Últimas indefectivações
sexta-feira, 6 de março de 2026
Calem-se só um bocadinho, se faz favor
"Clássico não foi bonito dentro de campo, mas isso acontece. Fora dele foi ainda pior e parece não haver meio para, de uma vez por todas, acabar com os joguinhos de acusações
O Sporting-FC Porto de anteontem, dentro de campo, serviu para confirmar duas premissas que já vinham ganhando força nos últimos tempos: depois de começar a época envergonhado nos jogos grandes, Rui Borges evoluiu e muito no plano estratégico e o dragão está em franca queda exibicional. Não é de agora, muitos sinais já tinham aparecido no final de 2025 e a perda da verticalidade de Samu para esticar jogo na frente deixou exposta a falta de ideias que a equipa tem revelado em ataque posicional.
É verdade que o FC Porto ainda vai na frente do campeonato e nada ficou perdido na Taça com a curta derrota em Alvalade, mas a pairar pela cabeça de Francesco Farioli já deverá estar o filme de terror que vivenciou no Ajax há um ano. Apesar de intenso, o duelo de Alvalade foi feiinho em jogo jogado, mas daqui por mais de um mês — mais uma daquelas aberrações... —, no Dragão, haverá outra oportunidade para se ver mais futebol e menos quezílias.
Pior do que o pobre espetáculo dentro das quatro linhas só mesmo o triste regresso a outros tempos do futebol português depois dele. Não conseguimos sair deste ciclo doentio de comentários sobre arbitragens, finas ironias sobre a mesma através do X e newsletters provocatórias. O queixume dos três grandes esta época tem atingido níveis surreais e há um grande problema: ainda estamos em março, com um terço de época pela frente e muito por decidir. Imagine-se onde isto poderá chegar.
Primeiro foi André Villas-Boas, utilizando o feio gesto de Luis Suárez como isco para dar a sua visão das coisas sobre o trabalho de Cláudio Pereira, dias depois de a vitória sobre o Arouca ter caído do céu já perto do final com um penálti sobre Fofana que deixou muito mais dúvidas do que certezas. A lufada de ar fresco que AVB estaria prometida depois de décadas de Pinto da Costa já ficou esquecida há muito tempo, isto sem tirar mérito ao trabalho que o presidente dos portistas tem feito nestes quase dois anos a recolocar os dragões no caminho das vitórias.
A resposta de Frederico Varandas não demoraria, acusando o rival de «estar com medo» de perder o campeonato e questionar. A cada intervenção, Varandas lembra o bicampeonato do Sporting, os três campeonatos em cinco anos no seu legado e realça como o clube tem uma forma de estar «diferente». Não é o que se tem visto.
Há coisas que deviam, definitivamente, fazer parte do passado, mas isso não acontecerá enquanto reinar a impunidade e se punirem comportamentos deste género com penas brandas e multas irrisórias. Alguém ponha mão nisto, por favor."
Cheiro a napalm pela manhã
"A noite fechou com Frederico Varandas a ensaiar uma espécie de cântico, que facilmente será elevado a hino por turba composta de espectadores inocentes a fanáticos de seita
O fim do jogo entre FC Porto e Sporting, da primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, veio lembrar-nos, se fosse preciso, como o futebol português continua a chapinhar, com a indiferença de quem dele deveria zelar, num pântano de acusações graves, suspeitas, desvalorização de comportamentos condenatórios e, sobretudo, completo desrespeito pela integridade do jogo.
A noite fechou com Frederico Varandas a ensaiar uma espécie de cântico, que facilmente será elevado a hino por turba composta de espectadores inocentes a fanáticos de seita. «Cobarde, cobarde, cobarde», atirou o presidente do Sporting, num insulto baixo a André Villas-Boas, mais adequado a outros locais e circunstâncias.
O que terá mudado, então, em pouco mais de 48 horas para que Frederico Varandas passasse a chamar ao presidente do FC Porto, para lá de cobarde, mentiroso, para acusá-lo de medo ou condicionamento dos árbitros, depois de o ter convidado, respeitando o protocolo e simpatia que dedica a dirigentes de outros clubes, fazendo fé nas notícias que foram publicadas, na tribuna presidencial?
No grande esquema das coisas, alguns lances polémicos, erros de arbitragem e uma acusação, que considerou falsa, de que chamou ladrão a um presidente da federação e a dois árbitros.
Frederico Varandas tem, naturalmente, o direito a contestar as afirmações de Villas-Boas, especialmente considerando-se ofendido. Aprendeu, em pouco tempo, como e quando falar e, sobretudo, disso tirar proveito no contexto do futebol português — várias vezes, já aqui escrevi, criticando comportamentos de outros que desvalorizou quando os protagonizou. E, seguramente de forma não inocente, também criou uma narrativa, com óbvios pontos de adesão à realidade, desvalorizando episódios, manifestações ou ações que lhe convém.
Continua a bater na tecla de que o Sporting é diferente, seguramente por ser impoluto, incorrupto, honesto, bastião de ética, corajoso, no fundo um clube de bem, com dirigentes de bem e adeptos e sócios de bem, como se todas as outras gentes fossem o contrário e representassem, em exclusividade, o mal.
A mensagem, na sua totalidade, não deixará, porém, de ter aceitação, por se encontrar com a realidade como, inevitavelmente, se cruzam várias linhas retas concorrentes. Dá um salto imprudente, todavia, quando faz julgamentos de intenção, mesmo que até possa acertar, ao dizer ter encontrado, por exemplo, no medo de Villas-Boas perder o campeonato a justificação para intervenção dele. É desagradável quando fala num tom paternalista para quem está a ouvi-lo e a fazer-lhe perguntas.
Se acredita mesmo que um presidente não tem necessidade de fazer o que Villas-Boas fez quando sente que a equipa é forte e vai ser campeã, então por que também fez o que fez depois de Villas-Boas? Justificou o gesto de Luis Suárez (avançado sugeriu roubo) com o calor do jogo — também posso reconhecer essa atenuante — mas esforçou-se por desvalorizá-lo ao desviar as atenções para um lance anterior.
Frederico Varandas, posto isto, sai como o maior vencedor da noite de terça-feira, por saber, já como especialista, ler e lidar com cada momento do futebol português. Não é pouco. Mesmo que para as outras gentes se tenha sentido o cheiro a napalm na manhã de quarta-feira."
Deviam ir todos comer uma canja
"Nos jogos em Portugal, sobretudo no dérbi de Lisboa e clássicos, já se sabe que é esperada uma terceira parte: mas esta com pouco ambiente de convívio.
A terceira parte. Nos jogos entre amigos, naquelas peladinhas entre o pessoal lá da terra ou entre os colegas de trabalho, muitas vezes a parte mais esperada é a terceira: depois do cansaço, o treino de descompressão e recuperação, com reposição de líquidos e sólidos.
Pois nos jogos em Portugal, sobretudo no dérbi de Lisboa e clássicos, já se sabe que é esperada uma terceira parte: mas esta com pouco ambiente de convívio, antes com queixas sobre arbitragem, críticas e insinuações algumas insultuosas para com os adversários e a anunciarem medidas de secretaria sobre situações passadas no terreno de jogo. É já um clássico.
A terceira parte do Sporting, 1-FC Porto, 0, da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, jogada na zona mista de Alvalade e na sala de imprensa, foi tão intensa como intenso (não necessariamente bem jogado) foi o jogo no relvado. Porventura mais ainda.
Mas começou logo com Francesco Farioli nas zonas de entrevistas rápidas da Sport TV e da RTP e prolongou-se pela conferência de imprensa onde se falou sobre arbitragem e pouco mais…
Na zona mista, André Villas-Boas abriu as hostilidades ainda Rui Borges falava na sala de imprensa, não querendo o presidente do FC Porto saber que um treinador estivesse a falar naquela altura, logo ele que por acaso até foi treinador… Respondeu Frederico Varandas a jogar em casa poucos minutos depois. No clássico do Dragão foi o que foi, no de Alvalade o que se viu…
Foi duro Varandas, muito duro, a certa altura percebeu-se que se esticou muito além do que pensava ir. Não ajudou. Mas respondeu ao que parece ser um hábito adquirido nos últimos tempos pelos azuis e brancos, e já agora pelo Benfica também, de ter um guião em que a as críticas às arbitragens estão sempre lá, com ou sem motivo, com ou sem razão. Estão lá e pronto e se não estiverem os interpretes vão lá parar até inconscientemente.
Veja-se José Mourinho, mestre da comunicação que não resistiu à tentação de reclamar um penálti (desta vez só um, mas mais um) depois da vitória por 2-1 no terreno do Gil Vicente. Fê-lo na flash da TV, voltou a fazê-lo na conferência de imprensa e depois mais tarde em declarações partilhadas pela comunicação do Benfica… «Já tive oportunidade de ver outro ângulo do lance que me pareceu penálti e não se confirma. Peço desculpa pelo meu comentário no final do jogo.» A ânsia da crítica é tanta que depois leva a situações embaraçosas como esta.
E isto acontece desde o início da temporada, em que os encarnados inauguraram a lista de comunicados de 2025/2026 com a arbitragem da Supertaça ainda mesmo antes de o jogo acontecer!
Continuou e continua e a tendência é para piorar à medida que o tempo das decisões se aproxima numa vertigem…
No próximo fim de semana há clássicos, sábado no Minho com um SC Braga-Sporting, domingo na Luz com um Benfica-FC Porto. Jornada importantíssima se não decisiva. E essa, já se viu, começou a ser jogada com antecedência. E até lá a tendência não é para melhorar…
Talvez não fosse má ideia seguirem o que fez Rui Borges no final do clássico da Taça e comessem todos uma canja para aconchegar o estômago e aclarar as ideias. Ganhávamos todos."
Conhecer o António lá onde o morto matou o vivo
"História de um encontro inesperado com um pai que ficou 'órfão' de filha… Na vida, muitas vezes nem o agora pode ser dado como certo.
Na aldeia da Pena, lá Onde o Morto Matou o Vivo - uma história antiga de um funeral que correu mal e o morto caiu da padiola em cima de um dos homens que o carregava acabando por arranjar parceiro para essa última viagem – a digestão de um excelente cabrito faz-se com um encontro inesperado. Um encontro com o senhor António, que ao perceber que eu era jornalista de A BOLA se apresentou como o pai da Elisabete Almeida. Não o conhecia, mas emocionei-me. Porque há quase 18 anos ele estava de rastos a enterrar uma filha de 39 anos.
A Elisabete pertenceu à família A BOLA durante alguns anos, no departamento de fotografia do jornal. Pedi-lhe muitas vezes ajuda. Uma mulher profissional, simpática, bonita e tão jovem, na dupla injustiça de ter uma doença limitadora e, não bastasse, ter morrido de uma outra, fulminante, que nem tempo deu para despedidas. Gostei de conhecer o senhor António esta semana, no meu périplo por São Pedro do Sul, apreciei a paz com que preencheu o vazio que sobrou de ter perdido a única filha. E lembro de outros pais que lidaram com a ordem desnatural das coisas, levando primeiro quem deveria levar no fim.
Dou por mim a pensar no meu filho mais novo. Que me obriga a estudar sobre saúde mental sem chegar a outras conclusões que não os erros que cometi pelo caminho. O que deveria ter reparado e não reparei. Onde estaria quando precisou mais e, acima de tudo, onde não estive. Ele continua a travar a luta dele, eu a minha e a nossa. Nem sempre seguros do que estamos a fazer. Parar é que não é opção.
Um abraço apertado – mais um – ao senhor Alntónio. Repito o que lhe disse no primeiro abraço: gostava da Elisabete. Que tenha encontrado Paz.
Paz é também o que tem procurado o Miguel Lucena, que se junta à conversa a partir de outra mesa. Foi até ele quem me reconheceu. O Miguel passou pela formação do Benfica. No futebol não teve o sucesso que queria, mudou-se para o futsal. Jogou em Os Pelezinhos. Consta que era craque, mas o coração começou a pregar-lhe partidas. Hoje vive sob vigilância apertada, com receio de que um dia a máquina lhe diga que basta. Há planos que não passam disso mesmo. Sonhos abortados precocemente, prioridades que nos colocam no por vezes duro campo das escolhas. Viver é mesmo um ato incerto, caminhar sobre um risco tão ténue que nem mesmo o agora pode ser dado como garantido. Um abraço para o Miguel e o irmão João pela partilha e pela simpatia do que disseram em relação a A BOLA.
De regresso a casa, depois de uns dias a descansar, finalmente tempo para perceber o que se passa no Mundo. Há guerra no Médio Oriente. No futebol, Varandas diz que Villas-Boas não tem categoria para ser presidente do FC Porto, o presidente dos dragões a queixar-se dos jogadores do Sporting e de Varandas. Farioli a acusar os leões de impunidade; Rui Borges – normalmente um paz de alma - a responder que Farioli deve adormecer e acordar a pensar no Sporting.
Nada mudou, por milagre, nos últimos dias. Mas hoje, vou ser muito sincero, hoje em particular não estou com ânimo para estas questões. Amanhã falaremos disso…"
Nota de condolências
O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do escritor António Lobo Antunes, um dos mais ilustres adeptos do Clube e referência maior da cultura portuguesa contemporânea.
— SL Benfica (@SLBenfica) March 5, 2026
Que descanse em paz. 🕊️
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"O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do escritor António Lobo Antunes, um dos mais ilustres adeptos do Clube, referência maior da cultura portuguesa contemporânea.
António Lobo Antunes manteve ao longo de décadas uma ligação afetiva ao Benfica, que tantas vezes atravessou a sua própria obra e os seus testemunhos públicos. A sua voz singular na literatura portuguesa expressou sempre uma identidade profundamente enraizada no benfiquismo.
Entre as muitas palavras que dedicou ao Clube, permanece particularmente marcante a recordação dos tempos da Guerra Colonial, quando afirmava que "enquanto o Benfica jogava, não havia guerra", sublinhando a dimensão simbólica e emocional que o Benfica representava mesmo nos momentos mais difíceis.
Noutra ocasião, com a ironia e a ambição que marcaram a sua personalidade, confessou um desejo: "Quero ser o Águas da literatura".
Com o desaparecimento de António Lobo Antunes, Portugal perde um escritor maior e o Sport Lisboa e Benfica um adepto cuja genialidade, pensamento e paixão pelo Benfica ficarão para sempre na memória coletiva do benfiquismo.
O Sport Lisboa e Benfica apresenta as mais sentidas condolências à família, amigos e admiradores de António Lobo Antunes, associando-se ao luto de todos quantos reconhecem na sua obra e na sua vida um legado maior da cultura portuguesa."
Entre o sucesso e o risco: duas faces da alta competição
"A alta competição desportiva ocupa hoje um lugar central na sociedade contemporânea e revela talvez um dos maiores paradoxos do desenvolvimento humano: pode ser simultaneamente uma escola de excelência e um terreno fértil para vulnerabilidades psicológicas. Sim, hoje não me apeteceu escrever sobre os temas quentes do desporto nacional, mas sim refletir mais sobre um dos objetivos do desporto: o desenvolvimento humano.
O percurso desportivo de alto rendimento contribui para o desenvolvimento de competências psicológicas e comportamentais chave. Entre estas competências destacam-se a disciplina, a definição e monitorização de objetivos, a autorregulação emocional, a gestão do tempo, a resiliência perante o fracasso e a capacidade de trabalhar em equipa. Estudos sobre transição de carreira de atletas demonstram que estas competências facilitam a integração no mercado de trabalho e estão associadas a níveis mais elevados de empregabilidade e liderança em contextos organizacionais. Ou seja, de uma forma extremamente positiva, alguns fatores críticos do alto desempenho, como a pressão extrema e constante, mas não só, promovem o desenvolvimento de recursos psicológicos, como a forte orientação para resultados, elevada tolerância à frustração e uma capacidade notável de persistir perante adversidades, que são igualmente valorizados em contextos profissionais de elevada exigência.
Contudo, a mesma intensidade que promove o desenvolvimento destas competências pode também constituir um fator de risco para a saúde mental dos atletas. Nos últimos anos, a investigação em psicologia do desporto tem alertado para a prevalência significativa (entre os 6% e os 34% dependendo da modalidade e momento da carreira) de sintomas de ansiedade e depressão em atletas de alto rendimento. Fatores como a pressão competitiva, o medo da falha, as lesões, a exposição mediática e a instabilidade associada à carreira desportiva são frequentemente identificados como determinantes relevantes. A estes, juntam-se ainda a identidade desportiva (construção da identidade pessoal em torno do desempenho desportivo) e a cultura desportiva, na qual muitas vezes impera uma norma implícita de invulnerabilidade psicológica.
A alta competição continuará inevitavelmente associada à exigência, à pressão e à busca constante pela excelência, porque faz parte, porque é isso que nos apaixona. No entanto, reconhecer que o sucesso desportivo tem duas faces, uma que potencia o desenvolvimento humano e outra que pode gerar vulnerabilidade, permite promover uma abordagem mais equilibrada que facilite aos atletas alcançar o máximo desempenho sem comprometer o seu bem-estar psicológico."
Entorse do tornozelo: gravidade ou banalidade?
"A entorse do tornozelo é uma lesão muito comum no desporto e não obriga, necessariamente, a paragens longas ou a uma carreira recheada de recaídas mas, para isso, tem de ser valorizada desde o início.
Quando o pé vira de forma brusca, os ligamentos do tornozelo são esticados para além do limite e podem rasgar, sobretudo com rotação interna, lesionando a parte lateral. Estas entorses surgem em mudanças rápidas de direção, saltos e aterragens sobre o pé de um adversário, em modalidades como o futebol, basquetebol, andebol, voleibol ou, por vezes, só com irregularidades no terreno. Estudos em grandes séries demonstram que estas lesões são muito frequentes, provocando paragens desportivas significativas, acumulando um elevado número de dias de ausência, sobretudo em indivíduos jovens.
Clinicamente, as entorses ligeiras dão dor, inchaço moderado e alguma rigidez, mas o doente consegue apoiar o pé com cuidado. Nas entorses moderadas ou graves, a dor é intensa, o tornozelo incha rapidamente, pode surgir hematoma e, muitas vezes, é impossível continuar o exercício ou mesmo caminhar. Dor marcada no momento da lesão, sensação de estalo ou deformidade com suspeita de fratura exigem avaliação médica, habitualmente, com radiografia para excluir fraturas e ecografia/ressonância para pesquisar lesões ligamentares ocultas ou da cartilagem.
Nos primeiros dias, recomenda‑se o princípio POLICE: proteger o tornozelo, iniciar carga dentro do limite da dor, aplicar gelo, usar compressão e manter o membro elevado para controlar o edema. Em vez de imobilizar totalmente o tornozelo, a abordagem atual privilegia o início precoce do movimento e da carga, apoiada por ligadura ou ortóteses. Esta estratégia acelera a recuperação e reduz o risco de rigidez. A maioria das entorses resolve‑se com tratamento conservador e reabilitação adequada. A cirurgia é reservada para roturas graves dos ligamentos laterais, instabilidade marcada ou lesões internas significativas.
A fisioterapia é importante e funciona como uma pré‑época do tornozelo, começando por recuperar a mobilidade e controlar a dor, seguindo-se o reforço muscular e terminando com treino neuromuscular, equilíbrio, saltos, mudanças de direção e gestos específicos da modalidade. Os programas de treino neuromuscular, combinando força, equilíbrio e agilidade, reduzem de forma relevante o risco de nova entorse. O regresso ao jogo só é considerado seguro quando dor, mobilidade, força, equilíbrio, confiança, testes funcionais e capacidade para treinos completos estiverem restabelecidos, sob pena de estar aumentado o risco de recidiva e instabilidade crónica.
Embora não seja possível eliminar todos os fatores de risco, é fundamental investir num bom aquecimento, reforço muscular, treino de equilíbrio, ter em atenção as superfícies e a escolha de calçado adequado. Em atletas com antecedentes de entorse, o uso de tornozeleiras funcionais ou ligadura associado a programas de prevenção é uma boa metodologia para prevenir novos episódios.
A prevenção é mais barata e sempre mais eficaz!"
Eventos desportivos e a promoção de Portugal - Tudo para dar certo!
"Num espaço de apenas nove meses, Portugal recebeu dois Campeonatos da Europa Absolutos de modalidades aquáticas de grande relevância: o Europeu de Natação Artística e o Europeu Feminino de Polo Aquático. Ambos decorreram na emblemática Piscina da Penteada, no Funchal, Madeira.
Reconhecendo a qualidade organizativa da Federação Portuguesa de Natação e a aposta consistente no desenvolvimento destas disciplinas, a European Aquatics confiou a Portugal a realização inédita de dois Campeonatos da Europa Absolutos em menos de um ano — um sinal inequívoco de credibilidade internacional.
Para o público, tratou-se de dois eventos de elevado interesse desportivo. Porém, a sua concretização começou muitos meses antes, cumprindo rigorosamente o exigente caderno de encargos da entidade europeia. O financiamento deste tipo de competições assenta, maioritariamente, no apoio de instituições públicas nacionais e, neste caso particular, também regionais. Os critérios são claros e transparentes; o verdadeiro desafio reside em garantir que o retorno — desportivo e económico — corresponde ao investimento realizado.
O Retorno Desportivo
A organização de um Europeu ou Mundial em território nacional assenta em três objetivos fundamentais:
1. Proporcionar ao público português a experiência única de assistir ao vivo a uma competição de dimensão internacional;
2. Permitir a atletas, treinadores e dirigentes o contacto direto com a elite europeia da modalidade;
3. Criar condições para que as seleções nacionais potenciem o seu desempenho, impulsionadas pelo apoio sempre entusiástico do público português.
Neste domínio, o retorno desportivo é, na maioria dos casos, plenamente atingido — e frequentemente superado.
O Impacto Económico e Mediático
Para além da vertente desportiva, importa analisar o retorno económico e promocional associado a eventos desta escala.
Os dados são expressivos:
• Alcance médio de 350 mil pessoas por notícia;
• Alcance total combinado de 450 milhões de pessoas em todo o mundo (excluindo redes sociais);
• 1.800 notícias publicadas em mais de 120 sites nacionais e internacionais;
• Valor estimado de exposição mediática equivalente a 173 milhões de euros em espaço publicitário;
- 162 milhões de euros em meios internacionais;
- 135 milhões de euros apenas em televisão.
Estes números significam que, para alcançar uma exposição editorial equivalente através de publicidade paga, seria necessário investir 173 milhões de euros. Colocados em perspetiva, os resultados são verdadeiramente impressionantes. Demonstram o papel decisivo que o desporto — e, em particular, estas duas disciplinas aquáticas — pode desempenhar na projeção internacional de Portugal, promovendo simultaneamente o país, a região e as próprias modalidades.
Um Trabalho de Parceria
Este sucesso só foi possível graças ao apoio institucional do IPDJ, da Secretaria de Estado do Desporto, da Secretaria de Estado do Turismo, da Secretaria Regional da Educação da Madeira e da Associação de Promoção da Madeira. O reconhecimento do impacto estratégico destes eventos por parte destas entidades foi determinante.
Para a Federação Portuguesa de Natação, esta é a confirmação de uma estratégia vencedora — desportiva, institucional e promocional. Assumimo-nos como um parceiro estratégico na organização de grandes eventos desportivos internacionais.
Um agradecimento à confiança que a European Aquatics depositou na FPN e uma palavra final de reconhecimento à equipa interna da FPN, cujo profissionalismo e dedicação foram inexcedíveis.
No balanço final, ganha o desporto português, ganham os municípios e as regiões envolvidas, e ganha Portugal — reforçando a sua reputação internacional como destino desportivo, turístico e organizativo de excelência."
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