1. Na minha crónica de domingo no jornal O Jogo escrevi: "Se Mourinho, com toda a sua capacidade, com toda a sua experiência, com todo o seu estatuto, não for capaz de conduzir o Benfica ao sucesso, quem será capaz de o fazer?"
2. Todos os treinadores precisam de tempo para trabalhar as suas equipas, Mourinho chegou com o mercado fechado, pegou no que tinha, um plantel com várias lacunas, tem desenvolvido as qualidades de vários jogadores, ele próprio tem falado muito de Dahl, mas o que tem feito com Prestianni é brutal, com Schjelderup também, com Barreiro, com Aursners, que está de novo um monstro, praticamente com todos.
3. Quem achava que Mourinho estava ultrapassado, acabado, com a carreira a caminhar rapidamente para o ocaso, note como a equipa tem evoluído, a diferença da primeira para a segunda visita ao Dragão, mesmo que o resultado tenha sido pior para a Taça, a diferença de Newcastle para Turim, mesmo que perdendo os dois jogos, o jogo perfeito com o Nápoles, o jogo extraordinário, ontem, com o Real Madrid.
4. O Benfica precisa como de pão para a boca de um treinador de projeto, para trabalhar a prazo, com tempo, o Benfica precisa de estabilidade no seu projeto desportivo. Mourinho tem tudo para ser esse treinador: tem capacidade indiscutível, tem experiência que nunca mais acaba, tem estatuto assente num curriculum impressionante, comunica como poucos, tem Benfica dentro dele, adora o Benfica Campus, fica lá sempre que a mulher vai para fora, interage com os treinadores de todos os escalões, deixa-os assistir aos treinos da equipa principal, chama frequentemente miúdos para treinar com ele, puxa por eles, vai-lhes dando oportunidades, precisa de tempo.
5. Penso, em suma, que seria uma boa medida Rui Costa propor a Mourinho o prolongamento do contrato até ao final do seu mandato, até ao final da época 2028-29."
"Mais do que solidariedade coletiva, o explorar de um flanco direito que tinha apenas Carreras contra o resto do mundo ou o golo de Trubin num gesto técnico a fazer lembrar Mário Jardel, existem sete notas a reter nesta noite histórica do Benfica de Mourinho contra o Real Madrid de Arbeloa.
1 - Os colossos não gostam de corajosos. E se há coisa que o Benfica demonstrou ontem foi coragem. Na forma como procurou pressionar alto. Na agressividade com que disputou todos os duelos. Na maneira como não se deixou abater quando esteve em desvantagem. Contra os maiores, a coragem não garante vitórias, mas aproxima das mesmas quem a ousa ter.
2 - Os mais inteligentes devem estar sobre o corredor central. Tomás Araújo, Aursnes, Sudakov e Pavlidis são os cérebros do Benfica dentro de campo. Cada um com as suas especificidades, mas todos complementares. Em comum, além do símbolo que trazem ao peito, a inteligência técnico-táctica ao serviço da equipa. A procura das melhores soluções sempre ao serviço da equipa.
3 - Aursnes no corredor central é um must. Quem diz que o norueguês não é intenso esquece que o futebol não se resume aos kms assinalados no GPS após o final do jogo. A maior e mais importante intensidade é a mental. Aquela que permite ler o jogo, antecipar cenários e tomar boas decisões ainda antes de ter a bola nos pés. No Benfica, e até mesmo em Portugal, é difícil encontrar jogadores mais intensos mentalmente que Aursnes.
4 - O Benfica é muito mais competente ofensivamente quando joga com Sudakov, Schjelderup e Prestianni. O ucraniano, liberto em termos de movimentações, deambula por onde a equipa precisa dele. Surge como ligação, pauta, segura, acelera de acordo com o que o jogo pede. Prestianni continua a ser o agitador de serviço, mas já começa a perceber que nem todas as acções requerem sprints desenfreados. Schjelderup é o que vimos ontem: associação, criatividade no 1 vs 1 em espaço reduzido, presença em zonas de finalização. E pode ser muito mais. Assim tenha quem o entenda e quem lhe dê a confiança necessária
5 - Há lesões e eliminações que vêm por bem. O ditado popular não é esse, mas a verdade é que este Benfica 2.0 já sob as ordens de José Mourinho surge depois das lesões de Lukebakio, Barrenechea e Richard Ríos e após as eliminações na Taça da Liga (Sudakov ainda à esquerda, Barreiro a 10) e da Taça de Portugal. Prestianni e Schjelderup passaram a ser presença mais constante nas alas, Sudakov passou para a zona 10 e Barreiro tornou-se o 8 de ruptura que só poderia ser ao lado de um 8 cerebral que durante vários meses foi o homem dos sete ofícios (Aursnes).
6 - O trabalho supera sempre o talento. O talento de grande parte dos jogadores madridistas é inquestionável. A capacidade individual que quase todos têm para resolver um jogo de um momento para o outro também. Mas quando o adversário se apresenta de forma corajosa e com claras intenções de "matar o jogo", importa que as capacidades volitivas estejam presentes e a 100%. O Benfica foi superior no plano técnico-táctico porque, muito antes da bola começar a rolar, já estava a golear no plano da mentalidade competitiva.
7 - A forma como José Mourinho celebrou o golo de Trubin fez-me lembrar a maneira como festejou o apuramento do seu Inter de Milão para a final da Liga dos Campeões em pleno Camp Nou, depois de eliminar o Barcelona. Nessa época Mourinho foi campeão europeu, tudo aponta para que isso não aconteça em 2025-2026, mas foi bom voltar a ver neste festejo o Mourinho de outros tempos: corajoso, destemido, sedento de vitória, inspirador"
"Nesta edição da BNews, o destaque recai no triunfo do Benfica ante o Real Madrid por 4-2, com um golo de Trubin no último lance da partida e que deu o apuramento às águias para o play-off de acesso aos oitavos de final da Champions.
1. Memorável
José Mourinho sublinha a "noite fantástica para a equipa". E explica: "Independentemente do nosso futuro na competição, seja para chegar longe, seja para ficar pelo caminho na próxima eliminatória, é uma vitória histórica sobre o Real Madrid."
2. Declarações pós jogo
Schjelderup, considerado o homem do jogo, reaĺça a jornada fantástica da equipa: "É disto que os sonhos são feitos."
Otamendi realça o empenho coletivo: "É um resultado merecido pelo trabalho de todos."
Trubin foi herói por uma rara razão: "Não sou o Pavlidis, que costuma marcar. Para mim é completamente novo."
Prestianni elogia o grupo de trabalho: "Esta equipa lutou muito, merecemos."
Pavlidis alinha pelo mesmo diapasão: "Merecemos continuar. Somos um grande clube e queremos continuar a lutar."
E Dahl reitera a ideia: "Todos deixaram a alma em campo."
3. Trubin!
A celebração do marcador inesperado do golo da qualificação.
4. Encontro oficial
As Direções de Benfica e Real Madrid estiveram reunidas no almoço.
5. Eliminação no set de ouro
O Benfica caiu nos oitavos de final da CEV Challenge Cup de voleibol.
6. Jogos do dia
A equipa B do Benfica recebe o Lourosa às 18h00. Em voleibol no feminino há partida europeia na Luz, com o Benfica a ser anfitrião do Fenerbahçe Medicana.
7. Europeus de andebol e de futsal
Acompanhe a prestação dos atletas do Benfica nestas competições."
Não pode chover no país, fica tudo engatado, não tem descrição a loucura que foi para me deslocar, estacionar e chegar - muito atrasado - ao estádio.
14 Entro na Catedral e vejo o Prestianni a ser derrubado na área, a jogada segue e o Barreiro sozinho em frente ao redes falhou. Jogada parada e VAR chama o apitador, que decide por não assinalar. Só com o Benfica os apitadores não seguem os VAR. Quantos exemplos querem que vos dê? Mete nojo, crl!!!
20 Courtois além de grande redes é enorme: o que ele evitou agora num remate perfeito do Prestianni, pkp!
21 o Aursnes a falhar agora sozinho um golo em frente ao Courtois. E toma lá mais uma jogada de perigo na área dos blancos
26 Sudakov muito bem nestes 9 nin a que assisti. E o Prestianni.
30 lei cruel do futebol, lei cruel de Champions: quem não marca sofre. Zero-um. Nós perdoámos várias, eles vão lá e à primeira marcam.
34 obrigado Trubin, estás na baliza para fazer defesas difíceis, mas eu agradeço na mesma
36 Schjelderup de cabeça e por baixo da rata do Courtois? Mas que assistência do Pavlidis! Ma-ra-vi-lha!!! FORÇA
39 Fdx Schjelderup! Fizeste o mais difícil... era só enfiá-la lá dentro. E o Barreiro mete já de seguida à rede lateral de cabeça. Nossa senhora, tanto golo falhado. Benfica a sair muito bem de trás, belo plano de jogo do Mourinho.
45+2 penálti! Só vi um dos nossos no chão na molhada dos cantos. O que diz o VAR? Não escorregues, Pavlidis! Gooooooolooooo!!! Benfica na frente não pode ser mais justo.
45+4 foram mesmo 45 minutos à Benfica! Golos esperados: 2.42 para nós, 0.35 para eles. Grandes oportunidade 5-1! Enquadrados 6-2! Vamos lá repetir isto na segunda parte.
51 ó Pavlidis, entao atira-se assim direto para o Courtois encaixar?
53 uauuuuu mas o que foi isto Schjelderup!!! Toma lá Courtois, prenda do SCHJEL-DE-RUP: três-um!!!
57 jogar contra o Mbappe é lixado: três-dois.
BENFICA, BENFICA, BENFICA!
Catedral no apoio!
65 a vizinhança toda agarrada ao telemóvel com a tabela da Champions no visor. Neste momento estamos apurados - mas falta muito jogo em muitos campos... e aqui só temos um de vantagem
68 mais um golo cantado desperdiçado, agora o Sudakov, sobre a direita ao segundo poste, bola pouco cortada.
74 a raça de Dahl a puxar pelo tribunal
77 Trubin a ser chamado à ação por duas vezes em menos de nada. O perigo a rondar a nossa baliza. Estamos a sair pouco lá de trás
64.305 na Catedral. Muito bom!!!
84 mais uma perdida nossa, grande jogada do miúdo Prestianni - tanta energia e tanto futebol tem mostrado hoje.
90 mais cinco para sofrer. Aursnes tem sido outro monstro da noite. O que joga o bacalhau ali no meio.
SÓ MAIS UM, SÓ MAIS UM, SÓ MAIS UM!
A Catedral toda de pé, vamos Benfica!
90 + 6 tudo na frente, a dar tudo para não morrer na praia. Incrível, TRUBIN a dar-nos o apuramento num golpe de cabeça magistral!!! FA-BU-LO-SO!!! Mas que noite épica, há muito que merecíamos uma cousa destas."
"Numa grande exibição, as águias bateram (4-2) o Real e mantiveram-se vivos na Europa. Aos 90+8', Trubin — sim, o guarda-redes — subiu à área adversária e levou a equipa de Mourinho para uma eliminatória onde defrontará o Real (sim, de novo) ou o Inter
Caos, chuva, golos, enganos, emoção, toda a gente a olhar para os telefones para entender uma tabela gigantesca, com 36 equipas. E, lá no alto, Trubin.
Na baliza de Sergio Ramos, Trubin. Também nos descontos, como Ramos em 2014 para o Real, mas para o Benfica. Fechou uma noite épica, encerrou minutos de glória para o futebol nacional, porque o Sporting também ganhou e até ajudou os vizinhos.
футбол, чорт забирай. Diz um tradutor que é assim que se escreve o famoso "football, blody hell" de Ferguson. Futebol. Futebol feito loucura com 18 encontros ao mesmo tempo, 17 deles já terminado, e tudo confluindo para a Luz.
Faltava um golo ao Benfica. Todos os restantes desafios já haviam concluído e, após largos minutos de contas confusas, agora a matemática era simples. Durante alguns instantes, a mensagem não terá passado. Minutos antes do seu momento épico, Trubin perdeu tempo, talvez convencido que o 3-2 bastava. Rui Costa quase teve um ataque de nervos.
Mas a mensagem lá passou. Um último livre. O Real, com nove pelas expulsões de Asencio e Rodrygo, com pouca gente para defender, se bem que isso não diferiu muito do que se viu durante a maior parte da partida. Cruzamento de Aursnes, Trubin na área, golo.
No delírio, José Mourinho recriou festejos icónicos, num misto entre a correria de Old Trafford, em 2004, e os braços abertos para o Camp Nou, em 2010. Celebrou agarrado a um apanha-bolas. Mais no limite não poderia ser. O Benfica está no play-off, onde defrontará o Inter... ou o Real Madrid. Sexta-feira há sorteio.
Entre a tempestade, de chuva e emoções, os reencontros. Foi dia de saudar o passado na Luz: Mourinho com Arbeloa, ou Mourinhismo contra Mourinhismo; o Benfica contra o Real, o adversário que derrotou na final de 1962; os merengues no estádio da décima, o campo sagrado de 2014; Carreras diante do emblema que o vendeu num negócio milionário no derradeiro verão.
Apesar dos velhos conhecidos, havia espaço para a relativa novidade. A multiplicação dos jogos nas competições europeias tem levado à repetição constante de alguns embates e à visita permanente de certas equipas. O Atlético, a Juve, o Liverpool ou o Arsenal tornaram-se visita comum aos relvados nacionais. Mas não o rei da Champions, que nos últimos 20 anos apenas realizou a terceira presença em território português. Ter em frente o Real Madrid, até por ser incomum, é como medir forças com a própria história desta competição, é como tentar tirar uma das orelhas grandes desta taça. E elas foram arrancadas.
Se a noite chegou a ser de dilúvio, o Benfica vestiu o fato épico. Entrou com energia e agressividade, roubando com contundência e atacando com velocidade, marcando um claro contraste com a postura muitas vezes sobranceira dos blancos. De cada vez que Mbappé não pressionava ou Vinícius não defendia, abriam-se clareiras que as águias, cheias de intenção, aproveitavam.
Mourinho passou a antevisão a falar de eficácia, quase que antevendo o guião dos primeiros 35'. Uns a criar, com Tomás Araújo, Pavlidis, Aursnes ou Prestianni sem êxito, e outros a marcar. Onde o Benfica falhava, Mbappé acertou, aproveitando a passividade de Dedic. Pegando na métrica que Mou popularizou. Toques na bola na área adversária: Benfica 18-6 Real. Golos. Benfica 0-1 Real.
Não obstante, a desvantagem não abalou os encarnados. A chuva condizia com a vestimenta de guerra do Benfica e contrastava com uns merengues demasiado passivos. No enésimo ataque rápido pela direita, Pavlidis encontrou a cabeça de Schjelderup para o empate.
Durante largas semanas, Mourinho viciou-se em preencher o onze de médios, ignorando a existência de Schjelderup e Prestianni, como se o seu plantel não tivesse atacantes. Subitamente, o norueguês e o argentino são opção e, voilá, eis uma equipa com armas para ferir o adversário.
A chuva do desperdício manteve-se. Dedic, Schjelderup e Barreiro, estes dois de baliza praticamente aberta, deixaram José Mourinho de braços abertos, queixando-se aos céus cinzentos de Lisboa de uma qualquer conspiração contra si. No entanto, o intervalo chegaria com o merecido 2-1.
Otamendi ganhou um penálti e Pavlidis não falhou. Ao intervalo, na confusão da tabela dos 36, eram precisas ajudas alheias e, idealmente, mais um golo a favor dos portugueses.
Schjelderup passou boa parte de novembro, dezembro e o começo de janeiro sem sequer entrar nos desafios do Benfica. Falava-se em saída, Mourinho queixava-se da falta de golo dos seus atacantes. Perante o maior dos gigantes, o norueguês teve a sua melhor noite de encarnado. Aos 54’, após o Benfica ativar o contra-ataque, a bola chegou a Andreas, que fez o que o seu treinador tanto pede: puxar para dentro, remate, golo.
No frenesim de um serão de emoções fortes, os espanhóis tardaram quatro minutos a responder. Güler trabalhou, Mbappé bisou, mais um pouco da história do fenómeno francês ligada a Portugal, país que parece entrelaçado na vida de Kylian.
O resto do jogo foi passado com um olho no relvado e outro nos telefones. O Benfica foi saltando entre um lugar nos 24 primeiros e uma posição que dava eliminação. Sair da Europa significava quase sair da época em janeiro.
Não houve golos até ao descontos, só o descontrolo do Real Madrid, que perdeu Asencio e Rodrygo por vermelhos. O Benfica tardou em aperceber-se que necessitava de um golo, mas o atraso contribuiu para o drama. O cabeceamento de Trubin já é parte da gloriosa história internacional do clube bicampeão europeu."
"Jogo brilhante da equipa de José Mourinho, a começar pelo planeamento do treinador, apura-a para o play-off. Uma vitória com espírito dos anos 60 e lembrar a todos o que é ser, verdadeiramente, Benfica.
ABSOLUTAMENTE ÉPICO! O Benfica encontrou-se com a História, e honrou Eusébio, Coluna e todos os ases que fizeram deste clube um gigante que olhou os outros de frente e nunca se deve atemorizar perante o desafio, mesmo que ele se chame Real Madrid.
Por uma noite, os benfiquistas revisitaram aquilo que o clube deve sempre ser. Uma equipa tremenda em campo, solidária na missão, uma bancada em apoio a fazer desta Luz um verdadeiro inferno para o colosso espanhol. Quantos podem dizer que ganharam mais vezes ao Real Madrid do que o contrário? Foi isto que pais passaram a filhos, avós a netos. Esta noite, na Luz, cumpriu-se o Benfica! Com muitos heróis, o último deles um improvável ucraniano, enviado para a linha da frente pelo comandante Mourinho para atirar a águia para o play-off da Liga dos Campeões.
O jogo foi incrível. O Benfica pressionou o Real Madrid, criou oportunidades bastantes e o resultado ao intervalo até deixava um sabor agridoce aos encarnados. Venciam por 2-1, mas era manifestamente pouco para aquilo que tinham feito. Ao intervalo, o Benfica era uma equipa que tinha feito quase tudo bem. Desde logo, na estratégia: José Mourinho acertou em tudo. A criação de oportunidades foi tanta que, quando Mbappé fez o 1-0, só podia haver fúria pelos golos falhados e resignação por um destino anunciado, tantas vezes se o viu nesta Champions. Mas este era um Benfica com espírito de 1960. E onde se antevia descrença, viu-se fé, viu-se raça, viu-se muito bom futebol.
Prestianni, Sudakov e Schjelderup dinamizaram o ataque, mas até Barreiro e Dedic perderam ocasiões. Pavlidis também, mas quando chegou à marca de penálti fez o que lhe é normal e meteu a bola no fundo das redes. Em 45 minutos, o Benfica foi mais rápido, mais forte, mais inteligente que o Real Madrid.
É claro que do outro lado estava um clube que está habituado a dar a volta a situações adversas. Há qualquer coisa que faz sempre duvidar do Real Madrid, mas esse é também um mérito deste Benfica. Na reentrada, esperava-se reação madrilena, mas foi Courtois quem salvou o golo de Pavlidis. O Benfica inclinou-se para o golo, continuou a ser ofensivo e chegou ao 3-1 por um Schjelderup de futuro incerto. As estrelas do Real não tinham ponta de brilho no relvado da Luz. Tanto assim era que ninguém notou Mbappé, o francês passou despercebido e reduziu para 3-2. O que se passou entre o golo do gaulês e o apito final foi a criação de um enredo que levou a noite para a História.
Havia golos em todos os lados, o Benfica esteve dentro do play-off, depois saiu, Bellingham atirou ao lado, Sudakov atirou ao lado e começou a aparecer Trubin. Uma defesa aos 77, uma defesa aos 78, Courtois negava o 4-2 a Barreiro.
Havia tática, claro, mas por essa altura só interessava uma coisa: entrar nos 24 primeiros, fosse como fosse. Não havia golo na Luz, mas havia golos por todo o lado. Nenhum interessava ao Benfica a determinado momento, pelo que teriam de ser mesmo as águias a agarrarem o próprio destino.
O Benfica-Real Madrid foi o último jogo da noite, nem todos os jogadores perceberam que necessitavam de mais um golo, mas quando o árbitro apontou uma falta a meio-campo e o Real Madrid ficou reduzido a nove, Trubin vestiu a capa de herói, foi à área adversária e cabeceou a bola para o 4-2 final. O Benfica chegava ao play-off, mas mais do que isso, viveu aquilo que é ser, verdadeiramente, Benfica!
Benfica leva a melhor no confronto direto
Benfica e Real Madrid defrontaram-se por quatro vezes, sempre na Liga dos Campeões. Com a vitória desta quarta-feira, a vantagem continua da equipa encarnada, que soma três vitórias (5-3, final da Taça dos Campeões Europeus; 5-1 nos quartos de final de 1964/65 e este 4-2) e uma derrota (2-1, a única partida no Bernabéu, na 2.ª mão de 1964/65)."
São noites destas que constroem os Mitos, e o Benfica tem muitas estórias para contar. Recordo-me muito bem das estórias contadas pelos mais velhos, nas viagens a caminho da Luz, quando era puto, principalmente sobre as grandes noites Europeias que eu não assisti.... Este jogo, será contado e recontado durante muitos anos, nas bocas dos benfiquistas, na nossa memória coletiva! Uma série de acontecimentos impossíveis, tornados possíveis, todos somados, transformaram uma noite de tempestade, num jogo épico, inesquecível...
Se a vitória do Benfica era complicada, os outros resultados que nos poderiam beneficiar, até eram 'normais', mas com o Benfica ao barulho, nada é 'normal'!!! Prova disso foi a derrota do Atlético de Madrid em casa, contra o Bodo/Glimt!
Em relação ao jogo, fomos simplesmente muito melhores, o 4-2, é curto, muito curto, tal a nossa superioridade! Fomos melhores, porque fomos humildes, lutámos, e acreditámos sempre, mesmo após o injusto 0-1 !!! O Real tem os seus problemas, mas o Benfica soube aproveitar todas as suas debilidades,' e com um bocadinho mais de eficácia, o marcador teria sido ainda mais pesado!
Defensivamente, fomos coesos, algumas vezes, somente com duas linhas: 4 defesas, e 6 centro-campistas, com o Pavlidis, a defender e a compensar o posicionamento dos companheiros! Na 1.ª parte, além do golo, o Real tem uma remate de longe perigoso, e o cabeçada num Canto já nos descontos! De resto, só deu Benfica, com ataques rápidos apoiados, aproveitando bem a subida dos Laterais, principalmente do Carreras, que tentou marcar o Prestianni... e com o Vinícius, de cadeirinha, o Dedic ficou com corredor aberto, sem ninguém pela frente!
Ofensivamente, conseguimos quase sempre jogar entre-linhas, fazer as mudanças de flanco necessárias, e faltou somente a definição junto da área, para marcar mais... No 2.º tempo, em vantagem por 3-1, aos 54', jogámos mais recuados, atacámos menos, mas mesmo assim criámos sempre perigo... Pessoalmente, acho que o Mourinho voltou a adiar demasiado as substituições, o Sudakov, o Schjelderpup, o Prestianni e o Sudakov rebentaram fisicamente por volta os 70'...
Depois, chegámos aos malucos 5 minutos de compensação!!! Duas expulsões do Real Madrid, com um Rodrigo (excelente jogador) que aparentemente não conhece as regras do Futebol, e principalmente com um Benfica confuso, que não sabia que precisava de mais um golo para se qualificar para o Playoff! Adeptos, Técnicos, Presidente e jogadores, confundidos... e tenho quase a certeza que culpa foi da aplicação da Flashscore, que mais acabou o jogo do Bodo/Glimt, actualizaçou a Classificação Live erradamente, não somando os 3 pontos aos Noruegueses, deixando o Bodo com 7 jogos, e 6 pontos, e o Benfica no 24.º lugar!!! Já depois das últimas substituições, com o António a entrar para defender o resultado, a informação correta chegou ao banco e os 5 minutos, já tinham passado, só faltava o tempo adicional que seria dado devido às substituições e aos Vermelhos!!!
Toda a gente no Estádio, sabia que aquele livre seria o tudo ou nada, todos sabíamos que jogo iria acabar logo a seguir! Naquele momento, comentei com os companheiros de bancada, que ser eliminado por 1 golo, depois duma Champions tão atribulada, com tantas coisas 'estranhas', como o penalty desperdiçado pelo Pavlidis, em Turim, com uma escorregadela, seria o cúmulo da frustração!!! Mas depois de tantos 'azares' durante toda época, na Champions e internamente, com tantos resultados injustos, perdendo pontos várias vezes, com golos no último minuto, perder por 0-1 em Londres, com um auto-golo, golos falhados em catadupa contra o Leverkusen, com jogadores totalmente isolados, etc, etc... teria que haver um momento, onde o Karma tinha que cair para o nosso lado!!!
Com o Real estrelado, com menos 2 jogadores, com um Livre Lateral perigoso contra, e com as suas duas prima-donas, a não recuarem para a área para a ajudar, a deixarem somente 5 jogadores de campo, a defenderem 8 jogadores do Benfica, com os 2 metros do Trubin no meio, o impossível tornou-se inevitável!!! Épico, inesquecível, mágico, justiça divina (excepeto para o pessoal de Marselha!!!), memorável... Trubin, fez aquilo que milhares de génios do Marketing e das finanças, não conseguem fazer: Internacionalizou a marca do Benfica, de forma estratosférica!!! E ainda deu uma das maiores alegrias ao universo Benfica dos últimos anos!!!
O Schjelderup foi eleito MVP, mas podia ser qualquer um!!! Literalmente qualquer um!!! Não houve um jogador a jogar mal: o Trubin mesmo sem muito trabalho, até foi inteligente ao não segurar a bola, pois o chuva não parou...; os Centrais tiveram Imperiais... O Dedic, secou o Vinícuis e ainda teve tempo de jogar a Extremo... O Dahl, fez outro jogo monumental, com suor e inteligência... Barreiro e Aursnes, ainda falharam dois passes, mas felizmente o Real não aproveitou, mas no resto do jogo, foram incansáveis, e se o jogo durasse mais 90 minutos, eles não teriam qualquer problema!!!
Na frente, é impressionante as melhorias defensivas do Prestianni e do Schjelderup. O argentino, terá feito o melhor jogo no Benfica, o mais completo pelo menos. Foi muito importante, quando apareceu no meio, entre-linhas, com boas recepções, e boas decisões... e ainda abria assim, caminho para o Dedic descer... O Andreas, já tinha feito um grande jogo com o Barça o ano passado, na fase de grupos, mas hoje marcou dois golos!!! O Sudakov, também fez o seu melhor jogo pelo Benfica, a defender e com bola, sem marcação apertada, com mais tempo para rodar, conseguiu ser mais vertical... O Pavlidis, festejou o penalty como fosse um golo de bicicleta, apesar de ser o nosso melhor marcador, por larga distância, ultimamente a eficácia tem estado em baixo... e até nos passes curtos, nota-se a frustração, mas mesmo desperdiçando, assistiu e foi um escravo no trabalho coletivo...
WHAT. A. NIGHT. 🔥 Os golos da última jornada da fase de grupos da #UCL!
Agora, venha o Diabo e escolha! Como não podia deixar de ser, depois desta qualificação Gloriosa, ficámos com duas 'escolhas' invejáveis: Inter ou novamente o Real !!! Aviso já que prefiro o Inter, já o ano passado, jogámos com o Barça, e depois voltámos a jogar com eles no mata-mata! Nas últimas épocas, temos também vários jogos com o Inter e coisa tem corrido mal, sempre a sermos roubados à grande, mas apesar de tudo, acho que este Inter é ligeiramente mais acessível do que o Inter do Inzaghi... e como nunca ganhámos ao Inter, algum dia terá que acontecer, e nada melhor do que o Mourinho para nos guiar numa eliminatória, contra a outra sua equipa!!!
Uma nota sobre a arbitragem: até aceito a reversão do VAR no penalty assinalado pelo árbitro, mas no início dessa jogada, o Arada empurrou à descarada o Prestianni e esse tenho a certeza que é falta, a única dúvida, era perceber se a falta foi dentro ou fora da área, mas nas repetições que consegui apanhar parece-me ser em cima da linha, portanto teria sido penalty! No penalty que acabou por ser convertido, aceito as queixas de alguns espanhóis, é um daqueles penalty's 'cinzentos'... Agora, disciplinarmente o Real só tem que agradecer ao árbitro, os dois Trincos Franceses do Real, deviam ter sido Expulsos, por acumulação de Amarelos... Os dois!!!
Mas antes do regresso da Champions, temos o Campeonato, a começar no Domingo em Tondela! Não espero um jogo igual, até porque o Tondela não nos vai o espaço para jogar que o Real nos deu!!! Vamos ter mais opções, o Mourinho poderá gerir o desgaste em alguns jogadores, mas não acredito em grandes mudanças... A grande mudança, tem que ser mesmo na cabeça dos jogadores. A famosa mudança de Chip! Não é fácil passar dum jogo épico numa Luz lotada, visto literalmente em todo o Planeta, para um jogo em Tondela, mas o Benfica só pode ganhar...
Foi por pouco, contra uma equipa dum campeonato mais competitivo, mas que estava ao nosso alcance, acabámos eliminados no Gold Set, depois dum excelente jogo... mas os Turcos acabaram por ser mais fortes, com a grande diferença a ser executada no Bloco!!!
Hoje, pouco mais podíamos fazer, mas na Luz, oferecemos 1 Set, que hoje fez muita falta... o regresso do Nivaldo, também ajudou!
"Era o regresso de Turim, onde o Benfica mesmo perdendo se bateu e discutiu o jogo como lhe competia, com a personalidade que é exigida a um grande clube. Sem conseguir os ambicionados pontos, o caminho era voltar a casa para cumprir a obrigação de vencer na receção ao vizinho Estrela da Amadora. Entre duas montanhas europeias difíceis de escalar, nada como um jogo mais acessível para lavar a alma da equipa e dos adeptos. Vitória clara, consolidada na segunda parte, com momentos felizes e um ambiente propício.
De volta ao campeonato, José Mourinho surpreendeu, e depois percebeu-se, porque já seria a hora de estrear o lateral de apenas 17 anos, Banjaqui. Por um lado, poder integrar mais um jovem de qualidade é sempre positivo e, ao mesmo tempo, permitir a Dedic algum descanso era conveniente. O lateral bósnio vem sendo um dos maiores dinamizadores da equipa quando se trata de atacar, sendo por isso uma arma fundamental para mais logo confrontar Carreras. Ao mesmo tempo, e não menos importante, o confronto com Vinícius Júnior espera-se duro, ou não fosse o internacional brasileiro um dos mais velozes alas do planeta.
Um duplo duelo que se espera interessante e que vai exigir de Dedic uma noite de grande concentração e desgaste. Muita responsabilidade, portanto, ofensiva e defensiva, para o lateral bósnio que, quem sabe, pode vir a significar a diferença neste histórico reencontro.
Noutro âmbito e em época de exageros vários, também linguísticos, vulgariza-se o termo épico, por nada de extraordinário, palavra que deveria estar reservada para momentos distintos e realmente especiais. Isto tudo para dizer que mais épico e perfeito não poderia ser o contexto do golo que fechou a vitória frente ao Estrela. À qualidade da primeira titularidade de Banjaqui, já só faltava mesmo uma assistência, e ela viria nesse inspirado momento. O que dizer do primeiro toque na bola de Anísio na sua inesquecível estreia, de verdadeiro cabeceador, a cruzamento do seu parceiro de carreira? Será que temos finalmente no Benfica um homem de verdadeira dimensão aérea? Promessa boa, mas sem pressa...
Na Luz viveu-se, então, um jogo diferente que trouxe lembranças boas de outros tempos, não pelo especial brilhantismo exibicional, mas pelos vários momentos especiais que proporcionou, um dos quais o regresso de Pavlidis à felicidade. Agora é a vez da Liga dos Campeões cuja qualificação é quase uma miragem, mas é ainda possível, dependendo desde logo deste confronto histórico, de boa memória, para honrar e tentar vencer.
Pela metade
A arbitragem está longe de ser o meu assunto preferido e evito sempre discussões estéreis, que são uma perda de tempo, quase sempre desvirtuadas pela tendência clubística de cada um. Mais uma vez, ninguém nega a grande dificuldade que arbitrar representa, mas também é impossível ignorar o fraco e ultrapassado critério da nossa arbitragem. Não é melhor quem apita mais. Eu sei que é uma ideia básica, mas por vezes quando se é mau de mais, é ao básico que se deve voltar. É uma regra da qual, quer equipas, quer jogadores, também por vezes se devem lembrar.
Quem lidera o jogo é o árbitro e tem a responsabilidade primeira de respeitar o público seja ele qual for, e não é parando o jogo consecutivamente que tal se consegue. Não é só uma opinião, porque são os factos e os números que o confirmam. O número de faltas e cartões ditam o tempo de jogo útil pela metade. A quem ainda tem dúvidas é comparar com outros campeonatos.
O último jogo na Luz é só um exemplo, como muitos outros, em que só se joga uma parte. Não tem a ver com um jogo específico nem com as respetivas equipas, mas com perfil triste e ultrapassado que importa inverter. Se a formação de árbitros é má como parece ser, que cada um dos árbitros tenha personalidade para individualmente fazer a diferença.
Alegria de mais
A emoção e a alegria de um golo decisivo obtido no final de um jogo toldam, por vezes, o discernimento do autor da proeza. É difícil de entender que alguém tire a camisola estando já amarelado, mas não é uma situação única e tendo jogadores mais experientes como intérpretes.
Desta vez aconteceu recentemente a João Fonseca, valoroso central da equipa B do Benfica, marcador do golo da vitória frente ao Chaves, já em tempo de desconto. Ter sido o segundo golo da sua carreira é uma relativa atenuante. Será admissível pela euforia de um goleador novato, mas só uma vez. Agora é fazer mais golos para compensar.
Sonhos
Vivemos tempos de crítica fácil, muita dela emitida por quem inveja o sucesso alheio e por quem gostaria de ter feito carreira, mas pouco sabe do que fala. Muito criticar e pouco valorizar é uma tendência bem lusitana e mais do que nunca atual.
A grande popularidade do futebol também resulta de ter sido jogado um pouco por todos na rua ou na escola, nem que seja a guarda-redes e em balizas de duas pedras. Que saudades dessa infância... O muito tempo que entretanto passou deixa na maioria dos antigos miúdos, agora graúdos ou velhotes, a ideia construída pelos sonhos de criança, que eram melhores com a bola do que na realidade foram. As memórias e os desejos retratam os diferentes caminhos da vida."
"Se o Sporting acabará sempre a noite europeia com motivos de satisfação, o Benfica jogará pelo milagre ou por uma saída mais airosa, sabendo José Mourinho do peso da imagem final
Com quatro equipas eliminadas e duas já apuradas diretamente para os oitavos de final, são 30 as formações que vão jogar a derradeira ronda da fase de liga da Champions com a máquina calculadora na mão.
Sporting e Benfica não fogem à regra, mas as contas são bem diferentes entre os representantes portugueses na maior competição europeia de clubes. Os leões, bicampeões nacionais, têm encarado a prova continental com uma garra superior, e é natural que assim seja, por mais forte que seja o desejo de voltar a saborear o tricampeonato a nível interno. O leão continua faminto, mas é normal que olhe menos para o prato que tem degustado, confrontado com a oportunidade de experimentar um cardápio de luxo.
A matemática do Benfica é bem mais exigente, quase digna de um Prémio Nobel, tal a complexidade da conjugação de resultados para chegar a um único resultado possível. Ganhar para ter a audácia de sonhar com a presença no play-off. É essa a única equação com que a equipa de José Mourinho pode entrar em campo, perante o rei da Liga dos Campeões, treinado pelo setubalense entre 2010 e 2013.
No duelo entre estes dois gigantes do futebol europeu (e mundial), só Mourinho conseguiria desviar tanto a atenção dos emblemas, entre palmarés, recordações da passagem por Madrid e a relação com Arbeloa, já descontando os rumores que apontaram, a dada altura, para um eventual regresso ao Santiago Bernabéu. Como nem o próprio quer viver do passado, Mourinho avisou que é preciso «matar ou morrer de pé». A matemática diz-nos que o mais provável é que o Benfica fique pelo caminho, mas jogar pelo milagre é também jogar por uma saída menos envergonhada da prova, se esse for o desfecho da noite. A história do Benfica pode dispensar vitórias morais e prémios de consolação, mas uma coisa é sair da Liga dos Campeões com seis pontos, outra é somar nove pontos e fechar com um triunfo frente à sua antiga equipa, um adversário da dimensão máxima.
O Real Madrid não é o Qarabag, mas por mais que Mourinho faça questão de recuperar a chocante derrota na ronda inaugural da prova — que ditou a saída do conterrâneo Bruno Lage —, sabe perfeitamente que a imagem final terá muito peso.
A noite é para «matar ou morrer de pé». E, já agora, para ver o que acontece ao Qarabag."