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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

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Fisioterapia no desporto: um compromisso global com a saúde dos atletas


"A fisioterapia no desporto vai muito além do tratamento e da recuperação de lesões. Para além de contribuir para uma reabilitação eficaz, os fisioterapeutas assumem um papel essencial na prevenção de lesões, na otimização do desempenho e na manutenção da saúde do atleta ao longo da sua carreira. O grande objetivo de muitos fisioterapeutas é integrar este contexto, acompanhando os atletas ao longo da época e contribuindo para que se mantenham saudáveis e ativos. A intervenção centra-se, sobretudo, na minimização do risco de lesão, permitindo aos atletas treinar e competir de forma segura e consistente ao longo da época.
O Dia Mundial da Fisioterapia é celebrado anualmente a 8 de setembro e destaca o papel desta profissão na promoção da saúde. Uma ideia fundamental é que uma carreira desportiva sustentável começa antes de surgirem lesões.
A prevenção assume, por isso, um papel essencial tanto na proteção da saúde do atleta a longo prazo, permitindo reduzir o risco de lesão, como na prática desportiva segura e consistente. Pode ser dividida em prevenção primária, secundária e terciária. A prevenção primária de lesões em jovens atletas centra-se na promoção da atividade física regular, na utilização de técnicas de treino adequadas e numa correta gestão de carga. A prática de diferentes modalidades desportivas, em vez da especialização precoce, favorece um desenvolvimento saudável e pode reduzir o risco de lesões por sobrecarga e de abandono desportivo.
Apesar da eficácia de vários programas de prevenção, a sua implementação e manutenção a longo prazo continuam a ser um desafio. A colaboração entre atletas, treinadores, pais e profissionais de saúde é fundamental para promover uma prática desportiva segura e minimizar o risco de lesões. Ainda assim, nenhum programa consegue eliminar totalmente esse risco, tornando essencial uma intervenção adequada quando ocorre uma lesão.
A prevenção secundária assume um papel fundamental no acompanhamento de atletas que sofreram uma lesão, apresentam risco de recidiva ou desenvolveram uma disfunção persistente. Na fisioterapia desportiva, procura-se orientar o processo de recuperação, restaurar a função, promover um regresso seguro à prática desportiva, reduzindo o risco de nova lesão e contribuindo para a longevidade da carreira. A reabilitação deve incluir um treino funcional progressivo e adequado. É igualmente importante identificar as causas da lesão ou da recidiva, considerando fatores biomecânicos, fisiológicos e contextuais.
A avaliação deve incluir aspetos como alterações do movimento, excesso de carga de treino ou competição, défices neuromusculares e estratégias de movimento inadequadas. Desta forma, é possível ajustar a intensidade do treino, melhorar o controlo neuromuscular, a estabilidade articular e a capacidade do atleta para suportar as exigências do desporto.
Cada lesão representa uma oportunidade para recuperar, mas também para preparar o atleta para os desafios futuros. O processo não termina com o regresso à competição. A prevenção terciária procura reduzir o risco de novas lesões e preservar a saúde e o desempenho do atleta a longo prazo. Para isso, é fundamental um acompanhamento contínuo e multidisciplinar, com o objetivo de prolongar a carreira desportiva de forma segura e sustentável.
A fisioterapia assume um papel fundamental, através de programas de reabilitação baseados na evidência e de uma gestão adequada e contínua da carga de treino. A educação do atleta sobre gestão de carga, monitorização dos sintomas, recuperação e manutenção da condição física é também essencial para promover a autonomia, reduzir o risco de recidiva e prolongar a carreira desportiva. A manutenção da saúde do atleta deve ser encarada de forma contínua, integrando a prevenção primária, secundária e terciária ao longo da sua carreira.
As lesões são uma realidade frequente no futebol, podendo comprometer o rendimento dos atletas e das equipas. Por isso, conhecer as lesões mais comuns, identificar os principais fatores de risco e implementar estratégias de prevenção é fundamental para reduzir a sua ocorrência e minimizar o tempo em que os jogadores estão afastados da competição.
Embora seja frequentemente associada ao desporto de alto rendimento, a fisioterapia desportiva não se destina apenas aos atletas profissionais. Atletas amadores, praticantes de exercício físico e pessoas que realizam atividade física de forma recreativa também podem beneficiar do acompanhamento e das estratégias da fisioterapia, tanto na prevenção como na recuperação de lesões.
No futebol profissional, são investidos milhões de euros em contratações e salários de atletas. No entanto, estes investimentos podem ser significativamente afetados quando não existe uma estrutura técnica e clínica adequada. Uma boa gestão da saúde dos jogadores, aliada a uma equipa médica qualificada e a uma correta monitorização das cargas de treino e competição, é essencial para manter os atletas disponíveis e prolongar as suas carreiras. Esta realidade é ainda mais relevante nos clubes com menores recursos, onde as estruturas médicas e os profissionais disponíveis podem ser mais limitados.
Há vários fisioterapeutas portugueses com um percurso muito forte no desporto de alto rendimento. A crescente procura por fisioterapeutas portugueses por parte das melhores ligas internacionais demonstra a valorização crescente destes profissionais no contexto do alto rendimento.
Clubes com estruturas altamente desenvolvidas procuram profissionais qualificados, com experiência na prevenção, reabilitação e gestão da saúde dos atletas. Esta realidade cria novas oportunidades para os fisioterapeutas portugueses, que podem encontrar no estrangeiro melhores condições salariais, profissionais e de desenvolvimento de carreira.
Consequentemente, os clubes portugueses enfrentam o desafio de valorizar e reter estes profissionais, reconhecendo a sua importância para a saúde, disponibilidade e desempenho dos atletas. A saída destes profissionais representa não só uma perda de talento, mas também a necessidade de repensar o investimento que os clubes fazem nas suas estruturas clínicas e na valorização dos seus recursos humanos."