Últimas indefectivações
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Ainda não chegou...
Marco Silva ainda não foi apresentado como treinador do Benfica e a narrativa já está montada. Muito dinheiro para um treinador que treinava um clube do meio da tabela. Ontem, os cartilheiros do Porto e do Sporting coincidiam no tema. Hoje, todos os comentadores a seguiram. 👇
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) June 2, 2026
Só mais um Lagarto desprezível...
Há muito tempo que muitos comentadores televisivos perderam a vergonha toda. 👇 pic.twitter.com/hLfGraJdO0
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) June 2, 2026
Marco Silva não basta
"Benfica vai muito a tempo de corrigir o caminho, veja-se o que se passou com o FC Porto há um ano. Chegada de um treinador com fome ajuda, mas não é o suficiente
Os sinais não enganam, Marco Silva e Benfica estão cada vez mais próximos do entendimento e isso pode significar que as águias poderão finalmente começar a fazer o que se pede a qualquer clube de topo: planificar com antecedência e com as pessoas certas, mesmo que por linhas mal calculadas há um par de semanas, quando a SAD encarnada ainda acreditava (ingenuamente ou não) que seria com José Mourinho a bordo da nau.
A conseguir concretizar (e formalizar) a chegada de Marco Silva logo após as eleições do Real Madrid que, se nada de extraordinário ocorrer, irá ditar a continuidade de Florentino Pérez, ainda vai a SAD encarnada a tempo de recuperar o trabalho deixado para trás, nomeadamente na escolha de reforços e saídas.
O melhor exemplo recente foi o que ocorreu no FC Porto: em junho de 2025 ainda Martín Anselmi era o treinador em exercício, a ordem de saída foi dada no final do mês, Francesco Farioli foi anunciado a 6 de julho e os dragões foram mesmo a última equipa da Liga a apresentar reforços.
A diferença em todo este processo não esteve em escolher demasiado cedo, mas em saber muito bem o perfil de jogadores para a ideia de um treinador. Este foi o segredo para tudo o que aconteceu a seguir.
Esta talvez seja a maior lição que o Benfica e Rui Costa podem retirar do rival a Norte: todas as escolhas que se fizerem no próximo mês e meio ao nível de reforços terão de se submeter a um padrão muito mais concreto e que respondam a uma questão que tantas vezes parece ser esquecida – o que deve ser um jogador à Benfica, tanto do ponto de vista tático, técnico, mas também mental.
O que se viu no FC Porto, por exemplo, foi muito mais que acerto nos reforços: cada um deles, falando português, polaco ou espanhol, cedo se tornaram adeptos fervorosos do clube, como se todos tivessem nascido na Ribeira. É uma cultura que se cria e recria à base de muita exigência interna e esse é o maior elogio que se pode fazer a André Villas-Boas: precisou de muito pouco tempo para fazer a máquina funcionar.
Rui Costa não o conseguiu em muitos mais anos, mas a chegada de Marco Silva pode de alguma forma ajudar: sem estar a fazer comparações com o antecessor, o ainda treinador do Fulham tem algo que neste momento é fundamental para o Benfica – fome de ganhar. Os elogios, recebeu-os de todo o lado (de Guardiola, mais que uma vez), mas andou demasiado tempo a querer ganhar e a não poder.
Falta saber se consegue ter o que qualquer um no seu lugar e com o seu estatuto exigirá: a autonomia para evitar erros de mercado recentes na Luz. É bom recordar que o Benfica contratou em janeiro o alemão Patrick Dippel para diretor de scouting e este será o primeiro defeso sem Rui Pedro Braz. Se nada de diferente acontecer, então a surpresa será maior."
Cinco ilações a tirar da vitória do PSG em Budapeste
"Ao olhar para a revalidação do título de campeão europeu por parte do Paris Saint-Germain, penso ser necessário destacar alguns dos pontos fulcrais desta conquista, a qual começou muito antes da chegada de Luis Enrique e vai muito além do investimento financeiro efectuado:
1 - A aprendizagem com os seus próprios erros. Isso sim é experiência, a meu ver. Perceberam que não bastava investir nas melhores individualidades para triunfar num desporto colectivo. Compreenderam ser necessária a criação de uma equipa em que o todo fosse não só mais do que a soma das suas partes, mas também mais importante do que qualquer indivíduo;
2 - Assimilada a aprendizagem, o PSG teve a coragem de decidir contra os seus próprios desígnios iniciais. Isso requer uma humildade rara no que diz respeito à gestão, à liderança e à própria humanidade. Graças a isso deixaram sair todos aqueles que poderiam não ser compatíveis com o novo percurso a ser iniciado;
3 - Assumidos os erros, tomadas as decisões corajosas, era tempo de criar uma cultura organizacional assente em princípios morais inegociáveis: mentalidade competitiva, superação, team work, humildade, sintonia, reciprocidade.
Para isso era necessário um perfect match entre o que estava a ser delineado e quem ajudaria a colocar em prática e em marcha todo esse plano;
4 - Eis que chega Luis Enrique, o homem a quem nada parece faltar, a quem nada parece afectar.
O treinador espanhol, um dos melhores do mundo na actualidade, é um case study que merece atenção. Genuíno, espontâneo, corajoso. Um pensador sem amarras ideológicas. Um espírito livre que promove e potencia a liberdade nos seus e entre os seus. Ver o PSG jogar é ver Luis Enrique em todo o seu esplendor. E isso só é possível quando ao treinador excepcional junta-se o ser humano de excelência;
5 - Para que o puzzle pudesse ficar completo faltavam os jogadores. E nesse campo o PSG também tem sabido dar cartas. Não só manteve aqueles que mais se adequavam à nova cultura, à nova filosofia e aos novos standards do clube (fora e dentro de campo), como também investiu em jogadores que acabaram por ser o rosto das duas Champions League.
Um investimento que vai muito além do dinheiro, pois há muitos clubes que têm dinheiro (à sua escala e realidade), mas não o sabem investir. O PSG de fundos aparentemente ilimitados tem dado lições de critério e inteligência no que diz respeito ao scouting, à análise, à antecipação negocial e à adequação aos seus objectivos.
O sucesso parisiense nasceu do investimento efectuado, mas só teve a dimensão desejada quando todos no clube passaram a estar imbuídos do mesmo espírito. A cultura organizacional de uma instituição, seja ela qual for, é a base maior de todo e qualquer sucesso que se pretenda alcançar.
Costumo dizer que é possível ganhar sem cultura organizacional, mas não é possível ganhar e vencer sem cultura organizacional. O PSG não só tem ganho, como também tem vencido."
Nutrição personalizada na otimização da performance
"O rendimento desportivo não depende apenas do treino e do talento. Com o aumento do número de jogos ao longo da época, a capacidade física e de recuperação dos atletas ganha cada vez mais importância. A nutrição assume aqui um papel fundamental, pois, sem uma alimentação adequada, o atleta dificilmente conseguirá potenciar o seu rendimento físico e manter um elevado nível de performance ao longo de toda a época.
A individualização da nutrição do atleta assume, atualmente, uma importância crescente. Não existem dois atletas iguais e, por muito semelhantes que possam parecer, dificilmente o mesmo plano nutricional se adequará a ambos. Variáveis como o peso, altura, idade, modalidade praticada, massa gorda, massa muscular e preferências alimentares determinam as necessidades nutricionais de cada atleta. A especificidade da posição ocupada em campo é também um fator determinante. Dificilmente um pivot e um ala terão necessidades nutricionais ou composição corporal semelhantes, tal como acontece entre um guarda-redes e um extremo.
Para perceber o grau de especificidade necessário, importa referir que o mesmo atleta poderá necessitar de estratégias nutricionais diferentes ao longo da semana. Numa semana típica, com treinos de segunda-feira a sábado e jogo ao domingo, o atleta poderá beneficiar de um aumento significativo da ingestão de hidratos de carbono nos dias de maior exigência física, bem como no período pré-competitivo, de forma a maximizar as reservas de glicogénio muscular. O glicogénio constitui a principal fonte de energia em atividades de alta intensidade e, por isso, garantir reservas adequadas antes da competição é fundamental para otimizar a performance.
Mais do que alimentar, a nutrição deve ser encarada como uma ferramenta estratégica capaz de otimizar a performance. Quando ajustada às características individuais de cada atleta, permite não só melhorar o rendimento em treino e competição, mas também potenciar a recuperação, reduzir o risco de lesão e promover uma maior consistência ao longo da época desportiva."
O Mundial ainda não começou, mas já está a gerar dinheiro em Portugal
"O estudo do IPAM que apresentamos esta terça-feira aponta para um impacto económico em Portugal que pode chegar aos 945 milhões de euros em caso de vitória no Campeonato do Mundo de Futebol, que está prestes a começar. E há um detalhe (grande) que muda tudo: Portugal não organiza sequer o Mundial.
Então a pergunta é simples. De onde vem este dinheiro? Vem das pessoas. E da forma como as pessoas vivem o futebol. O impacto económico do Mundial não aparece do nada. Constrói-se ao longo de várias semanas, em pequenas decisões que todos tomamos sem pensar muito nisso.
Começa antes dos jogos começarem. Quando as pessoas compram equipamentos novos para ver os jogos em casa, subscrevem canais, falam do Mundial nas redes sociais, começam a planear onde vão ver os jogos com amigos.
Depois vem a fase mais visível. Restaurantes e cafés cheios. Casas com televisão ligada durante horas. Mais consumo em supermercados, mais bebidas, mais refeições. Tudo aquilo que normalmente já fazemos, mas com mais intensidade.
Há também o consumo emocional. Camisolas, cachecóis, cromos, merchandising. São gastos que não seguem uma lógica racional. São decisões ligadas ao entusiasmo, à identidade, ao sentimento de pertença. E que continuam a ter um peso real.
Mas há uma parte do impacto que não se vê tão facilmente. Cada vez mais, uma parte importante vem do digital. Pessoas que comentam jogos, que partilham vídeos, que enviam mensagens, que seguem jogadores e marcas. Pode parecer que não há dinheiro envolvido, mas há. Está na publicidade, nas plataformas, no conteúdo criado e distribuído todos os dias.
O jogo já não vale apenas pelos 90 minutos. Vale pelo que acontece à volta desses 90 minutos. E é aqui que está a grande mudança. Antes, o valor do futebol vinha de consumir. Hoje, vem também de amplificar. Quanto mais se fala, mais se partilha, mais se comenta, mais o futebol vale.
Portugal tem uma característica particular: pode não ser um grande mercado em dimensão, mas é um mercado muito ativo. Vive o futebol com intensidade. E isso transforma-se em valor.
O estudo mostra precisamente isso. O impacto não vem de um grande investimento público, nem de infraestruturas, nem de estarmos a organizar o evento. Vem da soma de milhares de comportamentos individuais ao longo de várias semanas.
E é por isso que o Mundial já não depende da geografia. Depende das pessoas. E há aqui uma consequência importante, já a olhar para 2030. Portugal vai organizar o Mundial. Mas isso, por si só, não garante impacto.
O impacto já sabemos como se cria. Está nas casas, nos cafés, nos ecrãs, nas redes sociais, nos hábitos de consumo. Está nas pessoas. A diferença é que, em 2030, temos a oportunidade de transformar essa dinâmica em algo maior. Mas só se percebermos uma coisa simples.
O valor do futebol não nasce no estádio. Nasce fora dele."
Áustria: Matthias Sindelar, o ‘homem de papel‘ vigiado pelos nazis e assombrado por uma morte misteriosa
"Brilhou pela Wunderteam, a fantástica seleção da Áustria dos anos 30, com um futebol cerebral e criativo. Depois do Anschluss, recusou-se a representar a equipa da Alemanha nazi, estragando um diplómatico empate no encontro feito para celebrar a anexação. Acabaria por falecer em condições suspeitas, abrindo décadas de especulação sobre as causas da inalação do monóxido de carbono que o vitimou.
Classificar Matthias Sindelar como um declarado opositor do regime nazi seria um exagero. Dizer que se tratou de um dissidente ou de um vocal crítico seria fugir à verdade. Ainda assim, as frases anteriores não impedem que se tenha tornado um símbolo de recusa, um emblema da não colaboração. Fonte de orgulho pátrio, de orgulho austríaco.
O momento fundamental deu-se a 3 de abril de 1938. Sindelar fora o grande futebolista da Áustria da década anterior, obtendo fama e admiração internacionais. Contava já 35 anos, não se encontrava no auge, aqueles já não eram tempos do fulgor vivido previamente, quando a equipa por si capitaneada chegou a marcar 101 golos em 31 encontros nos três anos até ao Mundial 1934. Mas, a 3 de abril de 1938, Sindelar mantinha-se líder, referência.
O Anschluss, a anexação da Áustria pela Alemanha de Hitler, dera-se semanas antes. Para o celebrar, as autoridades nazis organizaram o Anschlusspiel, ou jogo da anexação. No estádio Prater, em Viena, a equipa da casa tinha como missão sorrir perante o seu próprio funeral.
Seria o último encontro da Áustria até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Uma das melhores seleções de então, semi-finalista no Campeonato do Mundo em 1934, medalha de prata nos Jogos Olímpicos 1936, era absorvida pela Alemanha, passando os seus jogadores a serem selecionáveis para o conjunto do país invasor. A Áustria tinha presença garantida no Mundial que teria lugar pouco depois daquele 3 de abril de 1938, mas, apagada da competição, não chegaria a colocar um pé em França.
A ocasião pedia um diplomático empate. E, a partir deste ponto, as crónicas daquele dia tornam-se mais discordantes entre si, a história ganha asas e vida própria ao longo das décadas.
Há jornais do dia seguinte que escrevem que a equipa austríaca, superior, desperdiçou propositadamente várias ocasiões de golo na primeira parte. Até que, a 20 minutos do fim, Sindelar e Karl Sesta, seu colega, fartaram-se do desperdício. A Áustria ganhou 2-0. Nos tais relatos de veracidade difícil de verificar, entre o real e o mitificado, há quem assegure que Sindelar celebrou efusivamente em frente de uma tribuna cheia de dirigentes nazis.
Os meses seguintes acentuaram a narrativa de pouca simpatia da estrela com os novos governantes do país. Em agosto, comprou um café que era de Leopold Drill, um judeu que, de acordo com a nova legislação, não podia ser dono daquele negócio, pagando-lhe uma generosa quantia. Como gerente do espaço, Sindelar foi sempre muito pouco lesto a seguir as ordens para colar cartazes de promoção nazi.
A Gestapo tinha um ficheiro sobre ele. O seu café era vigiado. Descreviam-no como social-democrata e pró-judeu, conexão ampliada por jogar no Áustria Viena, o clube da burguesia judaica, e ser originalmente da Morávia — nasceu Matěj Šindelář, num território hoje integrado na Chéquia e então parte do império Austro-Húngaro, tendo-se mudado para Viena aos dois anos e visto o seu nome ser germanizado —, região de onde muitos judeus foram para a grande cidade imperial, mas a sua família era católica.
O mito do génio dissidente, do não alinhado com os horrores de Hitler, adquiriu outra dimensão a 23 de janeiro de 1939. Gustav Hartmann, amigo de Sindelar, entrou no apartamento de Camila Castagnola, sua namorada, e encontrou o casal sem vida. A justificação oficial foi inalação de monóxido de carbono, veredicto aceite pela polícia após dois dias de investigações. É fácil pensar como os parágrafos anteriores se conjugam com esta morte, aos 36 anos, para que as conspirações e teorias ganhem dimensão.
Friedrich Torberg, escritor austríaco, dedicou-lhe um poema em que sugeria que Sindelar se suicidara, tendo como causa dessa fatal decisão o Anschluss. Num documentário da “BBC“, um amigo do jogador apoia este tese, justificando a pressa com o fim das investigações oficiais com a vontade que os nazis tinham em classificar o sucedido como um acidente, para que pudesse haver um funeral digno - segundo as normas nazis, quem se suicidasse não poderia ter cerimónias fúnebres com honras de Estado - e não criar um mártir.
A ideia de assassinato também tem os seus partidários. O que parece factual é que, dias antes da morte de Sindelar e da namorada, um vizinho queixara-se de uma chaminé com defeito, apontada como culpada da morte do casal.
A Wunderteam
O talento de Matthias para a bola levou-o, aos 15 anos, para o Hertha Vienna. De lá foi para o Áustria Viena, onde foi campeão, triunfou na Taça, ergueu a Taça Mitropa, um dos primeiros torneios internacionais de clubes, juntando húngaros, checoslovacos, italianos, jugoslavos e austríacos.
Avançado habilidoso, o físico frágil era compensado pela técnica, a agilidade e a inteligência. “Tinha um cérebro nas pernas”, escreveu o crítico de teatro Alfred Polgar. No pós-Primeira Guerra Mundial, falar de futebol nos cafés de Viena era uma importante tendência cultural, discutindo-se o jogo, táticas, estilo. Sindelar era o apogeu do ADN dominante, o triunfo do cérebro sobre o músculo, fantasista, imaginativo. Chamavam-lhe o ‘homem de papel‘, pela fraca estrutura física, ou o ‘Mozart do futebol‘.
A idiossincrasia dos cafés, aquela explosão intelectual em torno da bola, encontrou expressão coletiva na Wunderteam, a seleção nacional. Com flexibilidade de movimentos e um estilo de passes curtos, influenciou os húngaros, anos depois, e, indiretamente, teve ramificações na Holanda do futebol total e no Barcelona e na Espanha de muitas décadas posteriores.
Sindelar, o grande herói daquela era de ouro, ganharia, em 1999, uma votação para eleger o melhor futebolista - e desportista - austríaco do século.
A sua carreira internacional fechou-se com o Anschluss. Foi sempre dando desculpas para não atuar pela seleção unificada. Jamais representou outra equipa nacional que não a sua. Se os nazis o calaram ou taparam a sua decisão fatal será questão que, possivelmente, jamais terá resposta."
Passou a estar no programa
"1. Pouco a pouco, a Europa vai fechando para o defeso as suas competições nacionais. Vem aí o Mundial, que tem a sua final marcada para o dia 19 de
julho, mas vamos ao que interessa.
2. O arranque dos trabalhos do Benfica foi anunciado
para 25 de junho e o primeiro jogo oficial do Benfica
da temporada 2026/27 será no dia 23 de julho. Não
era nada disto que se esperava que acontecesse
a partir do momento em que o Benfica chegou, com
todo o merecimento, ao 2.º posto da tabela do Campeonato Nacional de futebol, quando faltavam três
jornadas por disputar.
3. Mas é o que vai acontecer. Esfumou-se a hipótese
de o Benfica chegar à Liga dos Campeões porque
se perderam 4 pontos na antepenúltima e na
penúltima jornada da Liga e vimo-nos, assim, atirados para a Liga Europa, que é a segunda prova
em importância das competições da UEFA, uma
prova em que o Benfica já se viu por duas vezes
como finalista vencido. E não se passou uma eternidade desde que estas finais de Sevilha e de
Amesterdão aconteceram.
4. Deseja-se que o Benfica faça uma grande Liga
Europa e que, pela terceira vez, chegue à final e que
a conquiste, pondo fim ao enguiço das finais europeias. Quem não deseja uma coisa destas? A Liga
Europa é uma prova à medida do futebol português
de topo. Nesta sua última edição, que terminou
recentemente com o triunfo do Aston Villa, foi por
pouco, foi por muito pouco, que o Sporting de Braga,
por norma considerado o quarto grande da nossa
paróquia, não esteve presente na final de Istambul.
5. Onde é que íamos dois parágrafos atrás? Ah, sim,
relevávamos o facto de o Benfica se ter visto atirado para a tal Liga Europa. Acrescente-se agora
que, já estando o nosso clube apontado à referida
competição europeia, não passou muito tempo
sem que se visse ser atirado para as pré-eliminatórias de acesso à Liga Europa, uma despromoção
que, francamente, não estava no programa.
6. Não estava, mas passou a estar. A “culpa” foi do
Torreense. Conquistou a Taça de Portugal e baralhou as contas de terceiros. E “terceiros”, com
muita pena nossa, porque isso mesmo foi o que
fomos na Liga de 2025/26.
7. Resta-nos tomar nota, nas nossas agendas, do
programa internacional para julho e para agosto,
que nos vai preencher o estio com jogos internacionais de grande importância. A 23 e a 30 de julho
temos a 2.ª pré-eliminatória, a 6 e a 13 de agosto
temos a 3.ª pré-eliminatória e a 20 e a 27 de agosto
teremos, espera-se, o playoff. Melhor, não se espera, exige-se. E, pelo meio, em agosto, cabe ao Benfica disputar 4 jornadas do Campeonato. Prontos?"
Leonor Pinhão, in O Benfica
“Torres e Azulejos”
"A CAMPANHA
DOS AZULEJOS FOI
UMA DAS INICIATIVAS MAIS CURIOSAS
DO ANTIGO ESTÁDIO
DA LUZ.
A maioria dos benfiquistas estava de
acordo: o Estádio
da Luz precisava
urgentemente de ter iluminação noturna! Deste
modo, os adeptos uniram-
-se para darem o seu contributo nas várias campanhas de angariações de
fundos para a construção
das torres de iluminação.
As obras de construção já decorriam havia
perto de 5 meses
quando, em maio de
1958, foi anunciada
“mais uma grande iniciativa da Comissão Central”, na qual os benfiquistas podiam deixar
permanentemente a sua
marca nas torres. Como
estava prevista a colocação de
azulejos, quem tivesse interesse
teria a oportunidade de “perpetuar o seu nome nesta grande
obra do Clube”, podendo “inscrevê-lo num desses azulejos, apenas pela módica quantia de
50$00”. Conhecida como campanha dos azulejos, não ficaria circunscrita a este ano, sendo retomada mesmo após a inauguração das torres de iluminação, a 9
de junho de 1958.
Com um significativo número
de participantes, a materialização desta campanha teve início
em 1963, com a colocação dos primeiros painéis de azulejos nas
torres de iluminação. A razão
pela qual não seriam
colocados individualmente era que “o custo
de um painel completo é
menos elevado do que
mandar-se executar azulejos em separado”.
Para além das razões
estéticas e emotivas,
graças ao apoio dos
sócios, a Comissão Central também relembrava
as vantagens de se forrar as torres de iluminação com azulejos:
sendo uma iniciativa que
permitia a “todos os benfiquistas perpetuarem o
seu amor ao clube”, esta
era também conveniente
pois a torre “ainda fica
mais bem defendida das
intempéries. O útil e o
agradável, portanto”.
Passados 40 anos,
quando chegou o momento do antigo Estádio da Luz
dar lugar ao novo, as torres de iluminação ainda
tinham nas suas paredes
inúmeros azulejos com os
nomes dos benfiquistas,
com o mote “Campanha
dos Azulejos: ‘Inscreva os
seus nomes nas torres’”.
Saiba mais sobre as torres de
iluminação e o antigo Estádio da
Luz na área 17 – Chão Sagrado,
do Museu Benfica – Cosme
Damião."
Lídia Jorge, in O Benfica
Sem dramas
"Numa final da Taça de Portugal
entre o velho rival Sporting (no
papel de Golias) e o simpático
Torreense da II Liga (no papel
de David), um coração benfiquista nunca teria dúvidas
sobre para que lado desejar
que pendesse a vitória. Foi
engraçado ver a equipa teoricamente mais fraca erguer o troféu pela primeira vez no seu
historial, foi uma pequena
recompensa para uma cidade
que tanto sofreu com as cheias
de Inverno e, noutro plano, fez-se também alguma justiça face
a um clube que teve relevantes
ajudas da arbitragem, quer
para chegar a esta final, quer
para chegar à final de há dois
anos, quer para vencer a da
época passada.
Este surpreendente desfecho
teve, porém, o condão de dificultar a vida do Benfica, nomeadamente na preparação da próxima temporada – obrigando
agora a três pré-eliminatórias
para atingir a fase regular da
Liga Europa.
É um problema. Não é um
drama.
O último jogo oficial da nossa
equipa ocorreu no dia 16 de
Maio. As eliminatórias começam a disputar-se a 23 de Julho.
Pelo meio há um Mundial. Mas
dos 31 atletas utilizados no último Campeonato, apenas 9
estão convocados para as suas
selecções – sendo que um deles
já não voltará à Luz.
É importante sublinhar também
que a Liga Europa não é a
Champions. Nem quanto ao
nível dos potenciais adversários, nem, sobretudo, nas consequências (desportivas e
financeiras) de um eventual não
apuramento. A grande prioridade do Benfica para 2026/27 é a
conquista do 39.º, e nenhum
objectivo acessório deve desviar o Clube dessa rota.
Não me chocava que estas eliminatórias fossem utilizadas
como elementos de preparação
para que, a 9 de Agosto, então
sim, a equipa estivesse a top.
Sem acesso aos milhões da
Champions, a frente externa
torna-se de algum modo secundária. Se correr bem, tanto
melhor. O Campeonato, esse,
tem mesmo de correr bem."
Luís Fialho, in O Benfica
O Benfica faz Bem!
"E não é de agora: ainda não
havia República, em 1904, e já
um punhado de portugueses se
juntava em torno de um ideal
desportivo para promover o
bem-estar coletivo e, no fim de
contas, o progresso do país, que
passava por uma crise económica, social e moral sem precedentes. Depois foi jogar futebol,
muito e bom futebol, e abrir
mais e mais equipas de todas as
modalidades possíveis em todas
as idades e escalões, de maneira a fazer do Clube uma plataforma agregadora de todos
quantos partilham os valores do
desporto e compreendem a
importância da prática desportiva, do coletivismo e de um estilo
de vida saudável.
Não eram estas as palavras que
se usavam na altura, mas foram
sempre estes os valores e os
reais motivos da ação benfiquista dentro e fora dos campos.
Não é, pois, de estranhar que, de
cada vez que se revela necessário, o Benfica se mobilize e contribua para as causas sociais e
para a cidadania, com a educação e a ética à cabeça das prioridades. E isto acontece não
apenas com o futebol, cuja
maior popularidade é indiscutível, mas também com modalidades de adesão crescente,
como é o caso do futsal, que
também já mobiliza multidões.
Os atletas, todos os atletas do
Benfica, sabem bem da importância das suas atitudes e das
suas palavras, como exemplo
para as várias camadas da
população e, muito particularmente, para os jovens. São, portanto, aliados naturais do trabalho da Fundação e um recurso
precioso que o Clube coloca à
disposição da sociedade em
geral para promover a sua
melhoria contínua, a coesão e a
justiça social.
É isso mesmo que se faz em
todos os projetos desenvolvidos
pela Fundação, em nome da
solidariedade benfiquista, mas é
vincado de uma forma muito
especial no projeto cuja designação, no fundo, diz tudo: o Benfica faz bem…
E faz mesmo!"
Jorge Miranda, in O Benfica
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