Últimas indefectivações

domingo, 10 de maio de 2026

12.ª Campeãs Nacionais



Almeida Garrett 21 - 30 Benfica
7-15

Campeãs, ainda com algumas jornadas para se jogar... Talvez, o título mais tranquilo das últimas épocas! E com destaque para as mais jovens...

Derrota...

Benfica 0 - 2 Ac. Viseu


Contra a outra equipa que provavelmente irá subir à I Liga, mais uma derrota, num jogo marcado, por mais uma arbitragem absolutamente vergonhosa, dum Ladrão que ainda consegue ser incompetente!!!

Muita agressividade, muitas faltas, os putos tentaram mais não conseguimos marcar... Muitas ausências, principalmente nas Alas, entre lesões e castigos, fomos obrigados a 'inventar' Laterais, e com os minutos por 'decreto' a alguns jogadores, perdemos a ligação ofensiva...

Entre muitas decisões surreais, fica mais um penalty contra o Benfica, mal assinalado, mas aprovado pelo VAR: o Prioste foi pisado, e eles marcaram penalty contra o Benfica!!!

Arranque com vitória...

Benfica 90 - 72 Braga
24-19, 22-16. 24-24. 20-14

Início do Play-off, com uma vitória normal, sem o Markam... Apesar da diferença, acabámos o jogo com 11% nos Triplos 3/27!!! Acabámos por 'ganhar' nos Lances Livres!!!

Eliminação...

Benfica 3 - 4 Barcelona

Incrível como é que esta equipa, em praticamente duas épocas, ganha quase todos os jogos nas 'fases regulares', mas quando chega aos jogos decisivos, não ganha um !!!

Mais um filme já visto, procuramos mais o golo, o adversário sempre mais fechadinho, mas a marcar e nós sempre a correr atrás do prejuízo!

Vitória...

Benfica 32 - 29 Corruptos
18-15

Finalmente, uma vitória num jogo grande, numa altura que já não importa, mas é sempre uma vitória! Vários regressados após lesões, algumas prolongadas... mesmo assim, ainda falta o Valencia!

Juvenis - 13.ª jornada - Fase Final

Benfica 8 - 0 Real Massamá
Nunes, Ferreirnha(2), Almeida, Vieira, Gomes, Inoussa(2)


Mais uma goleada...

Iniciados - 12.ª jornada - Fase Final

Estoril 0 - 7 Benfica
Neves(4), Cavaco(2), G. Tavares


Goleada matinal...

Bola na Trave FM: 🚨 Algo Grande Está Prestes a Acontecer

Opiniões daltónicas!

É para ganhar...

O Benfica Somos Nós - União BENFIQUISTA

O silêncio dos protagonistas e o ruído dos figurantes


"O futebol moderno tem uma estranha incapacidade para lidar com o silêncio. O vazio incomoda-o. Obriga-o a pensar. E pensar é perigoso numa indústria que vive da ansiedade, da urgência e da necessidade permanente de fabricar capítulos novos, mesmo quando a história está parada. Por isso, quando se juntam três elementos explosivos — Benfica, Real Madrid e José Mourinho — nasce automaticamente uma novela. Não interessa se existem provas concretas, negociações avançadas ou decisões tomadas. Basta a possibilidade. No futebol, as hipóteses também fazem manchetes.
E esta hipótese específica tem um combustível emocional poderoso. O Real Madrid olha para Mourinho como os velhos impérios olham para antigos generais: homens que conhecem os corredores do palácio, as guerras internas e a pressão impossível de sobreviver sem cicatrizes. Florentino Pérez pode cometer muitos erros, mas raramente esquece quem lhe deu batalhas dignas do tamanho do clube.
E Mourinho deu.
Num tempo em que o Barcelona de Guardiola parecia uma experiência científica destinada a humilhar o resto da humanidade futebolística, Mourinho foi o homem que devolveu resistência ao campeonato espanhol. Não ganhou sempre. Nem podia. Mas devolveu conflito a uma liga que ameaçava transformar-se num monólogo catalão. O seu Real Madrid teve nervo, fúria, personalidade e uma agressividade competitiva que obrigou o Barcelona a deixar de jogar sozinho. Às vezes, no futebol, há treinadores que ganham títulos. Outros ganham respeito histórico. Mourinho conseguiu as duas coisas.
Depois houve este reencontro europeu. O Benfica esmagou o Real Madrid na Luz, no jogo da fase regular, e a memória voltou a dominar Madrid. Não apenas a memória do treinador vencedor, mas a memória do treinador que sabia transformar equipas em estados emocionais. E isso pesa. Mais ainda num clube traumatizado por decisões erradas recentes.
O problema do Real Madrid não tem sido apenas perder jogos e ver o Barça a dominar novamente. É, mais do que isso, a perda de autoridade. A escolha de Arbeloa revelou-se precipitada e a saída apressada de Xabi Alonso agravou ainda mais a sensação de desorientação. O clube ficou sem liderança técnica, sem estabilidade emocional e sem capacidade para controlar um balneário onde cada ego tem o tamanho de uma multinacional. E quando o Real Madrid entra em desordem, procura sempre figuras capazes de impor hierarquia pelo olhar.
Mourinho pertence a essa categoria. Mas uma coisa é o imaginário. Outra é a realidade. E a realidade, neste momento, é simples: não existe nada além do barulho. Jorge Mendes falou com Florentino Pérez? Naturalmente. Mourinho foi tema de conversa? Claro que foi. Como poderia não ser? Mas daí até existir uma negociação concreta vai a distância entre um rumor elegante e uma decisão estrutural.
Mourinho tem contrato com o Benfica. Tem poder dentro do clube. Tem influência junto dos adeptos. E Rui Costa sabe que, mais do que um treinador, contratou uma figura capaz de devolver músculo político e mediático a um Benfica que, nos últimos anos, tem falado demasiado baixo para o tamanho da sua história.
Ao mesmo tempo, Rui Costa também percebe o perigo. A dimensão de Mourinho nunca permite meios-termos. Se sair para Madrid, Rui Costa perde um treinador para o maior clube do mundo. É aceitável. É até defensável perante os adeptos. Mas se Mourinho ficar e voltar correr mal, então o treinador que foi fator decisivo para Rui Costa ganhar as últimas eleições, pode ser aquele que faz com que o mesmo presidente perca as próximas ou até que haja um ato eleitoral antecipado. Contratar Mourinho foi um grande tiro de Rui Costa, mas uma bala que pode fazer ricochete.
Para já, no entanto, entre os protagonistas, reina o discurso curto ou silêncio. Florentino não fala. Mourinho repete que quer ficar. Rui Costa garante estabilidade. E quando os protagonistas não alimentam a narrativa, entram em cena os figurantes. Um deles é Javier Tebas.
O presidente da La Liga manifestou o interesse no regresso de Mourinho, pensando no peso mediático do treinador e na força comercial que o mesmo poderia voltar a dar ao campeonato espanhol. Mas mete-se num assunto que não lhe diz respeito. É presidente da La Liga, não é presidente do Real Madrid.
No fundo, esta novela vive, sobretudo, daquilo que Mourinho representa. Porque o futebol continua apaixonado por regressos. Especialmente pelos regressos dos homens que já sobreviveram ao inferno e conhecem o caminho de volta."

Benfica: quanto Fulham corre nas veias de Marco Silva?


"Mourinho já está de malas feitas e o Benfica terá de escolher novo timoneiro. Marco Silva parece ser quem reúne mais consenso, porém há sempre algo mais para lá de um nome

Nem sempre as equipas são espelhos dos respetivos treinadores. E isso depende precisamente destes e do quanto estão dispostos a alterar na sua conceção do jogo para obter resultados. O trabalho de Marco Silva no Fulham, ao longo destes anos, tem sido extraordinário. É que sobreviver de forma tão tranquila na melhor liga do mundo não é mesmo para todos. Tal como o que fez no Sporting, mesmo sob liderança esquizofrénica, também merece destaque — o que pode levar um de vós a estabelecer um paralelismo do tipo foi bom apesar de... trocando apenas o nome dos presidentes. O que me parece precipitado.
Entre Alvalade e Craven Cottage, houve ainda Olympiakos, Hull e Everton, tendo na Grécia conquistado o único título de campeão nacional. Foram poucas as vezes em que teve a pressão de lutar por um campeonato e a obrigação de ultrapassar blocos baixos criados por outros Fulhams da vida. O que faz com que a resposta à questão É ou não o treinador ideal para o Benfica venha de outra: quanto realmente de Fulham há hoje em Marco Silva? A cultura do Benfica e mesmo a necessidade imposta pela textura da Liga obrigam a uma equipa dominadora em quase todos os jogos.
Ainda que ambas nocivas, há óbvias diferenças entre um presidente que se metia onde não devia como Bruno de Carvalho e um outro que não se quer meter em nada e prima pela não decisão, como tem sido Rui Costa. A Marco Silva, que ainda não sabemos se aceitaria ou não vir agora para a Luz substituir Mourinho, seria pedido um papel de manager. Não o tem tido, embora até tenha sido primeiro diretor desportivo do que treinador e até conte com um apoio que poderia ser importante, o de Mário Branco, com quem trabalhou no Estoril. Embora a exigência esteja longe de ser a mesma, talvez consiga preencher um pouco o vazio. O eco será menor, mas ainda existirá, porque o problema é bem mais profundo do que quem se senta no banco.
Marco Silva pode dizer «não». Pelo benfiquismo e pela qualidade do trabalho, sabe que o comboio Benfica passará outra vez. Talvez até numa situação mais vantajosa. Não será como com outros. E a Premier League é a Premier League. Além disso, há mais uma questão que me parece pertinente, de tão pesada que se tornou. Ainda houve aposta em Mané e em Gelson em Alvalade, mas o Benfica precisa urgentemente de ligar Academia e equipa principal. Será com ele, a quem têm pedido resultados imediatos?"

Rola Bola #67 - 1 Campeao (FC Porto ) 2 Lutam pelo segundo lugar (SCP & SLB)

Kanal: Luanda...

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Mourinho no Real ou no Benfica: quem ainda cai na novela?

Estou farto de gente estúpida


"O 'português da bola' é o cromo típico de uma coleção que tem no comportamento mais básico e quase animalesco um denominador comum sempre que o tema são as arbitragens.

Há uma abissal diferença comportamental entre o latino e o anglo-saxónico, e até entre este e o nórdico. O sul da Europa sempre foi mais acutilante nas discussões, determinado nas reações e, até, radical na expressão das opiniões. Acontece em Itália, na Turquia, na Grécia, em Espanha e, obviamente, em Portugal.
Neste extremo sudoeste da Europa continental, em parceria ibérica, há mesmo uma estranha tradição que prioriza o acessório ao essencial, o fait divers ao nuclear, o espetáculo circundante ao espetáculo consistente e verdadeiramente marcante.
Portugal é, de muito longe, o país da Europa em que mais se fala de árbitros e arbitragens no futebol. Em que rapidamente se esquecem os lances em que avançados falham de baliza aberta, em que médios não cobrem convenientemente, em que defesas não cortam no tempo certo, em que guarda-redes não cumprem os mínimos. E até se desculpam e olvidam rapidamente planos de jogo mal calculados ou substituições tardias e erradas por parte de treinadores e suas equipas multidisciplinares.
Neste particular, abro um parênteses para vos dizer que já lá vai o tempo de um treinador principal, um adjunto e um preparador físico. Admitamos um técnico de guarda-redes. Agora são múltiplas as especialidades, as especificidades, com gente para cada pormenor do treino e com áreas bem definidas de ação, por forma a conceder ao chefe de equipa todos os dados possíveis e imaginários com vista à tomada final de decisão.
Voltemos ao português comum: entre as imperiais e as sandes de couratos, no estádio, ou no remanso do sofá, à média luz e com o televisor a debitar loucos decibéis, fala de tudo e de nada, e, normalmente, escolhe a crítica fácil e básica para atacar os árbitros e as suas decisões. Protesta por tudo, e ainda mais por nada. Conhece de trás para a frente as Leis do Jogo, sabe quantas são, quais são, como se aplicam e quais as exceções de cada uma. E tem uma adenda de palavrões e más educações que não limita ao estádio ou a casa, e transpõe, qual erudito conhecedor, para as redes sociais, elemento diferenciador dos nossos dias, e que, pela globalidade e transversalidade, legitima a verborreia do entendido de sofá.
Há uma condição: a sua equipa perder. Aí abre-se, definitivamente, o livro da sabedoria e jorram os impropérios para os culpados do costume: o árbitro, os assistentes, os VAR, todos juntos ou apenas alguns, o tempo todo do jogo ou apenas em minutos e jogadas definidas.
O português da bola é o cromo típico de uma coleção que tem no comportamento mais básico e quase animalesco um denominador comum.
E uma variável muito curiosa, e de análise antropológica muito interessante: quando não são as equipas ou as seleções a atingirem patamares competitivos de excelência, e são os árbitros a conseguirem-no, é por cunha, por favor ou por compensação de comportamentos anteriores que lá estão. O mérito, essa coisa tão pouco essencial ao sucesso em tantas áreas do país, também nunca estará, evidentemente, em cima da mesa dos comentadores de pacotilha.
Sim, porque a comunicação social também tem amplas e recorrentes responsabilidades neste tipo de comportamento, pela generalização dos programas de opinião em que, invariavelmente, a arbitragem está no olho do furacão, ou pelo espaço dado nas redes a títulos enganadores e usurpadores da realidade, apenas para se conseguir mais um acesso, mais um clique para a estatística da notícia.
Se juntarmos tudo, temos os ingredientes ideais para que, por um lado, o papel dos media esteja subvertido e não seja cabalmente cumprido, e para uma influência nefasta junto do público. O das redes, então, é particularmente valente: uma foto de perfil com florzinhas, uma foto de capa de mural com o pôr do sol, um nome catita (falso, claro, que um pseudónimo é a melhor arma de um cobarde), e aleivosias e idiotices quanto-baste, chegando aos ataques pessoais e de caráter. Tudo, claro, temperado com um português de pacotilha, em que a cada frase correspondem, normalmente, dois erros crassos, de grafia ou de gramática.
Se teve a paciência de me ler desde as primeiras palavras deste texto, decerto conseguiu seguir o meu raciocínio e, na sua mente, imaginar a barriguinha de cerveja ou o cigarrito no canto da boca, os olhos esbugalhados pela perspetiva da valentia anónima de sucesso, e pela quantidade de reações quase imediatas ao ataque mais bem urdido à personalidade e à cidadania plena dos visados.
Se podemos perceber muitos alvos, os árbitros, os que são atletas de alto rendimento, os que tomam cerca de mil decisões em cada noventa minutos, os que são escrutinados ao frame e ao milímetro, os que são acusados de tudo e de tanto, os que são dos melhores da Europa e do Mundo na sua profissão, cada vez mais tecnológica e complexa, os árbitros são mesmo os que mais sofrem.
Visto assim, de longe, Portugal é o pior país para se ser árbitro de futebol, porque há dez milhões de entendidos que nem sequer sabem que, quando a bola vem de um companheiro de equipa e daí não resulta perigo emergente, não há grande penalidade, ou que não se pode dar cartão amarelo a um jogador por uma potencial infração cometida quando houve indicação de uma falta anterior.
Resumindo: estou farto de gente estúpida.

Cartão branco
Excelente presença do Sporting de Braga nas meias-finais da Liga Europa. A inexperiência paga-se caro, e foi justamente isso que sucedeu com Mario Dorgeles, que aprendeu como, no futebol, se passa de herói em Braga a vilão ante o Friburgo. Tivesse ele deixado Beste tentar o golo, e o SC Braga continuaria com onze homens em campo, ainda que eventualmente a perder por 1-0, mas com a eliminatória nivelada. Assim, condenando os minhotos a atuarem praticamente todo o jogo com menos um jogador, a coisa pendeu logo para a casa…
Mesmo assim, Carlos Vicens tem razão para estar orgulhoso: os derradeiros 20 minutos foram a melhor face de um SC Braga cada vez mais perto de um título, de cometimentos que consagrem o emblema como referência do futebol português no estrangeiro, e que continuem a merecer o apoio e a afeição de adeptos únicos, que não largam a equipa por um momento, em qualquer circunstância."

Higuita, o guarda-redes que mudou o futsal


"Há jogadores que defendem jogos. Outros que os decidem. E depois há Higuita, que não só defende e é decisivo, como sobretudo mudou a forma como o jogo é pensado.

Num fim de semana em que o futsal europeu decide o seu campeão de clubes, com o Sporting na final da Liga dos Campeões frente ao Palma Futsal, olhar para Léo Higuita é olhar para uma das maiores transformações de sempre na modalidade. Mais do que um guarda-redes, o brasileiro naturalizado cazaque tornou-se um princípio de jogo.
Durante décadas, o guarda-redes de futsal era visto como o último reduto defensivo. Higuita mudou essa lógica. Transformou a posição num espaço de criação, liderança e influência direta no jogo ofensivo.
Nascido no Rio de Janeiro, como Leonardo de Melo Vieira Leite, encontrou cedo no futsal o palco ideal para uma forma de jogar fora dos padrões tradicionais. O apelido Higuita surgiu pela semelhança com o irreverente guarda-redes colombiano, de futebol, René Higuita. Mas o tempo acabaria por mostrar que o futsal ganharia o seu próprio Higuita com uma identidade própria.
A sua afirmação acontece no Cazaquistão, primeiro no Tulpar e depois no Kairat Almaty. A partir daí, deixa de ser apenas um guarda-redes com participação ofensiva para se tornar uma verdadeira arma tática. A capacidade de jogar fora da área, de criar superioridade numérica e de participar ativamente na construção ofensiva alterou profundamente a forma de entender o jogo. O chamado guarda-redes avançado já existia, mas nunca com esta consistência, coragem e impacto competitivo. Higuita é uma versão 2.0.
Mais do que os golos, muitos deles decisivos, ou as defesas de alto nível, o que distingue Higuita é a influência coletiva. Ele obrigou as equipas a reagir. Obrigou o jogo a evoluir.
As conquistas acompanham essa inovação: múltiplos títulos nacionais, a UEFA Futsal Cup (atual Liga dos Campeões de futsal) e várias distinções individuais, incluindo cinco prémios de melhor guarda-redes do mundo. Pela seleção do Cazaquistão, ajudou a transformar uma equipa emergente numa presença constante entre as melhores da Europa.
Mas o seu verdadeiro legado não está nos troféus. Está na forma como mudou o jogo. Hoje, o futsal moderno já não se entende sem a influência do seu modelo. Os guarda-redes são mais completos, mais técnicos e mais participativos. Muitos cresceram a vê-lo assumir riscos, sair da baliza e decidir jogos com os pés.
Se Ricardinho marcou pela magia e Falcão pela arte, Higuita marcou pela estrutura. Talvez esse seja o maior elogio possível: depois dele, o jogo nunca mais foi o mesmo.
Entre aqueles que melhor o conheceram dentro de campo está Carlos Ortiz, uma das maiores referências da história do futsal mundial. Figura central do Inter Movistar e do Barcelona, onde conquistou quatro Ligas dos Campeões, e antigo capitão da seleção espanhola, com 215 internacionalizações e quatro títulos europeus, Ortiz cruzou-se inúmeras vezes com Higuita ao longo da sua carreira ao mais alto nível do futsal mundial. Sobre o impacto do guarda-redes do Kairat Almaty, não hesita em sublinhar o papel transformador que teve na modalidade: — Foi um verdadeiro pioneiro, juntamente com o Cacau enquanto treinador, na redefinição do papel do guarda-redes. Transformou-o num jogador ativo na construção e na finalização Durante muitos anos, a sua forma de jogar obrigou equipas e treinadores a adaptarem estratégias defensivas especificamente para enfrentar as suas equipas.
Ortiz recorda mesmo uma eliminatória da Liga dos Campeões frente ao Kairat:
— Obrigou-nos a treinar especificamente para o enfrentar. Tivemos que repensar profundamente muitos aspetos defensivos. Tivemos de nos adaptar ao seu estilo de jogo e encontrar novas soluções para o tentar controlar. Preparámos durante três meses uma estratégia de pressão alta pensada especificamente para anular a influência do Higuita no jogo. Curiosamente, sofremos um golo logo na primeira jogada, mas acabámos por vencer o jogo e conquistar o título europeu. A partir desse momento, começámos a utilizar essa abordagem sempre que enfrentávamos guarda-redes com características semelhantes e, mais tarde, acabámos até por adaptá-la à seleção espanhola, porque os resultados eram muito positivos.
Na síntese da sua avaliação, o antigo internacional espanhol deixa ainda uma apreciação clara sobre o legado do guarda-redes: — Uma das lendas do futsal mundial. Um grande guarda-redes que domina aspetos que outros não dominam. Brilhante no jogo com os pés e muito forte entre os postes. Talvez não valorizemos suficientemente o quão bom ele é enquanto guarda-redes por tudo aquilo que acrescenta ao jogo da sua equipa como mais um jogador. A sua forma de jogar obrigou-nos a todos a sermos melhores. Foi um orgulho competir tantas vezes contra ele.
O impacto de Higuita no futsal moderno não se limita às vozes da Europa. Também do outro lado do Atlântico, Marquinhos Xavier, selecionador do Brasil e atual campeão do mundo, destaca o impacto estrutural de Higuita no jogo moderno. Para o técnico brasileiro, enfrentar Higuita exige uma preparação muito específica, tanto no plano tático como mental:
— Enfrentá-lo exige um nível de concentração tática e mental muito elevado. O principal cuidado que a nossa equipa sempre teve era a gestão da ansiedade na marcação. Como ele joga praticamente como um quinto jogador de campo, criando superioridade numérica constante no ataque, a defesa não pode perder a organização nem se precipitar na pressão.
Marquinhos sublinha ainda a importância da leitura de jogo para lidar com a sua influência constante:
— É essencial termos uma leitura muito clara dos momentos: quando pressionar para o forçar ao erro e quando baixar linhas para fechar os espaços de passe e, sobretudo, de finalização, já que ele tem um remate muito potente de média distância. Outro ponto fundamental é a transição defensiva. Qualquer erro ofensivo ou perda de bola pode significar uma aceleração imediata do jogo por parte dele, quer com os pés quer com as mãos. Por isso, o equilíbrio da equipa e a disciplina são fundamentais.
E não tem dúvidas na definição:
— É um guarda-redes revolucionário. Não é apenas um excelente defensor da baliza, com reflexos rápidos e grande envergadura, é também um verdadeiro construtor de jogo. Ele quebrou por completo o paradigma tradicional da posição e obrigou o futsal mundial a adaptar-se a uma nova forma de jogar. A sua principal característica é a coragem aliada à enorme qualidade técnica. Tem uma visão de jogo de um fixo ou de um ala construtor, uma precisão de passe extraordinária e uma confiança inabalável para assumir riscos fora da sua área. Além disso, é um líder nato, que contagia tanto a seleção do Cazaquistão como os seus clubes com uma energia competitiva muito forte. O Higuita não se limita a defender a sua equipa, ele também ataca o adversário. É, sem dúvida, um dos nomes que ficará marcado para sempre na evolução tática do nosso desporto.
Luizinho Cruz, treinador de guarda-redes que trabalhou com Higuita durante cerca de uma década no Kairat e na seleção do Cazaquistão, reforça a mesma ideia. O primeiro contacto, ainda no Brasil, já revelava um perfil fora do comum: confiança, risco e participação ativa no jogo ofensivo. Mas a verdadeira transformação acontece na Europa, onde passa a ser decisivo em equipas de topo:
— Deixa de ser apenas um guarda-redes integrado para se tornar um jogador decisivo. Influencia o ritmo, a posse e a construção. Para o treinador, o segredo está no equilíbrio: — Ele defende e ataca com a mesma intenção competitiva. Com eficácia. Transforma cada intervenção numa vantagem coletiva.
Para o próprio Higuita, o futuro da posição já não é projeção, é realidade:
— O futuro é hoje.
A inclusão do guarda-redes na construção e nas transições tornou-se, segundo o brasileiro, uma exigência do futsal moderno. A participação ativa na criação de superioridade e na progressão ofensiva é já estrutural.
Ao mesmo tempo, reconhece a evolução física da posição:
— O jogo está mais rápido, mais vertical e mais físico. Exige mais velocidade e capacidade de decisão em transição.
Ainda assim, acredita que a evolução será inevitável:
— Dentro de alguns anos, todos os guarda-redes terão de dominar esta função.
No futsal contemporâneo, há quem defenda, quem marque e quem organize. Mas há também quem transforme tudo ao mesmo tempo. Higuita pertence a essa raríssima categoria.
Num jogo cada vez mais rápido, complexo e exigente, não acompanhou apenas a evolução da modalidade: empurrou-a para a frente. E quando um guarda-redes passa a ser também um princípio de jogo, deixa de pertencer apenas à sua posição. Passa a pertencer à história.
Para fechar, e olhando para o palco onde este fim-de-semana se decide mais um campeão europeu, fica também a referência a quem procura escrever a sua própria história: o Sporting CP, liderado por Nuno Dias, chega pela sexta vez consecutiva à final-four da Liga dos Campeões de futsal e já conquistou a prova por duas ocasiões. Num grupo onde se destacam nomes como Zicky, Merlim, João Matos, Tomás Paço e companhia, fica a ambição de voltar a erguer o troféu e trazê-lo novamente para Portugal, num símbolo de continuidade da excelência do futsal nacional ao mais alto nível europeu."

La ética según Mbappé

Estados Unidos: Alexi Lalas, o aspirante a músico tornado comentador populista


"Os longos cabelos e barba ruivas e a personalidade forte, mais do que as qualidades futebolísticas, tornaram o central norte-americano numa espécie de figura de culto após o Mundial 1994, onde fez o primeiros minutos como profissional, aos 24 anos. Antes disso teve uma banda de algum sucesso em Nova Jérsia, numa carreira na música que ainda continua. Mas Lalas é, por estes dias, mais conhecido pelas suas opiniões confrontativas na televisão, onde não recusa a sua afiliação a Trump

Alguns anos antes de surpreendentemente se tornar o primeiro futebolista dos Estados Unidos a jogar na Serie A italiana, então o campeonato mais forte da Europa, Alexi Lalas era, mais que tudo, um aspirante a rockeiro. Na Universidade de Rutgers dividia os estudos de Inglês com o futebol (chegou a ser considerado o melhor jogador universitário a nível nacional em 1991) e pelo meio ainda fundou uma banda, os Gypsies, que se fez grande, pelo menos nos bares e pequenas salas de espetáculo dentro das fronteiras do estado da Nova Jérsia.
Hoje é possível encontrar uma série de discos de Alexi Lalas no Spotify, gravados em nome próprio. O primeiro, de 1996, foge um pouco aos cânones em voga na época: embora esteja presente a imagem que o tornou conhecido, cabelo e barba longos, ruivos, olhar desafiador, há mais rock clássico do que grunge em “Far From Close”.
Mas, é claro, por muito que fosse essa a sua vontade inicial, não foi com a música que Alexi Lalas se tornou conhecido, ainda que o futebol não tenha sido um caminho óbvio. Depois de participar nos Jogos Olímpicos de 1992, um teste no Arsenal traria uma espécie de banho de realidade para o competitivo mas pouco fino central, rapidamente descartado pelo clube de Londres. De regresso a casa, no Michigan, Lalas, filho de um engenheiro e de uma poetisa premiada, Anne Harding Woodworth, viu-se sem música, sem futebol, sem um curso acabado.
Uma chamada de Bora Milutinović, responsável então por arregimentar um grupo de valorosos futebolistas norte-americanos para, dali a ano e meio, em 1994, representarem o país no Mundial por eles organizado, mudou tudo para Lalas. “Quando conheci o Bora era um punk de 22 anos que nunca tinha pensado no seu lugar no mundo”, disse Lalas, em 2015, à revista “FourFourTwo”.
O experientíssimo treinador sérvio conhecia bem as limitações de Lalas, que era lento e não tinha grande técnica, mas não lhe faltava “a personalidade”, como diria Bora ao “LA Times” a dias do arranque desse Campeonato do Mundo que tudo mudou para o soccer, então a viver num vazio entre o fim da NASL, nos anos 80, e uma MLS que ainda não tinha nascido. “É um jovem cheio de vida, gosta de música, de futebol, é muito inteligente. Aprende rápido”, apontou.
Por essa altura, Lalas era uma espécie de empregado a tempo inteiro da federação norte-americana, dedicando-se apenas aos treinos com os compatriotas. Durante o Mundial, mais pela sua figura e atitude do que pelas suas habilidades futebolísticas, tornou-se figura de culto numa equipa dos Estados Unidos bem compacta e que sofria poucos golos. Parecia incrível, mas com 24 anos jogava os primeiros encontros como profissional, e logo num Mundial.

Profissional só na Serie A
Alexi Lalas fez pela primeira vez um jogo enquanto profissional por um clube quando se mudou para o Padova, equipa modesta do fortíssimo campeonato italiano. Ali se manteve duas temporadas antes de virar uma das figuras de proa do arranque da MLS, jogando primeiro pelos New England Revolution e depois pelos MetroStars, Kansas City Wizards e, por fim, Los Angeles Galaxy, com uma passagem pelos equatorianos do Emelec pelo meio.
Depois de deixar o futebol foi general manager de um par de equipas da MLS, com destaque para o período passado nos Galaxy, em que levou David Beckham para Los Angeles. Começou aí também a sua aventura pelo comentariado desportivo, que nos traz até à atualidade. E a como Alexi Lalas, outrora herói do renascimento do soccer se transformou numa das figuras mais polarizadoras dos Estados Unidos.
Depois de emprestar os seus conhecimentos à ESPN, em 2014 Lalas chegou à “Fox“ , explicando de maneira bem ilustrativa o porquê da mudança: “They Godfathered me.” Ou seja, fizeram-lhe uma proposta que ele não podia recusar. Tornar o Padrinho num verbo não seria, no entanto, o maior malabarismo que o antigo central faria com as palavras ou até com as verdades. Nos últimos anos, Lalas tornou-se megafone de algumas das ideias mais absurdas da direita populista norte-americana, num estilo que o próprio assume ser uma construção: mais do que a verdade, Lalas procura o confronto, a divisão como forma de gerar atenção.
Quando a seleção nacional feminina dos Estados Unidos caiu cedo no Mundial de 2023, nos oitavos de final, Lalas acusou a equipa de ser “polarizadora” e de desagradar a uma parte do país à conta do seu posicionamento político, “causas, posições e comportamento”. E que, não ganhando, corria o risco de se tornar “irrelevante”. Terá faltado o essencial olhar para o espelho antes de falar, que também não lhe ocorreu quando sublinhou num dos seus comentários que “o melting pot” é uma “falácia”, argumentando que a diversidade norte-americana não tem sido fantástica para a seleção.
Logo ele, comentador de futebol, que terá seguramente reparado nos sucessos de seleções como França, Alemanha e até a Espanha, logo ele, nascido Panayotis Alexander Lalas, filho de pai grego e que passou parte da infância em Atenas.
Tudo isto terá sido bom currículo para ser convidado para participar na versão norte-americana do concurso A Máscara e também para fazer parte da task force formada pela Casa Branca para acompanhar assuntos do Mundial 2026, onde os Estados Unidos vão comparecer com uma equipa onde não faltarão jogadores das mais variadas origens que construíram o país."