Últimas indefectivações
terça-feira, 23 de junho de 2026
Fácil...
O pecado capital de Lineker: dizer que o Messi é o melhor jogador pic.twitter.com/PpMkHbldjV
— 🦅🦅🦅 (@AJ1904__) June 22, 2026
Disponíveis...
Os 32 jogadores que provavelmente se irão apresentar na pré-época do Benfica na próxima quinta-feira.
— Coluna Vermelha (@CurtaVermelha) June 22, 2026
Guarda-Redes
Anatoliy Trubin, Samuel Soares, André Gomes e Diogo Ferreira
Dificilmente não serão quatro. Toda a incerteza — Trubin está no mercado e Samuel Soares, que se saiba,… pic.twitter.com/dweLKaJSLp
Árbitros estrangeiros!
Sem surpresa, Gustavo Correia foi um dos arbitros com mais notas insatisfatórias. Ao todo, foram três. Duas delas nos jogos Benfica-Casa Pia e Famalicão-Benfica. Este incapaz roubou quatro pontos ao Benfica e, pior, os 50 milhoes de euros pela participação na Liga dos Campeões.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) June 22, 2026
Um dos maiores desafios de Marco Silva no Benfica
"Marco Silva é o novo treinador do Benfica e enfrenta um enorme desafio (entre muitos outros) em particular: recuperar o orgulho dos benfiquistas após mais uma época sem a conquista do campeonato, o principal objetivo do clube da Luz.
A chegada do técnico português, depois de terminar contrato com o Fulham, traz uma mistura de esperança e realismo ao universo encarnado. Na apresentação oficial, Marco Silva assumiu tratar-se do maior desafio da sua carreira. Mais do que isso, destacou um ponto essencial para o sucesso do Benfica: o papel dos adeptos e o impacto do chamado tribunal da Luz.
Ao longo dos últimos anos, este fator teve influência direta na saída de treinadores, muitas vezes alimentado por reações emocionais e imediatistas nos estádios. Foi assim com Roger Schmidt, com Bruno Lage e não sucedeu com José Mourinho porque o treinador tem uma capacidade fenomenal de construir narrativas e sair por cima das situações mais complexas.
Para que o Benfica volte a ser competitivo e candidato ao título, será fundamental que os adeptos demonstrem paciência e apoio consistente à equipa de Marco Silva. Embora seja verdade que a equipa deve ser a primeira a conquistar os seus adeptos dentro de campo, também é inegável que o ambiente nas bancadas pode influenciar diretamente o rendimento coletivo.
Ao lado de Rui Costa, presidente do Benfica, Marco Silva reforçou a ideia de união, lembrando que os benfiquistas são mais fortes quando caminham juntos. Este princípio aplica-se não só ao futebol, mas a qualquer organização que procura alcançar resultados sustentados. A exigência e a crítica fazem parte da identidade do Benfica, mas devem surgir no momento certo e de forma construtiva. Caso contrário, podem ter o efeito inverso ao pretendido e fragilizar ainda mais a equipa.
Tal como José Mourinho nunca teve uma solução mágica, também Marco Silva dependerá do trabalho diário, da competência técnica e da resposta dos jogadores para alcançar resultados. O sucesso do Benfica passará inevitavelmente por um balneário forte, preparado para resistir às adversidades que surgirão ao longo da época. E o balneário vai precisar de uma estrutura forte, no clube, que diminua as ondas de choque nos maus momentos, porque será inevitável que os haja.
Mais do que vitórias imediatas, a grande conquista de Marco Silva poderá começar fora das quatro linhas: ganhar o respeito e a confiança dos adeptos no Estádio da Luz. Só com essa base sólida será possível construir um Benfica vencedor e consistente a longo prazo."
Na frente
"O Benfica lidera as finais dos play-offs dos Campeonatos Nacionais de futsal no masculino e de hóquei em patins no feminino. E há novidades em relação ao Red Pass 2026/27. Estes são os destaques na BNews.
1. Red Pass
São 50 mil lugares de época disponibilizados em 2026/27 para sócios do Sport Lisboa e Benfica. O período de renovação do Red Pass inicia no dia 24 de junho. Saiba mais no Site Oficial.
2. A uma vitória do título
O Benfica ganhou ao Sporting após desempate nos penáltis (5-5, 8-7 gp) e comanda a final do Campeonato de futsal por 2-1, estando agora a um triunfo de renovar o título nacional.
3. Entrada forte
Na vertente feminina do hóquei em patins, o Benfica ganhou o primeiro encontro da final dos play-offs ante o Gulpilhares (7-0). Mais uma vitória e as águias garantem o tridecacampeonato nacional.
4. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.
5. Títulos na canoagem
Vários canoístas do Benfica em grande plano no Campeonato Nacional de Regatas em Linha.
6. Título na formação
Os Sub-19 de hóquei em patins do Benfica são campeões nacionais.
7. Bom desempenho
Vasco Vilaça alcançou a prata em Quiberon (França), onde decorreu mais uma etapa do World Triathlon Championship Series, no qual o triatleta do Benfica mantém a liderança do ranking.
8. Reforço no voleibol feminino
Camila Giraudo junta-se ao plantel benfiquista.
9. Fecho de temporada
Veja as melhores imagens do encerramento da época dos Infantis A e B, no Benfica Campus, onde os pais e os jovens jogadores participaram num treino/convívio."
E se der mesmo Portugal?
"O Mundial já arrancou e Portugal já fez a sua estreia. Não foi tão esplendorosa como o que era desejado, nem tão pouco surpreendente. A Seleção teve, nas vésperas da estreia em terras norte americanas, dois jogos particulares nos quais venceu, mas não convenceu. Pelo menos não a mim!
A verdade é que, apesar do talento inegável que compõe a Seleção Nacional, e alguns outros que ficaram de fora, parece que o somatório de qualidade não é igual à soma de cada uma das unidades, como manda a matemática, mas não o futebol! Juntar 11, 16 ou até mesmo 26 jogadores de alto nível não é sinónimo obrigatório de uma equipa competente, dinâmica e vencedora. Mas é meio caminho andado!
Como boa portuguesa, sou apreciadora de comida e sei que bons ingredientes são o grande segredo para elevar as receitas, mas que a maestria está na forma como se confecionam e combinam os elementos que compõe o produto final. Caso contrário, temos manteiga barrada numa tablete de chocolate, acompanhada de uns ovos mexidos temperados com açúcar, ao invés de uma bela mousse!
Ao contrário da comida, porém, não existe apenas um chef responsável por fazer combinar tudo, senão um conjunto de onze seres pensantes, e outros tantos a tentar atrapalhar. Essa multiplicidade de fatores contribui, muitas vezes, para uma falta de fluidez que apenas a repetição transformada em rotina, o conhecimento de uma ideia gémea e a aplicação da mesma sob um fio condutor comum podem forjar.
Caso contrário, as estrelas que vemos brilhar com as camisolas dos clubes que representam, eclipsam-se ao envergar as quinas ao peito, para a sua própria tristeza, bem como de todo um país, que é tão precoce em despromovê-las de bestiais a bestas, como está a três pontos de lhes repor os... pontos nos “i’s”.
Sugiro, então, que combatamos a nossa tendência para o fado e, reconhecendo que é exigível desta geração talentosa melhores prestações e consequentes resultados, demos oportunidade aos rapazes de provarem o que valem. Precisamos que Martinez, qual maestro, consiga tornar harmónica a orquestra lusa, afinando em campo aquilo que falta, pois parece-me que no que toca ao resto, e que tem um peso decisivo em qualquer equipa, já existe tudo: qualidade, união e um propósito maior, tragicamente transformado em estrela num acidente automóvel.
O próximo teste será amanhã, ante um Uzbequistão de fama modesta, que no momento defensivo tentará servir-se de uma estratégia muito semelhante à dos anteriores rivais que tantas arduidades causaram à ofensiva lusitana."
Rumo racional
"Uzbequistão é uma seleção em construção marcada por disciplina coletiva, rigor e uma capacidade crescente de competir com organização contra adversários teoricamente mais experientes. É uma equipa que assenta menos no brilho individual e mais na qualidade coletiva, revelando uma forte cultura de resiliência.
Há momentos em que o futebol deixa de ser apenas um jogo e se torna um espelho ampliado da condição humana. A crítica externa, as expectativas, a urgência do julgamento e, no meio de tudo isso, a tentativa de manter uma linha interna de coerência. Numa semana marcada por tensão e interpretações cruzadas, a resposta de um líder pode seguir dois caminhos: ceder à oscilação das vozes exteriores ou reafirmar uma ordem interior. A escolha pela racionalidade não é frieza mas sim disciplina emocional. É a recusa em transformar a instabilidade em identidade.
Roberto Martínez, neste enquadramento, surge como alguém que procura proteger uma ideia de continuidade. Não se trata de ignorar o que correu mal, mas de impedir que o erro se transforme em narrativa absoluta. A frustração do primeiro jogo, em vez de se tornar peso, é convertida em matéria de ação. Há aqui uma filosofia simples, quase estóica, de não controlar o que aconteceu, mas orientar o que ainda pode ser feito.
O pedido de concentração total e a desvalorização do ruído externo não são apenas gestos estratégicos de comunicação, são uma tentativa de devolver ao grupo a sua unidade essencial. Quando a equipa é atravessada por suspeitas de divisão, a coesão deixa de depender apenas de talento e passa a depender de confiança. E a confiança, uma vez fragmentada, só se recompõe com simplicidade comunicativa e clareza de propósito. Pragmatismo.
A insistência na racionalidade do “sonho” do Mundial é talvez o ponto mais interessante da sua mensagem. Um sonho que não se alimenta de euforia, mas de método. Uma ambição que não se deixa sequestrar pela emoção do instante, mas que se organiza como projeto. A forma como Cristiano Ronaldo é integrado nesta narrativa, não por estatuto, mas pela influência e significado, deixa uma ideia de continuidade simbólica. Mais do que uma defesa individual, é uma afirmação de critério.
No fundo, o que se procura não é negar o exterior, mas impedir que ele governe o interior. Entre a crítica e o ruído, escolhe-se a ação. Entre a ansiedade e o julgamento, escolhe-se o próximo jogo. E nessa escolha simples reside, muitas vezes, a diferença entre uma equipa que se fragmenta e uma equipa que persiste."
O Mundial no telemóvel
"Durante décadas, acompanhar um Mundial era simples: ligar a televisão e ver o jogo. No tempo do Eusébio, em 1966, muitos portugueses ouviram os relatos na rádio e leram as crónicas nos jornais. No tempo do Ronaldo, em 2026, o futebol já não se consome assim. O futebol vive hoje em vários ecrãs ao mesmo tempo, e isso está a mudar profundamente o seu impacto económico.
O estudo que desenvolvemos no IPAM mostra que cerca de 23% do impacto económico do Mundial 2026 já vem do digital. Isto significa que quase um em cada quatro euros gerados pela competição não está ligado a restaurantes, cafés ou merchandising tradicional, mas a plataformas, redes sociais e conteúdos online.
Na prática, o que é isto do consumo digital do futebol?
É o adepto que vê o jogo na televisão e, ao mesmo tempo, comenta no X, no Instagram, no TikTok ou em grupos de WhatsApp. É quem partilha vídeos de golos, quem consome resumos no YouTube, quem vê highlights no telemóvel enquanto está no comboio ou no intervalo do trabalho. É quem segue a Seleção, os jogadores e os clubes através das redes sociais e das apps dos media.
Pode parecer que aqui não há dinheiro envolvido, mas há. E muito. Está na publicidade digital, nos conteúdos patrocinados, nas parcerias com plataformas, nos dados e, sobretudo, no tempo de atenção. Cada visualização, cada comentário, cada partilha gera valor económico, mesmo que não seja tão visível como uma mesa cheia num restaurante.
Em Portugal, este fenómeno é fácil de reconhecer. Basta olhar para um dia de jogo da Seleção. O jogo pode estar na RTP, na Sport TV ou numa plataforma de streaming, mas o telemóvel não sai da mão. As notificações chegam da RTP Play, da app da Sport TV, do Record, do Maisfutebol, ou do Zerozero. Circulam vídeos no Instagram, comentários no X, memes no TikTok e discussões intermináveis no WhatsApp. As marcas estão lá, integradas na conversa, não apenas nos intervalos.
É por isso que as plataformas digitais e o streaming já representam cerca de 10% do impacto económico, a interação nas redes sociais outros 7%, e a chamada content economy como vídeos, memes e conteúdos criados pelos próprios adeptos cerca de 6%. Isto é novo. E veio para ficar.
O mais interessante é que o adepto digital não precisa de gastar muito dinheiro de forma direta. Pode até ver o jogo em casa, sem sair. Mas gera valor porque prolonga o jogo para lá dos 90 minutos. O futebol começa antes do apito inicial e continua muito depois do apito final.
Hoje, o jogo não acaba quando o árbitro termina a partida. Continua nos comentários, nos vídeos, nas discussões e nos conteúdos que circulam durante horas ou dias. É essa atenção prolongada que faz crescer o impacto económico.
O futebol deixou de ser apenas um espetáculo para ser visto. Passou a ser um fenómeno para ser vivido, comentado e partilhado.
E é isso que explica porque o consumo digital já é uma das grandes forças económicas do futebol moderno. O Mundial de 2026 vai jogar-se em três países. Mas uma parte importante do seu valor vai ser criada nos ecrãs, e nos dedos, dos adeptos portugueses."
Pouco exigente e a viver de êxitos passados: Portugal está a trair o legado de Cristiano Ronaldo com Cristiano Ronaldo
"Há argumentos a favor de convocar um jogador de 41 anos — com mais de 200 internacionalizações, 100 golos e 11 fases finais anteriores pela seleção — para um Mundial. O veterano pode, usando a sua experiência prévia, ser um referencial de estabilidade emocional, um pilar de apoio para os companheiros, a figura que se ergue para defender o grupo, quase um adjunto do treinador na gestão quotidiana, uma mente taticamente forte que ajude a guiar a manobra coletiva.
Ora, Portugal esta no Mundial com um veterano de 41 anos, 229 internacionalizações, 143 golos e na 12.ª fase final da carreira que é o oposto de tudo isto, o anti-veterano.
A instabilidade emocional de Cristiano Ronaldo, que fica fulo quando não marca num amigável e desaparece rapidamente do campo quando se inicia um torneio com um empate, é algo com que Portugal tem de estar sempre a viver, sempre a geri-lo, lidando com pinças porque, se for substituído ou algo não correr de feição, corre-se o sério risco de levar com uma cara ou um gesto feio, qual adolescente amuado. Os colegas, ao longo das ultimas competições, passaram boa parte do tempo a defender Cristiano, a justificar Cristiano, a amparar Cristiano, a falar por Cristiano. Cristiano fala pouco, fala muitíssimo menos do que a maioria dos outros capitães do Mundial.
Ronaldo dificulta a gestão do treinador. Ou melhor, impossibilita, porque com ele não há gestão, é tudo ou nada, jogar sempre ou criar um ambiente irrespirável. Ronaldo é um embaraço tático, um condicionamento permanente, o gigantesco asterisco em torno do qual se tenta construir algo parecido a um coletivo funcional.
Ronaldo é o oposto das vantagens teóricas que haveria em levar um veterano. É o capitão que reclama para si, veementemente, um golo atribuído a um colega ou que é o único a não confortar quem acabou de falhar um penálti decisivo, isto só para falar nas duas últimas fases finais.
Assim está Portugal neste Mundial, como uma equipa do Tour de France a correr em prol do seu chefe de fila, só que aqui o líder é o que pedala menos, o que anda pior, não compensa na montanha final o esforço dos demais. O capitão é o mais fraco dos membros da equipa, o de pior nível competitivo.
Há dias, no infindável ciclo de debate e loucura nacional em torno deste tema, alguém defendia o madeirense com o pouco amigo argumento de que ele “não prejudicou” a seleção nacional contra a RD Congo. Curiosa linha de raciocínio: quem descreve Ronaldo como o mais fenomenal e heróico e épico dos atletas coloca-lhe a fasquia em “não prejudicar”, como o miúdo do recreio a quem deixam jogar com a promessa de “não atrapalhar“, de ficar quieto a um canto, longe da bola, sem molestar.
Já agora, é interessante dizer que um ponta de lança que não pressiona, não cria jogo ofensivo, mal se associa com os médios, não gera dúvidas na linha defensiva adversária através de movimentos de rotura, não segura bolas enquanto referência frontal para jogo mais direto e na última vez que marcou sem ser de penálti numa fase final ainda era obrigatório andar de máscara em locais públicos, que este ponta de lança, “não prejudica”.
Pois bem, esta desculpabilização permanente, este estado de exceção ronaldiana, pedindo-lhe menos que a outros, esta aceitação de que há uma equipa de elite com um membro que já não apresenta um rendimento de elite, é uma traição ao legado de Cristiano Ronaldo. O menino da Madeira que saiu do lar cheio de ambição forjou uma carreira sensacional deixando sempre uma marca de exigência, de superação, de elevar a fasquia, de render sempre, todos os dias, todos os minutos, de lutar por ser sempre o melhor.
Quando Cristiano era um rapaz da formação do Sporting, tinha por hábito ir para uma das ruas adjacentes ao estádio, uma rua empinada com uns semáforos no início da subida. Esperava que o sinal ficasse verde e, quando os carros arrancavam, sprintava ele também, perseguindo-os, para apurar a sua velocidade de Ferrari. O exercício ficou como metáfora do percurso de Ronaldo: sempre em busca de um horizonte inalcançável, sempre colocando-se objetivos mais à frente, sempre correndo para os perseguir, mesmo que o carro acelerasse mais que ele. Subitamente, parece que todos aceitámos que o carro, agora, tem de ficar parado, imóvel, sem mirar adiante e vivendo do crédito dos êxitos passados. E isto é uma traição que Portugal faz ao grande legado de superação de Cristiano Ronaldo, a grande mensagem de uma vida feita da recolha de pedaços de impossível.
Fala-se de gratidão. O que diria aquele insaciável se se justificasse a escolha de alguém com base no passado?
Fala-se de gratidão. Cristiano Ronaldo dá o nome a um aeroporto. Tem estátuas e bustos em locais nobres, foi-lhe dada a mais alta distinção da Região Autónoma onde nasceu. Dá o nome a uma das maiores academias de futebol do país. O seu nome virou quase elogio, metamorfoseado em adjetivo, o “Ronaldo das finanças”, a “mentalidade Ronaldo”, um nome feito arma política. Cristiano Ronaldo foi condecorado por três Presidentes da República diferentes. Quantos portugueses foram distinguidos por três chefes de Estado diferentes?
Se há ingratidão nacional para com Cristiano Ronaldo, o que seria gratidão? Colocar a sua face no centro da bandeira? Mudar de “República Portuguesa” para “República Cristiano Ronaldo”?
Tudo isto soa a repetição de debate. É uma relação tóxica, com traços clássicos de uma relação tóxica: a sua manutenção com base em ideias vagas ("mas eu gosto tanto de ti", “mas eu fiz tanto por ti”) e não em gestos de amor concretos e diários; a ameaça de não haver um futuro sem aquela pessoa, de que não é possível não viver naquela relação ("e quem é que o substitui?"); a falta de comunicação; os constantes olhares, pequenos gestos, uma passivo-agressividade que vai corroendo a convivência.
Depois de 2022 e o sacrifício em vão de Fernando Santos, após 2024 e a marcha-atrás de Roberto Martínez, eis 2026. Achando que está a honrar Cristiano Ronaldo, a seleção nacional está a trair o seu legado. Está, na verdade, a ser ingrata, por não saber que Cristiano Ronaldo, que a verdadeira mentalidade que Cristiano Ronaldo ensinou e instalou no nosso futebol, ditaria que Cristiano Ronaldo não pode jogar porque o passado enche museus, não marca golos.
O que se passou
Portugal estreou-se no Mundial com um empate contra a República Democrática do Congo. Martínez deu as clássicas desculpas, o debate em torno de Ronaldo regressou, os congoleses festejaram efusivamente.
O Mundial vai com grandes resultados dos anfitriões: os EUA derrotaram a Austrália e vão com seis pontos em seis possíveis, tal como o México. O Canadá estreou-se a ganhar na sua história na competição.
Cabo Verde está a ser uma das surpresas: empatou com Espanha, empatou com o Uruguai e olha para a passagem à fase a eliminar.
Inglaterra arrancou em grande estilo. Carlos Queiroz conseguiu preciosos três pontos para o Gana. A Colômbia, para já, lidera o grupo de Portugal. Na Suíça mora um candidato a jovem do torneio, os Países Baixos evidenciaram força ofensiva perante a Suécia, Deniz Undav é o grande suplente do Mundial.
O Diogo Pombo anda pelo Mundial a trazer-nos as melhores histórias: como se viu o encontro dos EUA em Houston, as questões em torno da seleção, o guarda-redes de Curaçau, que contra o Equador brilhou com colossais 15 defesas, a febre laranja. Como se vive um Mundial dentro de um estádio de beisebol?
Notícias extra-Mundial: Ruben Amorim assinou pelo Milan, Bernardo Silva vai para oReal Madrid, os adversários de Sporting e Torreense no acesso à Liga dos Campeões feminina e de Benfica na disputa pela Liga Europa masculina."
A maior vitória do Mundial acontece fora dos estádios
"A velha arte de receber bem continua a ser a ferramenta mais eficaz para aproximar o mundo.
Enquanto as seleções disputam o troféu em campo, é nas ruas e nas praças que se joga a verdadeira transformação cultural e o legado invisível do evento.
Há uma imagem clássica que se repete sempre que um grande evento internacional aterra numa cidade. Fora os ecrãs gigantes ou o aparato policial, sente-se a mutação da própria pele urbana. As ruas ganham cores novas, os cafés enchem-se de uma sinfonia de vozes com sotaques cruzados e as praças transformam-se no ponto de encontro perfeito. De repente, numa espécie de trégua social espontânea, pessoas que nunca se viram na vida partilham mesas, canções e brindes como se pertencessem à mesma comunidade desde sempre.
O Fenómeno de Boston e a Energia Escocesa
Nos últimos dias, Boston transformou-se no laboratório vivo deste fenómeno. Com a chegada de milhares de adeptos escoceses para o Mundial, as redes sociais foram inundadas por vídeos que capturam a essência do que nenhuma campanha de marketing consegue planear: grupos a cantar em uníssono sob o céu da Nova Inglaterra, pubs históricos a transbordar de energia e celebrações improvisadas em cada esquina.
O mais fascinante, contudo, não é a festa dos que vêm de fora, mas a reação dos que já lá estavam. Os residentes de Boston não se limitaram a tolerar a invasão; deixaram-se contagiar pela vitalidade que a cidade ganhou de um dia para o outro, provando que a alegria alheia é um dos maiores catalisadores urbanos que existem.
É uma tentação preguiçosa reduzir tudo isto ao futebol. O desporto rei funciona como o pretexto ideal, mas o verdadeiro fenómeno sociológico gravita à volta do jogo.
A Fome de Atrito Real
Num Mundo Virtual
Atualmente, o refrão comum é o de que vivemos num mundo extraordinariamente conectado. Comunicamos instantaneamente com qualquer ponto do globo e gerimos equipas distribuídas por vários continentes. No entanto, esta hiperconexão digital gerou um efeito colateral paradoxal: uma profunda fome de fricção real. Continua a existir um valor insubstituível nos momentos em que as pessoas se encontram fisicamente, ocupam os mesmos espaços e partilham a mesma vibração.
É essa a magia de um Mundial.
Para quem opera no turismo e na hospitalidade, esta é a grande mudança de paradigma: as cidades deixaram de ser cenários passivos para acumular fotografias no Instagram e passaram a ser plataformas de encontro e de cocriação cultural.
O Legado Além dos Números
Por tudo isto, o impacto que estes acontecimentos geram ultrapassa largamente a frieza dos indicadores económicos. É inegável que a hotelaria atinge picos de ocupação e que a restauração fatura como nunca. Mas reduzir um Mundial a um balanço contabilístico é falhar o alvo. O maior legado é intangível: são as memórias coletivas e os laços afetivos que permanecem ancorados muito para além do apito final.
Numa era em que a maioria das nossas experiências é desenhada à medida pelo algoritmo, isolando-nos em bolhas de conforto, estes eventos funcionam como um choque térmico necessário. Devolvem-nos a alegria pura de cantar em coro com desconhecidos e a sensação reconfortante de pertencer a algo maior do que nós próprios.
No fundo, a velha arte de receber bem continua a ser a ferramenta mais eficaz para aproximar o mundo. A verdadeira vitória do Mundial não se decide nos noventa minutos regulamentares; ganha-se todos os dias nas calçadas e nas conversas de circunstância que transformam viajantes anónimos em convidados de honra, fazendo com que o mundo inteiro se sinta em casa."
Há um 'bot' escondido em cada um de nós
"Bem gostava de receber na terça-feira, lá pelas nove da noite, um email a insultar-me: «Chupa, meio bot. Assinado: elma73 e katia77.» Juro: gostava...
Há um bot escondido em cada um de nós. Pode até ser no mais recôndito neurónio dos nossos cérebros, mas que está lá, está. Bot, como nos dizem os especialistas em informática, são uns programinhas automatizados que realizam tarefas na internet sem que seja necessária a intervenção direta de um humano. Foi assim, dizem, que Donald Trump ganhou duas eleições nos Estados Unidos. Foi com essa ajuda, garantem-me, que alguns em Portugal chegaram a 22,76 por cento em eleições legislativas. Programinhas que se transformam em pequeninos papagaios maldizentes.
Simplificando: um bot não é propriamente malware, aqueles viruzinhos que se introduzem nos computadores e roubam dados e ou dinheiro. É outra coisa. É quando numa rede social, por exemplo, aparecem dezenas de mensagens num curtíssimo espaço de tempo a criticar algo ou alguém. Quase sempre uma pessoa. E o nome do bot quase sempre é algo indecifrável. Tipo: pp.e.jj.juntos.em.2026. Ou: elma73. Ou katia77. Ou: goat.é.o.velho. Ou: goat.é.o.anão.
Um bot é uma daquelas pessoas que encontramos nos cafés e que, no meio de duas imperiais e quatro tremoços, dizem mal de tudo e de todos (mesmo do maior dos maiores quando este estava no Real Madrid e marcava golos em catadupa) ou daquelas pessoas que estão sempre a dizer o melhor possível de alguém (mesmo quando esse alguém, tendo sido o maior dos maiores, já vai nos 41). Um bot diz que verde é vermelho, que vermelho é preto e que preto é branco. Sem pudor. Um bot é isto mesmo. É instintivo. Não pensa. Reage.
Todos nós, nem que seja uma vez na vida, somos bots. Dizemos o que nos apetece, mesmo que o que nos apetece não esteja suportado por nada real. Bot é alguém que diz que para curar o cancro basta beber chá de tília nos dias pares dos meses de 30 dias dos anos bissextos. Ou que acredita que a namorada de João Neves escreveu mesmo aquilo no Instagram. Ou que enche de insultos as redes sociais de Francisco Conceição apenas porque ele disse uma ou duas verdades: «Passo a bola a quem acho que está mais bem desmarcado. Não temos obrigação de passar a bola ao Cristiano».
Um bot, no fundo, é um infeliz. Seja humano ou informático. Um bot é um papagaio. Ouve e repete. Ouve e repete. Sempre sem pensar. Se ouve que a praia faz mal aos jogadores, diz que a praia faz mal aos jogadores. Se ouve que a praia faz bem aos jogadores, diz que a praia faz bem aos jogadores. Há dois tipos de bots: os que dizem mal do capitão porque sim e os que dizem bem do capitão porque sim. Eu sou apenas meio bot. Acho que o capitão deve jogar metade do tempo: 45 minutos. A abrir o jogo ou a fechar o jogo. Mas bem gostava de receber na terça-feira, lá pelas nove da noite, um email a insultar-me: «Chupa, meio bot. Assinado: elma73 e katia77.» Juro: gostava."
Sensibilidade e pouco senso na Seleção
"Há uma diferença entre criticar o futebol de Portugal e atacar a honra ou o profissionalismo da equipa. E se os jogadores querem pôr tudo no mesmo saco, arriscam ignorar o essencial
Portugal empatou contra a RD Congo — e, mais do que empatar, quase não teve oportunidades de golo e só acertou um remate na baliza, que felizmente entrou — na estreia no Mundial e logo surgiram as críticas. Não foram só dos portugueses: o pobre futebol da Seleção Nacional, e sobretudo a inoperância e ineficácia de Cristiano Ronaldo, foram tema em todo o Mundo.
E as críticas não foram só a Portugal — Brasil e Espanha, que na primeira jornada também empataram contra adversários teoricamente mais fracos (curiosamente também africanos), também foram alvos de fortes reparos. «Se tivéssemos ganho, não haveria tanta gente a falar. (...) Mas, por exemplo, Portugal empatou com a RD Congo e não teve nem metade das críticas que nós recebemos», disse até Gavi, mas a frase podia ter sido de Rúben Dias, Diogo Dalot e Francisco Conceição em relação à Espanha, porque cada um olha para a sua casa e ignora o resto...
Enquanto garantem que o balneário está blindado e que a equipa está focada em responder em campo no jogo com o Uzbequistão, os jogadores da Seleção Nacional que têm marcado presença nas conferências de imprensa vão mostrando que não será bem assim, revelando uma sensibilidade (e pouco senso) em relação às críticas que contradiz o discurso.
Percebo que se sintam injustiçados com algumas, e acho aquela coisa da praia uma perfeita idiotice — achar que dar uns mergulhos no mar vai fazer Portugal jogar pior, ou que depois de uma época que já vai para alguns em mais de 11 meses era bom era fazerem dois treinos por dia..., é populismo futebolístico...
Mas as críticas não foram só sobre isso. Na verdade, não foram essencialmente sobre isso. Foram à qualidade de jogo da Seleção, ou falta dela, e o pior é que o problema nem é de agora (tirando os jogos com a Arménia da qualificação, com um total de 14-1, que jogo de jeito fez Portugal esta época?).
E a discussão em torno de Cristiano Ronaldo justifica-se, mesmo que não se concorde com os argumentos. Porque a culpa até pode não ser do capitão, mas a verdade é que vai em 10 jogos consecutivos em fases finais de grandes competições sem marcar.
Reagir a estas críticas, nalguns casos nem isso, apenas dúvidas ou discussões, com uma fuga para a frente a acusar jornalistas, ou a dizer que há pessoas que não querem que Portugal vença, parece-me um sinal de pele demasiado sensível para estar num Mundial no calor dos EUA. Vejam lá se é preciso mandar vir mais protetor solar."
O muito que é mais para os de sempre
"O paralelismo talvez seja o único, mas tal como o Brasil aproveitou o Haiti para recuperar o moral também a Espanha teve uma segunda ronda 'amiga', diante da Arábia Saudita, para recuperar da má estreia diante de Cabo Verde. Ainda que Don Carletto tenha obviamente ajudado o seu ataque com a mudança de Igor Thiago por Matheus Cunha, os caribenhos não disfarçaram a ideia prévia de, mesmo depois dos reforços de última hora, serem uma das mais fracas seleções que alguma vez pisou o palco de um Campeonato do Mundo.
Não será pela goleada e pela 'chegada' de Lamine Yamal ao torneio das Américas com o primeiro golo que a 'Roja' recuperou o estatuto de favorita. Já o era e foi-lhe fácil voltar ao caminho.
A tese foi contrariada por uma Bélgica a gastar o último combustível da sua Geração de Ouro, não ultrapassando um Irão hostilizado num torneio que devia ser um exemplo de hospitalidade para quem, no relvado, conquistou direito a estar presente. Terá a última oportunidade diante da Nova Zelândia. E Portugal tem o Uzbequistão.
É o que também vale ter 48 seleções num Mundial que deixou de ser palco dos deuses e quer juntá-los a mortais que tenham nascido com um ou outro dom que os torne elegíveis. Mais equipas, mais adeptos, mais dinheiro. As surpresas na primeira fase são eliminadas, logo melhores equipas nos jogos mais importantes, logo mais interesse e dinheiro.
A democratização do Mundial é na realidade, face aos rankings, apenas (para alguns) a garantia do visto e de uma experiência de vida. Para uns, uma melhor do que para outros. Que Cabo Verde aproveite! O mesmo se pode dizer das longas pausas para hidratação, muitas vezes desnecessárias, pensadas para os patrocínios e não para os atletas, ao jeito do público norte-americano, como acontece na NBA.
El Loco Bielsa, pensador do jogo e selecionador do Uruguai, resumiu a questão de forma perfeita: «Jogar quatro períodos em vez de dois altera a conceção cultural do futebol e como o interpretamos.» Touché!"
Como uma tempestade tropical quase nos roubou o material (e o Mundial)
"MIAMI — Quem diz que a vida de um enviado especial a um Mundial se resume a hotéis de cinco estrelas e salas de imprensa com ar condicionado, nunca viveu a volatilidade do clima da Florida. Por estes dias, o plano parecia perfeito: mergulhar de cabeça no coração de Miami, na mítica Ocean Drive, para sentir e reportar a loucura dos adeptos.
O cenário era digno de um filme. Um calor infernal, daqueles que colam a roupa à pele em segundos, e uma maré azul e branca, a de adeptos uruguaios, a cantar a plenos pulmões. O ambiente estava elétrico. Câmaras ligadas, microfones a postos, o trabalho a fluir ao ritmo dos cânticos sul-americanos. Estávamos no teto do mundo do jornalismo. Até que o céu decidiu lembrar-nos de quem manda aqui.
Sem aviso, um trovão ensurdecedor rasgou o ar e o céu de Miami desabou numa daquelas chuvadas tropicais apocalípticas. Em segundos, a festa deu lugar ao salve-se quem puder. Mas para um jornalista, o pânico não é ficar molhado; o pânico é ver milhares de euros em equipamento tecnológico — a nossa única ligação à redação em Portugal — em risco de morte por afogamento.
A prioridade mudou num piscar de olhos: salvar o material. Sem capas impermeáveis à mão, a solução foi puramente analógica: câmaras, gravadores e portáteis enfiados à pressa debaixo das camisolas, colados ao corpo, num abraço protetor. O que se seguiu foram 15 minutos de uma corrida desenfreada pelas ruas inundadas de Miami até ao parque de estacionamento. Uma autêntica maratona de sobrevivência urbana, com o coração nas mãos a cada poça de água enfrentada.
Chegámos ao carro. O material? Salvo e seco, felizmente. Nós? Como se tivéssemos mergulhado no Atlântico de roupa vestida. A viagem de regresso a Palm Beach, que durou uma hora e meia sob um rasto de chuva intensa, foi feita em modo anfíbio, com o ar condicionado, em modo morno, a tentar secar o impossível.
Acabámos o dia sem jantar, cansados, mas com uma descarga de adrenalina que nenhum texto de bancada consegue replicar. Isto não é uma queixa, longe disso. É a mística pura do jornalismo de campo. No fundo, se não vieste ao Mundial para correr à chuva com uma câmara na barriga, vieste fazer o quê?"
Falta de vitamina D e os escaldões
"As idas às praia e as distrações dos outros; 'Para lá da linha' é um espaço de opinião
Enquanto neste retângulo na ponta da Europa o pessoal que corre para a praia assim que há raios de sol quentinho em abril discute os momentos de praia de alguns jogadores da Seleção Nacional antes da estreia no Mundial 2026, noutras paragens há quebras de rotina encaradas com naturalidade: Haaland vai a um jogo de hóquei no gelo, Harry Kane a um concerto de música country, e Lamine Yamal faz um coisa mais mundana - ir a um supermercado sem ser reconhecido.
Um estágio tão intenso como aquele requerido para um Mundial é psicologicamente desgastante para todos os envolvidos e com tantas seleções envolvidas, houve decisões para todos os gostos: precisamente Noruega e Inglaterra chegaram bem cedo para se adaptarem ao sol americano, era vê-los com os calções arregaçados e t-shirts mínimas, para deixar a Vitamina D atuar; já os ingleses abusaram da benesse, que o diga Declan Rice, que não escapou a um escaldão. Por acaso estes ganharam os seus jogos. Portugal foi mais em cima da hora e escolheu assim aclimatizar-se. Não custava nada ter falado disso na altura, antes de Rúben Dias ter sido tão altivo nas explicações que antes não foram dadas pela FPF, que permitiu a toma de imagens desses momentos. Se o jogo com a RD Congo tivesse dado em vitória, isto seria ainda assunto? Acabou por haver escaldão, mas de outro calibre.
Neste espaço já foram abordadas várias vezes das desigualdades entre homens e mulheres atletas no contexto de parentalidade. A polémica em volta da escolha que o belga Doku em acompanhar de perto o nascimento do primeiro filho espanta-me, mais ainda por ter sido uma mulher a questionar o que ia o pai lá fazer. Ao mesmo tempo, o norueguês Ostigard assistiu, através de videochamada, ao nascimento do seu filho, acompanhando a mulher como pôde. Tudo se reduz a uma escolha que o jogador, o pai, deve poder fazer. Se calhar umas horas na praia ajudavam a espairecer."
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