"'Isto é uma roubalheira! És uma vergonha, tem vergonha na cara! Ladrão! És um ladrão!'
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) May 7, 2026
Rui Costa, dirigindo-se ao arbitro Gustavo Correia.
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Últimas indefectivações
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Cúmulo da verdade!
Penalty's...
Até ao último instante! ❤️🔥#HóqueiBenfica pic.twitter.com/V8NCuy7GPP
— SLBenfica Modalidades (@modalidadesslb) May 7, 2026
Comunicado
"O Sport Lisboa e Benfica informa que, no âmbito dos direitos e deveres que lhe são conferidos pelos Estatutos, reuniu esta manhã, presencialmente, no Estádio da Luz, com o grupo de investidores norte-americanos que pretende adquirir uma posição acionista na Benfica SAD.
No decurso dessa reunião, o Sport Lisboa e Benfica solicitou diversas informações adicionais, designadamente sobre aspetos potencialmente concorrenciais e estratégicos, encontrando-se agora esses elementos em fase de análise e avaliação jurídica.
O Sport Lisboa e Benfica fará valer todos os direitos que lhe assistem, em defesa dos superiores interesses do Clube, reservando para breve uma decisão definitiva sobre esta matéria."
A infame saída de jogo do Paris Saint-Germain
"Há qualquer coisa nos últimos 15 anos do PSG que parece alguém a jogar CM, mas a fazer batota: “E agora vou comprar o Messi e o Neymar e vou experimentar pôr o Cristiano Ronaldo na baliza para ver se consigo ganhar na mesma…” O PSG não tem uma história para contar. Em 2011 foi adquirido pelo fundo catari, sob a gestão de Nasser Al-Khelaïfi, e passou a juntar aquela confusão entre Estados e futebol. Hoje é um novo-rico entre novos-ricos
Lembram-se dos Pontos Negros? Pois deviam. Estão a ver os Strokes? Pois os Pontos Negros vieram de Queluz, com teclas em vez de baixo e dois vocalistas a dividir canções. O Jónatas, que é portista, está neste momento ocupado a celebrar a conquista do campeonato; o Lipe, que é cá dos nossos, está, como dizer?, mais disponível para os grandes problemas do espírito.
Diz-me o Lipe que há um problema com o Paris Saint-Germain. Eu respondo-lhe que há vários. Mas o Filipe concentra-se num em particular: o PSG sai a jogar do meio-campo com um pontapé para a frente, na direcção da linha lateral. Perante tão miserável saída, o Lipe vê logo a abominação. Compara-a às variantes americanas de bola oblonga. E tem razão. Há ali qualquer coisa de anti-futebol. Há ali um pecado contra a bola redonda.
Certamente haverá uma explicação táctica. Há sempre. A bola comprida serve para apanhar o adversário desprevenido, dirão; para empurrar o jogo para uma zona favorável, instalar pressão no meio-campo contrário, acrescentarão. Tudo muito inteligente, tudo muito laboratorial, tudo muito Championship Manager.
É que há qualquer coisa nos últimos quinze anos do PSG que parece alguém a jogar CM, mas a fazer batota: “E agora vou comprar o Messi e o Neymar e vou experimentar pôr o Cristiano Ronaldo na baliza para ver se consigo ganhar na mesma…”; “Por mais dois milhões de tokens, ganhe acesso ao jogador Maradolé, misto de Maradona e Pelé.” O pontapé para a frente vem daí. Vem dos truques que um miúdo descobre quando passa demasiado tempo fechado num quarto a brincar aos deuses.
O futebol é uma arte narrativa. Começa no instante em que a bola é entregue a outro homem, como quem acrescenta uma frase a uma história mais vasta: atravessa obstáculos, encontra desvios, procura sentido. É uma pequena epopeia sobre um campo relvado, com vinte e dois homens a fingirem que procuram apenas um golo, quando, na verdade, procuram uma justificação para estarem vivos naquela tarde. Uma equipa que, em vez de sair a jogar, se limita a despachar deliberadamente a bola para fora do campo, procurando jardas, trai qualquer coisa de essencial num desporto que pertence à ordem da ligação.
Não admira que o Lipe sinalize o problema. O Lipe é dos Pontos Negros e sabe que a narração dá sentido ao tempo. Transforma acontecimentos dispersos numa forma. Já ouviram os Pontos Negros? Os Pontos Negros contam histórias. Uma das suas canções chama-se “Conto de Fadas de Sintra a Lisboa”, e é, literalmente, um conto de fadas de Sintra a Lisboa. Aquilo diz-nos: isto vem de algum lado, percorreu um caminho, carrega uma memória, aponta para um fim.
O PSG, pelo contrário, não tem uma história para contar. Produz. E quem produz não precisa de origem nem de destino. Precisa de eficácia e rendimento. O PSG não nasce de uma comunidade, nem de uma lenta sedimentação simbólica. É optimizado, enfim, para ocupar um lugar que antes não existia organicamente. Não tem infância.
Quando se fala do PSG, é nestes termos que se deve falar. O clube começa em 1970. Não é propriamente uma fundação; é uma data de fabrico. É como se fosse a versão europeia de um clube da NASL, tipo o Cosmos, para onde as estrelas iam morrer.
Apesar de artificial, a ideia não era descabida: Paris seria talvez a única capital europeia sem um grande clube à altura. Mas só nos anos 80 ganharia o primeiro campeonato. E até 2011, a sua grande figura era o Pauleta. Nada contra o Pauleta. É bom homem, mas é também o Pauleta.
Quando, nesse ano, o PSG é adquirido pelo fundo qatari, sob a gestão de Nasser Al-Khelaïfi, passa a juntar aquela coisa assassina da confusão entre Estados e futebol. É o que aconteceu ao City, o clube mais fixe de Inglaterra. Podemos todos fingir que não estamos a ver. Mas estamos.
O novo PSG consegue juntar aquela vulgaridade do excesso de dinheiro do Real Madrid — um clube que sempre foi grande à conta do dinheiro que tinha e tem — a uma quase total ausência de mitologia. No Real Madrid, a história ajuda a disfarçar. No PSG, nem isso. É um novo-rico entre novos-ricos. Como aqueles empresários de primeira geração que se passeiam de chinelos a dizer Gucci em letras garrafais, sem se aperceberem de que, apesar de tudo, o problema maior não é a marca dos chinelos. São os chinelos.
O Dembélé, o Vitinha, o Nuno Mendes e o João Neves mereciam todos jogar num clube com alma. Mereciam que cada passe encontrasse uma parede antiga, um fantasma de uma derrota, a estátua de uma lenda. No PSG, por melhores que sejam, parecem nomes gravados a ouro no tal par de chinelos.
Haveria uma justiça secreta se, na final da Taça dos Campeões, contra o Arsenal, o PSG perdesse. Uma justiça ética, que é, a seguir à justiça divina, a única que devia haver. Sei que os Pontos estão comigo. Lembram-se dos Pontos Negros? Os tais que eram de Queluz? Pois deviam. Os Pontos percebem mais de futebol do que o Qatar e Paris juntos. Eles, de Sintra a Lisboa, sabiam de onde vinham e que história nos estavam a contar."
E ainda goza...
"«Se alguém comprar um bilhete para a final [do Mundial] por dois milhões de dólares [€1,7 M], levo-lhe pessoalmente um cachorro e uma cola para me certificar de que passa um excelente momento.»
Gianni Infantino, presidente da FIFA
Faltam 35 dias para o início do Mundial 2026 e tudo se conjuga para uma fase final caótica, entre as dúvidas em relação à participação do Irão, as preocupações com segurança no México, os avisos de tempestade que levam à interrupção, antecipação ou adiamento de jogos nos EUA e os problemas em relação a vistos para os adeptos que queiram viajar para ver jogos. E os preços.
Sim, os preços, inflacionados em tudo, desde os mais de 100 euros para ir do centro da cidade a alguns estádios, aos mais de 300 para estacionar a quilómetro e meio de outros, desde os dos hotéis... aos bilhetes.
Não bastou a política flexível de bilheteira, que fazia com que os valores dos ingressos variassem consoante a procura, agora, no mercado secundário, legal nos Estados Unidos, começam a aparecer bilhetes por valores absurdos, como quatro ingressos para a final por 8 milhões de euros.
É verdade o que Infantino disse numa conferência em Beverly Hills, na Califórnia — o facto de alguém pedir esse dinheiro não quer dizer que seja esse o valor deles. Os bilhetes custam, na verdade, o que derem por eles.
Mas em vez de mostrar empatia com o facto de tantos adeptos do futebol, habituados a seguir as suas seleções para todo o lado, não terem dinheiro para ir aos EUA, o presidente da FIFA ainda goza, oferecendo-se para levar pessoalmente um cachorro e um refrigerante a quem pague esse valor. É preciso ter lata, e não é de cola..."
Os milagres que não acontecem
"O desporto continua a ser um dos poucos palcos sociais que ainda premeia quem mais faz por merecer a felicidade. O talento vence pouco talento, mas talento sem trabalho tem mais dificuldade em superar trabalho com talento. E quando se defrontam equipas muito talentosas, percebemos que só o trabalho sustenta o sucesso. Estruturas e culturas pouco robustas raramente atingem resultados exigentes e ambiciosos. Cesc Fàbregas, treinador do Como 1907, disse este fim de semana algo relevante sobre estes milagres e a entrega dos seus jogadores: «Se o Bola de Ouro [Dembélé, do PSG] pode pressionar a campo inteiro, todos o podem fazer.»
Os campeonatos aproximam-se do fim e existe o hábito de recorrer às palavras sorte ou azar nestes contextos de decisão, mas em competições prolongadas, entre equipas com armas semelhantes, por norma vence quem mais fez para vencer e, goste-se ou não, a maioria das classificações finais reflete aquilo que cada um fez ao longo da época.
Fica cada vez mais difícil compreender como alguns clubes ainda acreditam que a mudança de treinador a uma ou duas jornadas do fim possa provocar milagres. Salvo situações excecionais em que o próprio treinador peça para sair, estas decisões têm uma probabilidade muito baixa de sucesso. Normalmente assentam na ideia de que o clube fez quase tudo bem, exceto, e esse exceto é fulcral, a escolha do treinador. Ignora-se quando dá jeito que o recrutamento e despedimento são processos que refletem valores, rotinas, virtudes e defeitos da organização.
Estas substituições são ações de desespero, compreensíveis, mas revelam também que, época após época, muitos dirigentes não aprendem. Olhar para despedimentos na última curva remete-nos para outro processo: a escolha inicial do treinador. Todos podem errar, mas a repetição do erro e o momento em que a decisão é tomada revelam a maturidade do clube e de quem decide.
Um presidente avalia a equipa com ferramentas diferentes de um CEO ou de um diretor desportivo. O que se exige é capacidade de analisar o processo de forma abrangente, não apenas com uma visão que defende um ponto de vista, mas com informação proveniente de vários ângulos e com o máximo de informação e de detalhes.
Detalhes esses que têm muito impacto nos jogos, mas também na construção de cultura organizacional, no recrutamento, no suporte à liderança, na estrutura e no alinhamento entre áreas são igualmente determinantes. Sabemos que o desporto coletivo não é uma folha de Excel onde o orçamento define a classificação final, ainda assim, quando uma equipa que investe mais no plantel, na estrutura e em tudo o que a rodeia fica sistematicamente atrás de outras com menos recursos, mesmo com vários treinadores, não deveria ser difícil identificar onde está o problema.
Aproxima-se mais um fim de semana com decisões importantes. E, independentemente da ideia de que podem acontecer milagres, quando eles surgem significam, acima de tudo, que houve trabalho consistente, estruturado e de qualidade, muitas vezes invisível."
Japão: Nakata pintava o cabelo para dar nas vistas, fartou-se do futebol e foi vender saké
"Apanhou todos de surpresa, em 2006, quando anunciou a retirada aos 29 anos após o Japão ser eliminado do Mundial. Grande figura do futebol do Japão, ele próprio uma grande figura, Hidetoshi Nakata não via futebol, não lia jornais, quando chegou à Serie A nem conhecia as equipas e não dava entrevistas: preferia escrever coisas no seu site, isto antes da virada do milénio
Na Dortmund amarela, dentro do Westfalenstadion que precipita sobre o campo a maior bancada sem lugares sentados da Europa, mas quando o único de amarelo era o da canarinha, um homem escondia o pranto. Deitado de costas na relva, os joelhos fletidos, os braços atirados para trás da cabeça, Hidetoshi Nakata tapava a cara com a camisola suada por um brasileiro. O Japão acabara de perder, andor para fora do Mundial e o seu melhor jogador parecia desconsolado. Seria a derrota a arcar com a culpa, a não ser que ele soubesse algo.
Já o sabia há uns meses: era a sua última vez num campo de futebol. Tinha 29 anos.
À vista desarmada o desalento era óbvio, com óculos de ler nem por isso. Quase duas décadas volvidas, saído da obscuridade, Nakata tirou pó à bobina. Contou numa rara entrevista que o amor pelo jogo sumira, esvaziara-se o depósito do único japonês a participar nos 10 encontros que o país fizera até 2006 em Mundiais, logo um que nem gostava do meio onde estava. “Joguei sempre pela paixão. Não era fã de futebol, gostava de jogar futebol. Essa é a razão por que saí, perdi a paixão”, revelou à “The Athletic”, em 2025, já fumado o seu cachimbo da paz com a modalidade.
Assíduo frequentador de semanas da moda em capitais europeias, as fotografias mais atuais mostram-no trajado pela Louis Vitton ou seus pares da alta costura. Uma calça como se pintalgada por Jackson Pollock ou um sobretudo de gola larga que nem asa de avião; a gravata por baixo da camisa, sustida na pele do pescoço, com a perna cruzada à beira de uma passerelle para desvendar o tornozelo sem meia. Nakata faz-se hoje vistoso para dar nas vistas no meio onde as aparências predominam.
Sempre o fez, aliás. Nascido na prefeitura de Yamanashi, não longe do Monte Fuji, ainda jogava no Shonan Bellmare durante os primórdios da J-League, em 1998, quando o país se estreou em Mundiais. Desejoso por jogar na Europa, bastava-lhe impressionar com os pés, mostrar como domesticava a bola, mas quis reforçar a intenção ao pintar o cabelo todos os dias. “Era importante ser conhecido no mundo”, disse, ao reforçar que levou o hábito ao torneio porque “esperava ser reconhecido”.
Se era essa a ânsia, Nakata podia ter optado pelo beisebol, íman da loucura desportiva dos japoneses, mas deixou-se encantar pelo Capitão Tsubasa - “Oliver e Benji” em Portugal -, série mangá onde o campo de futebol era quilométrico e os personagens demoravam um episódio inteiro a ir de uma baliza à outra. Decidiu-se pelo futebol e, em 1998, o Perugia pagou €4 milhões pelo jogador, de certa forma, também ele um personagem.
Não via futebol, nem queria saber
Aos 21 anos, Nakata não via futebol, nem jornais lia. Desconhecia mais de metade das equipas da Serie A, então ainda o campeonato que mais nivelava por cima o futebol europeu. “Só queria jogar futebol.” O japonês sabia quem eram Zinedine Zidane ou Alessandro Del Piero, mas pouco mais. Mesmo assim, finda a primeira época, a France Football listou-o entre os candidatos à Bola de Ouro. Ficaria ano e meio no maior clube da região da Úmbria até se mudar para a capital, onde se pintou de giallorosso para a eternidade: conquistou o scudetto, em 2001, com a AS Roma, partilhando louros com Francesco Totti, Aldair, Gabriel Batistuta e Cafú.
Quando vai à cidade ainda lhe agradecem apesar do estatuto de suplente, pouco Nakata podia contra o ídolo que tem murais pintados paredes-meias com ruínas romanas. Durou 18 meses no Olímpico, vendido ao Parma por mais de €28 milhões ao Parma e amealhando 10 milhões de visitas no seu site oficial no dia em que a mudança virou oficial. Em tempos pré-históricos das redes sociais, o japonês já pensava adiante. “Nesse tempo, poucas celebridades, futebolitas ou empresas tinham um. Os media controlavam tudo. Queria ter a minha própria voz”, enquadrou ao “The Athletic”, numa entrevistas das que raramente dava enquanto jogava. Na virada do milénio, o hype em torno de Nakata era real.
Estavam cinco mil japoneses no estádio do Perugia quando se estreou pelo clube, uma falange impressionante que o jogador extravasou com o tempo. Na explosão da internet, Nakata criou a sua aura, alimentando a persona com o penteado descolorado, a roupa alinhada com as modas e a sua cara empolada por marcas como a Nike, a Mastercard ou a Canon. Chegado o Mundial de 2002 com deveres de anfitrião repartidos por Japão e Coreia do Sul, era ele a cara do futebol no seu país. A histeria com a ida aos oitavos de final fez companhia à que o jogador motivava.
Ainda jogaria no Bologna e na Fiorentina antes de acabar no Bolton Wanderers de Sam Allardyce, amordaçado pela rigidez do 4-4-2 e da dureza do futebol inglês. Nakata estranhou o frio, sentiu falta da comida italiana, murchou no cinzentismo inglês. O desencanto com o futebol atingira o pico. “Gosto de elegância e sou assim na vida, não só no futebol. Gosto de coisas bonitas, roupa, arquitetura, design, vistas“, admitiu. Arrumado o seu copioso choro em Dortmund, ao adeus no Mundial de 2006 fez seguir três anos quase contínuos a viajar pelo mundo.
Diz ter visitado mais de 100 países e vê-lo associado a futebol é miragem. Apaparicado pela moda, veste-se caro enquanto faz negócio de uma costela do seu Japão, dedicando-se à venda de saké, a típica bebida alcoólica de arroz fermentado, além de uma marca de chá criada pelo próprio. O seu site mantém-se na internet, vivo e em força, e a mensagem que pretende passar fica clara na sua biografia. Em nove linha, só a primeira descreve sem grande afinco quem ele foi. “Antigo membro da seleção nacional do Japão“, lê-se. E nada mais."
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