Últimas indefectivações

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Vermelhão: Desvantagem no primeiro objetivo...

St. Gallen 2 - 1 Benfica


Não gosto de ter razão, mas no momento da derrota dos Lagartos, no Jamor, previ extremas dificuldades, para o Benfica, nestas eliminatórias! Mesmo antes de saber o adversário, era fácil adivinhar, que um Benfica sem a maioria dos seus titulares, iria sempre ter muitos problemas em competir contra adversários de categoria inferior, mas mais focados por jogarem exactamente contra o Benfica!!!

Foram 9 os ausentes (jogadores que actualmente fazem parte do nosso plantel), praticamente todos titulares, dois estiveram no banco, mas com poucos dias de treinos, mais os outros 4 mundialistas, 1 castigado, 1 adoentado e a nova contratação, ainda fora da convocatória! São demasiados para um jogo oficial... Consequência de vários factores, que começou em Famalicão com o ladrão do apito, e passou pelos calendários absurdos que a FIFA e a UEFA promovem...

Em relação ao jogo, as declarações do Marco Silva no final da partida, foram exemplares! Contra uma equipa especialista na pressão alta, tivemos sempre muitas dificuldades na saída de bola... Nova época, mas voltámos a perder demasiadas bolas em zonas de perigo, oferecendo transições ao adversário... E golos sofridos na sequência direta de erros nossos!!!


Também criámos alguma oportunidades, mas voltámos a ser pouco eficazes... Eu sei que a cassete habitual nestes momentos, obriga a utilização de termos, como falta de atitude e afins, mas muito sinceramente não vi isso! Vi um adversário mais bem preparado fisicamente nesta fase da época, mais rápido e ganhar mais duelos, mas não vi os nossos jogadores a não quererem...

Com um 11 muito diferente daquilo que será o nosso 11 durante a época, tenho que referir o 'problema' Sudakov! Continua a cometer muitos erros, a ser pouco prático, a não segurar a bola quando deve, e ser muito lento a soltá-la quando existe espaço! A jogar assim não será titular... até o Barreiro nesta posição é mais útil!!! Mais um problema para a Direção resolver...

De todos os ausentes, aquele que para mim fez mais falta, acabou por ser o Prestianni, que nesta curta pré-época, quando entrou mudou imediatamente o jogo do Benfica, e hoje o Gouveia até não entrou mal, mas existe uma diferença... Sendo que tendo em conta o tipo de adversário, o Barreiro também fez muita falta!


Em condições normais a eliminatória estaria controlada e o jogo da 2.ª mão na Luz, daria goleada, contra um adversário voluntarioso, mas quando a linha de pressão alta é ultrapassada, abre enorme espaços e que em ataque organizado não preocupa, mas mesmo com a entrada do Araújo e do Dedic, a diferença será 'curta'... os outros mundialistas é que seria importante regressarem, pois ocupam posições deficitárias, mas mesmo que regressem aos treinos nos próximos dias, dificilmente estarão disponíveis!

O BENFICA ESTÁ DE VOLTA! ESPERANÇA EM MARCO SILVA


"1. Não conheço um Benfiquista que não tenha mostrado satisfação pela contratação de Marco Silva. Foi uma boa aposta de Rui Costa.

2. Marco Silva já deu provas de ser tecnicamente um bom treinador. Porém, como bem testemunhámos no passado recente, ser tecnicamente um bom treinador é condição necessária, mas não suficiente.

3. Marco Silva tem uma personalidade forte: que seja exigente com a estrutura, especialmente a do estádio, que imponha uma mentalidade competitiva compatível com uma equipa que quer ganhar competições, que arraste todo o clube para um patamar do qual temos andado há muito afastados.

4. Marco Silva comunica bem, é muito diferente de Mourinho, é verdade, mas, no seu estilo próprio, comunica bem. A excelente conferência de imprensa de ontem foi disso mais um bom exemplo.

5. Marco Silva é um super homem, vai sozinho dar a volta a um texto que tem sido claramente mal escrito? Não, esqueçam isso. O Benfica, todo o Benfica, a começar nos dirigentes, com Rui Costa à cabeça, tem que conseguir estar a um nível muito superior ao demonstrado nas últimas épocas.

6. Por fim, mas não por último, o Benfica não pode continuar a deixar-se comer de cebolada por arbitragens manhosas e com agenda muito bem definida. Essa luta não cabe a Marco Silva, mas todo o seu trabalho, por melhor que ele possa estar a ser feito, irá por água abaixo se a verdade desportiva voltar a ser posta em causa."

Diferenças...

Benfica: duplo xeque-mate


"Ninguém gosta da silly season, mas todos nutrimos algum carinho escondido por ela. É uma espécie de sentimento agridoce e paradoxal que nos assola todos os verões, que apenas o Mundial e o Europeu podem ser capazes de contrariar. Mas quando se deu o apito final em New Jersey e os espanhóis voltaram a ser donos e senhores do futebol, rapidamente voltou a ânsia incontrolável de voltarmos aos nossos clubes, ao nosso conforto e à realidade permanente de um adepto.
Ponto prévio: oficialmente, sou primeiro sócio do Benfica do que cidadão português. Assim sendo, a espera é infelizmente mais curta e contamos apenas quatro dias entre o jogo mais importante do futebol e o jogo mais importante para quem canta Luís Piçarra semanalmente desde criança. Colhemos os frutos do que plantámos coletivamente em outubro do ano passado, acabando por terminar a época transata — mais uma vez — afastados da corrida ao título e com a agravante já conhecida da falta (dos milhões) da Champions.
Escrevo no dia em que o meu clube começa a longa caminhada para chegar à Liga Europa, uma competição onde nos devemos assumir como candidatos à vitória. No papel e na prática, o Benfica tem de estar taco a taco na pole position para voltar a conquistar um título europeu. A memória dos anos 60 é saudável, mas não se pode tornar apenas eterna e deve ser renovada. Essa ambição deve expressar-se mais dentro de campo do que através de proclamações que embandeirem em arco — exemplo máximo é o #VaiDarPortugal da FPF que se revelou uma má escolha comunicacional.
Voltando ao início, todas as pré-épocas têm o poder mágico de nos fazer acreditar. Há dias, ouvia o Alberto Miguéns, historiador incontornável do clube, afirmar que não existiu nenhum ano em que não acreditasse que o Benfica podia ser campeão. É este sentimento que nos corre nas veias e que vai beber à inevitabilidade eternizada por Mário Wilson: «Quem treina o Benfica, arrisca-se a ser campeão.»
É aqui que entra Marco Silva e o verdadeiro desafio que tem em mãos, partindo com a obrigação de se tornar no tal manager que Ruben Amorim diz precisar de ser para aceitar os seus desafios profissionais. Isto porque o Benfica entra em desvantagem desportiva, competitiva, financeira, comunicacional e institucional. É uma corrida desigual em toda a linha e que se agrava desde 2021. Corre por aí uma ideia de que alguns sócios do Benfica se tornaram profetas da desgraça profissionais — tese sobre a qual não posso discordar mais. É por isso que, em mais um dia inicial inteiro e limpo para quem acredita sempre, é importante entender o nosso ponto de partida.
A nossa paixão pelo Benfica exige-nos seriedade sem palas. Caro consócio, caro companheiro de Red Pass, caro colega com quem debato o Glorioso, esta é a reflexão que quero fazer em conjunto. Acredito genuinamente que é a nossa força inexplicável que será capaz de quebrar com o marasmo ao qual temos assistido nas últimas temporadas. Confesso-vos: estou farto de perder por norma e ganhar ocasionalmente. Cresci exatamente ao contrário. Aliás, crescemos todos. Convencidos — e com propriedade — que o Benfica ganhava por norma e perdia ocasionalmente. E é doloroso perceber que essa certeza de infância se transformou, sem darmos por isso, no seu inverso perfeito.
Já não aguentamos a roleta russa institucionalizada em que nos tornámos, onde é impossível prever onde a bola irá cair. Passámos os últimos anos a discutir bolas azaradas nos ferros, arbitragens polémicas e cabalas generalizadas — e a verdade mais desconfortável de todas é esta: os benfiquistas transformaram-se em comentadores de arbitragem porque deixaram de poder comentar títulos. Peço desculpa pela ousadia, mas isto não é o ADN do clube pelo qual todos nos apaixonámos.
E o planeamento desta temporada volta-me a preocupar pelo que revela sobre a forma como decidimos. Esta pré-época deu sinais de dúvida sobre padrões que já conhecemos de cor: contratações que parecem seguir mais o nome e o risco do que a ponderação e a certeza. E é assim, sem darmos por isso, que o maior clube do país se instala permanentemente no fio da navalha, à espera de que o rasgo individual resolva o que a estrutura devia ter resolvido antes.
Há uma definição atribuída a Einstein que descreve a insanidade como repetir exatamente a mesma coisa esperando um resultado diferente. Desde 2021, o Benfica é especialista na matéria. Um recomeço é casual. Dois, talvez ainda se explique. Seis técnicos depois, já não há explicação que resista — são fraturas expostas que não podemos ignorar. Na identidade vencedora. Na capacidade de manter (ou mesmo criar) uma base. Na coragem de dizer 'este fica mais um ano até ser campeão'. Na forma como se recebe quem chega. Na exigência de que ganhar é obrigatório, e não uma cláusula no contrato.
Talvez seja por isso que o maior erro cometido pelo Benfica nos últimos anos tenha sido outro: confundir a fidelidade dos adeptos com um plano estratégico. Não temos forma de saber se Marco Silva vai ser campeão. Sabemos apenas que chega a um clube onde os sócios se habituaram a recomeçar. E nenhum treinador consegue ganhar campeonatos num clube que vive permanentemente em modo de restart. Não existem milagreiros. Há sim oportunidades que só valem alguma coisa quando há quem as saiba aproveitar por cima dele.
E é por isso que esta é, sem qualquer margem para dúvidas, a época do sim ou sim. Não há mais desculpas disponíveis, nem mais recomeços a que tenhamos direito. Quem está no Seixal deve saber, desde já, que o tribunal da Luz assim o ditará — sem piedade, mas também sem ressentimento, porque é assim que se ama verdadeiramente um clube: exigindo dele aquilo que ele nos ensinou a esperar de si próprio.
Precisamos de ver uma Direção mais articulada, capaz de antecipar em vez de reagir, de preparar com critério em vez de correr atrás do mercado. Precisamos de sentir que existe, finalmente, um fio condutor entre o que se promete em julho e o que se entrega em maio. E, enquanto isso não acontece de forma inequívoca, cabe-nos a nós, sócios e adeptos, sermos vigilantes, atentos e exigentes. Mas nunca ausentes — porque estaremos, como sempre, a apoiar do primeiro ao último minuto, do primeiro ao último jogo.
Daqui a poucas horas, o Benfica entra em campo. Vamos sonhar antes de saber se esta equipa é boa. Vamos aplaudir jogadores sobre os quais ainda não temos certezas. Vamos acreditar, como fazemos todos os anos. Mas desta vez, temos a obrigação de exigir uma coisa diferente. Quero acreditar que a nossa fé deixa finalmente de servir para esconder os problemas e volta a servir exclusivamente para empurrar o Benfica. Porque nós fazemos sempre a nossa parte. Está na hora de quem decide fazer a dele.
Quero voltar a viver o tempo em que sentimos que os rivais jogam às damas, confortáveis com as suas falsas certezas, e o Benfica, sem medo e sem pedir licença a ninguém, joga xadrez. De preferência com duplo xeque-mate: Marquês e Frankfurt."

Zero: Mercado - Dortmund olha para Pietuszewski

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Câmara do Porto ao lado do Boavista: o que significa isto?

Observador: E o Campeão é... - Benfica mostra-se "Golias" na estreia de Marco Silva?

Observador: Três Toques - Haaland e Vozinha: quem ganhou o Mundial dos seguidores?

Vozes da Luz #2 - ANÁLISE AO FLAMENGO E AO VILLARREAL

Oliveira: Palhinha...

DAZN: F1 - Antevisão ao GP da Hungria

Apelo aos adeptos do SL Benfica


"Apoio com paixão, mas igualmente com responsabilidade e respeito pelas regras, tanto em Portugal como além-fronteiras.

O Sport Lisboa e Benfica agradece, uma vez mais, o apoio incondicional dos milhares de Benfiquistas que acompanham a equipa em todos os estádios, em Portugal e no estrangeiro. A sua paixão e o seu entusiasmo são a maior força do Clube e um fator decisivo nas vitórias.
É precisamente por reconhecermos a importância incomparável dos nossos adeptos que apelamos ao sentido de responsabilidade de todos.
O Sport Lisboa e Benfica encontra-se sob pena suspensa nas competições europeias. Assim, qualquer utilização de pirotecnia ou outro comportamento que viole os regulamentos da UEFA implicará, automaticamente, a execução dessa sanção, impedindo a presença de adeptos do Benfica no jogo seguinte disputado fora de casa.
Nenhum Benfiquista quer ver o Benfica privado do apoio dos seus adeptos. Nesse sentido, apelamos a todos os adeptos que apoiem o Benfica com paixão, mas igualmente com responsabilidade e respeito pelas regras, tanto em Portugal como além-fronteiras."

Entrar a vencer


"Em destaque na BNews, a antevisão à estreia oficial do Benfica na nova temporada, hoje, em St. Gallen, às 19h00 de Portugal Continental, e o apelo aos Benfiquistas que vão apoiar o Benfica nesta partida.

1. Apelo aos adeptos
Leia o apelo do Sport Lisboa e Benfica aos Benfiquistas que estarão em St. Gallen para ajudar o Benfica a ganhar: "Apoio com paixão, mas igualmente com responsabilidade e respeito pelas regras, tanto em Portugal como além-fronteiras."
Recorde-se que o Benfica se encontra sob pena suspensa nas competições europeias.

2. Começar bem
Marco Silva assume o favoritismo na eliminatória com o St. Gallen, mas deixa um alerta: "A dimensão do Benfica obriga a isso e encaramos essa realidade sem problema absolutamente nenhum. Mas, no futebol, ninguém ganha antes de começar o jogo. O que importa é aquilo que iremos fazer dentro das quatro linhas e estarmos preparados para o que aí vem. Queremos fazer um bom jogo e conseguir um bom resultado, sabendo que depois teremos mais um jogo no Estádio da Luz."

3. Do Benfica Campus a St. Gallen
Veja o vídeo de bastidores da viagem da comitiva benfiquista até à Suíça.

4. Informações aos adeptos
À atenção dos Benfiquistas que vão apoiar o Benfica em St. Gallen.

5. Ingressos disponíveis
Confirme como pode adquirir bilhetes para o particular entre Benfica e Belenenses agendado para a próxima sexta-feira, às 18h00, no Estádio da Luz.

6. Pré-época da formação
A equipa B venceu por 2-1 ante o Al-Nassr. Os Sub-23 e os Juniores tiveram mais jogo-treino.

7. Inspiradoras
O plantel feminino de futebol do Benfica já prepara a nova temporada. Seimeyeha Janet Akekoromowei, avançada nigeriana de 18 anos, é reforço.

8. Parceria renovada
Benfica e Espaço Casa (main sponsor da equipa feminina de futebol) estendem a ligação até 2029.

9. Arranca a época
A equipa masculina de andebol do Benfica já trabalha com vista à nova temporada.

10. Movimentações do defeso
Abouba, oposto internacional brasileiro, junta-se ao voleibol benfiquista. Tiago Violas, também voleibolista, renovou o contrato.
No futsal, Diogo Carrera deixa de representar o Benfica."

Lanças...


História Agora


Então obrigaram o jogador a jogar lesionado e a culpa é dos outros?!!!

Antes do campeão, a criança


"Esta é uma altura em que muitas famílias tomam decisões sobre a próxima época desportiva. Abrem-se inscrições, escolhem-se clubes, compram-se equipamentos e repetem-se as perguntas: futebol ou natação? Ginástica ou judo? Deve a criança continuar na modalidade do ano passado ou experimentar uma diferente? Fica no mesmo clube ou muda?
Frequentemente, estas decisões são guiadas pela procura da modalidade em que a criança poderá ter mais sucesso, do clube onde terá mais oportunidades de vencer ou do contexto que parece oferecer um futuro mais promissor. Contudo, talvez este não seja o melhor princípio orientador. A pergunta mais importante não deverá ser 'em que modalidade poderá ter mais sucesso?', mas 'que experiências precisa de viver para se desenvolver?'.
Trago esta reflexão porque, no momento em que se prepara a nova época desportiva, é importante recordar que a forma como, cada vez mais, olhamos para o desporto na infância parece estar a afastar-se das reais necessidades do desenvolvimento infantil e funções do desporto. As crianças não são promessas desportivas nem pequenos atletas profissionais. São, antes de tudo, crianças em pleno desenvolvimento, em cujo percurso o desporto tem, e deve ter, um papel crucial.
Na infância, o desporto não deve ser apenas um lugar de treino. Também não deve ser um tempo de especialização ou de concretização de sonhos que, muitas vezes, nem sequer pertencem à criança. Deve, sim, funcionar como um laboratório de desenvolvimento. Correr, saltar, lançar, agarrar, equilibrar, cair e voltar a levantar são experiências que ajudam a construir competências motoras fundamentais.
Cooperar, competir, respeitar regras, lidar com a frustração e encontrar soluções contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Modalidades diferentes apresentam problemas diferentes ao corpo e à mente. É precisamente nessa diversidade que reside grande parte do seu valor.
Experimentar é ampliar o repertório da criança. A passagem por diferentes modalidades permite-lhe adaptar-se a novos espaços, materiais, regras e relações, descobrir aquilo de que gosta e perceber onde se sente mais competente. Permite também que uma eventual escolha futura seja informada pela experiência e não determinada antecipadamente pelos adultos.
Erik Erikson, um dos autores clássicos da psicologia do desenvolvimento, defendia que, durante a infância, a criança precisa de explorar, propor atividades, tentar, falhar, voltar a tentar e perceber que é capaz de aprender. A competência não se constrói apenas através do sucesso imediato, mas sobretudo pela possibilidade de enfrentar desafios, dominar progressivamente novas tarefas e perceber que o erro também faz parte da aprendizagem.
Nem todas as crianças precisam de escolher cedo. Algumas nem precisam de escolher uma única modalidade. O objetivo da prática desportiva infantil não tem de ser preparar uma carreira, alcançar um nível de excelência ou antecipar resultados futuros.
Temos de parar de procurar um Cristiano Ronaldo, um Fernando Pimenta ou uma Telma Monteiro em cada criança. Não está errado procurar a excelência, o que está errado é transformar essa excelência no centro da atividade desportiva infantil e numa exigência que antecede o próprio desenvolvimento da criança. Antes de pedir a uma criança que escolha um caminho, devemos permitir-lhe conhecer vários.
Antes de procurar um campeão, devemos ajudar a formar alguém autoconfiante, competente e com valores. O talento pode vir a revelar-se mais tarde. A vontade de investir também. Mas primeiro é preciso dar espaço para correr, saltar, cair, mudar e descobrir."

Messi, os argentinos, uma frase e Cristiano Ronaldo


"Mais do que golos, troféus, heróis imprevistos, surpresas, confirmações ou desilusões ou suspeitas de interferência política, uma frase marcou o meu Mundial

A Espanha foi campeã mundial, como penso que a maioria acreditasse que pudesse acontecer, Portugal foi eliminado pela Espanha, como penso que a maioria acreditasse que pudesse acontecer, houve heróis improváveis, como o guarda-redes Vozinha, confirmações, como a ascensão da Noruega, desilusões, como a eliminação sem glória da Alemanha, surpresas, como a caminhada de Cabo Verde, a suspeita de interferência política de Donald Trump e, consequentemente, do ataque à integridade do jogo, curiosamente tão estimada nos Estados Unidos nas grandes ligas de diferentes modalidades, houve euforia e lágrimas, não houve zaragatas graves fora dos estádios, mas houve algumas feias no relvado na final, houve ainda as maiores estrelas a brilhar — este megamundial teve tudo como os outros, golos bonitos e feios, e, no entanto, para mim será o Mundial de uma frase.
No programa matinal Posse de Bola do canal UOL, a jornalista Luiza Oliveira analisou a vitória dificílima da Argentina sobre o Egito, já mesmo pertinho do fim, à luz de Lionel Messi, que nesse jogo desperdiçou um penálti, marcou um golo e ofereceu outro. Recuperou então uma ideia de alguém que não conseguiu identificar. Mas fê-lo de uma forma que obrigou todos, no estúdio, e diria também em casa, a parar para pensar.
«Messi é o argentino que gostaríamos de ser. Maradona, ao contrário, é o argentino que somos», disse Federico El Negro Bulos, da ESPN Argentina. À medida que a Argentina foi progredindo no Mundial, às costas ou atrás de Messi, essa frase ganhou força. A jornalista e escritora Laura Di Marco, do jornal La Nacíon, Argentina, refletiu sobre isso e escreveu: «Um jogador de futebol na Argentina não é apenas isso: é um exemplo cultural ou, no pior dos casos, um contraexemplo opaco. E a nossa sociedade pode exibir ambos os casos.»
Identifica em Messi alguns comportamentos até de uma «humildade exagerada», mas que essa humildade o protege de tudo, privilégio de que nunca beneficiou Maradona, cuja frase que o caracteriza, para o argentino, é, segundo Laura Di Marco, «tens a lá dentro», cheia de violência sexual e característica do argentino que os argentinos não querem mais ser. Já se pode, agora, criticar o deus de um país arrasado e partido por crises económicas e que «só poderia alimentar a sua autoestima com o orgulho de ser uma potência futebolista». Maradona foi, também, mais do que isso, foi, como assinalou Luiza Oliveira, lutador e errático. Não se lhe perdoou tudo na Argentina, basta falar dele nas ruas de Buenos Aires para se ouvir depressa um «mas», sempre ligado às acusações de relacionamento e violação de uma menor.
Testemunhar o amor pelo futebol, clube ou seleção, na Argentina é, verdadeiramente, uma experiência inesquecível. Tive a felicidade de fazê-lo, em setembro de 2024, no Estádio Monumental, num Argentina-Chile, no jogo de homenagem a Di María. Faz tudo mais sentido. Já não consigo é dizer o que é Ronaldo para os portugueses, se o português que queremos ser ou se o português que somos. Provavelmente, nada disso."

Don Quixote de La... Fuente


"Pena Portugal ter ficado com o espanhol errado. É impressionante o que se pode alcançar quando não importa quem leva o crédito.

No final do jogo com a Argentina, Luís de la Fuente sente-se um Don Quixote. Mas não é Cervantes que cita. É Júlio Iglésias, o cantor preferido. «Soy de aquellos que sueñan con la libertad... soy Quijote de un tiempo que no tiene edad». E maior liberdade não existe que vencer com as suas próprias convicções, sem cedências, conquistando a imortalidade, uma idade que não se mede em anos.
Aos 65 anos, Luís de la Fuente aparece amadurecido em pipas de carvalho. Como o fruto das castas da La Rioja natal, capital espanhola do vinho. Um processo lento, sem atalhos, que demorou décadas até atingir o esplendor máximo servido numa taça. A força vem do respeito pela natureza; vem da terra; da sabedoria de anos: do saber escutar os mais velhos. A força vem de olhar o céu, saber as horas pelo sol e contar as luas. Crescer no País Basco e passar peça formação no Athletic Bilbao refinou esse caráter — um clube histórico marcado pela ética de trabalho, solidariedade e forte sentido de identidade coletiva.
Esta Espanha não é feita de individualidades. Não é mais nem é menos do que a soma das partes. É a soma das partes. Não é a fúria espanhola que rompe caminho; não é o tiki-taka que desliza no relvado. É uma alquimia de redução de tudo à máxima simplicidade da eficácia. É dominar, com tranquilidade, segurança e competência, todos os momentos do jogo. É pensar e decidir bem em cada segundo. Espanha é aquele motorista que nos inspira segurança, mostra sempre que sabe o que está a fazer.
Estava a escrever este artigo quando recebo a notificação da morte de Luís Represas. Mas não são as canções que me vêm de imediato à cabeça. É o livro infantil «A Coragem de Tição», publicado em 2010. Tição é um pequeno cavalo-marinho. Vive com a sua família e amigos, rodeado de peixes perigosos e assustadores. É através do convívio e da entreajuda com os amigos que Tição descobre a força interior. Mais do que bravura física ou força, a verdadeira coragem que o pequeno cavalo-marinho demonstra vem da solidariedade, da empatia e do amor pelos outros.
Luis de la Fuente, o agricultor que, na federação, lançou a semente à terra e foi colhendo os frutos. Um líder discreto, sereno, sábio. Um excelente gestor de egos. Que me remete para uma brilhante reflexão de Harry S. Truman, antigo presidente dos Estados Unidos: «É impressionante o que se pode alcançar quando não importa quem leva o crédito.» Por norma, essas pessoas preferem desfrutar a caminhada do que o reconhecimento da meta. Até porque a meta não existe em absoluto, é sempre um ponto de partida para outra caminhada.
Seis séculos antes de Cristo nascer, já o pensador Lao Tsé defendia que «um líder é melhor quando as pessoas mal sabem que ele existe; Quando o seu trabalho está feito e o seu objetivo cumprido, elas dirão: fomos nós que o fizemos…» É esse um segredo dos mestres. Como Luis de la Fuente."

O trigo, o joio e a coragem de decidir


"Mal termina uma grande competição, começa o julgamento. Uma seleção jogou “com classe”, outra foi “desonesta”. Multiplicam-se veredictos morais nas bancadas e nas manchetes, como se a legitimidade de uma vitória pudesse decidir-se no calor da indignação. Não pode. A legitimidade desportiva conquista-se em campo e só pode ser posta em causa por prova e por processo.
Não é um detalhe. É o princípio que sustenta a credibilidade do desporto. Uma seleção é campeã porque venceu segundo regras iguais para todos. Se infringiu essas regras — por dopagem, manipulação de resultados ou corrupção — o desporto dispõe de mecanismos para o apurar e sancionar: regulamentos, arbitragem, autoridades antidopagem e tribunais desportivos. A sanção deve ser firme, mas apenas quando assente em factos demonstrados e em decisões fundamentadas. Nunca em suspeitas ou na pressão da opinião pública.
Confundir suspeita com prova é o erro que a parábola do trigo e do joio descreve há dois mil anos. Quando os servos quiseram arrancar de imediato as ervas daninhas, foi-lhes dito que esperassem pela ceifa, para não destruírem também o trigo. No desporto acontece o mesmo. Quem julga antes do tempo arrisca-se a condenar o mérito legítimo em nome de uma certeza que ainda não existe.
Esta prudência não diminui a competição; protege-a. A competição, regulada e aceite por todos, transformou a rivalidade entre povos numa forma pacífica e civilizada de confronto. É uma conquista da civilização, não um instinto a reprimir. Competindo sob regras comuns, aprendem-se disciplina, esforço, superação, respeito pelo adversário e capacidade para aceitar a derrota. Defender a integridade do desporto é, por isso, defender a própria competição.
Quem garante, então, que ao longo do tempo o mérito é reconhecido e a fraude punida, sem que uma coisa se confunda com a outra? Não são os comentadores nem a indignação do momento. São as instituições. Jean Monnet sintetizou-o de forma exemplar: «Nada se faz sem os homens, mas nada perdura sem as instituições.» Um atleta conquista uma medalha; é a instituição que garante que essa medalha terá o mesmo valor daqui a vinte anos.
Mas as instituições não existem por si. Vivem da qualidade de quem as dirige. Não falo de quem aplica mecanicamente regras estabelecidas. Falo de quem tem a responsabilidade de decidir, fazer cumprir e assumir as consequências das suas decisões. A integridade de um líder não se mede pelos discursos nem pelos comunicados. Mede-se quando chega o momento de decidir, de escolher um princípio em vez da conveniência e de sustentar essa escolha quando ela tem custos.
O maior inimigo dessa integridade raramente é a corrupção ostensiva. É o unanimismo: a tentação de adiar decisões difíceis para não desagradar, de procurar consensos vazios em vez de exercer liderança. Quem age assim não decide; contemporiza. Evita o conflito quando deveria afirmar um princípio e, ao proteger-se do incómodo, acaba por proteger quem devia responsabilizar. Não é prudência. É cobardia disfarçada de equilíbrio.
Por isso, a falha de um dirigente é mais grave do que o erro de um atleta. O atleta viola regras; o dirigente que se recusa a decidir enfraquece a autoridade das próprias regras. A maior ameaça à integridade do desporto raramente é o escândalo que chega aos jornais. Para esse existem investigação, processo e sanção. O verdadeiro risco é a erosão silenciosa provocada por decisões adiadas, compromissos oportunistas e lideranças sem coragem.
Separar o trigo do joio nunca foi tarefa da bancada. É missão de instituições suficientemente fortes para respeitar o tempo da prova e de líderes suficientemente íntegros para, chegada a ceifa, terem a coragem de fazer a colheita — mesmo quando isso significa decidir contra os seus próprios pares."

Pois...

Terceiro Anel: Planeta - ANÁLISE FINAL DO MUNDIAL: Final, Melhor Equipa, Melhor Jogador, GR, Revelação e Reflexão Final!! 🏆⚽️