Últimas indefectivações

terça-feira, 30 de junho de 2026

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #13

Zero: Negócio Mistério - S06E10 - Ounahi

DAZN: F1 - A Red Bull não quis ganhar o Grande Prémio?

Bicampeões


"Em destaque na BNews, a revalidação do título nacional de futsal no masculino.

1. Título revalidado
No derradeiro jogo da final do play-off da Liga Placard, o Benfica ganhou ao Sporting por 4-3 e sagrou-se Bicampeão nacional, vencendo a competição pela 10.ª vez. Desde 2009 que os encarnados não venciam um título de forma consecutiva.
Na mensagem de felicitações, o presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, sublinha a "final com a chave de ouro, depois de já terem vencido a Taça de Portugal e a Taça da Liga."

2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Distinção
Ivan Baptista, treinador da equipa feminina de futebol do Benfica, foi distinguido na Gala do Treinador do Núcleo de Lisboa da Associação Nacional dos Treinadores de Futebol.

4. Título na formação
O Benfica é tricampeão nacional de hóquei em patins, escalão Sub-17 masculino."

Pois...

Roberto Martínez e o Suplício Nacional


"Foguetes pela goleada ao Uzbequistão, tão somente o 60.º do ranking FIFA, foram precoces. Mesmo com uma equipa cheia de talento é preciso ter no banco mais do que um diplomata

«I'm back, I'm back», jurava Cristiano Ronaldo depois de mais 90 minutos e dois golos diante do Ubzequistão para acabar com o jejum de 10 jogos sem marcar em fases finais de Europeus ou Mundiais. Perante tamanho feito como golear o 60.º classificado do ranking da FIFA e que nem 40 anos de existência como país independente tem, rapidamente o capitão da Seleção se disponibilizou para falar aos jornalistas.
É pena que tal raramente aconteça quando há nuvens negras e não sol a brilhar, como depois da deprimente estreia frente à RD Congo e, ontem, para ajudar milhões de portugueses a entender o porquê de mais uma deplorável exibição de uma equipa que garante com todas as forças que quer ser campeã do Mundo. Se vai dar Portugal, não será assim e a culpa não é dos jornalistas, comentadores ou adeptos, esses especialistas da maledicência e que só querem dividir uma seleção que, como se tem visto, prima pela união e atitude dentro de campo. Menos quando está calor ou não se tem bola.
Escrevi, depois do 1-1 a abrir, que, pelo menos, o aviso tinha chegado cedo e havia, por isso, tempo para corrigir, mais ainda num formato em que até é possível o apuramento para a fase a eliminar sem se ganhar um único jogo no grupo. Dias depois chegou o fragilíssimo Uzbequistão e o 5-0 serviu, durante algumas horas, para calar aqueles que há tanto tempo querem reformar Ronaldo e dar a Gonçalo Ramos algo mais do que turismo e milhas aéreas ou duvidar da capacidade do espanhol para gerir uma equipa que tem alguns dos melhores jogadores do Mundial e joga como uma das piores que estão nos 16 avos de final. Qualquer semelhança com grande parte do percurso de Martínez na Bélgica será pura coincidência.
Portugal ganhou dois (!) dos últimos seis jogos oficiais —Arménia e Uzbequistão foram as vítimas da façanha — e o selecionador assobia para o lado. Diz que Portugal «está de parabéns» pelo jogo que fez frente à Colômbia e até vê o facto de Diogo Costa ter sido o melhor em campo em Miami como algo positivo.
É uma realidade paralela, mas que não surpreende: Roberto Martínez está no cargo há mais de três anos e há mais de três anos que responde dando voltas à rotunda e fazendo de conta que os problemas não existem.
Mesmo passando a Croácia, nem o mais otimista acreditará que, assim, pode dar Portugal com possíveis duelos com Espanha nos oitavos de final e França nas meias-finais."

Olhar mais para dentro


"Terminada a Fase de Grupos e em três jogos vimos três versões distintas de Portugal. Não tanto pela natureza dos adversários, mas muito mais pela forma como Roberto Martinez continua a não perceber o que tem em mãos.
Frente à RD Congo, Portugal falhou coletivamente no plano ofensivo. A inexistência de jogo interior em virtude de posicionamentos que procuraram sobrecarregar o corredor lateral onde se encontrava a bola foi fatal para que a seleção nacional tivesse apresentado um futebol pouco criativo e dinâmico.
Contra o Uzbequistão, com posicionamentos e comportamentos adequados às características dos jogadores que compunham o onze inicial, Portugal dominou e controlou com bola. Teve jogo interior e jogo exterior. Foi rápido a reagir à perda de bola e eficaz na transição defensiva. O adversário não era de renome, mas coletivamente houve mérito e trabalho luso.
A Colômbia trouxe-nos uma versão portuguesa incapaz nos momentos sem bola e inexistente nos momentos com bola. O onze inicial, ainda que com apenas uma alteração face ao jogo anterior, teve posicionamentos e comportamentos que em nada abonaram a favor de Portugal.
Rúben Neves sem bola a fechar sobre a meia direita para ajudar João Cancelo a fazer 2 vs 1 defensivo sobre Luis Diaz desprotegeu o corredor central, permitindo situações de 2 vs 1 ou 3 vs 2 favoráveis aos cafeteros. Com bola, o médio do Al Hilal não foi 6, mas sim 8, com claro prejuízo para a dinâmica ofensiva da seleção.
Os laterais estiveram sempre muito amarrados taticamente, como se mais importante do que ajudar o ataque fosse não permitir espaços a James Rodriguez e Luis Diaz. Pedro Neto raramente teve apoio por fora, João Félix nunca pôde deambular entrelinhas em zonas interiores porque não havia quem desse largura e profundidade sobre a esquerda.
Portugal tem um dos melhores selecionados deste Mundial. Em quantidade e em qualidade. Individualmente tem alguns dos melhores laterais e médios do mundo. Tem o maior finalizador da História do futebol mundial. Mas não tem o mais importante (ainda): um líder que saiba aproveitar o talento que tem à sua disposição para construir um coletivo forte e competente. Independentemente de quem seja o adversário. Independentemente do estilo de jogo do adversário.
Está na hora de Portugal olhar mais para dentro e menos para fora. Preocupar-se menos com quem vai defrontar e mais com a maneira como quer ganhar. Respeitar, sim, temer, nunca. Ter mais desejo de ganhar do que medo de perder."

As duas estátuas


"Portugal, com a Colômbia, jogou com oito homens e duas estátuas. As estátuas que deveriam ser erguidas, em Miami, a Diogo Costa e a Renato Veiga...

Os portugueses vivem em ambivalência a cada quatro anos. Oscilamos entre a certeza absoluta de que a Seleção Nacional vai ser campeã do mundo e a certeza absoluta de que não somos favoritos, nem candidatos, nem rigorosamente nada. Vivemos entre a noção de que só Luiz Felipe Scolari poderia ter levado Portugal à final de um Europeu e à meia-final de um Mundial e a ideia de que o brasileiro sempre foi, apenas e só, um bom psicólogo e um bom gestor de homens. Por fim, a ambivalência das ambivalências, a rainha de todas as ambivalências: Cristiano Ronaldo. Para uns, é o maior dos maiores, o GOAT dos GOATs, aquele que deve jogar sempre porque é melhor do que Gonçalo Ramos e Gonçalo Guedes, juntos ou em separado. Para outros, Ronaldo está velho, não corre, não se mexe, não defende, não recua e nem sequer devia ter sido convocado, quanto mais jogar 90 minutos atrás de 90 minutos.
Lembro-me sempre da primeira vez que ouvi alguém falar de uma espécie de trazer à terra os jogadores (ou, como neste caso, os portugueses). Um dia, lá por 2004 ou 2005, ouvi José Mourinho dizer algo como isto: se os meus jogadores estão eufóricos, tenho de lhes baixar a euforia; se estão tristes, tenho de os arrebitar. O segredo, no fundo, é recentramento. Ou, como dizem os anglófilos, back to basics. O regresso ao essencial. Mas no futebol, como bem sabemos, é complicado ser racional. Ou é preto ou é branco. Nunca cinzento. Ou é alto ou é baixo. Nunca mediano. Ou é gordo ou é magro. Nunca alguém tem o percentil certo. É aqui que entra a frase futebolística que mais se tem ouvido nos últimos anos e que, apesar de verdadeira, jé demasiado enfadonha, por que tão repetida: «Não éramos os melhores do mundo, nem agora somos os piores». E é verdade.
As ambivalências do momento têm rostos claros: Roberto Martínez e Cristiano Ronaldo. A ambivalência em redor do selecionador nacional é, contudo, diferente: gira quase sempre em torno do pior extremo. Há quem diga que ele é apenas razoável, enquanto outros dizem que é muito mau. São poucos os que acham que é o homem certo no lugar certo. Era mau quando Portugal empatou com a RD Congo, passou a razoável após a goleada ao Uzbequistão e voltou a descer depois do empate com a Colômbia. Talvez volte a ser razoável se a Seleção ultrapassar a Croácia, e só será medianamente bom se bater a Espanha (ou a Áustria, claro). Foi assim com Fernando Santos antes e depois do Euro 2016. Pelo meio, em França, foi excelente.
Quanto a Ronaldo, os portugueses oscilam, estranhamente, entre o amor e o ódio ao capitão. Ódio quando falha golos como os de Congo e da Colômbia; amor quando marca dois golaços como os que marcou ao Uzbequistão. Talvez dentro de dias voltemos a amar o que hoje alguns odeiam. E se Portugal ganhar o oitavo jogo neste Mundial, os que agora o criticam gritarão GOAT!, GOAT!, GOAT! Tem sido assim de quatro em quatro anos (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026), ou de dois em dois, se juntarmos os Europeus.
Na minha própria ambivalência, vou oscilando entre o sim, o homem já não pode ser sempre titular e o se não for ele, quem? Só não aceito é que a agressividade chegue ao ponto de dizer que Portugal, frente à RD Congo, jogou com dez homens e uma estátua, como escreveu um jornalista inglês. Prefiro dizer quase o contrário. Portugal, frente à Colômbia, jogou com oito homens e duas estátuas. Mas as estátuas que deveriam ser erguidas, em Miami, a Diogo Costa e a Renato Veiga."

O talento que não joga: a decepção de Portugal no Mundial'2026


"Há algo de profundamente perturbador em assistir a uma selecção que possui, no papel, alguns dos melhores jogadores do mundo e ver que o colectivo não consegue produzir sequer o que qualquer equipa mediana produziria com metade desse talento. Portugal chegou ao Mundial 2026 com o rótulo de candidato ao titulo. Saiu da fase de grupos com cinco pontos, dois empates e um único jogo em que afinal pareceu existir enquanto equipa. A conta não fecha. E o que ficou em campo foi menos que uma desilusão: foi um retrato clínico de uma equipa desorganizada, desmotivada e sem identidade táctica.
A estreia contra a Republica Democrática do Congo, a 17 de junho em Houston, resume tudo. A selecção adiantou-se com o golo de João Neves ao minuto seis, mas rapidamente perdeu o controlo do jogo perante uma congolesa intensa, que acabou por empatar e acumular mais oportunidades, deixando Portugal com apenas um remate enquadrado em todo o encontro. Um remate enquadrado. Contra a Republica Democrática do Congo. Numa fase de grupos de um Campeonato do Mundo. A CNN Portugal resumiu com uma precisão quase cirúrgica: "Eis um Portugal peripatético, mistura de apático e patético, que se perdeu contra a RD Congo a deambular num passeio no parque."
O que se viu não foi infelicidade. Foi ausência O New York Times escreveu sobre Ronaldo com uma crueldade que dói precisamente por ser justa: "Não houve nenhum remate errado, nenhum mau passe, nenhum erro crasso. Nada que alguém pudesse usar para postar nas redes sociais para gozar com ele. Apenas... nada." O Independent foi mais duro: "Dez homens e uma estátua. Portugal sacrifica mais um Campeonato do Mundo ao ego de Cristiano Ronaldo." A Gazzetta dello Sport concluiu na mesma linha: "Portugal desilude, CR7 ainda mais. No Portugal de Martínez, em Houston, havia um problema evidente: Cristiano Ronaldo."
Mas reduzir o problema a Ronaldo seria uma analise cómoda. A exibição apagada de Bruno Fernandes e Bernardo Silva, normalmente motores criativos da equipa, foi alvo de críticas nas redes sociais e nos programas de debate televisivo. Os analistas sublinharam a falta de ligação entre o meio-campo e o ataque, bem como a ausência de desequilíbrios individuais. Portugal tem dois dos melhores médios da Premier League no mesmo onze, e ambos desapareceram contra uma selecção que nem sequer foi para o Mundial com ambições de campeã.
O segundo jogo, a goleada por 5-0 sobre o Uzbequistao, foi a excepção que confirma a regra. Serviu para acalmar o ambiente interno e lavar a imagem pública, mas nunca foi teste a nada. Roberto Martinez retirou Vitinha, considerado o melhor médio do mundo nos últimos dois anos, para colocar Samu Costa. O jogador do PSG teve uma Copa bem abaixo do esperado. Os aplausos à goleada funcionaram como anestesia. O problema estava a dormir, não resolvido.
Chegou o terceiro jogo, a Colômbia, aquele que diria onde Portugal realmente esta. A Colômbia foi quem mais teve a bola, quem mais atacou, quem mais rematou, quem mais mereceu ganhar. Muitas vezes recuava e fazia pressão média, mas depois, quando ganhava a bola, acendia o fogo e transformava cada duelo numa batalha física. Portugal pareceu sempre conformado. E quando assim é, deixou de jogar o futebol que melhor sabe. No final, Portugal saiu com um empate que deve mais à estatura de Diogo Costa do que a qualquer mérito colectivo. A Marca ficou convencida de que os portugueses teriam perdido se não fosse a ineficácia contrária e a actuação do guarda-redes Diogo Costa, eleito melhor jogador em campo pelo diário espanhol.
Esta selecção continua a viver muito mais da qualidade individual do que da força colectiva. Continua a depender de um rasgo, de um momento de génio ou de uma inspiração pontual para desbloquear jogos que, colectivamente, raramente desbloqueia. O diagnóstico não podia ser mais preciso. E e precisamente essa a natureza do problema com Roberto Martinez. Os resultados permanecem aceitáveis do ponto de vista estatístico mas as exibições continuam demasiado inconsistentes sempre que aparecem adversários de maior qualidade. Há talento suficiente para aspirar a muito mais do que aquilo que esta equipa tem mostrado, e talvez seja precisamente essa a maior frustração porque poucas selecções presentes neste Mundial apresentam tanta qualidade individual espalhada por praticamente todos os sectores.
O treinador espanhol recusa o papel de responsável Depois do empate com a RD Congo, Martinez disse em conferencia de imprensa: "Desde o primeiro dia em Portugal, não tive um dia sem barulho." Prometeu autocrítica garantiu que os últimos 25 minutos foram muito maus. Palavras que ecoaram no vazio. Após a Colômbia, admitiu que não foi um jogo da forma que Portugal quer, mas defendeu Ronaldo e disse que a equipa reagiu bem durante todo o jogo. Para quem viu o jogo, a afirmação é desconcertante. A análise internacional foi directa: Martinez fez escolhas de onze confusas e, fora de um jogo, ainda não encontrou a melhor utilização do seu jogador mais mediático. A esta selecção falta directividade no ataque, e isso é responsabilidade do treinador.
Existe um padrão histórico que não deixa de provocar desconforto. Portugal tem acumulado demasiadas dificuldades precisamente nas ultimas jornadas das fases de grupos, quando precisa de confirmar uma posição mais favorável ou dar um passo competitivo em frente. Aconteceu em diferentes gerações, em diferentes competições e com diferentes protagonistas. O que muda, edição após edição, são os rostos. O problema estrutural permanece intacto.
Portugal apurou-se para os 16 avos de final como segundo classificado do Grupo K, com cinco pontos, fruto de uma vitoria e dois empates, e vai defrontar a Croácia em Toronto. O desempenho nesta fase de grupos acaba por ser razoável mas longe de ser entusiasmante. Uma selecção com Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Vitinha, Joao Neves, Rafael Leão, Pedro Neto e Ronaldo não pode ter razoável como ambição aceitável num Campeonato do Mundo.
Talvez seja essa a maior tragédia desta geração portuguesa: não e a falta de talento. E saber que o talento esta la, disponível fardado e em campo, e ver que ninguém sabe, ou quer, transformá-lo em jogo. Um treinador que não encontra o seu melhor onze ao terceiro jogo da fase de grupos, numa selecção sem lesões de relevo, e um treinador com um problema que não é de calendário. É de método E métodos não se corrigem em madrugadas de eliminatória.
O Campeonato do Mundo de 2026 ainda pode ser diferente. Os torneios a eliminar tem essa memoria curta. Um jogo muda tudo. Mas a questão que Portugal devia fazer a si próprio não é se vai passar a Croácia. A questão é: com este Portugal, ate onde é honesto acreditar?"

Scaloni curou Messi e a Argentina agradece


"Talvez seja a maior vitória de Lionel Scaloni, o treinador capaz de aliviar a obrigação de Lionel Messi de carregar sozinho um país inteiro que se alimenta de futebol como poucos.

Qualquer aprendiz de feiticeiro com formação em futebol é capaz de operacionalizar um treino, organizar taticamente uma equipa, escolher um onze e fazer evoluir um jogador, as missões básicas de um treinador seja de que modalidade for. E depois há os predestinados, aqueles que conseguem algo raro — criar uma comunidade.
Lionel Scaloni pertence a esse lote restrito. O mérito do selecionador argentino não se resume aos títulos, um Campeonato do Mundo (2022) e duas Copas América (2021 e 2024), as principais competições a que uma seleção sul-americana pode almejar. O grande legado do antigo defesa/médio, hoje com 48 anos, é a capacidade de transformar um conjunto de estrelas numa família. Uma obra invisível aos olhos das estatísticas, mas fundamental para o brilho dos números que ostenta no currículo.
Na sexta-feira, 26 de junho, completaram-se 10 anos do anúncio de Lionel Messi de que se ia retirar da alviceleste. Aos 29 anos, acabara de perder a Copa América de 2016, a quarta final seguida sem erguer a taça em disputa, após o Mundial-2014 e a Copas Américas de 2007 e 2015. As comparações com o passado glorioso de Diego Armando Maradona e a pressão para repetir feitos só ao alcance de D10S — a epopeia do México-1986 e a saga do Itália-1990 — produziram um ambiente tóxico que asfixiou a pulga, uma pulga que, ao serviço do Barcelona, saltava feliz ao ritmo de Bolas de Ouro. A camisola argentina pesava mais do que inspirava.
Sem discursos públicos grandiosos ou murros na mesa no balneário, Lionel Scaloni inverteu estado de espírito sombrio através da proximidade com os jogadores, da simplicidade de processos e da criação de um espaço onde todos se sentem importantes e dividem responsabilidades à medida do respetivo talento. É impossível dissociar esse processo da relação construída com Messi. O capitão encontrou, finalmente, um contexto em que mantém o estatuto de génio e líder, agora rodeado por colegas dispostos a correr e sofrer por ele para, depois, tocarem o céu.
Talvez seja a maior vitória de Scaloni, o técnico capaz de aliviar a obrigação de Leo de carregar sozinho um país inteiro que se alimenta de futebol como poucos.
Nos pequenos gestos, continua a ver-se união dentro e fora de campo, tal a forma como os suplentes vibram com as façanhas dos titulares neste Mundial. Nos festejos, a identidade desta Argentina revela-se em absoluto. Não há protagonistas isolados nem coreografias ensaiadas a pensar em likes nas redes sociais. Assistimos, isso sim, a corridas desenfreadas para o banco, abraços que envolvem futebolistas, treinadores e elementos do staff, uma felicidade genuína. A impressão é a de que cada golo pertence ao coletivo, independentemente de quem o assinou.
A Scaloneta mostra que o futebol de seleções exige bastante mais do que apenas qualidade técnica e tática. Sem sentido de pertença, não há equipa que resista. Quando um grupo acredita verdadeiramente no companheiro ao lado, os momentos difíceis tornam-se mais suportáveis e as glórias ganham outro significado.
Do Campeonato do Mundo de 1982, o primeiro de que tenho memória, além do Naranjito e da desilusão com a eliminação do Brasil aos pés de Paolo Rossi, guardo a imagem de Marco Tardelli a celebrar o segundo golo da Itália no triunfo, por 3-1, sobre a Alemanha na final do Santiago Bernabéu. Um grito de emoção louca e incredulidade com a proeza que protagonizara.
Quarenta anos volvidos, no Qatar-2022, Lionel Scaloni fez-me lembrar o antigo internacional transalpino. Gonzalo Montiel batera Hugo Lloris e a Argentina sagrava-se campeã mundial no desempate por penáltis após sensacional 3-3 nos 120 minutos.
Scaloni pareceu estranhar e antes de entranhar a dimensão da conquista estava hipnotizado, quase sem reação. Quando despertou, benzeu-se e chorou convulsivamente como um vulcão que entra em erupção. A explosão de alguém que sentia que os seus recebiam a recompensa merecida.~
(Cada vez que vejo o esplendor na relva de Tardelli e Scaloni não consigo evitar emocionar-me).
Scaloni será recordado pelos troféus, porque é assim que o futebol costuma escrever a história. Mas, antes de construir uma seleção dominadora, estruturou um exército que gosta de combater junto e devolveu Messi à Argentina. O segredo que distingue os bons treinadores dos verdadeiramente especiais."

Deustáquio e Paz na Scaloneta


"Nico Paz será dos poucos jovens craques neste Mundial que ainda não convenceu o seu selecionador a entregar-lhe a titularidade. Percebe-se porquê. Dez canhoto já tem um e é, pelo menos, um dos dois melhores de sempre. Não sendo Messi, Maradona. Não sendo Maradona, Messi. Ainda assim, Scaloni convocou-o, utilizou-o no primeiro jogo e não teve medo de integrá-lo na rotação quase completa que fez diante da Jordânia.
Claro que o risco era nulo, mas ainda assim teve pequenas conquistas. Uma delas foi mostrar a Paz que está logo ali, perto dos titulares, outra foi acabar com o jejum de Lautaro. Lo Celso, Paredes e Simeone ganharam ritmo, só faltou tirar Julián Álvarez debaixo do peso do momento, o pedido de saída que fez ao Atlético Madrid. Ah. Messi descansou. E ainda assim voltou a tempo de assinar mais um belo golo.
Paz quis fazer muitas coisas, por vezes demasiado depressa, mas deixou rasto do seu enorme talento. Sabe que Scaloni está atento. Tal como ele, quando prefere o Como de Fàbregas ao Real de Mourinho. Escolheu jogar e os que gostam dele.
O Canadá continua a fazer história e qualificou-se pela primeira vez para os oitavos de final. Excelente trabalho do norte-americano Jesse Marsch, 'formado' na Red Bull, que está a potencializar aquela que é a geração de ouro do país. O golo foi de Stephen Eustáquio, num momento de indefinação da carreira, em jogada que mostra as suas características: capacidade de chegada e raciocínio rápido, após o domínio no peito. O remate eleva-o à condição de herói. Não se sabe onde continuará a jogar, mas aqui o português até ajuda mais ao trocadilho do que o inglês. Será Deustáquio por muitos anos."

BI: Mundial #3

BolaTV: Dias de Mundial...

Terceiro Anel: Planeta #8 - DESASTRE COLOMBIANO E 16AVOS DE FINAL!! 🇵🇹🏆⚽️

Tailors - Final Cut - S05E27 - Alexandre Afonso

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Portugal quis ganhar à Colômbia? E ainda a Croácia, Messi e churrascos

Terceiro Anel: Mundial #3 - ANÁLISE DOS grupos, Melhor Equipa, Jogador, Golo, Revelação e Reflexão!

Pre-Bet Show - Mundial #6 - PORTUGAL PASSOU MAS ESTÁ PREPARADO PARA A CROÁCIA?👀

No Princípio Era a Bola - O Países Baixos-Marrocos pode muito bem ser o jogo mais entusiasmante dos 16 avos de final do Mundial

Renascença: Jogos Sem Fronteiras - Adeptos do Mundial

Renascença: Entrevista Pedro Martins...

Bola na Trave: Colômbia...

AA9: Mundial - Previsões...

AA9: Mundial - Day 18

Rabona: I Watched Canada Lose 8-1 to HONDURAS, Now I’m Watching This... | World Cup Day 18

Segundo Poste - Mundial #3 - "Martínez não merece ganhar um Mundial"

TNT - Convocados...

The Seleção Podcast #113

Observador: Minuto 90 - Agora de vermelho, dragão Eustáquio dá passagem ao Canadá

FIFA: França...

FIFA: Suécia...

FIFA: México...

FIFA: Equador...

FIFA: Costa do Marfim...

FIFA: Noruega...

SportTV: Brasil - Japão

segunda-feira, 29 de junho de 2026

10.ª Campeões Nacionais

Benfica 4 - 3 Sporting

Não foi fácil, mas finalmente, conseguimos um BiCampeonato, que já fugia à muito!!!
Pode não ter sido bonito, mas a atitude foi extraordinária... e nem a absurda goleada no Alvalixo, no jogo 2, deitou a equipa a baixo!!!


Pessoalmente, acho que estas Finais, foram mais 'mal jogadas', com muitos erros dos dois lados, mas a melhor equipa durante toda a época, ganhou!!!

O Cassiano, confirmou que a 1.ª época, não foi acidental! Neste Futsal moderno,, com muita velocidade e muita pressão, é necessário acreditar, ambicionar e lutar, com tudo!!!

Vamos ter uma mini-revolução no plantel, mas a base portuguesa da equipa já é forte, e ainda vai ficar mais forte para o ano (com muita juventude), com as contratações 'anunciadas' acho que até podemos subir de qualidade... e voltar ao nosso lugar na Europa!

O Pavlidis já se sabe o que nós sentimos quando ele falha um golo...!!!

Os Gloriosos - S06E02 - Início de época...

FIZERAM PREVISÕES CATASTRÓFICAS LEVARAM COM EXEMPLAR ESPÍRITO DEMOCRÁTICO


"1.
No final de uma época futebolística frustrante, esperava - ou desejava? - a comunicação social hostil que as assembleias gerais de hoje lhes proporcionassem mais uma infinidade de horas e horas de debate à volta do Benfica pelas piores razões.

2.
Os sócios do Benfica presentes nas AGs responderam com um vasto conjunto de intervenções altamente civilizadas, várias muito bem preparadas, outras expostas com compreensível emoção Benfiquista levada ao rubro. Tranquilamente apresentaram as suas muitas críticas, mostraram um exemplar espírito democrático, deixaram-se ouvir e fizeram-se ouvir. Foi, pode-se dizer, à Benfica! (Sim, houvem duas ou três notas dissonantes, exceções que confirmaram a regra.) 

3.
Rui Costa ouviu o que contava e o que não contava - esperava-se: que sócio pode estar contente com uma época que fechou tão aquém dos objetivos, tão longe dos mínimos exigíveis ao Benfica?

4.
A assembleia geral da manhã, consagrada na última revisão estatutária por proposta de João Diogo Manteigas, com a qual não concordei, e disse-lho pessoalmente, tem, porém, o mérito de permitir aos sócios desabafarem cara na cara com o presidente. Se isso leva à alteração de políticas é que tenho a maior das dúvidas. E não se percebeu mesmo o que vai mudar no futuro para além da contratação de Marco Silva.

5.
Por falar em Marco Silva: se Mourinho deu as eleições a Rui Costa, tese muito em voga com a qual não concordo - terá ajudado à goleada, a vitória aconteceria sempre -, Marco Silva é, pelo que se percebeu, um verdadeiro balão de oxigénio para o presidente: a aprovação da sua contratação foi unânime em todas as intervenções que a ele se referiram. E todos sabemos a importância que o futebol tem na avaliação de cada momento.

6.
Na parte da tarde a AG foi mais morna, com muito menos associados, e com a aprovação, de alguma forma surpreendente, do orçamento por 54%.
VIVA O BENFICA!"

Schjelderup no Club Brugge, jamais!


"Rui Costa enfrentou os sócios e admitiu falhas na última época. Foi o mais claro possível quanto ao mercado, mas os sócios ainda não 'perdoaram' o último

O Benfica teve no sábado o ponto final que faltava na época 2025/26, com o presidente a explicar-se aos sócios em assembleia-geral. Foram muitas horas de democracia em ação, com Rui Costa a enfrentar as perguntas mais duras e a responder ao pormenor sobre o que falhou e o que não poderá falhar a partir de agora. Mais tarde houve nova AG sobre orçamento, mas é na vertente desportiva que me centrarei.
O futebol senior masculino foi, sem surpresa, o motivo de debate mais aceso, com o presidente a ser interrompido várias vezes por adeptos sempre insatisfeitos com as explicações. Repetindo que assume a responsabilidade pela «péssima época», Rui Costa deixou um forte aviso a Pedro Proença e aos líderes da arbitragem, prometendo agora «tolerância zero». Uma espécie de agarrem-me que eu vou-me a eles... A partir do momento em que isto é dito aos sócios, subirá também a exigência de mais comunicados e intervenções a cada jornada, o que não deixa antever grandes melhorias no ambiente do futebol português, mas pode aumentar a popularidade do presidente na Luz.
Enquanto respondia aos sócios, Rui Costa confirmou que há um central a chegar «nos próximos dias» e que «vem aí mais um ala». Foi o mais claro possível enquanto o mercado decorre, mas nunca chega para o adepto que ficou em terceiro e que não gostou de ver o clube gastar muitos milhões numa equipa que, nas palavras do presidente, «não encaixou». Se por um lado a crítica é a falta de reforços até agora [só Gabriel Índio se apresentou no início dos trabalhos], por outro a exigência subirá a cada milhão gasto. Normal.
O tom subiu quando se falou do último mercado de inverno e da iminente saída de Andreas Schjelderup, que viria a tornar-se o grande ativo do Benfica depois de marcar ao Real Madrid e de subir muito de rendimento na segunda metade da época. O Club Brugge quereria pagar oito milhões de euros, as águias só venderiam nessa altura por 20, «palavra de honra» de Rui Costa. Desde Mário Lino que não se ouvia um «jamais!» tão firme, sendo que agora mais rapidamente teremos aeroporto em Alcochete do que Schjelderup no Club Brugge."

Zero: Mercado - Benfica tem novo patrão, mas pode perder titular

BF: Lenglet...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - “Vai ser sempre difícil defender com Ronaldo em campo”

Oração!!!


"Quando os falhanços se repetem, as desculpas também, e nada muda, então a assunção pública de responsabilidades transforma-se num ritual vazio.
Quem assume responsabilidades, mas nunca assume as consequências acaba por não assumir rigorosamente nada.
A verdadeira responsabilidade não se mede pelas palavras ou pela quantidade de vezes que se pede desculpas. Mede-se pelas mudanças que se fazem para que o mesmo erro não volte a acontecer. Quando isso não sucede, a repetição da culpa deixa de ser um sinal de humildade e passa a ser um sintoma de incapacidade.
Que Marco Silva consiga poupar os sócios do SL Benfica a mais desculpas sem consequência do seu presidente."

Orçamento aprovado


"A aprovação do orçamento do Sport Lisboa e Benfica para 2026/27 e o 13.º título nacional consecutivo em hóquei em patins no feminino são os destaques nesta edição da BNews.

1. Sócios aprovam orçamento
Com um total de 8209 sócios votantes, o orçamento do Sport Lisboa e Benfica para a época 2026/27 foi aprovado com 54,57% dos votos.
Pode ler, no Site Oficial, a intervenção inicial do Presidente da Direção do Clube, Rui Costa.

2. Tridecacampeãs
A equipa feminina de hóquei em patins do Benfica sagra-se tridecacampeã nacional. No jogo 2 da final, as águias venceram, por 3-4, no rinque da ACD Gulpilhares.
Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, enaltece "o feito extraordinário, alcançado com enorme qualidade, dedicação, espírito de equipa e uma ambição permanente".

3. Atingir sucesso
Em entrevista aos meios do SL Benfica, Mário Branco, diretor-geral para o futebol profissional do Benfica, aborda o plantel, a pré-temporada e os objetivos para a época: "Estamos a criar as bases para ter sucesso."

4. Prossegue a preparação
O 3.º dia de trabalho do plantel às ordens de Marco Silva.

5. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

6. Luta pelo bicampeonato
Hoje, às 20h00, na Luz, Benfica e Sporting disputam a negra da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal.

7. Derrota em final europeia
A equipa feminina de polo aquático do Benfica chegou à final da Nordic League, na qual foi derrotada pelo Tenerife Echeyde, por 10-16.

8. Anúncio de saída
A futebolista Carole Costa deixa de representar o Benfica.

9. 44.ª Gimnáguia
Veja as melhores imagens de mais uma edição do tradicional festival de ginástica do Benfica.

10. Parceria anunciada
Fujitsu é o Official Cybersecurity Partner do Sport Lisboa e Benfica.

11. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.

12. Casa Benfica Ilha Terceira 
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 32.º aniversário."

Um Mundial de novas oportunidades


"Um Campeonato do Mundo é uma competição única e, por norma, emocionante. Este ano, pela primeira vez, o formato passa a incluir 48 seleções. Uma alteração que continua a gerar opiniões diferentes, mas que também traz novas histórias e novos protagonistas. Ao longo deste Mundial, já houve vários exemplos que ajudam a perceber o impacto que este novo formato pode ter.

Noruega – união
Nem todos têm a oportunidade de participar num Mundial de seleções. Os mais experientes olham para esta competição de uma forma diferente daqueles que vivem esta experiência pela primeira vez. Neste aspeto destacam-se algumas seleções, não só pelo que fazem dentro do campo, mas também pela forma como os seus adeptos vivem este momento fora das quatro linhas. A Noruega é uma das seleções que melhor representa o espírito desta competição. Dentro do relvado, joga com um sorriso nos lábios. Essa atitude reflete-se na forma como a equipa aborda os jogos. Apesar de contar com jogadores experientes, como Odegaard ou Haaland, a realidade é que todos demonstram estar felizes por marcar presença. O selecionador promove um forte espírito de grupo, onde todos se sentem importantes, como ficou provado no jogo frente à poderosa França. O futebol praticado é apelativo e organizado. A ligação aos adeptos sente-se em cada jogo. Depois de 28 anos, a Noruega está novamente presente numa grande competição. Desportivamente, a Noruega tem demonstrado qualidade e elevado as expetativas. Fora dos relvados, a forma como os seus adeptos se comportam é incrível. A celebração a remar, como se estivessem num barco, já corre o mundo. Seja nas escadas rolantes, seja no metro, sejam jovens ou idosos, a alegria e a forma como celebram tornaram-se uma imagem de marca deste país.

Cabo Verde – paixão
Cabo Verde estreou-se este ano nesta competição. Quem vê esta seleção jogar percebe o orgulho e a emoção que os jogadores carregam em cada jogada e em cada disputa de bola. Representam um povo que vive a seleção com enorme orgulho. O facto de a FIFA ter alargado o Mundial a mais seleções faz com que mais países tenham a possibilidade de viver uma experiência única. Todos sabemos que, para os jogadores, esta é uma oportunidade para se mostrarem e progredirem nas suas carreiras. Isso é comum a todos os presentes, mesmo aos mais conceituados. Contudo, quando vemos Cabo Verde em campo parece haver algo mais, algo que muitas vezes não encontramos em seleções com maior estatuto: uma enorme paixão e responsabilidade por representarem o seu país ou o país dos seus ascendentes, bem como uma forte união dentro do grupo. Estes ingredientes são fundamentais para que seleções de menor dimensão consigam equiparar-se a adversários com mais capacidade. A outra parte passa pela componente desportiva. É perfeitamente visível a evolução tática e estratégica que seleções como Cabo Verde têm vindo a demonstrar. Este é o primeiro de muitos passos que todos os cabo-verdianos querem dar. Para que esse crescimento seja consistente, é importante que o planeamento da Federação Cabo-Verdiana continue a evoluir, que os jogadores mantenham a paixão por representar a sua seleção e que todos tenham a perceção de que ainda há muito para crescer. Por fim, há dois pontos que podem fazer a diferença no futuro. O primeiro é que esta prestação será fundamental para atrair mais jogadores nascidos fora de Cabo Verde e que não tenham dúvidas em representar esta seleção. O segundo passa por uma correta gestão das expetativas. A partir de agora, todos vão querer mais e todos terão de estar preparados para corresponder às ambições criadas dentro do relvado.

Equador – acreditar
Para se ter sucesso em qualquer área é determinante acreditar nas nossas capacidades. O desporto dá-nos vários exemplos de que as surpresas acontecem quando menos esperamos. O Equador é um bom exemplo. Perdeu um jogo equilibrado frente à Costa do Marfim. Empatou injustamente contra Curaçau. À entrada para o último jogo, frente à Alemanha, as possibilidades de passar à próxima fase pareciam remotas. A verdade é que o Equador acreditou sempre em si próprio. Mesmo depois de estar a perder frente à Alemanha, não baixou os braços. Continuou a lutar e a acreditar que o impossível podia ser alcançado. Com união, vontade e competência conseguiu virar o jogo e carimbar a passagem à próxima eliminatória. No jogo menos provável, apareceu a ponta de sorte que tinha faltado nos dois anteriores. Analisando o percurso da equipa, não tenho dúvidas de que o Equador chega justamente à próxima fase.

Recordes... novos tempos
Messi tornou-se no melhor marcador de sempre em Mundiais. Tenho a convicção de que esse recorde vai ser batido por outros jogadores. Mbappé, por exemplo, está muito próximo e ainda tem muitos anos de carreira pela frente. O novo formato do Mundial, com 48 seleções, dá vantagem aos jogadores da atualidade. Por um lado, podem disputar mais jogos. Por outro, na fase de grupos poderão encontrar adversários mais acessíveis e jogos menos equilibrados. Em conjunto, estas duas condições fazem com que os golos possam surgir com maior facilidade. Os números são importantes, mas a verdade é que é difícil comparar realidades tão diferentes como a atual e aquelas que outros grandes craques viveram no seu tempo. Percebo quando se comparam jogadores ou os números que alcançaram. Da minha parte, prefiro concentrar a minha atenção noutros aspetos e não posso deixar de estar muito satisfeito por ter tido a oportunidade de ver tantos e tão bons jogadores ao longo dos últimos 30 anos. Como adepto de futebol, sinto-me um privilegiado por ter visto Maradona, Matthaus, Romário, Bebeto, Roberto Baggio, Roberto Carlos, Maldini, Buffon, Ronaldo fenómeno, Luís Figo, Zidane, Ronaldinho Gaúcho, Messi e Cristiano Ronaldo, entre muitos outros. Os recordes continuarão a ser batidos, até porque o futebol está em constante evolução. Mas o verdadeiro privilégio é poder dizer que vi jogar alguns dos melhores de sempre.

A valorizar: França
Demonstrou muita qualidade e capacidade nos três primeiros jogos. Assumiu-se como verdadeira candidata ao título.

A desvalorizar: Turquia
A prestação da seleção orientada pelo italiano Vincenzo Montella no Mundial foi uma desilusão."

Diogo Luís, in A Bola

O bielsismo nunca morrerá


"Quando se falha, falha-se quase sempre sozinho. Ainda mais no futebol. Ainda mais quando se trata de alguém tão intocável nas ideias, de fora para dentro, como Marcelo Bielsa. Já morreu várias vezes no jogo, mas sempre a fazer o que acha e a dizer o que pensa. Sem concessões. 
No entanto, El Loco, desta vez, estava destinado a falhar. Nunca teve consigo os jogadores. E pregava há séculos no deserto. Ou nas dunas de Cabo Polonio, à falta de melhor cenário. A qualificação, a preparação e os primeiros jogos confirmaram o mau momento e, antes da Espanha, veio a público o motim ideológico, com os atletas a pedirem para que voltasse atrás, ao pontapé para a frente, à correria e ao choque a que estavam acostumados. Questionar Bielsa não fazia sentido, é impossível haver agora mesmo nas Américas alguém tão idealista. E o técnico sentiu a facada e mostrou as cicatrizes. Já não era a primeira que levava e pela mesma gente. «Já se tinham tentado livrar de mim antes», acusou.
Vi muitas críticas. É o alvo fácil, mesmo a milhares de quilómetros. Li que já não é tão influente, que já não é um génio, que as ideias já não funcionam. Inclusive, acusam-no de desrespeitar os jogadores e de nunca olhar ninguém nos olhos. Nunca olhou, mesmo quando o consideravam genial e bebiam das suas ideias para criar os respetivos modelos.
É mais fácil atirar pedras a Bielsa, que não é perfeito, obviamente, do que olhar para o pouco talentoso grupo de trabalho uruguaio, ainda que o selecionador tenha afastado uns quantos por sua iniciativa, ou para o rico registo disciplinar de algumas das figuras no último ano. Até mesmo para o rendimento de outros, em posições cruciais, como a de ponta de lança. El Loco chegou uns anos mais tarde do que devia. A geração de Cavani e Suárez jogava bem mais à bola e eles eram os líderes que agora escasseiam. Faltou-lhe apoio para a revolução.
Descansem, Bielsa não irá para casa tão cedo. Continuará em Scaloni, Pochettino e Beccacece, que até o tem tatuado nas costas. O bielsismo tem muitas vidas."

O Mundial acontece quando deixam de existir segundas oportunidades


"Durante a fase de grupos discute-se quem terminou em primeiro, quem ficou em segundo, quem marcou mais golos ou quem apresentou o futebol mais sedutor. Mas quando chega a fase a eliminar, essas classificações tornam-se notas de rodapé.
Portugal cumpriu o primeiro objetivo. Qualificou-se. E, olhando para aquilo que verdadeiramente importa, esse era o único desígnio. Ser primeiro ou segundo do grupo pouco significa para uma seleção que ambiciona conquistar um Mundial.
Há uma diferença subtil entre competir para vencer um grupo e competir para vencer um Campeonato do Mundo. A primeira exige consistência; a segunda exige evolução. Obriga uma equipa a descobrir novas soluções à medida que a competição endurece. Foi precisamente isso que o jogo com a Colômbia ofereceu a Portugal. A seleção sul-americana confirmou ser o adversário mais completo do grupo. Forte na pressão, organizada com bola e inteligente na ocupação dos espaços, obrigou Portugal a abandonar zonas de conforto. Competir, significa aceitar que o adversário também terá momentos de domínio. Essa talvez tenha sido a maior vitória desse empate. Há aprendizagens que apenas os adversários mais fortes conseguem proporcionar. A Colômbia mostrou que controlar um jogo nem sempre passa por monopolizar a posse de bola; passa, muitas vezes, por saber sofrer, reorganizar-se e esperar pelo instante certo para recuperar o controlo. Agora, porém, começa um torneio diferente. Na fase a eliminar desaparecem os cálculos. Cada decisão ganha um peso definitivo. O Mundial transforma-se num exercício de maturidade.
É neste contexto que surge a Croácia.
Se a Colômbia vive da intensidade e da verticalidade, a Croácia prefere a paciência. É uma equipa que governa o ritmo do jogo através da posse, aproxima os seus médios, protege a bola e desgasta emocionalmente o adversário. Não procura acelerar constantemente; procura fazer o jogo acontecer ao seu tempo. Portugal encontrará um bloco compacto, confortável a defender em organização e muito competente a fechar os espaços interiores.
Ao contrário da Colômbia, a Croácia não acelera imediatamente após recuperar a bola. Conserva-a, atrai a pressão e encontra, com paciência, o espaço que o adversário oferece. Portugal terá de pressionar melhor, mas sobretudo pressionar como bloco.
Agora começa a única classificação que realmente interessa, a dos que continuam a acreditar e a dos que regressam a casa. Os grandes campeões são recordados pela capacidade de crescer quando o erro deixa de poder ser corrigido. O Mundial começa, verdadeiramente, quando deixam de existir segundas oportunidades."

Profeta...

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