Últimas indefectivações

domingo, 28 de junho de 2026

13.ª Campeãs Nacionais

Gulpilhares 3 - 4 Benfica

TridecaCampeãs, pois é não é uma palavra muitas vezes usada!!!

Hoje, não foi fácil, tivemos quase sempre a perder, e muito tempo com dois golos de desvantagem, mas nos momentos finais da partida, concretizámos a reviravolta! Evitando assim, um terceiro jogo na Luz!

Internamente continuamos a dominar, mas faltou esta época o título Europeu, apesar das melhorias...


Dia 3

O que esperar de Rui Costa nas AG


"Há duas Assembleias Gerais hoje para debater o Benfica e o presidente dos encarnados deve estar preparado para a contestação e para dar uma visão do futuro O Benfica 2026/27 arrancou na quinta-feira, mas hoje tem um momento importante para a convivência dentro de portas. Está em causa mais do que o futebol, é verdade, e até pode parecer injusto para o futsal que decide o campeonato com o rival Sporting, mas as duas AG que hoje têm lugar somam importância no universo encarnado. A primeira vai ser para debater o desempenho desportivo de 2025/26 e aí, como se sabe, Rui Costa não pode fugir à frustração dos adeptos. O discurso tem de começar por reconhecer que o 3.º lugar no campeonato e a queda para a Liga Europa estão abaixo dos pergaminhos do clube e de um desígnio eleitoral apresentado nas últimas eleições de estar sempre presente na Champions. A maneira de resolver? Apontar ao título e à candidatura à Liga Europa. Esta é a fase de maior ilusão dos adeptos ou, usando uma palavra melhor, de maior expectativa. Esse é um fator que joga em benefício do presidente encarnado; mas há outros. O melhor Rui Costa viu-se quando falou à imprensa. Os adversários políticos podem não gostar, podem contra argumentar, mas a verdade é que a mensagem, ou a imagem, passa. Foi assim nas eleições, foi assim na última conferência de imprensa. Poderá ser assim hoje, embora esteja sempre dependente do público que aparece. De uma vez por todas, o Benfica tem de entender que falar apenas nos meios do clube não é propriamente o mesmo que falar para órgãos de comunicação social independentes. Rui Costa, aliás, ganhou com isso na última conferência. Posto isto, o líder do Benfica tem coisas a fazer hoje. A primeira, como já fez, assumir o fracasso da época passada (usará o argumento da arbitragem que aqui não se expõe). Mas imediatamente legitimar Marco Silva, não como penso rápido, mas como algo duradouro. Entre futebol e promessas eleitorais, estão os meninos da casa e Rui Costa deve lembrar que na ótica de promover o Seixal tem proposta feita a António Silva. Depois, na segunda metade do dia, ou seja, na AG do investimento, terá de justificar o orçamento à luz da promessa eleitoral da meta dos 500M€ de receita. Obviamente, estes não são para agora, mas este orçamento é também um caminho para eles e na AG estará quem lhe lembre aquele número. Mário Branco assumiu que o Benfica está prestes a fechar o substituto de Otamendi, algo a somar ao argumentário de Rui Costa - a expectativa aqui até joga a seu favor - e depois tem de se colocar um momento transitório. Do desempenho desportivo, de toda a reflexão da época 2025/26, para a AG seguinte, às 14h00, e o que vem aí: o apelo à união face às pré-eliminatórias da Liga Europa em julho e consequente aprovação do investimento do clube, porque tudo anda ligado. Em suma, Rui Costa não pode ser apenas alguém que apresenta números ou argumentos sobre o passado; tem de ser o líder que absorve a contestação, que existirá, assume falhas na época anterior e injeta nos sócios a convicção de que a estrutura aprendeu com os erros e que o compromisso com o Benfica está em marcha sob o comando de Marco Silva."

Monteiro: St. Gallen

Zero: Mercado - Dragão atento a craque da Colômbia

BF: Experiência...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão... - Mentalidade Ronaldo, precisa-se! Cabo Verde quer funaná com Messi

Zero: Afunda - S06E50 - Trouxemos especialista para falar de draft , de Giannis e LaMelo

História Agora


Controlar a emoção para entender a evolução


"O futebol raramente aceita zonas cinzentas, embora seja nelas que muitas vezes se revele a verdade mais profunda de uma equipa. Depois de um empate na estreia, ou se celebra uma equipa em construção, ou se anuncia uma crise. Entre esses dois extremos sobra pouco espaço para a serenidade, que é quase sempre a primeira vítima da pressão externa. Foi exatamente nesse intervalo que Portugal ficou preso após o primeiro jogo, num cenário em que o resultado não convenceu, a exibição deixou dúvidas e a pressa em julgar cresceu mais depressa do que a própria reflexão.
A equipa teve posse de bola, mas faltou-lhe clareza. Houve circulação, mas nem sempre houve profundidade. Houve incerteza e ansiedade. O talento existe, mas a identidade demora a consolidar-se. O suficiente para que surgissem fortes críticas, muitas delas centradas em Cristiano Ronaldo. Aos 41 anos, qualquer exibição menos conseguida do capitão reacende inevitavelmente o debate sobre a sua titularidade, a sua influência e o lugar que continua a ocupar no onze.
Para alguns, Portugal ganharia fluidez sem uma referência tão dominante. Roberto Martínez escolheu outro caminho. Sem dramatizar o empate nem alinhar na pressão exterior, o selecionador manteve a confiança na equipa e no seu capitão.
A resposta surgiu diante do Uzbequistão. Portugal apresentou-se mais agressivo e mais eficaz. A circulação de bola ganhou velocidade, verticalidade e objetividade. Os movimentos ofensivos tornaram-se mais naturais e a equipa revelou uma capacidade de finalização que tinha faltado no primeiro jogo. O resultado expressivo alterou profundamente a perceção do momento. Também Cristiano Ronaldo beneficiou desse novo contexto para responder às críticas mais demolidoras. Martínez, ao insistir na sua utilização, reforçou uma ideia de liderança racional e de controlo emocional que vai para além de qualquer crítica ou estatística.
Portugal continua à procura de consistência. O futebol, como qualquer processo de crescimento, exige continuidade. Não basta encontrar respostas uma vez; é preciso demonstrar que elas resistem ao teste do tempo.
É precisamente por isso que o jogo contra a Colômbia assume uma importância especial. A seleção sul-americana representa um adversário mais exigente, capaz de testar a organização portuguesa através da sua qualidade individual e agressividade competitiva. A Colômbia está entre as seleções que mais corresponderam às expectativas até agora: organizada, eficiente e com potencial para surpreender as favoritas tradicionais. Será um jogo que permitirá perceber se a melhoria exibida frente ao Uzbequistão foi apenas uma reação circunstancial ou o sinal de uma verdadeira evolução coletiva.
Entre o alarme e a resposta, Portugal já mostrou que nem tudo estava em crise. Agora falta provar que também nem tudo depende do momento. Porque o equilíbrio de uma equipa não nasce da ausência de falhas, mas da capacidade de não se deixar definir por elas. E é muitas vezes nesse espaço, entre a dúvida e a convicção, que começam a crescer as seleções capazes de chegar longe."

Os selecionadores nacionais


"Ser selecionador nacional em Portugal é, desde que a Lei Bosman levou para outros campeonatos os nossos melhores jogadores, mais fácil, porque foi erradicado, em grande medida, o vírus da clubite, que inquinava o apoio à equipa de todos nós. Os tempos mudaram. Em Espanha, por exemplo, não houve drama por não haver qualquer futebolista do Real Madrid convocado para a América do Norte pela ‘Roja’, sendo que os ‘merengues’ têm a disputar o Mundial onze dos seus craques.
São as circunstâncias do futebol moderno, que levaram a que nenhum dos jogadores marroquinos que empataram com o Brasi tivessem nascido no reino de Marrocos. Mas, sendo o trabalho dos últimos selecionadores nacionais menos complicado, não deixam de estar permanentemente sob a mira dos adeptos, cada um deles um potencial treinador.
Em 1970, a melhor seleção da história, o Brasil, começou a campanha com João Saldanha, que por não querer levar Pelé ao México e ter ideias políticas consideradas subversivas pelo regime, foi despedido. Entrou Zagallo e a ‘canarinha’ encantou o Mundo, sem críticas nem defeitos encontrados. Mas vi o mesmo Mário Lobo Zagallo quase chegar a vias de facto com um jornalista na Copa América de 1997, ou seja, ser selecionador ganhador não garante rigorosamente nada, se a seguir não houver resultados.
Um ano depois, em França, vi a mesma cena repetir-se com Javier Clemente, de Espanha (coisa mesmo feia!), e nesse mesmo 1998 Aimé Jacquet levou a França ao seu primeiro título mundial, aguentando as diatribes constantes da poderosa imprensa gaulesa.
Se é assim com todos, porque haveria de ser diferente com Roberto Martinez? Enquanto Portugal estiver em competição haverá sempre quem alvitre (eu próprio o farei, inevitavelmente) que devia ser dado descanso a este ou àquele, que o sistema não é o que melhor serve a Seleção Nacional, que o onze não foi bem escolhido, atendendo ao adversário, e por aí fora. Faz parte.
Uma coisa é certa: haverá, penso, oito seleções que podem levantar a Taça, e Portugal é uma delas. Mas só uma vai fazê-lo. O que significa que estaremos perante fins de ciclo para muitos. E talvez valha a pena lembrar Scolari em 2002, campeão do Mundo, que preferiu vir para Portugal a continuar no Escrete… * Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Uma vitória não tem inimigos


"Alguns treinadores convocam jogadores. Outros convocam uma nação. A diferença não está na tática. Está na linguagem. Está nas palavras que escolhem quando o jogo acaba e o microfone se aproxima.
Porque uma seleção nacional não veste apenas camisolas. Veste memórias, pronúncias, divergências, afetos. Transporta um país inteiro às costas. E um país nunca cabe dentro de um balneário.
Carlo Ancelotti percebeu isso no Brasil. Quando decidiu chamar Neymar de volta, não chamou apenas um futebolista.
Chamou um símbolo. Sabia que as pernas de Neymar já não resolvem tudo, mas também sabia que há coisas que não se medem em quilómetros percorridos. Medem-se no brilho dos olhos de quem volta a acreditar. Um Mundial também se joga nesse território invisível onde a esperança vale tanto como um drible.
Scaloni compreendeu a mesma lição há muito tempo. Nunca utilizou Messi para separar os argentinos. Fez precisamente o contrário. Transformou-o num ponto de encontro. Nunca alimentou guerras com quem criticava a seleção. Nunca precisou de inventar inimigos para fortalecer o grupo.
Percebeu que a identidade de uma equipa cresce quando deixa de procurar culpados e começa a oferecer motivos para acreditar. Essa é uma virtude dos grandes líderes. Não gastam energia a dividir. Administram-na para unir.
Portugal parece ter escolhido outro caminho. Depois da vitória sobre o modesto Uzbequistão, vários jogadores e o próprio selecionador insistiram na ideia de que a resposta tinha sido dada aos críticos.
Falou-se demasiado dos portugueses que acreditam e dos portugueses que criticam. Como se existissem duas seleções. Como se o país estivesse condenado a escolher um dos lados.
É uma armadilha. As críticas ao empate com a RD Congo não nasceram da maldade nem da falta de patriotismo. Nasceram de um mau jogo perante um adversário acessível. Fazem parte da exigência que acompanha as grandes seleções. Quem veste aquela camisola pede aplausos quando joga bem e deve aceitar perguntas quando joga mal. É o contrato invisível entre uma equipa nacional e o seu povo.
Ganhar continua a ser a forma mais poderosa de reconciliar um país. E se for a jogar bem ainda melhor. Mas vencer não obriga ninguém a falar em vingança. Muito menos depois de um triunfo esperado contra o modesto Uzbequistão. A vitória pode fechar uma discussão. Não precisa de abrir outra.
Os grandes selecionadores sabem que uma nação não se governa emocionalmente contra alguém. Governa-se a favor de todos. É por isso que Ancelotti tem a inteligência de apresentar Neymar como património afetivo do Brasil. É por isso que Scaloni fala de Messi como quem fala de um velho amigo que pertence a todos os argentinos.
Não procuram convencer apenas quem acredita. Procuram também recuperar quem duvida. Porque a dúvida não é uma traição. É apenas uma forma imperfeita de amar.
Uma seleção nacional não existe para derrotar jornalistas, comentadores ou adeptos desiludidos. Existe para representar um povo inteiro. Inclusive aqueles que sofreram demasiado para aplaudir de imediato.
No futebol, como na vida, há vitórias que somam pontos e há vitórias que somam pessoas. Aqui vale a pena recordar 2004.
Portugal começou a perder, mas acabou por caminhar inteiro. Scolari nunca pediu que o país escolhesse um lado.
Pediu apenas que escolhesse a bandeira. E talvez seja essa a primeira vitória que qualquer seleção deve procurar."

Como eu ganharia à Colômbia


"Quando preparo um jogo, raramente começo pelos jogadores. Começo pelas relações que existem entre eles. Porque uma equipa não vive apenas da qualidade individual. Vive das conexões que cria dentro do jogo. 
Se me perguntassem como prepararia Portugal para defrontar a Colômbia, a minha resposta seria simples: procuraria quebrar as conexões que alimentam o futebol colombiano, sem nunca perder a identidade da nossa equipa.
A Colômbia chega a este encontro com duas vitórias, quatro golos marcados e apenas um sofrido. Mais do que os resultados, impressiona pela forma como joga. Néstor Lorenzo construiu uma equipa intensa, organizada e emocionalmente muito forte. Não depende apenas do talento de Luis Díaz, James Rodríguez ou Daniel Muñoz. Depende da forma como estes jogadores se relacionam dentro do jogo.
A primeira conexão que procuraria limitar seria a de James Rodríguez. Continua a ser o cérebro da equipa. Sempre que recebe entre linhas, encontra soluções, muda o centro do jogo e aproxima Luis Díaz das zonas de decisão. Mais do que uma marcação individual, procuraria retirar-lhe tempo e espaço para pensar.
A segunda conexão está em Luis Díaz. É um jogador capaz de decidir um jogo num único lance. Não o defenderia apenas com um jogador. Exige coberturas permanentes, proximidade e coordenação coletiva. O objetivo não seria apenas impedir que recebesse a bola, mas evitar que a recebesse nas condições em que faz a diferença.
A terceira ligação surge com Daniel Muñoz. O lateral do Crystal Palace é uma das grandes armas ofensivas da Colômbia. Ataca como um extremo, aparece frequentemente em zonas de finalização e já marcou dois golos neste Mundial. Mas essa vocação ofensiva também deixa espaço nas suas costas. Portugal terá de ter inteligência para explorar esse corredor sempre que recuperar a bola.
No futebol de alto rendimento, há uma ideia que me acompanha há muitos anos: os jogos não se decidem apenas pela qualidade dos jogadores. Decidem-se pela qualidade das relações que conseguem construir dentro do jogo.
É por isso que, se fosse eu a preparar esta partida, não passaria a semana obcecado com Luis Díaz ou James Rodríguez. Passá-la-ia a estudar as ligações que tornam esta Colômbia uma equipa tão competitiva. Porque os grandes jogadores podem decidir um lance. Mas são as conexões entre eles que decidem muitos jogos.
Portugal tem qualidade para vencer. Mas, para o conseguir, terá de impedir que a Colômbia jogue o jogo que mais gosta. Terá de quebrar as suas conexões sem perder as suas próprias.
No fundo, é isso que eu procuraria fazer. Porque, no futebol moderno, não basta marcar jogadores. É preciso compreender sistemas. E, muitas vezes, é aí que nasce a vitória."

Dembélé não tem igual porque não quer


"Sabemos que, agora, os extremos vão sempre para dentro, à procura do melhor pé, da mesma forma que seu Mané Garrincha e outros do seu tempo saíam invariavelmente pelo lado de fora, o mais junto à cal que podiam. E o pequeno pássaro, um anjo de pernas tortas, até esperava algumas vezes pelo rival. E driblava-o outra vez… pelo mesmo lado.
Sabemos que hoje até lhes podem oferecer o flanco, que não os seduz. É incontornável. Já não são figurantes, mas sim personagens principais. A dada altura, arrancam. Talvez o defesa antecipe o momento, talvez não, todavia, o mais certo é que já vá atrasado, talvez desequilibrado, o que pode abrir, se não houver ajudas, o caminho em definitivo para o 'side spin'. Como se fosse um Rafa Nadal a chegar com aquela direitaça tremenda para o definitivo 'passing shot'.
Há outra verdade mais ou menos adquirida, ainda que de forma empírica: o canhoto tem o pé direito mais cego do que o destro tem o esquerdo. Mal serve para subir ao autocarro, gozam-nos tantas vezes. Contudo, nunca o fizeram com Dembélé. Que nunca foi nada disso. O direito é muito melhor do que a ferramenta profissional de muitos destros e o esquerdo uma arma letal. É ambidestro. No controlo, no drible e na finalização, o que o torna imprevisível, em bola corrida e nos livres e penáltis. Porque Robben era Robben, e o francês gosta de ter todas as opções em aberto.
Depois de as lesões o terem afetado muito tempo durante a época, o 'hat-trick' à Noruega, que distribuiu pelos dois pés, é um excelente sinal de retoma. Ainda que devolvido à direita, empurrando o brilhante Michael Olise para o meio.
É verdade que os vikings não levaram os melhores para a batalha e foram mais negociantes do que conquistadores, ao darem tantos tiros nos pés. Mas é uma França que já vê tudo muito simples e que nem precisa de ter todos 'a top' para se manter na velocidade de cruzeiro. Há uma avalanche a formar-se, pintada de azul."

Há Mundial sem Queiroz ou Hugo Broos?


"CARLOS QUEIROZ
Para quem segue o seu trabalho desde a década de 80 do século passado, o quase milagre até agora conseguido à frente da seleção do Gana não surpreende
Talvez há três meses Carlos Queiroz pensasse numa tranquila reforma, longe dos holofotes e dos desafios que caracterizaram toda a sua vida profissional. Mas o chamamento do jogo e a dificuldade suplementar de orientar uma seleção africana, com apenas 60 dias de antecedência em relação a mais uma fase final de Mundial falaram mais alto e mais forte para o homem que revolucionou mentalidades no futebol português.
A proposta, simples e ao mesmo tempo profundamente desafiadora, era a de recolocar as Estrelas Negras no mapa, depois de terem falhado a CAN 2025, e integradas num grupo complexo, com Inglaterra e Croácia à cabeça. Ainda nada está ganho (como o próprio Queiroz referiu após o excelente nulo com os ingleses), mas a construção de uma equipa também pode passar por terapias de emergência e estratégias de choque.
Foi o que o treinador português já conseguiu, com quatro pontos em dois jogos e a qualificação para a fase eliminatória do Mundial praticamente garantida.
Recebido em Accra como um Deus do belo jogo, Queiroz reforça, a cada minuto que passa, a gratidão dos ganeses, e continua a mostrar que o conhecimento e o carisma podem ajudar — e muito — a consolidar uma carreira e a empolgar adeptos, dirigentes e jogadores.

GUILLERMO OCHOA
É verdade que os guarda-redes sempre foram, no futebol, os mais resistentes à erosão do tempo e do desgaste, garantindo uma longevidade em média em superior à generalidade dos seus companheiros de campo.
Não é menos verdade que poucos (muito poucos…) chegam a um patamar como o de Guillermo Ochoa. Seis Mundiais, algo de que apenas Cristiano Ronaldo e Lionel Messi se podem também orgulhar. A história de Ochoa confunde-se com a própria história do futebol mexicano, embora o guarda-redes tenha feito do mundo a sua casa. Até em Portugal jogou, representando o Aves SAD na primeira liga.
A capacidade física e técnica são evidentemente essenciais para a manutenção de um posto tão específico, mas também o caráter e o espírito de equipa. Quando beijou os postes da baliza que defendeu, no estádio Azteca, nos últimos minutos do jogo do seu México frente à Chéquia, Guillermo estava a enviar uma mensagem de esperança a todos os jovens que agora abraçam a difícil especialidade: de resiliência, de paixão pelo jogo, de entrega total e de disponibilidade para, ainda que como suplente, dizer permanentemente sim ao seu país e à sua seleção.
Do Alemanha 2006 às Américas 2026, Ochoa escreveu das mais belas páginas da história do futebol moderno.

TORI PENSO e KATIA GARCIA
Já Stéphanie Frappart (agora chamada pela UEFA para a gestão de arbitragem no velho continente) tinha feito história no Qatar, há três anos e meio. A árbitra francesa estabeleceu patamares de excelência, abolindo guerras de sexos e nivelando-se com os melhores.
Nos Estados Unidos, e depois de uma ascensional e muito segura carreira na vertente feminina do jogo, a nível interno e internacional, Tori Penso apitou nesta fase final do Mundial com a autoridade serena e a capacidade reconhecida de um dos grandes nomes da arbitragem mundial.
Juntemos-lhe Katia Garcia. O nome, para os menos atentos a este setor do futebol, pode passar despercebido, mas é, no México, uma respeitável figura da arbitragem na Liga MX. Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais, Garcia junta-se à estado-unidense como representante feminina nas figuras centrais da Team One, neste Mundial.
A capacidade não se mede pelo sexo ou pelos palmos, e a FIFA, na sua componente de exigência máxima aos seus árbitros, tem esse fator bem presente.
Tori Penso e Katia Garcia são, sobretudo, duas árbitras de excelência e dois extraordinários fatores de motivação transversal para quem lhes queira seguir as pisadas. A prova de que os sonhos comandam a vida, e de que o impossível é apenas um pouco mais difícil…

HUGO BROOS
Quando, carinhosamente, dizemos de um treinador é uma velha raposa do futebol mundial, queremos, no fundo, cumprimentá-lo e celebrá-lo. É o que devemos a Hugo Broos, o septuagenário selecionador da África do Sul, que, nos últimos cinco anos, tem conduzido os Bafana Bafana a um crescimento que coloca a seleção nacional masculina sul-africana entre as melhores do continente.
Mas, para quem segue o futebol, não é estranho que o que verdadeiramente importe seja a representação no maior palco do planeta. A fase final do Mundial surge para Hugo Broos como, possivelmente, o último grande desafio de uma carreira longa e trabalhada a pulso.
Com a vitória sobre a Coreia do Sul, os Bafana assinaram um dos mais marcantes e históricos momentos do futebol no seu país, em boa parte responsabilidade de Broos, um belga chegado ao extremo sul de África há vários anos, e responsável pela estruturação de uma verdadeira equipa, baseada, sobretudo, nos valores domésticos, isto é, em atletas que evoluem todas as semanas na Premier Soccer League, o principal campeonato profissional do país.
Aconteça o que acontecer, no jogo frente ao Canadá (16-avos-de-final), Hugo Broos terá o nome gravado a dourado na história do futebol sul-africano.

AUSTIN MACPHEE
Só não passa despercebido porque o longo cabelo louro o denuncia à distância e, justamente por essas características, porque não parece português. E não é, de facto, embora o seja um pouco, de coração.
Austin MacPhee é escocês, e de há muito tempo está ligado ao futebol. Aliás, quem acompanha regularmente a Premier League, repara na sua presença junto a Unai Emery, no banco do Aston Villa. Lá, em Birmingham, mas também com a seleção de Portugal, MacPhee é o responsável pelo treino das set pieces, curiosa expressão inglesa que podemos livremente traduzir para bolas paradas.
Momento cada vez mais particular e decisivo nos jogos de futebol, o pontapé de canto ou o pontapé livre nas imediações da área adversária constitui matéria especializada, a requerer alguém que a ela se dedique em exclusivo.
Aos 46 anos, Austin integra a equipa técnica de Portugal e os resultados, com exímios executantes como os que estão ao serviço da equipa das quinas, começam a fazer-se sentir.
Uma prova de que o treino tático é um vetor muito significativo da preparação no alto rendimento, e de os verdadeiros especialistas não são dispensáveis, sobretudo num edifício competitivo tão desafiante como o de um Mundial de futebol…"

O MacGyver está entre nós


"Nós, portugueses, achámos que patenteámos a célebre lei do desenrascanço. Mas não. Antes de mais, havia MacGyver, a célebre personagem do final dos anos oitenta que construía uma bomba com um palito e um canivete-suíço. Para além disso, há o MacGyver que vive em cada americano, sobretudo aqueles do sul da Florida.
A história é simples.
O cenário de caos está montado a cada dia de jogo: a FIFA, com a sua habitual modéstia, confisca todos os parques de estacionamento oficiais em redor do Hard Rock Stadium. Para ajudar à festa, a polícia corta as ruas num raio de quilómetros.
Resultado? Tentar chegar de carro perto do recinto é o equivalente moderno a tentar encontrar o Santo Graal, mas com mais trânsito, suor e buzinadelas.
Ora como qualquer bom empreendedor já sabe, onde existe uma necessidade está uma oportunidade. Vai daí, os moradores das redondezas, donos daquelas típicas casas térreas de madeira, olharam para os seus curtos jardins frontais e não viram relva: viram notas de dólar a piscar.
De repente, qualquer canteiro com três metros quadrados transformou-se num parque de estacionamento VIP.
«Quer ir à bola? Encoste aí o jipe em cima das minhas begónias, o preço é de amigo!»
No fundo, é reconfortante perceber que nós - os portugueses que desenrascam - não estamos sozinhos no mundo. A burocracia pode fechar as ruas todas, mas a alma humana arranja sempre um atalho. Onde a FIFA fecha uma cancela, um morador de Miami abre o portão.
O MacGyver está entre nós."

Aqui, manda o clima, mr. Roberto Martínez!

"Uma violenta tempestade elétrica obrigou anteontem Portugal a recolher ao pavilhão após meia hora de treino. No estado onde os raios não perdoam, as quinas aprenderam que por estas paragens a meteorologia dita as regras com mão de ferro

PALM BEACH GARDENS — O plano tático estava desenhado, o relvado impecável e Roberto Martínez dava as primeiras instruções sob o calor abafado da Florida. Contudo, nesta península dourada do sul dos Estados Unidos, há um selecionador invisível que manda mais do que qualquer treinador de futebol: o céu.
E na preparação para o duelo com a Colômbia, bastaram trinta minutos de trabalho para que o eco surdo de uma trovoada tropical rasgasse o horizonte e recolhesse a Seleção Nacional aos balneários. O treino ao ar livre deu rapidamente lugar a um improvisado laboratório de pavilhão, numa demonstração clara de que, por estas coordenadas, o respeito pelas forças da natureza é uma questão de sobrevivência.
Não se trata de preciosismo ou de excesso de zelo por parte das comitivas. A Florida carrega o trágico e isolado primeiro lugar no ranking norte-americano de mortes causadas por raios naturais — com números que chegam a duplicar o segundo estado desta lista negra. A gravidade da situação ficou tragicamente vincada ainda esta semana, com a notícia do falecimento de uma criança local, atingida por uma descarga elétrica. Aqui, as autoridades não brincam em serviço e o protocolo de segurança é implementado com rigor militar.
A regra é clara e inflexível para locais e visitantes: se uma tempestade elétrica entra num raio de 12,9 quilómetros da nossa localização, a ordem é imediata para abandonar as ruas e procurar abrigo sob um teto seguro ou no interior de veículos blindados. Foi precisamente esse cenário de isolamento forçado que nos envolveu esta quinta-feira em Palm Beach, com o estrondo dos trovões a abafar as buzinas e a transformar a rotina da Seleção numa operação de abrigo.
Para Portugal, a interrupção acabou por transferir a vertigem tática do relvado para o piso de madeira do pavilhão, onde o drible curto e a troca de bola rápida substituíram a profundidade das alas. Longe do perigo dos relâmpagos, as quinas continuam a afinar a estratégia para o duelo de sábado frente à Colômbia.
Na Route 66, a caminhada faz-se de superação, e se o céu da Florida insiste em ditar as regras com eletricidade, Portugal responde com a envolvência e a capacidade de adaptação que definem os candidatos ao título. Este sábado, em Miami, espera-se que a única tempestade seja mesmo a de futebol."

Rola a Bola - Mundial #3 - RBP Cabo Verde 1% virou 100%|CR7 is BACK !!

BolaTV: Dias de Mundial...

No Princípio Era a Bola - Chegou o momento de Portugal mostrar tudo no desafio com exigências inéditas contra a Colômbia

TNT - Convocados...

LiveMode: Aquece vais entrar #24

Observador: Minuto 90 - A Bélgica sabe que os golos são o mais importante do futebol

Observador: Minuto 90 - Uruguai. Equipa sem inspiração falha qualificação

Observador: Minuto 90 - Tubarão azul caça gigante e quer eliminar rei do mundo

Observador: Minuto 90 - França convence e quer convencer que deve ganhar tudo

Observador: Minuto 90 - Pape Gueye. Era joker colocou duas pérolas na baliza

Quezada: A batalha de Miami

Futpedia #15 - Mundial...

LiveMode: Late Night #6

AA9: Mundial - Day 16

Rabona: Uruguay KNOCKED OUT & France-Norway Flops | World Cup Day 16

FIFA: Canadá...

FIFA: África do Sul...

SportTV: Egipto - Irão

SportTV: Uruguai - Espanha

SportTV: Cabo Verde - Arábia Saudita

SportTV: Nova Zelândia - Bélgica

sábado, 27 de junho de 2026

Dia 2

O Benfica anda a fingir que não está aqui


"Entre silêncios e manobras de diversão, os dias foram passando desde que se percebeu que Mourinho ia embora. Há um novo treinador (a sério?) mas o silêncio continua. Agora vêm os jogos

O Benfica arrancou ontem com a nova época, mas não se deu muito por isso. Sabemos que é o Benfica, enfim, preferência de mais de metade dos portugueses do continente, das ilhas e do Mundo, mas foi maior a noção dos órgãos de Comunicação Social sobre isso do que propriamente a do clube.
É certo que vivemos ambiente de Campeonato do Mundo de seleções. Acontece que esta prova ainda vai no preâmbulo. Portugal está quase apurado sem ter disputado o terceiro jogo, três quartos das já de si exageradíssimas 48 seleções apura-se para a fase a eliminar, isto foi apenas o aquecimento, pouco entusiasmante, caro para quem o quer ver na TV e, para já, sem grande retorno.
Sabendo nós que o público dos clubes não é necessariamente o da Seleção — o público dos clubes, na verdade, dispensava bem a Seleção e só a quer para dizer mal — esta era a hora de o Benfica assumir a dianteira mediática sem equívocos. Sabemos que a tem, porque a maioria e o povo são quem mais ordena, mas também é preciso cultivá-la.
Aparentemente envergonhado por ter de começar a época tão cedo, o Benfica abdicou de colocar personalidades a falar no primeiro dia do resto da sua vida. 
Barrado o acesso aos repórteres externos e independentes, não vão eles fazer mal a alguém ou retirar algum bocado ao Seixal, enviou umas fotos repetitivas de jogadores de tronco nu a fazerem exames médicos. Não importa se os sorrisos são mais ou menos mecânicos — para o que é bacalhau basta.
Quanto ao novo treinador, expectável âncora de esperança e depósito de desejos e afetos neste recomeço, nem uma foto, nem uma palavra, um sorriso, um aceno. Zero.
Marco Silva sai incógnito de um dia que os benfiquistas — e muitos deles querem mesmo saber mais deste reatamento que do Mundial — anseavam por sentir como o dia 1 de uma nova era.
Desde que se começou a pressentir que Mourinho ia sair e tudo voltaria atrás, o Benfica tem fingido que não está aqui. Entre silêncios e manobras de diversão, os dias foram passando.
Mas agora começou a época e há pouco tempo para pensar. Até ver, só chegou um reforço de 17 anos, mas o central que saiu tem 38 e deixou um enorme vazio.
Não tarda começam os jogos e já não vai dar para fingir que não se anda aqui."

O pardieiro !!!

Os verdadeiros incendiários!!!

Espectáculo!

Prieto...

Bélone...

Zero: Mercado - Maxi cobiçado, Lukebakio com mercado

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Dia 1 do Benfica: quem conta para Marco Silva?

Observador: E o Campeão é... - Brasil x Japão: as pipocas já estão prontas?

Observador: Três Toques - Kubo, Cuadrado e Redondo. Quem tem mais golos no Mundial geométrico?

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #12

Zero: Negócio Mistério - S06E09 - Schurrle

Arranque da pré-época

"O primeiro dia de preparação para a nova temporada em destaque na BNews.

1. Primeiro dia 


 2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Esclarecimentos do presidente da MAG
José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, explica, em entrevista à BTV, os procedimentos a ter em conta relativamente às duas Assembleias Gerais agendadas para amanhã no Pavilhão N.º 2 da Luz.

4. Final decide-se na negra
No jogo 4 da final do play-off da Liga Placard, o Benfica foi derrotado pelo Sporting por 3-2. A derradeira partida é no próximo domingo, às 20h00, na Luz.

5. Jogos do dia
A equipa feminina de polo aquático do Benfica participa na final eight da Nordic League e é com ambição que aborda esta prova europeia. Em Tenerife, defronta a SS Lazio às 12h30 e o City of Manchester às 19h00.

6. Em busca do trideca
A equipa feminina de hóquei em patins do Benfica tem a possibilidade, amanhã às 14h30 em Gulpilhares, de conquistar o 13. º título nacional consecutivo.

7. Basketball Champions League
Benfica marca presença na ronda de qualificação.

8. Entrevista de despedida
O andebolista Bélone Moreira termina a carreira de águia ao peito.

9. Movimentações nos plantéis
O andebolista Miguel Mendes renova o contrato com o Benfica e, também no andebol, Afonso Mendes regressa às águias. Em sentido contrário, a futebolista Christy Ucheibe deixa os encarnados.

10. Jornal O Benfica
A edição desta semana já está disponível para download no site oficial.

11. Casa Benfica Mortágua
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 25.º aniversário."

A arbitragem do Mundial


"De quatro em quatro anos a cena repete-se: por razões políticas, a FIFA convoca para os Mundiais árbitros de todas as Confederações, muitos deles sem qualidade para estar num certame desta natureza. Invocam os responsáveis que assim é possível manter motivados os árbitros das zonas menos evoluídas futebolísticamente, e dar razões para que surjam, nessas paragens, mais candidatos à função.
Depois da pouca vergonha que foi a arbitragem no Mundial de 2002, realizado na Coreia do Sul e no Japão - ocorreram alguns verdadeiros casos de polícia - o cuidado passou a ser maior e, mais recentemente, com a chegada do VAR, a ajuda exterior (quase sempre, mas nem sempre) permite minimizar os danos. Porém, na fase de grupos, continuamos a ver alguns trabalhos confrangedores, uma espécie de dízima que as equipas têm de pagar em nome da globalização do setor, que não concorre, do ponto de vista desportivo, para a credibilidade do torneio.
A Portugal, para já, calhou um árbitro do Qatar, na partida com o Congo, que andou mais tempo à procura do jogo do que a controlá-lo, sentindo-se que o Princípio de Peter estava ali a funcionar em grande força. No segundo jogo, fomos de mal a pior. O árbitro marroquino tremeu como varas verdes, falhou em lances claros e óbvios que estavam fora do protocolo do VAR, e foi preciso que a tecnologia o fizesse reverter aquele que seria o golo do Uzbequistão, após ter feito vista grossa a uma falta sobre João Cancelo, que até os astronautas que estavam em contacto com Houston, onde o encontro se realizou, devem ter visto.
Para a terceira partida, com a Colômbia - aquele que deve ser o jogo mais difícil de dirigir do Grupo K - a escolha recaiu num árbitro australiano, iraniano de nascença e formação, que tem no currículo, ainda enquanto natural do Irão, a final dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Dirigir a FIFA, e para isso é preciso garantir os votos suficientes para ganhar eleições, é uma missão em grande parte política, que exige manter em grau de satisfação a generalidade dos votantes. Algumas das escolhas para sede das competições mostram isso mesmo (e ainda mais, o FBI que o diga), mas, em minha opinião, onde se nota mais este ‘handicap’ é precisamente na arbitragem, até chegar a fase a eliminar.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Quando a discussão Messi-Ronaldo vai muito além do futebol


"Tema entrou no parlamento da Austrália. Isto dá para entender as dificuldades de Roberto Martínez. Nunca é só a bola a rolar. Muito menos neste Mundial

Se precisássemos de novas provas de como a questão que nos acompanha há 20 anos é mais discutida do que a paz no Médio Oriente, a emergência climática ou o combate à pobreza, um membro do Parlamento da Austrália acabou de o fazer. País de elevada literacia e o sétimo nos índices de desenvolvimento da OCDE, a sessão que decorreu esta semana na casa do povo merece mais que uma simples nota de rodapé. Ben Small, deputado do Partido Liberal, tomou a palavra para lembrar que o debate entre Messi e Cristiano Ronaldo «é muito mais do que futebol», porque é uma discussão sobre «a essência de caráter».
Recorrendo-se de um estudo publicado em Singapura e levado a cabo em 26 países, Small partilhou, de forma curta e clara, as suas conclusões. «Os que preferem Ronaldo tendem a ser mais conservadores, enquanto os que preferem Messi têm uma pensamento de esquerda», disse. E mostrou imediatamente de que lado está, ele e não só. «A maioria dos australianos tem uma preferência por Cristiano Ronaldo porque ele representa a disciplina, foco e a constante procura de resultados. Os australianos são assim: gostam de trabalhar e ver o seu esforço recompensado», explicou.
Deixando de lado a tradicional retórica parlamentar que é transversal a todos os tribunos das democracias liberais (enquanto as há...), não deixa de ser extraordinário como dois futebolistas mexem com um público que não tem fronteiras e, citando o referido deputado, «vai muito além do futebol». Mas, acrescento, é um reflexo do mundo atual: a incapacidade de as tribos aceitarem o que de bom existe no outro lado da bolha.
Talvez essa seja uma boa explicação para entender a gestão de Roberto Martínez relativamente ao seu capitão, melhor marcador e estrela global: nenhum selecionador levaria um jogador como ele para uma grande competição para o colocar no banco ou numa utilização intermitente. Para que isso fosse uma realidade, teria de ser feito todo um trabalho de comunicação prévio para dentro e para fora, de forma a ir habituando a Seleção, o próprio jogador (se ele o aceitasse, claro) e centenas de milhões de pessoas dos cinco continentes (literalmente) que não querem saber se ele tem 41 anos.
Para muitos portugueses, naturalmente com um olho mais crítico devido à proximidade, isto pode por vezes soar contra-natura e por esse motivo tanto se pediu a cabeça de CR7 após a péssima exibição frente à RD Congo. O que o avançado do Al Nassr fez na partida seguinte, com um bis frente ao Uzbequistão (já é o seu segundo melhor Mundial...) mostrou que o problema afinal não era só ele. Os golos que apontou foram o de alguém que continua a ser letal na finalização - a desmarcação e o vólei no primeiro golo; o remate com a parte de dentro, quase de calcanhar, à saída do guarda-redes, após ganhar nas costas dos centrais no segundo; e uma série de ações curtas que tentaram sempre acrescentar.
Imaginar um Portugal a jogar melhor sem o seu capitão é um exercício tão legítimo quanto o seu contrário... mas não agora. Goste-se ou não, este é o Mundial de Ronaldo. Desfrutar é o melhor remédio.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
João Félix, avançado da Seleção Nacional
Responsável pela melhoria exibicional de Portugal. Com ele, todos à sua volta cresceram. Os pés continuam de veludo, mas agora também mostra os dentes na reação à perda. Com este talento e atitude, é ele e mais dez.

Estagnado
António Silva, central do Benfica
Não teve o crescimento esperado após a época de estreia e a ausência no Mundial foi o reflexo de uma carreira que estagnou. Precisa de um novo estímulo, que até pode muito bem ser no Benfica. Dependerá do contexto.

A descer
Akturkoglu, avançado da seleção da Turquia
É um dos rostos da maior desilusão do Mundial até agora. A Turquia parecia reunir-se de uma geração talentosa, liderada por um treinador resultadista mas com capacidade estratégica. O ex-jogador do Benfica não reagiu bem às críticas dos adeptos e explodiu."

A geometria do talento


"Os relatórios da FIFA validam uma nova ditadura tática do Mundial: um xadrez asfixiante onde o drible capitula e o extremo puro segue o número 10 até ao exílio

O Mundial ainda é só um conjunto de tendências, mas a FIFA entende que já dá para concluir qualquer coisinha. A primeira ideia lançada é que o extremo puro is no more, desapareceu, trocado pelo invertido, um punk anarquista que só quer saber do corredor interior para combinar ou rematar. Não é de hoje, já o era assim nas principais ligas e nos grandes encontros da Champions, mas não podemos esquecer a universalidade de um Mundial com 48 países, que carrega cada sentença com um forte sentido de aldeia global. E, no entanto, é preciso que alguém pise a linha para oferecer largura à sua equipa, porque o ouro passou a estar nos meios-espaços, um de cada lado, entre central e lateral. E porquê essa largura? Para que o lateral contrário seja atraído e se afaste do seu central, e se alargue precisamente esse canal para poder ser atacado. E aí o protagonista pode ser qualquer um, dependendo da sua posição em campo, desde que faça esse movimento vertical: um avançado, um médio, até o ala, se foi o extremo que fez de pivot pisando os limites do campo.
E por que razão o ouro passou a estar aí nesse meio-espaço? Porque quem entrar aí de bola dominada fica muito mais perto da baliza do que se corresse ao largo, o que dá de imediato outra contundência ao gesto de cruzar ou rematar.
A outra conclusão do Technical Study Group após as primeiras rondas fala da obsessão pela construção a três. A que mesmo a favorita França, depois de quase fracassar ao tentar sair apenas com os dois centrais, teve de recorrer, ao recuar um médio para evitar a igualdade numérica na pressão feita pelos seus adversários. A construção a 3 é mais difícil de contrariar pelo espaço que pode gerar no miolo do conjunto que avança para o pressing — sobretudo se não o fizer em bloco — e, se se mantiver depois na fase de criação, poderá igualmente ser útil na rest defence, ou seja, na colocação das pedras para a reação à perda.
A primeira fase de construção é cada vez mais importante, ainda que provoque, muitas vezes, erros graves e torne de imediato a partida desfavorável para os menos fortes. O futebol transformou-se em xadrez 2.0, com um menor número de jogadas, e o campo é o tabuleiro em que a saída é estudada para ligar diretamente a um eventual xeque e à possível vitória.
O que outrora era nuance estratégica de equipas audazes transformou-se, entretanto, em paradigma. As seleções passam os primeiros minutos de cada jogada numa coreografia hipnótica e defensiva, em que um leva a bola e os outros dois jogam com os rivais à apanhada. A ideia é fixar um dos que pressiona, com o passe praticamente no último momento, o que irá libertar depois um ataque rápido e vertical, que pode ser de facto muito perigoso. Ou, pelo contrário, funcionará como no futebol americano, em que se ganham jardas, mas só com uma tentativa. Não há segundo down. Pelo menos nisto, os ianques são quatro vezes mais tolerantes. A não ser que tudo volte a cenário semelhante segundos depois, devido a nova paragem, por falta ou a bola sair do terreno. Quando há qualidade no passe e sobretudo uma boa tomada de decisão, ganha-se segurança, é verdade, e pode desequilibrar-se o jogo, mas reduz-se a vertigem. Se não houver qualidade nessas características, nem sempre o risco compensa, bem pelo contrário.
A campeã do mundo Argentina tem-se mostrado particularmente interessada em retirar o máximo partido desse momento. A ideia é sempre fazer a bola chegar a Messi entre linhas, à frente da linha defensiva, contudo, não necessariamente de imediato. No melhor momento, sim, para que possa desequilibrar. E como tem desequilibrado!
Diante da Áustria de Ralf Rangnick, por exemplo, no jogo que a qualificou para os 16 avos de final, a Albiceleste sentiu dificuldades por culpa da pressão imposta pelos europeus — havia um especialista sentado no banco dos rivais —, mas quando a ultrapassava acumulava situações de golo. Ainda que não tenham sido muitas. Com o baixar do bloco austríaco, na posse da Scaloneta viu-se um autocontrolo incrível, uma gestão da vantagem sem soluços, à espera da estocada final. Ou do gongo. Ninguém tem praticado melhor esse adormecer antes de ferir como a Argentina. Mesmo que corra riscos quando o faz perante margens curtas.
Já perdemos o 10 maestro, que tinha sempre um trono à sua espera na meia-lua, e praticamente o segundo avançado quando a maior parte dos conjuntos joga apenas com um, e agora deixamos fugir o extremo que corre e dribla pelo corredor. Temos o que parte daí em diagonais, seja porque é realmente forte no 1x1 ou por ser aí onde se esconde, o que acontece com os poucos que ainda se parecem com os Maradonas, Platinis, Francescolis, Zicos e Zidanes de antigamente.
Claro que o futebol fica menos romântico, mas segue a sua própria lógica. Se não estivermos a discutir com Pelé nos balneários dos Aliados no 'Fuga para a Vitória' não há dúvidas de que o caminho mais rápido para a baliza é uma reta que atravessa todo o campo. Mesmo que seja o sítio onde estaciona mais gente ou aí se movimenta em permanente hora de ponta. De frente para o golo, para isolar um companheiro ou atirar. Só precisa pensar rápido. Ou mais rápido do que os outros.
O jogo afunilou de forma asfixiante. Trocam-se passes curtos, tabelas milimétricas e rotações mecânicas numa densidade humana que retira qualquer clareza às jogadas. E que muitas vezes as destrói. Expulsámos a largura com bola — já que da outra não se pode abdicar nunca —, chegar à linha de fundo já parece feito de herói. Um miúdo da infantaria que decidiu desafiar as probabilidades. Diabolizámos o cruzamento tenso de largo e transformámos o relvado num labirinto onde o drible individual, tirando algumas exceções, foi banido por decreto dos que tentam anular primeiro o rival, em vez de ultrapassá-lo. O jogo sofre de claustrofobia tática que esmaga o talento. Hoje, até o Brasil é operário — deixem-me esquecer 1994, pelo menos do meio-campo para trás. Um pouco cínico também. E teve de ir ressuscitar Neymar para ter um pouco da fantasia dos velhos tempos."

A força e a técnica no miúdo Manzambi


"Quando ouvíamos Gabriel Alves (um forte abraço, meu caro!) falar da dicotomia da «força da técnica contra a técnica da força» durante os grandes jogos, vivíamos essas palavras como se formassem mundos opostos, inconciliáveis, em permanente choque. O futebolista dotado de boa técnica dificilmente se conseguia impor através da dimensão física, porque raramente a tinha, e ao mesmo tempo um panzer não era capaz de fintar meio mundo, devido à pouca habilidade e, eventualmente, ao alto centro de gravidade.
Olhávamos para os alemães, os mais bem-sucedidos representantes da fisicalidade, e o drible era contranatura. Claro que houve Beckenbauer, Littbarski, Hassler, Overath, Schuster e Netzer, e muitos outros depois da revolução espoletada por Sérgio Conceição em 2000, porém na nossa juventude e início de fase adulta os exemplos eram curtos.
Ao mesmo tempo, víamos os brasileiros e os argentinos no plano oposto: Pelé tinha algum músculo, mas dificilmente o considerariam um tanque, e ainda menos Garrincha, Zico, Sócrates, Rivaldo, Ronaldinho, Tostão, Rivellino, Maradona, Messi, Ardiles, Kempes, Piojo López e mesmo Batistuta, entre tantos outros. Talvez o Fenômeno me faça morder a língua, tantas as vezes que se transformava num comboio serpenteante, todavia a própria alcunha me ajuda a considerá-lo exceção e não regra.
Entretanto, há um suíço chamado Johan Manzambi que é tudo isso. Tem 20 anos e já leva três golos neste Mundial. Conhecemo-lo do Friburgo, mas é pouco provável que lá volte, tal a dimensão que está a ganhar, ele que nem começou como titular. É um portento, com 1,82 metros de altura, que aguenta o choque com todas as barricadas que lhe colocarem no caminho. Controla a bola como poucos. Sabe driblar, passar e finalizar. E a tomada de decisão é muito boa. Ninguém tem uma autonomia tão grande, na Suíça e — desconfio — em mais nenhuma seleção. Vai da sua área à linha de golo. E apenas precisa de inspirar uma vez. Parece."

O Brasil operário de Ancelotti


"O que melhorou após o jogo frente a Marrocos

Quem os viu e quem os vê. O que antes era apenas um conjunto de jogadores vestidos com a amarelinha parece querer dar lugar a uma verdadeira equipa, sólida, conhecedora dos seus defeitos e virtudes, altruísta com bola, solidária sem ela.
A estreia no Mundial 2026 frente a Marrocos foi cinzenta. Deixou mais dúvidas do que certezas. As ilações, pouco positivas, confirmaram que Carlo Ancelotti tem em mãos uma tarefa hercúlea. Não pela ausência de talento (embora muito distante do que se viu em 2006 ou 2002), mas pela inexistência de um coletivo.
O futebol ao mais alto nível já não se compadece com ideias e modelos de jogo que não associam o momento ofensivo ao momento defensivo. Já não permite que uma equipa ou seleção possa dar-se ao luxo de não ter os vários momentos do jogo trabalhados de forma interligada.
O que ficou da exibição descolorida e pouco confiante perante a seleção marroquina foi precisamente isso. Um Brasil coletivamente desligado. Entre sectores e dentro dos próprios sectores. Uma canarinha pouco solidária sem bola, tanto na reação à perda como na transição defensiva. Um escrete nada criativo na posse do esférico. Por uma questão de escolhas iniciais, bem como por causa dos posicionamentos e comportamentos individuais e coletivos pretendidos pelo treinador italiano.
O Brasil não poderia continuar a ser tão pouco agressivo sem bola, especialmente no momento seguinte à perda de bola. Nem poderia continuar a ter um flanco direito sem dinâmicas que garantissem largura, profundidade e jogo interior em simultâneo. Muito menos poderia ter um meio-campo sem capacidade de transporte e chegada a zonas de finalização. Para não falar da incapacidade de criação de espaços e condições para Vini Jr poder atacar esses mesmos espaços.
Ancelotti percebeu que era necessário mudar a mentalidade do seu selecionado. E fez o que tinha de ser feito: alterou a mentalidade a partir de pequenas alterações técnico-táticas.
Entraram Danilo, Rayan e Matheus Cunha. Bruno Guimarães passou a ser um puro box-to-box. O sistema tático manteve-se o mesmo, mas o 1x4x3x3 ganhou capacidade de trabalho sem bola. Ganhou ordem e organização com bola. Ganhou vida. Tal como ganhou Vinícius Júnior, o principal beneficiado desta face renovada dos pentacampeões mundiais.
O Brasil passou a ser mais coletivo. A ser mais competente a atacar porque passou a saber defender, tanto em pressão como em organização. Mérito de Ancelotti e da sua gestão operária."