Últimas indefectivações

sábado, 13 de junho de 2026

Marco Silva...


Apresentação oficial do novo treinador, com palavras calmas e ambiciosas, relembrando que o caminho do Benfica faz-se com todos a puxar para o mesmo lado! Algo, que pessoalmente, acho que não vai acontecer...

Não duvido da sua competência técnica, acho que o Benfica vai ter um Futebol mais vistoso, mais mecanizado, com os jogadores nos seus lugares, agora o sucesso vai depender doutros factores...

Primeiros momentos...

Terceiro Anel: Marco Silva...

Visão: React - Marco Silva

79

Vantagem...

Benfica 2 - 1 Sporting

Vitória no 1.º jogo, numa partida equilibrada, mas onde o Benfica esteve na frente do marcador, praticamente desde do início do jogo! Em vantagem, é normal o adversário ter um poucadinho mais iniciativa, e por isso foi mesmo o Sporting que rematou mais à baliza, mas o Benfica podia ter 'matado' a partida várias vezes...

Muito cabecinha para o 2.º jogo, não podemos repetir os erros da Champions...

Horrível...

Corruptos 87 - 63 Benfica
27-13, 20-23, 17-14, 23-14

Jogo mau, mas mesmo muito mau, com percentagem ridículas! Os Corruptos, estão com muito atino nos Triplos, mas isso não desculpa a entrada no jogo a dormir... e depois sempre a correr atrás do prejuízo, sem cabeça!
Exige-se uma reação, rápida e energética, senão temos um fim de época antecipado!

O mais importante...

Porque sim, e porque não !!!

RUI COSTA EXPLICOU-SE EM CONFERÊNCIA DE IMPRENSA


"1.
Rui Costa respondeu diretamente e sem rodeios a tudo o que lhe perguntaram. Se algumas coisas ficaram por esclarecer, foi porque as perguntas não lhe foram colocadas pelos jornalistas.

2.
Arrumou de vez com o assunto Mourinho, que tanta tinta fez correr nas últimas semanas, esclarecendo vários dos pontos em aberto.

3.
Explicou que se Riquelme tivesse ganho não viria daí qualquer problema ao mundo: havia um acordo de cavalheiros e Mourinho não seria treinador do Benfica na época 26/27 sem que isso acarretasse custos para qualquer uma das partes. Sei que isto é absolutamente verdade.

4.
Mesmo que tivesse renovado com Mourinho, e eu critiquei-o por não o ter feito, isso não impediria o treinador de aceitar agora o convite do Real Madrid.

5.
Assumiu erros próprios, mas não explicou quais - e também não lhos perguntaram. Isto era, para mim, o que mais me interessava ouvir da parte de Rui Costa, e tenho pena que Mourinho, que é passado, tenha sido praticamente a única preocupação dos jornalistas.

6.
Arrumado o assunto Mourinho, é hora de olhar em frente. Marco Silva é apresentado amanhã, já tem vindo a trabalhar na preparação da nova época, é bom que lhe sejam dadas todas as condições para atingir o sucesso."

Gloriosos Benfiquistas - S06E01 - Marco Silva...

Terceiro Anel: Rui Costa...

Zero: Mercado - Dragão tem nova cara; Bernardo Silva causa terramoto

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Análise às explicações de Rui Costa

Observador: Três Toques - Mundial arranca com bronca de mãe e lição de Mourinho

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #2

Zero: Entrevista - Chiquinho...

O novo Modric será português


"Tudo indica que Bernardo Silva, que chegou a ser dado como certo em Barcelona, acabe no grande rival Real Madrid. As últimas notícias, mais o desejo do internacional português de resolver a vida antes do Campeonato do Mundo, apontam para aí com alta percentagem de probabilidade. O português ter-se-á sentido mais querido na capital espanhola do que na Catalunha, apesar de o namoro com os culers ser antigo, a julgar pelas notícias ao longo dos últimos anos, e de o seu futebol até encaixar melhor ao lado de gente como Pedri, De Jong, Gavi e Fermín.
Embora José Mourinho deva certamente ter dado o seu aval, a contratação do compatriota ex-City até aparenta ser mais uma decisão do clube do que propriamente de apenas um técnico. É que há muito se fala da quebra que registada nos madridistas a partir do momento em que, primeiro, perderam o alemão Toni Kroos e, depois, o croata Luka Modric, e Bernardo pode ser a melhor solução em anos.
Nenhuma das contratações feitas pelo Real Madrid colmatou a qualidade que ambos acrescentavam à posse e à fase de criação merengue. Nem Tchouaméni, Camavinga ou Bellingham, nem elementos mais antigos no grupo como Valverde ou Ceballos.
Não é crível que Mourinho esteja, nesta fase da carreira, a pensar em voltar a construir uma equipa dominadora, porém Bernardo Silva, pelo que já mostrou em Inglaterra e ao serviço da Seleção Nacional, é transversal a qualquer técnico. Capaz de gerir ritmos, organizar e distribuir, é difícil não encontrar no português um novo Modric ou Kroos, ainda que lhe falte a perícia da bola longa do alemão. E terá todo o Mundial para mostrar o que pode vir a ser ao público espanhol."

Esclarecimentos aos Benfiquistas


"Em destaque nesta edição da BNews, as respostas do Presidente do Sport Lisboa e Benfica em conferência de imprensa dedicada ao balanço da última temporada e às expectativas para a próxima época.

1. Voltar a ganhar
Em conferência de imprensa, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, explicitou as razões para a saída de José Mourinho e para a entrada de Marco Silva e abordou a próxima temporada.
Veja ou reveja no Site Oficial.

2. Apresentação de Marco Silva
Está agendada para hoje, às 17h00, no Museu Benfica – Cosme Damião.

3. Mundial de futebol
Siga, no Site Oficial, todos os resultados e marcadores e ainda o desempenho dos futebolistas do Benfica.

4. Na final
O Benfica está na final dos play-offs do Campeonato Nacional de hóquei em patins no feminino. No jogo 2 das meias-finais, vitória benfiquista por 5-7 no rinque da Sanjoanense.

5. Jogos do dia
Hoje tem início a final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no masculino. O jogo 1 é na Luz, às 21h00, entre Benfica e Sporting.
E prossegue a final do Campeonato Nacional de basquetebol: às 19h00, no Dragão Arena, Benfica e FC Porto medem forças pela terceira vez na eliminatória derradeira.

6. Agenda para sábado
Na Luz, às 15h00, começa a final dos play-offs do Campeonato Nacional de hóquei em patins no masculino entre Benfica e Sporting.
Às 21h00, a equipa feminina de futsal do Benfica visita o Nun'Álvares. Em caso de triunfo benfiquista, as águias sagram-se campeãs nacionais.

7. Protagonista
A andebolista do Benfica, Mihaela Minciuna, é a entrevistada da semana.

8. Saída anunciada
Jota González deixa de ser o treinador da equipa masculina de andebol do Benfica no próximo 30 de junho.

9. Campeonatos da Europa de canoagem de velocidade
Acompanhe, no Site Oficial, a prestação dos canoístas do Benfica.

10. Benfica internacional
Sub-13 do Benfica Ateitis FA são campeões nacionais do seu escalão na Lituânia.

11. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV."

BolaTV: Entrevista - Thierry Correia

AA9: Mundial - Day 1

Zero: Negócio Mistério - S06E03 - Ochoa

FIFAmente !!!

O exercício 'Portugal'


"Unir as pontas soltas de um sonho exige mais do que talento. Exige um último ato de coragem. Este Mundial é oportunidade única, daquelas que raramente cruzam o destino de uma geração

Este é o meu exercício — e qualquer um de vós terá o seu — sobre aquela que deveria ser a equipa-base de Portugal no Mundial. Dificilmente encontrarão algum condicionamento por gratidão, justiça, estatuto ou clubismo. É uma equipa construída a partir dos convocados de Roberto Martínez, porque já não há outra forma, que tenta responder a problemas recorrentes e não resolvidos da Seleção durante a era do espanhol. E, atenção, lembro que há sempre vários caminhos para o sucesso e, por vezes, várias soluções para um mesmo problema.
O ponto de partida não está na baliza, uma vez que não há neste momento concorrente próximo do nível de Diogo Costa, ainda que ache que o guarda-redes do FC Porto deva trabalhar a linguagem corporal, que por vezes deixa transparecer insegurança. Quantos golos salvaram Schmeichel, Kahn, Buffon graças ao ar ameaçador com que saltavam à bola? Cerra os dentes, miúdo!

UM 'MONSTRO' NO MEIO DA SALA
Começo precisamente pelo 9, porque é aqui que, há muito, reside um dos maiores bloqueios ao crescimento coletivo. Se Martínez não o fez até aqui, muito menos o fará agora, seja em nome da estabilidade do grupo, do núcleo duro ou, simplesmente, por falta de coragem, no entanto, não retirar Cristiano Ronaldo da equação condiciona toda a equipa, da defesa ao ataque.
Com o capitão como avançado-centro e pela necessidade de fomentar algo em que este não é especialista, como o apoio frontal, o jogo interior coletivo — em que contamos com elementos do bicampeão PSG e do Manchester City — enfraquece. O que, paralelamente, obriga a que haja gente que o alimente desde os flancos: extremos. Em tese, Pedro Neto à direita e Rafael Leão à esquerda, com apoio dos laterais Cancelo (ou Dalot) e Nuno Mendes (ou Cancelo) a atacar o meio-espaço entre lateral e central. Seja direto ou após desdobramentos, o objetivo depois é cruzar para Ronaldo, que, para já, é anulado muitas vezes. Ou tem mostrado um decréscimo flagrante de qualidade da finalização.
Apesar disso, CR7 continua muito focado no golo. Na maior parte das vezes coloca-se no desfecho das jogadas. A maioria dos movimentos são feitos a pensar em si próprio e não em libertar espaço para os colegas.
Depois, sem bola, Ronaldo não é pressionante. Ainda o será menos no calor da América do Norte. E as escassas tentativas que lança têm estado desenquadradas do resto da equipa.
Gonçalo Ramos não está no melhor momento de forma, seja mental ou tecnicamente. Mas ainda assim oferece uma maior ligação com os restantes setores e um Portugal a defender com 11. Guedes apresenta uma capacidade de explosão, mobilidade e finalização que não devem ser desvalorizadas e também ele gosta de morder a construção dos adversários. E o próprio João Félix poderá ser um falso 9, pela capacidade que tem de jogar de costas para a baliza e pela inteligência no ataque ao espaço. Ainda que peque no momento defensivo. Na verdade, todas elas parecem melhores soluções.

O TRIÂNGULO IDEAL
Vitinha e João Neves não oferecem qualquer tipo de discussão. São inseparáveis e só um louco os tentará separar. A questão reside no terceiro elemento. Bruno Fernandes é o maior candidato, mas Bernardo Silva faz mais sentido. Um Bernardo com liberdade para aparecer também mais à frente, juntando-se aí sim a Bruno Fernandes, mas que, ao contrário do médio do Manchester United, fala a mesma língua que o duo parisiense. Um Bernardo que acelera no momento certo e não está sempre a querer acelerar.
Há receio de que Martínez veja aqui a necessidade de um médio-defensivo, como Rúben Neves ou Samú, sacrificando João Neves. Ou Bernardo. É necessário coragem para resistir.

ENTRELINHAS E MEIOS-ESPAÇOS
Para a maior parte dos leitores, soará a balelas táticas, mas é muito mais do que isso. Claro que há as bolas paradas, os erros, os remates de longe e as jogadas individuais, porém é aqui que se criam os desequilíbrios.
Se Portugal conseguir pressionar os meios-espaços entre lateral e central e entre centrais, o adversário tem de reagir para evitar o 1x1. O mais provável é que os laterais fechem por dentro, abrindo os corredores. Aí entram Cancelo e Nuno Mendes, com toda a sua qualidade. E com a presença na área assegurada por três ou quatro jogadores e, se o resto dos jogadores respeitar a subida coletiva, com gente à entrada da área.
Se o adversário não juntar o bloco, estará por dentro o espaço a aproveitar.
Claro, esta imagem é estática. Há dinâmicas. Mobilidade.
Se Bruno Fernandes é inegociável como falso-extremo e já discutimos o 9, faltará encontrar o homem da falsa-esquerda. E não há melhor candidato do que João Félix. Pelo momento, mas também pelo perfil, podendo funcionar como segundo homem na área e ainda também definir em passes e movimentos de rotura como ninguém.
Bernardo estará muitas vezes por aqui, podendo criar uma dinâmica própria com Bruno Fernandes.

A FALTA DE FISICALIDADE
Dificilmente também haverá dúvidas sobre os laterais titulares. Cancelo e Nuno Mendes reúnem o favoritismo de quase todos. Se estiverem bem fisicamente, estão muito à frente de todos os outros, e entre os melhores do planeta.
Rúben Dias, com época complicada a nível físico, será o xerife e faltará encontrar o ajudante. Inácio é o melhor a construir, todavia, mostrou-se novamente débil nos duelos físicos. Veiga pareceu mais sólido defensivo e mais limitado no passe. Tomás Araújo tem o mesmo problema que o sportinguista e a mesma versatilidade a construir. Quebra ainda linhas com o transporte e apresenta uma estratégia de contenção mais funcional, podendo fazer derivar Dias para a esquerda. Martínez talvez vá por Veiga, mas, estando bem, Tomás oferece mais. Sobretudo se ganhar confiança.
O exercício aí fica. A oportunidade é única, talvez irrepetível. Iremos lá com coragem. A dar a Portugal para poder dar Portugal!"

A chapada de luva branca do presidente da UEFA


"Decisões como a de nomear o árbitro somali para apitar a Supertaça não podem ser apenas um gesto de marketing; tem de representar outros valores

Há muito tempo que o futebol passou a fazer parte da mais alta e intrínseca geopolítica. E não é um fenómeno apenas deste século. Os mais antigos lembrar-se-ão de ver a Argentina, vivendo uma ditadura, a acolher o Mundial-1978 com a seleção anfitriã a arrecadar o título alavancada no talento de Mario Kempes e noutras situações bizarras a que o contexto não foi alheio.
Mas é indiscutível que os mandatos de Joseph Blatter foram aqueles que elevaram a organização dos Mundiais para esferas muito mais opacas. O mesmo antigo presidente da FIFA que agora se insurgiu com o tratamento dado pelos Estados Unidos ao árbitro somali Omar Artan, enviado para casa por suspeitas de associação a organizações terroristas. Estas ironias fazem parte, no fundo, deste imenso circo: processos suspeitos e investigados na atribuição dos Mundiais da Rússia (2018) e Qatar (2022), envolvendo dirigentes, ministros e até presidentes da república, chutando para canto tudo o que são critérios de transparência.
Só os mais ingénuos acreditam que o futebol poderia funcionar como acelerador de mudança e não a embraiagem. Que a FIFA teria alguma magistratura de influência na administração Trump na relação com os estrangeiros que entram no país. Os gestos, declarações e atitudes do presidente Gianni Infantino só reforçam a ideia de subjugação ao poder, pelo que nada de positivo se poderá esperar nos próximos tempos.
E porque o futebol é uma plataforma geopolítica, a decisão da UEFA em nomear o mesmo juiz africano para apitar a Supertaça Europeia entre PSG e Aston Villa é muito mais que uma provocação aos vizinhos da sede em Zurique; é mais um gesto de afirmação que a Europa tem definitivamente de assumir perante os Estados Unidos. Porque o trumpismo veio para ficar: mesmo após a saída do atual inquilino da Casa Branca (seja lá quando for), as relações com o bloco europeu dificilmente voltarão ao que assistimos nos últimos 80 anos porque há divergências de fundo que antes eram disfarçadas com a arte da diplomacia. Pelo menos Trump tem esse mérito: tirou o filtro. Dele e de uma maioria (também no voto popular) que concorda com os seus métodos e valores. O mundo MAGA.
Os europeus são acusados de serem cínicos e de nunca saírem de cima do muro na forma como lidam com Israel ou como se têm posicionado na guerra entre os EUA e o Irão. Mas este será o resultado de um bloco que é feito de muitas camadas e culturas. Mais do que nunca, gestos como a nomeação de Omar Ortan para o jogo de Salzburgo tem de simbolizar muito mais do que um ato de simpatia."

O país que não devia receber o Mundial


"FIFA não olhou a meios para ter a prova mais lucrativa de sempre. Futebol vai servir para normalizar a América de Trump. No Qatar, pelo menos, houve menos silêncio...

As imagens de jogadores de futebol, treinadores e membros do staff a serem pormenorizadamente revistados à chegada ao Mundial 2026 repetem-se por estes dias (ainda que uns mais do que outros, aparentemente). Nada de anormal nesta América securitária, por muito que os nossos olhos europeus não estejam habituados a isto (felizmente!).
Claro que não basta ser o melhor árbitro de África para entrar nos Estados Unidos para apitar a maior competição do mundo, é preciso passar no rigoroso controlo de segurança, que não é propriamente conhecido por gostar de africanos, somalis, negros. Aconteceu a Omar Abdulkadir Artan e não convém esquecê-lo, sobretudo perante a inação da FIFA. Das autoridades americanas, só uma fonte a garantir que o árbitro terá ligações a alegados membros de organizações terroristas. Já vimos este filme...
Também aconteceu a Aymen Hussein ser interrogado durante sete horas num aeroporto. Foram precisas sete horas para descobrir que o jogador não era, afinal, um outro cidadão com o mesmo nome de quem as autoridades suspeitavam. Aymen Hussein é iraquiano e não é, de longe, nem o primeiro nem o último iraquiano a ser discriminado, confundido, tratado como suspeito de terrorismo neste país só por ter esta nacionalidade. Mas tinha de acontecer a Aymen Hussein, cujo pai foi assassinado pela Al Qaeda e cujo irmão foi sequestrado pelo Estado Islâmico, estando ainda desaparecido. Digo tinha porque tudo isto parece uma inevitabilidade nesta América tão cruel (e racista).
Os próximos dias vão esbater estas histórias, porque o futebol tem esse dom (será dom? Adiante) de nos fazer esquecer das coisas mais importantes entre as mais importantes.
Também antes do Mundial no Qatar foram lembrados os problemas (perdoem-me o eufemismo) desse país e depois a bola começou a rolar e só aquela final fez-nos esquecer tudo. Com a diferença, noto, que nessa altura os protagonistas foram mais ativos. Agora é mais difícil protestar sobre os Estados Unidos de Donald Trump, logo ele que até recebeu um Prémio da Paz das mãos de Gianni Infantino - um troféu enorme, como os homens pequeninos às vezes precisam de receber para se sentirem os maiores.
Os europeus já foram mais defensores da democracia, agora estão reféns desta gente. Os outros têm mais dificuldade, ou menos peso mediático, porque são africanos ou iraquianos. Resta o Irão, que chegou entretanto ao México para lembrar que 168 crianças morreram no ataque americano a uma escola primária. Para elas não há prémios da paz.
Sucedem-se também as notícias sobre a falta de interesse do público em ir ver os jogos da fase de grupos. Os bilhetes são vendidos ao preço do ouro, porque no final disto tudo não interessam os retidos, os expulsos, os discriminados, os que assistem calados. O que vai contar é o quão lucrativa será esta prova. E o quanto irão ganhar poder Infantino e Trump.
Ainda bem que a bola já começou a rolar. Vamos à coisa mais importante entre as menos importantes."

É só lagartos em Palm Beach


"WEST PALM BEACH — Caminhar pelas ruas arborizadas de West Palm Beach, nesta contagem decrescente para a estreia da nossa Seleção, é aceitar um convívio diário com uma vizinhança peculiar. Por aqui, a natureza teima em saltar dos canteiros para o asfalto. Há uma invasão silenciosa que salta à vista de qualquer repórter: é só lagartos em Palm Beach.
Desengane-se o leitor mais clubista se pensa que há aqui alguma segunda intenção escondida na frase anterior ou que algum emblema montou sucursal nas imediações do quartel-general de Portugal. Nada disso. Trata-se de uma constatação puramente zoológica, embora a ironia do cenário seja deliciosa demais para ser ignorada por quem respira o nosso futebol.
Estes répteis tropicais transformaram-se nos verdadeiros donos do pedaço. Há-os de todos os tamanhos e feitios. Uns são minúsculos, rápidos como extremos de linha, desaparecendo num ápice entre as fendas dos passeios; outros, mais robustos e imponentes, exibem-se sem pressas sob o sol abrasador, ostentando uma pose aristocrática junto às palmeiras e aos jardins residenciais.
Andam por todo o lado, quase sempre camuflados na vegetação luxuriante da Florida, mas demonstram uma capacidade de adaptação impressionante, estando perfeitamente habituados à coexistência pacífica com os humanos. Olham-nos de soslaio, com uma indiferença felina, antes de recolherem à sombra protetora do seu próprio reino.
Em Portugal, a gíria das bancadas costuma usar o termo com contornos mais belicosos para picar um dos rivais da Segunda Circular. Mas aqui, no asfalto quente da Florida, a palavra despe-se de qualquer carga pejorativa e ganha uma leveza quase poética.
É impossível não sorrir ao ver tamanha proliferação destas criaturas verdes num Estado que serve de base de apoio à Seleção Nacional. Se o bicho é sinal de agilidade e de sobrevivência em ambientes extremos, que esta omnipresença seja um bom prenúncio. Afinal, para cruzar com sucesso esta longa rota americana, Portugal vai precisar de toda a destreza do mundo. O asfalto continua a ferver e, entre répteis e palmeiras, a caravana avança. Vai dar Portugal!"

Marrocos ou Uruguai: as possíveis surpresas


"Ter a oportunidade de trabalhar em vários pontos do planeta é, em muitas situações, uma vantagem. No caso do futebol, permite-nos perceber melhor as especificidades do jogo em países tão distintos como Portugal (claro), Brasil, Qatar ou Coreia do Sul. Gosto de olhar para um jogador, um treinador, uma equipa e fazer sempre uma relação direta com o seu próprio contexto e tentar entender porque adotam determinada ideia ou determinado processo. Há sempre, em qualquer escolha, um motivo que está relacionado com o sítio onde nascemos e crescemos.
O futebol é das coisas mais universais e apaixonantes que existem, mas é fundamental respeitar as especificidades que existem em cada país. De outra forma será sempre difícil entender o choque de propostas (de jogo) e realidades que existem quando 48 seleções/nações se enfrentam na mesma competição.
Acredito que estamos todos muito curiosos para ver o que vai acontecer neste Campeonato do Mundo. É verdade que é sempre assim, a cada quatro anos, mas desta vez ainda mais. Talvez porque nunca tivemos uma prova com tantos participantes e também porque, agora, há seleções estreantes, que conhecemos mal, e que podem trazer incerteza e imprevisibilidade nalguns grupos.
O habitual, até 2022 era termos um Campeonato do Mundo com 64 jogos – incluindo aquele sempre desinteressante duelo para saber quem fica em 3.º e 4.º lugar. A partir de agora, de acordo com o novo modelo da competição, vamos passar a ter 104. São mais 40 jogos!
É difícil prever o impacto que poderá ter esta alteração na qualidade da prova, mas acredito que, neste Mundial 2026, o grande desafio estará na capacidade de adaptação. Porque estamos a falar de competir em três países, com diferentes contextos ambientais. É preciso estar pronto para altitude, calor, frio e variação, também, de humidade. Pela minha experiência no Brasil, sei bem o quão difícil é esta diversidade climática. Quem melhor se adaptar pode tirar uma vantagem importante.
Principais candidatos à vitória? Por ordem alfabética: Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França e Portugal. De todas estas seleções, só uma ainda não foi campeã do Mundo. Quem sabe se essa “fome de títulos” também não poderá ser decisiva...
Em relação às equipas que podem surpreender e, contra a maioria das previsões, ir muito longe na competição, aposto em duas: Marrocos e Uruguai. A seleção africana já surpreendeu em 2022 e vejo-a com capacidade para voltar a ter uma grande prestação. O Uruguai, esse, tem um selecionador muito experiente (Bielsa) e uma geração que atingiu um estado pleno de maturação."

O primeiro golo do Mundial foi também um agradecimento de Julián Quiñones ao México, o país que o protegeu da violência


"Nasceu na Colômbia, numa região que faz parte da rota do crime. Aos 17 anos, mudou-se para o México, onde pela primeira vez na vida de sentiu paz e tranquilidade. Apesar dos convites para representar os cafeteros, preferiu esperar que o México o convocasse. No Mundial que o país organiza, foi ele o autor do primeiro golo. Um exemplo da eficácia que também tem demonstrado no campeonato saudita, onde marcou mais do que Cristiano Ronaldo

A pesquisa por notícias de Magüí Payán conduz-nos a uma sucessão de links sobre detenções em centros de armas de guerra, massacres, laboratórios de produção de droga desmantelados ou minas de ouro ilegais. O primeiro jogo do Mundial 2026 arredou todos os problemas para as páginas secundárias do motor de busca. Aquele foi o sítio onde Julián Quiñones nasceu e por isso lhe é dada prioridade quando se tenta encontrar mais informação sobre o município colombiano.
Magüí Payán é um lugar onde estão instalados guerrilheiros e redes de narcotráfico. Os negócios locais procuram na população quem os mantenha vivos. Também Julián Quiñones teve oportunidade – se assim se pode chamar – de seguir uma carreira no submundo. A mãe, que sozinha o criou a ele e mais três irmãs, conseguiu a difícil proeza de não normalizar perante os filhos as atividades que se desenvolviam em paralelo com o quotidiano da família.
Enquanto alguém com consciência do bem e do mal, seria difícil permanecer toda a vida “num lugar muito perigoso” e acabou por emigrar aos 17 anos. O que inicialmente era uma mera procura por realização profissional no Tigres, tornou-se numa viagem à ilha dos amores, descrita pelo jogador no canal televisivo TUDN: “O México deu-me paz mental, toda a tranquilidade com que algum dia sonhei.”
A serenidade permitiu-lhe fazer o seu trabalho quase sempre bem. Inclusivamente, foi titular pelo Tigres na final do Mundial de Clubes em 2021. O sucesso obrigou-o a tomar decisões. A Colômbia convidou-o pelo menos duas vezes para representar a seleção, no seguimento de um percurso nas equipas jovens. Quiñones ignorou as cartas. Quis esperar pelo país que o deixou expressar-se na plenitude. “A melhor forma de agradecer ao México e representá-lo.” O momento chegou em 2023.
Sendo o país da CONCACAF um dos membros da organização tríptica, a ponta do maior Mundial de sempre esteve no Estádio Azteca. Aos nove minutos de um jogo inaugural que venceu por 2-0, o extremo goleador de 29 anos que fez questão de representar o México, retribuiu com um golo no momento desportivo mais importante dos últimos anos para o país. Celebrou-o com a mesma coreografia de Tshabalala na abertura do Mundial 2010 e ganhou o prémio de homem do jogo, entregue pelo pugilista Canelo Álvarez numa clara equiparação às maiores figuras desportivas do país.
O zénite foi trazido pela brisa de uma forma assinalável. Julián Quiñones terminou a temporada com mais golos (37) do que jogos (35) no Al-Qadisiyah. Ninguém marcou mais vezes (33) do que ele no campeonato saudita. Cristiano Ronaldo, que liderou a lista de melhores marcadores na época anterior, ficou-se esta temporada pelos 28. Os números já eram motivo para os adeptos o terem debaixo de olho. A capacidade de salto e explosão são outros argumentos para que mereça ser observado.
Está num estado de maturação diferente daquele em que se encontrava em 2017, quando o Tigres o emprestou ao Lobos BUAP e teve uma altercação com um companheiro. Numa manhã de domingo, os responsáveis do clube receberam a indicação de que Julián Quiñones estava a receber assistência médica no hospital devido a uma lesão provocada um por uma faca.
Julián Quiñones e William Palacios eram colegas de equipa e vizinhos. Juntaram-se na casa do primeiro para celebrarem uma vitória, encetando algumas garrafas de álcool. Quando Palacios decidiu dirigir-se a casa, entre as 3h e as 4h segundo os relatos, Quiñones seguiu-o. A companheira de William não ficou agradada com o estado ébrio do marido e o casal começou a discutir. Na sua versão, Julián diz ter entrado em ação quando o colega demonstrou atitudes agressivas perante a mulher e, para a defender, foi buscar o objeto com o qual se acabou por cortar.
Apesar da boa intenção reconhecida pelos dirigentes – William Palacios acabou por deixar o clube –, ficou associado a um episódio de violência que o podia ter prejudicado. “Não tinha conseguido nada e já estava a perder. Esse momento pôs-me a pensar que não podia continuar a fazer aquele tipo de coisas. Tinha que me centrar no que realmente importa.”"

O primeiro herói do Mundial 2026


"O Campeonato do Mundo de futebol só começa hoje, no México, mas mesmo antes de a bola começar a rolar, já produziu o primeiro herói. A precocidade desta subida ao estrelato não se deve a estes tempos tecnológicos vividos a velocidade vertiginosa, em que o vagar se tornou um luxo.
Omar Abdulkadir Artan, árbitro impedido de entrar nos Estados Unidos depois de ter sido sujeito a um interrogatório de 11 longas horas, não obstante possuir passaporte diplomático, teve um momento de vã glória ao ser recebido no seu país, a Somália, como se tive marcado o golo que decidiu a final da prova. É possível que nem todos estejam preocupados ou interessados em futebol, pelo que importa esclarecer que o Mundial será disputado em três países: México, Canadá e Estados Unidos. O problema, claro está, reside na incapacidade de a Administração Trump conviver com o Direito Internacional e os protocolos que devem proteger quem, de alguma forma, participa nas grandes competições desportivas. Se pensarmos que os anteriores organizadores de Mundiais foram o Qatar e a Rússia, estamos esclarecidos em relação às companhias que a FIFA gosta de convidar para a mesa. Mas nenhuma supera os Estados Unidos neste triunfo da vergonha. Sentimento que, de resto, deve ser partilhado com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que se entregou ao ridículo de oferecer a Donald Trump uma espécie de prémio da paz. Teremos oportunidade de saber se o episódio com o árbitro somali foi apenas um bloqueio isolado ou a primeira demonstração prática da hospitalidade prometida aos milhares de visitantes que atravessarão fronteiras nas próximas semanas. Se for um ensaio geral, a FIFA, com a ajuda do governo de Trump, talvez tenha descoberto uma nova modalidade para juntar ao programa oficial: a corrida de obstáculos... burocráticos. E, nesse campeonato, tudo indica que algumas seleções correm o risco de estarem condenadas a perder ainda antes do apito inicial."

Ambiente...

FIFA, uma piada em si mesma

AA9: MY PORTUGAL WORLD CUP 2026 PREDICITON...

LiveMode: Aquece vais entrar #9

LiveMode: Mundial #13

Observador: Sem Falta - Especial: O que muda na arbitragem no mundial?

Rabona: South Africa IMPLODES vs Mexico & S. Korea’s COMEBACK | World Cup Daily Recap

SportTV: Mundial - Florian Grillitsch

FIFA: Escócia...

FIFA: Austrália...

FIFA: Marrocos...

FIFA: Turquia...

FIFA: Brasil...

FIFA: EUA...

FIFA: Qatar...

FIFA: Suíça...

FIFA: Paraguai...

FIFA: Resumo - Canadá - Bósnia

FIFA: Resumo - Chéquia - Coreia do Sul

FIFA: Resumo - México - África do Sul

Jogos Olímpicos de Esports: A prudência do IOC e a urgência de governação partilhada


"A declaração da Presidente do Comité Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, durante a recente reunião do Executive Board, foi simultaneamente breve e reveladora: as ambições olímpicas do IOC para os esports estão "muito vivas", mas é uma questão de timing. A abordagem é deliberadamente cautelosa e consiste em ir trabalhando com especialistas, sem pressas para apresentar propostas antes de estarem verdadeiramente maduras. Esta prudência revela-se ainda mais sábia quando observamos os desenvolvimentos recentes no ecossistema global dos esports. A Federação Sul-Coreana de Esports (KeSPA), historicamente considerada o modelo a seguir mundialmente e a primeira estrutura federativa nacional de esports, entrou recentemente em conflito público com a Esports World Cup Foundation sobre alegada interferência no processo de seleção de atletas sul-coreanos para a Esports Nations Cup. Felizmente tudo se acabou por resolver, mas este episódio, longe de ser um incidente isolado, expõe uma tensão estrutural fundamental que o movimento olímpico compreende profundamente e que os esports globais ainda estão a aprender a navegar: quem representa legitimamente uma nação numa competição desportiva internacional?
A resposta que o desporto tradicional desenvolveu ao longo de mais de um século é clara: federações nacionais independentes, democraticamente governadas, que respondem perante as suas comunidades desportivas nacionais (e existem em função delas!) e perante federações internacionais sujeitas a princípios de boa governação. Este modelo não é acidental nem arbitrário. Protege três dimensões fundamentais que são facilmente comprometidas quando organizadores comerciais de torneios assumem simultaneamente o papel de representação nacional. Primeiro, a independência na seleção de atletas baseada exclusivamente no mérito desportivo, livre de considerações comerciais ou conflitos de interesse. Segundo, a proteção da identidade nacional - o nome do país, a bandeira, a cultura e os símbolos nacionais não são ativos comerciais de livre utilização, especialmente em contextos de exploração comercial de grande escala. Terceiro, a distribuição equitativa de valor gerado através da representação nacional pela comunidade desportiva que sustenta esse sistema: clubes que formam atletas, treinadores que os desenvolvem, árbitros que garantem integridade competitiva. Nos esports, os publishers ocupam legitimamente uma posição central - detêm a propriedade intelectual dos jogos que servem de base às competições - e a Esports Nations Cup demonstrou compreensão adequada desta realidade ao co-desenvolver a competição com EA, Krafton, Tencent e Ubisoft, e colocar os publishers na cúpula decisória. No entanto, se os publishers detêm o IP dos jogos, o "IP" da nação - a sua identidade, símbolos e representação - pertence à comunidade nacional, não a organizadores comerciais internacionais, por mais bem-intencionados que sejam.
O caminho sustentável para os esports globais, e eventualmente para os Jogos Olímpicos de Esports, passa necessariamente pela criação de espaços permanentes de discussão, consenso e regulação partilhada entre todos os agentes da cadeia de valor. Publishers que criam os jogos, Tournament Organizers que produzem eventos de escala mundial, marcas comerciais que investem em patrocínios, e fundamentalmente, as comunidades nacionais - atletas que competem, clubes que formam e empregam, treinadores que desenvolvem talento, árbitros que garantem integridade, e federações que existem para desenvolver e proteger interesses coletivos. Nenhum destes agentes pode ser excluído sem comprometer a sustentabilidade do sistema. Nenhum pode dominar completamente sem criar desequilíbrios que eventualmente corroem a legitimidade. A decisão do IOC de não precipitar decisões sobre esports, de aguardar que estas questões fundamentais de governação amadureçam, de trabalhar cuidadosamente com especialistas que compreendem estas complexidades, não é hesitação mas sabedoria institucional. Os Jogos Olímpicos de Esports acontecerão quando existir um modelo de governação que proteja simultaneamente os direitos de propriedade intelectual dos publishers, os interesses comerciais legítimos dos organizadores de eventos, e a representação autêntica, independente e equitativa das comunidades nacionais de esports. Construir este modelo não é tarefa para meses, mas para anos de diálogo paciente entre todas as partes. A alternativa - avançar prematuramente com estruturas que reproduzem desequilíbrios de poder ou que concentram valor e controlo em poucos atores - criaria um sistema olímpico de esports estruturalmente frágil, questionado na sua legitimidade e incapaz de cumprir a missão olímpica de unir o mundo através do desporto.
Portugal, através das suas estruturas federativas e da sua participação ativa em organizações internacionais, pode e deve contribuir para esta discussão essencial sobre o futuro da governação global dos esports."

Novas regras da FIFA


"A FIFA anunciou, em 10 de junho de 2026, uma reforma do sistema internacional de transferências de jogadores, através da revisão do Regulamento do Estatuto e Transferência de Jogadores (RSTP), com entrada em vigor prevista para 1 de janeiro de 2027.
A alteração regulamentar resulta de um processo de revisão do atual modelo aplicável às transferências internacionais, abrangendo matérias relacionadas com contratos de trabalho desportivo, circulação de jogadores, compensações e direitos dos clubes e atletas.
Entre as principais alterações previstas encontra-se a criação de um enquadramento contratual mais definido, com regras destinadas a aumentar a previsibilidade jurídica das relações entre jogadores e clubes. A nova regulamentação aborda igualmente aspetos relacionados com cláusulas contratuais, mecanismos de compensação e participação dos jogadores nos processos de transferência.
O novo sistema introduz também alterações quanto ao tratamento dos jogadores menores de idade, procurando estabelecer regras específicas para a sua proteção no contexto das transferências internacionais e da formação desportiva. Do ponto de vista jurídico, a reforma representa uma atualização das normas que regulam o mercado global de futebol, estabelecendo novos critérios para a gestão dos vínculos laborais desportivos e para as operações de transferência entre clubes de diferentes associações nacionais.
A entrada em vigor destas medidas implicará uma adaptação dos procedimentos utilizados pelos clubes, jogadores, agentes e demais intervenientes no setor, nomeadamente na elaboração e negociação de contratos e na organização das transferências internacionais.
Com esta revisão, a FIFA estabelece um novo quadro regulamentar aplicável ao sistema de transferências, com o objetivo de uniformizar regras e reforçar a segurança jurídica nas relações existentes no futebol profissional."

Os pequenos sinais que podem antecipar uma lesão


"Quando ouvimos falar de lesões no desporto, a tendência é olhar apenas para o momento em que o jogador cai, leva a mão ao músculo ou articulação e a forma como abandona o jogo. No entanto, a maioria das lesões não começa nesse instante. Começa dias, semanas ou até meses antes. Começa quando o corpo começa a dar pequenos sinais de que algo não está bem. Sempre que o rendimento começa ligeiramente a baixar sem motivo aparente e a recuperação entre treinos e jogos a demorar mais do que o habitual, é sinal de que algo não está bem. É nessas condições que o cansaço se acumula e, quase sempre, esses sinais passam despercebidos a quem está de fora.
Por isso, tenho duas propostas para fazer a quem nos lê. A primeira vou-vos dizer agora: na próxima vez que assistirem a um jogo, experimentem olhar para além do resultado e das estatísticas. Questionem-se se o jogador parece tão explosivo como habitualmente era, bem como se está a chegar atrasado aos lances em que normalmente se antecipava. Estejam também atentos a possíveis sinais de desgaste físico ou emocional e se a linguagem corporal transmite confiança ou fadiga.
Naturalmente, ninguém consegue diagnosticar uma lesão através da televisão. Nem é esse o objetivo. O desafio é perceber que a performance não muda de um dia para o outro, sem razão. Também na nossa vida, existem sinais silenciosos que costumamos ignorar. O cansaço persistente, a falta de concentração, a irritabilidade ou a perda de energia, raramente aparecem sem explicação. Tal como acontece com os atletas, o corpo costuma avisar antes de cobrar. O problema é que estes sinais são frequentemente normalizados.
Num calendário cada vez mais exigente, com competições sucessivas, viagens constantes e a pressão permanente dos resultados, muitos jogadores aprendem a conviver com o desconforto. A sobrecarga raramente resulta apenas de treinar demasiado. Normalmente, é o resultado da soma de vários fatores: pouco descanso, recuperação insuficiente, stress competitivo e acumulação de minutos de jogo.
É precisamente por isso que as equipas técnicas do futebol moderno, fazem a monitorização de vários indicadores de saúde e performance, que vão muito além da condição física visível. A qualidade do sono, o estado de humor, a perceção de fadiga e a capacidade de recuperação, tornaram-se ferramentas essenciais para antecipar problemas, antes que estes se transformem em lesões.
Estas indicações começaram a surgir porque se estuda cada vez mais o futebol, para além da parte técnica e tática. Desde 1998, o Centro de Avaliação e Pesquisa Médica da FIFA (F-MARC) realiza de forma sistemática a monitorização de lesões em todas as competições da FIFA e de futebol dos Jogos Olímpicos. A metodologia aplicada serviu de base para os sistemas de avaliação de lesões de outras federações desportivas.
Com o Mundial de 2026 a iniciar-se, este será um dos fatores decisivos para muitas seleções: a existência ou não de lesões, ao longo da prova. Nesta competição, não tenho receio em afirmar, que muitos jogos não serão ganhos apenas pela qualidade técnica ou pela estratégia. Serão ganhos (ou perdidos), quando a fadiga se começar a sentir na equipa. É precisamente nos últimos 30 minutos que o corpo revela aquilo que acumulou ao longo dos dias, das semanas e dos meses anteriores. Isto tem um nome científico: fadiga neuromuscular. Em termos simples, significa que a comunicação entre o cérebro e os músculos deixa de ser tão eficiente como no início da partida. O jogador continua em campo, continua a correr, mas já não reage com a mesma velocidade nem executa os movimentos com a mesma precisão. As diferenças podem parecer pequenas. Um sprint ligeiramente mais lento. Um atraso de décimos de segundo na reação. Um passe menos preciso. Uma mudança de direção menos explosiva. Mas ao mais alto nível, esses pequenos detalhes fazem toda a diferença. É aqui que Portugal terá de estar atento…
É muitas vezes nos minutos finais que surgem os erros de posicionamento, as perdas de bola evitáveis, os duelos perdidos e, não raras vezes, as lesões musculares. Quando a fadiga aumenta, a capacidade de controlo dos movimentos diminui e o risco de lesão sobe significativamente. A fadiga não surge apenas quando faltam forças para correr. Acontece quando o corpo deixa de conseguir fazer, com a mesma qualidade, aquilo que parecia simples no primeiro minuto. E é aí que muitos jogos (carreiras e também títulos) começam a ser decididos.
O corpo humano possui uma extraordinária capacidade de adaptação, mas essa capacidade tem limites. Nem sempre é uma questão de atitude. Depois de um jogo de alta intensidade, o organismo inicia um processo complexo de reparação muscular, reposição de reservas energéticas e recuperação neuromuscular. Esse processo não termina quando o árbitro apita para o fim da partida. Em muitos casos, prolonga-se durante vários dias. É por isso, que períodos inferiores a 72 horas entre jogos representam um desafio tão exigente para os atletas.
Quando um jogador entra em campo ainda com sinais de fadiga acumulada do encontro anterior, o risco de quebra de rendimento aumenta. Ao mesmo tempo, cresce a probabilidade de surgirem lesões musculares e outros problemas associados à sobrecarga. Não se trata de uma questão de vontade ou de compromisso. Trata-se de fisiologia.
Por muito talentoso ou preparado que seja um atleta, o organismo tem limites biológicos que não podem ser ignorados indefinidamente. A recuperação não pode ser acelerada apenas pela motivação. A gestão dos minutos, da recuperação e da carga competitiva poderá ser tão importante, quanto a preparação tática. Um jogador menos explosivo, mais lento na pressão, menos eficaz nos duelos ou com dificuldades em repetir ações de alta intensidade pode estar simplesmente a revelar aquilo que o calendário lhe retirou: tempo para recuperar.
A minha segunda proposta, não é sobre lesões. É acerca de ganhar. Lembro-me de ir ver a final do Euro-2004, ao Estádio da Luz, com o meu pai. Foi o meu melhor presente até ao dia de hoje. Mas não ganhámos, como bem se lembram. Por outro lado, acredito que foi esse o momento de mudança, para os bons resultados que Portugal tem atingido até agora. Elevou o país com um ambiente incrível entre jogadores e adeptos. Nunca vi o país entender tão bem uma derrota e desculpá-la, como nesse dia. Essa final, serviu para lançar as bases do sucesso atual. Portugal, neste momento, tem tudo para ser campeão. 19 de julho, será o dia Portugal. Para quem festeja o aniversário nesse dia, a minha segunda proposta é essa. Alguém que lance uma onda de apoio extra para ganharmos a competição. Só assim, conseguirão superar o presente do meu pai em 2004."

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