Últimas indefectivações

domingo, 31 de maio de 2026

Primeiro passo...

Leões Porto Salto 0 - 4 Benfica

Vitória mais fácil do que seria espectável, só com 0-2 no marcador, o Benfica deu algumas abébias, e o adversário podia ter reduzido, mas o 0-3 matou o jogo...
Agora, na Luz, fechar a meia-final!

PS: Na Final feminina, depois da derrota na Luz, empatamos a Final fora de casa. O jogo foi equilibrado, mas o Benfica foi claramente o mais objetivo! O jogo fica marcado por mais uma arbitragem vergonhosa, já vamos em 3 penalty's assinalados contra, em dois jogos, e nenhum deles devia ter sido marcado! A expulsão da Angélica, que a retira do jogo 3, foi a cereja em cima do bolo!!! O que se passou na bancada a seguir, e a reação da Angélica e da Maria, é o ambiente que se vive no desporto em Portugal, principalmente quando o Benfica está a jogar... um autêntico vale tudo!!!

Iniciados - 13.ª jornada - Fase Final

Benfica 3 - 1 Sporting
Lima(2), G. Tavares


Vitória justa, numa partida onde começamos a perder, e só conseguimos materializar a reviravolta perto do fim...

Apesar da época irregular, estamos na luta! Fundamental ganhar em Braga na próxima jornada...

Segunda vitória, na terceira etapa do circuito Mundial !!!

Parabéns, Campeões Europeus!


"O Sport Lisboa e Benfica felicita João Neves e Gonçalo Ramos pela conquista da Liga dos Campeões, o segundo título europeu de clubes das suas carreiras.
Mais uma conquista de enorme prestígio para dois atletas formados no Benfica Campus, cujo percurso constitui motivo de orgulho para todos os Benfiquistas e um exemplo da excelência do trabalho desenvolvido na formação do Clube.
Ao João Neves e ao Gonçalo Ramos, o Sport Lisboa e Benfica endereça os mais sinceros parabéns por mais este marco nas suas carreiras."

Plantéis....

Que pena!!!

Entre Wembley e o Jamor


"O futebol passa a vida a prometer milagres. A maior parte das vezes não cumpre. É por isso que, quando um acontece, a memória trata de o guardar num lugar especial.
Esta semana chegou à Netflix um documentário sobre Vinnie Jones e o velho Wimbledon. Uma equipa que parecia saída de um romance escrito à pressa, entre cotoveladas e joelhadas. Em 1988, aquele grupo de rebeldes entrou em Wembley para disputar a final da FA Cup contra um Liverpool que era muito mais do que uma equipa. Era uma potência, uma certeza, uma máquina habituada a transformar favoritismo em vitórias. O Wimbledon era apenas uma possibilidade remota.
Noventa minutos depois, o impossível tinha acontecido. John Motson, comentador da BBC, encontrou as palavras que ficariam gravadas para sempre na história do futebol inglês: «The Crazy Gang have beaten the Culture Club.»
Talvez seja essa a função mais nobre das taças. Recordar-nos que o futebol não pertence apenas aos ricos, aos poderosos ou aos habituados a vencer. Pertence também aos que chegam sem convite e recusam sair sem deixar marca.
Dias antes, em Portugal, o Torreense fez algo ainda mais extraordinário do que o Wimbledon. Uma equipa do segundo escalão venceu o Sporting. Venceu o então detentor do troféu. A equipa que tinha sido bicampeã.
Não foi apenas uma vitória. Foi uma interrupção da ordem estabelecida. Um daqueles momentos em que o futebol contraria a lógica para abraçar a imprevisibilidade que lhe dá o seu lado mágico.
Enquanto muitos procuravam explicações para a derrota do favorito, Torres Vedras celebrava o dia mais bonito da sua história desportiva. Foi Carnaval em maio. Havia abraços que demoravam tempo a terminar. Havia lágrimas que não eram de tristeza nem de alegria, mas daquela mistura rara que nasce quando um sonho antigo ganha forma diante dos olhos de cada adepto.
No dia seguinte, como quase sempre acontece por cá, falou-se muito mais do gigante que caiu do que do pequeno que voou. Discutiram-se erros, responsabilidades, estados de alma e futuros incertos. Procuraram-se culpados com a mesma rapidez com que se esqueceram heróis.
É um hábito muito português. O futebol vive sempre aprisionado na narrativa dos três grandes. Com protagonistas imutáveis e figurantes ocasionais. Quando um dos grandes perde, a derrota ocupa o palco inteiro. Quando um dos pequenos realiza uma proeza, recebe apenas o espaço que sobra. Muitas vezes, pouco mais do que uma nota de rodapé.
Mas a beleza desta história não está no sofrimento de quem perdeu. Está na coragem de quem acreditou. Não existe entre nós um Vinnie Jones. Nem um Crazy Gang. Mas há um Stopira, com a mancha vermelha no cabelo, num sinal de rebeldia contra a monotonia. Há jogadores que passaram a vida longe dos grandes holofotes. Há treinadores, como Luís Tralhão, recheados de competência, que trabalham sem microfones a amplificar cada uma das suas palavras. E existem adeptos que atravessam anos inteiros alimentados só pela esperança.
São eles os verdadeiros guardiões da alma do futebol. Porque o futebol não vive apenas dos milhões, das audiências ou das marcas globais. Vive também das pequenas terras onde ainda se vai ao estádio por amor e não por moda. Vive dos campos onde se sonha sem garantias. Vive das equipas que raramente chegam, mas que, quando conseguem, deviam transformar-se numa história jamais esquecida no desporto daquele país e não apenas do clube que alcançou tamanha proeza.
O Wimbledon teve direito ao seu documentário. O Torreense, provavelmente, não terá. Nem mesmo numa plataforma nacional. E bem que merecia, Mas isso não altera o essencial. Durante uma tarde, desafiou o impossível e venceu-o.
E há vitórias que não precisam de uma plataforma de streaming para serem eternas. Basta-lhes um lugar na memória de quem ainda acredita que, de vez em quando, David pode olhar para Golias e recusar-se a ter medo."

Benfica: Bernardo Silva devia dizer tudo de uma vez


"De promessas por cumprir está o futebol cheio e já era tempo de o próprio jogador acabar com o assunto. Está no pleno direito de adiar o regresso, mas meias palavras não chegam

De mês a mês, ou até menos, seja qual for o contexto de uma intervenção pública de Bernardo Silva, o tema Benfica vem, invariavelmente, à baila. Até o jogador já admitiu estar cansado de um tema recorrente ao longo dos últimos largos anos e sobre ele já nem há muito de novo para dizer: Bernardo Silva foi despachado sem qualquer sentido em 2014, Bernardo Silva é benfiquista fervoroso e quer, um dia, voltar.
O grande erro foi, em 2023, ter colocado prazos concretos para que isso viesse a acontecer, garantindo que era seu objetivo regressar com 32 anos. Vai cumpri-los em agosto próximo e ainda não será desta, com o passe na mão, que regressará. O apelo do Barcelona é muito forte e Bernardo está, obviamente, no seu pleno direito de decidir o que quer para a sua carreira. Não querer trocar o brilho da Liga dos Campeões e das melhores ligas europeias pelas cinzentonas pré-eliminatórias para ter acesso à Liga Europa é um argumento totalmente plausível, até porque o internacional português ainda joga como poucos e está bastante longe de estar, sequer, perto da fase descendente.
O Benfica é, hoje, a terceira força em Portugal, a menos de um mês da pré-temporada nem sequer se conhece o treinador, num processo preso por eleições no... Real Madrid. É compreensível que Bernardo não queira correr o risco de o entusiasmo pelo regresso rapidamente ser convertido em cobrança. O médio é, ainda, um jogador notável, mas só funcionaria integrado num contexto de estabilidade e de equilíbrio que os encarnados não conhecem há muito tempo e que fez, por exemplo, com que o retorno de Di María não tenha funcionado em pleno.
Na relação Bernardo-Benfica seria necessário estancar já a ferida que começou a abrir pelas promessas adiadas e isso só poderá acontecer com uma explicação coerente e lúcida por parte do jogador, que devia parar de alimentar o assunto ou, de uma vez, dizer a verdade toda, isto é, explicar, por A+B, porque é que não quer voltar de imediato. Bernardo Silva é um dos maiores talentos que saíram do Seixal, é voz reconhecida dentro do universo do clube e tem estatuto mais do que suficiente para assumir aquilo que quer para a carreira. Já de nada vale estar a remexer num passado que toda a gente conhece e a mágoa por não ter tido a oportunidade que merecia devia estar guardada numa gaveta. É que, ao pisar e repisar-se o assunto, começa a pairar no ar algum cheiro a azedume."

Uma bela Sena de Trunfo


"Cristiano, Messi, Modric, Ochoa, Neuer e Salah terminarão a sua participação em fases finais de Campeonatos do Mundo de futebol, depois de um percurso brilhante, dourado, emoldurado. Livre e Direto é o espaço de opinião de Rui Almeida, jornalista

Conquistar um lugar ao Sol é cada vez mais difícil no planeta Futebol. Se é verdade que a difusão da qualidade e a despistagem do talento é cada vez mais universal, é igualmente certo que a competitividade e a concorrência aumentaram na direta proporção da transversalidade do jogo, da sua globalização e compreensão.
Há gerações inesquecíveis e, quando se fala de futebol ao mais alto nível, importa ter memória. O tempo é o que dele fazemos, e dar tempo ao tempo é o melhor conselho para os mais novos, habituados ao mediatismo e ao imediatismo do consumo direto, sem filtros, mas, também, sem outro registo que não seja o do confronto de números, estatísticas e críticas que não puxam o tempo atrás para as necessárias equivalências.
Di Stefano, Puskas, Pelé, Eusébio, Maradona, Beckenbauer, Cruyff, Ronaldo, Ronaldinho. Eleitos pelos Deuses e nomes indissociáveis do belo jogo, da sua História e das suas memórias. Para esse grupo restrito (que poderia, sublinho, incluir mais meia dúzia de nomes), vão entrar, no Mundial-2026, pelo menos mais seis. Uma meia dúzia dourada que terminará a sua participação em fases finais de Campeonatos do Mundo de futebol, depois de um percurso brilhante, dourado, emoldurado.
Desde logo Cristiano Ronaldo, o miúdo madeirense sonhador que conquistou todos os amantes da bola com um perfil único no futebol internacional: uma incomensurável e inigualável capacidade de trabalho, de sacrifício, de conquista e de motivação geracional. Vi-o, em agosto de 2003, na inauguração do novo Estádio José Alvalade, assinar a exibição maravilhosa, pelo Sporting, que levaria ao êxtase os jogadores do Manchester United e, por osmose, Sir Alex Ferguson. Vi-o no primeiro passo de dimensão internacional de uma carreira que viria a comprovar-se única, criando auréola de sucesso e uma marca que ultrapassou… todas as marcas.
Cristiano, cujo primeiro Mundial remonta há 20 anos, na Alemanha, despede-se nas Américas e, com o eterno rival da sua geração, deixará um registo incomparável. Temos sorte, muita sorte, em ter privado, numa mesma geração, com ele (Cristiano) e com ele (Lionel). Porque Messi também apaga a luz celeste da sua seleção neste Mundial, onde defende o título de campeão do mundo conquistado, há três anos e meio, no Qatar.
Messi e a sua magia marcaram a seleção das pampas nas últimas duas décadas. O argentino foi campeão olímpico, campeão continental sul-americano e campeão mundial, mas foi, sobretudo, o definidor do futebol-talento, das botas de arte, dos golos de antologia e dos passes mais perfeitos do que geometria sobre relva.
A rivalidade com Cristiano (mais por parte dos adeptos de cada um dos génios do que propriamente entre eles…), apimentou vinte anos de espetáculo e fez dos retângulos de jogo denominadores comuns de uma cantata especial, apenas reservada aos mais prodigiosos representantes do jogo.
Como Luka, o rapaz de Zadar que poucas camisolas vestiu e que tantas alegrias deu. Do Dínamo Zagreb ao Milan, passando pelo Tottenham, pelo Real Madrid e, claro, com a quadrícula certa da sua Croácia, com o qual foi vice-campeão do mundo há oito anos e terceiro classificado em 2022. Foi sempre à sua Modric, uma moda de rigor, profissionalismo, influência, ligação entre setores, passes interiores, assistências e algumas finalizações.
Foi sempre ele próprio, representando uma fantástica geração de jogadores croatas que bem elevaram o nome do seu país, para mais sendo herdeiro de uma das mais belas escolas de formação de futebol do Mundo, a da antiga Jugoslávia, nas décadas de 70 e 80 do século passado (haja tempo e memória, claro…).
Mas, aos quarentões Cristiano e Modric e ao quase lá chegado Messi juntam-se, nestas linhas de destaque a eleitos do futebol mundial, outros três nomes (e poderiam ser mais). Guillermo Ochoa, o eterno guarda-redes do México, que, como o português Cristiano e o argentino Lionel, fará em casa o seu sexto Mundial, número quase impossível de atingir, e que bem atesta a consistência e a qualidade dos futebolistas que lá chegam.
Ochoa não tem o mediatismo imediato dos craques de Portugal e da Argentina, mas merece uma especial saudação, ainda que a longevidade e a capacidade competitiva seja apanágio de alguém com o seu específico posto de guarda-redes. Tal como, aliás, Manuel Neuer. O gigante alemão, bem digno de uma estirpe única de guardiões que integra Sepp Maier, Harald Schumacher e Oliver Kahn, está de volta à suprema forma que o alcandorou a posições muito próximas de melhor guarda-redes alemão da História.
Apesar da irregularidade de presenças nos últimos dois anos, o estoicismo e a dimensão de animal de campo do guardião do Bayern Munique lançam-no à titularidade da Mannschaft e prometem uma despedida em grande de um dos nomes que mais marcaram, nos últimos vinte anos, as balizas do futebol mundial.
Permitam uma nota, também, para a despedida de Mohamed Salah. Um ano terrível em Anfield Road, marcado por dissensões internas com o próprio treinador Arne Slot, e terminado com o adeus do egípcio à camisola que mais o distinguiu na carreira (a do Liverpool), finaliza nas Américas com o derradeiro Mundial do jogador mais marcante do Norte de África, na última década.
Um ídolo para os egípcios, porventura mal-amado na África subsaariana, um desequilibrador nato, figura incontornável da história recente dos faraós, e que deixará os principais palcos de seleções à espera de um bom resultado de uma seleção que teima em não explodir nas grandes competições intercontinentais.
Cristiano, Messi, Modric, Ochoa, Neuer, Salah. Uma verdadeira Sena de Trunfos, a quem o futebol ficará eternamente grato.

Cartão branco
O sonho, em Torres Vedras, era a subida de divisão e o regresso ao convívio principal do futebol português. Eis como tudo muda numa semana, e o sonho intermédio (com a presença na final da Taça de Portugal) passa a definitivo, a principal, a histórico.
Eis como Luís Tralhão, promovido a timoneiro a meio da época, transforma um balneário de bons jogadores numa fortaleza para uma bela equipa. Coloca cada um a jogar para todos, cada cabeça a pensar por todas e cada mentalidade a produzir para o grupo.
Esse foi o trunfo e o segredo mais bem guardado de Tralhão e do Torreense, até bater o Sporting e assegurar a presença da fase de liga da UEFA Europa League, garantindo oito jogos na competição europeia.
Pelo meio ficou o primeiro sonho. Mas se a equipa do Oeste o continuar a ser, do modo determinado e eficaz com que se apresentou no Jamor, é bem possível que o tal sonho do regresso ao primeiro nível esteja apenas adiado por uma temporada…"

21 dias depois, o naufrágio anunciado


"Há precisamente 21 dias, lancei aqui neste espaço o artigo "O Benfica e a perigosa arte de navegar à vista". Na altura, critiquei a passividade gritante da Luz perante a iminente saída de José Mourinho e a total ausência de um plano estruturado para o futebol do clube. Volvidas três semanas, a passagem do tempo não trouxe respostas, trouxe apenas a confirmação dolorosa de que o amadorismo continua a reinar. O Benfica de hoje é rigorosamente o mesmo de há vinte dias: parado, amorfo e vergonhosamente ultrapassado pela concorrência direta.
Enquanto Sporting e FC Porto se movem no mercado com a agilidade de quem planeia o futuro, antecipando saídas e fechando contratações cirúrgicas como Zalazar ou Doumbia, na Luz assiste-se a um silêncio ensurdecedor. O plantel continua sem rumo e o próximo treinador permanece no limbo dos anúncios por fazer. Estamos totalmente reféns de umas eleições no Real Madrid para conseguirmos resolver o impasse que bloqueia a preparação da nossa própria temporada.
Os poucos defensores que restam a esta direção, divididos entre a cegueira ideológica e a narrativa oficial dos gabinetes, tentam agora justificar este atraso com uma ilusão financeira. Alimentam a tese de que, devido ao final do prazo da famosa cláusula dos dez dias, o Benfica irá receber uma verba a rondar os quinze milhões de euros pela saída de José Mourinho. Pura ilusão. Tal como afirmei anteriormente, o desfecho será uma saída a custo zero, fruto de um acordo amigável que deixará a estrutura encarnada sem argumentos e sem o dinheiro prometido.
Quando essa saída sem custos se oficializar, a longa espera pela contratação de Marco Silva parecerá ainda mais absurda e ultrajante. Sobre Marco Silva, reconheço as suas qualidades como bom treinador, mas a minha preferência sempre pendeu para um perfil muito mais disruptivo. Este plantel e esta estrutura precisam de um abano profundo, de uma revolução que quebre o marasmo atual. Se Rúben Amorim teria essa capacidade é uma incógnita, mas o meu entusiasmo residia em nomes como Carlos Vicens, que colocou o Sporting de Braga a praticar um futebol de excelência e com uma enorme qualidade europeia.
O futuro próximo do clube permanece cinzento e envolto em incertezas. A única certeza absoluta é a de que, se o Benfica acabar por receber alguma contrapartida na saída de Mourinho, esse valor servirá unicamente para alimentar a roda dos negócios cruzados com Jorge Mendes ou para recebermos jogadores excedentários do Real Madrid. Esta é a triste realidade que esta direção nos reserva: a total submissão aos interesses de terceiros em detrimento do sucesso desportivo do Sport Lisboa e Benfica."

Terceiro Anel: Benficando #8

Terceiro Anel: Análise à época...

Zero: Mercado - Dragões querem jóia africana por 30 Milhões

BF: Schjelderup...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Mourinho "empata" Benfica e André Silva volta a ser dragão?

Miguel Cardoso, Pep e Bernardo, mais os jogadores que a Liga revelou


"Faça-se alguma justiça a Miguel Cardoso, que ganhou a Champions africana, com o Mamelodi Sundowns. Em Portugal foi estranhamente (quase) ignorado um triunfo que surge na linha dos grandes - e foram quatro! - êxitos de Manuel José na mesma prova. Além do técnico trofense, de 54 anos, os médios Nuno Santos (ex-Vitória) e Miguel Reisinho (ex-Boavista) também celebram o êxito do emblema sul-africano.
E assinale-se que o adversário na final, o FAR Rabat, do outro extremo do continente, também era treinado por um português, Alexandre Santos. Os técnicos lusos não param de provar competência, mas a nossa visão eurocêntrica também se mantém uma evidência.
Falando de treinadores, não há como fugir ao adeus de Pep Guardiola ao City, tão criativo e emocionante – também nos vídeos criados a propósito - como muitas das suas conquistas. São 20 troféus em dez anos, e sobretudo uma infindável lista de lições e inovações daquele que - apesar do final menos feliz, que a vitória na FA Cup não compensa a perda de mais uma liga - o futebol há-de consagrar como o melhor treinador da história.
E, com ele, sai Bernardo Silva, talvez o jogador que exemplifica o melhor que tem o guardiolismo – exuberância técnica, entendimento superior do jogo, rendimento permanente para o coletivo por diante dos fulgores individuais e momentâneos – e que ficará entre os mais marcantes de uma década sem comparação na vida do clube azul celeste.
A fechar a época, repito o exercício de identificar os jogadores que me surgem como mais promissores e que não integram já os elencos dos quatro principais emblemas da Liga portuguesa. No melhor FC Famalicão da história, que fechou em quinto lugar a despeito da desilusão europeia, destaco três homens com nítidas aptidões para chegar mais alto: o mais óbvio é Gustavo Sá, naturalmente, mas não duvido de que o central Ibrahima Ba e o médio Mathias de Amorim (a quem vale mesmo a pena dar mais atenção) vão igualmente chegar mais alto.
No Gil Vicente, as pérolas partiram em janeiro, Pablo Felipe (sobretudo este) e Andrew. Mas Santi García ainda vai a tempo de subir uns degraus e interrogo-me sempre sobre o que falta a Tidjany Touré para que o seu talento seja regularmente evidente.
A época do Moreirense permitiu comprovar a qualidade indiscutível de Diogo Travassos (muito bem apanhado pelo SC Braga no negócio Zalazar!), mas vale a pena atentar à afirmação de outro produto da formação leonina, o central Gilberto Batista, e perceber quanto pode crescer a seguir o miúdo Afonso Assis, médio refinado, filho de Nuno Assis.
No meio-campo do Arouca não faltou qualidade. Fukui surge como o mais exuberante e o neerlandês Van Ee mostrou-se particularmente fiável. Trezza não é um talento absoluto, mas é um competidor ao melhor estilo uruguaio e com cheiro de golo raro para um extremo. Também gostei de Djouhara, mas foi intermitente.
Em Guimarães não falta gente com futuro largo, promessas de qualidade de jogo e de mais uns bons negócios, que o clube precisa. O que mais me entusiasmava, o esquerdino Diogo Sousa, já foi pescado em antecipação pelo ótimo scouting do Estrasburgo francês. Mas não duvido de que Strata (um dos bons laterais do campeonato), Mukendi, Saviolo e Camara têm também potencial para mais. E quase no fim surgiu Miguel Nogueira, extremo direito de pé trocado, que roubou o palco a Telmo Arcanjo (de quem também gosto).
No Estoril é uma evidência que Begraoui e Guitane estão acima dos demais (e João Carvalho, apesar de mais velho), mas vale a pena atentar também ao lateral Ricard Sanchez e ao miúdo Peixinho, esquerdino de qualidade e que talvez percebamos melhor na época que vem.
O FC Alverca aposta muito em jovens promissores, pelo que é fácil deixar pistas para seguir: o central francês Meupiyou, o lateral nigeriano Isaac James, ou os médios Rhaldney (jogador feito) e Davy Gui (em quem acabaremos por reparar). Chiquinho já todos conhecemos, mas sugiro dar atenção também ao central brasileiro Kaiky Naves, de posicionamento competente e qualidade de construção muito acima da média.
As restantes equipas brilharam menos, mas isso não impediu que Jalen Blesa se afirmasse como um craque definitivo (e finalizador) na segunda parte da época do Rio Ave (já depois das partidas de André Luiz e Clayton) e Miszta voltasse a demonstrar que é guarda-redes para mais.
No Santa Clara, Gabriel Silva é escolha óbvia, mas vale mesmo a pena reparar também na qualidade do médio Serginho, que aos 26 anos ainda está a tempo de chegar a equipas mais fortes. O Nacional não revelou ninguém, que Chucho já era conhecido de todos e Liziero tem cartaz no Brasil. Mesmo assim, gostei de Matheus Dias, o médio defensivo de 24 anos.
O Estrela vendeu Sidny para o Benfica e Ngom para Itália, mas ainda revelou Lekovic, o central da salvação no jogo de Braga.
No Casa Pia, anoto a evolução de Rafael Brito e no Tondela a confirmação de Bernardo Fontes, ele que regressa a Braga, onde poderá ser sucessor de Hornicek. O Aves foi o primeiro a descer, mas não impediu de fazer subir Pedro Lima até Alvalade (e foi bem perspicaz o Sporting nesta escolha). O outro médio brasileiro, Roni, também deixou pegadas de qualidade e o extremo Perea, jovem colombiano, poderá confirmar bons sinais enquanto cresce e amadurece.
E assim se fecha a época, com palavra de enorme louvor para o Torreense, pela inacreditável e lendária vitória na taça de Portugal. E agora venha o Mundial, que não há momento igual para quem gosta mesmo do mais belo jogo."

BolaTV: Entrevista - Paulo Fonseca

ESPN: Futebol no Mundo #569 - Neymar lesionado, Filipe Luís no Monaco e Palace campeão

Simples: Mundial - Grupo E

Simples: Mundial - Grupo D

Simples: Mundial - Grupo C

Simples: Mundial - Grupo B

Simples: Mundial - Grupo A

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #21 - O efeito Havelange

SportTV: Entrevista - Martinez

El fútbol después del fútbol

Throne: How Torreense BROKE Portuguese Football

Chéquia: Jan Koller, o gigante mecânico de tratores que virou goleador e a quem chamavam dinossauro


"Foi parar ao Sparta Praga por acaso e só na Bélgica explodiu como marcador de golos. Com 2,02 metros, Jan Koller começou como guarda-redes, chegou a trabalhar numa oficina mas é, ainda hoje, o melhor marcador da história da seleção da Chéquia.

Na pequena vila de Smetanova Lhota viviam 299 pessoas e um gigante. A caminho dos seus 2,02 metros finais, Jan Koller não passava despercebido na sua terra natal, uma hora e meia a oeste de Praga, onde, diz-se, havia mais vacas do que carros. Koller começou, sem surpresa, a jogar como guarda-redes no clube local e por ali continuou, pouco notado a não ser pelo tamanho, até aos 16 anos, quando se mudou para o não menos modesto Milevsko. Aí um treinador resolveu, num ato de fé, colocá-lo na frente. E dali não mais saiu.
Mas Koller estava ainda longe de imaginar o que aí viria: um título alemão pelo Borussia Dortmund, a titularidade na seleção da Chéquia, o título de melhor marcador da história do seu país, que ainda lhe pertence, com 55 golos em 91 jogos. Nessa altura, o agora avançado ainda ia dividindo os seus dias entre o futebol e um emprego numa quinta, onde arranjava tratores.
O profissionalismo chegou tarde, com apenas 21 anos, já no gigante Sparta Praga, onde começou a jogar por acaso. Num período em que se encontrava na capital checa, precisava de um sítio para continuar a treinar e o clube recebeu-o. Pouco depois deu-lhe um lugar na equipa de reservas. Desses tempos lembrou numa entrevista a um jornal húngaro o seu primeiro carro, “um velho Škoda” que estava proibido de estacionar junto aos automóveis dos restantes jogadores da equipa, “por ser tão feio”. Mas também as dificuldades que sentiu num ambiente em que nem sempre se sentiu bem-vindo: “Tive de aprender praticamente tudo no que diz respeito a ser um futebolista profissional.”
Mesmo sem ser um matador, Koller acabou por ser notado pelo Lokeren da Bélgica, para onde se mudou em 1996, ainda com cabelo. Na última época no clube da Flandres explodiu: 27 golos em 38 jogos. Seguiu-se uma transferência para o Anderlecht, onde continuou a marcar em barda. A imprensa belga cunhou-lhe o apodo “De Helikopter” - o helicóptero - pela forma como pairava acima dos defesas.
Já depois de se ter estreado pela seleção em grandes competições, no Euro 2000, chegou a hora de decidir entre dois grandes campeonatos: a Premier League ou a Bundesliga. O Fulham queria-o em Craven Cottage, mas Koller seguiria para Dortmund, onde já estava o seu jovem compatriota Tomáš Rosický.

O regresso à baliza
No Borussia Dortmund foi campeão logo na primeira época, em 2001/02, num plantel em que conviviam a experiência alemã de Jurgen Kohler e Stefan Reuter com a chispa brasileira de Dedê, Ewerthon ou Márcio Amoroso. E seriam os brasileiros do Dortmund, numa entrevista à ESPN, a revelar que Koller calçava chuteiras número 54. Partiu também do grupo de canarinhos a alcunha pela qual o checo passou a ser conhecido: “Dino”. De dinossauro, claro.
Depois, num tom mais sério, Ewerthon e Amoroso falariam também das qualidades futebolísticas do gigante, que era muito mais do que um cabeceador. De como, apesar da altura e de ser aparentemente desengonçado, Koller conseguia matar bolas no peito na perfeição e criava espaços para os colegas, pensando sempre no coletivo. “Para mim, era o melhor da equipa”, atirou Ewerthon.
No Borussia Dortmund, Koller foi ganhando o estatuto de jogador de culto, mais ainda quando em novembro de 2002 foi chamado a reviver o passado: num encontro frente ao Bayern Munique, Jens Lehmann foi expulso numa altura em que o Borussia já tinha esgotado as substituições. Jan Koller vestiu a camisola de guarda-redes e recuou para a baliza. A sua equipa perdeu por 2-1, mas o checo não sofreu qualquer golo nos 20 minutos em que guardou as redes do Dortmund. Como reconhecimento, foi eleito o guarda-redes da jornada pela revista “Kicker”.
Numa entrevista à mesma publicação, em 2023, Koller recordou a saída algo traumática da Bundesliga, quando em 2006 se mudou para o Mónaco: “A minha família queria uma experiência diferente. Além disso, tínhamos sido roubados cinco vezes em Dortmund e já não nos sentíamos seguros. Eu tinha medo de deixar a minha mulher em casa sozinha quando viajava para os jogos fora.”
No Mónaco não seria tão decisivo quanto em Dortmund ou na seleção da Chéquia, onde fez parelha de luxo com Milan Baroš na frente de ataque no Euro 2004, o pináculo daquela geração que só a Grécia travou nas meias-finais, antes de fazer chorar Portugal. Ano e meio depois voltou à Bundesliga, a um Nuremberga em risco de descer, algo que classificaria mais tarde como “um grande erro”.
Isto porque, de regresso ao Westfalenstadion, e depois de um empate sem golos em casa da sua antiga equipa, Koller foi chamado à bancada sul para receber o carinho dos adeptos do Borussia. Os adeptos do Nuremberga não gostaram, insultaram o jogador e a relação ficou quebrada. Quando se confirmou a descida de divisão, Koller, visto como um dos responsáveis do infortúnio, foi obrigado a meter-se na bagageira do carro da mulher de um colega para escapar da fúria da claque. Com a sua altura, não deve ter sido fácil.
Seguiu-se então uma passagem sem história pela Rússia, no Krylya Sovetov, e pelo Cannes, do terceiro escalão francês, antes do adeus aos relvados em 2012.
Em 2022, foi tema de documentário, de seu nome “Jan Koller - A História de um Rapaz Comum”, ainda que de comum a sua história tenha pouco. Um ano depois, por altura do seu 50º aniversário, revelou à “Kicker” que ser treinador não estava nos seus planos. Trabalhava então como comentador televisivo e como scout em França. Os últimos relatos falam de como tem sido estrela em encontros de lendas do Borussia Dortmund."