Rúben Dias entrou na sala de imprensa em que se ouviam as facas a afiar e os dentes prontos para tirar o sangue...
— O Fura-Redes (@OFuraRedes) June 19, 2026
Saiu de lá sem uma nódoa negra! DAMN! Que aura!
Isto é ser capitão! pic.twitter.com/50nZe6ASwg
Últimas indefectivações
sábado, 20 de junho de 2026
O verdadeiro Capitão...
Letal...
If this is the plan for reaching 1000 goals, Ronaldo might need another 1000 games. 😭😂 https://t.co/yHLQxfCfoV pic.twitter.com/0Tm1Ahe4Ue
— PrimePhase (@PrimePhaseX) June 18, 2026
Demência...
Cristiano Ronaldo's fans have completely lost their minds.
— Football Tweet ⚽ (@Footballtweet) June 19, 2026
They are now flooding the late Diogo Jota's instagram with comments asking him to pass the ball to Ronaldo from Heaven. 🤯🤯
✍️ "RIP but pass to Ronaldo." pic.twitter.com/cXs0mxpegg
Lutar por dois títulos
"O objetivo da obtenção de dois títulos nacionais amanhã na Luz é o tema em destaque nesta edição da BNews.
1. Foco em vencer
No sábado, o Benfica tem a oportunidade de conquistar dois Campeonatos Nacionais na Luz. Às 15h00, é a vez do hóquei em patins no masculino no jogo 3 da final dos play-offs com o Sporting. Às 20h00, em futsal no feminino, é a negra com o Nun'Álvares.
2. Parceria assinada
Acordo entre Sport Lisboa e Benfica e LiveModeTV no âmbito do Mundial 2026.
3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.
4. Final arranca domingo
O jogo 1 da final do Campeonato Nacional de hóquei em patins no feminino entre Benfica e Gulpilhares é no domingo, às 12h00, na Luz.
No mesmo dia e também na Luz, às 21h00, há o jogo 3 da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no masculino.
5. Treinador anunciado
Anders Hallberg é o novo treinador do andebol benfiquista.
6. Reforço no voleibol no feminino
Gabiru, zona 4 internacional brasileira, junta-se ao plantel benfiquista.
7. Entrevista de despedida
A voleibolista Alice Clemente deixa o Benfica após 5 temporadas.
Nota ainda para o anúncio das saídas de Veronika Djokic, Cansu Çetin e Kyra Holt.
8. Gimnáguia
A 44.ª edição é no dia 27 de junho no Pavilhão Fidelidade e os bilhetes estão à venda.
9. Concerto agendado
O Estádio da Luz é o palco do concerto de Luan Santana, agendado para 26 de junho de 2027.
10. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV.
11. Jornal O Benfica
A edição desta semana está disponível para download.
12. Casa Benfica Grândola
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 30.º aniversário."
Celebridades!!!
Ontem deu para nos divertirmos entre aspetos e comentadores na @SICNoticias. Falei um bocadinho do disparate de que “ainda faz golos” e de que “não há substitutos melhores” para a nossa âncora sagrada pic.twitter.com/ySoZMbSY4i
— João Maria Jonet (@jm_jonet) June 19, 2026
Não deixem cair Kane e a Inglaterra
"É sempre o nome que cai. Lembrei-me disso quando ontem elegíamos a equipa da primeira jornada do Mundial. Não tem a aura de Mbappé e Haaland, e ainda menos a ainda mais ofuscante de Messi, e por isso ainda que alguém tenha dito 'o Kane também podia entrar aí' (e não fui eu, confesso) na verdade voltou a ficar de fora.
O bom do Harry Kane fez uma temporada incrível, não sei se a melhor, mas sem dúvida uma das melhores da carreira. Num Bayern que falhou a conquista continental, mas chegou a ameaçá-la ao ponto de estar entre os três (ou mesmo dois) mais fortes candidatos, marcou 61 golos em 51 encontros, somando apenas sete assistências é certo, mas ligando inúmeros ataques sempre que baixava até ao meio-campo ou para lá dele, passando em segundos de 'wide receiver' a 'quarterback', se não nos importarmos de por momentos confundir os dois 'futebóis'. E não foi só. Houve muito que ofereceu aos bávaros no momento defensivo, não se preocupando com a eventualidade de lhe faltar energia para o resto. Para a sua profissão de matador.
É por Harry, mas também pelo resto da seleção da Inglaterra, que possui um dos melhores plantéis de todo o Mundial e que há muito ameaça voltar a levar um grande caneco para casa — 4.º no Mundial 2018, vice-campeão europeu em 2020 e 2024 —, ao que se junta uma ideia e organização a partir do banco, pela mente do alemão Thomas Tuchel, que não podemos retirar do lote de favoritos a equipa dos Três Leões. Quem tem Kane, mas também Bellingham, Rice, Anderson, Gordon, Saka e Rashford, tem meio caminho andado para ganhar quase todos os jogos."
ADN, identidade, rotinas
"É comum dizer-se que uma equipa está bem trabalhada quando são notórias as suas rotinas, sejam elas defensivas ou ofensivas. Terminada a 1.ª jornada do Mundial 2026, há duas equipas que se destacaram das demais no que toca às rotinas – Argentina e Inglaterra.
Nenhuma delas é perfeita. Mas ambas dominam a maioria das fases e dos momentos do jogo. Por estarem rotinadas graças a um ADN vincado e uma identidade assumida.
Scaloni mantém a aura que o levou a ajudar Messi a ser campeão mundial. A sua Argentina continua a ter uma ideia de jogo coletiva, solidária sem bola (muita energia e predisposição mental na reação à perda) e multifacetada com ela.
Assente num 1x4x4x2 Losango, concentra jogadores sobre o corredor central para dominar e controlar o jogo a partir desses posicionamentos. Ao contrário do habitual, não atrai dentro para ligar e chegar por fora. Atrai dentro para fixar marcações e permitir a Messi surgir entrelinhas e em condições de pensar os metros finais do ataque argentino.
Apesar de reconhecida a influência e a importância de Messi na manobra ofensiva da equipa, não se limita a procurar o seu capitão em todo e qualquer momento. De Paul, Enzo Fernández, Mac Allister, Almada e Lautaro Martinez também assumem o jogo. Também pensam o jogo. Também procuram definir os lances. Não têm o dom messiânico de Messi, mas são parte ativa do momento ofensivo albiceleste.
Tuchel fez a convocatória com base numa ideia clara: ser protagonista através do controlo e do domínio do jogo com bola, ser agressivo na reação à perda e na transição defensiva. A Inglaterra mostrou precisamente isso frente à Croácia. Quis ter bola, soube ter bola e venceu num dos jogos mais bem disputados deste Mundial até ao momento.
Apesar do pouco tempo de trabalho quando em comparação com Scaloni, o treinador alemão rapidamente definiu que identidade pretendia ver na seleção inglesa. O 1x4x2x3x1 é o ponto de partida tático de um jogo posicional no qual Harry Kane assume importância vital.
O avançado joga e faz jogar, ataca e defende, assiste e finaliza, sempre dentro de uma ideia de jogo coletiva, a qual respeita as características dos jogadores ingleses.
É precisamente neste ponto que Scaloni e Tuchel coincidem. Ambos sabem o que têm em mãos. Ambos definiram um caminho claro de acordo com o que têm em mãos. Ambos treinam de acordo com o caminho definido tendo em conta o que têm em mãos.
Não espanta por isso que ambos tenham seleções com ADN, identidade e rotinas."
É hora de falar menos e jogar mais (e Ronaldo é só um dos problemas)
"RD Congo foi uma brutal e necessária chamada à realidade. Cristiano Ronaldo é um grande problema, sim, mas não é o único. Já alguém viu uma seleção ganhar um Mundial antes de o jogar?
Foram meses, anos de soberba: em 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, era tudo nosso. Afinal, temos os melhores jogadores do Mundo, nas melhores equipas europeias, praticamente todos no seu pico de carreira e com a última oportunidade da glória num Mundial. Ia dar Portugal, de certeza. Pelo menos, até a bola começar a rolar. Pedro Proença não admite menos do que voltar para Portugal com o troféu na bagagem, Roberto Martínez agora já diz que a Seleção nem precisa de ganhar o Mundial, que tem é de jogar bem, e que a constante conversa sobre o favoritismo a vencer a prova perturba mais do que ajuda. Quem diria? O problema é que, com o espanhol a selecionador, jogar bem também tem sido mais difícil do que encontrar água no deserto.
O deprimente 1-1 frente à RD Congo foi um valente alerta à navegação. E ainda bem que aconteceu em fase tão precoce da competição, porque ainda há tempo de emendar o que muito de mal se está a fazer. Haja coragem para isso, nomeadamente para chamar Cristiano Ronaldo à parte e fazê-lo perceber de uma vez que a Seleção é, hoje, melhor sem ele em campo.
O tempo é um adversário imbatível e os números que fizeram de CR7 o melhor jogador da história de Portugal são, hoje, cruéis: o avançado não marca há 10 jogos em fases finais de Europeus ou Mundiais e, nesse caminho, enfrentou adversários de nível bem inferior ao de Portugal, como Coreia do Sul, Suíça (o titular, Gonçalo Ramos, fez um 'hat trick'), Chéquia, Eslovénia, Turquia ou Geórgia. Não há volta a dar e continuar com Ronaldo em campo, neste momento, não servirá para mais do que prolongar a angústia de esperar por algo que já não existe faz muito tempo e alimentar as novelas das suas irmãs. O passado está lá atrás, é grandioso e ninguém o apaga, mas já não marca golos nem faz assistências.
Já chega.
á estávamos mal o suficiente se a estreia tivesse mostrado Cristiano como o único problema, mas o mal é bem maior e não vai ser resolvido a dar as mãos e a ter muita fé. Portugal precisa de muito mais Nuno Mendes, Vitinha, Bruno Fernandes ou Bernardo Silva — qual é a ideia de o colocar a extremo nesta fase de carreira? — para poder sequer sonhar. O Mundial está farto em surpresas, o futebol cada vez mais equilibrado e longe vão os tempos em que as seleções europeias podiam desvalorizar os adversários de outros continentes. Há que agir e mudar rapidamente, sob pena de o 'vai dar Portugal' arriscar-se a ficar nas páginas negras da história da Seleção."
Obrigado por tudo, Cristiano. Agora é tempo de sair!
"O Mundial começou mal para Portugal. Não apenas pelo resultado ou pela exibição diante do Congo, mas sobretudo pela sensação de que a Seleção Nacional entrou na competição sem uma ideia clara, sem capacidade de reação e sem a liderança que um palco desta dimensão exige. A convocatória de Roberto Martínez já tinha deixado dúvidas. A opção por levar um número excessivo de guarda-redes, a aparente descompensação entre laterais e centrais e a ausência de jogadores com características específicas para determinados momentos do jogo, como João Palhinha, suscitaram interrogações legítimas. O problema é que essas dúvidas não desapareceram com o primeiro encontro. Pelo contrário, ganharam força.
Portugal apresentou-se previsível, lento e incapaz de encontrar soluções perante um adversário organizado e competitivo. Mais preocupante do que o resultado foi a incapacidade demonstrada para interpretar aquilo que estava a acontecer em campo. Faltou leitura do jogo antes do apito inicial, durante os noventa minutos e até depois de o encontro terminar. Quando uma equipa repete erros sem que existam correções visíveis, o problema deixa de ser circunstancial e passa a ser estrutural.
A isso juntou-se a estranheza provocada pelas revelações sobre a saída do cargo do Selecionador na véspera do jogo com o Congo, alimentando discussões sobre o seu futuro num momento em que toda a atenção deveria estar concentrada exclusivamente no Mundial. Em vez de estabilidade e foco, instalou-se ruído. E em torneios desta dimensão, o ruído raramente ajuda quem pretende vencer.
Mas existe uma questão ainda mais delicada. Chama-se Cristiano Ronaldo. Escrevo estas linhas com profunda gratidão. Cristiano é, para mim, o maior futebolista da história de Portugal e um dos dois maiores jogadores da história do futebol mundial. Deu-nos títulos, recordes, momentos inesquecíveis e uma projeção internacional que nenhuma geração anterior conseguiu alcançar. O país inteiro está em dívida para com ele. Precisamente por isso, custa assistir a este final de ciclo. Aos 41 anos, Cristiano já não é o jogador que foi aos 31. Não poderia ser. O tempo, adversário imbatível, afeta-nos a todos e aos atletas profissionais mais ainda, independentemente da sua grandeza. E aquilo que durante duas décadas foi uma evidência — a condição de principal referência da Seleção — deixou de o ser.
O primeiro responsável por esta situação é o próprio Cristiano, por não reconhecer que, por mais duro que seja aceitá-lo, chegou o momento de se reformar da equipa de todos nós. O segundo é Roberto Martínez, que, subserviente, nunca demonstrou capacidade ou autoridade para gerir esta transição da forma que o interesse coletivo exigia. O condicionamento psicológico e tático provocado pela presença de Ronaldo continua a ser visível. Muitos jogadores procuram-no em excesso, muitas jogadas acabam por ser construídas em função dele e a equipa perde espontaneidade. O jogo de preparação com o Chile foi um exemplo esclarecedor. Após a saída de Cristiano, ao intervalo, Portugal tornou-se mais móvel, mais imprevisível e acabou por desbloquear o resultado. Não se trata de desrespeitar uma lenda. Trata-se de reconhecer uma realidade competitiva.
Há ainda uma terceira responsabilidade: a daqueles que rodeiam Cristiano Ronaldo e continuam a alimentá-lo com a ideia, falsa, de que ainda pode carregar sozinho a Seleção Nacional às costas, como tantas vezes aconteceu durante as últimas duas décadas. Não podem. Nem ele, nem ninguém.
Por tudo isto, deixo um apelo sincero. Cristiano Ronaldo já não tem nada a provar. Nem aos portugueses, nem ao futebol, nem a si próprio. A sua dimensão histórica está garantida para sempre. É chegado o momento de sair de cena com a mesma grandeza com que entrou. Por respeito a si próprio, aos seus colegas, à Seleção Nacional, ao Clube que o formou — o Grande Sporting Clube de Portugal —, para dar o exemplo aos milhares miúdos que dão os primeiros pontapés na bola e que, tal como este quase idoso, o têm como ídolo, e por respeito aos milhões de portugueses que cresceram a admirá-lo.
As lendas não deixam de o ser quando param. Pelo contrário. Muitas vezes, tornam-se ainda maiores quando sabem escolher o momento certo para dizer adeus."
Cristiano Ronaldo: a memória curta de um país que exigiu sempre mais
"Há algo de curioso na relação entre Portugal e Cristiano Ronaldo. Durante mais de duas décadas, exigimos dele o impossível. E, de forma quase inacreditável, muitas vezes ele entregou-o. Agora, quando os anos passam e o futebol continua a lembrar-nos que nenhum atleta vence o tempo, parece que muitos escolheram esquecer.
Esqueceram quem colocou Portugal no mapa do futebol mundial de forma permanente. Esqueceram quem transformou uma seleção talentosa numa seleção respeitada e temida. Esqueceram quem bateu recordes atrás de recordes, quem carregou a camisola das quinas em centenas de jogos, quem esteve presente nos momentos de glória e também nos momentos de dor.
Cristiano Ronaldo não é perfeito. Nenhum atleta é. Nenhum ser humano é. Mas a facilidade com que alguns procuram reduzir a sua carreira a um penálti falhado, a uma exibição menos conseguida ou a um resultado dececionante revela mais sobre a nossa memória coletiva do que sobre o próprio jogador.
No futebol existe uma verdade simples: ninguém ganha sozinho. Quando Portugal venceu, venceram os treinadores, os colegas, as equipas técnicas, as estruturas federativas e, naturalmente, os jogadores dentro de campo. Mas se ninguém ganha sozinho, também ninguém empata sozinho. Ninguém perde sozinho.
Quando a Seleção Nacional falha um objetivo, a responsabilidade é coletiva. É injusto e intelectualmente desonesto transformar um único jogador, mesmo sendo Cristiano Ronaldo, no rosto exclusivo do sucesso ou do insucesso.
Durante anos, Ronaldo foi criticado por não ganhar títulos com Portugal. Depois conquistou o Europeu e a Liga das Nações. Foi criticado por depender da equipa. Depois acusaram-no de querer resolver tudo sozinho. Foi criticado quando chorou. Foi criticado quando não chorou. A verdade é que muitos dos seus críticos não procuram equilíbrio; procuram apenas um novo motivo para atacar.
O legado de Cristiano Ronaldo ultrapassa os golos, os troféus e os recordes. É um exemplo raro de disciplina, longevidade e profissionalismo. Um jovem da Madeira que saiu de casa ainda adolescente, enfrentou os maiores desafios do futebol mundial e alcançou o topo através de trabalho obsessivo e dedicação diária.
Num tempo em que tantos talentos se perdem pelo caminho, Ronaldo tornou-se uma referência global. Elevou o nome de Portugal em todos os continentes. Levou milhões de pessoas a olhar para o nosso país com admiração. Inspirou gerações de jovens atletas a acreditarem que o talento sem esforço não chega.
Também fora de campo, manteve uma ligação constante às suas origens, à sua família e à sua identidade portuguesa. Nunca renegou o país que o viu nascer. Pelo contrário, fez dele uma bandeira.
Um dia, Cristiano Ronaldo deixará de jogar. Esse dia está mais próximo do que mais longe. E quando acontecer, Portugal perceberá aquilo que tantas vezes só percebe quando já é tarde: que testemunhou uma carreira irrepetível.
A crítica faz parte do desporto. Deve existir. Mas a ingratidão não deve ser confundida com exigência. Podemos discutir decisões, exibições e momentos de forma. O que não devemos fazer é permitir que a emoção do presente apague a dimensão histórica do que Cristiano Ronaldo representa.
Porque os resultados passam. Os recordes podem ser batidos.
Mas há figuras que transcendem o jogo.
Cristiano Ronaldo é uma delas.
E Portugal faria bem em não se esquecer disso."
Há um buraco enorme no meio da Seleção
"Portugal estagnou na geometria estéril de um modelo sem entrelinhas nem rasgo. Entre a circulação previsível e o estatuto intocável de Ronaldo, a equipa simplesmente congelou
Falar depois é fácil, dir-me-ão vocês. A questão é que já não é de hoje e foi referido inúmeras vezes antes. Até aqui. Não se trata sequer de desestabilizar o que já está desestabilizado, além do pouco que isso diz a quem tem de manter a imparcialidade sobre qualquer que seja o tema, sendo-lhe este mais ou menos querido. A crítica construtiva não tem momentos próprios, é uma obrigação e a opinião, para aqueles que não o sabem e muito protestam sem sabê-lo, um género jornalístico.
A conclusão que se tira — mesmo depois de uma Liga das Nações conquistada com mérito, mas perante adversários que, pela sua força, fazem naturalmente baixar os momentos de ataque posicional da Seleção e a transformam numa equipa de transição — Portugal pouco ou nada evoluiu no modelo desde que Roberto Martínez assumiu o comando. Se, no plano futebolístico, a razão pela qual foi contratado está diretamente relacionada com a qualidade do futebol ofensivo, para que a Seleção pudesse dar um passo à frente em relação ao seu passado ainda recente, é aqui precisamente que pouco tem mudado.
Não vou escrever sobre as idas à praia, nem da mulher de César que tem de ser e parecer séria, ou da suposta falta de atitude que sempre se atira para a fogueira da discussão. Nem sequer da adaptação ao clima alegadamente feita há quase três meses, nos jogos com México e Estados Unidos. Dou o benefício da dúvida de que possa haver justificações científicas para tal. Já me parece mais improvável que se consiga explicar o 1x4x0x6 persistente durante todo o desafio. Que ninguém desde o banco foi capaz de corrigir.
Portugal desistiu das entrelinhas, esqueceu-se de que existiam, ainda que tenha tentado pressionar os meios-espaços, ou seja os canais entre os defesas — lateral e central, e entre centrais — através de Bruno Fernandes, Cristiano, Bernardo e João Neves, por vezes. A ver o jogo de frente, com o passe vertical a ser bastante arriscado para a defesa ou para Vitinha, o Congo tinha o jogo controlado. Bastava ser paciente e não entrar em grandes aventuras.
De que valeu desenhar um triângulo teórico (sem Bernardo) ou um quadrado (com Bernardo) no meio-campo quando estes jogadores passaram a maior parte do tempo bastante longe uns dos outros. Incapazes de combinar, de criar rotações posicionais. Sem ninguém nas entrelinhas e perante um meio-campo muito povoado por parte do rival, o passe vertical tornou-se um risco demasiado elevado. O transporte também. Tomás não arriscou. Renato Veiga não tem sequer esse argumento. A posse foi tão alta em percentagem quanto estéril.
Quando montava o cerco, ou o desenhava pelo menos, Portugal congelava. Tentava apenas combinações para libertar o extremo pela direita, a fim de este pudesse cruzar, mas na área já todos esperavam o passe — o mesmo na esquerda, com Neto e depois Rafael Leão a partir para o 1x1. Só uma vez os africanos se deixaram surpreender com o cruzamento para trás, porém aí a fome cega de Ronaldo impediu o golo feito a Bruno Fernandes. Faltavam movimentos de rotura para surpreender ou arrastar marcações, todos procuravam colocar-se a jeito para a finalização e, obviamente, todos estavam marcados. E se atacas mal posicionalmente também defendes mal. Até as bolas paradas parecem demasiado simples e inócuas para quem tem um especialista para o efeito.
Chegamos a Cristiano Ronaldo. O capitão não é solução e claro que só isso o transforma num problema. Não é o único, todos o sabemos. E não é deste Mundial. É-o há muito tempo. Os golos antes ainda compensavam a passividade defensiva, agora não marca e condiciona todo o ataque. Mentalmente, com os colegas a quererem servi-lo mesmo quando há melhores opções, mas também figurando qual corpo estranho de todo o processo ofensivo. Passou a falhar golos fáceis. Vários por infelicidade. Outros porque o corpo já não lhe permite chegar lá tão rápido (e, como tal, equilibrado) como antes. Ao passe, ao remate.
Martínez viu isto e entendeu que mesmo com João Neves, Bruno Fernandes, Neto, Bernardo Silva e os laterais a aparecerem nas alas, Portugal tinha um problema de largura. E lá o vazio se estendeu até ao banco. Ronaldo, mesmo mal, ficou em campo. «Não fazia sentido tirá-lo de campo a ele, o melhor marcador da história, quando estávamos à procura de golos», justificou o selecionador, dizendo o que toda a gente sabe: está em campo por gratidão e não pelo que está a jogar. Porque não marca há dez partidas em fases finais de grandes torneios. Os números são duros. Impositivos.
Seria lógico sim, usando a mesma expressão que Martínez, fazer entrar um avançado diferente no 11. Gonçalo Ramos não atravessa grande momento, mas enquadra-se mais no futebol associativo que se pretende jogar e atribui maior responsabilidade na rotação posicional e na fase de criação aos criativos. Além do que pode acrescentar numa pressão estruturada, que com Ronaldo não existe. Há também Guedes, ainda mais móvel, a precisar de algum espaço para explodir, e que pode fazer sentido ao lado de Ramos em algumas fases. João Félix também pode jogar aí, privilegiando os apoios frontais, mas Martínez, ainda que não se tenha apercebido, precisa dele para o que lhe falta atrás, nas entrelinhas. Não percebê-lo é grave.
Portugal irá qualificar-se, ainda mais neste cenário em que se apuram terceiros classificados. Não acontecer seria o maior escândalo da nossa história. É provável que melhore também — não na perspetiva de Cristiano, mas na do resto do ataque — quando aparecer o espaço que as melhores equipas libertam porque arriscam mais. No entanto, aumenta a dependência da transição ofensiva.
P.S. Nesta altura parece já ser um segredo mal guardado e não deixa de ser preocupante. Este triângulo que se vai inverter para tudo ficar na mesma, de Jorge Jesus no lugar de Roberto Martínez na Seleção e de Martínez no lugar de Jesus no Al Nassr, está mais uma vez à medida de Ronaldo. E da Federação, pelos milhões que recebe em patrocínios. O futebol ficará uma vez mais em segundo plano?"
Os americanos querem que a malta se constipe, só pode!
"PALM BEACH GARDENS — Viver um Mundial de futebol nos Estados Unidos é uma constante lição de sobrevivência que vai muito além das táticas de Roberto Martínez ou da condição física dos jogadores. A verdadeira batalha, aquela que ameaça dizimar as equipas de reportagem portuguesas antes mesmo de a fase de grupos terminar, não se joga nos relvados escaldantes do Texas ou da Florida. Joga-se, sim, no interior de cada edifício, táxi ou centro de imprensa que ousamos pisar. A conclusão é inevitável e unânime entre os camaradas de luta: os americanos querem que a malta se constipe, só pode!
É perfeitamente compreensível que, perante o bafo sufocante e a humidade extrema que encontramos em Houston ou em Palm Beach, as mentes locais procurem o conforto do fresco. O problema é que a engenharia térmica deste país não conhece o conceito de meio-termo. Onde quer que se entre, os ares condicionados estão invariavelmente programados para temperaturas siberianas, capazes de conservar criogenicamente um mamute. Passar da rua para o interior de um pavilhão é o equivalente a uma viagem relâmpago do deserto do Saara para o coração da Antártida em menos de dois segundos.
A certa altura, a rotina dos jornalistas portugueses transformou-se num bizarro desfile de moda de inverno. Tornou-se perfeitamente normal ver companheiros de redação a vestir casacos dentro das salas de trabalho, enquanto lá fora o asfalto derrete. O guarda-roupa tornou-se um jogo de paciência: veste o casaco lá dentro para não congelar, despe o casaco mal se cruza a porta giratória para não desfalecer com os quarenta graus à sombra.
Nesta Route 66 de contrastes absurdos, as farmácias locais já faturam com a nossa comitiva. Entre um drible de Cristiano Ronaldo e uma bifana no Texas, a verdadeira vitória passa por chegar ao fim do dia sem uma contratura muscular ou uma valente gripe. Alguém que avise os americanos que o bom senso também se treina."
Regras Disciplinares do Campeonato do Mundo
"O regulamento disciplinar do Campeonato do Mundo FIFA 2026 tem como objetivo garantir o respeito pelas regras, a justiça competitiva e a proteção da imagem da competição. As normas aplicam-se a jogadores, treinadores, equipas técnicas, dirigentes e restantes elementos oficiais das seleções, podendo existir sanções por comportamentos dentro e fora do campo relacionados com o torneio.
Os cartões amarelos continuam a ser o principal mecanismo disciplinar dentro de campo. Um jogador que acumule dois cartões amarelos em jogos diferentes fica automaticamente suspenso no encontro seguinte. No Mundial 2026, a FIFA mantém um sistema de limpeza de cartões para evitar que atletas importantes falhem fases decisivas por acumulação de advertências, eliminando os amarelos acumulados em determinados momentos da competição.
O cartão vermelho implica expulsão imediata e normalmente uma suspensão automática. Infrações como agressões, comportamento violento, insultos, gestos ofensivos ou faltas graves podem levar a castigos mais pesados por decisão do Comité Disciplinar da FIFA.
A FIFA também pune comportamentos antidesportivos, incluindo protestos excessivos, desrespeito pelos árbitros, simulações, atrasos intencionais do jogo e atitudes que prejudiquem o normal funcionamento da partida. Treinadores e elementos do banco de suplentes podem igualmente ser sancionados por condutas inadequadas.
Um dos temas com maior atenção é o combate à discriminação. Atos racistas, xenófobos ou qualquer comportamento ofensivo podem resultar em sanções para jogadores, equipas ou federações, incluindo multas e suspensões.
Este sistema procura garantir que o Mundial decorre com respeito, segurança e igualdade entre todas as seleções, mantendo a disciplina como um elemento essencial da competição."
O dia em que a seleção brasileira ajudou o Haiti a respirar em plena guerra civil
"A 18 de agosto de 2004 um jogo de futebol com a idolatrada seleção do Brasil suspendeu o medo e devolveu ao Haiti um sopro de normalidade, apesar da pesada derrota por 6-0. Quase 22 anos depois do desfile de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e companhia em tanques blindados pelas ruas de Porto Príncipe, os haitianos reencontram os canarinhos no Mundial 2026. Embora seja a pior classificada no ranking da FIFA entre as seleções do torneio, a equipa caribenha estreou-se com uma exibição competitiva frente à Escócia
No Haiti de 2004, a esperança não chegava pelo voto, nem pela política, nem pela ONU. Chegou num avião militar, vestida de amarelo e verde, rodeada de soldados. E, por um dia, o país fingiu que isso bastava. Uma suspensão temporária da violência, uma pausa respiratória num país que vivia entre milícias, raptos, barricadas e a sensação permanente de que o Estado existia apenas no papel. Não é preciso romantizar o que aconteceu para reconhecer a dimensão daquele dia 18 de agosto. Basta recuperar uma frase que atravessou os anos: “O Haiti parou para ver o Brasil.”
O Haiti naquele tempo era um país exausto. Jean-Bertrand Aristide tinha sido afastado do poder, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) acabara de chegar ao terreno e o Brasil tinha assumido o comando militar da operação que envolveu quase 7 mil militares . A violência urbana era quotidiana, as instituições encontravam-se fragilizadas e a comunidade internacional procurava demonstrar que ainda existia um caminho possível para a estabilidade.
É neste contexto que nasce o chamado “Jogo da Paz”. A designação ficou para a História, mas nunca contou toda a história. Porque aquele encontro entre Haiti e Brasil foi, ao mesmo tempo, um gesto humanitário, uma operação diplomática e um exercício de poder simbólico. Servia para aproximar uma população traumatizada de um momento de normalidade. Servia para promover uma campanha de desarmamento. E servia também para projetar o Brasil como ator relevante num novo tabuleiro internacional, capaz de liderar uma missão de paz e exportar influência através do seu maior ativo cultural: o futebol.
A chegada da seleção brasileira a Porto Príncipe ilustra essa ambiguidade. Os jogadores não atravessaram uma cidade em festa num autocarro descapotável. Foram escoltados por sete blindados da ONU. O trajecto entre o aeroporto e o Estádio Sylvio Cator foi feito num comboio militar, sob fortes medidas de segurança, ladeado por uma multidão de dezenas de milhares de haitianos que ocuparam ruas, muros, telhados, árvores e postes de iluminação para tentar ver Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos ou Júlio César. A imagem que permanece é poderosa: os mesmos blindados que simbolizavam a instabilidade foram transformados, por algumas horas, em carros alegóricos da esperança. “Lembro de tudo. De ir de tanque para o estádio. Chegando lá, todos nós tivemos noção de que aquilo não era só futebol, era muita coisa envolvida, e foi lindo”, contou Ronaldinho Gaúcho, campeão mundial em 2002, citado pelo “O Globo“.
Troca de armas por bilhetes
Antes do encontro, uma campanha promovida pelas autoridades haitianas e pelas Nações Unidas ganhou destaque internacional. A mensagem era simples: trocar armas por bilhetes para o jogo . O que parecia ingénuo, talvez até utópico, funcionou no sentido em que foram entregues algumas centenas de armas. Naturalmente, nenhum conflito se resolve através de um jogo de futebol. Nenhuma arma entregue altera, por si só, as estruturas que alimentam a violência. Mas a campanha dizia muito sobre o momento: quando as instituições falham, por vezes é o simbolismo que ocupa o espaço deixado vazio pela política.
O Estádio Sylvio Cator encheu-se com 15.000 espectadores, entre eles o presidente do Brasil Lula da Silva, horas antes do apito inicial. O ambiente foi descrito por muitos jornalistas como algo próximo de uma celebração nacional. Mais tarde uma frase surgiria como eco daquele momento único: “O jogo que parou uma guerra”. Não a parou. Mas interrompeu-a. E para quem vive permanentemente cercado pela violência, uma interrupção já é uma forma de acontecimento extraordinário.
Dentro das quatro linhas, o futebol foi previsível e nem os quase 40 graus daquela tarde ou o pedido do presidente Lula à seleção para poupar os haitianos de uma goleada, impediu o Brasil - então campeão do mundo - de vencer por 6-0. Ronaldinho Gaúcho marcou três golos, Roger Flores bisou e Nilmar fechou a contagem. O resultado confirmou a diferença de qualidade entre as duas equipas - o Haiti ocupava a 95ª posição do ranking FIFA -, mas acabou por tornar-se um detalhe da história.
O que permaneceu não foi o marcador. Foi a emoção. A cada passe ou drible dos canarinhos os adeptos haitianos respondiam com uma ovação como se eles próprios tivessem marcado golo. Como explica o historiador Gerard Charles no documentário “O dia em que o Brasil esteve aqui”, de 2005: “No futebol, os haitianos sabem que o Brasil é a projeção do seu sucesso e com o seu jeito particular, torna-se a projeção do que os haitianos querem ser”. Na sua tese de final de curso “Eventos esportivos como prática de sportswashing : um estudo sobre o "Jogo da Paz" entre Haiti e Brasil em 2004”, Renan Silva explica que o povo haitiano sempre viu a seleção brasileira como “um grupo de negros de origem humilde que, apesar das suas dificuldades, conseguiam derrotar as potências europeias e mostrar o seu valor. Essa identificação da população do Haiti pelo Brasil através do futebol fez nascer uma paixão sem precedentes dos haitianos (...) acima de tudo pela seleção brasileira de futebol.”
O “Jogo da Paz” tornou-se num dos exemplos mais citados da relação entre futebol, diplomacia e poder simbólico. A FIFA distinguiu a iniciativa com um prémio Fair Play. O encontro entrou em documentários, estudos académicos e reportagens.
Apesar dos jogadores brasileiros terem chegado ao Haiti apenas duas horas antes do jogo e terem partido para o Brasil logo após os 90 minutos, o legado deste encontro continua difícil de catalogar. Para uns, foi uma demonstração de como o futebol pode criar pontes onde a política falha. Para outros, foi também uma operação de comunicação que ajudou a legitimar uma intervenção internacional e a reforçar a imagem do Brasil como potência regional emergente. Provavelmente foi ambas, porque os acontecimentos verdadeiramente importantes raramente cabem numa única interpretação.
Mais de duas décadas depois, o Haiti e Brasil voltam a cruzar-se, agora num Campeonato do Mundo, e a memória daquele dia regressa inevitavelmente, como lembrança de que o futebol não resolve conflitos, não reconstrói Estados, nem elimina desigualdades, mas, por vezes, consegue oferecer algo igualmente raro: um momento de respiração.
Noventa minutos em que um país deixa de pensar apenas na sobrevivência.
Noventa minutos em que a esperança parece mais forte do que o medo. O Haiti não mudou por causa daquele jogo. A violência não desapareceu. A instabilidade regressou. As crises sucederam-se. O terremoto de 7,0 graus de magnitude em 2010 deixou mais de 220 mil mortos. Em 2019, a Missão da ONU foi oficialmente encerrada. O país continua um caos. Mas, durante uma tarde de agosto de 2004, um país inteiro respirou. E há lugares no mundo onde isso já é muito."
Subscrever:
Mensagens (Atom)










