Últimas indefectivações
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Chegada...
Até amanhã, Benfiquistas 👋 #CDTSLB | #LigaPortugalBetclic pic.twitter.com/z98yKa6Vm5
— SL Benfica (@SLBenfica) January 31, 2026
Vitória na Aldeia...!!!
Turquel 0 - 3 Benfica
0-0 ao intervalo, e com 3 golos em 5 minutos, no 2.º tempo resolveram, um jogo complicado, mas com a equipa a manter a invencibilidade!
Muito bem...
Palau 2 - 3 Benfica
Vitória em Espanha, reforçando a liderança, numa partida demasiado apertada, para a diferença de qualidade entre as equipas...
Faltam 2 jogos, temos 4 pontos de vantagem...
Margem mínima...
Benfica 1 - 0 Valadares
Moller
Vitória, e 1.ª lugar garantido, no grupo, em mais um jogo onde desperdiçamos várias oportunidades, e depois acabámos por nos colocar a jeito, mas o Valadares acabou também por desperdiçar algumas chances!
Meia-final com o Torrense, a nossa recente besta negra! Temos que jogar melhor e principalmente, marcar!
Vitória em Matosinhos...
Leixões 2 - 5 Benfica
Edokpolor, Moreira(2), Rocha, Jair
Com alguns reforços, que têm jogado poucos minutos na B, vitória larga, num jogo complicado, num relvado pesado, um adversário agressivo, e mais um apitador 'inventor'!!!
Regresso ao campeonato...
Benfica 3 - 0 Leixões
25-17, 25-17, 25-19
Sem Europa, concentração absoluta nas competições internas, com uma vitória normal...
Arranque horrível...
Benfica 78 - 87 Sporting
15-26, 14-23, 18-18, 31-20
Primeira derrota na Liga, numa 1.ª parte absurda, com uma percentagem de lançamentos horrível, com a expulsão do Betinho a não ajudar, com a ausência do Yussuf a fazer sentir-se, e com muita desconcentração...
Na 2.ª parte, ainda tentámos a reviravolta, mas ficámos curtos!
Continuo a acreditar que vamos terminar em 1.º lugar na fase regular, mas acabámos por dar motivação, ao nosso principal adversário, e mais que provável Finalista!
Real Madrid vem a Lisboa buscar Mourinho!
"Sim, pode muito bem acontecer e mais cedo do que muitos pensam
Virá desde logo porque José Mourinho é, muito provavelmente, um dos dois ou três nomes que pairam na cabeça de Florentino Pérez. É público o respeito, a admiração e até o desejo antigo do presidente do Real Madrid em voltar a ver Mourinho a liderar os blancos. Depois do jogo da última quarta-feira para a Liga dos Campeões, essa ideia ganhou, inevitavelmente, ainda mais força.
Mourinho e o Benfica venceram o Real Madrid por 4-2, com todas as estrelas espanholas em campo. Mais do que o resultado, foi a forma. Tão clara que Kylian Mbappé admitiu que, ao intervalo, o Real podia estar a perder por 5-1 sem que isso surpreendesse alguém, tal foi a superioridade encarnada. Foi uma lição tática de Mourinho, daquelas que dispensam grandes floreados teóricos para serem compreendidas. Estava à vista de tudo e todos.
A imprensa espanhola foi inequívoca. A Marca escreveu que Mourinho «tirou as cores ao Real Madrid», sublinhando um Benfica dominante que desmontou o plano e afastou os blancos. Na Catalunha, como é habitual, o tom foi ainda mais corrosivo. O Sport falou em «o mestre ridiculariza o aspirante», enquanto o Mundo Deportivo destacou que não foi um simples tropeção, mas «um desastre completo».
Mas esse jogo não se explica apenas pelo banho tático. Explica-se também pela atitude. O último lance da partida diz tudo: Mourinho arriscou sofrer o empate para tentar fazer o 4-2 que garantia a qualificação. Arriscou. Podia ter morrido ali. Preferiu morrer de pé e venceu. No final, falou de emoção, de risco, de futebol vivido até ao último segundo. Falou como alguém que já ganhou e perdeu tudo, mas que continua a sentir o jogo como poucos.
Foi uma noite extraordinária para o Benfica. Antes da quinta jornada tinha zero pontos e ainda faltava jogar com Nápoles, Real Madrid e Juventus. Qualificou-se. Mourinho acreditou quando muitos não acreditavam. E foi também uma grande noite para o futebol português, com Benfica e Sporting a seguirem na Champions e Portugal a ultrapassar a Holanda no ranking da UEFA, graças também aos brilhantes desempenhos do FC Porto e do SC Braga.
Regressando ao Real Madrid, Álvaro Arbeloa está a prazo. Gosto do espanhol e acredito que pode vir a ser um bom treinador, mas o Real Madrid não é lugar para aprendizagem, precisa de mais para «consumo interno» e para «consumo externo». O clube despediu recentemente Xabi Alonso, cuja tentativa de implementar uma identidade nova acabou por colidir frontalmente com a história e a cultura do clube. O Real Madrid orientado por Xabi Alonso representou uma rutura clara com a sua matriz histórica. Mais do que resultados ou talento individual, o que distinguiu a passagem de Xabi por Madrid foi a forma como o jogo era pensado: menos instinto, menos emoção e mais estrutura coletiva.
Em organização ofensiva, a equipa construía frequentemente num 3-2-5, derivado de um 4-3-3 ou 4-2-3-1 defensivo. Um dos laterais baixava para formar uma linha de três, o outro projetava-se no corredor, enquanto dois médios garantiam equilíbrio e ligação. A saída de bola era paciente, mas funcional: atrair pressão para libertar espaço e encontrar o homem livre entre linhas. No último terço, destacava-se a ocupação racional dos espaços, com amplitude bem definida, presença entre linhas e chegadas tardias dos médios à área.
Apesar do controlo, a equipa não abdicava da transição ofensiva, mas só acontecia quando o contexto o permitia. A verticalidade existia, mas era lúcida: acelerava-se se o adversário estava desorganizado, pausava-se se estava recomposto. Defensivamente, o Real apresentava-se compacto, com bloco médio-alto, pressão situacional e clara proteção do corredor central, reagindo de forma agressiva e organizada à perda da bola.
Era um Real Madrid claramente treinador-dependente. Cada comportamento refletia a visão de Xabi Alonso, um treinador que privilegia leitura, posicionamento e inteligência coletiva. O problema é que, historicamente, o Real Madrid construiu-se sobre outros pilares: verticalidade, liberdade individual e capacidade quase instintiva para decidir jogos no aparente caos. Xabi Alonso introduziu uma ideia pouco enraizada na cultura merengue: o jogo como sistema antes do jogo como instinto. A posse surgia como ferramenta de controlo, não como ideologia. Servia para gerir ritmos, proteger a equipa e escolher o momento certo para atacar. Era uma abordagem distante do ADN tradicional do clube.
O maior choque cultural esteve na exigência de disciplina tática num clube de galácticos. Alturas definidas, movimentos coreografados, espaços ocupados com rigor. Este Real Madrid vivia menos do improviso e mais da preparação. Não reagia apenas ao jogo, condicionava-o. Tentou adaptar-se ao treinador. E pagou o preço. Xabi Alonso foi despedido. Mas será que o espanhol é pior treinador do que Zidane ou Ancelotti? Não acho. Os contextos específicos de cada clube importam. O que resulta em Leverkusen pode não resultar em Madrid. O que não resultou em Madrid pode resultar em Liverpool.
O Real Madrid sempre venceu mais pela capacidade de adaptação do que pela fidelidade a um modelo. É por isso que o Real Madrid não precisa apenas de um treinador. Precisa, acima de tudo, de um líder. Num clube onde o talento é abundante e o balneário é um ecossistema de egos, estatutos e histórias pessoais, o essencial não é desenhar sistemas complexos, mas saber gerir seres humanos. Antes de jogadores, há homens. Antes de esquemas, há hierarquias. E antes do jogo, há o clube.
Treinar o Real Madrid é gerir campeões do mundo, vencedores da Champions, candidatos à Bola de Ouro. Não é ensinar futebol – futebol já eles sabem jogar, é canalizar ambição, controlar vaidades e transformar individualidades num coletivo funcional. Resumindo: jogar futebol em equipa. Para isso, é preciso autoridade natural, currículo inquestionável, estatuto e capacidade para tomar decisões duras sem perder o grupo. O Real Madrid não aceita aprendizes. Exige vencedores.
Há clubes que se moldam ao treinador. O Real Madrid não é um deles. Aqui a história pesa, a exigência é diária e o foco é ganhar, sempre. O espetáculo vem depois. A glória constrói-se com resultados, não com intenções. É preciso alguém que, também, saiba jogar sob pressão permanente, vencer em contextos hostis e transformar conflito em energia competitiva.
Mourinho sabe. Mourinho conhece. Mourinho já ganhou tudo. Mourinho não precisa de aprender o que é o Real Madrid, já o viveu. Conhece o Bernabéu, a imprensa, a exigência interna e o peso do emblema. Mais do que um treinador, é um gestor de elites competitivas, um verdadeiro influencer de comportamentos como já o chamei, alguém que protege o grupo por fora, exige por dentro e cria uma mentalidade vencedora - alguém que sabe o que é preciso fazer para vencer.
Se na quarta-feira não ficou ninguém do Real em Lisboa para falar com Mourinho, acredito que não tardará. Alguém virá. Para falar com o Benfica. Para falar com José Mourinho. Para preparar um regresso que faz todo o sentido. A confirmar-se a saída de José Mourinho, a pergunta impõe-se de imediato: quem lhe sucede no banco do Benfica? É um tema que, por si só, daria outro artigo, mas a lógica aponta para um nome que surgiria, quase inevitavelmente, na pole position: Rúben Amorim. Seria, à partida, uma escolha consensual para a direção, para os adeptos e até para o próprio treinador.
Ainda assim, convém não excluir o fator surpresa. O futebol português tem mostrado que os grandes olham cada vez mais para treinadores em clara curva ascendente, mesmo fora do radar mediático imediato. Rui Borges é um exemplo. E há um nome que, estou convicto, já começa a ser pensado para outros patamares: César Peixoto. Discreto, rigoroso, líder, com valores, com convicções e com uma identidade de jogo cada vez mais clara — representa o perfil de treinador que cresce longe do ruído, mas que pode rapidamente entrar nas contas quando os clubes procuram mais do que um nome: procuram uma ideia.
Ideias passam. Os modelos evoluem. O Real Madrid continua a exigir o mesmo de sempre: vitórias. Mourinho é um líder-treinador com vitórias. E seria, acima de tudo, o regresso do português ao lugar que verdadeiramente lhe pertence: lutar pelos maiores títulos do futebol europeu e mundial. Na última quarta-feira, Mourinho não provou apenas que ainda sabe ganhar; provou que continua a saber competir ao mais alto nível — já o tinha provado antes diante do Nápoles — ler o jogo como poucos e liderar equipas em contextos de exigência máxima. Provou o que foi e, sobretudo, o que ainda é: um dos melhores treinadores do mundo.
É verdade que, nos últimos anos, perdeu algum estatuto fruto de erros de casting. Tottenham, Roma e Fenerbahçe foram contextos onde a ambição institucional, a dimensão competitiva e a exigência externa nunca estiveram totalmente alinhadas com o perfil de um treinador que vive e sempre viveu para ganhar tudo. Não diminuíram o treinador. Diminuíram o palco.
O regresso ao Benfica devolveu-lhe esse contexto. Devolveu-lhe pressão, exigência, grandeza e um clube que vive para competir. E Mourinho respondeu como sempre respondeu quando sente que o palco é digno do seu nível: com liderança, com ideias claras e com atitude. Voltou a colocar-se, naturalmente, no restrito grupo dos quatro ou cinco clubes que fazem sentido para um treinador da sua dimensão. Clubes onde ganhar não é um objetivo, é uma obrigação.
E na última quarta-feira, Mourinho não venceu apenas um jogo. Relembrou o futebol europeu de quem é. E talvez tenha lembrado também o Real Madrid de quem realmente precisa. Um clube onde não há tempo para aprender, apenas para decidir e ganhar."
O que Mourinho disse é grave. Vamos todos ignorar?
"«A situação caricata e dolorosa é que faço as substituições do António [Silva] e do Ivanovic para fechar a porta, porque a informação que tinha era de que a vitória chegaria. Deve ter havido um golo em qualquer lado e dizem-me que afinal já não chega.»
José Mourinho, treinador do Benfica, na conferência de imprensa a seguir ao jogo com o Real Madrid
O apuramento foi épico, com o guarda-redes a marcar de cabeça no oitavo minuto de compensação e a Europa toda a ver, porque os outros jogos já tinham todos acabado. E por um golo o Benfica lá seguiu para o play-off da UEFA Champions League.
Mas o milagre de Trubin não deve, não pode apagar o que aconteceu uns minutos antes. O que José Mourinho disse na conferência de imprensa a seguir ao jogo é grave.
Segundo o treinador do Benfica, quando no terceiro minuto de compensação lançou António Silva e Ivanovic fê-lo com a informação de que o 3-2 chegava para o apuramento. Mas não chegava.
O Benfica não estava em lugar de apuramento desde os 72/73 minutos de jogo da Luz. Por essa altura (com os outros jogos nos 78'/79', porque a segunda parte das águias com o Real Madrid começou atrasada), caiu para 26.º, quando o Olympiakos fez o 2-1 frente ao Ajax e o PSV fez o 1-1 frente ao Bayern. Mas foi por essa altura, com o 3-0 do Club Brugge ao Marselha, que ficou a um golo de ultrapassar os franceses. Depois, aos 79' na Luz, um golo de Kane deixou o PSV a perder e permitiu às águias ultrapassarem os neerlandeses e subirem a 25.º.
Foi a última alteração nas contas do apuramento. Não houve mais nenhum «golo em qualquer lado», como disse Mourinho, que mudasse o que o Benfica precisava. Desde essa altura, sabia, ou devia saber, que estava a um golo do 24.º lugar. Que o tenha percebido só ao quinto minuto da compensação na Luz é uma falta de profissionalismo que podia ter custado bem cara, e que não deve passar impune."
O melhor Mourinho
"Começo com spoiler e antecipo a resposta final: o melhor Mourinho é o que gosta de atacar. É aquele que não se fecha na estratégia e consegue libertar talento verdadeiro para o momento ofensivo.
Disse o treinador encarnado no lançamento do que veio a ser o inesquecível jogo com o Real Madrid: «Se me perguntar se gostaria de jogar como vamos jogar, diria não. Temos de jogar de acordo com as qualidades que temos e não com as qualidades que não temos.»
Interrogo-me que outro jogar seria esse, e até tenho uma suspeita, mas do que não haverá dúvidas, nem Mourinho as terá, é de que era quase impossível ter corrido melhor do que correu. Foi precisamente agarrado ao melhor que tinha, aos jogadores de qualidade técnica indiscutível e superior tomada de decisão, que Mourinho ajudou a escrever uma página para a história do Benfica.
Com exceção de Barreiro - que compensa em entrega e sentido tático o que lhe falta em eficácia na execução - todos os jogadores do Benfica tinham qualidade com bola. Muito por isso, este foi um Benfica de ligação mais do que de aceleração, com predomínio de jogadores de qualidade e não de fisicalidade, como consequência uma equipa não foi só de combate mas decisivamente também de ataque.
No fundo, afirmou-se de modo impressionante, e diante do Real Madrid, o melhor Benfica versão Mou, que se tinha vislumbrado em Vila do Conde e deixado promessas em Turim. Ora, se os melhores jogos do Benfica foram todos, em Vila do Conde, Turim e diante do Real, com Prestianni e Schjelderup de início e Sudakov - o maior talento da equipa - no espaço que se deve reservar aos maiores talentos das equipas, talvez não haja coincidências.
A lesão de Rios ajudou à metamorfose, desde logo porque permite ver Aursnes onde pode organizar a equipa, sobretudo nos momentos sem bola, quando prolonga o treinador em campo, ajuda, por exemplo, Prestianni ou Sudakov a perceberem timings e espaços de pressão, e garante ele próprio consecutivas recuperações de bola com saída limpa.
Se a lesão de Rios devolveu Aursnes ao seu espaço natural - porque é mais maestro do que solista e não há maestro que dirija a partir do canto da sala -, a ausência prolongada de Lukebakio e impossibilidade de utilização de Sidny permitiram a afirmação de Prestianni e a aparente salvação, em última hora, da carreira de Schjelderup no Benfica. É mesmo a maior perplexidade que tenho perante as opções de Mourinho: como pôde ignorar o miúdo norueguês quando tanto precisava de extremos e chegar a preteri-lo em favor de Rodrigo Rego, por exemplo?
Mourinho terá um problema quando houver Lukebakio e Rafa em condições (além de Sidny e Bruma), mas já não pode retirar da equação o trio de criativos do momento, que liga jogo, prolonga posses e sobretudo se compreende no campo. Ter jogadores com «motor nas pernas» dará sempre jeito pontualmente, mas apostar neles como prioridade irá sempre viciar a equipa em acelerações sucessivas, em pressa para concluir os lances e, por via disso, em perdas de bola mais rápidas e numerosas do que se recomenda.
José Mourinho sabe disto, porque no futebol não há quase nada que não saiba, mas o que se tornou evidente é que a sua melhor versão ainda surge quando disciplina o talento mas não prescinde dele. No fundo, quando convence os mais dotados tecnicamente a não falharem o compromisso sem bola. Porque, com ela, serão sempre esses que lhe vão dar mais, que lhe podem dar muito.
Às vezes até o céu, como aquele em que Trubin apareceu a voar."
Inferno da Luz.
"Depois do golo do Trubin ouvido em todas as línguas e de a Europa inteira falar do jogo, fui ver o detalhe que me faltava: o número de espectadores em cada estádio nesta noite mágica.
Segunda maior assistência em 18 jogos.
Os adeptos do Benfica são enormes."
Tabela de preços especiais para o Benfica !!!
E ainda meteram o Godinho para amanhã. Obrigado . pic.twitter.com/CZfRGLQVmT
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) January 31, 2026
The People vs. Volskvargas
Volksvargas pic.twitter.com/UI58BTlgJ8
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) January 31, 2026
Heróis do mar, nobre povo
"Num país tão pequeno vão-se somando os feitos enormes. Que campanha fantástica, mais uma, da Seleção de andebol, a culminar semana europeia de sonho para as nossas cores
O quarto lugar alcançado por Portugal no Mundial de 2025 aguçou a expetativa para este Europeu e a nossa Seleção não nos desiludiu: 5.º e a melhor de sempre em Campeonatos da Europa. Que bravura, que fome de vencer, que grandiosa forma de defender Portugal tiveram, uma vez mais, os nossos Heróis do Mar!
Todos conhecemos o tremendo sucesso português lá fora do futsal e do hóquei em patins, mas, convenhamos, são modalidades de pavilhão que, ao dia de hoje, não têm a expressão e relevância internacional do andebol, sobretudo porque a competitividade está restrita a uma mão apenas de países. No andebol, o caso é diferente, há vários colossos e podemos, hoje, orgulhar-nos de ter uma das melhores seleções do Mundo na modalidade.
Não sei se algum dia chegaremos às medalhas — que bonito seria fazê-lo em casa, quando organizarmos (com Espanha e Suíça) o Euro-2028, se não puder ser já no Mundial do próximo ano —, mas o direito de sonhar já ninguém nos tira. Num país em que, por tradição, o futebol engole tudo o resto, é refrescante poder testemunhar este fenómeno no andebol, assim como a glória de Fernando Pimenta, Isaac Nader, Iúri Leitão, Rui Oliveira, Pedro Pichardo, Diogo Ribeiro ou João Almeida. Perdoem-me os restantes, que são muitos, felizmente.
A histórica prestação da Seleção no Europeu fechou com chave de ouro a semana europeia desportiva para Portugal, depois de Sporting e Benfica, de forma absolutamente épica na Liga dos Campeões, e FC Porto e SC Braga, na Liga Europa, terem assegurado que vão continuar a ter futebol europeu no calendário para lá das fases de liga. É certo que as prestações europeias não podem, nem devem, apagar alguns tropeções nas competições nacionais, nos casos de leões, águias e arsenalistas, mas que importantes foram para (finalmente) ultrapassarmos os Países Baixos no ranking da UEFA e estarmos muito perto de, daqui a duas épocas, voltarmos a ter três equipas na maior prova.
Melhor: a campanha europeia tem sido tão boa que isso até poderá acontecer já na próxima época, através do ranking anual da UEFA. Com menos dinheiro, menos poder nos jogos de bastidores, menos recursos e com discussões a mais por cá sobre árbitros, VAR, milímetros de foras de jogo e comunicados que daí advêm, facto é que este pequenino país, quase esquecido no canto da Europa, continua a ser capaz de se superar contra os maiores do continente..."
O desgoverno da palavra Açores
"São nove ilhas a meio do Atlântico norte, que muito batalham pelo seu desenvolvimento, pela sua autonomia e pelo legítimo direito a serem tratadas com respeito e com equidade. Tem sido assim ao longo dos últimos 50 anos, celebrando justamente agora um estatuto que deve ser cada vez mais trabalhado e moldado por forma a garantir que este pedaço do território português, com características tão únicas quanto exigentes, evolui de modo sustentado e equilibrado.
A ultraperiferia tem destas coisas: fala-se muito da região açoriana nos media nacionais quando troveja, quando a terra treme, quando o mar galga ou quando a desgraça, qualquer que ela seja, bate à porta. Fala-se dos Açores pela elevada taxa de analfabetismo funcional, pelo tráfico de droga acima da média, pelo abandono escolar que importa combater.
Mas as nove ilhas do arquipélago lutam, também, pela sua emancipação cultural e desportiva, áreas em que os governos, transversalmente, quase só aparecem para tirar fotografias com as medalhas ou nas sessões de lançamento das capitais culturais (como acontece, este ano, com Ponta Delgada, a Capital Cultural portuguesa).
O desporto é um veículo de promoção e de estímulo como poucos outros, pela sua dimensão, pelo alcance transversal da sua mensagem ou pela capacidade de concitar unanimismos como, talvez, nenhuma outra atividade. Por isso, o estímulo financeiro garantido pelos sucessivos governos regionais açorianos aos principais emblemas e nomes do desporto regional, quando em compita nacional, pela utilização do nome do arquipélago nas suas atividades ou camisolas (a comummente chamada legislação da palavra Açores), surge como reflexo natural e absolutamente lógico do reconhecimento de que esse é um modelo win win de relação entre o poder público e os representantes mais meritórios em diversas modalidades.
Até agora, 16 equipas das mais diversas modalidades, e o campeão regional de ralis, beneficiaram de uma verba global anual um pouco superior a um milhão de euros como contrapartida da publicidade efetuada aos Açores nas competições nacionais em que estão envolvidos.
Participações no Campeonato de Portugal, em futebol, na liga profissional de basquetebol, no Nacional de Ralis. Ou a simples organização do Campeonato de Futebol dos Açores, prova que junta as melhores equipas das três associações existentes na região (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta), e cujas áreas de abrangência correspondem geograficamente aos três antigos distritos açorianos.
As políticas desportivas devem sustentar duas razões matriarcais: a promoção da prática, envolvendo o estímulo à formação e o consequente apoio à despistagem e desenvolvimento do talento humano, com a necessária componente estrutural adjacente; e a projeção da alta competição ou, pelo menos, do rendimento associado a uma prática continuada e sistemática, que se refletirá, no caso açoriano (como no madeirense, no canarino ou no das Baleares), na promoção da imagem para lá das fronteiras insulares, certo da sua dimensão turística, da sua capacidade de congregação de novos mercados e, sobretudo, como ferramenta natural sucessória da primeira prática (mais lúdica e motivacional), apoiando os que se distinguem e vêem nessa evolução a consequência do seu esforço, do seu talento, do seu trabalho e da sua determinação.
Um governo que não reconhece estas duas vertentes ou que, pelo menos, não faz o possível para as incluir nas prioridades de governação, está a passar ao lado da sua missão e a negligenciar uma importante quota-parte dos seus melhores ativos.
Pois é justamente isto que o Governo Regional dos Açores tem passado para a opinião publica nos últimos tempos, num processo gradual de comunicação aos agentes desportivos: o apoio já tradicional e amplamente justificado, como contrapartida pelo uso da palavra Açores nos equipamentos, vai terminar a partir da próxima temporada desportiva, constituindo, obviamente, um rombo muito significativo (na maioria dos casos, decisivo…) nos exercícios orçamentais da generalidade dos clubes que dele faziam, até agora, elemento nuclear do seu planeamento.
É uma gritante falta de visão e de oportunidade. Falta de visão prospetiva e de perspetiva, não entendendo, com esta atitude, o governo açoriano que a atividade de alto rendimento (ou projetada a escalões de competição nacional), significa a pura continuidade das ambições dos jovens praticantes, e é a consequência do talento e da motivação que fazem deles referências nos escalões de formação. Falta de oportunidade na medida em que o corte deste subsídio, sob o falso pretexto de alocação de verbas para o setor formativo, vai não apenas diminuir, senão mesmo coartar todas as possibilidades de sobrevivência de grande parte dos, até agora, beneficiários destas verbas, retirando aos Açores músculo, dimensão representativa e presença regular em palcos distintivos de diversas modalidades, no país e no estrangeiro.
Sempre o disse: um governo que não aposta sistematicamente nos setores culturais e desportivos, negligencia duas áreas nucleares fundamentais, dá um claro sinal de inconsequência nas políticas setoriais que o podem verdadeiramente distinguir e, mais cedo ou mais tarde, será penalizado exatamente por força das atitudes penalizadoras entretanto tomadas.
Espero que, no caso dos Açores, por entre a bruma e as marés, haja um pingo de bom senso e outro de ponderação.
Cartão branco
Excecional a semana das equipas portuguesas nas competições europeias, projetando Sporting, Benfica, FC Porto e SC Braga para patamares de reconhecimento internacional. A prova de que, com garra e vontade, a dimensão competitiva destes quatro emblemas pode ultrapassar barreiras aparentemente intransponíveis, na certeza de que, no futebol, a única certeza surge com os apitos finais e se resume aos resultados. O caminho que se segue, para qualquer uma das equipas, será complexo, mas a ultrapassagem de desafios é o elemento decerto mais motivador para quem representa um país e para quem já conseguiu as proezas que os quatro mosqueteiros atingiram.
Cartão amarelo
A história da dívida existente à Segurança Social, por parte da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência da celebração de um contrato com a empresa FEMACOSA, para suportar o vencimento do anterior selecionador nacional, tem de ser rigorosamente apurada, até para salvaguardar o bom nome e a inocência dos intervenientes. A nova Direção da FPF decidiu — e bem — liquidar mais de dois milhões e seiscentos mil euros, mas, para bem do sistema, para transparência da governança e para clarificação de processos, será essencial que as partes se expliquem e que se perceba, no final de todas as contas, a engenharia financeira desnecessária que balizou a relação laboral de Fernando Santos com a federação."
O Brasileirão e a Champions
"Em certa medida, o Brasileirão é mais parecido com uma Champions League do que com um campeonato nacional europeu. Tudo bem, não na qualidade e muito menos no nível de organização — este cronista não quer puxar tanto a brasa à sardinha dele ao ponto de soar ridículo. Mas na, digamos, estrutura, assemelha-se.
Por exemplo, na Champions não há, salvo um Pafos aqui ou um Qarabag acolá, clubes pequenos. Claro que, frente a um PSG, o Sporting vai defender-se muito mais do que atacar, assim como o Benfica, o Galatasaray, o PSV, o Ajax, o Olympiakos quando defrontam tubarões da primeira linha.
Mas algum desses clubes, com títulos às dezenas e adeptos aos milhões, pode ser chamado de pequeno? No máximo, por estarem hoje em campeonatos que são da periferia do futebol, isto é fora das big five, são, continentalmente falando, clubes médios.
No Brasileirão, salvo excepções, como o Mirassol ou o Bragantino, também só há gigantes e médios. Como o Sporting com o PSG, o Coritiba também se vai defender muito mais do que atacar ao defrontar o multimilionário Flamengo. Mas pode chamar-se o Coxa de pequeno? Com 39 taças de campeão do Paraná e em torno de dois milhões de torcedores? Ou o rival Athletico Paranaense? Ou o Bahia e o Vitória? Ou mesmo o Sport, o Náutico e o Santa Cruz, o Ceará ou o Fortaleza, todos eles, por acaso, hoje na série B?
Ou o Remo, que está de volta à Série A depois de 21 anos, passa dos dois milhões de fãs e já ganhou 48 edições do estadual do Pará, um estado onde cabem duas Franças e ainda sobram uns Portugais?
Bom, a propósito do Remo e do tamanho continental do Brasil há mais uma semelhança entre Brasileirão e Champions League este ano: o Leão Azul faz o papel de Kairat Almaty. Com as inevitáveis escalas, a comitiva do Remo demorará oito ou 10 horas a chegar a Porto Alegre para defrontar Grêmio ou Inter. E de carro, só para se ter uma ideia, a viagem é estimada em oito dias a guiar sem parar. Quase a distância e o tempo de Almaty a Lisboa, percorrida pelo Kairat quando foi a Alvalade.
Mas, como o Brasileirão é uma maratona de 38 jornadas e não uma prova de tiro curto como a fase de liga da Champions, o site GE concluiu que o Remo vai dar duas voltas à Terra para disputar o campeonato nacional — quase 100 mil quilómetros!
Se esquecermos, então, os orçamentos dos clubes, a classe dos principais jogadores, o nível de organização da prova, a qualidade dos relvados ou a regularidade das arbitragens, há sim, muito em comum, entre a Champions e o Brasileirão que agora começa.
Nos autores dos golos, também: no Brasileirão, os brasileiros são quem marca mais, logicamente; na Champions de 2026, só os ingleses, com 50, superam os 39 golos de brazucas."
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