Últimas indefectivações

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Um centímetro de VAR é suficiente para salvar o FC Porto?

Juntos


"O destaque na BNews é o regresso à competição do Benfica numa partida com o Vitória SC no Estádio da Luz, hoje às 18h00.

1. Arbitragens polémicas
"VARgonha total".

2. Lutar pelos três pontos
Marco Silva revela a abordagem à partida: "Queremos sentir novamente aquilo que é a envolvência do Estádio da Luz connosco, sentir os adeptos. E temos de fazer a nossa parte, que é, desde o primeiro minuto, demonstrar aquilo que temos vindo a demonstrar em termos exibicionais, em termos de atitude, em termos de exigência para connosco enquanto equipa."

3. Versões virtuais
O FC27 já chegou ao adidas Benfica Campus. Veja as reações dos jogadores do plantel profissional.

4. Últimos resultados (no masculino)
Em futsal, o Benfica ganhou por 1-2 na visita ao Fundão. Em andebol, triunfo caseiro ante o Belenenses (35-31). Em voleibol, derrota por 3-0 ante o CV Guaguas na meia-final da Taça Ibérica. Em hóquei em patins, passagem às meias-finais da Taça Jesus Correia ao eliminar o Murches (6-1). Em râguebi, vitória por 24-23 na receção ao Agronomia. E os Iniciados de futebol golearam o Farense por 0-6.

5. Últimos resultados (no feminino)
Em andebol, o Benfica assegurou a passagem à 3.ª ronda de qualificação da EHF European League Women ao eliminar o ZRK Zrinski Cakovec (21-41 na 2.ª mão). Em basquetebol, vitória ante a AD Sanjoanense por 97-50.

6. Mais jogos do dia
Os Juniores visitam o Santa Clara (14h00 locais). Os Juvenis jogam com o Casa Pia no adidas Benfica Campus (16h00). A equipa masculina de basquetebol visita o FC Porto (15h00). As equipas femininas de voleibol, râguebi e polo aquático defrontam o Clube K (15h00 locais), o CR São Miguel (11h30 no Estádio Universitário) e o Sporting (14h30 em Algés), respetivamente.

7. Contributos internacionais
Várias futebolistas do plantel feminino do Benfica atuaram por seleções, com destaque para a estreia de Ana Clara Oliveira na seleção A brasileira.

8. Mundiais de hóquei em patins
No feminino, Aimée Blackman sagrou-se campeã do mundo por Espanha e outras quatro atletas do Benfica representaram Portugal. Nos Sub-19 masculinos, há três vice-campeões que pertencem aos quadros do Benfica.

9. Emirates Lounge
Novo espaço no Estádio da Luz, com lotação de 160 pessoas, é inaugurado hoje na partida com o Vitória SC.

10. Casa do Benfica de Vila Nova de Gaia
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 22.º aniversário."

Liga: Arouca 1 - 0 Estrela

Liga: Rio Ave 3 - 2 Nacional

Liga: Académico 2 - 1 Estoril

Liga: Casa Pia 0 - 1 Santa Clara

Liga: Marítimo - Corruptos

Liga: Braga 1 - 2 Sporting

Previsível...

ESTA LIGA NÃO TEM EMENDA!


"Ontem um penálti que poderia dar o dois-zero ao Braga não foi assinalado.
Hoje validaram um golo ao Porto em que as imagens mostram fora de jogo e o VAR conseguiu colocar o miúdo polaco um - repito, um! - centímetro em jogo. Isto passou-se ao minuto 88 do jogo e o golo valeu a vitória ao Porto na Madeira.
Faço parte do movimento UNUM que esta semana apresentou uma série de 17 medidas para reformar a arbitragem em Portugal, uma delas o sistema semi automático do fora de jogo. Dificilmente poderia ter sido mais oportuna a divulgação deste documento com essas medidas. https://facebook.com/unumbenfica
A quem interessa que as reformas não se façam? Quem beneficia com a falta de transparência? A arbitragem vive o pior momento desde a introdução do VAR - é para continuar assim que está bem?
A ARBITRAGEM EM PORTUGAL NÃO DEFENDE A VERDADE DESPORTIVA"

1 cm


"Esta é a nova discussão em Portugal, é e irá ser por longos anos enquanto não se tomar uma decisão radical que devolva a credibilidade à arbitragem nacional!
Não há condições para os atuais quadros diretivos, quer da federação, quer da Liga quer da arbitragem se manterem nos cargos.
Não há condições para os atuais quadros de árbitros da primeira categoria e demais se manterem em funções.
Enquanto isto não suceder, enquanto não se uniformizarem os protocolos de avaliação dos lances, enquanto não se eliminar a subjetividade, enquanto não se apostar no produto do futebol português, as competições continuarão a ter ZERO CREDIBILIDADE!
Os escândalos são demasiados, as punições risíveis e os erros grosseiros acumulam-se jornada após jornada sempre em benefício dos listados, sejam azuis ou verdes, é o MANTO VERDE E O APITO DOURADO, a “SANTA ALIANÇA” do futebol nacional que ditam as regras!
Nada mais há a dizer enquanto não houver uma revolução, nem que essa tenha de partir dos adeptos, mostrando novamente a esta gentalha que tem de ser ISENTOS E HONESTOS!"

Uma questão de Latitudes, em Inglaterra estaria em jogo !!!

Cores diferentes !!!

Nada de nada !!!



Caso Ronaldo: ninguém saiu a ganhar


"O abandono de Ronaldo da Seleção Nacional teve um impacto global, fruto do mediatismo do jogador português. Hoje, com mais informação, mantenho a convicção de que não houve um motivo que justificasse uma reação daquela dimensão. A forma como os diferentes intervenientes reagiram aos acontecimentos revela, em grande parte, uma visão pouco clara das suas responsabilidades. A grande pergunta que importa responder é: alguém saiu por cima neste episódio?

FPF, ausência de liderança
Na análise dos três intervenientes, tenho de começar pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a instituição que deveria ter liderado todo o processo. A FPF não pode ficar subordinada a qualquer interveniente ou interesse, independentemente da sua dimensão. A forma como geriu este caso revela fragilidades institucionais e falta de liderança.
Com os dados que são públicos, sabemos que existiu uma reunião entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo, intermediada por uma pessoa externa à FPF. Simão Coutinho é diretor desportivo do clube em que Ronaldo é acionista e trabalha diretamente com o jogador. Pedro Proença, líder federativo, não se encontrava na Dinamarca no momento dessa reunião.
Este episódio levanta duas questões. A primeira prende-se com a intervenção de pessoas externas numa matéria que dizia respeito à gestão da Seleção. A segunda tem a ver com o funcionamento interno da FPF. A presença de vice-presidentes e dirigentes com experiência não impediu que a mediação do conflito fosse assegurada por alguém exterior à estrutura. Fica a dúvida sobre o papel e a autonomia de quem tem responsabilidades na gestão da instituição.
Há ainda outra questão importante: o resultado da reunião. Um presidente da FPF não pode permitir que um jogador procure condicionar aquilo que o seu treinador deve dizer numa conferência de imprensa. A liderança de uma equipa pertence ao treinador e deve ser respeitada por todos.
Depois de Ronaldo ter abandonado a Seleção, a ausência de uma reação pública imediata por parte da FPF foi difícil de compreender. Pedro Proença demorou quatro dias a pronunciar-se e, quando o fez, destacou Ronaldo como símbolo da portugalidade e garantiu que a FPF não era uma casa sem regras. Não defendo que devesse ter adotado um tom agressivo, mas esperava uma posição clara sobre as consequências da decisão de Ronaldo.
Ao não esclarecer essa questão, Pedro Proença não assumiu a sua responsabilidade e não afirmou de forma inequívoca a autoridade da instituição nem o princípio de que as regras se aplicam a todos, independentemente da dimensão do jogador.

Ronaldo, fuga para a frente
A saída abrupta de Ronaldo gerou muita discussão. A pergunta que se instalou foi: afinal, o que aconteceu para o jogador tomar aquela atitude? Houve muita especulação ao longo dos dias, mas, à medida que as informações foram surgindo, tornou-se difícil encontrar uma justificação para uma reação daquela dimensão.
A justificação de que Jorge Jesus tinha prometido a Ronaldo jogar 30 minutos contra a Noruega perde força perante as próprias palavras do jogador. No ponto 5 do documento que Ronaldo queria que Jesus lesse na conferência de imprensa, pode ler-se: «Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. Cristiano concordou.»
Ou seja, o próprio documento, elaborado por Ronaldo e pelos seus consultores, reconhece que não existia um plano inicial para Ronaldo jogar contra a Noruega e que o jogador concordou com a possibilidade de ser utilizado. Esta versão torna menos convincente a ideia de que existia uma promessa inequívoca de utilização. Perante isto, torna-se difícil compreender a dimensão da reação. Mesmo que tenha existido algum desentendimento entre os dois, nada do que foi tornado público parece justificar o abandono da Seleção a meio do estágio.
Para piorar o cenário, o comunicado divulgado por Ronaldo incluía os oito pontos que queria que Jorge Jesus abordasse publicamente. Ao tentar justificar a sua decisão, o jogador acabou por expor ainda mais o conflito e por dar dimensão mundial a um episódio que dificilmente o beneficia. Desde o início, a estratégia seguida foi uma fuga para a frente, sem argumentos suficientemente fortes para justificar a decisão tomada.
Dolores Aveiro foi uma das pessoas próximas de Ronaldo que mais lucidez demonstrou neste processo, quando afirmou: «O meu filho podia sair pela porta grande e assim saiu na porta pequena, mas não faz mal, Deus vai-se encarregar...»
Acredito que estas palavras refletem o sentimento de muitos portugueses e admiradores do jogador. Depois de uma carreira extraordinária, Ronaldo não precisava de terminar este episódio desta forma.

Jorge Jesus não foi marioneta
Já todos conhecemos a forma de liderar de Jorge Jesus. Não foi surpresa para ninguém. Aqui ou ali, podia e devia ter tido mais sensibilidade, mas a verdade é que não fez nada que justificasse a reação de Ronaldo.
Jesus acabou por ter projeção mundial por estar ligado a todo este processo e por se ter tentado passar a ideia de que foi o responsável pelo que aconteceu. Parece-me que, internamente, reforça a sua liderança perante o grupo. Demonstrou que não é uma marioneta e que coloca a equipa em primeiro lugar.
Não vou dizer que saiu a ganhar com tudo isto, porque, sinceramente, acho que todos saíram a perder.

A valorizar: Zalazar
Regressou a Braga. Entrou num momento em que havia espaço e isso beneficia as suas caraterísticas. Foi determinante nos 20 minutos que esteve em campo e ajudou a desbloquear um jogo que parecia complicado para o Sporting.

A desvalorizar: Tiago Craveiro 
É um dos homens-fortes de Ronaldo e esteve envolvido na gestão desta crise, tendo participado nas reuniões com Jorge Jesus e Simão Coutinho. A estratégia escolhida acabou por ter o efeito inverso ao pretendido."

O melhor elefante do mundo


"Volta o campeonato nacional e muda o foco, mas a polémica na Seleção Nacional continua a marcar a atualidade: esteve em destaque nas antevisões dos jogos da jornada feitas pelos treinadores dos três principais clubes portugueses.
Cristiano Ronaldo é incontornável no panorama desportivo mundial — e não só. Temos de nos orgulhar de ele ser português e saber lidar com o mediatismo que o acompanha, nos bons e nos maus momentos. Para além do peso desportivo de CR7, não pode ser ignorada a importância económica e comercial que tem para a Federação Portuguesa de Futebol e para um país que será um dos anfitriões do próximo Mundial. Seguramente, a FIFA não imaginará um Campeonato do Mundo em Portugal sem a bandeira mediática e a influência de Cristiano Ronaldo, capazes de ajudar a pôr em marcha a roda dos milhões.
Portugal também sabe disso, como prova o aproveitamento político do primeiro-ministro, que, com o País a atravessar tantos problemas, finalmente se lembrou do futebol e de lembrar aos portugueses que está atento e em campo no mal-entendido entre Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus e a Federação.
Culpas à parte — porque creio que todos as tiveram nesta novela, uns mais do que outros —, pouco importará agora conhecer mais pormenores sobre o que se passou: os que já conhecemos são sobejamente absurdos. Também pouco deverá importar o castigo que o capitão receberá por ter abandonado o estágio da Seleção. Cristiano Ronaldo, o melhor jogador português de todos os tempos, merece um estatuto diferente, e nem me choca que beneficie de regras disciplinares distintas ou que estas possam ser contornadas para viabilizar o seu regresso à Seleção.
O que mais preocupa é o que virá a seguir: que mal-entendido poderá surgir, que comportamento terão Ronaldo e Jorge Jesus e como reagirá a equipa, que, verdade seja dita, pareceu em campo muito pouco afetada por ter perdido uma referência tão importante. E, já agora, que capacidade terá a Federação para gerir uma situação muito delicada que, na verdade, não controla.
Pedro Proença, presidente da Federação, falouno sábado para dizer muito pouco: que estão a sentar-se à mesa para tratar do regresso de Cristiano e que «todos, sem exceção» querem o regresso de CR7. Aqui já tenho as minhas dúvidas. Se a convicção se estender aos portugueses, sei que nem todos entendem que Cristiano Ronaldo deva voltar como se nada se tivesse passado.
E volta para quê? Para ser titular? Suplente utilizado? Para fazer apenas alguns jogos? Para passear o estatuto e a influência até ter uma despedida mais digna? A não ser que a estratégia seja muito bem montada e todos concordem com ela, o elefante na sala continuará a ocupar cada vez mais espaço — e poderá ser apenas uma questão de tempo até surgir um novo mal-entendido."

Ronaldo de volta à Seleção: todos, sem exceção?


"Pedro Proença, desta vez, não conseguiu evitar os jornalistas e lá teve de comentar o ainda caso do momento. O apelo à tranquilidade também inclui Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo?

O castigo ainda não está decidido, mas Pedro Proença já lançou o mote: o capitão que abandonou o estágio da Seleção Nacional porque não ouviu o que queria do selecionador é para voltar em novembro.
«Isto junta Federação, presidente da FPF, selecionador, capitão, jogadores. Todos, sem exceção, queremos estar juntos novamente em novembro», disse Proença, ontem, horas depois de se saber que o Conselho de Disciplina instaurou um processo a Cristiano Ronaldo, classificado como «urgente». De tão urgente que é, até parece já estar resolvido.
Em novembro, Portugal terá dois jogos, frente ao País de Gales e à Dinamarca, estando já apurado para os quartos de final da Liga das Nações. Cenário ideal, claro, para dar a titularidade a jogadores com menos minutos e que precisem de se mostrar mais a Jorge Jesus - como CR7, suponho. Se a vontade de Proença se concretizar, o castigo de Ronaldo será o impacto que a sua atitude e as suas declarações tiveram pelo mundo. Nada mais, embora não seja pouco...
Entretanto, o capitão voltou aos relvados na passada sexta-feira e marcou um golo ao serviço do Al Nassr (já só faltam 20...). As páginas da FPF nas redes sociais celebraram o feito de um jogador suspenso, como se nada fosse. Curiosamente, Samu Costa, internacional português presente no último Mundial, mas ainda não convocado por Jorge Jesus, não teve direito à mesma honra, apesar de ter marcado no mesmo jogo. Vale para todos, sem exceção?
Para Proença, mais importante agora é apelar à «tranquilidade». Desta vez, o presidente não evitou os jornalistas, o que já é um ponto a favor. A tranquilidade que tanto deseja deixa-me, no entanto, uma questão: é válida para Jorge Jesus, que vai voltar às conferências em novembro sem guião previamente validado, e para Cristiano Ronaldo, cujo comunicado e narrativa dos seus fiéis seguidores têm tantas setas apontadas ao selecionador? Ou só vale para os outros, sem exceção?"

25 anos de futebol e uma novela que ninguém pediu


"Sendo esta a minha primeira crónica em A BOLA, devo ao leitor uma apresentação: sou advogado, sócio fundador da Sociedade de Advogados Almeida & Associados, tendo o futebol sido, desde sempre, o fio condutor da minha vida profissional.
Em 2000/2001, fiz o mestrado do CIES em Sociologia, Gestão e Direito Internacional do Desporto, a que se seguiram praticamente cinco anos enquanto advogado da FIFA, em Zurique.
Desde 2023, integro, na qualidade de juiz, a Câmara de Agentes do Tribunal do Futebol da FIFA. A título pessoal, sendo um adepto de Desporto, sou igualmente sócio do Sport Lisboa e Benfica, cumprindo 50 anos de associado no próximo ano. A iniciativa não foi minha. Foi o meu Pai, a quem muito agradeço, que me proporcionou essa honra e me levou pela mão, por inúmeras vezes, ao antigo Estádio da Luz. Hoje, sou eu quem o leva, a ele e à minha filha, a viver essa paixão.
Mas esse clubismo não afeta a forma como analiso o futebol e muito menos me tolda o raciocínio ou a capacidade crítica. São praticamente 25 anos a trabalhar nesta indústria, debruçando-me permanentemente sobre litígios de diversas naturezas, envolvendo, entre outros, clubes, jogadores, treinadores ou agentes, de todo o mundo, e sem que a cor das camisolas tivesse algum tipo de interferência. Aliás, defendi, em algumas ocasiões, o azul e branco de um certo adversário histórico, funções que desempenhei com a mesma dedicação e o profissionalismo de sempre.
Como se costuma dizer, trabalho e conhaque não se confundem. É, portanto, com total independência que aqui escreverei numa base quinzenal. O leitor merece essa honestidade, e eu não saberia ser de outra forma.
Apresentação feita, permitam-me abordar o assunto do momento com a franqueza que exige. A saída de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção, na véspera do jogo com a Dinamarca, transformou-se numa autêntica novela nacional. Seguiram-se publicações nas redes sociais, promessas de verdades a revelar, notas validadas, versões cruzadas, e até outdoors. Salvo melhor opinião, tudo isto roça o ridículo, sendo altamente desprestigiante para os protagonistas, Seleção e para o próprio país, transmitindo, a muitos de nós, uma incómoda sensação de vergonha alheia.
Mais, julgo ser pacífico constatar que atendendo aos méritos profissionais/desportivos sobejamente reconhecidos tanto a Cristiano, como a Jesus, nenhum deles merece mais episódios deste enredo mexicano, e muito menos merecem os portugueses continuar a ser torturados com este assunto, cada vez que pretendem aceder às notícias.
É certo que existe uma componente financeira extremamente relevante acoplada a este incidente, não estivéssemos a falar do enorme impacto que a marca CR7 possui a nível mundial e que se reflete em inúmeras esferas de negócios, não escapando a isso os cofres da FPF.
Contudo, importa colocar as coisas no seu devido lugar. O país tem questões bem mais prementes à espera de soluções: a saúde, a educação, a segurança, a imigração ou tão simplesmente o preço dos combustíveis. Esses, sim, assuntos que devem merecer a nossa atenção. Estivéssemos na Roma antiga, seria caso para dizer que, por muito que o povo precise de se distrair, já chega de circo.
Assim, num contexto em que o futebol deve ser fator de coesão e valorização do país, impõe-se que as partes resolvam o diferendo pelos canais próprios, com a devida reserva e o respeito mútuo que se exige, acautelando o superior interesse da Seleção, devolvendo, finalmente, a atenção pública às matérias que verdadeiramente a justificam."

Quando perdemos a paixão…


"O Manchester City vive um dos momentos mais delicados da sua história recente. O clube que dominou o futebol inglês na última década enfrenta agora uma incerteza que ultrapassa largamente as quatro linhas. Uma comissão independente considerou provadas graves infrações às regras financeiras da Premier League, relacionadas com a apresentação de receitas e custos, contratos comerciais e incumprimento de deveres de cooperação com a investigação. O City contesta a decisão, mantém a sua inocência e apresentou recurso. Entretanto, pairam dúvidas sobre as consequências: multas, perda de pontos ou até uma eventual despromoção, que poderia afastar o clube da Premier League e colocá-lo na segunda divisão inglesa. Nenhuma destas sanções está, para já, decidida.
A incerteza estende-se naturalmente ao futuro desportivo. O que acontecerá a uma equipa construída para disputar títulos nacionais e europeus se deixar de competir ao mais alto nível? Estarão estrelas como Haaland, Rúben Dias ou Donnarumma dispostas a permanecer num projeto eventualmente afastado das grandes competições? Os contratos não desaparecem com uma possível despromoção, mas o impacto nas ambições individuais, na capacidade de atrair talento e na estabilidade do balneário poderá ser profundo. Para jogadores habituados a lutar pelos maiores troféus, o desafio poderá deixar de ser apenas ganhar o próximo jogo e passar a ser encontrar razões para continuar a acreditar no projeto.
É neste contexto que recupero um episódio protagonizado por Pep Guardiola, em dezembro de 2024. Depois de uma derrota por 2-0 frente à Juventus, a sétima em dez jogos, o treinador entrou no balneário e decidiu não falar de futebol. Não falou de tática, de erros ou de oportunidades desperdiçadas - falou de amor. Contou aos jogadores que atravessava o fim de uma relação, que continuava a existir amor, mas que a paixão se tinha perdido. E utilizou essa experiência pessoal para lhes colocar uma pergunta tão simples quanto desconcertante: onde estava a paixão deles? A mensagem era clara: não queria apenas bons jogadores, queria jogadores com paixão, e, quase dois anos depois, aquela reflexão ganha um significado diferente. É fácil sentir entusiasmo quando se ganha, quando os títulos se acumulam e quando somos reconhecidos como os melhores. Muito mais difícil é preservar essa energia quando surgem derrotas, dúvidas, desgaste e incerteza. Chegar ao topo é difícil, continuar a desejá-lo depois de já lá termos estado muitas vezes pode ser ainda mais difícil.
Podemos continuar a fazer bem aquilo que fazemos mesmo depois de deixarmos de sentir aquilo que nos levou a fazê-lo. Cumprimos horários, executamos tarefas, treinamos, competimos, repetimos rotinas e podemos até continuar a apresentar resultados, mas alguma coisa muda… desaparece aquela energia que nos fazia chegar mais cedo, ficar mais tempo, procurar melhorar quando ninguém estava a ver ou levantar-nos depois de uma derrota com vontade de tentar novamente. No senso comum, chamamos-lhe paixão.
No desporto moderno existe uma contradição interessante. Nunca tivemos tanta informação sobre os atletas. Hoje medimos quilómetros percorridos, acelerações, sono, recuperação, carga de treino e praticamente todos os indicadores imagináveis, mas continuamos com enorme dificuldade em medir aquilo que também influencia o rendimento: quanto é que alguém ainda quer ganhar? Quanto deseja melhorar? Quanto está disposto a dar pelo coletivo? Um treinador pode ensinar uma organização defensiva, melhorar uma saída de bola ou preparar bolas paradas, mas conseguir reacender a vontade de quem já ganhou quase tudo é uma tarefa muito mais complexa. Os melhores líderes não são apenas aqueles que dizem às pessoas aquilo que têm de fazer, são, essencialmente, aqueles que conseguem recordar-lhes porque começaram a fazê-lo.
Foi, na minha opinião, esta a razão que levou Guardiola a escolher falar da sua própria vida. Não apresentou um PowerPoint, não mostrou estatísticas nem se escondeu atrás da autoridade do cargo de treinador - mostrou vulnerabilidade. Durante décadas habituámo-nos a imaginar o líder como alguém que nunca hesita, nunca sofre e tem sempre respostas para tudo, mas o líder é, acima de tudo, humano. Mostrar fragilidade não significa perder autoridade. Quando é genuína e acompanhada de coerência, cria confiança. Naquele balneário, Guardiola mostrou que também ele enfrentava dificuldades e que nem sempre o amor, por si só, é suficiente para manter viva a paixão.
E esta reflexão ultrapassa largamente o futebol ou o desporto. Aplica-se a qualquer área organizacional. Há pessoas que continuam durante anos num trabalho que já não as entusiasma. Líderes que permanecem em funções depois de perderem a vontade de transformar aquilo que lideram. Atletas que continuam a competir quando já apenas cumprem uma profissão. Organizações inteiras que funcionam porque sempre funcionaram assim. Tudo aparentemente normal, mas sem um ingrediente fundamental. E quando isso acontece, começamos a confundir competência com compromisso. Um jogador pode continuar a ser tecnicamente excecional e ter perdido a fome de competir. Um líder pode conhecer profundamente uma organização e já não ter energia para a transformar.
A situação atual do Manchester City acrescenta, porém, outra dimensão: a diferença entre a paixão que nos faz querer ganhar e a paixão que nos faz querer pertencer. A primeira manifesta-se na ambição, na competitividade e na procura permanente de resultados. A segunda revela-se na identificação com uma equipa, uma organização, pessoas e um propósito - são nos momentos difíceis que percebemos verdadeiramente a força dessa ligação. Porque paixão não significa ignorar problemas, desculpar erros ou deixar de exigir responsabilidades, pelo contrário, quando gostamos verdadeiramente de uma organização, queremos que ela seja melhor. Lealdade não pode significar silêncio, tal como compromisso não pode significar conformismo.
Perante a incerteza que envolve o Manchester City, a questão não é apenas saber que consequências terá o processo ou quantas estrelas poderão abandonar o clube. É também perceber como se mantém unido um grupo quando o futuro deixa de depender exclusivamente daquilo que acontece dentro do campo. Como se lideram pessoas perante cenários que não controlam? Como se preserva a confiança quando ninguém consegue garantir o que acontecerá amanhã? E como se mantém a paixão quando aquilo que sempre nos motivou pode deixar de estar ao nosso alcance?
Todos podemos fazer a mesma pergunta que Guardiola colocou naquele balneário: onde está a nossa paixão? No trabalho que fazemos, nas organizações que lideramos, nas relações que construímos e nos projetos que começámos. Continuamos verdadeiramente comprometidos ou limitamo-nos a cumprir aquilo que é esperado de nós? O maior perigo não é falhar, porque falhar faz parte da condição humana. O maior perigo é continuar a fazer razoavelmente bem aquilo que fazemos depois de já termos deixado de acreditar verdadeiramente nisso.
Existe qualquer coisa que nos faz querer voltar amanhã e tentar ser melhores do que fomos hoje - Guardiola chamou-lhe paixão, e, vamos assumir que tem razão. Quando tudo corre bem, a paixão ajuda-nos a conquistar. Quando tudo corre mal, é ela que nos obriga a perceber aquilo que ainda vale a pena preservar, aquilo que precisamos de alterar e aquilo pela qual continuamos dispostos a lutar."

SportTV: Quem é Pro? - Pizzi vs. Adrien Silva