"As férias dão-nos uma coisa rara: tempo. Para ler, observar e, supostamente, pensar menos em futebol. A última parte nunca funciona bem, principalmente em ano de Mundial e com a Liga a começar mais cedo.
Regresso a este espaço depois de uma derrota do Vitória e com “Pensar, Depressa e Devagar”, de Daniel Kahneman, ainda fresco na memória. Dois sistemas: um rápido, intuitivo; outro lento, racional e deliberado. Este Vitória precisa dos dois.
Na área, precisamos do primeiro. Instinto. Alguém que chegue uma fração de segundo antes e marque. Podemos construir, competir e criar, mas o futebol tem uma crueldade elementar: decide-se por golos.
Fora dela, precisamos do segundo. Muitas das limitações da época passada continuam lá. Há um novo treinador e novas ideias, mas, com os mesmos ingredientes, até um bom cozinheiro terá dificuldade em fazer um prato diferente. É preciso reforçar, mesmo que a capacidade financeira seja limitada.
Precisamos também de um “Sistema 2” para nós. Não podemos recuperar, ao primeiro contratempo, o “tu votaste em X, eu em Y”. Aceitar o que decidimos não significa baixar a exigência. Pelo contrário. Apoiar não é conformar.
Uma coisa é certa: uma derrota não define uma época, mas ignorar sinais conhecidos pode defini-la. Se é verdade que as férias acabam, também o mercado acabará. Até lá, talvez seja boa ideia pensar devagar. E agir depressa.
Em campo, a começar pelo jogo de sexta-feira. Um bom tónico para fazer esquecer a entrada em falso."

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