O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Fundação...
A #FundaçãoBenfica apoia idosos isolados vítimas das tempestades.
— SL Benfica (@SLBenfica) February 7, 2026
O Sport Lisboa e Benfica, através da Fundação Benfica e em parceria com a GNR, está no terreno a ajudar quem mais precisa.
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𝗠𝗕𝗪𝗔𝗬
931 904 150
𝗜𝗕𝗔𝗡
PT50… pic.twitter.com/GttlhYtZzk
Vitória sobre o Vitória...
Guimarães 1 - 3 Benfica
25-21, 14-25, 22-25, 14-25
Reagimos a tempo, depois dum 1.º Set abaixo do normal...
PS: No Andebol, voltámos a Avanca para terminar o jogo que tinha começado a meio da semana, mas que foi interrompido devido às más condições do piso, para a Taça de Portugal, mas, mais uma vez, não foi possível realizar a partida, e assim tendo em conta os regulamentos o Benfica qualifica-se para a ronda seguinte!
Vitória no Algarve...
Imortal 95 - 105 Benfica
32-29, 22-21, 14-27, 27-28
Má 1.ª parte, novamente, com o Broussard mais vez a salvar a equipa! Mesmo admitindo que o Imortal acabou com 50% nos Triplos, não podemos sofrer 95 pontos do Imortal, mesmo sem o Dziewa! Ganhámos a luta dos ressaltos 38/21, com esta diferença, com uma percentagem normal, devíamos ter ganho de Capote!!!
Corruptos venceram a Lagartada em Lisboa, e assim voltámos a ter novamente 2 jogos de diferença para o Sporting...
Juniores - 3.ª jornada - Fase Final
Rio Ave 1 - 1 Benfica
Pastel
Jogo marcado pelo vento, especialmente no 2.º tempo, onde nunca nos conseguimos adaptar! Apesar de alguma oportunidades desperdiçadas, podemos agradecer ao Leo Lopes, o nosso guarda-redes, o empate!
Juvenis - 3.ª jornada - Fase Final
Derrota inesperada, em jogo onde falhámos inclusive um penalty, em mais um jogo num relvado do Seixal muito mal tratado!
Será só coincidência? Fantasmas do Nice e do Ajax não largam Farioli
"Descubra as... semelhanças entre o descalabro do treinador italiano em França e nos Países Baixos e o momento atual no FC Porto
Era inesperada, porém aconteceu mesmo. A primeira derrota do FC Porto na Liga, na casa do então antepenúltimo classificado Casa Pia, trouxe não só renovado calor e maior tensão ao clássico de 2.ª feira com o Sporting, mas também o regresso de fantasmas que, para os lados do Dragão, se desejava que estivessem arrumados no sótão, longe de assombrarem uma época que, depois do descalabro da temporada anterior, aparentava caminhar na estrada da perfeição.
É verdade que, a par do mencionado por Rui Borges, técnico dos leões, o grande duelo da 21.ª jornada nada decidirá. Mas seria, igualmente, desonesto não referir duas ideias à luz dos últimos dias.
Primeiro, seja qual for o lado para que caia, o FC Porto-Sporting definirá o que se segue na luta pelo título, sabendo os dragões, sim, que uma vitória os deixará de novo com sete pontos de vantagem sobre os leões, mas que uma derrota significará que os homens de Alvalade ficarão à distância de somente um ponto.
O que nos leva à segunda ideia: nova derrota do conjunto de Francesco Farioli, neste caso apenas a segunda , e consecutiva, tornará impossível que as análises ao momento atual dos dragões não inclua vislumbres dos espíritos do passado do jovem treinador italiano dos azuis e brancos.
A história do desastre na ponta final da última época, quando Farioli estava no comando do Ajax, é sobejamente conhecida: depois de liderar a classificação da Eredivisie (liga neerlandesa) ao longo de quase toda a temporada 2024/2025, alcançando vantagem de nove pontos para o segundo classificado, o PSV, com apenas cinco jornadas por disputar, o conjunto de Amesterdão desabou, perdeu dois jogos, empatou outros dois, e entrou na derradeira ronda já atrás do rival de Eindhoven, que não quebrou no último dia e acabou mesmo por sagrar-se campeão.
Já a história no Nice, na época anterior (2023/2024), é menos relatada, mas... tem contornos semelhantes: quase metade da Ligue 1 em 2.º, a um ponto do PSG, até que, em fevereiro e março, seis derrotas em oito jogos deitaram tudo a perder, com o Nice a cair para 5.º, a 19 pontos dos parisienses.
Mais: em ambas, a equipa começou a demonstrar cansaço, as dinâmicas inovadoras de início foram deixando de surpreender e os avançados viram a fonte dos golos secar.
Conclusão: qualquer semelhança de Nice e Ajax com o momento que se vive hoje no FC Porto não pode ser mera coincidência. Conseguirá Farioli caçar os seus próprios fantasmas?"
À CONTA DAS RACHAS DA BANCADA
"UMA DERROTA ANUNCIADA VIROU
uma das maiores vergonhas do futebol português neste século
1. Quem não se lembra do processo que levou os adeptos do Porto a invadirem o relvado do António Coimbra da Mota e, com isso, ao adiamento da segunda parte?
2. Quem não se lembra que o jogo foi retomado mais de trinta dias depois e, com isso, ao maior intervalo da história do futebol mundial?
3. Quem não se lembra que nesse intervalo de mais de trinta dias o Porto liquidou ao Estoril mais de 700 mil euros de uma "dívida" que curiosamente não estava registada nos relatórios e contas de uma e outra SAD?
4. Quem não se lembra que o relatório do LNEC, poucos dias depois, informava que a "bancada do Estoril nunca esteve em perigo" e sublinhava que "não foram detetadas evidências de comportamento estrutural anómalo" na estrutura do topo norte do António Coimbra da Mota? E que a bancada foi dada como apta pela Liga poucos dias depois?
5. Quem não se lembra que o Porto tinha levado um banho de bola na primeira parte, perdia por um-zero, e retomada a partida, mais de trinta dias depois, remontou-a para três-um com um golo em claro fora de jogo e o comportamento dos jogadores do Estoril tão estranho que levou o treinador Ivo Vieira a dizer na flash interview que "quase que dava dó ver o Estoril em campo" e que "estes atletas também têm de repensar o compromisso que é representar uma instituição como esta"?
6. Todas estas lembranças me vieram inevitavelmente à memória ao passar hoje perto do António Coimbra da Mota e verificar que aquela bancada está lá intacta, firme, sem rachas, depois de ter sido sujeita nestes dias a todas as duras provas que (infelizmente) derrubaram tantas e tantas outras estruturas por esse país fora.
7. Ah, é para lembrar que todas aquelas atrocidades do Estoril-Porto tiveram lugar em 2017-18, a época em que o Porto foi campeão e, com isso, impediu o Benfica de fazer o penta."
A boavistização do lusopédio
"«Infelizmente, acho que a solidariedade acabou, porque houve um grupo de clubes que são os 'novos ricos', que têm investidores estrangeiros, que chegam aqui com milhões e milhões, como outros que, ao fim de dois ou três anos, se chatearam, foram embora e deixaram o Boavista da forma que está. Pode ser que a eles lhes aconteça o mesmo»
Paulo Lopo, presidente do Estrela da Amadora, após a Assembleia Geral da Liga de ontem
Quando iniciei a carreira, faz em julho 29 anos, ainda se falava da belenensização de clubes — foi tema na crise do Sporting durante os anos 90, voltou a sê-lo quando Vale e Azevedo quase destruiu o Benfica na viragem do século: um clube que parece demasiado grande para cair degradar-se a ponto de, afinal, já não ser demasiado grande e não surpreender que possa afundar-se, como aconteceu com o Belenenses (que foi campeão nacional e só desceu pela primeira vez à segunda divisão em 1982).
Desde ontem temos um novo conceito no lusopédio: a boavistização de clubes. O aviso foi dado por Paulo Lopo, presidente do Estrela da Amadora, depois de seis, em 18, durante a Assembleia Geral da Liga Portugal, terem impedido que as verbas do mecanismo de solidariedade da UEFA chegassem aos clubes da Liga 2, como sempre aconteceu até aqui.
O ataque do presidente do Estrela foi contra investidores estrangeiros que olham apenas para o umbigo, e para o lucro, mas é sinal de problema ainda mais grave: se os 18 não se entendem por causa de migalhas (pelos números da época passada, cada clube da Liga, com este chumbo, encaixará mais 340 mil euros), acham mesmo que vai haver centralização dos direitos TV?"
Pensar, o princípio dos sucessos
"Comecemos pelo princípio. O princípio das coisas, o pensamento. A capacidade de parar para olhar e ver, tocar e sentir, ler e perceber. O panorama do futebol português não apenas o merece, mas exige-o, num momento em que a indústria é cada vez mais global e exigente, e em que a qualificação do trabalho e dos projetos é essencial para garantir o sucesso, transversal e em âmbitos e ambientes tão distintos como complementares para que os objetivos possam, gradativa e qualitativamente, ser atingidos.
Daí à necessidade emergente de um fórum em que todos possam ser escutados, em que todos possam ter opinião, em que todos possam contribuir, é um pequeno-grande passo dado pela Federação Portuguesa de Futebol. Como se de um pontapé de saída se tratasse, para um jogo com prolongamento, decisivo para o encontro de plataformas de diálogo e de caminhos de construção de um ecossistema mais uniforme, democrático, transparente e equilibrado.
O 1.º Congresso do Futebol Português foi, apenas, um ponto de partida e representa, na verdade, o passo mais visível de uma estratégia que tem de aproveitar o que de muito bom foi feito nos últimos anos (seja no reforço da componente estrutural da entidade que gere a modalidade em Portugal, seja no capítulo mensurável dos resultados desportivos obtidos entretanto), à crescente necessidade de agregar. Esse é o verbo. Agregar vontades, congregar protagonistas, chamar novos atores e projetar ideias.
Vejo o desporto-rei, em Portugal, não apenas como o óbvio catalisador de atenções gerais e mediáticas. Ele continua a ocupar uma grande percentagem das páginas dos três diários da especialidade, a preencher espaços nobres nos canais de televisão e rádio, e a merecer a atenção privilegiada da maioria dos seguidores e utilizadores digitais na área do desporto.
Mas o futebol é bem mais do que isso. Importa fazer uma análise global e pormenorizada dos enquadramentos legais e financeiros, zonas tantas vezes cinzentas e pelas quais passa uma boa parte das dúvidas metódicas e práticas de tantos dirigentes, no exercício das respetivas funções.
É essencial entender a modalidade como um edifício cujas bases têm não apenas de ser acauteladas, como estimuladas em todo o tempo e a toda a geografia do território: as associações distritais e regionais continuam a ser o pólo de encontro e desenvolvimento do jogo. Dessas 22 estruturas emerge a promoção, o despiste, a filtragem e a qualificação dos principais agentes (jogadores e treinadores). Surge delas a paixão pela prática, o gosto pelo desenvolvimento e o sacrifício pela competição, que, evidentemente, se torna depois o grande objetivo dos mais dotados e capazes.
Mas é essencial perceber este edifício como uma construção em permanência, porque, alterna estruturas físicas com dimensão humana. Terá de olhar a formação contínua numa lógica biunívoca: o crescimento dos parâmetros técnicos e profissionais, por um lado, e a perspetiva da formação geral, continuada e acrescentada, dos indivíduos que gravitam em torno do futebol profissional. Sobretudo, claro, dos jogadores, sabendo-se que é uma ínfima percentagem a que corresponde aos atletas que, efetivamente, ganham o suficiente, durante as respetivas carreiras, para não terem quaisquer problemas vida fora.
É também essencial compreender a dinâmica das competições, porventura repensando a sua lógica, por forma a não manietar a qualidade em detrimento da quantidade, e de tentar tornar o jogo efetivamente transversal, e a sua organização correspondente aos anseios, mas igualmente às reais possibilidades de clubes e dirigentes. Só faz sentido ter a ideia de uma liga profissional qualificada e competitiva, se, a montante do processo organizativo, cuidarmos de competições não-profissionais preparatórias para as exigências dos patamares mais elevados. Se o não fizermos, arriscaremos a rutura financeira e a ineficácia dos modelos competitivos de base.
O fórum do passado fim de semana, na Cidade do Futebol, foi um pontapé de saída notável, pelo diagnóstico transversal, que resultou do trabalho de seis meses, em cada uma das áreas abrangidas, mas representou também uma responsabilização total, a partir da Federação Portuguesa de Futebol, de todos os agentes envolvidos. Acredito que será importante, para o próximo estágio de investigação e debate setorial, a atenção especial à componente de Ética e Deontologia, sob a forma (fica a proposta…) da elaboração de um código identificativo e normativo desses pressupostos essenciais ao Desporto, com o seu lançamento e assinatura por todos os atores do ecossistema futebolístico português. Será um elemento de superior e formal responsabilização, unindo em torno de valores inegociáveis todos os que pretendem contribuir para um Futebol mais democrático e mais agregador.
Talvez seja este o momento ideal, a quatro anos e meio da organização conjunta do Mundial de Futebol em 2030, para enterrar machados de guerra e perceber que, na saudável partilha de ideias, troca de experiências e diferença de visões, se pode construir um edifício com bases sólidas, alicerces à prova de sismo, com condições inigualáveis para o sucesso de médio e longo prazo. Esta será, seguramente, a primeira grande vitória.
Cartão branco
O 1.º Congresso do Futebol Português foi — parece-me opinião transversal — um sucesso na ideia e na respetiva passagem à prática. Mas há gente por trás dele. Para que tudo corra sobre rodas, a equipa de funcionários e colaboradores da Federação Portuguesa de Futebol que o preparou e levou à prática na Arena Portugal merece os maiores encómios: um trabalho altamente profissional, em qualquer parte do Mundo, servido a preceito a todos os convidados, com rigor, cumprimento de horários, atenção ao detalhe e gosto pelo pormenor. Emerge, claro, o nome de Marco Carvalho, agora Diretor de Comunicação da FPF, depois de um passado profissional como jornalista e como dirigente do SC Braga e do Rio Ave. Portugal pode fazer (e faz) como os melhores do Planeta Futebol. E é tão bom senti-lo e poder reconhecê-lo.
Cartão amarelo
Começou por falhar um jogo. Depois, falhou outro. Cristiano Ronaldo (que é proprietário de uma pequena parte das ações do clube), mostra, deste modo, aos responsáveis do Al Nassr e do fundo de investimento que gere os principais clubes do futebol da Arábia Saudita, o seu desencanto e descontentamento pelos aludidos desequilíbrios nas apostas e nas contratações, o que, no entender do jogador português, terá penalizado o seu clube. O que nasceu torto, tarde ou nunca se endireitará. A liga saudita (apesar dos imensos esforços que o 'marketing' do dinheiro produz…), é a liga de um país sem tradições na modalidade e com métodos estranhos, do ponto de vista organizativo. Como o próprio país, afinal…"
Estaduais e dentes do siso
"Os campeonatos estaduais do Brasil são como aqueles formulários, aqueles carimbos, aquelas assinaturas que a máquina burocrática nos exige mesmo que só sirvam para atrapalhar. Ou como aquelas monarquias, sem poder efetivo, que só dão despesa.
Como a infantaria, e até a cavalaria, depois da invenção da pólvora. E como as eleições com colégios eleitorais, votos indiretos e outros expedientes que só atrasam a contagem e ferem a vontade popular.
Acabar com eles, entretanto, é mexer num vespeiro de interesses cruzados das mesmas federações que elegem o presidente da CBF. Por isso eles sobrevivem — ou, melhor, já morreram mas insistem, qual fantasmas, em voltar à terra para assombrar a vida dos clubes grandes.
Nomeadamente, o Vasco da Gama, que com o treinador Fernando Diniz, deu sinais de recuperação em 2025. Bastou um empate na última segunda-feira na casa do modesto Madureira, que só tem o estadual para disputar até abril, para se ouvir um coro de insultos ao técnico.
Filipe Luís, era o que faltava, ainda não é contestado. Mas tem de ficar atento. O Flamengo perdeu no arranque do Brasileirão e foi derrotado na Supercopa do Brasil pelo Corinthians porque o treinador foi obrigado a colocar os titulares, com meros 20 dias de férias e três de treinos, a jogar no estadual uma vez que os sub-20 arriscavam cair de divisão.
O Santos e o São Paulo agravam as crises a cada semana porque devem falhar a fase final do Paulistão onde andam a defrontar clubes a prepararem-se há meses para o torneio.
Até o saudável Palmeiras, ainda às voltas com o mercado e com o défice de forma dos principais jogadores, perdeu na casa do Botafogo de Ribeirão Preto, clube que, no entanto, tem quase um mês de avanço em treinos e se beneficia de não ter começado ainda a Série B do Brasileirão que disputa.
Como Abel Ferreira, também Luís Castro não tem sossego no Grêmio porque logo a abrir a temporada, enferrujado e em testes, perdeu com o rival Internacional no insípido Gauchão.
O Cruzeiro de Tite, com ambições de título nacional, não soube gerir o início de época por culpa das exigências estaduais e já perdeu no arranque do Brasileirão por sonoros 4-0 na casa do Botafogo.
Antigamente, o Cariocão tinha uma regra absurda aos olhos europeus: clube grande — Vasco, Fla, Fluminense e Botafogo — não desce de divisão mesmo que fique em último. Nos anos 90, a (suposta) injustiça foi corrigida.
Mas há quem a queira de volta, porque mérito desportivo serve para competições com calendários e regulamento justos — serve, em suma, para competições com razão de ser, ao contrário dos estaduais, uma espécie de dente do siso ou de apêndice no corpo do futebol brasileiro."
Multi-club ownership: a linha vermelha do controlo no futebol europeu
"Nos últimos anos tem-se tornado frequente assistirmos a grandes investidores e fundos internacionais ligados a vários clubes em simultâneo. À primeira vista, este fenómeno parece apenas mais um reflexo da globalização do futebol. Contudo, existe uma linha jurídica clara que não pode ser ultrapassada: um mesmo investidor não pode exercer controlo direto ou influência decisiva sobre dois clubes participantes na mesma competição europeia. Esta limitação é conhecida como a regra da 'multi-club ownership'.
A razão é simples e facilmente compreensível para qualquer adepto: evitar conflitos de interesse e garantir a integridade das competições organizadas pela UEFA. Se a mesma pessoa, ou entidade, controlar dois clubes que se possam defrontar, fica comprometida a confiança nos resultados, nas transferências entre clubes e até nas decisões estratégicas de cada equipa.
A proibição do controlo simultâneo encontra-se expressamente prevista nas normas da UEFA. O artigo 5.º do Regulamento da UEFA Champions League (bem como regras equivalentes da Liga Europa e da Conference League) prescreve que nenhuma pessoa, singular ou coletiva, pode deter controlo ou exercer influência sobre mais de um clube participante numa competição europeia.
O que significa deter controlo ou exercer influência?
Considera-se existir controlo ou influência quando se verifica, designadamente: a detenção da maioria dos direitos de voto dos acionistas; o direito de nomear ou destituir a maioria dos membros do órgão administrativo, de gestão ou de supervisão do clube; o controlo, enquanto acionista, da maioria dos direitos de voto por força de um acordo celebrado com outros acionistas; ou a possibilidade de exercer uma influência decisiva na tomada de decisões do clube.
Importa salientar que a propriedade múltipla não é, por si só, ilícita. Um investidor pode deter participações em diversos clubes, desde que não exerça controlo direto ou influência determinante em mais de um clube participante na mesma competição.
O que acontece se houver dois clubes sob o mesmo controlo ou influência?
Quando a UEFA identifica que dois clubes se encontram sob o mesmo controlo ou influência dominante, atua preventivamente: um dos clubes não pode competir.
A exclusão pode ser evitada se um dos clubes demonstrar que cessou qualquer forma de controlo ou influência dominante, por exemplo mediante alteração da estrutura acionista ou renúncia a poderes de decisão. Para o efeito, os clubes devem comprovar que, até 1 de março da época em causa, os critérios relativos à propriedade de múltiplos clubes ('multi-club ownership criteria') se encontram plenamente cumpridos, mantendo esse cumprimento até ao final da temporada da competição.
Não sendo demonstrada essa conformidade, apenas um dos clubes poderá participar na competição em causa, enquanto o outro será declarado inelegível para aquela edição da prova, podendo ainda ser admitido noutra competição europeia de nível inferior (Europa League ou Conference League).
Como se determina qual clube terá de ser excluída da competição?
Para determinar qual clube será excluído, a UEFA aplica os seguintes critérios objetivos (por ordem decrescente): mantém-se o clube que se qualificou para a competição europeia mais prestigiada; ou o que obteve melhor classificação no respetivo campeonato; ou, por último, o clube cuja federação nacional ocupou posição mais elevada no ranking de acesso da UEFA.
A UEFA já aplicou esta regra na prática. Um exemplo recente ocorreu com o Crystal Palace, excluído da UEFA Europa League 2025/26 por o mesmo investidor controlar também o Lyon, igualmente qualificado. O clube inglês perdeu a vaga na Liga Europa e foi relegado para a Liga Conferência, enquanto o Lyon manteve a participação.
Do ponto de vista jurídico, este modelo funciona como um verdadeiro teste de risco, avaliando quem financia, quem decide, quem beneficia e se existe alinhamento de interesses entre clubes concorrentes. Se houver uma única vontade dominante, a regra é clara: não podem coexistir dois clubes sob o mesmo controlo na mesma competição.
Para os adeptos, a lógica é intuitiva: o futebol aceita investidores globais, mas não tolera que alguém jogue em dois lados do campo simultaneamente. É esse equilíbrio - entre capital, competição e credibilidade - que estas normas procuram garantir.
Preservar ou retirar o menisco. O que fazer no desportista?
"Sempre que um atleta se queixa de dor no joelho, o nome menisco surge quase de imediato. Durante muitos anos, a abordagem parecia simples: operar, remover a parte danificada e regressar, rapidamente, à competição. Hoje, porém, sabemos que esta decisão pode ter consequências que vão muito além do próximo jogo.
O menisco funciona como uma almofada dentro do joelho: absorve impactos, distribui as cargas, estabiliza o joelho e protege a cartilagem. Não é um tecido dispensável, visto ser uma estrutura essencial para a longevidade da articulação. A remoção parcial do menisco pode aliviar a dor a curto prazo, mas aumenta o risco de desgaste precoce, artrose e limitações funcionais futuras.
A evidência científica atual é clara: sempre que possível, o menisco deve ser preservado e reparado. Um menisco preservado torna o joelho mais protegido, com maior probabilidade de manter rendimento elevado durante mais tempo, refletindo-se na longevidade desportiva.
Importa salientar que nem todas as lesões são iguais, existindo roturas que podem ser tratadas sem cirurgia, com plasma rico em plaquetas de alta concentração (super PRP), fisioterapia e gestão das cargas de treino. Outras, pelas características da rotura ou lesões associadas, como por exemplo uma rotura do ligamento cruzado anterior, exigem tratamento cirúrgico. O fundamental é avaliar cada caso individualmente, com exames adequados e uma equipa experiente na gestão desta patologia.
Também é essencial lembrar que a ressonância magnética, apesar de ser o exame de eleição para o diagnóstico, pode revelar alterações meniscais sem relação direta com a dor. Por isso, a decisão terapêutica deve ser orientada pela avaliação clínica, exame físico e impacto funcional e não apenas pela imagem.
Atualmente, a grande mudança não se reflete apenas nas técnicas cirúrgicas, mas sobretudo na mentalidade e conhecimento das equipas médicas, atletas e cirurgiões. Já não basta perguntar «quando é que o jogador regressa?» mas sim «como estará este joelho nos próximos anos?».
É crucial definir critérios objetivos de regresso à competição, porque apressar o retorno aumenta o risco de recidiva e de queixas persistentes.
No desporto profissional, onde cada jogo pesa, o caminho mais rápido é, muitas vezes, o mais tentador. O verdadeiro desafio reside no equilíbrio do desempenho imediato e a longevidade da carreira, especialmente, em atletas jovens.
Preservar o menisco, sempre que possível, é preparar o atleta para o presente, protegendo-o para o futuro!"
Um horizonte de ambição e valorização para o desporto universitário
"O Desporto Universitário em Portugal atravessa um período de particular efervescência. Ao projetarmos o ano de 2026, vislumbramos um ciclo de competições e antecipamos um momento de charneira que concilia a celebração do nosso legado com a coragem de projetar o amanhã. É um ano de desafios exigentes, mas também de oportunidades ímpares para elevar o patamar da nossa atividade.
A vitalidade das nossas instituições e clubes impele-nos a repensar a estrutura competitiva atual. O desporto universitário deve ser um ecossistema dinâmico, capaz de se adaptar às novas exigências dos estudantes-atletas e à crescente dedicação dos agentes. 2026 será o palco para consolidar novas dinâmicas, garantindo que a competição continue a ser um espaço de excelência, mérito e, acima de tudo, um pilar fundamental da formação integral no ensino superior.
A nossa competência organizacional voltará a estar sob os holofotes internacionais. Em 2026, Portugal assume a responsabilidade de acolher dois eventos de prestígio da FISU, que demonstram a nossa capacidade de execução e o valor do nosso território. O Campeonato Mundial Universitário de Orientação, em Vila Real, será uma autêntica prova de superação e estratégia em contacto direto com a natureza e o interior do país. Por outro lado, o Campeonato Mundial Universitário de Desportos de Praia, na Figueira da Foz, irá constituir um evento que celebra a nossa identidade atlântica e a transcendência da história e cultura. Estes mundiais são vitrines do que melhor sabemos fazer, organizar com rigor e receber com hospitalidade.
A força do Desporto Universitário reflete-se, cada vez mais, no sucesso das nossas Seleções Nacionais absolutas. Assistimos hoje a um fenómeno crescente, o aumento do número de estudantes-atletas nas nossas competições e, simultaneamente, a afirmação desses mesmos nomes no topo do panorama desportivo nacional e internacional. O Desporto Universitário é, para muitos, o trampolim para a glória. Temos exemplos concretos de atletas que deram cartas nas nossas competições e que hoje são referências mundiais, como Fernando Pimenta, Patrícia Sampaio, Catarina Costa, Camila Rebelo ou Patrícia Mamona. Estes nomes demonstram que é possível conciliar com sucesso a carreira académica com o alto rendimento, e que a FADU é um parceiro vital na construção dos campeões que orgulham Portugal.
O futuro da FADU passa, obrigatoriamente, por uma gestão ágil e próxima. 2026 marcará a implementação de novos procedimentos e plataformas que trarão maior acessibilidade e funcionalidade às operações dos clubes. O objetivo é reduzir distâncias e simplificar processos, permitindo que os agentes se foquem no que é essencial, o desenvolvimento desportivo. Este caminho de modernização não descura o saber. A formação e a investigação permanecem no centro da nossa estratégia. Estamos a desenvolver ferramentas robustas para dotar os agentes do setor de competências científicas e práticas, assegurando que o desporto universitário português se mantém na vanguarda do conhecimento.
2026 será um ano de grande exigência, mas a nossa determinação é inequívoca. Entre o respeito pela história, que completa agora três décadas de presenças mundiais, e a necessidade de inovação técnica, a FADU continuará a ser o motor de um desporto universitário ambicioso, moderno e vencedor.
O futuro será o que construímos hoje."
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Firme e hirta !!!
Telhados a voar, árvores arrancadas, cheias por todo o lado e a bancada da Amoreira continua ali, firme e hirta! pic.twitter.com/14FL7BhCkT
— Gamarra (@4gamarra4) February 5, 2026
Mourinho, põe os olhos neste menino!
"É tempo de o lançar Gonçalo Moreira ao mar dos tubarões; esta pérola, acredito, já sabe nadar sozinha
Há jogadores que parecem carregar o destino na ponta da bota, e Gonçalo Moreira, jogador que brilha na formação do Benfica, é, sem margem para equívocos, um desses eleitos. O que vemos na pérola do Seixal não é o mero virtuosismo estéril do drible de circunstância; é uma inteligência geográfica que raramente se encontra em tão precoces primaveras. Gonçalo não corre apenas; ele desenha trajetórias, antecipa janelas de passe e trata a bola com o respeito de um mestre-escola num recreio de génios.
Taticamente, o jovem possui uma maturidade que desafia a certidão de nascimento. Sabe quando acelerar o metrónomo e quando oferecer a pausa necessária ao jogo — aquela paciência de alfaiate que é música para os ouvidos de quem percebe a essência do futebol. Não é apenas um criativo; é um estratega que lê o campo como se tivesse um mapa térmico impresso na retina.
É aqui que a figura de José Mourinho se torna incontornável. O Special One, mestre na arte de moldar carácter e detetar a têmpera dos campeões, saberá que tem em mãos um diamante que já não cabe no veludo da formação.
A urgência da sua chamada à equipa principal não é um capricho mediático, mas uma necessidade de sobrevivência criativa. Mourinho nunca foi de oferecer minutos por caridade académica, mas Gonçalo reclama-os por imposição técnica. No futebol de hoje, feito de aço e rotação, quem pensa o jogo em frações de segundo é rei. E Gonçalo Moreira, com a sua seda no toque e fogo no olhar, está pronto para reclamar a coroa. É tempo de o lançar ao mar dos tubarões, porque esta pérola, acredito, já sabe nadar sozinha."
Guardiola contra Pep e vice-versa
"O guardiolismo espalhou-se, mas o City já não parece acreditar totalmente na ideia que o tornou hegemónico. Pela primeira vez, Pep Guardiola enfrenta o seu próprio legado
Pep Guardiola ensinou-nos que o futebol é um sistema fechado, no qual cada passe tem o seu sentido, cada movimento não só uma causa, como também uma finalidade, e o golo é a consequência lógica de uma equação complexa. Talvez mesmo de uma ordem superior. Durante quase duas décadas, não foi apenas vencedor: foi hegemónico.
Hoje, embora nada nos garanta que, de um momento para o outro, não se possa voltar a agigantar e acumular títulos, o Manchester City tem demonstrado, nos últimos anos, ser uma equipa que já não acredita plenamente na ideia que o tornou quase imbatível no plano interno e grande favorito na Liga dos Campeões. Será este o princípio do fim do guardiolismo? Não, nada disso. À semelhança do que sucedeu com Cruijff, o legado de Guardiola não se esgotará no seu próprio percurso: prolonga-se nos discípulos que o replicam e o adaptam. E, de forma talvez mais irónica, alguns já aparecem em rivais de peso — do Arsenal ao PSG, do Bayern à restante elite europeia —, que passaram a falar a sua linguagem.
Guardiola, porém, poderá estar a ser engolido pelo monstro que ele próprio criou.
A sua quebra não é estatística nem imediata. É conceptual. E talvez tenha começado no momento em que o próprio treinador aceitou que o seu futebol, tal como o concebera no início, podia já não estar a ser suficiente.
A contratação de Erling Haaland é o primeiro grande sinal dessa inflexão. Não pela qualidade do avançado norueguês, um verdadeiro puro-sangue — que é indiscutível —, mas pelo que simbolizou: a admissão de que o processo precisava de um atalho. Neste caso, um caminho mais direto para a baliza. O ponta de lança era a solução para o golo rápido ou simplificado, que dispensava camadas sucessivas de passes. 15, segundo a doutrina de Pep: precisos, criteriosos, racionais, até que as suas equipas estivessem por fim preparadas para atacar com o menor risco possível de serem batidas no contrapé.
Depois de pagar com muitos golos o facto de, ainda assim, ser um corpo estranho no processo do catalão — por mais paradoxal que tal possa parecer —, Guardiola ganhou a Liga dos Campeões que tanto perseguira fora de Barcelona com o nórdico, contratado apenas no verão anterior, no onze. No entanto, conquistou-a com a exceção enquadrada o melhor que conseguiu. Tudo mudaria depois.
As dificuldades aumentaram assim que a exceção começou a moldar o sistema. O City tornou-se uma equipa em permanente ajuste identitário. O técnico passou a procurar soluções em várias direções ao mesmo tempo: mais verticalidade com o 9, mais desequilíbrio individual com extremos de drible, menor dependência do passe como linguagem dominante. Doku, Savinho e Cherki aparecem como sinais de um futebol mais instintivo, mais reativo, menos cerebral. O resultado não foi evolução, bem pelo contrário. Pelo menos, foi dispersão.
O City atual joga muitas vezes como se tivesse várias ideias, mas nenhuma ordem clara. O passe deixou de ser a língua-mãe e passou a ser apenas uma entre outras possibilidades. Sempre houve dribladores nas equipas de Pep, mas, mesmo com Messi, o maior de todos, o drible nunca substituiu o passe: existia para libertá-lo. Hoje, demasiadas ações parecem desligadas do todo, como se cada ataque fosse uma decisão isolada.
No processo, a equipa foi perdendo referências. Bernardo Silva é, talvez, o último grande tradutor — para os companheiros e não só — do guardiolismo: aquele que ainda entende o jogo como sequência, como frase completa e não como palavras soltas. Conceitos que apenas existem num dicionário e já pouco fazem sentido no dia a dia. Mais do que um jogador decisivo, é um guardião cultural. Se sair, o Manchester City poderá ir ao mercado outra vez e ficará certamente mais talentoso em aparência, todavia, bem mais pobre em gramática coletiva. E isso não há à venda.
Rodri representa o outro pilar essencial. Não é coincidência que a instabilidade do City coincida com a sua condição física longe do ideal. O futebol de Guardiola nasce sempre no controlo do tempo e esse começa no médio defensivo. Sem um corpo que imponha ritmo, todo o edifício perde coerência.
Importa repetir: o guardiolismo não morreu. Nem o próprio Guardiola. Não lhe façam o enterro futebolístico. O génio continua lá, mesmo depois de ter dado tanto ao jogo. Não acredito que esteja vazio, apenas talvez a visão esteja turva com o desgaste. Com o cansaço. Porque, como escreveu em título Pedro Paixão, Viver Todos os Dias Cansa. Ainda mais a este nível. Com esta pressão. E também com a expetativa, que ao seu redor é sempre enorme.
Morreu, sim, a sensação de inevitabilidade. O futebol aprendeu a defender-se do seu maior experimentalista. As equipas já sabem onde pressionar, quando baixar, quando ferir. A Premier League, sobretudo, vive hoje num estado permanente de contra-argumentação tática.
Talvez por isso a figura de Mikel Arteta surja como sucessor natural. Não por copiar Guardiola, mas por ter entendido os seus dilemas. No Arsenal, a procura de um avançado como Gyökeres não redefine o modelo, é, pelo menos por enquanto, apenas uma variável. O sueco não mudou o sistema. Gabriel Jesus, Merino, Havertz ou Gyokeres são caminhos possíveis para um processo que permanece reconhecível. A identidade não se fragmenta.
Guardiola, paradoxalmente, parece hoje menos confortável com a flexibilidade do que aqueles que aprenderam com ele. Como se estivesse a treinar contra o próprio legado, tentando provar que o modelo ainda evolui — e, nesse esforço, sacrificando a clareza original.
Talvez esta quebra não seja o fim de um ciclo vencedor, mas o desgaste de uma ideia que viveu demasiado tempo sob o peso de ter de roçar a perfeição. Guardiola continua a ser um génio. Mas, pela primeira vez, parece menos convicto de que o caminho que abriu é, também, aquele que quer continuar a percorrer. Chama-se a isso ser humano. Ainda que um humano genial."
Andamos aqui a gozar com os miúdos portugueses
"Dizer aos jovens portugueses que não servem para a Liga e contratar jovens estrangeiros com a mesma idade e experiência é, objetivamente, gozar com o futebolista nacional
Uma das maravilhas do futebol (e do desporto em geral) é a universalidade, o contacto entre povos e culturas, a facilidade com que regras simples transformam a comunicação numa tarefa fácil e como atletas de todo o Mundo podem competir em qualquer parte sem barreiras linguísticas, culturais, étnicas ou até económicas (bom, neste ponto nem sempre, mas no futebol até sim).
Acredito muito na interculturalidade. Considero-me insuspeito a propósito de racismo, chauvinismo e nacionalismo. E por isso não tenho receio de afirmar que as conclusões do estudo ontem apresentado pelo Sindicato de Jogadores, com o apoio do jornal Record, são absolutamente escandalosas: apenas 29 por cento dos jogadores utilizados na I Liga são portugueses. Não se trata, aqui, de achar que deveriam ser a maioria ou que «aqui mandamos nós» e muito menos que «isto não é o Brasil, a França ou o Bangladesh». Não — trata-se de constatar uma enorme falta de respeito da indústria para com aquilo que ela própria, no seu trabalho de base, consegue produzir: bons jogadores.
É um contrassenso ser-se campeão mundial e europeu de sub-17, conquistar títulos e presenças em finais uns atrás dos outros ao longo de décadas, e depois apresentar um rácio destes na principal competição portuguesa.
Isto é faltar ao respeito ao jovem jogador português — bem como ao formado localmente — e convidá-lo a emigrar, como um certo governante entretanto tornado sebastiânico fez aos enfermeiros há uns pares de anos.
Não, não é nas áreas com empregos mais duros, que os portugueses recusam recorrentemente, que devemos queixar-nos de um alegado excesso de estrangeiros, que ainda por cima vêm viabilizar a Segurança Social e aumentar a taxa de natalidade. É num trabalho como o de futebolista profissional, sonho de criança de tantas e tantos portugueses, que devemos perguntar-nos o sentido que faz ocupar tantas vagas cujo valor nominal do futebolista português chega e sobra para preencher, como aliás se prova quando emigram e brilham por outras paragens (o que também é ótimo que aconteça, não confundamos exageros com situações equilibradas).
A indústria — e quem nela embolsa mais dinheiro — anda a gozar com os jovens futebolistas portugueses. Dizer-lhes que não servem para a Liga e contratar miúdos estrangeiros da mesma idade e experiência não tem outra qualificação possível."
Afinal, o tamanho conta
"Começam hoje os Jogos Olímpicos de inverno com as injeções penianas em discussão acesa, sobre o doping ainda que o ácido hialurónico não seja substância proibida. Segue a conversa sobre as alternativas ao doping, das quais o 'boosting' é a mais chocante
Começam hoje os Jogos Olímpicos de inverno com a participação de três portugueses o que perfaz 17 no total. Sem tradição nos desportos de gelo, onde salvo as trágicas alterações climáticas, não é frequente, não admira que olhemos com curiosidade para algumas estranhas modalidades e com surpresa para alguns dos relatos que vão chegando de Itália, onde se realiza o evento.
Esta semana voltou à baila a polémica levantada quanto ao tamanho do pénis dos atletas e a Agência Mundial Antidoping não teve outro remédio se não prometer que iria investigar as denúncias se existissem provas. Em causa estão as já famosas injeções penianas de ácido hialurónico que prometem aumentar a circunferência do pénis em um ou dois centímetros, o que, juram os especialistas, faz toda a diferença na performance dos atletas, pois tal aumentaria a área de superfície dos fatos, o que, segundo a FIS, a Federação Internacional de esqui e snowboard, poderia aumentar o tempo de voo dos atletas.
Não é a primeira vez que alguns atletas tentam contornar as regras, como aconteceu com os medalhados olímpicos noruegueses Marius Lindvik e Johann Andre Forfang suspensos por três meses após adulteração de fatos com fios reforçados.
Antes de cada temporada, os atletas são submetidos a medições com scanners corporais, apenas de roupa interior elástica e justa e os fatos de competição têm uma tolerância de 2 a 4 centímetros.
Mesmo com todo este rigor, há sempre quem tente contornar as regras e o 'doping' seja ele de que forma for estará sempre um passo à frente.
Não esquecerei nunca, quando, nums Jogos Paralímpicos, ouvi falar pela primeira vez de boosting, que é como quem diz autoflagelação. Proibido, obviamente. Ainda assim, há muitos relatos em surdina que vários atletas paraplégicos a ela recorrem, uma vez que não causam dor, pois afetam apenas zonas com ausência de sensibilidade.
Esta lista de 'doping' é arrepiante: obstruir a saída da sonda urinária para causar distensão excessiva da bexiga, dar marteladas nos dedos dos pés até os partir, atar objetos pesados aos testículos e puxar violentamente e outros, são alguns dos exemplos discretos, secretos e omitidos. Para surtir o efeito desejado, um aumento de 10 a 15% de no desempenho físico, estas técnicas são realizadas uma duas horas antes da competição.
Perante isto, confesso, que o caso das injeções em Milão, não me impressiona. Afinal, o tamanho conta, certo, mas só dura 18 meses."
O Estado de Prontidão!
"Chamaram-lhe tempestade. Natural. Violenta. Excecional.
Mas o que verdadeiramente ficou exposto não foi apenas a força do vento ou o volume da chuva — foi a fragilidade de um sistema político que continua a confundir prevenção com retórica e prontidão com improviso.
A crise que se seguiu à tempestade Kristin revelou falhas demasiado grandes para serem tratadas como meros lapsos operacionais. Houve demora na reação, hesitação na declaração do estado de calamidade, ministros desalinhados, justificações contraditórias e uma comunicação pública que oscilou entre o embaraço e o absurdo. Num momento em que o país precisava de clareza e liderança, recebeu explicações circulares e frases que rapidamente entraram para o anedotário nacional. Desde responsáveis técnicos a garantirem que “não se justifica” recorrer a mecanismos europeus porque “ainda não esgotámos a capacidade”, até membros do Governo a repetirem, quase como um mantra tranquilizador, que “estamos num processo de aprendizagem coletiva” expressão que, dita uma vez poderia soar a humildade, mas repetida perante o caos acabou por transmitir resignação. E, como se não bastasse o ruído, ecoou ainda a infeliz observação do ministro Castro Almeida sobre os ordenados de janeiro, uma referência desligada da realidade de muitas das vítimas que nem chegaram a ver esse salário, porque as empresas simplesmente pararam e o rendimento desapareceu com a tempestade.
Começando pela evidente impreparação de quem tinha a tutela direta da área, até à insensibilidade política de quem deveria representar o topo da responsabilidade governativa, o discurso foi tantas vezes desligado da realidade que se tornou impossível não questionar a noção de empatia institucional. Quando, perante vidas perdidas, se ouvem formulações frias e burocráticas como “aqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida”, não é apenas um erro de comunicação, é um sintoma de distância humana. É a linguagem técnica a sobrepor-se à linguagem humana num momento em que o país precisava exatamente do contrário.
E depois houve o episódio que ficará como nota de rodapé, mas também como símbolo do tempo político em que vivemos: o vídeo institucional de um ministro, cuidadosamente editado, música solene, enquadramentos estudados, divulgado em plena crise para demonstrar ação e liderança, retirado horas depois, mas já eternizado nas redes como um “tesourinho deprimente”. Não pelo conteúdo em si, mas pelo contraste. Enquanto milhares aguardavam eletricidade e comunicações, a máquina comunicacional parecia mais preocupada com perceção do que com resolução. A política transformada em produção audiovisual num momento que exigia botas no terreno e menos filtros digitais.
Portugal orgulha-se de ser campeão das políticas de prevenção. Tem planos, relatórios, estratégias e conferências. Tem uma proteção civil que, no papel, é robusta e preparada. Mas entre o planeamento e a execução abre-se frequentemente um abismo. Planeia-se muito, executa-se pouco e comunica-se pior. O resultado é um paradoxo recorrente: somos exímios a desenrascar, mas incapazes de estruturar; rápidos a reagir mediaticamente, mas lentos a resolver concretamente. O mesmo se reflete noutras áreas onde o longo prazo deveria ser bússola e não rodapé. O tão anunciado Plano de Desenvolvimento Desportivo, por exemplo, terá agora de lidar com menos uma infraestrutura crítica — uma das já raríssimas pistas cobertas de Pombal — lembrando que visão estratégica não é apenas publicar documentos, é proteger e reforçar os alicerces físicos que permitem a prática desportiva.
A tempestade foi, sem dúvida, severa. Mas a severidade meteorológica não pode servir de escudo permanente para a insuficiência administrativa. No século XXI, esperar mais de duas semanas para repor serviços básicos não é apenas um atraso técnico é uma falha de organização, de coordenação e, sobretudo, de prioridade política. Quando a exceção se torna padrão, já não é exceção: é método.
O problema não é a natureza ser imprevisível.
O problema é o Estado continuar a sê-lo também.
Constrói-se muitas vezes de forma desordenada, licencia-se sem visão e fiscaliza-se com laxismo. Depois, quando chega a destruição, descobre-se que a verdadeira prontidão não era para a proteção era para a desgraça. A máquina ativa-se, os discursos sucedem-se, as visitas oficiais multiplicam-se e os relatórios prometem reformas futuras. Entretanto, os cidadãos ficam à espera do básico: eletricidade, água, comunicações, respostas.
O “Estado de Prontidão” tornou-se, ironicamente, um estado de reação tardia um Estado de APAGÂO!.
Não falta talento técnico no país, nem dedicação nos operacionais no terreno. Falta coerência estratégica no topo. Falta cultura de execução. Falta humildade política para admitir erros antes que eles se tornem crónicos — e para perceber que um país não pode viver eternamente em processo de aprendizagem coletiva sempre que a realidade bate à porta.
Porque uma tempestade pode ser inevitável.
Mas o caos que se lhe segue raramente é."
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