Últimas indefectivações

terça-feira, 9 de junho de 2026

Os cães ladram e a caravana passa. 👇

Hoje é segunda, segunda vida


"José Mourinho e Marco Silva já podem, formalmente, abraçar os novos desafios. O problema não esteve no desfecho, antes na forma de lá chegar, mas agora chegou a hora de virar a página

Confirmada a reeleição de Florentino Pérez como presidente do Real Madrid, José Mourinho e Marco Silva podem formalmente assumir os novos desafios.
Outra vez utilizado como trunfo eleitoral, o setubalense troca a segunda vida no Benfica por uma segunda vida na capital espanhola. Um regresso surpreendente ao Bernabéu, pelo menos tendo em conta os resultados recentes - inclusive na Luz -, mas que reflete o prestígio que faz dele o melhor treinador da história do futebol português.
Mourinho dificilmente poderia imaginar melhor saída para o ambiente constrangedor que ficou no Seixal depois do pedido de renovação que Rui Costa andou a tentar ignorar. Agora, aos 63 anos, o técnico tem a possibilidade de voltar ao topo do futebol europeu, e no banco merengue há sempre o risco de acabar com mais uma Champions no palmarés.
O presidente do Benfica, por seu lado, recebe 15 milhões de euros por um treinador que até nem fazia grande questão de manter, o que já ajuda a compensar o orçamento para 2026/27, tendo em conta a ausência da próxima Liga dos Campeões.
Para Marco Silva também será uma segunda vida, esta possibilidade de treinar outro candidato a títulos, depois da passagem pelo Sporting, mas essa ideia de nova oportunidade também se aplicará a muitos elementos do plantel, descartada que está uma revolução.
É óbvio que o plantel do Benfica tem lacunas - agravadas entretanto com a saída de Otamendi, por exemplo -, mas a estrutura não pode ir às compras com a ideia de encher o carrinho, desde logo porque falta tempo e dinheiro.
O orçamento ficou desprovido das verbas da Champions, e a participação na segunda pré-eliminatória da Liga Europa, logo a 23 de julho, desaconselha mexidas profundas (em cima do joelho) no plantel. O Benfica já deveria ter garantido reforços para a nova época, independentemente da troca de treinador, mas Marco Silva sabe que vai ter de olhar sobretudo para os recursos que já estavam na equipa. O novo técnico das águias já revitalizou algumas carreiras, e Sudakov parece ser o exemplo claro de um jogador que está longe da sua real capacidade individual.
Mas a grande mudança no Benfica terá sempre de ser coletiva, de qualquer forma, e para lá do balneário talvez os ajustes devam ser revolucionários. Pelo menos no processo."

Um Benfica gerido de fora para dentro


"«Para quem não sabe por onde quer ir, qualquer caminho serve.» Esta frase, mais do que versar sobre o caminho, fala sobre o líder. Sobre os líderes, visto que no futebol ninguém decide nada sozinho. Depois de mais uma época iniciada sob brasas, com uma equipa técnica interna e externamente contestada, sinal claro e evidente de que não houve aprendizagem com os erros do passado, o Benfica terminou 2025-2026 envolto em indefinições:
— José Mourinho iria continuar no comando técnico da equipa?
— O plantel iria ser alvo de mais uma revolução (várias saídas e várias entradas)?
— Rui Costa iria finalmente definir um projecto para o futebol profissional encarnado? Os dias foram passando e a única certeza patente era que o Benfica estava refém de José Mourinho. Do contrato que ainda os unia. Da proposta de renovação entretanto apresentada. E, pasme-se, do resultado das eleições do Real Madrid.
Ou seja, o gigante da Luz deixou de ser dono e senhor do seu destino. Passou a estar a mercê de um conjunto de factores que não controlaria nunca e sobre os quais pouca ou nenhuma influência poderia ter. Deixou-se enredar nas teias de uma trama com laivos de bizarria e contornos de puro amadorismo.
Num universo suis generis como o do futebol, o Benfica conseguiu a proeza de adicionar uma nova dimensão ao surrealismo presente na gestão desportiva do presidente Rui Costa — a da assumpção pública da gestão de fora para dentro.
O que nos remete para uma conclusão simples: quem escolheu o próximo treinador do Benfica foi Florentino Pérez. Quem definiu quem irá liderar o comando técnico encarnado foi o presidente do Real Madrid. Quem traçou os destinos benfiquistas para 2026-2027 foi o líder merengue.
Mais do que uma prova cabal de força por parte de Pérez (assumiu erros, convocou eleições antecipadas e venceu-as), este cenário demonstra o quão frágil é a liderança de Rui Costa enquanto figura central de uma instituição centenária, histórica e mundialmente conhecida como o Sport Lisboa e Benfica. Por norma é o que acontece a quem não sabe por onde quer ir. A quem não sabe com quem quer ir.
Rui Costa poderia, pelo menos, saber por onde não quer ir ou com quem não quer ir. Mas nem isso soube.
E se hoje as águias já não estão reféns de Mourinho, devem-no ao presidente madridista e não ao seu próprio presidente..."

Os títulos que interessam


"Nas eleições de outubro do ano passado, a atual direção teve uma ideia tão simples quanto eficaz: transformar o ato eleitoral num desafio coletivo para bater um recorde do Guinness World Records. Do ponto de vista da mobilização, foi uma jogada inteligente. Manteve os sócios envolvidos, evitou a desmobilização dos eleitores, principalmente daqueles que já tinham votado, na primeira volta, pela continuidade.
O problema começa quando se confunde uma operação de marketing com um título. O Guinness é uma marca comercial, nada mais do que isso. O Benfica não precisava do Guinness para provar a sua dimensão, mas alguém precisou do Guinness para garantir o melhor resultado eleitoral. Legitimo sem dúvida, mas acessório e sem importância no registo histórico do Clube.
Por isso, assistir a comparações entre a participação eleitoral do Benfica e a do Real Madrid, como se essa diferença representasse uma espécie de conquista europeia ou uma demonstração de superioridade institucional, é um exercício infantil e absurdo, de “cegos” ou seguidistas acríticos.
Passadas as últimas semanas, talvez seja tempo de deixar os certificados de lado e concentrar todas as energias naquilo que verdadeiramente interessa aos benfiquistas: recuperar a exigência competitiva e devolver ao clube os únicos títulos que verdadeiramente interessam."

Zero: Mercado - Benfica seduz estrela do Fulham

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Quatro pontos sobre o teste de Portugal contra o Chile

Observador: E o Campeão é... - Novela Mourinho: “Adeptos do Benfica têm de abrir a pestana para o futuro”

Observador: Três Toques - Enguiço quebrado em Roland Garros e o novo susto de Eriksen

Camisola principal apresentada


"Nesta edição da BNews, o destaque é a nova camisola principal do Benfica e a atividade desportiva do Clube, incluindo a conquista da Taça de Portugal de andebol no feminino.

1. Novo Manto
Sagrado Já é conhecida a camisola principal do Benfica para 2026/27.

2. Contributos internacionais
Foram vários os jogadores do Benfica ao serviço de seleções ao longo dos últimos dias.

3. Taça de Portugal conquistada
As pentacampeãs nacionais de andebol ganharam a Taça de Portugal. Frente ao CJ Almeida Garrett, triunfo por 25-34.
Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, sublinha que "é um triunfo que engrandece ainda mais o percurso de excelência que a equipa tem vindo a construir e que confirma, uma vez mais, a qualidade, a ambição e o espírito vencedor que caracterizam o Clube".

4. Na frente
O Benfica comanda a final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol. No 1.º jogo com o FC Porto, vitória das águias por 89-73.
Nota para a presença de Neemias Queta, com passagem pela formação do Benfica e o primeiro português a atuar na NBA, acompanhado por Joe Mazzula, o seu treinador nos Boston Celtics, eleito o melhor da presente época na liga profissional norte-americana.
A final prossegue amanhã, às 19h00, na Luz.

5. A uma vitória do título
A equipa feminina de futsal do Benfica ganhou ao Nun'Álvares o jogo 3 da final do Campeonato (no desempate por penáltis) e está a vencer a eliminatória derradeira por 2-1.

6. Outros resultados
Em andebol no masculino, derrota com o Sporting após prolongamento na final da Taça de Portugal (39-41). No futebol de formação, os Juvenis empataram 0-0 com o Rio Ave e os Iniciados empataram 2-2 com o Belenenses.

7. Bons desempenhos
Atletas do Benfica em bom plano.

8. Concerto de balneário
Promovido pela Benfica FM, José Cid atuou para as tricampeãs nacionais de basquetebol."

O Mundial é a vontade de ser criança durante um mês


"Sei sempre que tive um teste no dia 9 de junho de 2006. Não me lembro de que disciplina, mas não me esqueço da data nem da existência de uma avaliação. Porquê? Porque naquele mesmo dia, a 9 de junho, umas horas depois do meu teste, começou o Mundial 2006. Alemanha-Costa Rica, Munique, debaixo do sol bávaro.
O jornal “Record”, que por aqueles tempos eu lia religiosamente (obrigado, mãe), trazia, nos meses anteriores ao pontapé de saída da competição, uma contagem decrescente para o arranque. Faltam 90 dias, 60 dias, 10 dias, é hoje. Para mim, o countdown possuía um duplo significado, ajudando-me a saber quando se concluíam os testes e quando principiava o Mundial.
Era a combinação perfeita. O fim das responsabilidades, arrumar os livros até ao fim do verão, e o começo da diversão. Era o meu primeiro ano no liceu, no quinto ano, e coincidia com o meu primeiro Mundial, porque em 2002 ainda não seguia devidamente a bola.
O Alemanha 2006 arrancou quando eu tinha 10 anos, terminou já comigo tendo 11 voltas ao sol, e foi devorado pelo meu cérebro de menino. As camisolas, a bola, os jogos, os protagonistas. Faltar à aula da tarde para ver o Portugal-México (obrigado, mãe).
No dia da final, fui com a minha família para a praia dos Alteirinhos. Quando a tarde já ia longa, mesmo antes de regressarmos para a nossa casa na Zambujeira do Mar, eu e o meu pai simulámos um desempate por penáltis na areia. “É a final do Mundial”, gritávamos, um era Barthez, outro Buffon. Horas depois, estaríamos, efetivamente, a ver o Itália-França ser decidido daquela forma. Só não imitámos a cabeçada de Zidane.
A partir dali, todos os Mundiais foram uma pequena grande infância vivida durante um mês. É essa a essência deste pedaço de felicidade redonda vivido ao longo de algumas semanas: a vontade de voltar a ser criança, de ver o jogo como se fosse a primeira vez, a primeira eliminação injusta, o primeiro jogador desconhecido a revelar-se, saber onde fica o Equador ou Togo ou Colónia ou Frankfurt. Saber o que foram os Julgamentos de Nuremberga por Portugal ter jogado naquela cidade, travando uma batalha contra os Países Baixos que então todos ainda chamávamos Holanda.
Eis um certo paradoxo: os Mundiais afirmaram-se sempre como este pedaço de infância em retorno, ainda que, por se disputarem de quatro em quatro anos, cada um tenha marcado um momento diferente da minha vida. 2006 e o primeiro ano de liceu. 2010 e os exames para entrar no secundário (exame de Português a 16 de junho, meu dia de anos, dia em que Espanha, surpreendentemente, perdeu contra a Suíça). 2014 e o fim do meu primeiro ano de faculdade. 2018 e o fim da faculdade. 2022, primeiro Mundial como jornalista nesta casa. 2026, primeiro Mundial como pai.
É como se os Mundiais fossem um companheiro que vai observando cada mudança, cada nuance, diferentes fases da vida.
E eis que entra em campo o fim da inocência.
Sim, este vai ser o Mundial MAGA. O Mundial de Trump, do ICE, em que vai competir um país cujo chefe de Estado foi assassinado por um dos anfitriões.
2018 foi o Mundial da Rússia de Putin, o grande amigo da FIFA que teve de deixar de o ser. 2022 foi o Mundial do Catar, dos mortos na construção. Foram Mundiais de sportswashing, de lavagem de imagem, a Rússia a querer ganhar espaço no concerto internacional, o Catar projetando-se como importante jogador de soft power.
Este é o Mundial do anti-sportwashing. Se no sportswashing se pretende lavar imagem, ser simpático, “venham visitar-nos e descobrir como somos maravilhosos”, agora é o oposto disso. Querem visitar-nos? Paguem preços absurdos. Corram o risco de prisão ou deportação. Não levem águas para os estádios. Não vos queremos. A não ser que tenham uns milhares de dólares aí no bolso. Nesse caso, tomem lá este bilhete. Mas não levam águas. E não esperem sorrisos de volta.
Este uso do futebol, e particularmente do Mundial, não é novo. Para ir a exemplos com quase um século de vida, 1934 já foi a competição de Mussolini: transmitido via rádio para diversos países, teve merchandising próprio, bilhetes impressos em papel de alta qualidade, um cartaz oficial desenhado por Filippo Tommaso Marinetti, ideólogo do movimento futurista. Foi criada a Coppa del Duce, um troféu seis vezes mais alto que o Jules Rimet — a taça oficial do torneio — entregue em simultâneo aos vencedores como uma oferenda com a chancela de Mussolini. Em 2022, o Catar faria parecido ao cobrir Messi com o bisht.
O que fazer perante isto? Negar a vontade de ser criança, negar o Mundial? Bem, isso não é possível. Não é possível porque o futebol, para boa parte da humanidade, não é propriamente uma escolha. E aí reside parte do equívoco de quem coloca o futebol na competição por atenção existente, por quem o mete ao barulho com a Netflix ou a HBO ou o TikTok.
O futebol não é uma opção. O futebol acontece-nos, calha-nos. É parte da família. É muito mais religião, uma missa cada domingo porque os pais já iam e os avós já iam e é assim a vida, do que opção racional. Não há como o negar.
O que fazer, então? Pois bem, não deixar que quem se quer apropriar do Mundial, quem quer usar esta fábrica infinita de sonhos, fique sozinho na conversa. Escrutinar. Questionar. Lembrar que este é um património coletivo. Não permitir a usurpação. Ser crítico, mas não sair da sala.
Aí está outro Mundial. Aí estão mais semanas para ser criança. A que se devem essas olheiras hoje, dormiste mal? Não, simplesmente é dia 17 de manhã e houve um Argentina-Argélia às 2 da manhã e um Áustria-Jordânia às 5 da madrugada.
Fechado por futebol, escreveu Galeano. Aberto para ser criança, acrescento eu."

As mulheres não sabem lidar com a pressão


"Questionar árbitras é apenas mais uma camada para mulheres que escolheram uma difícil profissão

Há algumas semanas, no Brasil, a frustração por ter perdido um jogo do Campeonato Paulista, levou um jogador, ligado ao Benfica, a desabafar algo como «um jogo desta dimensão não devia ter sido arbitrado por uma mulher». Gustavo Marques foi imediatamente censurado pela mãe e companheira - pasme-se, mulheres - e pediu desculpa, mas não se escapou a um castigo: foi multado pelo clube e suspenso por 12 jogos.
Mais recentemente, em Roland-Garros a mesma ideia. O ténis é uma modalidade onde regularmente mulheres lideram jogos de homens - a primeira final de Grand Slam julgada por uma mulher só ocorreu em 2007 - mas o tenista paraguaio Adolfo Vallejo acabou sancionado com a multa mais alta da história da prova, no valor de 65 mil euros, após proferir comentários machistas dirigidos à árbitra brasileira Ana Carvalho. Depois de perder com um francês, afirmou que o encontro deveria ter sido arbitrado por um homem, acusando-a de não ter conseguido gerir a pressão do público francês.
Infelizmente, não é com multas, por mais altas que sejam, que este tipo de pensamento vai mudar. Veja-se Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, que se referiu a uma jornalista como «essa menina» e questionou os conhecimentos de futebol de outra profissional da comunicação social. Pela ministra da igualdade, foi chamado de «bafiento», mas é líder do clube mais valioso do mundo.
Ora gerir a pressão, sobretudo sendo árbitras, é algo a que as mulheres estão muito habituadas. A isso juntam o dilema diário do que fazer para o jantar, lembrar constantemente ao companheiro onde se guardam (há anos) as fronhas de almofada ou, mais a sério, ir à noite para o carro sempre com as chaves nas mão, para passar o mínimo de tempo possível do lado de fora da viatura. 
A coragem de decidir ser árbitra, seja para avaliar mulheres como homens, é em si já uma prova de coragem, de alguém que acredita o suficiente em si para projetar confiança e autoridade. Alguém que sabe sempre o que vai fazer para o jantar."

Estão mais seguros no México!

Ninguém vai buscar a bola às silvas !!!

Será assim em todos os jogos?!

Será que a Seleção da Inglaterra passou pelo mesmo escrutínio?!!!

Imaginem se este Mundial fosse organizado num país do terceiro mundo?!!!

Nora Fatehi, Vegedream, Sanjoy, FIFA Sound - Siir Siir (FIFA World Cup 2026™) [Official Music Video]

Zero: Ataque Rápido - Mundial #1

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - O que ganhou a Seleção com o Chile e o que falta para o Mundial?

Futebol à Parte #45 - BRASIL desilusão do MUNDIAL 2026?

ESPN: Futebol no Mundo #572 - Grupos A, B, C e D: o caminho do Brasil rumo ao mata-mata

FIFA: 27 Minutes Of Pure Joy | BEST EVER FIFA World Cup Celebrations

Rabona: From TRAGEDY to Football’s Biggest Stage | Uzbekistan World Cup Preview

Zero: Negócio Mistério - S06E01 - Schillaci

Terceiro Anel: Mundial - Alemanha...

Terceiro Anel: Mundial - Brasil...

Terceiro Anel: Mundial - Grupo D

Terceiro Anel: Mundial - Grupo C

LiveMode: Aquece, vais entrar #5

FIFA: Stories From The Cities | Episode 11: Toronto

FIFA: Stories From The Cities | Episode 10: Houston

FIFA: Stories From The Cities | Episode 9: Guadalajara

FIFA: Stories From The Cities | Episode 8: Philadelphia

FIFA: Stories From The Cities | Episode 7: Kansas City

FIFA: Preview Series | Episode 8: "Long Wait"

FIFA: Preview Series | Episode 7: "African Rising"

FIFA: Preview Series | Episode 6: "Different Paths"

FIFA: Preview Series | Episode 5: "Last Dance"

SportTV: Alternativo - Chile...

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #30 - Espanha e o pré-VAR

Simples: Mundial - PORTUGAL no Mundial 2026: O FINAL foi INACREDITÁVEL! 🤯

DAZN: Champions - Os melhores golos - Parte I

DAZN: F1 - O primeiro Grand Slam

Panamá: onde o futebol continua a ser sinónimo de Julio Dely Valdés


"Em Itália chamavam-lhe Manteiga, pela capacidade de se esgueirar entre adversários. Em Espanha, tornou-se num dos melhores estrangeiros do Málaga. Mas, mais que tudo, foi ele que deu a conhecer ao mundo que no Panamá também se jogava futebol.

Há um país que é uma ligação. Uma ligação entre as Américas, uma ligação entre o Atlântico e o Pacífico, uma ligação para o comércio internacional. E nesse país, há um antes e um depois de Julio Dely Valdés. Antes de Julio, o boxe, o basebol e o basquetebol eram a ligação, o futebol não era a ligação. Depois de Julio, o Panamá também passou a ser sinónimo de Dely Valdés. E Dely Valdés passou a ser uma ligação do seu país ao mundo.
Julio Dely Valdés, avançado versátil, mais móvel e chato para os defesas adversários do que um verdadeiro matador, nasceu em Colón, uma das pontas do Canal do Panamá, onde o seu pai trabalhava, em 1967. Se foi ele o primeiro a nascer ou Jorge, o seu gémeo, é um dado biográfico desconhecido. Mas ambos ficariam ligados para sempre, fosse pelos genes, pela data de nascimento ou pelo caminho que ambos trilharam no futebol, ainda que Julio tivesse sido mais bem-sucedido.
Uruguai, Itália, França, Espanha. A carreira internacional de Delyrio, alcunha que lhe deram quando jogava no Nacional de Montevidéu, passou por alguns dos melhores campeonatos mundiais, mas não começou bem. O seu irmão mais velho, Armando, era jogador do Argentinos Juniors quando Julio tentou a sua sorte num teste no clube que formou outro Armando, ou melhor, Diego Armando Maradona. Não ficou.
Mas não deixou a Argentina. Encontrou pouso no Deportivo Paraguayo, clube da comunidade paraguaia de Buenos Aires, na altura no 5º escalão do país, e foi de tal maneira prolífico que do outro lado do Rio da Prata alguém lhe prestou atenção, já o avançado tinha 22 anos. Dely Valdés foi então para o Nacional, para uma primeira experiência como profissional, sagrando-se campeão nacional em 1992.
Cruzar o charco para o Cagliari, de Itália, não foi um acaso. O clube sardo tinha forte presença uruguaia, a começar por Enzo Francescoli, e estava sempre de olho nos melhores talentos saídos do campeonato charrúa. Terá sido mesmo uma conversa com El Principe que convenceu Dely Valdés a assinar pelo clube. Em Itália, ganharia outra alcunha: Manteiga, por passar facilmente pelas defesas adversárias. Mais exageradas terão sido, na altura, as comparações com Marco van Basten, pela sua técnica, que aliava ao poderio físico.
Duas boas épocas no Cagliari valeram-lhe a contratação para o PSG, onde se sagraria campeão da Taça das Taças em 1996. Seguiu para o Oviedo e depois para Málaga, onde se tornou referência para os adeptos e é, ainda hoje, o melhor marcador de sempre, com 47 golos, em igualdade com Salva Ballestra.
Se na Europa, Dely Valdés já era de corpo e alma um embaixador do então desconhecido futebol do Panamá, na seleção tanto ele como o irmão gémeo Julio, que fez carreira no Japão, nunca conseguiram o objetivo final de chegar a um Mundial. E como selecionador ficou perto, mas na qualificação para o Brasil 2014, um golo tardio dos Estados Unidos roubou o lugar de play-off à equipa. “Eu era o treinador principal e o meu irmão o adjunto. Foi muito difícil, estávamos tão perto e ao mesmo tempo tão longe de atingir algo único”, lamentou numa entrevista à FIFA.
Quatro anos depois, foi já como adepto, e à distância, que Dely Valdés viu o primeiro apuramento do Panamá para um Mundial. “Não podia berrar tudo o que queria porque estava em Espanha e o jogo foi durante a madrugada. Teria acordado os vizinhos”, brincou, numa conversa com o “Guardian”.
Como treinador, Dely Valdés assumiu-se como um disciplinador. Talvez venha de casa, ele que relembrou os pais como pessoas “pontuais, sérias e responsáveis” ao “Guardian”. O respeito que granjeou na Europa também lhe deu respaldo para tal. “Usei essa autoridade. Disse na altura a oito ou nove jogadores-chave que ao mais pequeno sinal de indisciplina estavam fora. E com isto os outros ficam a pensar: ‘Se ele corta a cabeça ao um tipo que líder…’”.
Ainda assim, mesmo com toda esta disciplina, o romantismo não abandonou Dely Valdés. Em 2020, foi convidado pela ESPN para escolher aquele que, para si, era o melhor jogador de sempre da América Central. E Dely Valdés optou por Jorge “El Mágico” González, avançado de El Salvador conhecido pela sua técnica e capacidade de drible estonteantes, um mago com a bola a quem a falta de disciplina (e talvez a nacionalidade) não permitiu voos mais altos."