Últimas indefectivações

domingo, 7 de junho de 2026

Concerto de Balneário | José Cid e as Tricampeãs de Basquetebol

Juvenis - 17.ª jornada

Rio Ave 0 - 0 Benfica


Mais um empate, numa jornada de empates!

Pacóvio de pacotilha !!!

Trumpices!!!

Contra...

Querem desvalorizar Marco Silva?


"GUARDIOLA E KLOPP RESPONDEM

1.
Bastou ser dado como certo no Benfica (ainda não foi apresentado) para começarem de imediato a encontrar defeitos vários em Marco Silva, descontextualizando as análises, desvalorizando os feitos, ignorando os recordes que foi colecionando ao longo de uma carreira segura e muito bem sustentada.

2.
Pep Guardiola e Jurgen Klopp, por muitos considerados dos maiores treinadores da era contemporânea do futebol mundial, não precisam de fazer fretes a Marco Silva, falam do trabalho dele pela experiência de terem defrontado continuadamente o Fulham na Premier League. Pep Guardiola constatou até que "o Fulham é melhor a cada época que passa, a qualidade do seu jogo, a composição das jogadas, a velocidade que têm, a orientação defensiva e ofensiva, eles são muito bons. O Marco é um dos melhores treinadores que já defrontei, ele é top, top!"

3.
As considerações e os elogios de Guardiola e Klopp não garantem que Marco Silva será bem-sucedido em qualquer clube onde trabalhe - aliás, em relação a nenhum treinador isso pode ser assegurado. Mas indicam que o trabalho de Marco Silva é desenvolvido com muita qualidade e muita competência.

4.
Sabemos que no futebol português nem sempre a qualidade e a competência são suficientes para atingir o sucesso. Garantir que a verdade desportiva prevalece não é, porém, trabalho de treinador - é trabalho de direção, é trabalho de estrutura, é trabalho invisível de bastidor, não é de braços cruzados que se chega lá. Sem ele, as probabilidades de ganhar descem acentuadamente. Não queremos favores, não queremos ajudas extras para ganhar jogos, só não queremos ser pisados na cabeça pelos Luís Godinhos, Tiagos Martins, Gustavos Correias, Ruis Oliveiras e outros que tais do sistema da arbitragem do futebol português."

Rui Costa: preso por ter e por não ter


"Os clubes grandes têm uma estranha condenação. Quando ganham, parecem inevitáveis. Quando perdem, são absolutamente incompetentes. E, entre uma coisa e outra, desaparece quase sempre o espaço reservado à análise.
O Benfica vive atualmente nesse território. Um lugar onde as decisões já não são avaliadas pelo seu mérito, mas pelo desgaste acumulado de quem as toma.
Os últimos anos deixaram marcas. Mudaram treinadores, mudaram jogadores, mudaram promessas. Gastou-se muito. Conseguiu-se menos do que se esperava. E quando isso acontece, instala-se uma desconfiança permanente. A partir desse momento, qualquer decisão deixa de ser uma decisão. Passa a ser um julgamento.
Foi nesse ambiente que surgiu a tempestade José Mourinho e Real Madrid. A situação era delicada. Um treinador com o peso de Mourinho nunca abandona um palco sem provocar ruído. E o ruído aumentou quando as eleições no Real transformaram um processo que parecia simples numa novela pública.
No entanto, por vezes, o futebol tem formas curiosas de compensar as suas próprias turbulências. Aquilo que podia representar uma saída por €7 M, transformou-se numa operação de €15 M. Para um treinador que termina a época sem conquistar títulos, e em terceiro no campeonato, trata-se de um valor extraordinário. Um dos maiores já pagos por um técnico.
Mas nem isso foi suficiente para suspender a crítica. Houve quem defendesse que Rui Costa deveria ter despedido Mourinho no momento em que surgiram sinais de um acordo com o Real Madrid. A ideia, tão radical quanto infantil, tinha algo de cinematográfico e nada de racional. Significaria abdicar de €15 M em nome de uma demonstração de autoridade. Seria trocar gestão por orgulho. E o orgulho raramente fecha contas.
Depois chegou Marco Silva. E aí surgiu uma das mais fascinantes contradições de toda a história. Durante dias, repetiu-se que Marco Silva não aceitaria o Benfica. Um treinador valorizado em Inglaterra, com possibilidades financeiras superiores, e sem necessidade de regressar a Portugal para validar a sua carreira. O Benfica, dizia-se, não tinha argumentos.
Quando Marco Silva aceitou, deu-se o flic-flac no discurso. Passou a ser caro demais. Passou a ser um sinal de desespero. Passou a ser um treinador sem currículo suficiente para justificar o investimento.
A conclusão já existia antes dos factos. Apenas procurava uma narrativa que a justificasse. Como se diz em bom português, Rui Costa está naquelas fases em que é preso por ter e por não ter cão.
Nada disto significa que não tenha cometido erros. Cometeu. Vários. Muitos. E alguns nasceram da lentidão com que certas decisões foram tomadas. Mas existe uma diferença entre criticar erros reais e transformar qualquer movimento numa prova de incompetência.
Marco Silva não traz garantias. Nenhum treinador as traz. O futebol continua a ser demasiado humano para aceitar certezas. O seu sucesso dependerá do plantel, dos reforços, da recuperação de jogadores que renderam menos do que prometiam e da capacidade de devolver confiança a um grupo que a perdeu demasiadas vezes.
Mas uma coisa parece evidente. No meio da tempestade, o Benfica encontrou uma solução credível. Talvez o maior elogio que se possa fazer a esta decisão seja precisamente esse. Não parece uma escolha feita pelo medo. Parece uma escolha feita pela lógica. E quando um clube atravessa uma intempérie, a lógica é muitas vezes a qualidade mais difícil de encontrar.
A atitude errada veio de Madrid. Veio da precipitação de quem, em contexto eleitoral, decidiu divulgar imagens de Mourinho com a camisola do Real antes de resolver formalmente aquilo que havia para resolver.
Sobre isso, o Benfica pouco podia fazer. Sobre os €15 M, pode agora fazer tudo. Exigi-los. Ao Real Madrid. Seja quem for o próximo presidente.
O resto pertence ao futebol. E o futebol, felizmente, continua a não pedir autorização às opiniões para escrever a sua história."

Marco Silva e a prova dos nove de Rui Costa


"Marco Silva pode ser o treinador certo para o Benfica. Mas a eventual contratação do técnico português será também muito mais do que isso: uma prova decisiva à capacidade de Rui Costa para construir um projeto desportivo consistente.
O percurso de Marco Silva dispensa apresentações. Depois de se afirmar em Portugal, consolidou a sua reputação no estrangeiro, sobretudo em Inglaterra, onde transformou o Fulham numa equipa estável e competitiva da Premier League. Fê-lo sem abdicar de uma identidade clara: equipas organizadas, ambiciosas com bola, capazes de pressionar alto e de explorar a qualidade técnica dos seus jogadores, mas sem cair em dogmatismos táticos.
O seu Fulham partiu frequentemente de estruturas próximas do 4-2-3-1 ou do 4-3-3, mas, ao mesmo tempo, demonstrou capacidade para adaptar comportamentos e estruturas aos adversários e aos recursos disponíveis. E é precisamente essa combinação que torna Marco Silva particularmente interessante para o Benfica. Mais do que um treinador de modelo rígido, é um treinador de princípios. E a principal virtude do seu perfil reside na capacidade para devolver a uma equipa uma identidade competitiva e uma ideia de jogo sustentável.
É justamente disso que o Benfica mais carece. Nos últimos anos, o clube viveu preso entre a urgência de ganhar e a necessidade de reconstruir uma identidade. Os treinadores sucederam-se, os ciclos encurtaram-se e a sensação de projeto foi-se diluindo. A falta de continuidade técnica acabou frequentemente acompanhada por uma perceção de desalinhamento entre as decisões da estrutura e as necessidades das equipas técnicas.
É por isso que Marco Silva representa muito mais do que uma típica escolha de treinador. Representa a derradeira prova dos nove à liderança de Rui Costa.
Marco Silva chega à Luz com um estatuto próprio, adquirido ao longo de anos na Premier League. Não é um treinador em fase de crescimento nem alguém que dependa do Benfica para se afirmar. É um técnico que exigirá coerência, estabilidade e um mercado alinhado com as suas ideias.
Por isso, a discussão não deve centrar-se apenas no treinador. Deve centrar-se também na capacidade da estrutura para o enquadrar. As notícias sobre uma possível renovação significativa do plantel tornam essa questão ainda mais relevante. Mais importante do que os nomes que possam chegar será perceber se existe uma estratégia clara. As contratações servirão uma ideia de jogo ou continuarão a responder sobretudo a oportunidades de mercado?
A resposta determinará grande parte do sucesso do próximo ciclo. Se Rui Costa conseguir criar as condições que Marco Silva encontrou nos melhores momentos da sua carreira, o Benfica poderá finalmente reencontrar um rumo duradouro e uma identidade reconhecível. Mas se o novo ciclo reproduzir os erros dos anteriores, dificilmente a responsabilidade será atribuída apenas ao treinador.
Marco Silva pode ser a escolha certa para o Benfica. Mas, acima de tudo, será a escolha que permitirá avaliar a capacidade de Rui Costa para transformar uma boa decisão numa estratégia vencedora. Se o projeto falhar, desta vez a avaliação recairá inevitavelmente sobre quem escolheu o homem, definiu o rumo e construiu as condições para o seu trabalho."

Benfica vota Florentino


"Se o atual presidente do Real Madrid não for reeleito, a SAD das águias tem um grave problema em mãos — fica com dois treinadores, um que tinha pé e meio fora, outro que tem pé e meio dentro

Raras vezes, talvez nunca?, umas eleições num clube estrangeiro foram tão relevantes em Portugal como as de amanhã no Real Madrid.
Se vencer, Florentino Pérez comprometeu-se a levar José Mourinho, pagando 15 milhões de euros (o valor da cláusula) pelo treinador; se não vencer, o Benfica fica com um problema em mãos — dois treinadores, um que estava já com pé e meio fora, outro com pé e meio dentro, sem saber se consegue empurrar um (o Mundial é demasiado tarde para que a Seleção possa dar uma ajuda) para deixar entrar o outro. 
Até porque, como assinala o advogado Gonçalo Almeida, especialista em Direito Desportivo, a A BOLA, nada no processo é motivo, sequer, para o Benfica rescindir por justa causa com Mourinho ou pedir uma indemnização, caso a saída do treinador para o Real não se confirme.
A cláusula de rescisão existente no contrato permite ao treinador conversar com outros clubes com vista a uma eventual saída. Em tese, o Benfica só tem de ser informado quando alguém chegar e depositar o cheque — como Frederico Varandas, presidente do Sporting, dizia aliás sobre Luis Suárez, também ele trunfo eleitoral, mas na Turquia, nas eleições do Fenerbahçe (motivo pelo qual a pretensa insatisfação da CMVM com a SAD encarnada não faz qualquer sentido — até quarta-feira à noite, quando Florentino Pérez assumiu enfim que José Mourinho seria o seu treinador caso fosse reeleito, o que poderia o Benfica dizer? Que lera notícias de que o treinador podia sair e para se precaver começou a tratar da eventual sucessão?).
De mãos atadas, o Benfica vive na expectativa. Mas se pudesse votar nas eleições de amanhã, claramente votaria Florentino Pérez. E nem é pelos 15 milhões de euros (que ajudam, ninguém tenha dúvidas, ainda mais depois do insucesso no apuramento para a Champions) que o Real deixará nos cofres se levar o treinador. É que o cenário alternativo — Mourinho ficar na Luz — é neste momento impensável.
Mesmo que a negociação do special one com o Real não seja motivo para rescisão com justa causa, evidencia de forma clara que Mourinho não vê o seu futuro no Benfica. Legítimo, claro. Mas provavelmente impossível de reverter. Na SAD das águias, não há outra hipótese que não seguir em frente com Marco Silva. E fazer figas para que Florentino vença. Se não vencer... logo se vê. Mas Mou não pode voltar a treinar os encarnados."

Terceiro Anel: Chile...

Quezada: Chile

Zero: Afunda - S06E46 - Primeiro soco nas finais está dado!

Zero: Mercado - Tomás Araújo na lista do Bayern München

BF: Emprestados...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Frederico Varandas anda a sonhar com o FC Porto?

Oliveira: Mourinho...

Entre a ambição e a pressão


"A relação entre ambição e pressão no desporto nunca foi tão delicada como hoje. Foi essa ideia que me ficou depois de participar como orador, juntamente com João Tralhão, treinador adjunto de José Mourinho, e Teresa Fonseca, professora universitária, na «Conferência Integrada de Desporto: Educar, Cuidar, Superar», que decorreu em São João da Pesqueira. As intervenções e o debate levaram-me a prolongar essa reflexão e a escrever sobre um tema que considero cada vez mais central no desporto atual: o modo como estamos a formar jovens atletas entre a exigência e o medo de falhar.
O futebol sempre viveu de ambição. É a ambição que leva uma criança a sonhar jogar num grande estádio. É a ambição que faz um jogador chegar mais cedo ao treino, ficar mais tempo depois ou repetir centenas de vezes o mesmo gesto técnico. É ela que sustenta o caminho até ao alto rendimento. Sem ambição não há crescimento. O problema começa quando a ambição deixa de ser combustível e passa a ser um peso.
Há hoje uma linha muito ténue entre ambição saudável e pressão destrutiva. E, no futebol atual, essa linha está cada vez mais difícil de identificar. Durante muitos anos, errar fazia parte do processo. Um jovem falhava um passe, falhava um golo de baliza aberta, sofria um frango, perdia um jogo, tinha uma má decisão… e a vida seguia. O erro era silencioso. Fazia parte do processo. Era formativo. Era humano.
Hoje, já não é bem assim. Um erro transforma-se em julgamento público. Em comentário. Em vídeo viral. Em memes. Em crítica permanente. O jogo já não termina no apito final do árbitro. Continua nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e na exposição constante. E isso muda completamente a forma como muitos jovens vivem o futebol. As redes sociais são um problema? Quanto a mim, não necessariamente. O problema não está na ferramenta, mas na falta de maturidade emocional para se lidar com a exposição constante, com o julgamento permanente numa fase em que a identidade ainda está a ser construída.
A pressão sempre existiu. O problema não é a exigência. O problema começa quando o jovem deixa de jogar com prazer e passa a jogar com medo. Medo de falhar. Medo de desiludir. Medo de errar novamente. Medo da exposição. E esse medo, muitas vezes, não aparece de forma explícita. Raramente um jovem diz diretamente que não está. Normalmente, mostra-o através do comportamento: perde espontaneidade, joga “preso”, evita arriscar, isola-se etc. Passa a viver numa necessidade constante de validação.
É precisamente aqui que treinadores e pais precisam de estar atentos. Porque exigir não é errado. A alta competição vive de exigência. Mas existe uma diferença enorme entre ambientes exigentes e ambientes sufocantes. Infelizmente, há momentos em que essa fronteira começa a desaparecer. Muitos jovens atletas passam a sentir que o seu valor depende exclusivamente do rendimento. Como se ganhar validasse quem são e falhar colocasse tudo em causa. Esse é talvez um dos sinais mais preocupantes dos ambientes tóxicos: quando o atleta sente que só vale alguma coisa se vencer.
Num contexto saudável acontece exatamente o contrário. O resultado importa. A exigência existe. A responsabilidade também. Mas o atleta continua a sentir que vale mais do que o resultado que obteve naquele dia. E isso faz toda a diferença.
O desporto deve, na sua essência, desenvolver identidade. Não deve consumir identidade. Quando um jovem começa a sentir que o seu valor depende apenas do resultado, algo se desvia. Ganha-se? Vale mais. Perde-se? Vale menos. Essa lógica é perigosa. Reduz o atleta ao resultado. E o resultado nunca pode ser a definição de uma pessoa.
Casos como Ansu Fati, Dele Alli ou Jadon Sancho mostram como o talento precoce, sem contexto emocional equilibrado, pode tornar-se uma carga difícil de suportar. Hoje vemos também isso em Lamine Yamal. Um jovem que cresce sob uma atenção mediática permanente. Um talento extraordinário ainda em construção. Cada jogo é analisado como se fosse uma prova definitiva. Como se o futuro tivesse de ser confirmado no presente. Como se crescer deixasse de ser um processo para passar a ser uma obrigação imediata. Mas o futebol não funciona assim. Ou não deveria funcionar.
Também por isso, o papel da psicologia no rendimento desportivo deixou de ser complementar. Hoje, trabalhar a mente é trabalhar rendimento. A capacidade para lidar com o erro, com a frustração, com a exposição pública, com a dúvida e com a adversidade tornou-se tão importante quanto o talento técnico, físico ou tático.
Os grandes treinadores sabem-no bem. Guardiola defende a proteção dos jovens perante o ruído exterior. Mourinho alerta para os riscos de uma maturidade precoce. Jorge Braz recorda-nos que o objetivo maior continua a ser formar pessoas antes de formar atletas. A mensagem é clara e transversal.
O desporto em geral e o futebol em particular, não tem apenas a missão de desenvolver atletas capazes de competir ao mais alto nível. Tem, sobretudo, a responsabilidade de ajudar a formar seres humanos capazes de lidar com o sucesso, com a frustração, com a pressão e com os desafios da vida para lá das quatro linhas.
O rendimento sustentável nasce de contextos seguros, não de ambientes de medo. Errar continua a ser essencial. Ninguém aprende sem errar. Ninguém cresce sem dificuldades. Ninguém evolui sem frustração.
O desafio do futebol, nos dias de hoje, não passa por aumentar a exigência, mas sim por reforçar a humanidade dentro da própria exigência. Criar ambientes competitivos sem perder empatia. Ensinar a competir sem transformar cada derrota numa ferida aberta. No fundo, proteger o desenvolvimento humano num contexto cada vez mais imediatista, acelerado e exposto. Porque antes de formar jogadores de alto rendimento, o futebol continua a ter de formar pessoas. E isso exige mais do que vitórias. Exige tempo. Exige equilíbrio. Exige consciência e consistência.
Esta reflexão encontra também eco no trabalho desenvolvido pelo Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED), uma iniciativa do Instituto Português do Desporto e Juventude que, desde 2012, promove valores como o respeito, a responsabilidade, a amizade, a cooperação, a verdade e o fair play junto de atletas, treinadores, dirigentes, árbitros, escolas, clubes e famílias. Mais do que formar vencedores, o PNED recorda-nos algo essencial: o desporto é, antes de tudo, uma ferramenta educativa e humana. A sua missão passa precisamente por contrariar uma visão excessivamente mercantil ou exclusivamente orientada para o resultado, defendendo um desporto que contribua para formar cidadãos equilibrados, conscientes e eticamente responsáveis.
No final, o sucesso mais importante não é chegar primeiro nem marcar mais golos. É garantir que, quando o percurso termina, continua a existir uma pessoa saudável, equilibrada e feliz por trás do atleta."

Mundial de riscos e surpresas


"Não é um Mundial qualquer. Pela primeira vez, três países organizam a máxima competicão da FIFA, numa decisão arrojada, que só encontrou (algum) paralelo, até agora, há 24 anos, quando Coreia do Sul e Japão repartiram a responsabilidade pelo Mundial-2022.
A partir daqui, será talvez a regra, mas repartir por Canadá , Estados Unidos da América e México esta intentona, representa a maximização de recursos, a amplificação de visibilidade e o inevitável aumento de receitas, aspecto nunca despiciendo quando se aborda qualquer decisão do organismo que gere o futebol no planeta.
Ainda mais determinante é o aumento para 48 seleções qualificadas, seguindo um numerus clausus ponderado entre as seis confederações que dão forma à federação internacional.
São 104 jogos, com a introdução de mais uma eliminatória, procurando dar um caráter verdadeiramente global à competição.
Aqui chegados, há sempre questões plausíveis: com a qualificação direta (como países organizadores, de três nações, abriu-se caminho, na Concacaf (a confederação das Américas do Norte e Central, e das Caraíbas), para a estreia, por exemplo, de Curaçau, uma pequena ilha das Antilhas Holandesas, com pouco mais de 160 mil habitantes. Também o Panamá e o Haiti aproveitaram este quase wild card, que não se repetirá nas próximas edições do Mundial de futebol.
Haverá razão, por parte de Gennaro Gattuso (selecionador que não conseguiu apurar a Itália, ausente pela terceira vez consecutiva…), ao chamar a atenção para as desigualdades do novo sistema de qualificação, resultante do aumento de 50 por cento (sim, é um senhor aumento!) e, naturalmente, na abertura, por força da tal ponderação continental, do Mundial a seleções periféricas ou, mesmo, de terceira escolha?
Reparemos no caso da América do Sul: seis das dez equipas que encetaram a qualificação da Conmebol garantiram lugar. A Bolívia poderia ter sido a sétima. Fará sentido que uma só confederação garanta, pelo menos, 60 por cento de lugares em relação à totalidade dos intervenientes no processo qualificativo?
O caso africano é, talvez, bem mais democrático, uma vez que a CAF passou de cinco a nove (ou dez, o que depois se confirmou com o apuramento da RD Congo, no play-off intercontinental), mas tem 54 países filiados, ombreando com a UEFA como o continente com maior número de bandeiras do planeta futebol.
E há, ainda, da parte da confederação sul-americana, uma pouco viável proposta para aumentar até 62 o número de seleções na fase final do Mundial 2030, o primeiro com três países organizadores pertencentes a dois continentes (Espanha e Portugal, pela Europa, e Marrocos, por África), e com três Jogos do Centenário a abrir, em três cidades sul-americanas (Montevideu, no Uruguai, Buenos Aires, na Argentina, e Assunção, no Paraguai).
Anda em ebulição o mundo do desporto-rei. E, sobretudo, é preciso saber, através de um controlo muito rigoroso e de uma análise bem equidistante, até que ponto a componente espetáculo, à qual se agrega o segmento financeiro, se deverá sobrepor à vertente exclusivamente desportiva.
Recordo que o Mundial de 2022, no Qatar, foi transferido para o meio da temporada do hemisfério Norte justamente por via de questões que, agora, nas Américas, se levantarão, e que têm na eventual inclemência das condições atmosféricas o seu pilar essencial. Mas, justamente porque, no Golfo Pérsico, se jogou em novembro e dezembro, a esmagadora maioria dos jogadores apresentou-se em pico de forma, proporcionando qualidade que, porventura, estará arredia, pelo menos em potência, do certame que começa dentro de cinco dias.
Quase todas as seleções acabarão por apresentar jogadores esgotados física e mentalmente, pelo que o trabalho de recuperação pontual e individual, por parte das equipas técnicas, assumirá aspecto essencial para a garantia de um enquadramento ideal (ou o mais perto disso possível), para uma prova tão longa e desgastante.
Juntem-se viagens, que os territórios coast to coast obrigam a milhares de quilómetros de voo e a vários fusos horários de diferença, e temos boas razões para, numa primeira análise, concluir que, do ponto de vista competitivo e organizativo, este é seguramente o maior desafio, mesmo para uma estrutura altamente rigorosa, profissional e experiente, como a da FIFA.
Não tenho, confesso, uma visão sequer aproximada do que pode acontecer. Porque todos os fatores que atrás elenquei se podem conjugar, e causar uma espécie de tempestade perfeita, quer no literal sentido do termo (recordam-se do Mundial de Clubes, há um ano, e das múltiplas paragens por fatores atmosféricos adversos?), quer no sentido mais amplo. Neste último, et par contre, o adepto pode sentir-se mais confortável, tantas podem ser as surpresas ou os momentos irrepetíveis.
É, provavelmente, a principal razão que levou a FIFA a decidir-se por todos os riscos da marcação de um Mundial com 104 jogos para territórios muito voláteis.
Será um espetáculo à Americana, sem a garantia de que os protagonistas estejam totalmente confortáveis no modelo e nos sinais que o podem marcar.
Mas há algo de que não duvido: no bolso, a entidade de Zurique pode já cantar vitória e espalhar sucesso. Nunca um Campeonato do Mundo terá gerado as receitas, os compromissos comerciais, os apoios e as mais-valias. Para já, antes de a TriOnda começar a rolar, o dinheiro já está a ganhar…"

FIFA: Daddy Yankee, Shenseea, FIFA Sound - Echo (FIFA World Cup 2026™) [Official Music Video]

FIFA: Stories From The Cities | Episode 2: Miami

FIFA: Preview Series | Episode 2: "Asia Ascending"

FIFA: Preview Series | Episode 1: "The World Is Watching"

Terceiro Anel: Mundial - Grupo B

Terceiro Anel: Mundial - Grupo A

A Verdade do Tadeia: O Mundial vai ao Bar #28 - Ronaldo vinga-se a Oriente

Simples: Mundial - Grupo L

ESPN: Futebol no Mundo #571

More Perfect Union: How FIFA Scammed American Fans And Got Away With It

Catar: Akram Afif, um mágico com os pés e com as mãos


"Duas vezes considerado o melhor jogador asiático, o extremo catari é o mais próximo de super-estrela irreverente do país. E faz por isso: na final da Taça da Ásia de 2023, o avançado que foi o primeiro jogador do Catar a jogar na La Liga festejou um golo fazendo um truque de magia para as câmaras de televisão.

Talvez fizesse sentido falar dos dois títulos de melhor jogador da Ásia, conquistados em 2019 e 2023, precisamente os dois anos em que o Catar surpreendeu ao conquistar o campeonato continental de seleções, a Taça da Ásia. Ou dos seis títulos pelo Al Sadd, o principal clube do país peninsular do Médio Oriente, com quem se diz ter um contrato para a vida.
Mas, antes de tudo, Akram Afif, o mais próximo de super-estrela que o Catar tem, é uma espécie de retrato-robô daquele país. Ou pelo menos do que hoje conhecemos como o Catar. O extremo de 29 anos é filho de mãe do Iémen e de pai nascido na Tanzânia, mas futebolista internacional pela Somália, que acabaria a carreira no futebol do emirado, um país de várias confluências, onde mais de 80% da população não é dali originária.
Afif não é só um produto biológico da emigração que chegou ao Catar, é ainda um produto futebolístico da Aspire, a academia de desportos fundada em 2004 para desenvolver atletas do Catar, num projeto estatal que culminou com a organização do Mundial 2022. Afif era a estrela da seleção da casa, mas as coisas não lhe correram particularmente bem: três derrotas em três jogos e apenas um golo marcado.
Seria um baque para os cataris, mas tal não retirou uma centelha de aura à mais importante fonte de talento e repentismo da seleção que agora, por mérito próprio, volta ao Mundial. Porque os dribles de Afif, uma certa fantasia que não retrai, uma rebeldia e inconformismo pouco comuns em países onde tal não é bem visto, não acontecem só com a bola nos pés. Afif também não é um tipo convencional.
Na final da Taça da Ásia de 2023, Akram Afif marcou um pouco habitual hat-trick de penáltis na vitória por 3-1 frente à Jordânia. No primeiro dos remates certeiros ofereceu aos adeptos um festejo também ele excêntrico: retirou das meias algumas cartas e com elas fez um truque de magia em frente às câmaras.
Irreverente, sem dúvida. Uma irreverência que também serve para encarnar o que uns chamarão de competitividade e outros simplesmente de batota. Há uns meses, depois do jogo que valeu a qualificação para o Mundial 2026, Akram Afif assumiu que pediu aos adeptos que estavam nas bancadas do Estádio Jassim bin Hamad, em Doha, para começarem a atirar objetos para o campo, numa altura em que o Catar vencia por 2-1 os Emirados Árabes Unidos, resultado suficiente para recolher o bilhete para o Campeonato do Mundo - em caso de empate, seria o rival a qualificar-se.
“Só mesmo para perder tempo. Disse-lhes para atirarem coisas para o campo para perdemos tempo”, revelou, com um sorriso e sem pejo, aos jornalistas durante uma cerimónia da confederação asiática.

A experiência em Espanha
Fora truques de magia e técnicas pouco ortodoxas para vencer, Akram Afif pode arrogar-se de ter no currículo alguns inéditos importantes. O atacante foi, por exemplo, o primeiro jogador do seu país a jogar na La Liga, com a camisola do Sporting Gijón, em 2016. Antes disso, Afif já tinha feito parte da sua formação em Espanha, no Sevilla e Villarreal, numa parceria com a Aspire.
Depois do Mundial sub-20, de 2015, foi convidado pelo Eupen, da Bélgica, clube do universo Qatar Sports Investment, estreando-se assim como profissional na Europa, antes de voltar ao Villarreal, que o emprestou ao Sporting Gijón. Apesar do talento, Afif nunca se adaptou ao futebol espanhol. Voltaria ao Eupen e por fim seria vendido ao Al Sadd, de Doha, onde finalmente explodiu, com 159 golos em 253 jogos, tornando-se figura incontestada do futebol catari.
Disse, depois da estreia na liga espanhola, estar a viver um momento muito maior que ele próprio: “Estou a representar o meu país, a minha seleção nacional e a academia Aspire. E estou a inspirar a próxima geração de jogadores para que acreditem que podem jogar na La Liga e em outras grandes ligas europeias”. Certo é que, depois de Afif, o futebol catari ainda não produziu qualquer jogador capaz de se impor fora de casa.
Na seleção do seu país, os 133 jogos já o colocam como o terceiro jogador catari com mais internacionalizações, ainda longe das 188 do histórico Hassan Al-Haydos. Mais golos que ele (41) com a camisola grená do Catar só Almoez Ali (60), jogador com um percurso similar, com origens na África Oriental e formação na Aspire."