Últimas indefectivações

sábado, 31 de janeiro de 2026

Backstage | SL Benfica x Real Madrid CF

BI: React - Backstage...

BI: Antevisão - Tondela...

Real Madrid, novamente...


Pessoalmente, preferia o Inter. Já o ano passado, jogámos com o Barcelona, na fase de grupos onde fizemos um grande jogo, deixando a ilusão mais tarde dos poder eliminar no mata-mata e a coisa correu mal!

O Inter coletivamente é mais forte, do que o Real, mas com o Inzaghi era mais consistente, este ano não me parece que a cabeça dos jogadores do Inter esteja na Champions, a Liga A, está apertada, o Nápoles foi eliminado da Champions, e o Inter tem menos opções no banco!


Mas pronto, vamos jogar novamente com o Real Madrid, três jogos num mês, quando em quase 70 anos de Europa, só tínhamos jogado com eles por 3 vezes!!!!!!

Será importante recuperar alguns jogadores, o Ríos, o Lukebakio, ter o Enzo em pleno, e entrosar o Rafa no esquema ofensivo. E já agora, não aparecerem lesões nos titulares! Nem todos podem ser titulares, mas será importante o Mourinho ter opções, até porque o carga de jogos e viagens vai ser grande, por exemplo a deslocação a São Miguel, será na véspera da 1.ª mão na Luz, e com a chuva que tem caído constantemente, com relvados pesados, estamos obrigados a fazer rotação...


O Real está em ebulição, as prima-donas da equipa não vão de repente a jogar coletivamente, mas num jogo, picados com a derrota na Luz, podem correr um pouco mais, e tornar o nosso esforço impossível. Basta recordar a goleada que deram ao Mónaco, que uma semana depois, empatou 0-0 com a Juventus!

Mas mais importante do que pensar nos jogos da Champions, é ganhar ao Tondela, ao Alverca e ao Santa Clara. Mudar o chip, não perder a onda vitoriosa. Sendo que os dois jogos fora, jogados em relvados pesados, no meio das tempestades, com apitadores como o Godinho em Tondela, vão ser muitíssimos complicados!

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Oliveira: Champions...

TNT - Tati - Champions...

Belcher: Champions...

ESPN: Futebol no Mundo #533

TNT - Champions &...

Mais dois que escaparam...!!!

Momento Trubin, com a seleção de Andebol!!!

Bullying!!!

Os putos e o sexagenário...!!!

Lukebaks 😎🤣

Em qualquer lugar...

Sim, esta última jornada, da fase de grupos, vai sempre criar emoções...

Sismologia vermelha !!!

Susto eclesiástico !!!

Desporto: volta às mesas !!!

Tempo de mudar de vida!


"No final da passada semana a Federação Portuguesa de Futebol decidiu tornar pública uma intimação da Segurança Social que a obriga a pagar mais de 2,6 milhões de euros relativos ao último ano de contrato de Fernando Santos. A informação é relevante e por isso tinha de ser pública. O problema não está na divulgação. Está na forma, e na intenção com que foi divulgada.
A notícia não surgiu de forma neutra nem institucional. Não foi transparência: foi narrativa. E uma narrativa com alvo bem definido — Fernando Gomes, ex-presidente da FPF, com quem Pedro Proença mantém uma guerra que parece não ter fim.
Fernando Gomes pode ter sido imprudente ou simplesmente mal aconselhado pela equipa de advogados que assessorou o contrato com Fernando Santos, mas o que garantidamente nunca quis foi prejudicar a federação que presidiu durante 12 anos. Mais, deixou a FPF saudável e com musculo financeiro!
Se é legítimo exigir responsabilidade pelos encargos herdados, também é legítimo perguntar com que autoridade moral o faz quem deixou a Liga debilitada financeiramente. Um “buraco” provocado por despesas que pouco ou nada beneficiaram a instituição ou os clubes, mas que serviram, sobretudo, uma ambição pessoal: a corrida eleitoral para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Mais um elefante branco - a nova sede - cujo empréstimo vai pesar e comprometer as contas da Liga nos próximos 30 anos! Reinaldo Teixeira, na Liga, herdou uma situação financeira delicada que limita a sua ação e o seu trabalho à frente da Liga. O Presidente da Liga teve e continua a ter sentido institucional!
O paradoxo é evidente. Pedro Proença aponta o dedo ao passado, quando no passado e também no presente, acumula decisões que dificilmente resistem ao mesmo escrutínio que hoje exige. Em menos de um ano à frente da FPF, multiplicam-se os sinais de gasto supérfluo: uma equipa de reportagem que o acompanha para todo o lado, viagens e alojamentos pagos a presidentes de associações — e respetivas famílias —, cabazes de Natal distribuídos a jornalistas e comentadores de todo o país e um infindável rol de outras despesas cuja utilidade para o futebol português é zero!
A transparência não pode ser seletiva. O que está em causa é o uso político da informação financeira como arma de arremesso, ao mesmo tempo que se normaliza um estilo de liderança baseado no excesso de exposição pessoal e na despesa como instrumento de poder. Já agora, uma palavra para a presidente do Conselho Fiscal da FPF, que foi durante oito anos de Gomes auditora da federação. Pelo que o comunicado ontem emitido a senhora ou é incompetente ou falta à verdade! 
Já é tempo de Pedro Proença deixar Fernando Gomes para trás e começar a pensar e a trabalhar no legado que quer deixar. Mais substância na ação e menos exposição! É tempo de mudar de vida!"

We'll always have Trubin


"«Lembras-te daquela vez que estávamos no minuto 98 e precisávamos de marcar o 4º golo ao Real Madrid e o Trubin foi lá para a frente?»
Já o foi dito por tanta gente, mas o futebol é incrível. Abençoados ingleses que criaram este desporto lá no séc. XIX! Claro que gostos e opiniões são sempre debatíveis, mas este é mesmo o melhor desporto do mundo (por alguma coisa é o mais popular).
Já tive a felicidade de em viagens aos Estados Unidos ter visto um jogo de hóquei no gelo dos Rangers no Madison Square Garden, em que eles marcaram o golo único da vitória já no prolongamento, e não vi um festejo como o do Trubin.
Vi um jogo da NBA dos Milwaukee Bucks em que estiveram quase o encontro todo a perder e nos minutos finais fizeram um triplo frente ao líder da conferência que os colocou pela primeira vez na frente do marcador e não vi um festejo como o do Trubin.
Vi um jogo da NFL entre os Packers e os Chicago Bears, considerada a maior rivalidade de todo o futebol americano, e em que os Packers, a jogar em casa, fizeram um touchdown no último minuto que lhes garantiu a vitória e não vi um festejo como o do Trubin.
E, claro, as restantes modalidades em Portugal. O andebol do Benfica a ganhar uma competição europeia no MEO Arena, o hóquei em patins com aquela fantástica equipa do Benfica com o Panchito, Filipe Gaidão ou Vìtor Fortunato, o basket dos anos 90 com Carlos Lisboa e Jean Jacques. Nunca, nada, se aproximou a um festejo como o do Trubin.
É óbvio que há coisas muito mais importantes do que o futebol. Basta termos um problema de saúde ou alguém que amamos profundamente morrer, para colocar o futebol em perspetiva. Na verdade, aquilo são apenas 22 homens a correr atrás de uma bola e a tentar enfiá-la dentro de umas redes. Mas, ah, a beleza disto, a paixão disto!
Afirmo sem qualquer dúvida que quem não gosta de futebol, não sabe o que perde. As emoções que o jogo nos dá, não há dinheiro que as pague. As experiências sensoriais que o Benfica já me deu, as viagens que fiz, as pessoas que conheci, as amizades que ganhei... tudo porque uns seres humanos há mais de 100 anos resolveram criar um clube de futebol. Como eram mais pobres as nossas vidas sem Benfica e sem futebol!
Foi incrível. Foi mágico! Aursnes a centrar e Trubin a cabecear. Já todos vimos e revimos aquele lance vezes e vezes sem conta. Já todos pesquisamos mais e mais vídeos do golo, mais e mais comentários ao golo, mais e mais reações ao golo. Em português, em inglês, em francês, em italiano, em ucraniano, em árabe, em toda e qualquer língua de um lance que correu o mundo.
Tanto, que quase nos esquecemos que a juntar a isso demos quatro ao todo poderoso Real Madrid! E podiam ter sido facilmente oito! Falhámos tantos golos!! Ai se o Benfica jogasse com esta mesma intensidade e qualidade em todos os jogos...
Agora virão os próximos dias e o sonho desvanece e voltaremos ao cinzento. O Benfica continua a 10 pontos do 1º lugar, está eliminado de todas as taças, provavelmente não vamos ganhar nada este ano, vamos para apenas um campeonato e zero taças de Portugal nos últimos sete anos, o clube continua a ser mal gerido.
Aliás, vamos a ver o que faz já no domingo em Tondela. I'm old enough to remember que em 2006 fomos a Anfield vencer o campeão europeu Liverpool por 2-0 e dias depois empatámos 0-0 com a Naval em casa. Que em 2013 derrotámos o Fenerbahçe na Luz por 3-1 e apurámo-nos para a décima final europeia da nossa História e dias depois empatámos com o Estoril em casa. Que em 2021 goleámos o Barcelona por 3-0 na Luz e dias depois perdemos com o Portimonense em casa.
Lá está, o futebol - e especialmente o Benfica - é uma montanha-russa de emoções.
Mas foi bonito, pá. O Benfica deve (devia) viver de títulos e não de momentos, mas é óbvio que este foi um dos jogos das nossas vidas, que este foi um dos aqueles jogos que entram para os anais da História, um dos mais gloriosos de sempre do Benfica. Daqui a uns dias, semanas, meses estaremos de novo a resmungar, eu incluído, porque o Benfica continua cheio de problemas e entregue às pessoas erradas, mas até um relógio avariado está certo duas vezes ao dia e naquela noite, naquele estádio, naquele minuto 98, naquela cabeça do Trubin, tudo fez sentido e o Benfica foi mágico, como sempre queremos que seja.
Aconteça o que acontecer daqui para a frente, we'll always have Trubin. Guardaremos aquilo num cantinho especial aqui do coração e daqui a muitos anos estaremos a contar a filhos e netos como foi ver o Aursnes a centrar e o guarda-redes do Benfica a marcar de cabeça ao minuto 98 ao todo-poderoso Real Madrid e a fazer 4-2 e a apurar o Benfica para a fase seguinte da Liga dos Campeões.
Agora, se não se importam, vou ver mais vídeos do golo do Trubin..."

Há golos que nos salvam


"A História faz-se de histórias. Daqueles momentos que são indiferentes para alguns e marcantes para outros. Das memórias que ficam guardadas de forma perene ou que, para outros, se desvanecem ao primeiro sono. Das descrições devidamente pormenorizadas — qual ancião da aldeia — ou do template de mensagem que ninguém lê até ao fim. Não é por mal: a História não tem uma versão, tem várias. E é isso que nos torna tão bons contadores como ouvintes.
Foi o amor à História e, sobretudo, às histórias que me levou a estudar essa área. Vivo a minha vida deslumbrado pela forma como cada um conta as suas vivências — e não, não confundo histórias e memórias com factos — e como constrói narrativas emotivas. A História são emoções na primeira pessoa.
Gosto de histórias. Amo o futebol. Não haverá muitas coisas na vida mais especiais do que este mero jogo. Em cada momento, em cada jogo, em cada golo, abre-se um manancial de memórias e emoções. Basta querermos ouvir. O que está por detrás de cada grito? De cada lágrima? De cada suspiro? E amo o bruá coletivo que sussurra mil histórias partilhadas.
Sou um crónico racional-pessimista, e isso é verdadeiramente triste. São demasiados os momentos em que desperdiço a loucura da emoção com medo do que vem depois. E se não dá? E se cai? E se sofremos? E se morremos? Passo a vida a preparar-me para o mal, para que o nim não custe tanto.
Vivo acordado com o Kelvin na cabeça, qual chaga em sangue, para evitar o regresso dos pesadelos. Temo o quase. Mas para cada momento sombrio há sempre uma luz pronta a iluminar. E se for acompanhada por 60 mil companheiros, torna-se garantidamente mais fácil. Ontem, algo mudou em mim. Voltei a acreditar que vale a pena sonhar. Calma, não comprei bilhete para Budapeste. Mas percebi que deixar-me levar pelas emoções, pela loucura, pelo momento pode ser verdadeiramente reparador. E é tão bom estar vivo.
As histórias do golo de Trubin não têm fim. É o pai que leva o filho pela primeira vez à bola. A mãe que leva o avô pela última vez ao estádio. Os emigrantes que voltam a casa. Os amigos que se reencontram no terceiro anel. Os desconhecidos que se abraçam na curva. Os que ficam na roulotte porque o mês é demasiado longo. Os que pedem só mais uma no café. Os que veem a bola sozinhos porque é “uma mania, uma superstição, uma coisa só minha”. Os que reprimem o grito para não acordar o bebé, que amanhã já adormecerá ao som desta bela história de bola.
Tudo são histórias. Todas estão unidas por algo mais especial do que um golo. Um golo nos descontos é uma bênção até para os ateus mais crentes, como eu. É um pacto com Deusébio para vivermos o êxtase emocional como seres divinos. É uma pausa na equação tempo × espaço × vida. É ciência pura embebida em paixão.
O golo do Trubin foi com a cabeça, mas bateu bem forte no coração. Obrigado, futebol. Amanhã voltamos à normalidade mas, por agora, vou só rever o golo pela 135.ª vez."

Benfica: a vida está difícil


"Rui Costa tem de ser capaz de fazer aquilo que os adeptos não fazem: planear. Pensar a frio. Projetar o futuro quando o presente está a arder.

A noite da última quarta-feira foi memorável para o Benfica e para todos os benfiquistas. Ficará, certamente, marcada na história como uma das grandes noites europeias. Os jogadores foram enormes. Respeitaram e honraram a camisola do clube.
A realidade pode ser dura. Mas, como já disse anteriormente, por muito dura e difícil que esteja a ser esta época, os jogadores têm sempre de dar o máximo em campo. Na quarta-feira, não foi apenas isso que fizeram, como talvez tenham até excedido esse máximo. Mas se o jogo contra o Real Madrid levou os nossos corações ao céu, a verdade é que não nos deve tirar os pés do chão. E a realidade não é fácil.
A vida está difícil para os benfiquistas. Chegámos a janeiro e, desportivamente, já não há muito com que nos possamos entusiasmar. E quando digo já não há muito, estou a ser generoso. A verdade nua e crua é esta: infelizmente, penso que não haverá nada que se consiga festejar. É duro dizê-lo. Mas é a realidade. E nas Crónicas de Bancada sempre tentei partir daí, da realidade, por mais incómoda que seja.
Difícil para os adeptos, cansados de ver uma época a esvair-se antes do tempo, mas ainda mais difícil para quem dirige o clube. Para Rui Costa, em particular, estes são meses pesados. Não falo apenas das manifestações de descontentamento, mais ou menos organizadas, que surgem sempre quando os resultados falham. Falo de uma pressão mais profunda: a de presidir a um clube que não vive de boas intenções, vive de vitórias.
A vida está difícil para Rui Costa porque, perante maus resultados que seguramente o magoam tanto como a qualquer adepto que sofre na bancada, tem de ser capaz de fazer aquilo que os adeptos não fazem: planear. Pensar a frio. Projetar o futuro quando o presente está a arder. E não é simples. A desilusão pesa. A crítica desgasta. A urgência empurra para decisões rápidas. Mas dirigir um clube como o Benfica obriga a separar emoção de estratégia, ruído de substância, instinto de método.
Há decisões para vários horizontes. Para amanhã. Para daqui a dois anos. Para daqui a uma década. Decisões financeiras, desportivas, infraestruturais. Um clube grande vive permanentemente nessa tensão entre ganhar já e preparar o que vem depois. No Benfica, essa tensão é particularmente cruel, porque o passado não dá tréguas e a história pesa sempre no presente, condicionando escolhas e reduzindo margens de erro.
No longo prazo surge o Benfica District, certamente o projeto mais ambicioso desta Direção. Uma aposta de enorme dimensão, pensada para modernizar, criar e rentabilizar infraestruturas, garantindo sustentabilidade futura. Os erros neste tipo de projetos raramente se veem de imediato. Mas quando aparecem, anos depois, costumam sair caros. Muito caros. Rui Costa começou bem ao tornar o processo o mais participado possível. Apresentou-o em campanha, levou-o à Assembleia Geral, colocou-o a sufrágio, abriu a votação à distância, permitindo que mais sócios interviessem numa decisão estrutural. Isso é positivo. Transparência e participação nunca são excessivas num clube desta grandeza. Mas num projeto desta escala, tão importante como começar bem é acabar melhor ainda.
No médio prazo, houve a negociação dos direitos televisivos para os próximos dois anos. Aqui importa sublinhar um facto: o Benfica garantiu o valor mais alto alguma vez atingido em Portugal neste tipo de contrato. Esteve bem. Houve quem recordasse as declarações de Rui Costa durante a campanha, quando falou na fasquia dos 70 milhões de euros por época. O valor final ficou abaixo. Mas convém não ser ingénuo. Quando se lidera uma negociação deste calibre, não se revela o valor pelo qual se está disposto a aceitar. Inflacionar o valor pretendido faz parte da estratégia. É normal. É correto. Acho que Rui Costa esteve bem.
Resta o curto prazo. E aí já não há espaço para grandes teorias. O curto prazo chama-se próxima época. E a próxima época tem de ter um objetivo claro: ser campeão.
E, para isso, não basta trocar peças. É preciso olhar para o que falhou este ano sem medo de ferir suscetibilidades. Falhou a capacidade de decidir jogos com regularidade, falhou a consistência competitiva, falhou a resposta quando a equipa foi contrariada. E falhou, sobretudo, a sensação de inevitabilidade que um Benfica forte impõe, a ideia de que, mesmo num dia cinzento, a equipa encontra forma de vencer. Essa cultura não nasce do discurso. Nasce de escolhas coerentes, de um balneário alinhado, de liderança técnica respeitada e de um recrutamento que privilegie caráter e rendimento, não apenas potencial de revenda. Se a próxima época é para ganhar, então cada euro tem de ser gasto como se fosse o último e cada minuto de trabalho tem de ter propósito. E quem for escolhido tem de sentir o peso da camisola, não o conforto do contrato.
Na próxima época, o investimento no plantel terá de ser mais contido e mais inteligente. A margem para errar desapareceu. Vai ser necessário ser cirúrgico nas entradas e lúcido nas saídas. Cada contratação terá de contar, não pelo nome, mas pelo impacto.
Esta segunda metade da época tem de servir também como laboratório para o futuro, uma pré-temporada longa feita em competição, onde se percebe quem aguenta a pressão, quem cresce com a responsabilidade e quem apenas sobrevive de episódios. Não é um exercício simpático, mas é indispensável.
Tudo isto terá de ser feito em simultâneo. Com pressão. Com ruído. Com impaciência à volta. Mas é isso que distingue quem lidera de quem apenas reage.
A vida está difícil, sim. Para os benfiquistas que sofrem na bancada. Até para os que escrevem crónicas. E para quem tem a responsabilidade máxima de decidir o rumo do clube. No Benfica nunca foi fácil. Talvez seja precisamente por isso que cada escolha pesa tanto. Porque aqui não basta competir. Aqui queremos ganhar sempre. Sempre."

Benfica: Mourinho sobre o seu eixo


"Treinador venceu uma noite europeia na Luz, mas sobretudo venceu a batalha interior: a de recentrar convicções, aceitar outro caminho e reconciliar-se com a própria grandeza

Mourinho está de parabéns. Que noite! Que jogo! E não é fácil para ninguém, muito menos para quem já ganhou tanto, ir ao encontro das críticas enquanto, pelo menos, coloca em pausa convicções fortes. Reconhecendo, ainda que sem verbalizá-lo, que há outro caminho. Um talvez mais condizente com a cultura do clube que representa. Mesmo que a atração constante pelo lado estratégico — que lamentou não poder utilizar, devido aos jogadores que tinha disponíveis, na antevisão — o obrigue a luta interior constante, ganhá-la também o colocará mais de acordo com a própria grandeza.
Barreiro deixou de ser 10, a não ser em situações pontuais e estratégicas quando é preciso pressionar mais à frente ou ser mais coeso a defender, o que já é admissível. Assim, também Sudakov pode partir de posicionamento mais central para outros em que consegue desequilibrar com maior facilidade. Não receber a bola de costas, quando a saída é pressionada, é ajuda considerável ao ucraniano e ao processo coletivo. Deixá-lo andar entre linhas é a bolsa de criatividade de que os demais podem beber.
Por sua vez, Schjelderup teve finalmente alguma continuidade sobre a esquerda. E aproveitou-a. Provou que pode ser bastante útil e que precipitados são todos os que têm apontado para o fim da estrada na Luz. Prestianni soma compromisso defensivo à irreverência própria dos quase 20 anos, faltando-lhe apenas golos e assistências para que fique a tiro diante da concorrência com Bruma e Lukebakio, a meu ver muito mais unidimensionais ou até individualistas e a significarem uma inversão na evolução da equipa. Os dois, norueguês e argentino, mostram também que é possível defrontar e derrotar gigantes primeiro com dois extremos, depois com dois franzinos e inseridos num contexto de quatro unidades declaradamente ofensivas.
Mourinho ter-se-á perguntado várias vezes: e quem é que defende? Talvez os ventos das últimas tempestades lhe tenham soprado: «Os outros…»
Além disso, e ainda que não esteja completamente convencido, particularmente quando os adversários tentarem aí estrangular os encarnados, também o duplo-pivot se mostra diferente. Não diria mais complementar, mas pelo menos mais abrangente e dinâmico, mais coeso também e, como tal, mais capaz de suster a frente de ataque.
A noite europeia foi mágica. Épica! Com epicentro na Luz, as réplicas foram arrasadoras em Espanha e sentidas fortemente em Itália e, obviamente, Inglaterra. Aos 90+7', com mais dois em campo, a precisar de um golo, uma falta a meio-campo e os gritos para que a equipa subisse levaram a que Trubin crescesse até à área contrária e, entre a rarefeita defesa madridista, escrevesse história. O triunfo, por ter sido contra quem foi, mas sobretudo por ter sido como foi — sem medo, com o peito inflamado por coragem, e a pensar sobretudo em atacar a baliza de Courtois — tornarão certamente o festejo de Mourinho ainda mais viral do que aquele que deixou rasto em Camp Nou, quando eliminou o Barcelona a não deixar jogar. Para o treinador, que pode achar que a estética pouco interessa, foi excelente. Não há má publicidade, mas nada como um triunfo assim para restaurar a aura perdida de um dos melhores da história. Não mostrou que está vivo: mostrou que está de volta. E isso é muito melhor.
Por muito que ache piada ao discurso humano do técnico, que o torna ainda mais português — a parte das varandas e do suicídio talvez esteja um pouco para lá dos limites do bom senso, porém depois de um jogo daqueles e com a adrenalina no máximo há que entendê-lo —, preocupa-me que continue a jogar para os comentadores, analistas e jornalistas, que sinta que tem algo a provar-lhes a cada jogo, sobretudo quando as críticas são construtivas e não questões pessoais ou até, como sentencia o povo, de inveja do seu sucesso. Tem de provar sim a si próprio que pode realmente transformar o clube, provavelmente sozinho, ocupando também o espaço de uma direção que nunca sabe bem o que fazer.
O Benfica que deixou a Luz depois do jogo com o Real é a primeira grande manifestação de algum tipo de rumo nos últimos tempos. Emocionalmente, pode até significar o restabelecer da ligação neural que sempre Mou criou com os jogadores. Mas o próprio também poderá ajudar. Está mais perto daquele com quem vibrámos no passado quando ao serviço de FC Porto, Chelsea, Inter e Real, do que o outro que voltou à Luz.
Também não posso concordar com os que agora aparecem a reclamar respeito pelo ídolo. Respeitá-lo começa precisamente por não confundir aquele que chegou da Turquia com a grandeza do seu passado, e exigir o que idolatrámos de volta. Bem sei que as muitas lesões condicionaram a mudança de estratégia, porém tem o mérito de não se encolher a um canto em posição fetal e assumir jogar olhos nos olhos. Trazer esse Mourinho de volta, mesmo que seja apenas uma pequena parte dele, justifica tudo o que ouvimos em troca. Todos sentimos gratidão pelo que fez pelo futebol português, no entanto, isso não o torna inimputável.
Claro que o técnico acredita (ou faz passar que acredita) que não mudou nem um pouco. Aliás, avisou que não iria mudar antes de começar a fazê-lo, controlando assim a narrativa. Tê-lo no banco também é isso. Até aquele «Benfica é o meu país, fazer isto com o meu clube...» com que se descaiu junto da imprensa internacional, sabendo que teria impacto por toda a nação benfiquista — como os próprios gostam de se autointitular — que vai capitalizar como ninguém. Muitos adeptos terão esquecido já as Taças, o campeonato e que, mesmo que os encarnados passem o play-off, ainda só fará o mesmo que Lage antes. Pouco interessa, o momento é seu.
Mourinho sabe, como os críticos, que precisa de consistência. Talvez a noite épica seja o mesmo «quase» que bastou a Rui Costa para segurar Lage, mas dificilmente será suficiente para dar os objetivos como cumpridos. O que não é condizente com alguém da sua dimensão. De qualquer forma, se a noite louca da Luz significar mesmo o início de algo grandioso, fica já aqui o meu cumprimento, com a respetiva vénia: bem-vindo de volta, Special One!"

Dizer bem não vende muito, mas cá vai uma tentativa


"Para país que tão maltrata o seu futebol e a si próprio, diria que o comportamento das equipas portuguesas na UEFA não envergonha ninguém. Às vezes não fazia mal um bocadinho de autoestima

A frase mais sábia que ouvi na quinta-feira, depois da épica noite europeia de quarta-feira, saiu da boca de um estimado amigo, jornalista com opinião (não é bem a mesma coisa que influencer, perdão): «Apesar de tão maltratado, o futebol português ainda consegue ter noites como esta.»
Pronto, assim já disse mal de qualquer coisa antes de dizer bem, o que parece ser condição sine qua non, cada vez mais, para captar a atenção do estimado leitor. Acontece que hoje me apetece falar bem de algo, e não está difícil de imaginar de quê.
Mas já lá vamos, que antes ainda se consegue mais uma buchinha de mal dizer, aliás com inteira pertinência: o Sporting viu-se a perder pela segunda vez em Bilbau porque Matheus Reis achou que estava a disputar o campeonato português, no qual um jogador de clube grande que seja duas vezes agarrado ao de leve por um jogador de clube menos grande dá direito a parar, fazer um ar aborrecido e exigir ao árbitro a faltinha da ordem. Na Europa não dá, aprendizagem feita (espera-se, até porque vai dar jeito nos oitavos de final, entre tubarões e peixes de águas profundas).
Benfica e Sporting, na quarta, foram bem seguidos por FC Porto e SC Braga, na quinta, e Portugal acabou por ter uma semana europeia de luxo, que pode muito bem ter valido o acesso, a partir de 2027, de três equipas à UEFA Champions League, onde quase tudo mexe e onde vale realmente a pena andar para compor orçamentos.
Já o tenho afirmado de quando em vez: o futebol português está longe de ser a desgraça que os seus próprios protagonistas parecem querer fazer crer, semana após semana, na lana caprina das questiúnculas locais. Perdem-se em acusações mútuas e mantêm espingardas constantemente dirigidas uns aos outros, a árbitros e a jornalistas. Volta e meia lá vem o argumento de mesa de café: «Depois querem ser competitivos lá fora.»
Pois bem — não só querem como são. Com orçamentos bastante inferiores qualificam-se para os oitavos de final da liga milionária ou batem adversários de outra dimensão pelos golos que são precisos e detalhes de cinema fantástico que correm Mundo. Na liga menos milionária , mas não menos digna, Portugal é o único país com mais que uma equipa apurada diretamente para os oitavos. Para país tão maltratado por si próprio diria,em bom futebolês, que já não é chita..."

É irracional, é exagerado, é desproporcional. É maravilhoso!


"Futebol: não há nada igual

Há montanhas-russas, há filmes de terror, há cartas da autoridade tributária, mas ainda não se inventou nada como o futebol. Só o futebol tem aquela capacidade tão adorável de, em dois segundos, transformar um adulto sensato num miúdo de oito anos.
E isso é fascinante.
A beleza do futebol é esta falta de respeito pela agenda emocional das pessoas. Num estádio de futebol, ou em frente à televisão, ninguém nos pergunta se temos um minutinho para sentir tudo ao mesmo tempo. Simplesmente acontece.
Com a violência de quem nos entra em casa e bebe a última cerveja.
Nada, mas nada mesmo, consegue condensar tanta emoção. Nenhuma relação parte e reconstrói um coração tantas vezes. Nenhum Alta Definição provoca tantas lágrimas.
O futebol é tão desproporcional que se fosse uma pessoa, era internado por excesso de intensidade. Mas é por isso que o amamos.
Um golo aos 96 minutos vale por um ano inteiro de ioga: naquele instante sentimo-nos a sair do corpo e a levitar, a percorrer um túnel onde não há tempo, não há espaço, não há nada.
Só existimos nós, o infinito e uma alegria que não cabe no peito.
O mundo inteiro fica ligeiramente desalinhado, mas não faz mal. Naquele momento nada importa. Por isso, num café, na rua, no estádio, não pensamos duas vezes antes de abraçar aquele cidadão ali ao lado, a cheirar a cerveja, como se fosse família.
Mas não é. Aliás, nem sabemos quem é.
O futebol também tem este talento raro de sincronizar pessoas que não se conhecem, para criar o fenómeno mais bonito da natureza: o abraço ao desconhecido. Em segundos, faz-se uma comunidade.
Há, por exemplo, poucas coisas tão comoventes quanto aquele momento em que todas as vozes se juntam num GOOOOLLLOOO coordenado sem ensaio. É quase uma oração laica. Um hino improvisado.
Há uma magia indescritível em tudo isto.
Reparem nesta última noite de Liga dos Campeões, por exemplo. 36 equipas, 18 jogos ao mesmo tempo e tudo a mudar completamente num só instante, e noutro, e noutro. Até àquela saudável loucura, em que volta a mudar no último segundo, num golo de um guarda-redes. Que é gritado em Portugal, em Espanha, em França, em Inglaterra.
É, enfim, gritado em tantas e tão distantes latitudes.
O futebol consegue ser isto: o único produto no mercado que nos vende um ataque cardíaco em suaves prestações de 15 minutos. E nós ainda agradecemos no fim.
É irracional, é exagerado, é desproporcional. É maravilhoso.
Por isso, e se me permitem, vamos guardar um parágrafo de silêncio por aquelas pessoas que ainda acham que o futebol são 22 gajos a correr atrás de uma bola.
Obrigado."

Proposta de benfiquismo, e fundamentalmente, de clubismo


"Há quase dez anos, na temporada desportiva 2015/2016, a trigésima quinta jornada do campeonato espanhol servia o derby madrileno entre Rayo Vallecano e Real Madrid. O Real Madrid, estandarte da cronicidade vaga da vitória (não me trucidem já), disputava a conquista do campeonato com o rival Barcelona e o Rayo, o modesto Rayo, via-se a contas com a ameaça de mais uma despromoção, concretizada jornadas depois. Cara a cara os dois lados opostos da competição e da história. Os merengues visitavam o Campo de Fútbol de Vallecas, lugar onde o futebol vem ultrapassando à rebeldia as fronteiras idiotas que autoritários lhe impusemos.
O pobre abomina o rico, o empregado abomina o patrão, o derrotado abomina o bem-sucedido. Aqui nos futebóis, pessoalmente, também abomino quem joga de um branco polido (de um tão branco quase insuportável), de coroa ao peito e umas dragonas por vezes douradas nas ombreiras, fazendo lembrar a roupagem dos velhos, mas nunca em desuso, hábitos do regime, onde tirania se confundia com grandeza. Prefiro a sinceridade das gentes do bairro de Vallecas que jogando também de branco, confessam a fragilidade da cor. Mancham o branco com uma faixa vermelha obliqua do sangue dos humildes, dos operários e de quem a sociedade esquece.
Não posso querer, nem seria tão pouco justo ou honesto, pôr em causa o mérito blanco. Trata-se, sim, de questionar o lugar que ocupa o sucesso e insucesso numa instituição que foi criada e existe quase exclusivamente para ganhar e se é mesmo isso o mais importante, como nos querem fazer implacáveis acreditar. Qual é, então, a verdadeira função social de uma entidade desportiva tão mediática e triunfante? Recuso-me a acreditar que a resposta seja o que o capitalismo selvagem me quer arrancar à bruta da boca. Os Los Bukaneros, ultras do Rayo Vallecano, ofereceram uma pista. No então dérbi de Madrid, exibiram uma tarja onde se lia “hay equipos tan pobres que sólo tienen títulos”.
Queria mesmo ligar pelo telemóvel mais vezes ao meu pai e aos meus amigos, encurtar a distância que me separa deles, ouvi-los como quem cerra os olhos e alivia as dores antigas. Quando assisti ao admirável desenlace do Benfica 4-2 Real Madrid, pensei de imediato neles e como o meu benfiquismo – ou, talvez melhor, o meu clubismo - só existe num lugar de memória e amor fraterno. Queiram vós imaginar a felicidade com que me atenderam o telemóvel logo a seguir.
Um clube não cabe, não pode caber, numa vitrine. Confesso-vos, odeio futebol. Ou talvez odeie só o futebol que se esqueceu disto."

SportTV: Mercados - Schjelderup é salvo após os 90 minutos contra o Real Madrid 😮‍💨

Zero: Mercado - Benfica e Sporting resolvem casos de extremos

BF: Plano...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Sorteios da UEFA: boa fortuna ou maldição?

Observador: E o Campeão é... - Será que a estrelinha voa com as águias até Madrid?

Observador: Três Toques - Adepto correu de boxers à volta do estádio de Alvalade

SportTV: Primeira Mão - A noite mais emocionante da Liga dos Campeões

Como és como líder?


"A liderança no desporto continua a apaixonar em todos os seus ângulos e facetas, especialmente a dos treinadores. Apesar de reconhecermos que é uma das competências mais importantes e fundamentais de quem está no comando, a maioria dos treinadores, diretores, capitães, etc., acaba por não investir na melhoria concreta e prática da sua liderança. Destaco duas razões principais para isso: o desconhecimento de como o fazer e, acima de tudo, o receio daquilo que vamos descobrir e destapar.
Com diferentes perspetivas e teorias aqui e ali, costumo defender que o mais importante neste tema é o ponto de partida: analisarmo-nos enquanto líderes de algo, qual o nosso perfil, os nossos comportamentos, abordagens, medos e conflitos, consoante os contextos.
A liderança não é uma prova de curta duração, embora também não nos dê assim tanto tempo. Cada derrota consome-nos muito mais tempo do que aquele que a vitória nos dá. E também não é uma corrida que se faça sozinho. Daí que a escolha das pessoas que estão connosco deva ser vista como um passo fulcral para o possível sucesso da liderança.
A liderança é um puzzle com muitas peças e, por vezes, somos pequenos nesse grande puzzle ou controlamos menos do que pensamos. Mas isso não é motivo para deixarmos de nos analisar constantemente sobre este tema, até porque o fazemos relativamente aos outros. Quando temos a oportunidade de escolher quem nos rodeia, muitas vezes optamos por pessoas parecidas connosco para integrar as nossas equipas. Errado, por várias razões: nem nós próprios nos conhecemos bem nesta área da liderança; e namorar connosco vai correr mal.
Devemos, sim, escolher pessoas que nos complementem (mas para isso preciso de saber, de forma concreta e com evidências, o que tenho e o que não tenho), que nos façam crescer, que sejam os nossos advogados do diabo, que nos equilibrem, que não nos digam apenas o que gostamos de ouvir e, sobretudo, que não nos omitam verdades em prol de estados de espírito falseados.
Como fazer então? Primeiro, perceber o nosso perfil, as nossas zonas de conforto e as zonas de conflito interno: o que dizemos, o que sentimos e o que realmente fazemos em determinadas subáreas do nosso comportamento enquanto líderes. E que melhor forma de nos analisarmos do que observarmos o que nos rodeia e percebermos que tipo de pessoas chamamos para perto de nós quando temos poder e quando temos o poder de escolher quem queremos connosco nas chamadas batalhas da liderança e na luta dos nossos objetivos e propósitos.
No desporto de alta competição, a confiança e a lealdade são variáveis fundamentais e, por vezes, quase parecem ser as únicas. A duração do projeto tem muito impacto na liderança. Um formato de empreitada empurra-nos para escolhas por vezes erradas no aqui e agora, em competências que não o conhecimento. Mas, ainda assim, que se escolha competência técnica e as outras. Vemos treinadores a desafiarem-se e a trazerem para junto de si a inquietude, a diferença, o ângulo distinto. São claramente a pedrada no charco da liderança no desporto.
Na área do dirigismo, vemos, infelizmente, mais escolhas assentes numa lealdade ao próprio e não à causa. Sei bem que há contextos e contextos, mas tornamo-nos mais propensos a desempenhos medíocres, à incapacidade de exigência e de coerência, quando as regras são alinhadas por interesses desalinhados."

Treinadores e equipas técnicas: atores principais com um enquadramento jurídico secundário


"No futebol, poucas figuras são tão determinantes quanto o treinador. É nele que convergem a estratégia desportiva, a liderança do balneário, a gestão do esforço competitivo e a valorização dos ativos humanos do clube. Ainda assim, o treinador de futebol continua a não dispor de um regime jurídico‑laboral específico, movendo‑se numa zona cinzenta entre o direito do trabalho comum, a regulamentação fragmentária e soluções convencionais parcialmente desatualizadas.
Para se compreender melhor a razão desta fragilidade estrutural, importa olhar para o enquadramento legal atualmente existente.
É verdade que, no contexto do futebol profissional, existe hoje um mínimo de proteção formal para os treinadores. A celebração de um Contrato Coletivo de Trabalho entre a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a Associação Nacional de Treinadores de Futebol impõe, pelo menos, uma exigência clara: qualquer treinador que oriente uma equipa nas competições organizadas pela Liga tem de estar vinculado por um contrato de trabalho.
É, em muitos casos, a única âncora de estabilidade jurídica num setor marcado pela volatilidade permanente.
Sendo certo que esta proteção (mínima) termina quase tão rapidamente quanto começa. Fora do universo do futebol profissional, o cenário altera-se de forma drástica. Nos campeonatos não profissionais, o treinador surge frequentemente desprovido de enquadramento contratual sólido. Na melhor das hipóteses, celebra-se um contrato de prestação de serviços.
Na maioria das situações, treinar transforma-se num exercício de pura dedicação pessoal, uma atividade exercida em horário pós-laboral, sem remuneração, e, muitas vezes, sem qualquer garantia. Vive-se da ideia romântica de que 'quem corre por gosto não cansa'.
É aqui que a questão central se impõe: qual é, afinal, o regime jurídico aplicável aos treinadores de futebol? A resposta é desconfortável na sua simplicidade. Não existe um regime próprio!
Os tribunais nacionais têm manifestado dificuldades evidentes na qualificação jurídica dos vínculos laborais existentes, hesitando entre a aplicação do Código do Trabalho e o Regime Jurídico do Contrato de Trabalho do Praticante Desportivo (consagrado na Lei n.º 54/2017, de 14 de julho), apesar de ser evidente que o treinador não é o praticante, mas quem o dirige.
Basta ler o artigo 1.º deste diploma para perceber o problema: o legislador foi claro ao circunscrever o seu âmbito aos praticantes desportivos, aos contratos de formação e aos empresários desportivos. O treinador, figura central do fenómeno desportivo, ficou de fora.
Perante esta exclusão, a solução jurídica encontrada é tudo menos satisfatória. Recorrendo às normas gerais do Código Civil, aplica-se por analogia o regime que 'mais se aproxima' da realidade do treinador, adaptando o contrato de trabalho desportivo naquilo que seja compatível com o exercício da sua atividade e, de forma subsidiária, o Código do Trabalho. Trata-se de uma construção jurídica forçada, assente em remendos normativos, que expõe bem a ausência de uma opção legislativa clara e coerente.
A realidade é que o treinador desenvolve a sua atividade em ciclos competitivos definidos, trabalha predominantemente em função do calendário desportivo, presta trabalho regular em fins de semana e feriados, ajusta férias, períodos de descanso e carga horária à própria lógica da competição.
A sua retribuição, por sua vez, estrutura-se frequentemente em componentes fixas e variáveis, dependentes de objetivos desportivos e financeiros, numa lógica que o direito laboral comum dificilmente acomoda.
No âmbito desta reflexão, surge ainda outra pergunta incontornável: não estará na hora de reconhecer juridicamente, de forma clara, todos os profissionais que fazem o futebol acontecer diariamente?
Acreditamos que no futebol atual estas questões não se esgotam no treinador principal. O futebol constrói-se em equipa, também fora das quatro linhas. A denominada 'equipa técnica' do treinador principal - composta por treinadores-adjuntos, preparadores físicos, treinadores de guarda-redes, analistas e os seus auxiliares especialistas em performance e recuperação - trabalha de forma silenciosa, mas determinante, na preparação, no desempenho e na preservação dos atletas ao longo da época.
E, ainda assim, muitas destas funções permanecem juridicamente invisíveis. A evolução do futebol não foi acompanhada por uma resposta legislativa adequada, deixando sem proteção e reconhecimento muitos dos profissionais que, nos bastidores, sustentam o rendimento das equipas.
Veja-se, por exemplo, no plano internacional, onde a FIFA procurou densificar o conceito de treinador, o problema não desaparece por completo. Ao definir o treinador a partir das funções laborais consistentes em treinar e orientar jogadores e nas decisões diretamente ligadas ao jogo, o regulamento reconhece uns, mas continua a deixar outros de fora. Preparadores físicos, analistas, especialistas em performance ou recuperação permanecem excluídos e sem proteção jurídica adequada, apesar de desempenharem um papel determinante no funcionamento diário das equipas.
Continuamos, assim, a exigir profissionalismo, responsabilidade e resultados a quem opera num quadro jurídico fragmentado, incompleto e, em muitos casos, improvisado."

Terceiro Anel: DRS #26 - WELCOME TO SHAKEDOWN WEEK! 🏎️🏁

DAZN: F1 - Análise aos primeiros testes

BolaTV: Toque de Bola - S01E11 - Marco Neves

Treino!

Traduções de emoção !!!

O som no relvado!

WHAT. A. NIGHT. 🔥

Sidny, por dentro...

Os neutros germânicos, afinal são mais extrovertidos, que os 'independentes' Tugas!!!

DAZN: Europa - Champions...

UEFA: Goleiros Goleadores!

VSR: Real Madrid...

Sola: Champions...

TNT: Champions: Real Madrid...

Bola Cabe Gol: Real Madrid

Derrota...

Benfica 0 - 3 Fenerbaçhe
20-25, 29-31, 17-25

As Turcas são muito superiores, mas aquele 2.º Set esteve ao nosso alcance...

Desperdício...

Benfica 1 - 2 Lourosa
Prioste


Resultado muito injusto, com o Benfica a dominar e falhar golos atrás de golos, e com o Lourosa a defender e a dar porrada, com o Gustavo Correia a protegê-los, e no final da partida, a marcarem dois golos... com o Benfica a chegar ao golo somente nos descontos!

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Bíblico!

BI: Megafone - Voo Picado #11 - O jogo de uma vida

O Benfica Somos Nós - S05E40 - Real Madrid

Vermelho no Branco - Real Madrid

3 Toques: Real Madrid

Benfica Podcast #580 - Epic

Zero: Canto - «Benfica, Benfica, Benfica!»: a noite em que a Luz contrariou o impossível

Benfica FM: 𝐍𝐢𝐧𝐠𝐮é𝐦 𝐩á𝐫𝐚 𝐨 𝐁𝐞𝐧𝐟𝐢𝐜𝐚 🎶❤

Benfica FM: Trubin

Interestelar!

Muita qualidade...!!!

Vale o bilhete !!!

Slava...

Reações: Luz..