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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Vermelho em Branco #31 - Rescaldo da Jornada, o Mercado e os Playoffs da Champions!

BolaTV: Pedro, Pedro, Pedro #3 - Jornada em foco: Sporting e Benfica em análise, FC Porto na antevisão

Benfica: mais um ano perdido entre a euforia Real e a depressão Tondela


"É numa montanha russa de emoções e resultados que a águia de Mourinho - mas também de Lage e Schmidt - vive há muito tempo

Do 8 ao 80; e outra vez ao 8; e de novo ao 80 e, por fim, novamente no 8. É nesta montanha russa de emoções, de resultados, de exibições que o Benfica de Mourinho — mas também, já antes, de Lage e de Schmidt — vive há muito tempo, há demasiado tempo, até, tendo em conta os altos objetivos sucessivamente apontados, ano após ano, em cada discursa, ora do presidente Rui Costa, ora dos citados treinadores e jogadores. E o desfecho, inevitavelmente, repete-se, deixando à vista um cada vez mais provável novo ano perdido para os lados da Luz.
Desta vez, o problema nem esteve na irregularidade exibicional. Pelo contrário, o nível de construção das águias no enlameado e escorregadio relvado de Tondela até foi elevado, mas a finalização foi nula, como se percebe pelo 0-0 final — e isto após dois jogos em que os encarnados haviam somado oito golos (4-2 com o Real Madrid e 4-0 com o Estrela).
No espaço de quatro dias, o Benfica conseguiu ser épico e qualificar-se para o play off da UEFA Champions League, batendo o maior clube do Mundo — porém, longe de ser o melhor da atualidade — e empatar com o penúltimo classificado da Liga Portugal, num resultado que sabe a derrota, porque deixa os homens da Luz a cinco pontos do Sporting e em risco de ficar a 12 do FC Porto, caso este vença na noite desta segunda-feira o Casa Pia.
Um 0-0 em Tondela depois do 4-2 com o Real Madrid com um toque de fina ironia: se na noite épica de quarta-feira o herói foi Trubin, ontem o principal responsável pelo resultado final foi também um guarda-redes, neste caso Bernardo, o herói que tudo travou.
Tem a palavra o líder FC Porto, sabendo que vencer hoje lhe permitirá manter a vantagem de sete pontos sobre o Sporting em vésperas de clássico (é já na próxima ronda, dia 9) entre dragões e leões.
A ressaca europeia volta a fazer das suas. Várias equipas envolvidas nas emoções da derradeira jornada da Champions que, este fim de semana, sentiram mais dificuldades do que o habitual. O Sporting, após histórica vitória em Bilbau (3-2), o mesmo Sporting que bateu o PSG (2-1) e que assegurou lugar na elite do top-8 e apuramento direto para os oitavos, ontem só ao minuto 90+6 conseguiu conquistar a vitória frente ao Nacional.
Mas há mais: o Bayern empatou em Hamburgo (2-2), o Manchester City cedeu pontos com o Tottenham (2-2) e o Real Madrid só ao 90+10', de penálti, fez o 2-1 com o Rayo Vallecano, só para citar alguns exemplos."

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Lendário, a melhor palavra para Carlos Alcaraz


"Se pensarmos bem, é provável que estivéssemos anestesiados pela letargia da vulgarização. Novak Djokovic chegar às meias-finais dos quatro Grand Slams com a idade que tinha em 2025 já era um feito absurdo de tão estapafúrdio: em viagem dos 37 aos 38 anos e com as articulações a rangerem, Djokovic fê-lo e parece que absorvemos essa constelação de feitos como ver um autocarro a passar na rua mais movimentada de uma metrópole. Uma coisa indistinta devido à sua normalidade. E não sei se isto será o imperador dos elogios ou o cúmulo do insulto.
Melbourne proporcionou, no domingo, algo como um karma tenístico ao sérvio: longos anos foram os que Novak subjugou adversários à lei de espargatas, elasticidade de plasticina e potentes pancadas disparadas de posições-limite, obrigando quem o defrontava a arriscar tudo em cada bola para ter um semblante de hipótese de ultrapassar o tenista que a par de ser muralha no campo, construiu sentinelas de dúvida dentro da cabeça dos adversários durante os seus melhores anos; agora foi ele, com as aptidões físicas em natural falência, a ter de jogar em modo risco máximo para ter alguma chance de fazer um rapazola dançar. 
O jovem e jovial Alcaraz teve sempre mais um sapateado para dar, mais uma direita fulminante, mais uma resposta que devolvia a bola mais complicada do que como lhe chegara. Aos poucos, correu menos e fez Djokovic correr mais, o desespero em pessoa, o sérvio com os bofes de fora, a pedir comprimidos para as dores (antes do quarto set) e audivelmente a arfar enquanto o espanhol era omnipresente nos pontos estonteantes, quase apoteóticos para o ancião entre ambos não fosse Carlitos a corporização desse “quase” no ténis. É possível a um adversário ser espetacular ao defrontar o espanhol, mas é improvável que isso seja suficiente para o superar.
O tenista a quem se banalizou alcunhar com um diminutivo prova, a cada ano, a injustiça desse batismo carinhoso. Alcaraz já era o mais novo tenista a ser o número 1 mundial, a ganhar Grand Slams nas três superfícies. Virou agora, aos 22 anos e 272 dias, o mais jovem a conquistar Nova Iorque, Paris, Londres e Melbourne empunhando apenas uma raquete. Fatiou um ano e 195 dias à idade que já dava juízo a Rafael Nadal, em 2010, para começar a abdicar dos calções de corsário, à pirata, quando fixou o recorde de juventude ao ganhar o US Open. O seu adversário, nesse dia, foi Novak Djokovic, mais uma evidência de como o universo é fã de bumerangues.
Conhecendo o sérvio, terem passado 16 anos — os mesmos que tem de diferença para Carlos Alcaraz — e ser ele o repetente no lado derrotado do court onde se batizou outro recordista de precocidade será um pedaço que lhe custará horrores a deglutir. Djokovic é incontestável: a fibra que o perfaz, o seu poço sem fundo de recursos técnicos, o método monástico, silenciosamente furioso, com que se imiscuiu num duopólio, suplantou-o e sobreviveu-lhe com uma carreira que torna difícil contestar que ele é o melhor tenista da história. Há 18 anos ganhou o seu primeiro Grand Slam e ainda cá anda, intacto na aura mas a roçar os limites do seu corpo.
Como em Paris, onde se pôs sublime para ter um ouro olímpico, Djokovic estava obrigado a ir à perfeição em Melbourne. Haveria de apunhalar o erro em cada pancada, só assim teria hipótese contra o sprinter, meio-fundista, marchador e maratonista e demais especialidades fundidas num só Alcaraz, o alquimista de todos os truques. Mas nem assim o alcançou porque o espanhol chegou para todas as bolas, até as que o sérvio bateu por fora do limite da rede. Se Carlos, uma parede andante, cansa só de ver, imagine-se a fadiga mental que provoca em quem tenta fazer uma bola passar por ele.
A cinco meses de soprar 39 velas, já tinha sido impressionante a insurgência do sérvio contra Jannik Sinner, pneumático tenista, o outro co-líder desta nova geração que joga para terraplanar com intensidade quem a enfrente. Esvaiu-se aí o sérvio em energia, na que lhe faltou na final. “Já é uma lenda do ténis. É extraordinário, merece todos os elogios”, dedicou-lhe Novak, condecoroso para com este rival como pouco o vimos a ser em relação aos contemporâneos Roger Federer e Rafael Nadal enquanto ainda peleavam pelo púlpito de troféus que o sérvio acabou por reclamar. O reformado espanhol esteve na Austrália a assistir à final e até ele foi aplaudindo, com cara de espanto.
Qualquer alma nascida nos anos 80 sabe dos chiares que corroem o corpo quando se insiste em praticar desporto com este tipo de impacto já perto dos quarenta, por mais amador que seja. Fica inevitável não compadecermos com a forma como Djokovic manda o tempo ir às urtigas e voltar mais tarde para o vir buscar. Mas esta final tinha uma certeza antológica devido à sua dupla afronta contra o tempo. Desde Fred Perry, na década de 30, que ninguém vencia todos os majors à primeira final disputada em cada um; mais assombroso do que os sete Grand Slams que coleciona e todos os números de carreira é o perene lastro com que ‘Carlitos’ já inundou o imaginário coletivo do ténis: tão novo e já tão causador da sensação de ser imbatível.
Era justo acharmos, como achámos, que a ressaca de Federer, Nadal e Djokovic seria um depressivo buraco negro. Sofremos por antecipação ao prevermos que aos três melhores tenistas da história, coincidentes na mesma geração, seria impossível suceder algo com remotas parecenças. E eis que enquanto a luz do último deles finda após a chama dos outros dois se ter extinguido, apareceu um Jannik Sinner robótico na destruição maciça e um Carlos Alcaraz reguila no trato, com aura de ser gente como a gente, conquistador de apreços por dominar toda a palete de cores tenísticas e ter gestos como aquele sorriso maroto que lhe escapou antes de ser jogado o seu championship point em Melbourne, como uma criança prestes a receber um doce.
Haver um campeão que se digne a confessar que precisa de arejar a cabeça de vez em quando, cometer o crime de não existir a 100% para a ténis e ir a Ibiza com os amigos a meio da temporada, como o fez e mostrou num documentário, refresca a perceção de pertencerem a outra galáxia que cerca estes atletas que tocam na estratosfera. Novak Djokovic atribuiu-lhe o estatuto de lenda e até se estendeu na atribuição de cognomes — “pequeno titã” ou “jovem feiticeiro de Oz” — porque terá bem a noção de estar perante um diamante do mais raro que há. Se mantiver este ritmo e se imunizar contra lesões, aos trinta e poucos anos o espanhol terá os mesmos 24 Grand Slams do sérvio.
São duas enormidades de “se”, mas Carlos Alcaraz já é uma lenda. Fujamos à anestesia."

Fernando Mamede - entre o pódio e o esquecimento


"E esta crónica não é apenas sobre Fernando Mamede. É sobre o que este atleta de eleição simboliza — algo maior. É sobre o esquecimento a que o Estado e as chamadas “entidades de bem” votam aqueles que um dia foram heróis nacionais. É sobre hipocrisia. É sobre falta de memória coletiva. É também, e sobretudo, sobre saúde mental.
Fernando Mamede foi um atleta de elegância rara, de passada leve e de uma condição física excecional, alguém que personificava disciplina, talento e superação, mas também com uma condição mental que várias vezes o traía nos grandes momentos. Fui testemunha privilegiada in loco, nos Jogos Olímpicos de 84, em representação da equipa nacional de Pentatlo Moderno, dos problemas com que lutava e que o atormentavam. Foi recordista mundial numa épica prova de 10.000 metros, fixando a marca de 27:13.81 a 2 de julho de 1984, em Oslo, mantendo o recorde mundial durante cinco anos e tornando-se o último europeu a detê-lo.
Durante anos foi imagem de excelência, referência técnica e inspiração para gerações. E é precisamente por isso que o contraste é tão duro: atletas com este percurso não podem ser lembrados apenas para o folclore, para cerimónias pontuais, para fotografias ou discursos de ocasião. Devem ser acompanhados de forma séria e contínua na fase de pós-carreira, com políticas estruturantes, apoio psicológico, orientação profissional e enquadramento social digno.
Estou perfeitamente à vontade para falar de saúde mental porque não me limitei a opinar — avisei e pratiquei. Fui precursor nesta discussão quando ainda não era “tendência”, quando não dava palco nem likes. Trouxe o assunto para a agenda pública quando poucos queriam ouvir. E como dizia numa entrevista à SIC em 2022, este é daqueles temas em que o balão vai encher — porque agora todos vão falar disto — mas rapidamente se vai esvaziar se não houver estrutura, compromisso e continuidade. Não é um tema mediático; é um problema estrutural.
Em 2022, enquanto Presidente da AAOP (Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal), realizámos o primeiro Seminário de Saúde Mental, ainda sob o impacto direto da pandemia. Juntámos mais de 500 pessoas no antigo Cinema Roma para discutir o tema de forma aberta e frontal, com a presença de figuras como as ex-Ministras da Saúde Dra. Maria de Belém e Dra. Margarida George, bem como a Presidente da Sociedade Portuguesa de Saúde Mental, Maria João Heitor. Em 2023 criámos um handbook digital com conclusões e recomendações concretas. Em 2024 demos continuidade com uma segunda edição, alargámos o debate à sociedade civil, criámos uma linha gratuita de assistência a atletas em pós-carreira e realizámos um survey técnico, validado pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, dirigido a atletas de alto rendimento, permitindo pela primeira vez ter dados estruturados sobre o impacto real das questões de saúde mental na performance e na transição de carreira. Falámos individualmente com muitos — inclusive com o próprio Mamede.
Mas, em paralelo, lutámos sempre contra o mesmo muro: o corporativismo, a indiferença institucional, os que só gostam de aparecer nas cerimónias fúnebres, nas homenagens tardias, nos minutos de silêncio que custam pouco e rendem muito em imagem.
Este tema deveria fazer parte integrante de qualquer Plano de Desenvolvimento Desportivo sério. Não como rodapé ou intenção vaga, mas como eixo estruturante: transição de carreira, acompanhamento clínico e psicológico, reintegração profissional e monitorização contínua. O desporto não termina quando acaba a carreira competitiva — e ignorar isso é amputar metade da responsabilidade pública.
E há um ponto muitas vezes esquecido: tratar bem o pós-carreira não é apenas um ato de justiça social, é também um fator de performance. Quando o atleta sabe que não será abandonado no futuro, quando sente que existe rede, estrutura e dignidade mais à frente, a sua estabilidade emocional durante a carreira aumenta. Sintomas de ansiedade e insegurança podem ser convertidos em foco, motivação e vantagem competitiva, em vez de se tornarem fatores de perturbação. É uma questão humana, mas também estratégica.
É aqui que começa o ridículo coletivo: reduzir a solução à instrumentalização dos atletas em funções menores, como ouvi da boca de uma atleta olímpica com responsabilidade, como se o destino natural de quem representou o país fosse apenas “ir às escolas dar testemunho”. Isso é digno, mas é manifestamente insuficiente. Um atleta não pode ser transformado num adereço pedagógico itinerante, numa peça simbólica para preencher agendas ou alimentar boas intenções. Ser exemplo não deve ser sinónimo de limitação — deve ser abertura de possibilidades. A carreira após o desporto pode e deve passar pelo próprio desporto, mas não tem de ficar prisioneira dele. Há gestão, há formação, há liderança, há ciência do desporto, há comunicação, há empreendedorismo. Há mundo. Reduzir tudo a palestras ocasionais é confundir inspiração com solução estrutural.
Porque o problema não são apenas os nomes conhecidos que, de tempos a tempos, regressam às manchetes. São também os muitos outros que ninguém recorda, que vivem hoje em silêncio com dificuldades financeiras, emocionais ou identitárias. Poder-se-iam enumerar nomes e casos — como a intervenção decisiva da AAOP, em conjunto com o Jornal Record, no apoio ao nadador olímpico Fernando Madeira para garantir uma habitação digna após ameaça de despejo — e a lista seria longa demais. E isso, por si só, já é revelador.
Os atletas também falham entre si. Falta solidariedade. Surgem em entrevistas com soluções superficiais. Isso é importante, mas é apenas a superfície. O problema é estrutural. É política pública consistente, é sistema, é continuidade.
E curiosamente, quando o tema rebenta mediaticamente, surgem de imediato as vozes ajuizadas, os comentadores de ocasião, os especialistas instantâneos com soluções prontas e frases redondas. Multiplicam-se diagnósticos e receitas rápidas. Passada a espuma dos dias, o balão esvazia, as câmaras desligam-se e a estrutura continua por fazer. O país é fértil em opinião reativa e pobre em política consistente.
Duro.
E infelizmente tão real. Celebramos conquistas, mas falhamos pessoas.
Aplaudimos enquanto rendem, esquecemos quando precisam.
Hoje lembram-se das taças, das medalhas, dos títulos, das fotografias sorridentes no auge. Amanhã volta o silêncio.
Fernando Mamede não morreu apenas hoje — foi sendo abandonado muito antes, quando deixou de ganhar, quando deixou de servir o cartaz, quando deixou de ser útil para a narrativa.
E o símbolo final é doloroso: um funeral digno, sim, mas com poucas pessoas e poucas entidades presentes, desproporcional à dimensão e projeção do atleta. Num país que tem apenas uma fração mínima de atletas olímpicos vivos, cada perda devia ser um momento de memória coletiva e não apenas um ato protocolar discreto.
E mais revelador ainda: numa comunidade de cerca de 850 atletas olímpicos vivos, terão estado presentes na cerimónia derradeira do adeus apenas cerca de 15 olímpicos. Um número que diz muito. Demasiado pouco para a grandeza do atleta. Demasiado pouco para a solidariedade que merecia. Demasiado pouco para um país que gosta tanto de se rever nas vitórias mas se encolhe perante o dever de presença.
Isto repete-se ciclicamente, com nomes diferentes e histórias semelhantes.
O balão enche, o balão esvazia.
E o sistema permanece igual.
Até ao próximo herói."

Fernando Eugénio Pacheco Mamede


"Sporting ganhou ao Nacional na ponta final: como Mamede ganhava. Começou mal: como Mamede começava. Venceu com sofrimento: como Mamede, por vezes, ganhava.

Fernando Eugénio Pacheco Mamede. Grande entre os grandes. Enorme entre os enormes. Imortal como os imortais. Era assim que o via. É assim que o vejo. É assim que sempre o verei. Era assim que Portugal o devia ver. Mamede misturou excelência com mediocridade, céu com inferno, alegria com tristeza, recordes com desistências. 
Tinha dois corações. Um que toda a gente conhecia: batia bem devagar, tão devagar que lhe permitia chegar perto do fim das provas como se estas ainda estivessem no início. A medicina chama-lhe bradicardia. Eu chamo-lhe genética ímpar. O outro coração era conhecido de poucos: generoso, altruísta, brincalhão. A psicologia chama-lhe ingenuidade. Eu chamo-lhe amizade. Morreu a 27 de janeiro e pelos vistos, na mente de alguns, já teria morrido há muito, tão fraquinhas foram as homenagens que lhe foram prestadas.
Mas o jogo de Alvalade, o Sporting–Nacional, acabou, de algum modo, por ser uma homenagem a Fernando Mamede. Desde logo, claro, pelo minuto de silêncio (dava para ele, nos bons velhos tempos, dar uma volta à antiga pista verde e ainda correr mais uns bons metros). Depois, quase como no recorde do mundo de Estocolmo, em que tanto tempo FM andou atrás de Carlos Lopes, o Sporting entrou mal no jogo e continuou assim até muito tarde. Porém, como Mamede nesse famoso recorde dos 10 000 metros, em julho de 1984, os leões começaram, pouco a pouco, a acordar e, ao minuto 72 (1972: ano dos primeiros Jogos Olímpicos de FM), chegaram ao golo por Pedro Gonçalves.
Quatro minutos depois (dava para ele dar quatro voltas à pista), porém, balde de água fria em Alvalade, como Mamede na final olímpica de Los Angeles-1984: golo do Nacional. O Sporting, a exemplo de Mamede, oscilava entre o ótimo e o medíocre. Mas ainda havia a ponta final. Os últimos 400 metros. Ou, como em Alvalade, os últimos 14 minutos. Ou nos últimos 200 metros. Ou nos últimos segundos. E foi mesmo na ponta final do jogo, aos 90+6’, que Luis Suárez marcou e o Sporting ganhou. Na pontinha final. Como Mamede na Suécia. Como Mamede em Alvalade. Como Mamede na Noruega. Como Mamede no Estádio Nacional. Como Mamede, um pouco por todo o Mundo.
Não era apenas uma vitória nacompensação. Era o quarto triunfo seguido nos últimos minutos: PSG (90’), Arouca (90+6), Ath. Bilbao (90+4) e Nacional (90+6). Era uma sequência à Mamede: ganhar, ganhar e ganhar nas pontas finais. Foi assim em tantas e tantas provas, em tantas e tantas pistas, frente a tantos e tantos adversários. Místico. Quase como o primeiro golo do Benfica após a morte de Eusébio (minuto 13, frente ao FC Porto; 13: número do Pantera Negra no Mundial de 1966). Ou o primeiro golo de Anísio em dia de aniversário de Eusébio. Ou o golo de Ronaldo aos 21' no primeiro jogo de Portugal após a morte de Diogo Jota."

Prejudicados pela ineficácia


"O Benfica empatou em Tondela sem golos, numa partida em que foi bastante perdulário face às oportunidades de golo criadas e desaproveitadas. E a Fundação Benfica diz mais uma vez presente na ajuda a quem mais necessita. Estes são os destaques na BNews.

1. Comunicado
A Fundação Benfica manifesta a sua total disponibilidade para apoiar as autoridades competentes no âmbito da resposta às situações urgentes decorrentes do mau tempo que se abateu sobre o País.

2. Resultado injusto
Para José Mourinho, a equipa foi penalizada pela ineficácia: "A equipa respeitou o jogo, jogou para ganhar, fez tudo para ganhar, merecia ganhar, não ganhou. A única coisa que fizemos de negativo foi falhar tantos golos."

3. Faltaram os golos
António Silva lamenta a infelicidade em frente da baliza: "Tivemos muita capacidade para jogar no meio-campo ofensivo. Fomos capazes de nos ligar na frente, de chegar às zonas de cruzamento e finalização. O Bernardo [Fontes] fez uma grande exibição, falhámos muitos golos."

4. Outros resultados
Os Juniores do Benfica ganharam por 2-0 ao Santa Clara. Os Juvenis venceram em Guimarães por 0-1. Os Iniciados empataram 1-1 em Alverca. As equipas femininas de basquetebol e voleibol triunfaram ante Sporting (81-50) e Clube K (3-1), respetivamente. No râguebi masculino, derrota caseira com o Belenenses por 6-13.

5. Campeão sul-americano
Arthur é campeão sul-americano de futsal pelo Brasil.

6. Convocatória
A futebolista do Benfica Ana Clara Oliveira está convocada pela seleção brasileira Sub-20.

7. Europeu de futsal
Acompanhe a prestação dos jogadores do Benfica na competição.

8. Bom desempenho
Amélia Pinga estabelece novo recorde nacional de Moçambique no triplo salto.

9. Campeões distritais
Os Sub-14 de basquetebol do Benfica conquistaram o título regional."

Comunicado


"A Fundação Benfica manifesta a sua total disponibilidade para apoiar as autoridades competentes no âmbito da resposta às situações urgentes decorrentes do mau tempo que se abateu sobre o País.

A Fundação Benfica manifesta a sua total disponibilidade para apoiar a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e todo o dispositivo de emergência instalado no terreno, no âmbito da resposta às situações urgentes decorrentes do mau tempo e da situação crítica que se abateu sobre o País.
Nesse sentido, a Fundação Benfica encontra-se preparada para uma mobilização imediata de bens de primeira necessidade que se venham a revelar necessários, assegurando a sua entrega no terreno, à ordem das forças de segurança e das estruturas de apoio às populações.
Ultrapassada a fase crítica da emergência, e após identificação das necessidades pelas entidades competentes, a Fundação Benfica manifesta, igualmente e desde já, a sua disponibilidade para apoiar situações de extrema fragilidade social e de isolamento familiar, sempre que as respostas do Estado se revelem insuficientes face ao carácter excecional e imprevisível de uma catástrofe desta dimensão.
Todos estes pontos foram já comunicados às autoridades competentes.
O Sport Lisboa e Benfica expressa o seu profundo pesar pelas vítimas do mau tempo dos últimos dias e manifesta a sua total solidariedade para com as milhares de famílias que atravessam, neste momento, um período de grande dificuldade e exigência."

Basquetebol Feminino: 81-50

Voleibol Feminino: 3-1

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O grandão acabou com brincadeiras dos pequenitos


"Prestianni esteve pelo menos três vezes muito perto de marcar. Schjelderup também criou muitos desequilíbrios. Só não houve felicidade do Benfica porque o gigante, desta vez, estava na baliza do Tondela

A figura do Benfica: Prestianni (7)
Aos 2' estava a conduzir a bola sozinho, com muitos adversários pela frente, sinal de que estava ali para lutar e procurar o golo, contra destino que se anunciava difícil. O baixinho desequilibrou no ataque com fintas, combinações e remates, criou e finalizou ocasiões. Veja-se só os disparos com perigo: remate fora da área para boa defesa de Bernardo Fontes, grandão de 1,97 metros; aos 33' lançado por Pavlidis atira para grande defesa do guarda-redes; aos 54' remate em arco muito perigoso, para desvio do brasileiro; aos 58' nova ameaça com perigo; aos 68' disparo de pé esquerdo com a bola a sair perto do poste direito. Pelo meio outros remates, ora desviados por defesas, ora sem força ou ao lado da baliza. Ainda isolou Pavlidis (11') e aos 46' fez a bola passar pela pequena área, mas ninguém encostou. Sempre com compromisso defensivo, saiu esgotadíssimo aos 82'.

Trubin (6) — Aos 3’ já voou para afastar com os punhos um centro ameaçador de Bebeto, aos 12’ sentiu dificuldade em agarrar a bola depois desta perder velocidade na lama, aos 25’ viu bola sair do calcanhar de Jordan Pefok para o poste esquerdo. Primeira meia hora agitada. O grandão da baliza do Benfica teve depois pouco trabalho. Ficou a ver o que estava a fazer o grandão da outra baliza.

Daniel Banjaqui (6) — Ficou em sentido, no início, com a velocidade de Aiko. Também algumas dificuldades em meter os primeiros passes. Mas não deixou de procurar o ataque, somou dois centros perigosos na primeira parte e aos 43’ rematou forte, sem balanço e fora da área, para difícil defesa de Bernardo Fontes. Aos 58', na área do Tondela, meteu Prestianni na cara de Bernardo Fontes. Foi perdendo fulgor e saiu aos 62' por Sidny.

António Silva (7) — Jogou sem complicar — bola para longe — sempre que se exigia, para evitar qualquer risco. Ensaiou dois maus passes longos antes de outros dois muito bons — primeiro a lançar Banjaqui aos 24’ e depois a encontrar Pavlidis (33’), permitindo que este isolasse Prestianni. Bons cortes aos 22’ e 73, de cabeça e com o pé, mostraram que soube estar no sítio certo. Muito sereno.

Otamendi (6) — Aos 25' Jordan Pefok desviou à frente do argentino para o poste, mas o principal mal tinha sido feito por Dahl. Foi somando bons cortes, aos 48' matou um contra-ataque ameaçador de Rodrigo Conceição. Falhou alguns passes longos, especialmente na segunda parte. Foi dos que mais mostraram vontade de vencer. Aos 31' encheu-se de ganas, avançou com a bola controlada e rematou forte fora da área, mas a bola saiu ao lado do poste direito.

Dahl (5) — Apesar de ter combinado várias vezes com Schjelderup ou Sudakov, não teve assim tantos lances positivos no ataque. A defender quase comprometeu aos 25' — má abordagem a um lance, falhou no tempo de corte e permitiu que Rodrigo Conceição cruzasse para Jordan Pefok finalizar com perigo. Aos 90+2' rematou forte ao lado do poste esquerdo. 

Barreiro (6) — Formiguinha no meio-campo, sempre numa agitação, pressionou, cortou lances e tentou entregar depressa a bola. Caiu na área num lance com Bebeto na primeira parte, Luís Godinho assinalou penálti, mas reverteu a decisão depois de chamado pelo VAR para analisar as imagens. Com os minutos a passar, surgiu mais perto da área.

Aursnes (6) — Aos 74' esteve perto do golo, mas rematou com dificuldade e sem força contra Bernardo Fontes na pequena área. Aos 82' o guarda-redes voltou a travar-lhe um remate. Prático e com a preocupação de jogar para a frente, num toque de cabeça ainda deixou Schjelderup numa boa posição para marcar (59').

Sudakov (6) — Deu-se sempre ao jogo, combinou várias vezes com Schjelderup, Dahl, Aursnes ou Pavlidis, mas nem sempre tomou a decisão certa, sobretudo perto da baliza. Aos 61', por exemplo, perdeu tempo para rematar na área e perdeu uma oportunidade. Soltinho, bem fisicamente, fez com Pavlidis a primeira linha de pressão.

Schjelderup (6) — A exibição e os dois golos com o Real Madrid encheram-no de confiança, partiu com coragem para o um contra um, saiu-se bem várias vezes, meteu bem a bola em Pavlidis na área, abriu caminho para Dahl subir e rematou sempre que pôde. Aos 59' o pequenito norueguês esteve perto do golo, mas Bernardo Fontes estragou-lhe a festa.

Pavlidis (6) — Aos 11' recuperou uma bola, meteu em Prestianni, foi receber o passe do argentino, mas não conseguiu finalizar. Aos 33' grande passe para Prestianni, aos 35' rodou sobre um defesa, mas estava lá o guarda-redes, aos 65' cabeceou ao lado do poste direito, aos 90+2' entregou de bandeja para disparo de Dahl. Esteve na zona de finalização e criou oportunidades para os companheiros. Jogo de muitos duelos, difícil e de inverno, por isso nem sempre bonito.

Rafa (4) — Entrou aos 62', jogou primeiro ao lado de Pavlidis e depois na direita. Falhou vários passes e o jogo pareceu mais rápido que Rafa.

Sidny (6) — Também entrou aos 62'. Dois bons cruzamentos que Pavlidis e Aursnes não finalizaram. Tentou a sorte na marcação de um livre (contra a barreira) e num remate forte (ao lado).

Bruma (5) — Entrou aos 82' ainda a tempo de rematar forte com o pé esquerdo à entrada da área, mas a bola desviou em Rodrigo Conceição. Aos 90' recuperou a bola e lançou contra-ataque.

Anísio Cabral (6) — Entrou também aos 82'. Esteve muito bem — na primeira ação deu velocidade a um contra-ataque, usou o corpo para receber a bola e entregá-la bem, aos 90+2 meteu boa bola em Pavlidis, aos 90+5', à meia-volta sobre Medina rematou com perigo na área."

Benfica desceu bem à terra, mas mal à lama e à muita água


"O Benfica fez quase tudo bem. Até a superar a ressaca da tremenda vitória europeia. Faltaram apenas os golos. Mas os golos são, como diria La Palisse, a única forma de ganhar jogos.

O Benfica entrou em campo com o doping anímico de, quatro dias antes, ter batido, sem espinhas, o rei da Liga dos Campeões. Porém, minutos depois de o Sporting ter batido, em sofrimento, o Nacional, era preciso descer à terra. Passar do imponente Estádio da Luz ao bem mais pequeno João Cardoso. De 60 mil pessoas para apenas cinco mil. De um relvado enorme para outro bem mais pequeno. Do Real Madrid ao Tondela. De Courtois, Bellingham, Mbappé e Vinícius para Bernardo Fontes, Rodrigo Conceição, Makan Aiko e Jordan Siebatcheu. E a coisa não correu bem. Quatro meses (12 jogos) depois, o ataque encarnado voltou a ficar em branco na Liga, embora tenha completado o terceiro jogo seguido sem sofrer golos. E perdeu dois pontos para o Sporting, segundo classificado, estando agora a cinco de diferença.
Como reagiu a águia de Mourinho a tanta coisa diferente em escassos dias? Fisicamente, bem. Animicamente, bem. Reagiu com apenas duas trocas relativamente ao jogo com os merengues: Dedic por Banjaqui e Tomás Araújo por António Silva. Mas desceu a uma terra muito molhada, encharcada, aliás. O relvado tondelense, sobretudo nas áreas, era uma mistura de terra, relva, lama e água. Mas, claro, igual para os dois lados.
O Benfica entrou intenso, tal como intenso entrou o Tondela. Jogo aberto, rápido e sempre de área a área. Houve oportunidades de parte a parte. Pavlidis, Rodrigo Conceição, Schjelderup e Prestianni tiveram-nas nos primeiros minutos, mas sem perigo de monta. O que aconteceu aos 25 minutos, quando Jordan, de calcanhar, desviou a bola ao poste. Com a chuva intensa a dificultar a fluidez do jogo, registaram-se, sobretudo, muitos duelos a meio-campo. Ainda houve, por momentos, a possibilidade de o Benfica ter um penálti a seu favor, numa disputa entre Bebeto e Leandro Barreiro, mas, depois de alertado pelo VAR, Luís Godinho reverteu a decisão. O intervalo chegava com as águias por cima, claro que sim, mas sem chegar ao essencial: golos.
O jogo continuou amarrado no início da segunda parte. Pouco espaço, muita chuva, muito contacto. Jordan, após cruzamento de Rodrigo Conceição, ainda obrigou Trubin a uma defesa apertada, mas depois, pouco a pouco, o Benfica tomou ainda mais conta do jogo. A bola passou a andar sempre muito mais perto da área do Tondela e, quando ultrapassava a bem construída muralha adversária, aparecia Bernardo Fontes a deter tudo. Mas tudo mesmo. Prestianni, Schjelderup e Sudakov estiveram perto do golo, mas a eficácia continuou um zero absoluto. A do Benfica, claro, pois a do Tondela, personificada no seu guarda-redes, era máxima.
Até que José Mourinho, aos 62’, decidiu mudar: Banjaqui por Sidny Cabral e Schjelderup por Rafa. Cristiano Bacci respondeu de imediato: Maviram por Tiago Manso e Hodge por Pedro Henrique. Começava a batalha tática. Mas era difícil. Por entre tanta chuva, tanta lama e tanta densidade de jogadores junto da área de Bernardo Fontes, era preciso eficácia. O Tondela defendia-se com brilhantismo, o seu guarda-redes defendia ainda com mais brilhantismo, mas tornou-se evidente, com o passar dos minutos, que apenas um golpe de sorte mudaria o 0-0.
Perto do fim, aos 82’, Mourinho meteu mais lenha atacante. Bruma e Anísio entraram para os lugares de Prestianni e Sudakov. Frescura para substituir cansaço. Ideias novas para substituir ideias já conhecidas. Bruma, Dahl e, sobretudo, Anísio, num remate à meia-volta, voltaram a estar perto do golo, mas aí apareceu sempre Bernardo Fontes. E, pelo meio, mais chuva, lama e até vento. Para as duas equipas, repete-se."

Muito injusto, sim, mas a injustiça não vale pontos e os jogos ganham-se com golos


"Tondela 0 - 0 Benfica

Pré-jogo 1 - é muito importante cair na real da ligazinha interna depois de uma noite grandiosa na Champions. Não deixar o balão de quarta feira esvaziar: ganhar, garantir os três pontos, se possível com boa exibição.
Pré-jogo 2 - espreito o WeatherPro a meio da tarde: muita chuva para a hora do jogo. Algum vento também, mas não muito forte. Ouço na televisão que o relvado é novo, colocado no início da época, e tem bom escoamento. Tudo para confirmar durante o jogo.
Pré-jogo 3 - Luís Godinho, de luto feito segundo ele, volta a apitar o Benfica depois da VARgonha do Jamor. Nós, os adeptos do Benfica, é que ainda não abandonámos o período de nojo que se seguiu àquele roubo a céu aberto na final da Taça.

LA LA LA
LA LA LA LA
FORÇA BENFICA,
VENCE POR NÓS!

00' Banjaqui de novo titular, Dedic nem no banco. António também de regresso ao onze. No resto, os mesmos da quarta-feira da nossa satisfação
01' o Leandro Barreiro já levou uma mocada e o apitador com o amarelo no bolso - para ele basta uma repreensão
05' o relvado não parece mau de todo, não parece muito empapado, veremos com o andamento do jogo. Ouvem-se bem os nossos a apoiar a equipa - espetáculo
08' o mesmo que se safou de um amarelo no primeiro minuto por falta dura sobre o Barreiro, acaba de se safar de outro por falta sobre Prestianni, chama-se Maviram, está a fazer pela vida e o apitador está a ajudar, pode bater à vontade
10' Medina não toca na bola e desequilibra o Pavlidis, que estava a isolar-se e, assim, remata em queda: para a equipa de arbitragem - alô VAR? - não se passou nada
20' pressão a funcionar, estamos a tomar conta do jogo, trocas de bola mais rápidas, o perigo a rondar a área deles em lances sucessivos
25' bem, agora levámos uma no ferro, a sorte esteve connosco, e era um golão de calcanhar de um tal Jordi, só não percebi a passividade do Dahl a permitir o cruzamento
30' adorava engolir o que vou escrever: um golo do Otamendi ali do meio da rua, como agora acabou de tentar, era coisa para entrar na nossa história coletiva
33' Bernardo é o nome do redes que acabou de tirar um golo cantado ao Prestianni com uma defesa do caraças - ia direitinha lá para dentro
35' tiro o chapéu ao homem que já tem o luto das asneiradas feito: mostrou um amarelo a jogador do Tondela que deu um pisão desnecessário num dos nossos
37' Barreiro derrubado, penálti, o jogador do Tondela prende a progressão do Barreiro, puxa-lhe os calções, podia até levá-los para casa com o autógrafo do Barreiro. O VAR não concorda, o VAR connosco é sempre assim, o penálti já era, o Godinho já ali vai ao monitor. Mas devia aproveitar para mostrar ao apitador o lance imediatamente anterior, aéreo na área do Tondela, com falta que me pareceu, essa sim, evidente
42' mais uma defesa do redes, o gajo é bom, desta vez a excelente remate de Banjaqui, o golo calhava mesmo bem ao miúdo
45+3' estamos em cima deles, jogadas umas atrás das outras, eles todos enfiados lá trás, não há espaço para nada, alguém que remate de fora da área!
45+5' merecíamos estar na frente do marcador: mais domínio, mais remates, mais oportunidades, mais defesas do redes deles, mais cantos, temos é que metê-las lá dentro, venha a segunda parte
46' os extremos, Prestianni e Schjelderup, os dois em clara subida de forma, a ganharem influência na equipa, dão já o primeiro sinal de perigo da segunda parte, o centro do argentino, então, é daqueles mortíferos, rasteiro e tenso, o redes não consegue chegar lá e os centrais se metem o pé à bola dá autogolo, pena que não chegou nenhum dos nossos para empurrar, era só empurrar
54' mais uma do Prestianni - o melhor dos nossos - e o tal Bernardo a evitar o nosso golo outra vez - não estou a lamentar-me, está lá para isso, mas contra nós não vejo aquelas abébias que vemos contra outros... agora o Sudakov num centro à Prestianni, outra vez sem ninguém a aparecer a faturar, precisamos de mais presença na área, não?
58' mas como é que isto não dá golo? Ó Schjelderup... só tinhas o redes pela frente
60' mas como é que isto não dá golo? Ó Sudakov, remata, porra! Estamos a sufocar, sim, mas temos que marcar
62' Sidny e Rafa para o jogo, saem Banjaqui e Schjelderup, Mourinho a querer mexer com o jogo
67' épá, mas quando é que metemos uma lá dentro? Eu não quero acreditar que não conseguimos marcar um golo com tanto caudal ofensivo...
74' o Sidny é um primor a assistir, seja com o pé direito, seja com o esquerdo, desta vez o Aursnes perdoou mais uma oportunidade a um metro da baliza - isto não está mesmo para doentes cardíacos
80' bem, o tempo começa a escassear...
82' Anísio e Bruma, Mourinho a tentar tudo, sejas bem regressado Bruma! E vê lá se dás uma ajudinha que isto não está fácil
87' jogo aéreo não me parece a melhor solução, aquela área do Tondela tem o preço do metro quadrado mais caro que o do Chiado. E o que ofereceu agora o Anísio para mais um desperdício. E agora o Bruma demorou tanto a rematar que bateu num deles
90' só mais 5 minutos...
90+5' ... que não serviram para nada. Já vi o Benfica perder pontos por jogar pouco, hoje perdeu porque não concretizou um sem número - perdi a conta - de oportunidades. A nossa distância para o topo mede-se por muitos pontos desperdiçados contra equipas ditas "pequenas" como o Tondela, que nem sequer abusou do antijogo, das fitas com jogadores a fazerem-se de lesionados, com percas de tempo nojentas, nada disso, hoje foi a eficácia a penalizar-nos dura e imerecidamente."

Bernardo foi a fonte de mais uma escorregadela do Benfica


"O guarda-redes do Tondela, Bernardo Fontes, fez nove defesas e, entre a intempérie, ajudou o Tondela a manter a baliza a zeros frente ao Benfica. O nulo permite ao Sporting aumentar a vantagem para os encarnados, agora nos cinco pontos, e o FC Porto pode ficar a 12

Bernardo Fontes começou o Tondela-Benfica com uma camisola branca, pristinamente alva. Quando terminou o encontro, vários tons de castanhos invadiam a farda profissional do gigante formado no Ninho do Urubu, fábrica de talentos do Flamengo, que desde que chegou ao Tondela se habituou a ser ele próprio um urubu para os grandes.
E castanha estava pela quantidade de vezes que Bernardo não se importou com a gravidade, atirando-se ao perigo de todos os lados que ele aparecia. No final, a estatística fala de nove defesas, nem todas terão sido a ocasiões iminentes, mas se o Benfica deixou dois pontos em Tondela muito se deve a este esguio rapaz de olhos expressivos.
Num campo que se foi tornando um adversário mais para o Benfica, massacrado pela chuva que por estes dias vai deixando a cabeça em água a tanta gente, seria difícil ver um grande espectáculo de futebol. Terá também existido, apesar de José Mourinho o negar, alguma ressaca emocional a perpassar os corpos dos jogadores do Benfica - a frescura física e disponibilidade não pareceu abundar - depois do disparo de coração que foi a vitória frente ao Real Madrid a meio da semana.
Sem um chão firme onde pousar os pés, o Benfica teve dificuldades em entender a necessidade de simplificar o jogo. Prestianni foi um dos mais ativos na procura de outras soluções, com um par de remates de meia distância na 1ª parte aos quais Bernardo respondeu com tranquilidade. Saiu os pés do argentino também o passe para uma das únicas desmarcações entrelinhas de Pavlidis, logo aos 11’ - o grego seria atrapalhado por Medina e não conseguiu rematar em condições ideais.
Se na 2ª parte o Tondela praticamente abdicou de atacar, nos primeiros 45 minutos houve atitude para mais ambição. Bem inicialmente a pressionar o Benfica, com presença regular na sua área atacante, os beirões tiveram até a primeira grande ocasião do jogo, aos 26 minutos, quando Jordan Siebatcheu rematou de calcanhar ao poste de Trubin, numa jogada que começou em Bernardo, forte em todos os momentos do jogo, e ainda beneficiou de uma má abordagem de Dahl que permitiu a Rodrigo Conceição cruzar para o avançado que prefere ser tratado por Jordy.
Na reta final da 1.ª parte, Bernardo seria decisivo entre os postes, primeiro a defender mais um remate de Prestianni, num duelo à chuva bem particular, após grande combinação com Pavlidis, que na sequência seria travado, mais uma vez, pelo afoito guarda-redes brasileiro. Ainda antes do intervalo, Bernardo afastaria um remate de Banjaqui fora da área. Prestianni voltou a tentar o adversário na baliza com um remate em arco que Bernardo afastou sagazmente. Só a meio da 2ª parte, com a entrada de Sidny para oferecer mais soluções no jogo exterior, José Mourinho admitiu que uma vitória só aconteceria de mangas arregaçadas. O campo estava cada vez mais complicado, Bernardo cada vez mais enlameado e o tempo passava. Aos 65’, Pavlidis não ficou longe num remate de cabeça após cruzamento de Sidny.
Prestianni voltou a tentar de meia distância e aos 74’ Aursnes talvez tenha dado um toque a mais antes do rapidíssimo Bernardo se jogar para mais uma defesa.
A entrada de Anísio Cabral deu ao Benfica de novo algumas soluções no jogo interior e o jovem campeão mundial sub-17 não esteve longe de marcar já nos descontos num remate à meia volta, mas o jogo beirão acabaria mesmo sem golos.
O duelo com o Tondela era um encontro que o Benfica precisava de ter resolvido cedo. O Sporting, que horas antes tinha resolvido tarde, mas ainda a boas horas, foge agora para uma diferença de cinco pontos. O FC Porto, que joga na segunda-feira com o Casa Pia, pode ficar a quase impossíveis 12 pontos."

Oliveira: Tondela...

Terceiro Anel: React - Mourinho - Rescaldo - Tondela

Terceiro Anel: Tondela...

Vinte e Um - Como eu vi - Tondela...

Observador: Relatório do Jogo - Tondela...

BF: Tondela...

5 Minutos: Tondela...