Últimas indefectivações

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Benfica, Mourinho, e algumas questões de fundo


"O Benfica como caso de estudo, no que ao modelo de construção das equipas e ao papel que é dado ao treinador diz respeito

O sucesso na construção de uma equipa de futebol nasce da filosofia subjacente ao projeto. Para que as coisas funcionem é fundamental que quem manda (proprietário ou presidente eleito) seja muito criterioso na escolha do treinador. Preenchido este requisito, deverá caber ao técnico a definição do plantel, de acordo com as condições financeiras do clube, num modelo que se aproxima muito das funções de ‘manager’.
É por estarmos perante uma fórmula que dá ao técnico uma grande amplitude de movimentos que a sua escolha deve ser vista como o momento mais importante do processo. Todos conhecemos casos de treinadores-predadores, que se aproveitaram da ‘carta de alforria’ que receberam, para contratarem à medida de interesses que nada tinham a ver com os do clube, hipotecando o êxito e obrigando a um recomeço da estaca-zero. E também será pouco avisado se o proprietário ou presidente não contratar um técnico que encaixe naquilo que quer, em termos de filosofia de jogo, para o clube.
Preenchidos os requisitos - ter um treinador que seja capaz de implementar o tipo de futebol pretendido; que não esteja refém das comissões por baixo da mesa na contratação de jogadores; e a quem seja dado tempo para poder apresentar serviço - haverá então condições para acreditar que é possível construir uma equipa ganhadora.
Haverá quem pense de forma contrária, e eu respeito, porque não sou dono da verdade, mas ter um proprietário ou presidente que, apoiado numa direção técnica, escolha os jogadores e, ao lado, um treinador sem voto na matéria, que deve transformá-los numa equipa, parece-me uma coisa sem pés nem cabeça.
O que se passa nos grandes clubes internacionais? Ou o treinador pede que seja contratado um determinado jogador que vê que irá encaixar-se no seu modelo; ou dá ao ‘scouting’ as caraterísticas do reforço que pretende, e é-lhe apresentada uma lista com vários nomes. Mas, o resultado final será sempre o mesmo: o técnico vai recrutar alguém que funciona na ideia que tem para a equipa.
Estabelecido que o momento mais importante para o sucesso é o da contratação do treinador, há que dizer que, sem o enquadramento atrás enunciado, não será atingido o ciclo virtuoso pretendido.
Veja-se o exemplo do Benfica, que tem tido, no comando da equipa, treinadores altamente qualificados, e, mesmo assim, a tradução em títulos sabe a pouco aos adeptos encarnados.
Num recentíssimo exercício baseado em Inteligência Artificial, que olhou a ‘finalmentes’ e não a ‘entretantos’, foi estabelecida a lista dos 100 melhores treinadores da história do futebol. Nesse rol excelentíssimo estão nove técnicos com passagem pelo Benfica: José Mourinho (12.º), Jupp Heynckes (16.º), Giovanni Trapattoni (17.º) Bella Guttmann (25.º), Tomislav Ivic (35.º), Sven-Goran Eriksson (69.º), Jorge Jesus (86.º), Artur Jorge (87.º) e Fernando Santos (88.º). E, no que respeita às águias, podia juntar-se mais uma dezena de treinadores prestigiados que se sentaram no banco da Luz. Porém, raramente houve a sintonia fina desejada, com uma indesmentível dispersão de recursos a servir de travão aos sucessos continuados.
Como será em 2026/27? Com Mourinho como treinador/manager? Ou apostando na navegação à vista? Rui Costa tem as respostas."

Terceiro Anel: Bancada Lateral #4 - Eliminação na Taça, Mercado, António e muitas críticas...

Transforma - Passa a Bola #209 - "O Benfica Actual Com Este Presidente É Um Clube De Equívocos"

SportTV: Mercado - Schjelderup na linha de água para o Parma! 😳

Zero: Mercado - Benfica vira agulha para alvo antigo

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Portugal no Europeu de andebol: risco ou aprendizagem?

Observador: E o Campeão é... - A "Raça e o combate" do FC Porto e uma final da CAN insólita

SportTV: Primeira Mão - 🔥 Turim 2014: a noite em que o Benfica silenciou a Juventus

Mata Mata - Taça para o Vitória, emoções à flor da pele…

Rola Bola #54 - Janeiro, elimina BENFICA🔴 de Tudo?

Backstage | SL Benfica B 1-0 GD Chaves

Critérios...

Jogou a bola!!!

Atropelamento e fuga !!! Se tivesse sido o Ríos...

Curriculum brilhante!!!

Os mesmos!

Atualidade benfiquista


"A atividade desportiva do Benfica no domingo em realce na BNews.

1. Nas meias-finais
O Benfica está apurado para as meias-finais da Taça de Portugal de futebol no feminino, ao ter vencido o Torreense, por 2-3, após prolongamento. O próximo adversário na competição é o SC Braga.

2. Outros resultados
As equipas femininas de basquetebol e voleibol averbaram derrotas frente a CAB Madeira (80-68) e a Vitória SC (0-3), respetivamente. Os Iniciados de futebol golearam o Barreirense por 6-0.

3. Europeu de andebol
Acompanhe o desempenho dos atletas do Benfica participantes na prova.

4. Vínculos prolongados
As judocas Bárbara Timo e Rochele Nunes continuam de águia ao peito.

5. Agenda desportiva
Amanhã os Sub-23 do Benfica deslocam-se ao reduto do Académico de Viseu (15h00). Na quarta-feira há o Juventus-Benfica a contar para a fase da Liga dos Campeões (20h00) e, na Luz, às 19h00, a primeira mão dos oitavos de final da CEV Challenge Cup entre Benfica e Altekma SK."

Honra, Disciplina, Mérito, Paciência: Respeita-te a ti mesmo


"Um clássico que durou dias no recreio das redes sociais

Já se sabe que um clássico norte-sul, sul-norte, Benfica-FC Porto-Sporting, qualquer combinação, começa a jogar-se bem antes do apito inicial, seja nos canais dos clubes, nas conferências de imprensa, nos balneários. E terminam bem depois do jogo acabar, nos cafés, na caminhada dos adeptos até aos carros, nos canais dos clubes, nas conferências de imprensa. Tudo isso faz parte do fenómeno que consome adeptos durante 90 minutos, mas que depois pede que voltem a ser pessoas equilibradas.
Agora, claro, também nas redes sociais, que são o recreio natural da nova geração, pelo que um jogo pode durar dias. No encontro a contar para os quartos de final da Taça de Portugal, o avançado do FC Porto, Samu, começou - e ganhou - em campo, mas resolveu espalhar ainda mais o gesto que teve para com Pavlidis, avançado do Benfica, ao recusar-se a apertar-lhe a mão - e mais, em vez disso agarrou o emblema portista na camisola. Algo que podia ter feito mesmo após o aperto de mão. O momento passou na TV, mas depois apimentou a coisa na sua conta pessoal com a legenda «Respeita». Depois apagou, como quem assobia para o lado, mas uma vez na internet...
Apareceu resposta depois, com Enzo Barrenechea, médio argentino dos encarnados, a elevar a fasquia num prolongamento. O jogador publicou uma fotografia a preto e branco num duelo com Samu, precisamente com a frase: «HDMP [filhos de mil p...], vemo-nos em breve.» A sigla é um acrónimo para «Hijos de mil p****», algo que se traduz como «Filhos de mil p****». É algo que sai de dentro. Mas o argentino resolveu depois ser criativo, ‘esclarecendo’ que se tratava de «Humildade, disciplina, muito trabalho, paixão». Convenhamos que, como foi preciso emendar a mão com rapidez, foi precisa uma valente cambalhota para colocar o «muito» ali antes do «trabalho», por isso deixo sugestões:
«Hábito, Dedicação, Melhoria, Persistência»
«Honra, Disciplina, Mérito, Paciência para vos aturar.»"

Ghiggia, Charisteas, Éder, Gueye


"Entre a chuva, no meio do caos, por entre a desordem, uma figura andava entre o relvado e o túnel, diplomaticamente procurando convencer companheiros e dialogar com adversários. Era Sadio Mané, o mais lúcido em Rabat. Ao contrário da maior parte dos seus colegas, a estrela senegalesa recusava-se a abandonar a final, provavelmente porque rapidamente percebeu que não voltar ao jogo significaria uma sanção e adeus ao Mundial 2026.
Foi, possivelmente, o desfecho mais surreal de uma final de um grande torneio continental de que há memória. No começo do período de descontos do Marrocos-Senegal, a seleção visitante viu um golo ser anulado por alegada falta sobre Hakimi. Foi uma decisão, no mínimo, controversa, que tomada a favor dos anfitriões contribuiu para adensar a ideia de conspiração que os senegaleses já pudessem ter.
Minutos depois, na outra área, foi marcado um penálti em nova ação soft. A indignação do Senegal subiu a nível inimagináveis. Somar o golo anulado àquele penálti e juntar tudo aos protestos das horas anteriores — queixas sobre a segurança da seleção, por só terem sido atribuídos aos visitantes 2.800 dos 69.500 lugares do estádio, por alegada espionagem dos marroquinos aos treinos senegaleses — fez um clique no botão do que achavam inaceitável.
Numa atitude que, provavelmente, será castigada pela FIFA, Pape Thiaw, o selecionador, mandou a sua equipa sair do campo. A confusão reinava, com boa parte da equipa do Senegal a rumar aos balneários, enquanto os adeptos se envolviam em confrontos com a polícia marroquina.
No centro de tudo, Sadio Mané. Ponderado, tranquilo mas decidido, nunca abandonou completamente o campo. Chamou os seus companheiros à razão e eles lá regressaram ao terreno de jogo.
Fim da trama? Não. Na sequência dos 15 minutos de interrupção, passados 24 minutos dos 90, Brahim Díaz, o novo herói marroquino, tinha um penálti para marcar. Máximo goleador do torneio, coqueluche de um país que aspira a nova potência do jogo, tinha um remate nos pés para terminar com os 50 anos de espera da sua seleção desde que, em 1976, erguera a última CAN.
Beijo na bola, remate. Foi à Panenka. Para as mãos de Mendy, que não se mexeu. Se fosse guião de filme, os responsáveis seriam despedidos por escreverem algo demasiado irrealista.
Para completar, um golo que pareceu vindo dos filmes sobre futebol. Uma correria pelo centro do campo. Um remate de longe, violento, bruto, colocado, mais chicotada do que pontapé na bola. Pape Gueye deu o título ao Senegal e juntou-se a Ghiggia, Charisteas e Éder na lista de protagonistas de Maracanazos.
Marrocos olhava para esta CAN como a grande oportunidade de confirmar o seu salto desportivo e institucional. Após tornar-se a primeira seleção africana a chegar às meias-finais de um Mundial, juntando-lhe os triunfos no Mundial sub-20 ou Taça Árabe, ser campeã africana era a perfeita demonstração de poderio dentro do campo.
Fora dele, e com um olho em 2030, havia estádios novos para mostrar, infraestruturas para testar, argumentos para esgrimir. Recorde-se que 2030 não se trata de uma mera cooperação entre Portugal, Espanha e Marrocos, há também competição para ver quem fica com que jogos. E, aí, Marrocos aposta fortíssimo.
Houve sinais positivos. Apesar da chuva, os relvados aguentaram-se muito bem. Quem esteve no país destacou a qualidade do transporte por comboio.
Mas tudo se esfumou ontem. Dos desacatos entre adeptos senegaleses e polícia à atitude dos jornalistas marroquinos, que, já depois de se envolverem em confrontos com camaradas do Senegal, assobiaram o selecionador senegalês e não deram condições para que este falasse na conferência de imprensa, culminando nos bizarros roubos da toalha que Mendy, guardião adversário, usava para se limpar, o caos de Rabat deitou por terra o crédito institucional que Marrocos vinha acumulando.
Concluiu-se, assim, da forma mais inesperada um torneio altamente previsível. Os favoritos foram avançando, as estrelas foram-se impondo, com grandes atuações de Brahim, Osimhen, Salah, Lookman, Amad Diallo ou Bono. Moçambique, com a primeira vitória de sempre, e o Sudão, chegando aos oitavos de final representando um país que vive um inferno, deram o toque de novidade a uma prova em que a lógica se impôs até ao surrealismo final.
Foi a CAN do treinador africano, reforçando a tendência recente no continente, mas também da força da diáspora, ou não tivessem cerca de um terço dos jogadores que participaram nascido fora do continente, como notou Simon Kuper. Só na grande Paris, o maior berço de talento do futebol mundial, nasceram 45 participantes na CAN, além de, por exemplo, Regragui, selecionador de Marrocos.
Não é por acaso que, em 2009, a Argélia liderou uma moção junto da FIFA para permitir que houvesse trocas de nacionalidade depois dos 21 anos. Também não foi inocentemente que, em 2020, Marrocos fez força para que quem tivesse um máximo de três internacionalizações por um país pudesse trocar de seleção.
Mas olhar para o panorama africano como um embate entre diásporas é um erro. Há também a força crescente das academias, sobretudo em Marrocos, com a Mohammed VI a produzir gente como Youssef En-Nesyiri ou Nayef Aguerd, ou no Senegal, com a Génération Foot, cantera onde cresceram referências como Sadio Mané. O Egito consegue manter-se forte apesar de quase não ter jogadores a atual na Europa e de ser a única seleção sem qualquer futebolistas nascido no estrangeiro.
Foi a última CAN de Mané, que sai como bicampeão. Após o encontro, explicou que era importante dar “uma boa imagem do futebol africano” e que teria sido “de loucos abandonar o relvado por causa de um penálti”. “Preferia perder a final do que dar esse exemplo sobre o nosso futebol”, disse.
Foi o 15.º título de quem já ergueu também a Liga dos Campeões, a Bundesliga ou a Premier League. Ainda que os grandes troféus de Sadio Mané estejam mesmo em Bambali, a sua terra natal, onde já construiu escolas, hospitais, postos de combustível ou dos correios.

O que se passou
Aí está o Open da Austrália, já com Jaime Faria a brilhar, ao furar a qualificação e atingir a segunda ronda, onde também está Nuno Borges. Leia a antevisão da Lídia Paralta Gomes aqui.
Arrancando a segunda volta na mesma toada da primeira, o FC Porto ganhou em Guimarães. O Benfica convenceu em Vila do Conde. Já o Sporting triunfou no dérbi diante do Casa Pia, em dia de retorno de Daniel Bragança aos relvados da equipa principal e aos golos.
Antes do regresso da I Liga, no clássico dos quartos de final da Taça, o FC Porto eliminou o Benfica. Para as águias, ganhar um troféu com José Mourinho esta época assemelha-se a um sonho distante.
Haverá uma equipa de fora da I Liga no Jamor. Será o Fafe ou o Torreense.
O Diogo Pombo faz as contas às consequências do sucesso do Gil Vicente. Depois de Pablo, agora a equipa treinada por Peixoto vendeu Andrew.
João Cancelo está de volta ao Barcelona. De Madrid saiu Xabi Alonso, pouco depois de chegar como um príncipe prometido, como escreve a Lídia Paralta Gomes. O United, com Carrick, venceu o dérbi com o City. Ghiggia, Charisteas, Éder, Gueye Multimédi"

ESPN: Futebol no Mundo #529

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - As novas ideias de Mourinho e aquele Sporting-PSG que celebrou Yazalde e Cruijff

No Princípio Era a Bola - A entrada nuclear de Oskar Pietuszewski no FC Porto e a surpresa solta e arrojada de José Mourinho

Setenta e Oito - S07E21 - "O Porto Vai Ser o Campeão Menos Espetacular Desde Trapattoni."

Zero: Ataque Rápido - S07E25 - Sporting e Benfica pressionam, FC Porto responde

Oliveira: Rio Ave...

Segundo Poste - S05E25 - "Campeão? Só depois do Porto Vs Sporting "

Falsos Lentos - S06E20

Falsos Lentos - Jerez

Chuveirinho #158

Tailors - Final Cut - S05E04 - André Horta

DAZN: The Premier Pub - Carrick derrotou Guardiola no dérbi de Manchester

DAZN: Bundesliga - R18 - Golos

CAN: do sucesso comercial ao caos na final


"Terminou no passado domingo à noite a última edição do Campeonato Africano de seleções, mais conhecido por CAN, com a vitória épica do Senegal numa final inacreditável, onde aconteceu de tudo.
Ainda com as contas finais por validar, os primeiros indicadores apontam para um crescimento da receita comercial do evento que se traduzirá num aumento de 90% face à edição anterior, impulsionada por 23 patrocinadores (contra 17 em 2023).
Espera-se que a CAN de 2025/26, disputada em Marrocos, deverá gerar um resultado líquido de 114 milhões de dólares. Vale a pena salientar que forma investidos 4,4 mil milhões de dólares em infraestruturas por Marrocos, que servirão de centro para o ciclo de 2025 até ao Mundial de 2030.
O número de parceiros comerciais cresceu para 23, com a atração de algumas marcas globais. Os modelos de patrocínio estão a mudar da simples exposição do logótipo para um impacto mensurável, como cliques, conversões e métricas de fidelização de adeptos. Cerca de 65-75% do consumo africano em plataformas digitais está focado em desporto e música, impulsionando a necessidade de colaborações ao estilo TikTok para um envolvimento mais profundo dos adeptos, facto que a CAN explorou de forma magistral.
Outra tendência para a melhoria da experiência do adepto, são as equipas a utilizarem blogues ao vivo, salas de chat digitais e plataformas de venda direta ao consumidor para controlar o conteúdo e rentabilizar os dados dos adeptos. Vale a pena recordar a demografia dos adeptos: 70% da população de África tem menos de 35 anos, destacando-se um público jovem e que dá prioridade ao digital.
Quando tudo parecia muito bem encaminhado para a melhor edição de sempre da CAN, eis que os últimos minutos da final entre Senegal e Marrocos se transformam num autêntico pesadelo. Depois de 85 minutos de futebol bem jogado e emotivo, ninguém esperava o que viria acontecer nos minutos seguintes.
Um golo mal anulado e um penalti duvidoso marcar logo a seguir transformaram o estádio num caldeirão autêntico. O Senegal ameaçou e abandonou o relvado. O público tentou invadir. Ameaças, empurrões e insultos por todos os intervenientes. Uma equipa de arbitragem incapaz a assistir a tudo. Ao fim de 20 minutos de interregno uma estrela do Real Madrid tem a oportunidade de uma vida de ficar na história do seu país e resolve desperdiçar, naquele que ficará conhecido como o pior Panenka da história do futebol mundial.
Perde África que estava prestes a mostrar ao mundo todo o seu talento e excelência no futebol mundial bem como na organização de competições desta dimensão. Demorará alguns anos a reconquistar a confiança de adeptos e patrocinadores."

A minha experiência, jogadores, competição e Costa do Marfim


"Quando o mister José Peseiro me ligou a convidar para o acompanhar como treinador adjunto principal da Seleção da Nigéria, pedi-lhe um dia para pensar. Não por hesitação, mas por respeito. Nessa altura, tinha acabado de fazer subir a União de Santarém à 3.ª Liga (curiosamente o ultimo a te-lo conseguido foi precisamente o José Peseiro a mais de 30 anos), estava focado no meu caminho como treinador principal e totalmente comprometido com esse projeto. Ainda assim, do outro lado estava um desafio raro: integrar uma seleção icónica, num contexto de exigência máxima, ao lado de um treinador que cresci a respeitar e a admirar.
No dia seguinte, liguei-lhe de volta e fiz-lhe apenas uma pergunta:
Qual é o seu objetivo pessoal?
A resposta foi direta e sem rodeios: fazer história na Nigéria e vencer a CAN.
A partir desse momento, não houve mais dúvidas. Se o objetivo era vencer, eu estava dentro. Sempre gostei de desafios amplos, de contextos exigentes e de missões onde o risco é proporcional à ambição. Assim começou a minha experiência como selecionador adjunto da Nigéria.
A CAN revelou-se uma competição dura, intensa e profundamente formadora. Trabalhar com jogadores de elite mundial, muitos deles com histórias de vida marcadas pela superação, confirmou-me que o futebol de seleções é tanto humano quanto tático. O nosso maior desafio não foi apenas o modelo de jogo, mas a construção de um ambiente de confiança, responsabilidade e exigência emocional constante. O tempo é curto, os jogos acumulam-se e o erro não perdoa.
A competição é implacável. Não há jogos fáceis. Mesmo seleções teoricamente menos favoritas competem com orgulho, intensidade e coragem. Isso obriga-nos a estar sempre preparados para o imprevisto, atentos ao detalhe e conscientes de que o contexto influencia tudo.
A Costa do Marfim foi o maior exemplo dessa realidade. Esteve praticamente fora da competição, mudou de treinador, redefiniu responsabilidades e transformou instabilidade em força. Jogar em casa trouxe pressão extrema, mas também uma energia coletiva difícil de travar. Souberam crescer, adaptar-se emocionalmente e chegar à final com crença.
No fim, após a final, tomámos a decisão de sair. Trabalho feito. Missão cumprida.
Deixámos um legado competitivo, humano e estrutural.
Saí melhor treinador, melhor líder de contextos e com a certeza de que algumas experiências não se medem apenas em resultados — medem-se no impacto que deixam.

A Final (decisão e justiça do jogo) 
A final da CAN terminou com a vitória do Senegal, num jogo que ficará marcado pela tensão, pelas decisões difíceis e por um equilíbrio extremo até ao último instante. O resultado sorriu ao Senegal, mas a verdade é que a vitória também não seria injusta se tivesse caído para Marrocos.
O jogo foi intenso e emocionalmente pesado. Aos 90 minutos, o Senegal chegou ao golo, invalidado por uma decisão muito discutível da arbitragem. No lance seguinte, um penálti assinalado a favor de Marrocos elevou ainda mais a carga emocional da final. Perante essa sequência, os jogadores senegaleses chegaram a abandonar o relvado, num gesto de frustração rara a este nível competitivo. O jogo só foi retomado após a intervenção do capitão Sadio Mané, que teve o discernimento de colocar o jogo acima da emoção — um ato de verdadeira liderança.
Na grande penalidade, Brahim Díaz assumiu a responsabilidade e falhou, mantendo o jogo em aberto. Do lado marroquino, Yassine Bounou voltou a ser decisivo, sustentando a equipa em vários momentos críticos. O golo chegou de um momento de intensidade e crer de Gueyen expressando a característica da final.
O Senegal acabou por vencer, mas Marrocos competiu até ao limite. Foi uma final onde o detalhe decidiu, e onde ambas as seleções saem valorizadas. Porque há jogos em que o vencedor é claro… e outros em que o futebol reconhece mérito dos dois lados.

Jogadores de destaque da CAN
Nesta CAN, os jogadores de destaque definiram-se menos pelos números e mais pela capacidade de assumir responsabilidade nos momentos críticos, quando o jogo deixou de ser apenas futebol.
Por Marrocos, dois nomes simbolizam essa realidade. Yassine Bounou foi determinante pela frieza e fiabilidade nos momentos-limite. Em jogos de margem mínima, o guarda-redes torna-se determinante, e Bono confirmou-o com intervenções que sustentaram a equipa quando a pressão foi máxima. Ao seu lado, Brahim Díaz representou a ambição ofensiva: qualidade entre linhas, coragem para assumir e vontade de decidir. Porém, arriscou em excesso ao optar por uma panenka desplicente. É verdade que só falha quem tem coragem de assumir, mas também é verdade que nem todo o risco é virtuoso. Nesse momento, fez-se justiça ao jogo.
Na Nigéria, Akor Adams deu profundidade e presença física ao ataque, condicionando centrais e permitindo à equipa jogar mais alto mesmo em jogos fechados.
Pelo Senegal, Idrissa Gueye marcou um grande golo, daqueles que mudam o estado emocional do jogo. E o gesto de liderança de Sadio Mané, ao chamar os colegas de volta ao campo num momento de tensão extrema, colocou o jogo acima da emoção — exemplo raro de discernimento competitivo.
No Egito, Omar Marmoush assumiu protagonismo ofensivo, velocidade e responsabilidade quando a equipa mais precisou.
Esta CAN confirmou uma verdade simples: talento decide jogos; discernimento decide competições.

Leitura estatística da competição
Os dados desta CAN confirmam um torneio marcado pelo equilíbrio extremo. Cerca de 62% dos jogos a eliminar foram decididos por um golo ou menos, e aproximadamente 27% terminaram em prolongamento ou grandes penalidades, o que evidencia a reduzida margem de erro.
As seleções que atingiram as meias-finais sofreram, em média, menos de 1 golo por jogo, sublinhando a importância da solidez defensiva. Em contraste, várias equipas vencedoras apresentaram posses médias inferiores a 50%, reforçando que a eficácia e a decisão nos momentos-chave foram mais determinantes do que o domínio territorial.
Mais de 40% dos golos surgiram em transições ofensivas, muitas delas com menos de 6 passes até à finalização, confirmando a relevância da velocidade de execução e da leitura do espaço. Outro dado significativo prende-se com a estabilidade: as equipas com menor rotatividade no onze inicial tiveram melhor rendimento nas fases decisivas e cometeram menos erros não forçados.
Em síntese, os números validam o que o campo mostrou: na AFCON, o detalhe decide, mas só a favor de quem consegue sustentar rendimento físico, clareza emocional e rigor competitivo ao longo de todo o torneio."

Quando o "sucesso" é só fachada


"No desporto português fala-se muito de sucesso. Demais até. O problema é que, demasiadas vezes, não se define sucesso e esse sucesso não passa de uma fotografia bem iluminada: um palco bonito, um comunicado otimista, uma cerimónia bem montada. E, atrás das cortinas, desorganização, improviso e o eterno desenrascanço.
Trabalha-se mais horas do que seria necessário, gastam-se mais recursos do que seria aceitável e gera-se menos impacto real do que aquele que é anunciado. Ainda assim, no final, há aplausos. Há quem saia convencido de que tudo correu “excelentemente”. Porque “correu” — pelo menos à vista desarmada.
Mas o problema não é apenas organizativo. É estrutural. E é cultural.
Continuamos a olhar para o desporto como um fim em si mesmo: realizar provas, cumprir calendários, apresentar números. Esquecemo-nos, vezes demais, de que o desporto é — ou devia ser — um meio. Um instrumento de intervenção na sociedade civil. Um espaço de inclusão, de coesão social, de responsabilidade coletiva e de criação de valor humano. Sem essa visão, o desporto limita-se a existir para si próprio. Não transforma. Não deixa rasto.
É neste contexto que surge o tema mais incómodo de todos: o financiamento.
Sempre que, nos últimos cinco anos, critiquei o corporativismo instalado e a lógica de um sistema que apenas sabe pedir dinheiro ao Estado, fui violentamente atacado pelos chamados “velhos do Restelo”. Não por dizer algo errado, mas por dizer algo perigoso. Questionar a subsidiodependência é mexer num modelo que vive de migalhas distribuídas, de dependências convenientes e de uma gestão acomodada à escassez.
Um sistema que não quer — nem sabe — lidar com entidades independentes, autónomas e financeiramente responsáveis. Basta olhar para o passado recente e para o presente do desporto nacional: do anterior Presidente do Comité Olímpico, verdadeiro “pai” desta escola, ao atual Presidente da Confederação do Desporto, aluno fiel desta máxima. Muda o discurso, mantém-se o método.
A experiência, porém, ensina. Em quatro anos como Presidente da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal, sempre defendi que o financiamento não seria um problema para uma associação que tinha, até então, um orçamento anual de apenas seis mil euros. E não foi um problema — foi uma oportunidade. Durante esse mandato foi possível estabelecer parcerias com empresas e instituições que totalizaram mais de 500 mil euros, multiplicando por quase vinte vezes o valor disponível anualmente.
Esse caminho incomodou. Incomodou muito. Porque a independência expõe fragilidades. Porque a profissionalização retira desculpas. E porque é sempre mais fácil desvalorizar quem faz diferente do que mudar práticas enraizadas.
Mais recentemente, na Federação Portuguesa de Atletismo, onde desenvolvi trabalho de consultoria, foi possível, em apenas um ano — e apesar de muitos e variados obstáculos internos e externos — repetir esse valor: 500 mil euros, agora num único ano. O processo culminou num contrato de excelência com uma entidade bancária de referência, que acreditou e valorizou uma proposta de valor assente em três pilares estratégicos: identidade, responsabilidade social e aumento do número de praticantes.
Não houve magia. Não houve sorte. Houve estratégia, gestão profissional e uma proposta de valor clara. Pedir dinheiro sem visão é perder tempo. O dinheiro não foge. O dinheiro segue a competência, a credibilidade e o impacto social. Sempre seguiu.
O que falha, recorrentemente, não é a falta de dinheiro no sistema. É a falta de capacidade para o atrair. Confunde-se financiamento com subsídio. Parceria com esmola. Autonomia com ameaça. Enquanto assim for, o desporto continuará refém de ciclos curtos, dependente de vontades políticas que adoram a subsidiodependência e incapaz de construir projetos verdadeiramente sustentáveis.
E aqui chegamos ao ponto que muitos preferem evitar: o desporto português precisa de abandonar definitivamente o amadorismo dirigente e a lógica da carolice. Boa vontade não substitui competência. Paixão não substitui método. O voluntarismo tem limites quando se gerem dinheiros públicos, parceiros estratégicos e projetos com impacto social.
O futuro exige dirigentes profissionais. Pessoas qualificadas. Remuneradas — e bem remuneradas quando necessário. Avaliadas por resultados. Responsabilizadas pelas decisões que tomam.
A grande ironia é esta: continua a aplaudir-se o resultado visível sem perceber o verdadeiro custo desse “sucesso”. Mais horas. Mais custos. Menos eficiência. Menos casos verdadeiramente transformadores. Monta-se um palco bonito. Por trás, as cordas estão gastas. Aguenta… até ao dia em que deixa de aguentar.
O desporto, como a vida, não perdoa o amadorismo. O profissionalismo cria oportunidades. O improviso cria problemas.
No fim, a questão é simples: o desporto só faz sentido quando cria valor para lá da competição. Quando é inclusivo, responsável e socialmente relevante. O desporto português precisa de menos espectadores encantados com a aparência e de mais dirigentes capazes de construir autonomia, credibilidade e futuro."