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domingo, 14 de junho de 2026

Vantagem

Benfica 3 - 2 Sporting

Vitória apertada, numa partida onde fomos superiores, quase sempre, com os golos do Sporting a aparecerem contra a corrente, mas que obrigou ao Benfica terminar o jogo a sofrer!

Será importante vencer na Quarta, e marcar terreno, levar esta Final para uma potencial negra é muito perigoso!

Marco Silva


"Gosto de Marco Silva. Não precisa de apresentações nem de campanhas de marketing para justificar a sua escolha. É, sem dúvida, um bom treinador.
Mas chega também ao Benfica num dos momentos mais delicados do clube. É o sexto treinador em apenas cinco anos. Um número que, por si só, diz quase tudo o que há para dizer sobre a forma como o futebol do Benfica tem sido gerido.
Marco Silva terá de recuperar uma equipa que vem de uma época dececionante, gerir a pressão permanente de um clube que vive da exigência da vitória e enfrentar uma massa associativa cada vez mais impaciente perante a distância entre o investimento realizado nos últimos anos e os resultados alcançados.
E é aqui que surge a verdadeira questão: quando chegarem as primeiras tempestades, as palavras de apoio de Rui Costa manter-se-ão? É que os discursos de confiança têm sido abundantes e repetidos, treinador após treinador. A paciência, é que não.
Marco Silva merece tempo. Merece condições.
Ontem, Rui Costa assumiu que Marco Silva não era a primeira escolha. É verdade, e isso em nada diminui o currículo de Marco Silva. O que Rui Costa não disse é que a primeira opção foi Ruben Amorim, e não José Mourinho. Há muito tempo que Rui Costa não queria Mourinho. O Real Madrid foi uma bênção.
Dito isto, Marco Silva até podia ter sido a sexta opção. Continua a ser um bom nome e já se percebeu que vive bem com isso. Esperemos que tenha o apoio e uma estrutura competente e capaz à sua volta, algo de que os seus antecessores não tiveram.
Já agora, se o director de comunicação puder fazer prova de vida durante toda a época, e não apenas de ano a ano na aprensentacao dos novos treinadores, isso também ajudará."

Mensagem...

Chamem a polícia...

Rola a Bola - Especial Mundial...

Kanal: Tamos Juntos...

Terceiro Anel: Marco Silva...

Concerto de Balneário | Ana Bacalhau e as Pentacampeãs Nacionais de Andebol

Zero: Mercado - Leão entre Palhinha e Altimira

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Um banho de multidão para Portugal ultrapassar o jetlag

Observador: E o Campeão - Pode o México ser a grande surpresa deste Mundial?

Marco Silva apresentado


"A apresentação do novo treinador do Benfica é o destaque nesta edição da BNews.

1. Ambição
No Museu Benfica – Cosme Damião, Marco Silva partilha o que sente: "A honra, o orgulho e a responsabilidade. É o maior desafio da minha carreira. Quem entra nesta casa tem de acreditar que está aqui para ser campeão." E acrescenta sobre a Liga Europa: "O Benfica tem de ser um candidato. Sem dúvida."

2. A conhecer os cantos à casa
Marco Silva fez a primeira visita ao Estádio da Luz enquanto treinador do Benfica, onde visitou as áreas dos vários serviços de suporte, o espaço onde laboram os meios de comunicação do Sport Lisboa e Benfica e o estúdio da Benfica FM.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Em vantagem
O Benfica ganhou ao Sporting por 2-1 no jogo 1 da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal.

5. Em desvantagem
No jogo 3 da final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol, o Benfica foi derrotado pelo FC Porto (87-63). Disputada à melhor de 5, o Benfica perde 1-2.

6. Jogos do dia
Na Luz, às 15h00, começa a final dos play-offs do Campeonato Nacional de hóquei em patins no masculino entre Benfica e Sporting.
Às 21h00, a equipa feminina de futsal do Benfica visita o Nun'Álvares. Em caso de triunfo benfiquista, as águias sagram-se campeãs nacionais.

7. Em destaque em Toulon 
Vários jogadores do Benfica ajudaram Portugal a chegar à final do prestigiado torneio para seleções Sub-20, entre os quais João Rego, que bisou.

8. Campeonatos da Europa de canoagem de velocidade
Acompanhe, no Site Oficial, a prestação dos canoístas do Benfica. Fernando Pimenta alcançou o bronze em K1 1000 metros.

9. Cosme Damião faleceu há 79 anos
A efeméride foi assinalada ontem."

O meio-campo e a fórmula 1+3


"Uma forma de potenciar ao máximo Vitinha, João Neves, Bernardo Silva e Bruno Fernandes

Diz o ditado futebolístico que os jogos se ganham no meio-campo. Independentemente da opção por um estilo de jogo mais direto ou mais associativo, por norma, quem controla melhor as ações sobre o corredor central tende a estar mais próximo da vitória.
Olhando para todas as seleções presentes neste Mundial 2026, parece-me claro que Portugal tem o meio-campo mais inteligente, complementar e potencialmente decisivo de todo o certame.
Um meio-campo capaz de proporcionar inúmeras soluções técnico-táticas a Roberto Martínez, mas que, a meu ver, deveria operar a partir da fórmula 1+3: sendo Vitinha o médio mais defensivo, Bernardo Silva o médio interior direito, Bruno Fernandes o médio centro e João Neves o médio interior esquerdo.
Esta configuração, além de potenciar a utilização de uma dupla de avançados (beneficiando Portugal na chegada às zonas de finalização), seria ideal para extrair o melhor rendimento de cada um dos quatro principais médios da seleção portuguesa. Tanto do ponto de vista individual como do ponto de vista coletivo.
Vitinha e Bernardo Silva seriam os principais dínamos da fase de construção e da fase de criação. Perfilados lado a lado ou em posições mais assimétricas, nos half spaces ou em linhas diferentes mediante o que fosse necessário, seriam garantia de qualidade, critério e limpeza na forma como Portugal sairia a jogar apoiado desde trás.
Bruno Fernandes e João Neves, pese embora as diferentes características e capacidades inatas, têm ambos uma forte apetência para chegar às zonas de finalização. E teriam muito mais liberdade e facilidade em avançar até às mesmas estando menos envolvidos na fase inicial do momento ofensivo lusitano.
Com esta fórmula 1+3, Portugal poderia finalmente passar a ter jogo interior e um ataque posicional que favorecesse as características dos médios lusos, bem como a conexão com a dupla de avançados e a ligação com o jogo exterior dado pela projeção dos laterais.
E no momento defensivo, quem iria defender?
Acredito que melhor forma de defender é saber ter bola e impedir que o adversário a tenha. Com um ataque organizado e posicional funcional, alicerçado por este meio-campo 1+3 inteligente e criterioso, Portugal teria sempre os jogadores bem posicionados e com as distâncias ideais para reagir rapidamente à perda de bola e evitar transições defensivas que obrigassem a correrias de 50 ou 60 metros para trás."

O mês em que voltamos a ser crianças


"Começou o Mundial. Nas próximas semanas, o mundo voltará a parecer maior e mais pequeno ao mesmo tempo. Maior, porque cabem nele todos os sonhos. Mais pequeno, porque cabem todos dentro de uma bola.

Começou o Mundial. E, como acontece, de quatro em quatro anos, o mundo voltou a fingir que é uma aldeia. Durante um mês, as fronteiras tornam-se linhas desenhadas a lápis, as diferenças políticas escondem-se atrás das bandeiras e milhões de pessoas que nunca se cumprimentariam na rua partilham o mesmo nervosismo perante uma bola que rola.
Será o último de Cristiano. O último de Messi. O capítulo final de uma história que nos acompanhou nas últimas duas décadas. Há crianças que aprenderam a ler quando eles já eram os melhores do mundo. Há adultos que envelheceram ao ritmo dos seus golos. E agora chegam aqui como os velhos pistoleiros nos filmes do Oeste. Ainda perigosos. Ainda respeitados. Mas já acompanhados pelo rumor da despedida.
Nenhum Mundial começa apenas no presente. Começa também na memória.Cada adepto transporta consigo um álbum invisível. Pelé a correr numa fita que começa a preto e branco e que continua num filme a cores. Maradona a desafiar a lógica e os deuses. Romário e Bebeto abraçados como dois gémeos de mães diferentes. Zidane a rodopiar em versos escritos num relvado. Os Mundiais não pertencem ao calendário. Pertencem à infância.Talvez seja por isso que continuamos a amá-los. Porque nos devolvem uma versão de nós próprios que julgávamos perdida.
Durante quatro anos somos pessoas demasiado ocupadas para visitar a criança que um dia fomos. Pagamos contas. Cumprimos horários. Fazemos promessas que não cumprimos. Carregamos preocupações que não acabam. Depois chega um Mundial e voltamos a ter dez anos. Voltamos a acreditar que um remate pode mudar uma vida. Que um golo aos 90 minutos pode corrigir uma injustiça antiga. Que o impossível não é uma palavra definitiva.
O Mundial é uma máquina de fabricar a beleza da infância dentro de adultos que se esqueceram como se sonha. E talvez seja por isso que perdoamos tanto. Perdoamos a hipocrisia. Perdoamos os discursos vazios. Perdoamos os dirigentes que falam de igualdade enquanto se ajoelham perante o dinheiro. Perdoamos uma organização que há muito escolheu dormir ao lado do poder. A FIFA muda de cenário, muda de slogan, muda de anfitriões, mas mantém uma estranha vocação para confundir influência com virtude e riqueza com mérito. Sabemos tudo isso.
Sabemos demasiado. Mas também sabemos que existe um instante em que a cerimónia termina, os discursos desaparecem e a bola começa a rolar. Nesse momento, a política perde volume. Não desaparece. Nunca desaparece. Mas fica em silêncio. E então entra em campo a parte mais poderosa da humanidade. A imaginação. Porque o futebol é uma das poucas coisas capazes de unir o sol e a sombra. A beleza e a miséria. O cinismo e a inocência. O negócio e a arte.
Durante um Mundial, um rapaz desconhecido pode tornar-se eterno numa tarde. Um país pequeno pode desafiar um império. Um remate pode transformar-se numa recordação que sobreviverá décadas.
É por isso que continuamos aqui. Não por Infantino. Não pelos patrocinadores. Não pela falsidade e hipocrisia nos bastidores do poder. Estamos aqui por aquele instante raro em que o coração chega antes da razão.
Estamos aqui porque ainda acreditamos nos heróis, mesmo sabendo que são humanos. Estamos aqui porque o futebol continua a ser a mais bela desculpa para sonhar acordado.
E porque, algures entre a corrupção dos homens e a pureza da bola, existe um território onde a infância resiste.
Começou o Mundial. Nas próximas semanas, o mundo voltará a parecer maior e mais pequeno ao mesmo tempo. Maior, porque cabem nele todos os sonhos. Mais pequeno, porque cabem todos dentro de uma bola."

A moda tem quase sempre racional


"O Mundial arrancou e da melhor maneira para aqueles que odeiam as novas modas e, de certa forma, também o futebol moderno. O México colocou-se na frente aos 9' e, assim que a bola entrou, as câmeras foram à procura de Sphephelo Sithole, que tinha cometido o grave erro que tudo precipitou.
Os adeptos do chutão, alguns deles também chutões no seu tempo, terão logo ido às redes sociais mostrar os dentes. Outra vez? — terão perguntado. Amigos, vocês chutavam porque não tiveram um treinador que achasse que poderiam evoluir, estes tiveram, só que, como todos, cometem erros. É tão simples quanto isso.
E o erro nasce da estratégia e não da moda. Hugo Broos, treinador belga da África do Sul, quis dividir os aztecas, criar espaço entre linhas e, sobretudo, projetar os alas. Mas não se joga sozinho e o velho lobo Javier Aguirre terá estudado bem o adversário, apresentando um 4x4x2 no momento sem bola que bloqueava esse atrair para ferir e gerava também um redemoinho pressionante perto da área.
É aí que surge o médio Sithole, de costas para a pressão, sem espreitar o ângulo morto antes de receber. Gatilho para o rival assim que se mostrou ao seu guarda-redes, tornou-se depois presa fácil pelo primeiro toque, realmente deficiente. Daí até ao golo de Julián Quiñones foi tudo demasiado rápido.
A estratégia só se tornou inadequada a partir do momento em que houve contra-estratégia. E a esta os sul-africanos não reagiram. Ronwen Williams estava de frente e podia ter diminuído o risco com um destinatário mais projetado. Ou então chutado para a frente, que, na prática, era também reconhecer que essa batalha estava ganha pelos mexicanos."

Viver na terra do XL


"PALM BEACH — Aterra-se nos Estados Unidos com a ilusão de que o cinema exagera. Duas horas depois de circular pelas avenidas da Florida, a caminho do quartel-general de Portugal, percebe-se que Hollywood é, afinal, um retrato minimalista. Por aqui, a moderação é um conceito europeu sem visto de entrada. Tudo, absolutamente tudo, é desenhado à escala do impensável.
Se na Europa conduzimos carros, aqui os locais tripulam autênticos couraçados de asfalto; as pick-ups normais têm o tamanho de camiões e as motas que rugem junto aos semáforos parecem naves espaciais sobre duas rodas.
É o triunfo do gigantismo norte-americano, uma filosofia de vida onde o tamanho não é apenas um detalhe, mas sim uma declaração de poder.
Esta cultura do excesso estende-se ao prato com uma violência calórica desconcertante. Entrar num restaurante em Palm Beach para pedir um almoço rápido é receber uma bandeja que alimentaria uma equipa de futebol americano da Florida.
As doses são monumentais, os bifes parecem desafiar as leis da física e as bebidas — mesmo o mais inocente café ou refrigerante em tamanho pequeno — chegam à mesa em baldes de plástico que obrigam a usar as duas mãos.
Há um orgulho indisfarçável nesta estética do XL, uma obsessão pelo desperdício que choca o recém-chegado e fascina o cronista.
Até a forma como os americanos comunicam segue esta bitola hiperbólica. Não há conversas em surdina; tudo é projetado com uma expressividade ruidosa, um entusiasmo sonoro onde cada banalidade do quotidiano é saudada como se fosse a descoberta da pólvora.
É neste cenário de proporções bíblicas que a nossa Seleção Nacional vai ter de se movimentar nas próximas semanas. Portugal, um país moldado no detalhe e na contenção, terá de saber manter a identidade no meio deste turbilhão onde o ego e as porções competem pelo mesmo espaço.
Para vencer na América, os comandados de Roberto Martínez não precisam de engolir doses XL, mas vão ter de jogar à escala deste país: gigantes. Vai dar Portugal!"

Será que o torto se endireita?


"1. Omar Artan
Muito já foi dito e escrito sobre o jovem árbitro da Somália. Um dos melhores valores africanos, com imensa experiência internacional, sobretudo ao nível das competições de clubes da CAF, mas também a mostrar qualidades na fase final da CAN-2025, que se disputou há meio ano em Marrocos.
Sem surpresa designado, há três meses, para integrar o contingente continental de juízes para o Mundial. Repito, há três meses. Um tempo de construir sonhos, respirar futebol, preparar corpo e mente para a exigente tarefa de dirigir encontros nas Américas.
Um sonho tornado realidade, que Artan nunca escondeu ser o objetivo de uma vida e de uma carreira profissional.
A FIFA tem, nos seus oficiais, uma das classes mais importantes e decisivas para dignificar as principais competições e, para mais, um Mundial reforçado em número de equipas, de países organizadores, de cidades e de estádios. Tem obrigação de cuidar dos seus árbitros de modo transversal e inequívoco.
Independentemente da intransigência dos processos de admissão de estrangeiros em território dos EUA, competiria sempre ao organismo gestor do futebol mundial a responsabilidade de assegurar que todos os seus integrantes do setor da arbitragem teriam salvo-conduto para ultrapassar burocracias.
Se é verdade que, em comparação com o que sucedeu há oito anos, na Rússia (Vladimir Putin liberou fronteiras para permitir uma verdadeira festa do futebol mundial), Donald Trump fecha o país a sete chaves e coloca em causa a credibilidade do segundo maior evento desportivo mundial (e, atenção, em 2028 o primeiro terá lugar em… Los Angeles!), é igualmente certo que a imagem de Gianni Infantino sai muito chamuscada desta situação. E ainda estamos apenas no terceiro dia de Mundial…

2. Claudia Scheinbaum
Para muitos, terá sido um incidente diplomático. Para todos, foi uma surpresa. E uma bofetada de luva branca à FIFA: a presidente do México não esteve no Estádio Azteca, para a partida inaugural do Mundial, entre a equipa do seu país e a África do Sul. Preferiu, de acordo com o seu gabinete, juntar-se à população mexicana anónima, vendo o jogo e celebrando a vitória da tricolore num centro desportivo comunitário.
É, evidentemente, um sinal, um poderoso sinal dado por Claudia Scheinbaum, num momento em que as relações entre México e Estados Unidos da América já conheceram melhores dias, e em que o Mundial tem acrescentado pepitas de discórdia entre os organizadores, justamente devido à política diversa de admissibilidade de estrangeiros nos respetivos países, para diversas funções na competição.
Scheinbaum já não gostara da atribuição, à sua frente, em Washington, do FIFA Peace Prize a Donald Trump, manifestando visível desconforto.
Encontrou agora, na legitimidade do seu exercício presidencial, o modo ideal de mostrar à FIFA que há múltiplas formas de celebrar o belo jogo. Infantino, sozinho na primeira fila da tribuna, ganhou mais um motivo para começar a questionar algumas das ações pelas quais se responsabiliza.

3. João Pinheiro
Aproxima-se a estreia do mais cotado árbitro português da atualidade. João, Bruno e Luciano, o trio inseparável, será muito brevemente designado para o seu primeiro jogo. A ansiedade sobe, na exata medida e proporção da dimensão mundial da competição.
É natural que, respeitando a neutralidade continental que tem caraterizado Pierluigi Collina, o primeiro encontro da equipa de arbitragem portuguesa seja entre seleções não europeias, o que fará com que Pinheiro regresse ao Chile, onde apitou, o ano assado, na fase final do Mundial de sub-20.
A presença do árbitro português será, evidentemente, bem recompensada do ponto de vista financeiro. É um ponto alto de carreira para profissionais altamente treinados e especializados, com dimensão e visão mundiais, e de alcance global.
Portanto, e na exata medida das previsões financeiras muito favoráveis já reconhecidas pela FIFA, era só o que faltava que os árbitros não fossem bem pagos.
Terão de o ser, e é muito bom que a tripla lusa ganhe ainda mais, com acréscimos previstos para os juízes que dirigirem partidas da fase a eliminar (a partir dos 16 avos de final), porque isso, evidentemente, significaria o prolongar do trilho de sucesso e competência na fase final do Mundial das Américas.
Tudo o que João Pinheiro já conseguiu ilustra bem o princípio de que o esforço e a dedicação, aliados a um profundo estudo teórico e a uma condição física de atleta de alto rendimento, são referência e caminho. Devem ser motivo de orgulho para os portugueses, exatamente como a sua seleção ou os seus ídolos do pontapé na bola. O apito nunca será menos importante.

4. Cristiano Ronaldo
Portugal, nos últimos anos, tem um problema: confunde gratidão com lucidez.
Cristiano Ronaldo, como já múltiplas vezes escrevi e disse, é, para muitos, o melhor jogador da História do futebol e, para todos, será sempre um dos melhores.
É um atleta de eleição, pelo modo como tem gerido a sua carreira e por chegar aos 41 anos com uma vitalidade que muitos trintões (ou até mais jovens…) já não têm para o alto rendimento.
CR7 é uma marca. No campo, fora dele, no marketing, na publicidade, no planeta futebol, nas redes. Incontornável, única, indissociável de um ícone do desporto mundial.
Ninguém o nega, nem tem como negar. Só temos, enquanto amantes do desporto-rei, de nos sentir recompensados por tudo o que o astro madeirense construiu, ao longo da sua brilhante carreira.
Posto e dito isto, do ponto de vista competitivo, Cristiano já não é a mais-valia que, durante muitos anos, constituiu para o onze português. É um pilar de balneário e uma fonte de agregação e motivação, mas isso não quer dizer que tenha de ser titular.
Fica evidente, em diversos momentos de demasiados jogos, que Portugal é mais fluido e oferece diferentes possibilidades de exponenciar características de outros grandes jogadores, quando o avançado do Al Nassr não está em campo.
Será sempre um ótimo trunfo, uma explosão de alegria para a equipa e de respeito para os adversários, se jogar trinta a quarenta minutos. Sublinho: não creio que se justifique, neste momento e com o grupo à disposição de Roberto Martínez, a sua titularidade.
Tenho, porém, quase a certeza que a terá. Mas gratidão não pode, por si só, rimar com lucidez."

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Não é falta de ambição nem excesso de proteção. É formação


"Parece existir a ideia de que ensinar significa eliminar o erro, quando, na realidade, ensinar implica precisamente ajudar a criança a compreendê-lo, aceitá-lo e crescer através dele.

Na formação desportiva existe um erro que se tem tornado cada vez mais frequente: confundir desenvolvimento com rendimento imediato.
Quem coloca a aprendizagem acima da classificação é frequentemente acusado de proteger demasiado as crianças ou de revelar falta de ambição.
No entanto, talvez a questão deva ser outra: será que sacrificar oportunidades de aprendizagem para ganhar mais cedo é realmente ambição?
Colocar o desenvolvimento acima do resultado não significa retirar valor à competição. Os jogos continuam a existir, as equipas continuam a querer ganhar e as derrotas continuam a gerar frustração. Nada disso desaparece.
A diferença está no peso que lhes atribuímos.
Uma derrota continua a ser uma derrota, mas não tem de definir tudo. Um erro continua a gerar frustração, mas não tem de definir a criança nem o seu valor.
Hoje, qualquer contexto onde exista tolerância ao erro, paciência perante o processo ou preocupação com o desenvolvimento individual tende a ser rapidamente interpretado como excesso de proteção. Parece existir a ideia de que ensinar significa eliminar o erro, quando, na realidade, ensinar implica precisamente ajudar a criança a compreendê-lo, aceitá-lo e crescer através dele.
O erro não representa uma falha do processo de aprendizagem; faz parte dele.
Uma criança que experimenta, toma decisões, falha e volta a tentar está exatamente a viver aquilo que deveria viver naquela fase do desenvolvimento. É através dessas experiências que constrói competências, ganha confiança, desenvolve autonomia e aprende a lidar com desafios.
Retirar o erro do processo não acelera a aprendizagem. Muitas vezes, limita-a.
Por isso, tolerar o erro não deve ser confundido com excesso de proteção. Proteger seria retirar a criança da dificuldade, evitar que enfrentasse desafios ou impedir que lidasse com a frustração inerente a qualquer processo de aprendizagem.
Formar é diferente.
Formar implica criar condições para que a criança experimente, falhe, reflita e tente novamente, compreendendo que a evolução raramente acontece de forma linear.
Da mesma forma, não colocar o resultado no centro de tudo também não significa falta de ambição.
Falta de ambição seria desistir de melhorar, aceitar a estagnação ou não exigir evolução.
Quem acredita verdadeiramente na formação quer ganhar e prefere ganhar a perder, como qualquer pessoa competitiva.
A diferença está em não permitir que a vontade de vencer hoje se sobreponha ao desenvolvimento de quem ainda está a aprender.
Porque quando o resultado imediato se torna prioridade, muitas vezes reduzem-se oportunidades, limita-se a experimentação, condiciona-se a tomada de decisão e acaba por se ensinar menos para ganhar mais.
Importa também olhar para uma ambição que muitas vezes passa despercebida: a ambição da própria criança.
A vontade de aprender. De melhorar. De ultrapassar dificuldades. De conseguir amanhã aquilo que hoje ainda não consegue fazer.
Nem sempre a ambição do adulto coincide com a necessidade da criança.
Talvez seja precisamente aí que resida o verdadeiro desafio da formação.
Não ganhar cedo. 
Mas formar crianças que continuem a aprender, a persistir e a gostar do jogo muito depois do resultado final.
Porque talvez o maior sucesso da formação não seja a criança que ganha cedo, mas aquela que continua a querer aprender anos depois."