jogos internacionais, tudo é diferente”.
“O que quer dizer Sr. Carlos?” – perguntava o Detective Colombo. “Olhe” – começou por dizer o Sr. Carlos – “por vezes há jogadores que ficam doentes nas vésperas desses jogos, alguns chegam muito próximo da hora de concentração, cabisbaixos, outros a roerem as unhas, demoram muito tempo a equiparem-se, antes de entrarem em campo vão à casa de banho, que por vezes fica impossível de se estar perto, entram no Pavilhão às pinguinhas e quando estão a jogar não os reconheço”. “Como assim?” – explorava o Detective Colombo. “Sabe Detective eu vejo todas as equipas a treinar e a jogar. Sei o que são capazes de fazer, porém, nestas situações eles não conseguem jogar o que são capazes, não nos mostram o que sabem e conseguem. Olhe Detective, por vezes e é como se estivessem a jogar dentro de coletes de forças, presos de movimentos. Não parecem os mesmos. Se não os conhecesse, nestes momentos, diria que não eram capazes de mais, depois, no final dos jogos, arranjam desculpas com os colegas, treinadores, árbitros, sistema de jogo e pior do que isso é que este ciclo se repete perante adversários desconhecidos e quando reencontram aqueles com que jogaram a primeira vez e as coisas não correram bem” - devolveu o Sr. Carlos.
“Estou a perceber o que me está a dizer” – dizia o Detective Colombo quando é surpreendido pela interrupção do Sr. Carlos, parecia que o que tinha para dizer era muito importante, que lhe estava atravessado na garganta e que queria muito que os jogadores fossem capazes de expressar em campo, contra os adversários que desconheciam ou tinham anteriormente perdido, todas as suas capacidades, em vez de se derrotarem a eles próprios, por nem sequer arriscarem e tentarem e acrescentou. “Imagine um actor a entrar em num palco em que na assistência está apenas a sua família, que o apoia incondicionalmente. O actor sente-se confortável, seguro e consequentemente representa o seu papel com todas as suas faculdades. Agora pense no mesmo actor, mas agora e de repente vai actuar para um público que desconhece e não sabe como irá reagir ou que irá actuar no palco em que actuou na noite anterior e foi assobiado” – dizia o Sr. Carlos, enquanto o Detective Colombo recordava uma situação idêntica que tinha acontecido consigo, na sua infância, quando actuou pela primeira vez, numa peça da Escola e começou a ter as mesmas sensações que sentiu nessa altura: aquela ansiedade, divisão entre entrar em palco ou não, entre representar ou fugir do palco, o discurso derrotista de dizer a si próprio que não ia correr bem, que as pessoas não iam gostar e o receio das consequências de tentar e ter um mau desempenho e que, por isso, o melhor era nem sequer tentar e disse – “compreendo perfeitamente o que me está a dizer Sr. Carlos”.
“Tivemos um jogador estrangeiro” – partilhava o Sr. Carlos – “que quando aqui chegou, parecia que não ia durar uma semana. Tinha viajado para um país desconhecido, estava num Clube e equipa que não conhecia e desconhecia igualmente os colegas de equipa. No final do treino, via-o sistematicamente a tirar um bilhete da carteira, do tamanho de um cartão multibanco e lia o que dizia de um lado, virava-o e lia o que dizia do outro lado. Os dias iam passando e ele repetia o ritual e curiosamente de dia para dia o jogador exibia-se cada vez melhor. Acabou por tornar-se um dos nossos melhores estrangeiros e no final da época perguntei-lhe o que dizia naquele bilhete, que lia religiosamente, quando terminava cada treino e jogo. Num dos lados dizia F.A.I.L. e perguntei-lhe o que queria dizer e ele disse-me Falhar. Achei estranho e nem estava a conseguir associar a melhoria de rendimento ao F.A.I.L., mas quando lhe pedi para explicar o que dizia do outro lado, tudo fez sentido First Attempet In Learning. Ele Não falhava, as coisas ou lhe corriam bem ou ele Aprendia e por isso todos os dias voltava a tentar, a arriscar e com isso tornava-se melhor.”
Estava perto da hora de almoço e o Sr. Carlos pega num clipe, prende as calças à canela direita e arranca, na sua “pasteleira”. O Detective Colombo pega no seu bloco e começa a tomar algumas indicações sobre o que aprendeu da conversa com o Sr. Carlos, para informar o Presidente Angie:
- Podemos aprender com todos e hoje aprendi muito sobre o Clube e sobre as pessoas com o Sr. Carlos, responsável pelos equipamentos.
- Perante situações conhecidas e em que foram bem-sucedidos, os atletas e as equipas sentem-se confiantes, acreditam que vão ser capazes e acabam por ter desempenhos memoráveis.
- Porém, quando as situações são desconhecidas ou há uma reexposição a situações em que as coisas não correram bem, alguns jogadores e treinadores não sabem o que é a ansiedade, não a reenquadram, começam a tentar explicar o que desconhecem dizendo a eles próprios, antes do jogo, que será muito difícil, que não vão ser capazes, e depois do jogo que a culpa foi do árbitro, colega ou treinador, e esta “solução encontrada” aumenta a ansiedade, em vez de a redirigir, por sua vez gera um nível de tensão que limita, condiciona o que é que os jogadores e treinadores fazer e o que poderão vir a fazer, pois não arriscam, nem sequer tentam e por isso obtém resultados negativos ou repetem-nos, e que também poderá induzir estados de doença.
- Encontrei mais um responsável de poder estar a “matar” a mudança no Clube – gerir as situações desconhecidas e os momentos reexposição a situações que correram mal.
Fecha o bloco, levanta o olhar e vê o campo de treino à sua frente e recorda-se das muitas situações em que: os alunos antes dos exames em que desconhecem os seus resultados e estes são importantes ou quando estão a repeti-los; e os colaboradores de uma empresa antes de uma reunião importante ou depois de outra ter corrido mal; que nem sequer tentam, quanto mais arriscar e com isso comprometem os seus resultados, a qualidade da sua experiência e as suas contribuições.
“Tenho que falar com o Presidente Angie” – pensou o Detective Colombo enquanto subia a acentuada e difícil rampa em paralelo, que parecia personificar a dificuldade em mudar, mas que acabou por conseguir subir, como conseguirá o F.C. os Galácticos e conseguirão todas as pessoas que quiserem mudar."

Do 'fair play'... ou do 'enganem-me que eu gosto'!

"Fala-se de futebol, pensando-se que se está a falar de desporto. Fala-se em ética no desporto quando se deveria estar a falar de moral no desporto. Fala-se de fair play em qualquer situação nem que seja somente no mero cumprimento do regulamentado… Utilizam-se indiscriminadamente no desporto meia dúzia de termos que se foram banalizando acabando-se por se perder o seu real significado. Um problema de semântica ou um problema de conhecimento? Ou ainda, um problema de manipulação? 
Tanto a comunicação social como o público consumidor de desporto acabam vítimas de um espectáculo apresentado por profissionais em que os valores da cultura desportiva original há muito se esfumaram, criando-se assim um círculo vicioso. Um dos termos mais generalizados é “fair play”… aquilo que se exige ao desporto mas que não se exige no dia a dia-a-dia da sociedade ou da política…
A noção de fair play encontra-se relacionada com omissões nas regras e regulamentos ou com situações em que o agente desportivo – competidor, treinador ou outro – busca uma certa equidade, procurando o mesmo adaptar essa omissão existente à situação do momento, pretendendo aplicar um critério de justiça e igualdade, sendo esse fair play um comportamento intimamente ligado aos valores do referido agente e que são moral e culturalmente relevantes perante a sociedade e que a mesma legitima.
Falacioso o título “Peruanos e dinamarqueses dão show de fair play nas redes sociais - Federações de ambos os países deixam o exemplo” (Record, 30.05.2018)…
Intitular uma notícia ou um artigo, tal como se pode ver na internet (12.12.2018), com a frase “Um fair-play brutal: Dínamo de Kiev dá a mão ao Shaktar e deixa Paulo Fonseca emocionado” porque um clube cede o seu campo a outro nada tem a ver com fair play… poderá ter a ver com cortesia e com bom relacionamento entre clubes…
Tal como o facto do judoca egípcio Islam El Shehaby, que se recusou a cumprimentar o adversário, Or Sasson, de nacionalidade israelita, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro nada ter a ver com ausência de fair play, mas sim com a formação do competidor e com a sua falta de respeito pelo adversário.
A própria FIFA colabora neste erro ao chamar “regra do fair play” ao critério que desempatou o Japão e o Senegal no grupo H no último mundial de futebol. Os japoneses acabaram por passar para a segunda posição do grupo, à frente dos senegaleses, por estes terem mais dois cartões amarelos atribuídos que os nipónicos. Este aspecto organizacional, legal e regulamentar nada tem a ver com a noção de fair play…
O comissário Iúri Rodrigues, num artigo intitulado “A pirotecnia verbal e literal é o que mais preocupa” (O Jogo, 25.11.2018, p. 33), ao abordar a problemática dos comentadores desportivos – “gurus da informação” segundo as suas palavras – sobre os mesmos afirma que “há falta de fair play, quere-se ganhar a todo o custo e julgam que estão legitimados a criar ambientes de intimidação.” Mais um uso incorrecto do termo fair play, porque o que existe é falta de princípios…
Não é uma questão de fair play ajudar ou socorrer um adversário num momento de lesão. Este é um acontecimento – que muito aparece na história do desporto – relacionado com a solidariedade entre seres humanos.
O fair play é um comportamento, logo algo visível, determinado por valores. Está intimamente ligado à acção de um qualquer agente desportivo ao prescindir de algo que lhe é favorável para repor uma situação. O agente abdica assim de uma situação vantajosa em prol da reposição da veracidade dos factos.
Num jogo de futebol em 2005, Miroslav Klose, então atacante do Werder Bremen, avisou o árbitro de que este tinha marcado uma grande penalidade inexistente favorável à sua equipa, pelo que o árbitro anulou a sua decisão. Em 2012, desta vez ao serviço da Lazio, Klose marcou um golo com a mão, o árbitro validou-o mas a seguir o próprio jogador deu conhecimento ao mesmo da ocorrência, voltando este atrás com a sua decisão. Fair play declarado!
Mas existe também o reverso da medalha. Em Novembro de 2009, no França-Irlanda de apuramento para o Mundial de 2010 na África do Sul, Thierry Henry joga deliberadamente com a sua mão esquerda a bola e Gallas marca de cabeça, sendo o golo validado pelo árbitro… e a França apura-se. Após o jogo Henry declarou: “Sim, houve mão, mas eu não sou o árbitro.” Em Junho de 2010, em jogo de apuramento para o mesmo mundial, mas com outros intervenientes (Alemanha e Inglaterra), Frank Lampard remata à baliza, a bola bate na trave, ressalta para o chão transpondo a linha de golo, e Manuel Neuer, agarrando a bola coloca-a de novo em jogo. Nada sancionado… Mais tarde, diria Neuer: “Tentei não reagir ao árbitro, concentrando-me apenas no que estava a acontecer. Dei-me conta de que estava para lá da linha e penso que o facto de eu ter sido tão rápido enganou o árbitro, fazendo-o pensar que não estava.”
Muitos exemplos conhecidos de jogadores que propositadamente falham a marcação de grandes penalidades poderão ser confrontados com um dilema. Isto porque, no desporto pós-moderno, o jogador é pago pela entidade patronal para marcar golos… e não para ser honesto.
Ultimamente vieram a terreiro duas notícias coincidentes no tempo e no ocorrido. A primeira, sobre a segunda jornada da 2.ª fase do Campeonato Distrital de Infantis, entre o Aljustrel e o Alvito. A equipa visitante alinhou somente com 6 jogadores (futebol de 7), pelo que o Aljustrelense, por sua iniciativa e sem que qualquer regulamento o obrigasse, fez alinhar também a sua equipa com menos um jogador. A segunda, acerca do jogo de futsal entre as equipas de iniciados do Vitória de Santarém e do Sport Clube Ferreira do Zêzere – escalões de formação – em que esta segunda equipa só se pode apenas apresentar com 4 elementos. Os escalabitanos entenderam então fazer alinhar a sua equipa também só com 4 jogadores. Seriam estas situações semelhantes – e sim, demonstrativas de fair play – possíveis no futebol profissional?
Exijamos e pratiquemos o fair play na vida diária, na convivência com os nossos semelhantes, mas exijamos também que não nos tentem enganar com a utilização indiscriminada desse termo no desporto."

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Terrorismo sem perdão

"A camisola com o nome de Bruno Simões que o plantel do Benfica levou ontem para o balneário é muito mais do que um alerta para a situação que ocorreu na A1, em Grijó-Gaia.
É, antes, um pedido desesperado para que todos os Brunos Simões – apaixonados por futebol – possam continuar a acompanhar as suas equipas e regressar a casa sãos e salvos. A Liga Portugal anunciou orgulhosamente que no passado domingo se bateu um recorde com mais de 10 anos. Desde 2007 que não iam tantos adeptos aos estádios no mesmo dia: 145.420.
O Benfica congratula-se com o registo (e também por o Estádio da Luz ter contribuído com 39,5% do valor total), mas lamenta que a mesma Liga Portugal não tenha ainda dedicado uma palavra ao nosso adepto que foi barbaramente atirado para uma cama do Hospital de Gaia. Ele foi um dos 145.420!
O que está em causa, nesta emboscada da A1, é de novo o crime organizado! Que se manifesta das mais variadas formas. Seja pelas ameaças aos árbitros e respectivas famílias, seja pelo cibercrime, seja por estes cobardes ataques a adeptos.
E importa recordar que, nestas questões, a inércia das instituições é o melhor incentivo à cultura de ódio.
O crime contra os elementos da Casa do Benfica de Barcelos que seguiam no autocarro é semelhante, na forma, ao que se passou em Alcochete: uma acção planeada e perpetrada intencionalmente para causar dano.
Ou seja, está contemplada no artigo 3/1 da Lei 52/2003, de 22 de Agosto, e enquadra-se no âmbito da verificação de elementos do crime de terrorismo. O que é que ainda falta para se travar esta gente?"

Benfiquismo (MXLVI)

Risada!!!

Bruno Simões...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Benfica FM - Natalício !!!

Entrevistas de Natal...

Ausência de Estado de Direito !!!

"A cultura do ódio clubístico fez mais uma vítima em Portugal. Um jovem adepto do Benfica está em estado crítico na cama de um hospital e hoje será operado, numa tentativa de recuperar totalmente a sua visão, depois de um traumatismo cranio-encefalico. A perseguição ao Benfica e aos benfiquistas que se tornou uma actividade quase curricular de alguns grupos criminosos em Portugal tem sido levianamente permitida pelas autoridades, pelo Estado e pelas entidades reguladoras do futebol que vão continuar a assobiar para o ar. O que se impõe é que os cidadãos sejam defendidos e protegidos dos autores materiais e morais desta criminalidade organizada. Recentemente denunciei no programa Chama Imensa os insultos e a perseguição a que crianças de oito, nove e dez anos têm sido submetidas na zona do Grande Porto e Minho, só pelo simples facto de actuarem por diversas equipas da Geração Benfica. Mais alarmante ainda o facto dos pais e treinadores dessas crianças não denunciarem publicamente a situação por terem medo de represálias. Em algumas zonas do País assiste-se à total falência do Estado de Direito e exige-se uma resposta dura e securitária que restitua a ordem e a segurança pública.
Também há poucos dias, um grupo de seis carros com adeptos de uma claque organizada que espalha o terror há diversos anos pelo país fora, invadiu uma quinta onde decorria a festa de Natal da Casa do Benfica de Braga. Primeiro tentaram reservar uma mesa para dez pessoas no mesmo local onde decorria esse jantar mas perante essa impossibilidade, organizaram uma excursão de seis viaturas contendo adeptos de uma claque organizada e identificada apenas com o intuito de criar confusão e sobretudo amedrontar crianças e adeptos mais idosos do Benfica presentes nessa festa de Natal. 
Também por esses dias, adeptos do Benfica que se deslocaram ao pavilhão do Águas Santas para assistir ao jogo de andebol entre a equipa local e o Glorioso, foram assaltados e agredidos por membros que pertencem a essa mesma claque organizada. Alguns dos produtos roubados foram depois exibidos nas redes sociais pelos autores desse roubo.
Existem episódios quase diários de violência, ameaças e perseguições a adeptos do Benfica em algumas zonas do país, especialmente na zona do Grande Porto e agora também o Minho. Todos sabem quem são os autores materiais mas também morais desta cultura de ódio clubístico. Até quando, em Portugal, autoridades, Estado e entidades reguladoras do futebol vão aceitar ser cúmplices silenciosos desta onda de crimes contra a maior instituição desportiva do país e os seus apoiantes?"

Mais uma encomenda...

"Noticia à JN, mais uma encomenda. Começa a ser ridícula esta pressão de alguma comunicação social para que este caso se torne no que não é. O JN repetimos, está a ser utilizado como ferramenta de clubes de futebol. É um jornal que não consegue ser imparcial devido às estreitas relações dos seus directores com o Futebol Clube do Porto.
- Justiça desportiva pode condenar a SAD do Benfica no "e-Toupeira"
- "A juíza Ana Peres considerou que "os crimes imputados a Paulo Gonçalves nada têm a ver com os interesses da pessoa colectiva" e, por isso, a SAD do Benfica foi absolvida da totalidade das acusações que lhe eram imputadas no âmbito do caso e-Toupeira.
No entanto, nesse e noutros aspectos, a justiça desportiva poderá ter uma interpretação diferente da que foi anunciada pelo Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa e, por isso, a sociedade dos encarnados ainda poderá vir a ser condenada por corrupção."
Esta foi a noticia do JN. Isto é tentar por todos os meios enganar os leitores do referido jornal. Esta capacidade para distorcer a realidade e tentarem manipular a opinião pública é grave. Primeiro ponto, a justiça desportiva jamais está acima da justiça civil. O caso como sempre escrevemos aqui, é um caso não desportivo que envolve isso sim um clube desportivo, tem um âmbito social porque estamos a falar de supostos crimes que em nada têm a ver directamente com competição desportiva. A pergunta permanece, como iria uma equipa de futebol beneficiar de violações do segredo de justiça dentro do relvado? Aqui o que está em causa são alegados crimes de outra natureza. Segundo ponto, a justiça desportiva teria sempre em conta a decisão do tribunal. Terceiro e último ponto, a SAD do Benfica foi ilibada e será ilibada novamente se o recurso for aceite. Não há provas que impliquem a SAD do Benfica neste caso.
A noticia do JN transparece bem a vontade de alguns dos seus "profissionais" mas não transparece a realidade dos factos."

Crime na Auto-Estrada

"Bruno Simões foi vítima de um ataque bárbaro e vergonhoso que não pode passar impune. O jovem seguia num autocarro da Casa do Benfica de Barcelos e foi a principal vítima de uma emboscada criminosa, na A1 (Grijó/Gaia), que poderia ter tido consequências ainda mais graves.
O que aconteceu a Bruno Simões – que regressava a casa depois de assistir ao Benfica-Sp. Braga – é mais um sinal de que é preciso actuar de forma rápida e implacável com todas as correntes de violência que semeiam o pânico no Desporto, em geral, e no Futebol, em particular.
Não é admissível que tenhamos, todos, de continuar a viver em permanente estado de alerta a cada fim-de-semana. Não é admissível que um jovem de 20 anos fique em risco de vida sem sequer perceber porquê. Não é admissível que os responsáveis por esta barbaridade continuem à solta.
Esta não foi a primeira vez que a conflitualidade no futebol foi transportada para as estradas em forma de ataque cobarde. Todos nos lembramos de outras investidas do género, inqualificáveis, e que também essas passaram sem o devido castigo. Basta recordar os envolvidos, há cerca de um ano, naquela emboscada aos nossos adeptos que regressavam da Vila das Aves.
É urgente punir todo e qualquer tipo de marginalidade que afecte o Futebol. É preciso pôr em prática todos os mecanismos ao alcance das autoridades para erradicar do Desporto os energúmenos e selvagens que planeiam e concretizam estes ataques.
Que ninguém fique de braços cruzados. Que ninguém se cale. Que ninguém seja cúmplice."

Benfiquismo (MXLV)

Conversas...

Lixívia 14

Tabela Anti-Lixívia
Benfica..... 32 (-5) = 37
Sporting... 31 (+11) = 20
Corruptos.. 36 (+19) = 17

E a roubalheira continua... e continua... e continua!!!
Aquilo que se assistiu no Dragay na tarde Domingo é simplesmente vergonhoso!!! Tiago Martins continua a sua senda maravilhosa de erros grosseiros, jogo após jogo, num misto de incompetência, com o benefício constante dos seus dois amores: Lagartos por razões sentimentais; e os Corruptos por amor à carreira na arbitragem!!!

- A não marcação da falta do Brahimi sobre o Eliseu aos 5 minutos não pode ser incompetência... foi medo!!! Não houve repetição da câmara por trás da baliza, eu não tenho a certeza se a falta é dentro ou fora da área, mas a falta é clara... O VAR só poderia intervir se fosse dentro da área...
- A não marcação do penalty, feito pelo Soares é vergonhoso... O VAR tinha que ter intervindo, o toque é no pé do jogador do Rio Ave e só depois existe contacto com a bola...
- A não expulsões do Filipe e do Maxi, com agressões várias... é nojento. Mais uma vez o VAR tinha que ter intervindo...
- Ainda existe uma lace com o Alex Telles na área dos Corruptos que me deixou muitas dúvidas, mas não houve repetições...

Este é daqueles jogos, onde é muito complicado calcular o impacto dos erros no resultado final. Mas no mínimo o Rio Ave teria empatado com o penalty cometido pelo Soares... e depois teria ficado em inferioridade numérica no final...!!!

O VAR deste jogo foi o Hélder Malheiro! O único árbitro que na Luz, teve a coragem de alterar uma decisão a 'favor' do Benfica, após rever o lance na televisão, após aconselhamento do VAR! Foi num Benfica - Marítimo, expulsando um Madeirense, após agressão ao Zivko! Portanto, o rapaz até conhece as regras, e até tem conhecimento, em causa própria, da utilidade do VAR. Portanto, o seu 'silêncio' neste jogo só pode significar uma de duas coisas: medo, ou foi comprado!

Admito, a 'quase' boa exibição do Soares Dias na Luz deixou-me surpreendido!!! Também é verdade, que foi um jogo fácil de dirigir, com os jogadores a serem 'quase' sempre colaborantes, mas em jogos idênticos no passado, já vi coisas muito estranhas...!!!
O único erro grave, foram os agarrões do Claudemir sobre o Jonas logo aos 10 minutos, num Canto. Ao contrário do que foi dito por vários expert's não houve agarrões mútuos, só o defesa tentou controlar o Jonas agarrando a sua camisola, com a bola em movimento, o Jonas nunca fez qualquer falta, em nenhum momento do movimento... Não é fácil marcar-se penalty's neste tipo de lances, porque existe sempre a desculpa que os agarrões existem sempre, mas este foi claramente penalty...
O Cervi arriscou bastante num corte 'milagroso' sobre o Ricardo Horta, mas jogou só a bola... decisão fácil... Mas, se houvesse 'má-fé' do apitadeiro, teria apitado, mesmo que o VAR depois o tivesse chamado ao ecrã, provavelmente o Soares Dias, por teimosia, diria que as imagens não seriam suficientes para alterar a decisão inicial...

Mesmo assim, houve várias 'pequenas' decisões erradas, algumas com faltas 'invertidas'... tal como Cantos transformados em Pontapés de Baliza e leis da vantagem manhosas!!!

Em Guimarães o jogo também foi fácil de dirigir...
A única decisão 'complicada' foi bem decidida pelo VAR, detectando o fora-de-jogo 'salvador'...
Mesmo assim merece destaque, a forma completamente impune como o Bruno Fernandes continua a comportar-se dentro do campo, fazendo faltas atrás de faltas, algumas duras... e protestando constantemente...!!!

Anexo(I):
Benfica
1.ª-Guimarães(c), V(3-2), Pinheiro(Sousa), Nada a assinalar
2.ª-Boavista(f), V(0-2), Mota(Malheiro), Nada a assinalar
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Godinho(Sousa), Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
4.ª-Nacional(f), V(0-4), Veríssimo(Xistra), Prejudicados, Beneficiados, (0-7), Sem influência no resultado
5.ª-Aves(c), V(2-0), Rui Costa(Paixão), Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), E(2-2), Capela(Esteves), Prejudicados, (1-3), (-2 pontos)
7.ª-Corruptos(c), V(1-0), Veríssimo(Sousa), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), D(2-0), Soares Dias (V. Ferreira), Prejudicados, (1-0), Impossível contabilizar
9.ª-Moreirense(c), D(1-3), Almeida(Esteves), Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
10.ª-Tondela(f), V(1-3), Pinheiro(Nobre), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
11.ª-Feirense(c), V(4-0), Rui Costa(Mota), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
12.ª-Setúbal(f), V(0-1), Xistra(Sousa), Prejudicados, (0-2), Sem influência no resultado
13.ª-Marítimo(f), V(0-1), Pinheiro(Nobre), Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Braga(c), V(6-2), Soares Dias(Esteves), Prejudicados, (7-2), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Chaves(c), V(5-0), Almeida(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Belenenses(f), V(2-3), Xistra(Capela), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(c), D(2-3), Veríssimo(Paixão), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Malheiro(Ferreira), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Setúbal(f), V(0-2), Manuel Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho(Malheiro), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Benfica(f), D(1-0), Veríssimo(Sousa), Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Feirense(c), V(2-0), Rui Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
9.ª-Marítimo(f), V(0-2), Xistra(Sousa), Beneficiados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Soares Dias(L. Ferreira), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Boavista(f), V(0-1), Hugo Miguel(Veríssimo), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
12.ª-Portimonense(c), V(4-1), Mota(Pinheiro), Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
13.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Godinho(Esteves), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
14.ª-Rio Ave(c), V(2-1), Martins(Malheiro), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)

Sporting
1.ª-Moreirense(f), V(1-3), Martins(Miguel), Nada assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(2-1), Manuel Oliveira(L. Ferreira), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Godinho(Sousa), Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
4.ª-Feirense(c), V(1-0), Rui Oliveira(Esteves), Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
5.ª-Braga(f), D(1-0), Soares Dias(Veríssimo), Beneficiados, Sem influência no resultado
6.ª-Marítimo(c), V(2-0), Almeida(Sousa), Beneficiados, (1-0), Impossível contabilizar
7.ª-Portimonense(f), D(4-2), Miguel(L. Ferreira), Nada a assinalar
8.ª-Boavista(c), V(3-0), Xistra(L. Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
9.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Mota(V. Ferreira), Beneficiados, (1-0), (+3 pontos)
10.ª-Chaves(c), V(2-1), Martins(M. Oliveira), Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Xistra(Malheiro), Beneficiados, Prejudicados, (2-3), Impossível contabilizar
12.ª-Aves(c), V(4-1), V. Ferreira(L. Ferreira), Beneficiados, (4-3), Impossível contabilizar
13.ª-Nacional(c), V(5-2), Veríssimo(Miguel), Beneficiados, Prejudicados, (3-2), Impossível contabilizar
14.ª-Guimarães(f), D(1-0), Godinho(Sousa), Nada a assinalar

Anexo(II):
Benfica:
Sousa: 0 + 4 = 4
Pinheiro: 3 + 0 = 3
Esteves: 0 + 3 = 3
Rui Costa: 2 + 0 = 2
Soares Dias: 2 + 0 = 2
Mota: 1 + 1 = 2
Xistra: 1 + 1 = 2
Nobre: 0 + 2 = 2
Godinho: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Capela: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Malheiro: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
V. Ferreira: 0 + 1 = 1

Corruptos:
Vasco Santos: 0 + 3 = 3
Veríssimo: 2 + 1 = 3
Malheiro: 1 + 2 = 3
Xistra: 2 + 0 = 2
Godinho: 2 + 0 = 2
Sousa: 0 + 2 = 2
L. Ferreira: 0 + 2 = 2
Almeida: 1 + 0 = 1
M. Oliveira: 1 + 0 = 1
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Miguel: 1 + 0 = 1
Martins: 1 + 0 = 1
Capela: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
Pinheiro: 0 + 1 = 1
Esteves: 0 + 1 = 1

Sporting:
L. Ferreira: 0 + 4 = 4
Miguel: 1 + 2 = 3
Sousa: 0 + 3 = 3
Martins: 2 + 0 = 2
Xistra: 2 + 0 = 2
Godinho: 2 + 0 = 2
V. Ferreira: 1 + 1 = 2
Veríssimo: 1 + 1 = 2
M. Oliveira: 1 + 1 = 2
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Esteves: 0 + 1 = 1
Malheiro: 0 + 1 = 1
Épocas anteriores:

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Intransigentes na defesa dos nossos adeptos

"O Sport Lisboa e Benfica lamenta e repudia profundamente o arremesso de objectos contra um autocarro com Sócios e adeptos do nosso clube da Casa do Benfica em Barcelos quando regressavam de assistir ao último SL Benfica-SC Braga.
Desde o primeiro momento temos acompanhado a situação do nosso adepto de 25 anos que se encontra no hospital de Gaia, e através do responsável das Casas do Benfica, Jorge Jacinto, acompanhamos o trabalho das autoridades para apurar responsabilidades.
Reafirmamos que seremos intransigentes para garantir a segurança dos nossos adeptos que pelo seu amor ao Clube acompanham a equipa por todo o País."

Uma véspera em tons de verde

"O Benfica voltava a disputar a Taça Latina, que já tinha conquistado em 1950. Chamartín encheu-se para os quatro jogos. O primeiro seria contra o campeão de França, o Saint-Étienne; a final frente ao Real Madrid viria a seguir.

Gosto de vésperas. E explico logo aqui à frente: daquilo que mexe com a gente nos dias que antecedem os grandes jogos. O futebol devia ser sempre o cúmulo da emoção em redor de uma bola a ser alimentado pela experiência.
Muitas vezes escrevo aqui sobre vésperas.
Ainda há pouco tempo, a propósito do Ajax - Benfica, daquela última noite em Amesterdão antes da final da Taça dos Campeões Europeus frente ao Real Madrid. A última ganha. As finais europeias do Benfica daí para cá têm encaixado na célebre frase de Mário Filho, o jornalista que deu nome ao Maracanã. 'A derrota é uma doença que só a vitória cura'.
O Benfica precisa de se libertar depressa dessa doença das finais perdidas.
Hoje não vou falar de uma final perdida; vou falar da véspera de uma meia-final ganha.
Na Taça Latina de 1957.
O adversário era o Saint-Étienne: 'Les Verts'. Também chegaria o seu tempo de uma final da Taça dos Campeões perdida, recordo-me bem, aos pés do Bayern de Munique.
Deixemos isso.
No dia 18 de Junho de 1957, o Benfica estava em Madrid. Ia lutar pela Taça Latina. A mesma Taça Latina que conquistara, na sua primeira final europeia, logo ganha, no Estádio Nacional, em 1950, ao Bourdéus.
Agora, o campeão francês era outro.
E na meia-final que sobrava, jogava o Real Madrid contra o AC Milan.
Era uma grande competição essa Taça Latina, embora tão desprezada entre nós. Vale a pena visitar a que está em Lisboa, ali ao lado, no museu.

Vitória e derrota por um golo
O Saint-Étienne ganharia o campeonato de França com uma perna às costas. À terceira jornada já ia na frente. À décima, levava seis pontos de avanço. Depois tremeu um bocadinho de cansaço, quase no fim. Nem se deu bem por ela.
Jogadores magníficos na época: Mékloufi, sobretudo, nascido na Argélia. A 'Alma Verde', chamavam-lhe. Um criador de situações sempre imprevisíveis. Nesse mesmo ano ganhou, com a França, o campeonato do mundo de militares.
O regime francês usou-o muito: sobretudo como imagem de integração de um argelino na sociedade colonizadora que os argelinos combatiam ferozmente.
Mas também havia o ponta-esquerda Lefèvre; Peyroche, interior-direito; Claude Abbés, um guarda-redes magnífico.
Os jornais falavam de um sistema de jogo revolucionário concebido pelo treinador Jean Snella: uma mistura de futebol curto defesa fisicamente duríssima e num desdobramento de lances ofensivos muito rápidos.
Mas o Benfica era favorito. Isto também diziam os jornais.
Cada véspera é seguida de uma nova manhã.
A manhã encarnada depois da meia-final de Chamartín foi radiosa de sol que banhava Madrid.
Calado, aos 17 minutos, marcara o golo único e decisivo na baliza de Abbés.
Zezinho, Calado, Águas, Coluna, Cavém: todos eles em grande plano. Novamente a final, tal como em 1950.
Desta vez perdida: o Real Madrid, que batera copiosamente o Milan por 5-1, venceu com um golo de Di Stéfano, aos 50 minutos.
Era uma ironia, essa troca de um-zero de um jogo para o outro. Amarga ironia, claro.
Sobretudo porque, na primeira parte, tanto Palmeiro como José Águas tiveram a baliza de Alonso à mercê. Depois, Zezinho lesionou-se. Fez figura de corpo presente, nesse tempo ainda sem substituições. E Costa Pereira foi enorme, recebendo com frequência os aplausos dos ruidosos adeptos madrilenos. Principalmente quando saía aos cruzamentos, com aquele jeito especial que trouxera lá de Moçambique, de Nacala, onde jogara basquetebol durante a adolescência. Erguia-se, majestoso, agarrava a bola como um príncipe da grande-área e ouvia-se num eco: 'Oooohhhh!' Só lhe faltava agradecer com uma vénia, como no teatro.
Costumava dizer-se que fora uma romagem de magnífico desportivismo. Foi. O Benfica resolvera com segurança a sua questão com o campeão da França: a derrota perante o enorme Real Madrid de Kopa, Di Stéfano, Rial e Gento prometia mais momentos históricos para breve.
Não tardaria que a revanche surgisse naquela noite de Amesterdão.
De alguma forma, estas eram as vésperas de um Benfica campeão da Europa."

Afonso de Melo, in O Benfica

O exemplo de uma família eclética

"Félix, Cesina e Clara Bermudes são um exemplo de uma família eclética, que nunca perdeu de vista a sua paixão pelo desporto

Nasceu na cidade invicta na segunda metade do século XIX, foi um dos grandes nomes da história do Benfica, numa altura em que os desportos eram ainda pouco regulamentos na sociedade portuguesa. Félix Bermudes foi um atleta eclético que praticou futebol, atletismo, ténis, ciclismo, tiro desportivo, esgrima, hipismo, natação, remo e alpinismo. Algumas destas modalidades praticou-se no clube que ajudaria a cimentar.
Assumiu, pela primeira vez, em 1916, a Direcção do Benfica, foi director do jornal O Sport Lisboa e também colaborador do jornal Os Sports.
Mas não foi só o desporto que preencheu a vida de Félix, os seus interesses passaram pela literatura, teatro e cinema. Aos 42 anos, era um dramaturgo de referência em Lisboa e tinha já sete peças estreadas em teatros da capital. Ao Benfica deu a letra do primeiro hino.
As suas filhas Cesina e Clara seguiram os seus passos e ingressaram também no Clube como atletas de ciclismo e patinagem artística.
Cesina, além da sua paixão pelo desporto, foi a primeira mulher a concluir o doutoramento em Portugal, formou-se em medicina, em 1947. Na sua carreira destacam-se os estudos sobre a introdução do parto sem dor no país uma novidade na área da saúde no século XX.
A 15 de Novembro de 1925, pai e filhas participaram na II Volta a Lisboa em Bicicleta, organizada pelo jornal O Sport Lisboa. Ingressando em escalões diferentes, Clara no de meninas, Cesina no de senhoras e Félix no de veteranos, a família Bermudes enfrentou chuva e ventos fortes num percurso que se iniciou em Xabregas e terminou junto ao Mosteiro dos Jerónimos. O meu tempo não afastou o público que acorreu às ruas para ver os mais de duzentos participantes, tal como foi noticiado em O Sport Lisboa: 'em numerosos pontos do percurso havia magotes de gente que voluntariamente prestava indicações aos concorrentes e os animava e aplaudia. E (...) à chegada dos corredores, juntaram-se muitas centenas de pessoas que aclamaram entusiasticamente os ciclistas'.
Cesina, Clara e Félix Bermudes classificaram-se em 1.º lugar nas respectivas categorias. As irmãs chegaram com um minuto de diferença entre si, apesar de diferença de escalões.
A edição n.º 751 do jornal O Sport de Lisboa dá destaque ao evento da II Volta a Lisboa em Bicicleta. A colação deste periódico é uma das muitas que pertence ao arquivo do Sport Lisboa e Benfica à guarda no Centro de Documentação e Informação."

Cláudia Paiva, in O Benfica

Conversas à Benfica - episódio 49