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terça-feira, 8 de setembro de 2026

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‘Ó tempo volta pra trás’, não é?


"Não se trata do regresso aos ‘quinhentinhos’, porque acredito na honestidade do atual quadro de árbitros. Mas o que se está a passar na Arbitragem, devolvida ao corporativismo e à opacidade, representa um retrocesso ao qual a Liga se deve opor publicamente, sob pena de ver degradado o produto que tem para vender…

Os mandatos de José Fontelas Gomes à frente do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF foram marcados por um reformismo responsável, que lançou bases, através da introdução (e aprendizagem do uso) da tecnologia, e por uma crescente transparência, suscetível de credibilizar o setor junto da opinião público e torná-lo merecedor de maior confiança por parte dos clubes. Em retrospetiva, foram anos positivos, que culminaram com a apresentação de um projeto, inspirado no que é feito em Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, que visava dotar a arbitragem de uma autonomia a rondar a independência, sob o primado da meritocracia. Fez bem Fernando Gomes quando apoiou Fontelas Gomes, voltou a estar bem Pedro Proença quando o convidou para ser um dos seus vice-presidentes. Sem roturas, respeitando os árbitros, o caminho apontado foi o da modernidade, aliás o único compatível com a desejada internacionalização. Sempre houve - num contexto em que Pedro Proença, então presidente da Liga, não tinha nada a ver com a Arbitragem - a noção de que era de que o ‘plantel’ era genericamente fraco, o que levou, até, que fosse adotada como política a nomeação de árbitros menos qualificados para as quatro linhas, salvaguardados por VAR’s qualificados, que minimizavam os erros. Ao mesmo tempo, um processo intensivo de procura de candidatos em todo o País e cursos sucessivos que visavam melhorar as competências do quadro existente, foi implementado. Não foi um caminho perfeito nem isento de erros, mas, pelo menos, teve o mérito de atenuar o corporativismo e acelerar a transparência.
Quando Luciano Gonçalves sucedeu a Fontelas Gomes (e ambos chegaram à Cidade do Futebol vindos da liderança da APAF), pensou-se que haveria uma evolução na continuidade, que viesse a desaguar num organismo autónomo que blindasse os árbitros de influências externas e não tivesse nada a esconder. Depois de um ano de Primavera, no pós-Fontelas Gomes, o Inverno abateu-se sobre a Arbitragem, que regressou à Idade das Trevas. Mas por que razão deixaram de ser públicas as classificações dos árbitros? Por que razão acabaram as sessões de esclarecimento, que tinham por objetivo fazer pedagogia e aproximar o setor de um público-alvo que passaria a ser mais conhecedor? Por que razão voltámos a ter a Arbitragem sob escrutínio do Ministério Público? Resumindo, tudo por más razões: por medo de se concluir pela impreparação; por medo de explicar as más decisões; por medo de se perder o controlo aplicando, a meritocracia, promovendo os melhores e erradicando os que mostraram não ter qualidade. Na prática, tudo o que temos visto neste setor, remete-nos para uma triste conclusão: o CA não passa de uma APAF com outra sigla; a APAF, como sindicato dos árbitros que é, defende-os sem outra preocupação, cumprindo a sua função; ao CA pede-se mais, pede-se que defenda a Arbitragem, nem que para tal tenha de cortar a direito, separando o trigo do joio entre os árbitros, o que, manifestamente, deixou de fazer. Neste momento há duas APAF’s, uma que faz o seu trabalho, a outra que está a provocar um retrocesso civilizacional, a partir da Cidade do Futebol. E os clubes vivem bem com isto? A Liga, que quer argumentos para internacionalizar o produto que vende, não diz nada? Francamente, se calhar sou eu que estou enganado e o destino da Arbitragem portuguesa passa por ser uma sociedade secreta, obscura nas intenções e opaca na forma, de cuja substância é lícito desconfiar. A prazo, quem são as principais vítimas deste processo que olha o futuro pelo retrovisor? Os árbitros. E mais cedo do que mais tarde vão perceber porquê…

CARTAS
ÁS
Gianluca Prestianni
O jovem argentino assinou nos Barreiros um golo de invulgar qualidade, que coroou uma exibição de grande nível a partir do momento em que passou a jogar nas costas do ponta-de-lança. Marco Silva deve aprofundar esta fórmula, retirando a Prestianni tiques de individualismo.

REI
João Almeida
O décimo lugar na etapa que culminou na subida da Sierra de La Pandera mostrou-nos como os quilómetros que tem vindo a acumular lhe estão a fazer bem. Numa Vuelta horrível para a UEA, João Almeida tem vindo de menos a mais, dando esperança de que o pior tenha passado…

DUQUE
Miguel Oliveira
O que se passa? Ainda é demasiado novo e talentoso para se falar no ocaso de uma carreira que já lhe rendeu cinco vitórias na categoria-rainha do motociclismo, o MotoGP. É falta de confiança? São más escolhas quanto às equipas? Há uma legião de admiradores que quer o Falcão de volta.

CAPA
As sombras mandam na Cidade-Luz
O que se passa com o bi-campeão europeu, a escassos dias de iniciar a luta pelo tri na Champions, proeza que só Real Madrid (duas vezes, Di Stefano e CR7), Ajax (de Cruyff) e Bayern (de Beckenbauer) lograram? Depois de dois empates, à terceira jornada a equipa de Luís Enrique perdeu com o Mónaco no Parque dos Príncipes, lançando dúvidas quanto às alterações introduzidas. Na derrota com o Mónaco, dos ‘novos’, estiveram Akliouche como titular e Ferrán Torres e Godts, como suplentes utilizados. Só.

FOTOLEGENDA
SOLIDÁRIOS
Há quem diga que o melhor do futebol são os jogadores. Infelizmente nem sempre é assim (o match-fixing é a mais recente tentação…), mas é-o em suficientes ocasiões para que se aceite o pressuposto. Adversários no segundo anterior, dragões e cónegos uniram-se em torno do infortúnio de Froholdt, que teve de abandonar em maca o relvado do anfiteatro portista e passar a noite no hospital. Há uma dimensão (por enquanto) de pureza que resvala para ingenuidade, que junta quem se combate dentro das quatro linhas, quando o que está em causa vale mais que o futebol. Uma lição não só para os adeptos, mas também para a sociedade."

Um olhar aos ‘grandes’ no arranque do campeonato


"Após cinco jornadas da Liga, primeira análise aos três 'grandes'. Interessante o que Benfica, FC Porto e Sporting nos têm revelado neste começo de temporada

As cinco primeiras jornadas da Liga Portugal mostraram o acentuar do desequilíbrio competitivo entre os três grandes e os restantes clubes. Um fosso que vai cavando cada vez mais fundo, temporada após temporada, pela escavadora da discrepância orçamental entre uns e outros, e que transforma o campeonato numa corrida a três, em que é altamente desaconselhável a Benfica, FC Porto e Sporting cederem pontos frente aos demais e que, por isso, redobra a importância dos duelos diretos.
Isto não quer dizer que o título venha a decidir-se em dérbis e clássicos. Ocorrerão inevitáveis escorregadelas frente aos restantes, além das que já atrasaram o Benfica, contra o Académico de Viseu, na Luz, e o Sporting, frente ao Estrela, na Reboleira, logo na jornada inaugural. Mas, reforce-se, são resultados pouco ou nada recomendáveis, por se perspetivar esporádicos e pouco desculpáveis, tal a diferença de qualidade entre os grandes e os outros.
Essa disparidade não torna necessariamente o campeonato português pouco competitivo. Em escassos campeonatos europeus principais existem três equipas que lutam pelo título quase até ao fim, praticamente todas as épocas. Mas torna os jogos entre águias, dragões e leões e os clubes mais pequenos pouco interessantes, quase sempre de sentido único, reduzidos, em muitos casos, a uma questão de tempo de resistência das outras equipas.
Essa menor qualidade das equipas não-grandes tem, naturalmente, outra consequência: torna ainda menos interessantes os jogos em que estes se defrontam entre si. Por isso, o campeonato português é nivelado por baixo quando comparado com os principais campeonatos europeus.
No jogo jogado, neste início de temporada, pode aferir-se o seguinte.
O FC Porto manteve a bitola da temporada transata, na sequência de uma atualização cirúrgica do plantel que lhe permite conservar rotinas. Os dragões não praticam um futebol que deslumbre - não o praticaram, de resto, na bem-sucedida época passada - mas jogam mais do que o suficiente para estarem sempre perto da vitória contra os pequenos, condição que promovem com uma atitude competitiva forte, com bastante raras oscilações e ainda menos falhas. Os resultados após cinco jornadas são esclarecedores: só vitórias, todas ou quase todas conseguidas sem sobressaltos.
O Sporting procedeu a uma verdadeira revolução no plantel. Numa perspetiva de fim de ciclo, depois de um bicampeonato, saíram alguns jogadores fundamentais nessa conquista e entraram mais, cuja garantia de substituição equivalente está longe de ser certa. Há valor nos reforços, e alguns entraram diretamente para as primeiras escolhas do treinador, que, por entre críticas vindas das bancadas movidas pela impaciência e por indiscutível falta de empatia com o técnico, que tem feito um trabalho meritório de integração e de estabelecimento de um coletivismo suficientemente competitivo em tão pouco tempo. Isso tem permitido aos leões, por ora, mostrarem virtudes consonantes com as ambições de um candidato ao título.
Quem esperaria que, despojada de metade dos titulares, a equipa mantivesse imediatamente o nível? Quem esperaria que o treinador não precisasse de tempo - e de tolerância dos adeptos para as inevitáveis falhas?
No Benfica, outra revolução, mas mais discreta do que a do Sporting, digamos, que em continuidade, embora com mudanças arrojadas: importantes saídas de jogadores que custaram caro - algo que se repete nas últimas temporadas, mas que, mais do que necessário, se tornou obrigatório - e entradas igualmente significativas, também uma prática costumeira nos anos recentes.
Apesar de só um reforço apresentar valor acrescentado garantido e indiscutível, Palhinha - uma contratação que contrasta, para melhor, com as realizadas pelo clube nas últimas épocas, à exceção do regresso, por sinal nada consensual, de Rafa -, e de se ter encontrado central pendular em Lenglet (substituição direta de Otamendi, mais do que de António Silva), há ainda reforços de algum renome, mas por provar, como Echeverri, concorrente para o pouco influente Sudakov, ou El Karouani, destinado ao lado esquerdo da defesa, que, tal como o direito, estava (está) carenciado.
Ainda assim, a melhoria exponencial do futebol praticado pela equipa resulta, sobretudo, do muito maior rendimento de jogadores que permaneceram. O melhor exemplo é Prestianni, cujo enorme talento, agora aplicado de forma consistente, tem feito toda a diferença. Depois, Rafa, indiscutível pelo mesmo motivo do argentino: talento, classe e diferenciação. E haverá Aursnes melhor do que Barreiro? A isso junta-se a veia goleadora de Pavlidis.
É, portanto, um Benfica que, mais do que através das novidades, parece estar a crescer pela valorização do que já tinha - e que, neste início de época, encontrou nos jogadores que permaneceram uma boa parte das respostas que procurava."

Ricardo Jorge Costa, in A Bola

20 Anos Benfica Campus | Episódio 6

BI: Megafone #292 - Barreiro nos Barreiros, problemas à direita

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E14 - Marítimo...

Visão - S08E07 - Tango nos Barreiro"s"

Backstage | #FutsalBenficaFem 3-1 GCR Nun'Álvares | Supertaça 2026

Heliografias !!!!

Sempre os mesmos!!!

Encomenda...

Degredo

Farinha do mesmo saco!

Quem vai combater o novo Apito Dourado, época 2026/2027?

BF: Banjaqui...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O melhor e o pior da jornada 5 da I Liga

Observador: E o Campeão é... - Três clubes na Champions vai isolar ainda mais os grandes?

Observador: Três Toques - Os mamilos de Alcaraz e o guarda-redes que levou com a trave

Liga: Estoril 0 - 0 Arouca

Supertaça ganha


"Em futebol no feminino, o Benfica alcançou a 4.ª Supertaça do seu palmarés, ao ter vencido o FC Porto por 5-1. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Triunfo claro
O Benfica goleou o FC Porto e conquistou, pela 4.ª vez, a Supertaça de futebol no feminino. Este triunfo surge na sequência da dobradinha conseguida na temporada passada. Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, sublinha o "percurso extraordinário, construído com talento, competência e uma exigência que se renova a cada época".

2. Outros resultados
Os Juniores ganharam, por 1-2, na visita ao Alverca. Os Juvenis venceram, por 0-4, no reduto do Estoril Praia. Em basquetebol, o Benfica bateu o Sporting por 91-78 no Torneio Internacional de Viana do Castelo.

3. Movimentações do defeso
Anunciada a saída de 6 atletas da equipa feminina de polo aquático do Benfica.

4. Só há um Benfica
Veja as melhores imagens de mais uma edição do "Só há um Benfica", uma iniciativa do Museu Benfica – Cosme Damião.

5. 20 anos do Benfica Campus
Veja o 5.º episódio da série dedicada ao 20.º aniversário do Benfica Campus."

Quando quer, o jogador ganha sempre


"A pressão raramente cai em cima deles, mas conseguem despedir treinadores e massacrar dirigentes até conseguirem o que querem. Muitas vezes, transferirem-se para o rival. Ou jogar como pretendem

Gosto mais de jogadores e treinadores do que de dirigentes. Muitos tratam-nos como mercadoria, e entendem que os verdadeiros adeptos são apenas aqueles que gostam deles.
Nas últimas décadas, os jogadores aperceberam-se do seu poder. Não só de que têm direitos, para lá dos deveres habituais e dos votos de silêncio e de comportamento, que assinam em regulamentos internos. Aperceberam-se também que conseguem ter força para ganhar guerras, dependendo do seu valor.
Quando os jogadores ganham, o clube geralmente perde, mesmo que seja ressarcido. Enzo Fernández, por exemplo, quis sair do Benfica ao fim de seis meses e saiu, agora quis deixar o Chelsea e foi transferido para o Manchester City, o maior glutão inglês. Cem milhões no banco ou na bancada? Nem pensar! Mesmo que o substituto possa não ser tão bom ou até não se adaptar.
Já que falamos do Chelsea lembremos Xabi Alonso. A sua revolução do Real Madrid foi travada pelos jogadores, que viam a mudança como atentado ao seu estatuto, mesmo que tornasse a equipa mais forte e coletiva. Florentino deixou o compatriota a arder sozinho até que se decidiu por Arbeloa. E mesmo com as estrelas mais felizes, os merengues nada ganharam. Em Londres, Alonso iniciou nova revolução. Pode não chegar ainda para bater o Arsenal, porém os blues voltaram a parecer uma equipa.
Ao mesmo tempo que Alonso projetava o novo Real, Ruben Amorim iniciava uma segunda temporada, a primeira desde o início, no Manchester United, tentando levantar um gigante que há décadas não se ergue do chão. Rashford foi emprestado, Mainoo estrebuchou por ser suplente e as velhas glórias não perderam oportunidades para embirrar com o 3x4x3. Com os resultados intermitentes não só o poder do técnico passou a estar ameaçado a partir de cima como um adepto achou que uma promessa capilar poderia desbloquear defesas e vitórias.
A direção cedeu. O manager passou a treinador. Interino uma vez, interino duas ou três, Michael Carrick libertou os jogadores das ideias que os podiam ajudar e a liberdade e alegria reencontradas no caos empurraram o clube até à Champions. Carrick ficou, Mainoo é titular, Rashford regressou. Esta época, em três jogos ganhou um. Entretanto, Amorim pegou noutro gigante e está a conseguir competir. Sem dirigentes que resistam à pressão, não há revolução com final feliz. Mesmo com um bom couro cabeludo."

Isto está mau para os amantes da estética


"Não está grande coisa para os apreciadores da estética e esta semana foi um rombo grande para esse grupo de românticos arraigados, tolos talvez, para quem a arte é tão ou mais importante que um resultado e nem venham com os dados e as estatísticas e a inteligência artificial.
Começou com Lionel Messi a dizer adeus à seleção argentina. Com uma carta escrita à mão, imagine-se, negando a modernidade, ato de profunda afronta ao mundo atual - incrível como um simples papel gatafunhado se tornou numa peça de grande originalidade nesta era de AI slop, em que qualquer prompt num chatbot dá origem à mesma imagem, ao mesmo texto, à mesma falta de individualidade.
Não é o adeus ao futebol, é certo, mas de agora em diante dificilmente haverá jogos históricos para Lionel, aqueles que entram no folclore de uma civilização, que geram histórias, contos, t-shirts estampadas, tatuagens, feriados. Acabaram-se os Mundiais, as Copas Américas, já para não falar de Ligas dos Campeões, onde é que isso já vai. Messi limitar-se-à a fazer reviengas quase de exibição na MLS, entre duas palmeiras ou em qualquer cidade industrial norte-americana, em jeito de turné de despedida, e isto não é qualquer tipo de desmerecimento, apenas a normalidade a acontecer a quem já tem 39 anos e fez tudo o que havia para fazer no futebol. O sol de Miami é um bom sítio para a pré-reforma.
Tal só mudará se, hipoteticamente, Messi ainda quisesse experimentar o futebol argentino, talvez o seu Newell’s Old Boys de Rosario e aí qualquer jogo com River, Boca, principalmente com o arquirrival Rosario Central seria quase uma Champions, assunto para páginas e páginas de jornais, de vox pops nas ruas de Buenos Aires que mais pareceriam um simpósio de filosofia, tema para o ressuscitar do lirismo mais estouvado e os cânticos mais belos vindos dos barras bravas que não dão descanso à goela durante 90 minutos nas bancadas populares.
Mas se fosse para acontecer, talvez já tivesse acontecido. Talvez tudo isso seja demasiado caótico para a mente organizada de Messi. E Messi, como diz aquele menino argentino, Salvi, com o ar mais adulto do mundo, como se estivesse a falar da decisão mais importante da história dos humanos bípedes (e não é?), merece descansar, fez tudo o que era possível e impossível fazer com a bola colada ao pé. Desenhou as mais belas criações e pelo caminho ainda ganhou muito, o que é obra. Mas o tempo não perdoa para as carnes e as articulações até de quem é um artista e a eternidade existe, claro, mas nas nossas memórias.
Se o adeus de Messi era uma inevitabilidade, porque o tempo vive das suas inclemências, outras artes vão desaparecendo e aqui já não por causa do tempo como grandeza física, como medida de duração das coisas, mas o tempo enquanto circunstâncias, estado das coisas, os tempos bobdylianos que estão a-changin’.
O jogo entre Ben Shelton e Stefanos Tsitsipas da 4ª ronda do US Open seria apenas mais um jogo na cadeia de um torneio do Grand Slam se o resultado não tivesse marcado o fim de uma era, um sinal dos tempos, tempo enquanto determinada realidade.
Desde os inícios desses tempos, tenisticamente falando, que em todas as temporadas houve pelo menos um jogador com esquerda a uma mão numa meia-final num dos torneios major, Open da Austrália, Roland-Garros, Wimbledon e US Open. Com a derrota do grego Tsitsipas, essa longa série de 150 anos, que vinha desde 1877, na primeira edição de Wimbledon, terminou. Acabou, finito, puff.
E acabou não porque alguém se reformou, mas porque a modalidade caminha para outros terrenos, onde a força dá mais garantias que o toque de bola, onde a porrada é mais valiosa que a souplesse. Mais do que uma questão do que é inato, vem a estatística: uma esquerda a duas mãos é muito mais eficaz a controlar a bola do que a mais natural pancada a uma mão, mais bela e repentista, graciosa e mágica, também mais imprevisível, para o bem e para o mal. Se Messi fosse tenista, seguramente jogaria com a esquerda a uma mão.
À conta de resultados, retira-se a individualidade e a naturalidade aos atletas. São estes os tempos. No ténis como em outras modalidades. Como disse Roger Federer, mago da esquerda a uma mão, os miúdos já não treinam essa pancada porque praticamente já não há treinadores que a usem. Paulatinamente ela irá desaparecer e com ela uma parte importante da estética no ténis. Isto está mesmo mau para quem ainda procura beleza no desporto."

Transforma - Passa a Bola #228 - LIGA PROENÇA: A LIGA DA BATOTA, DA FRAUDE E DA VARGONHA

No Princípio Era a Bola - A liberdade de Alberto Costa, a super-cola que é Luis Suárez e Leandro Barreiro, o homem para uma missão

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - O "fervor" dos turcos e o regresso do "brother" Leão a Alvalade por Jéssica Silva

Zero: Ataque Rápido - S09Eo6 - A calma antes do furacão europeu

Throne: Deadline Day Makes No Sense in Portuguese Football

Santana: Prestianni é novo Messi? Daniel Banjaqui terá espaço? Benfica convence contra Marítimo

DeLetra #52 - ⚽ ESPECIAL CHAMPIONS - City no Dragão e Sporting x Rafa Leão

ACF: BENFICA 5-1 FC PORTO: CINCO GOLOS, CINCO ESTRANGEIRAS E UM FC PORTO QUE DESISTIU APÓS O 3-1

Tailors - Final Cut - S06E37 - Nuno Lobo

Segundo Poste - S06E05

MasterVi: Mercado Benfica...

Oliveira: PORTO BATE MOREIRENSE E SPORTING BATE NACIONAL! RIJOS!

DAZN: Premier League - Jornada 3 - Golos

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

DAZN: F1 - A remontada épica de Antonelli

BolaTV: Falso Plano #138 - Uma semana cheia de Aertimanhas

Agosto terminou bem


"1. Que máquina. Já não há palavras que cheguem para descrever as proezas de Fernando Pimenta. Talvez a expressão campeão dos campeões seja a que melhor o define. No passado fim de semana conquistou 2 medalhas de ouro no Campeonato do Mundo de Canoagem na cidade polaca de Poznan. Ganhou o ouro nas provas de K1 1000 metros e de K1 5000 metros. Pimenta tem 37 anos, não é um pormenor.

2. Trata-se do maior canoísta do mundo. É português, de Ponte de Lima, e é atleta do Benfica. É um orgulho para o Sport Lisboa e Benfica ter nas suas fileiras desportivas um campeão desta dimensão inigualável. Só na distância de 1000 metros, Pimenta soma agora 10 pódios mundiais com 4 medalhas de ouro, 3 medalhas de prata e 3 medalhas de bronze. É o atleta mais medalhado da história dos Mundiais de canoagem.

3. O presidente do Benfica esteve em Florença por ocasião das comemorações do centenário da Fiorentina, clube que representou durante sete épocas. Foi recebido como um príncipe aquele que, ainda hoje, é considerado o centrocampista “mais sublime” que alguma vez vestiu a camisola “viola”. Em Florença, no final do século passado, Rui Costa fez 277 jogos, 51 golos e 32 assistências. E dali foi para o Milan, onde conheceu as maiores glórias desportivas.

4. João Palhinha foi muito bem recebido no Estádio da Luz na noite de segunda-feira. O Benfica defrontou e venceu o Estoril e Palhinha entrou em campo pela meia hora de jogo para substituir Enzo Barrenechea, que saiu lesionado. O internacional português recebeu uma ovação à Benfica assim que pisou o relvado. 

5. Outra coisa, francamente, não se esperaria e foi desse modo que os adeptos presentes no estádio lhe comunicaram como é bem-vindo na nossa casa.

6. Palhinha fez uma excelente exibição ao ponto de ter sido escolhido como o homem do jogo. No fim, teve palavras bem pensadas e de enorme modéstia perante o prémio que recebeu, salientando a importância do coletivo. E fez promessas. “Vou dar sempre tudo. Estou muito feliz, isto é só o começo”, disse. Acredito que terá sido o começo de uma linda história. Agosto terminou bem, não haja dúvida.

7. Ultrapassados o St. Gallen, o Hearts e o Aarhus, logo se seguiu o sorteio da fase de liga da Liga Europa. Não se pode dizer que o Benfica não teve um sorteio simpático. O adversário com maior nome é o AC Milan, contra quem começamos esta caminhada no dia 16 de setembro, em Milão. Que seja uma longa e proveitosa caminhada."

Benfica News, in SL Benfica

Contra as expectativas


"CAVÉM DEMONSTROU QUE A VONTADE DE VENCER CONSEGUE SUPERAR QUALQUER ADVERSIDADE.

O defeso é sempre um período de entusiasmo para os adeptos. A cada nova contratação renovam-se as aspirações a títulos e alimenta-se a esperança de uma época de sucesso. Sem jogos para ocupar as manchetes, a silly season domina o espaço mediático: multiplicam-se as notícias sobre possíveis reforços, sucedem-se rumores e especulações, e uma infinidade de nomes é associada aos clubes, aumentando a expectativa e o interesse dos adeptos.
No verão de 1955, um dos jogadores que mais fez correr tinta foi Cavém. Inicialmente apontado ao Benfica, esteve muito perto de assinar pelo Vitória FC, mas acabariam por ser os encarnados a vencer a disputa pela sua contratação. A aquisição despertou enorme entusiasmo entre os benfiquistas, ansiosos por ver Cavém atuar de águia ao peito. Contudo, poucos dias depois da assinatura do contrato, o avançado sofreu uma grave lesão no menisco, que obrigou a uma intervenção cirúrgica. Os prognósticos apontavam para uma recuperação prolongada, estimada em vários meses.
No dia seguinte à operação, Cavém mostrou-se otimista numa entrevista à imprensa, afirmando que esperava regressar “lá para dezembro”. Os jornais reagiram com ceticismo, considerando tratar-se de um “excessivo optimismo da sua parte, pois normalmente é muito mais longo o período de restabelecimento”.
O tempo acabaria por lhe dar razão. A estreia pelo Benfica ficou agendada precisamente para o primeiro aniversário do Estádio da Luz, frente ao Valência, a 1 de dezembro de 1955. A rapidez da recuperação surpreendeu os próprios jornalistas: “Se não é recorde, deve andar lá muito perto.”
Perante os espanhóis, Cavém entrou algo condicionado, revelando natural receio nos primeiros minutos e evitando os duelos físicos. Porém, à medida que o encontro avançava, foi libertando o seu futebol, impulsionado pela confiança que lhe transmitia o apoio vindo das bancadas. A sua exibição cresceu de rendimento, apesar de o Benfica ter recolhido aos balneários em desvantagem por 2-1.
A segunda parte começou de forma demolidora para os encarnados. Apenas três minutos após o reatamento, José Águas restabeleceu a igualdade. O Benfica assumiu o controlo da partida e Cavém evidenciava-se cada vez mais. Aos 81 minutos, correspondeu da melhor forma a um cruzamento longo de Salvador e marcou o golo que fixou o resultado em 3-2, selando uma reviravolta memorável.
No rescaldo do encontro, a imprensa foi unânime nos elogios ao avançado, afirmando que “a estreia de Cavém agradou a gregos e troianos”. Destacava-se não apenas a extraordinária rapidez com que superara uma lesão grave, mas também a forma como se adaptara imediatamente ao novo contexto competitivo. A estreia de Cavém representou a afirmação de um jogador capaz de transformar a adversidade em motivação e demonstrou que ele possuía uma das características mais valorizadas na história do Benfica: a capacidade de nunca desistir perante os obstáculos.
Saiba mais sobre este magnífico jogador na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Aulas de Pilates


"Ao passar a barreira dos 50 anos, sinto-me mais preso de movimentos e vão aparecendo dores nos músculos, contraturas e pontadas na espinha que não eram habituais. Faz parte do envelhecimento e uso da máquina. Aconselharam-me Pilates, um popular método de exercícios criado na década de 1920 por um alemão que lhe deu o nome. A ideia é que se trabalhe uma conexão entre corpo e mente, tratando e prevenindo problemas na coluna vertebral. Por questões físicas, estou tentado a experimentar, mas não deveria ser o único a fazê-lo.
O senhor Joseph Pilates nunca imaginou que o seu método pudesse ser a receita ideal para alguns dos grandes entendidos do futebol português. Não vejo melhor solução para tanta basculação de coluna (ou ausência dela) a que se tem assistido neste início de temporada. Em especial quando se fala do mercado de contratações do Glorioso em comparação com o que tem andado a fazer a dupla de amigos do Altis. Deve ser difícil conseguir dormir à noite com tanta reviravolta de opiniões, estiramento do músculo da verdade e falta de flexibilidade para conseguir elogiar o que foi feito de positivo.
Não sendo possível, e enquanto não chegam as aulas de Pilates para os especialistas, resta-nos continuar a ver a equipa masculina do SL Benfica a jogar, com os mesmos jogadores do ano passado e mais algumas contratações que surgiram – para os experts – do nada e só puderam opinar sobre elas quando desembarcaram nas Chegadas da Portela. Por dá cá aquela Palhinha, vão desancando em tudo, mantendo bem colocadas e ainda melhor forradas as palas das cores dos seus pobres e limitados corações."

Ricardo Santos, in O Benfica

No bom caminho


"Após 9 jogos oficiais realizados, com o primeiro objectivo da temporada cumprido (a entrada na fase regular da Liga Europa), já podemos ver como e para onde caminha este Benfica.
De forma inteligente, Marco Silva montou um onze-base totalmente formado por jogadores que não haviam estado presentes no Mundial. Isso permitiu ganhar rapidamente rotinas, com atletas frescos e disponíveis, e ir ultrapassando, um a um, os obstáculos europeus que surgiram pelo caminho. Vice-campeões da Suíça e da Escócia e campeão da Dinamarca, foram cilindrados com resultados agregados de 6-2, 7-2 e 6-2 respectivamente. Não fosse o tropeção diante do Académico de Viseu (jogo em que os adeptos, manifestamente, fizeram falta), e estaríamos perante um início de época perfeito.
Agora, em cima de vitórias e de boas exibições, quem chegou mais tarde tem de esperar a oportunidade para entrar na equipa titular. A lesão de Enzo Barrenechea permitiu a estreia antecipada de João Palhinha – contratação que mais entusiasmo gerou entre os benfiquistas, tratando-se de um experiente internacional que, pese embora a passagem pelo rival de Alvalade, ostenta o cartão de sócio do nosso clube desde a infância.
Mais tarde ou mais cedo, o agora capitão Aursnes voltará, também ele, à equipa. E assim ficaremos com um meio-campo bastante versátil e robusto. Na frente, Prestianni está a afirmar-se como um craque, Pavlidis tem marcado em todos os jogos e Rafa vive um excelente momento. Olhando para o nosso melhor onze, do meio- -campo para a frente já podemos ver uma equipa com perfil de campeã.
Há, porém, muito trabalho a fazer no processo defensivo. É esse o desafio para as semanas que se seguem: tornar a área do Benfica uma fortaleza inexpugnável, onde não sejam concedidas tantas oportunidades nem permitidos golos aos adversários."

Luís Fialho, in O Benfica

Quando um sonho entra em campo


"Todos sabemos que um clube de futebol não é apenas de futebol e, quando se trata do Benfica, esta verdade atinge proporções épicas no campo social. Quando uma criança com uma doença rara entra num estádio, conhece os jogadores que admira, pisa o relvado ou recebe a camisola do seu ídolo, aquilo que acontece não cabe no resultado de um jogo. Para estas crianças e para as suas famílias, tantas vezes obrigadas a viver entre hospitais, tratamentos, incertezas e uma rotina que pouco tem de normal, realizar um sonho significa recuperar, por algumas horas, o direito à normalidade de ser criança, criando uma memória inesquecível para uma vida em que nem sempre abundam razões para sorrir.
Mas estes momentos têm uma força ainda maior porque não são vividos apenas por quem recebe e, nesse sentido, transformam também quem participa: em primeiro lugar os jogadores, habituados à pressão da competição e à exposição pública, reencontram a dimensão mais humana da camisola que vestem e percebem a multiplicidade de razões pelas quais os benfiquistas chamam Sagrado ao seu Manto. As bancadas, claro está, compreendem-no imediatamente: milhares de adeptos emocionam-se com uma criança que talvez nunca tinham visto antes, apesar da onda mediática das redes sociais, e aplaudem-na como se fosse um golo, ofertando-lhe a imensa energia da união da família benfiquista reunida em torno de si e mostrando à criança e aos pais que não estão sozinhos.
Esta é também, sem dúvida, parte da extraordinária responsabilidade social que cabe aos grandes clubes e que o Benfica assume ao usar a sua notoriedade, os seus símbolos, os seus atletas e a força dos seus adeptos para oferecer pertença e produzir felicidade e esperança. É certo que sonhos não curam, mas agigantam a vida, erguem cabeças e abrem sorrisos. Na Luz ainda mais. Como o Velho Capitão disse um dia: “Só nós sentimos assim!”"

Editorial


"1. Na capa deste jornal O Benfica, espaço central para os reforços assegurados neste final de mercado, capazes de oferecer mais variedade e potencial ao onze do Benfica. Avista-se uma dupla jornada para o Campeonato antes da receção ao Gil Vicente no Estádio da Luz, e é sobre esses adversários, diante dos quais se ambiciona somar 6 pontos, que nos debruçamos também nas primeiras páginas desta edição.

2. É uma carreira notável de um campeão que orgulha todos os benfiquistas, competição atrás de competição. Fernando Pi - menta selou mais duas medalhas de ouro nos Mundiais de canoagem e está igualmente em destaque nesta edição. Aos 37 anos, Pimenta mantém-se no topo como o melhor do mundo, ele que é um embaixador ímpar dos valores do Clube e do Benfiquismo. Parabéns, Fernando Pimenta. Estamos gratos por este trajeto de excelência e por essa extraordinária vocação para vencer.

3. Foi um momento sublime de solidariedade e emoção antes da partida com o Estoril: Salvador cumpriu o sonho de vir ao Estádio da Luz e estar próximo dos jogadores do Benfica. A entrada no relvado com Rafa, passo ante passo, com um só dedo que nos ligava a todos, mais de 63 mil nas bancadas, deixou-nos emocionados e orgulhosos de uma Fundação Benfica que vai muito para além do Clube. Esta é a tua casa, Salvador! Para acompanhar neste jornal e rever em imagens de vídeo nas várias plataformas do Benfica, porque o momento é de singular sensibilidade e ternura.

4. Três Supertaças em disputa neste fim de semana, para acompanhar ao minuto nos vários meios do Benfica. Nas páginas deste jornal, lançamos um olhar sobre a ambição das nossas Inspiradoras em trazer mais um troféu para o Museu Cosme Damião pelas palavras da nossa capitã, Pauleta. No futsal, a determinação em voltar a celebrar uma conquista depois dos Campeonatos conquistados é enorme e, com o apoio dos adeptos em Vila do Conde, partimos para finais no futsal masculino e feminino com ambição de vencer. Força, Benfica!"

Pedro Pinto, in O Benfica