Últimas indefectivações

sábado, 2 de maio de 2026

Festa do título!!!

Benfica 3 - 1 Sporting


Com o título já decidido, festa do título de Campeãs na Luz, em mais uma partida onde falhámos muitos golos, sofremos novamente num Livre Lateral estupidamente, mas ganhámos claramente...

Vitória em Alcochete!

Sporting 0 - 1 Benfica
Prioste


Boa vitória que afasta os medos da matemática em relação à manutenção!
O jogo não foi bonito, muito combate, acabámos por marcar na recarga num penalty... Num jogo onde houve 3 penalty's a favor do Benfica, mas só um foi marcado: Cláudio Pereira no apito, com o porco do Bento no VAR !!!

Juvenis - 12.ª Jornada - Fase Final

Braga 0 - 1 Benfica
Almeida


Golo nos primeiros minutos, e aguentámos até ao fim a vantagem...

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Famalicão - Mourinho

BI: Antevisão - Famalicão...

BI: Megafone - Voo Picado #24 - A saga dos bilhetes e das proibições

Manteigas: Assembleias...

O Benfica Somos Nós - È para cima deles #19 - Famalicão...

BF: Entradas...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

SportTV: Primeira Mão - ⏳ O momento chegou… teremos campeão?

O Cantinho Benfiquista #228 - O Destino Nas Nossas Mãos 📱

Operação: Moreirense...

Aquecimento...


O jogo de sonho e a viagem de uma época


"Talvez tenha sido mesmo o melhor jogo que vi na vida, e vi muitos milhares seguramente. O PSG-Bayern teve tudo o que o futebol tem de melhor: talento individual, intenção ofensiva permanente, crença coletiva nos momentos mais difíceis (de ambos os lados), incrível fair-play final, a começar nos treinadores.
Não foi um dia bom para quem aprecia no jogo mais sofrimento que talento, mais defesa que beleza, mais métrica do que estética. Não sei se foi o melhor jogo que vi na vida, mas, assim de repente, não me lembro mesmo de nenhum melhor. E nunca mais é quarta-feira, para os ver a todos em campo outra vez.
Sem terças nem quartas europeias, só quintas, o FC Porto agarrou-se ao campeonato. E a vitória anunciada obriga a admitir que Farioli não se equivocou ao privilegiar a liga doméstica. Quem ganha acaba sempre por ter razão. Mas ninguém me convence de que um pouco mais de risco na eliminatória com o Nottingham não só não teria hipotecado o título nacional como abriria caminho para o regresso portista à glória europeia. Faltou isso e a evolução para um jogar mais sedutor. São os desafios para o italiano no Dragão da nova época: jogar melhor e brilhar na Europa. Além de tentar repetir o título nacional, que não deixa de ser o mais importante.
Os maiores rivais acabam esta época afogados em dúvidas, o que normalmente é prenúncio de entrarão na próxima do mesmo modo. A menos que decidam mudar de planos no imediato, o que não se afigura provável: no Sporting porque já havia renovação anunciada para Rui Borges, no Benfica porque já se percebeu que José Mourinho só sairá se quiser, o que significa se alguém relevante o quiser, mais ainda quando o segundo lugar surge como inesperada redenção de uma época falhada.
Se Mourinho pode acabar melhor que o previsto, Borges deve (não é certo, claro) encerrar a época após desperdiçar os 50 milhões da Champions com empates diante das equipas mais fracas do campeonato. E é inevitável que isso enfraqueça a posição do treinador, a despeito da boa carreira europeia, de uma série de jogos entusiasmantes e do azar com as lesões. Acontece que o leão se colocou vezes demais no fio da navalha da (in)felicidade - sofreu agora golos após os 90 minutos do mesmo modo que umas quantas vezes os obteve - e Rui Borges não deixou de reclamar louros para si próprio, como quando exigiu reconhecimento e respeito após a goleada ao Bodo/Glimt. Na hora da desilusão, o ricochete atinge-o. Tem a palavra Frederico Varandas, que convém que dissipe dúvidas, seja quanto a crença na evolução ou de aposta em revolução.
Foi absurda a contratação de Cristiano Bacci pelo Estrela da Amadora a três jornadas do fim, pelo momento, em que pouco pode acrescentar, pelo contexto, após uma derrota normal frente ao FC Porto (não seria aí que esperava encontrar a salvação) e pelo perfil do técnico, que não tem tido propriamente sucessos e acabava de deixar o Tondela em agonia. Mais que a decisão em si, vale a pena, todavia, olhar o que é comum aos clubes em dificuldades. O Estrela faz Bacci suceder a João Nuno, depois deste ter sucedido a José Faria, e não se vê ponto de contacto entre eles. São insondáveis, pelo menos no plano técnico-tático, as razões que fizeram acreditar ou deixar de acreditar em cada um desses homens.
O AVS também teve três treinadores: José Mota, João Pedro Sousa e João Henriques (mais Fábio Espinho em transição), de novo perfis bem diferentes e sem que se perceba o fio condutor. O resultado está na tabela. No Tondela, idem aspas, com Gonçalo Feio a tentar o milagre sobre a meta, depois das escolhas difusas de Ivo Vieira e Cristiano Bacci. Falta o Casa Pia, que também vai no terceiro andamento, com Álvaro Pacheco, após ter desistido de João Pereira e Gonçalo Brandão. São exatamente essas as equipas em risco de descer, sendo que, das demais 14 - talvez não tenha reparado, eu não tinha -, só mais três mudaram de técnico (e uma só vez cada) nesta época: Benfica, Vitória SC e Santa Clara.
Moral da história: uma época de futebol é como uma viagem. Não adiante trocar de guia quando não há mapa, que isso vai significar perder-se, mesmo que se lhe dê outro nome."

SC Braga, o elogio antes de mais


"A vitória sobre o Friburgo é muito mais do que outro bom resultado europeu que deixa o clube minhoto a porta de outra final europeia

A vitória do SC Braga sobre o Friburgo, na primeira mão da meia-final da Liga Europa, não é apenas mais um bom resultado europeu. A presença por si só nesta fase da prova era já a reafirmação de um projeto que, há muito, deixou de ser promessa para se tornar uma realidade sólida no futebol português e que ganha respeito lá fora.
Pode haver quem não goste do estilo, mas os factos são claros: desde que António Salvador assumiu a presidência em 2003, o SC Braga construiu uma identidade de exigência, visão e capacidade de antecipação no clube. Esta última parte é relevante, porque não foram apenas jogadores contratados e transferidos para Benfica, Sporting e FC Porto, grandes que ainda dominam o nosso ecossistema. Foi também o desenvolvimento de uma formação que tem nomes na atual Seleção A, naquela que é, seguramente, uma das, se não a região mais competitiva no panorama nacional.
Trata-se da criação de uma estrutura que potenciou carreiras de futebolistas, mas também de treinadores. Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Sérgio Conceição ou Ruben Amorim passaram todos pelo clube antes de serem reconhecidos cá e internacionalmente. Há outros nomes, alguns tiros ao lado também, porque não há nenhum clube que acerte sempre.
O 2-1 de ontem abre reais hipóteses de o clube regressar a uma final europeia como em 2010/11, mas não surge como coisa isolada, é consequência direta de um crescimento sustentado: uma cidade desportiva de referência, scouting afinado e uma ambição que já criou uma expectativa de quarto grande, mesmo sem um título de campeão nacional.
O SC Braga merece reconhecimento porque há também um enquadramento mais amplo. Desde a década de 1960, Portugal habituou-se a estar em finais europeias com alguma regularidade (exceções na de 70 e 90) e é pelos minhotos que essa porta se reabre.
Este triunfo frente ao Friburgo e o modo como ele se conseguiu é, por isso, mais do que uma vantagem na eliminatória. É um sinal de maturidade competitiva. O SC Braga mostrou que sabe sofrer, sabe gerir momentos e, sobretudo, sabe que pertence a este palco. E isso, para quem tem de crescer a desafiar probabilidades internas, é talvez o maior elogio que se pode fazer, independentement do que suceda na Alemanha. Se chegar a Istambul, terá pela frente um clube que já foi campeão europeu. Mas um passo de cada vez, como tem feito este SC Braga."

Sporting e Rui Borges: a anatomia de um fracasso


"Os leões falham o 'tri' e não haverá apenas uma só razão que o explique. Tal como não se explica que o seu treinador renove logo agora. Uma gestão de 'timing' sem grande sentido

Pela experiência de quem vem de dois títulos consecutivos, ninguém imaginaria que o Sporting sofresse tamanha erosão nestes momentos finais.
Rui Borges ou os jogadores, ou mesmo todos juntos, equilibraram praticamente a decisão de toda a temporada em dois momentos, próximos entre si, depois de não terem conseguido ultrapassar a derrota no primeiro clássico com o FC Porto.
Nessa primeira fase, não só não tinham conseguido devolver o golpe que lhes tinha sido infligido por uma equipa a consolidar processos criados, como, num contexto de Liga pouco ameaçadora para os grandes como é a portuguesa, a vantagem pontual continuava confortável.
Não se furou a matemática nem a percepção. O favorito mudara de lado. Apesar dos fantasmas de Farioli pela passagem por Amesterdão, era a sua squadra, construída praticamente do zero — rapidamente, mas de forma estruturada, com várias fases e objetivos —, que parecia a mais forte. Mesmo diante de um bicampeão, que apenas tinha perdido a referência no ataque.
Com os portistas em velocidade de cruzeiro, os leões mantiveram passo firme e distâncias, à espera do erro alheio, porém a exigência iria obrigá-los a esforço considerável. O Sporting acreditou que podia mesmo chegar às meias-finais da Liga dos Campeões e não guardou uma gota de suor no corpo. O embate com o Arsenal, em Londres, iria, dessa forma, quebrar-lhes as pernas. No entanto, seria o dérbi com o Benfica, decidido no último fôlego depois de uma oportunidade desperdiçada, a destruir-lhes a alma.
Os verde e brancos passaram de ainda candidatos a terceiros classificados, com desvantagem no confronto direto, e a presença na Liga dos Campeões em risco.
Quebraram de vez depois do golo de Rafa. Desistiram, os braços caíram desamparados, a energia foi-se, sem alma que a amarrasse a músculos, ossos e tendões. Ainda entram em campo, ainda caminham, correm, rematam, todavia já nada parece fazer sentido. Só lhes resta esperar que os corpos vazios voltem a encher-se de vida.
Para trás, fica o planeamento, o mercado, conseguido e não conseguido, a gestão e as lesões, explicação mais recorrente para o que se tem passado. E aí haverá sempre vários temas. Luis Suárez, o único reforço com real impacto — e era aquele cuja herança mais pesada seria para carregar às costas, uma vez que substituía Gyokeres e até vinha de um segundo escalão —, ficou rapidamente sem suplente e, mais tarde, foi necessário recorrer ao jovem Nel. Entretanto, os problemas de Ioannidis, esperado desde a era Amorim, remontam a novembro e é um pouco inexplicável que o clube não se tenha precavido. O risco era grande até pelas circunstâncias da lesão, um problema no joelho.
A Vagiannidis irão colar rótulos e um deles será, certamente, o de erro de casting. A contratação estaria planeada há algum tempo, ao contrário de Faye e Luís Guilherme — um sem garantir rendimento nos treinos que o leve a ser opção para os jogos; e o outro sem exibições consistentes, ainda que possa alegar alguns problemas físicos como álibi —, soluções de recurso, depois de se terem falhado os alvos principais. Yeremay, por exemplo, é um extremo capaz de criar desequilíbrios pela ala e pelo corredor central e, como tal, um namoro antigo e, na falta de capacidade de o resgatar ao Corunha, ainda se tentou Kevin, que o Shakhtar venderia ao Fulham de Marco Silva por 40 milhões de euros.
A comparação com Alisson é que sai pela culatra. Emprestado por 3,5 milhões, começou rapidamente a convencer Antonio Conte e leva três golos em 10 encontros. Se no Sporting a irregularidade era evidente e nada fazia prever adaptação tão rápida ao calcio, a verdade é que não faltará adepto que não abane a cabeça, ainda mais porque a cláusula será exercida e o Sporting ficará sem o extremo de 23 anos em definitivo a troco de mais uns milhões. Em Alvalade, acreditou-se que Luís Guilherme, com ritmo de Premier League, ainda que não titular no West Ham, três anos mais novo, seria melhor negócio. Para já, não se confirma. Em 10 jogos na Liga, não conta com nenhuma ação determinante para golo.
Não tendo um impacto imediato, com Faye a não contar e Quenda com lesão prolongada, o Sporting não ficou a ganhar, bem pelo contrário. Para piorar, também Pedro Gonçalves esteve intermitente, por questões físicas, e Nuno Santos passou meses a fio no estaleiro. Trincão, Catamo, Luis Suárez, só para falar do ataque, jogaram quase sempre. E, como tal, quebraram. Primeiro, fisicamente. Depois, na vertente emocional.
No meio disto tudo, está Rui Borges. Terá dado aval aos reforços, mas não sabemos até que ponto participou ativamente nas contratações. O que sabemos é que sempre os defendeu. Aos reforços e aos outros. E bem.
Também sabemos que conseguiu transformar com eficiência o modelo existente no seu. Soube esperar quando percebeu que as coisas não estavam no caminho certo ainda no primeiro ano, apostou sem dúvidas no segundo. Eficiência em termos de processo, os resultados depois acabam por não demonstrá-lo. E como precisa destes!
O Sporting bicampeão fracassa, logo o treinador campeão Rui Borges também não pode ter sido bem-sucedido. Apostar na sua continuidade é acreditar que aquela competitividade será a norma na próxima época. Mas lesões haverá sempre. É preciso é saber responder nesses momentos. E o próximo mercado, antes disso tudo, promete aumentar a dificuldade, com a saída de jogadores-chave. Hjulmand antes de todos.
Não tenho nada contra a comunicação do técnico, apenas acho que não pode ser monocórdica. Tem-no sido. Com aquele ãhhhhhhhhh que se arrasta e que parece acrescentar indecisão à liderança. E, nesta fase, a mensagem tem de ser o guia. O farol.
Já Frederico Varandas, com tudo para fazer diferente, antes ou depois, num momento mais estável, gere mal o momento da renovação.
Rui Borges começará frágil a próxima temporada, tenha um ou dez meses de vínculo. A Taça e um Torreense a querer fazer história determinarão quão frágil isso será."

Regular o Investimento


"O futebol português tem registado uma crescente atratividade junto de investidores, tanto nacionais como internacionais, impulsionada pelas oportunidades desportivas e económicas que o setor oferece.
A entrada de capital pode assumir um papel relevante na valorização das infraestruturas, no aumento da qualidade competitiva e na afirmação do futebol nacional além-fronteiras.
Ainda assim, a insuficiência de mecanismos rigorosos de verificação da origem dos fundos e da credibilidade dos investidores constitui um fator de risco para a solidez financeira e para a imagem do futebol português.
Experiências internacionais demonstram que práticas de gestão inadequadas e a instrumentalização do futebol para fins ilícitos, designadamente o branqueamento de capitais, são realidades que não podem ser desvalorizadas.
A crescente presença de veículos de investimento e a aquisição de posições em SAD através de estruturas complexas e pouco transparentes reforçam a necessidade de maior vigilância.
Neste quadro, revela-se imprescindível o reforço da capacidade de fiscalização por parte das federações e das autoridades públicas com competência na matéria.
Sendo o investimento um elemento-chave para o progresso do desporto, importa assegurar que o mesmo decorre segundo princípios de integridade, legalidade e transparência.
A preservação do futebol português implica, por isso, uma gestão equilibrada entre a captação de recursos financeiros e a defesa da sua credibilidade desportiva e económica.
Apenas com um enquadramento auto-regulatório robusto será possível promover um desenvolvimento sustentável, sendo que a FPF tem vindo a defender a existência de uma comissão de auditoria composta pela própria FPF, Liga, Sindicato e ANTF."

Possessivo: Diário...

Turquia: Hakan Şükür, o “Touro do Bósforo” que passou de herói nacional a exilado


"Hakan Şükür marcou uma geração inteira de adeptos turcos com golos, títulos e presença. Mas o que construiu nos relvados não o protegeu de uma tempestade chamada Erdogan, que o empurrou para longe do país que o idolatrava.

Nem todos os ídolos desaparecem com o tempo, alguns são empurrados para fora da memória e acabam a viver uma vida tão normal que ninguém acreditaria se não estivesse documentado. Hakan Şükür, que um dia fez a Turquia inteira vibrar, passou de herói nacional a motorista de Uber em Palo Alto, não porque decidiu Hakan Şükür “mudar de ares“ ou fazer um retiro espiritual na Califórnia, mas porque foi perseguido pelo governo de Erdogan.
Comecemos pelo futebol. No Galatasaray tornou‑se sinónimo de golos, títulos e noites europeias que mudaram a perceção internacional do futebol turco. Na seleção, transformou‑se numa referência, autor de momentos que ainda hoje definem a história da equipa nacional. No entanto, tudo o que construiu dentro de campo acabaria por ser engolido por uma vida fora dele que tomou um rumo inesperado.
A alcunha que o acompanhou, “Touro do Bósforo” não nasceu por acaso. Şükür era um avançado que unia força e elegância de forma improvável: 1,91m de presença física, domínio no jogo aéreo, mas movimentos leves, quase subtis, que lhe davam vantagem sobre qualquer defesa. Tornou‑se o maior goleador da história do Galatasaray e do campeonato turco, discutindo números com alguns dos melhores avançados europeus dos anos 90.
O auge internacional chegou no Mundial de 2002, quando a Turquia surpreendeu o mundo ao terminar em terceiro lugar. Şükür assinou o momento mais emblemático dessa campanha, e um dos mais marcantes da história dos Mundiais, ao marcar à Coreia do Sul aos 10,8 segundos, o golo mais rápido de sempre na competição. Há quem demore mais tempo a encontrar as chaves de casa. Fechou a carreira na seleção com 51 golos, em 112 jogos, números que ainda hoje ninguém conseguiu igualar no país.

A fuga e o exílio nos EUA
Mas a vida fora dos relvados seguiu um caminho bem diferente. Depois de se retirar, entrou na política e chegou a deputado pelo partido AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento). Até que, em 2013, desiludido com os escândalos de corrupção e com o rumo político do país, decidiu abandonar o partido de Recep Tayyip Erdogan e tornou‑se deputado independente. Foi o início do fim da sua tranquilidade. “A hostilidade começou aí“, contou em 2020 numa entrevista à revista alemã Focus. A loja da mulher foi apedrejada, os filhos foram importunados na rua e ele próprio recebeu ameaças. Pouco depois, viu todos os seus bens serem congelados.
Muito ativo no outrora Twitter, hoje X, acabou acusado de estar ligado à tentativa de golpe de Estado de 2016, por ter expressado apoio ao clérigo Fetullah Gülen. A Justiça turca indiciou‑o, descreveu‑o como “fugitivo“ e “membro de uma organização terrorista“ e ainda lhe atribuiu uma pena de prisão por “insultos“ a Erdogan. Já não havia retorno.
Saiu da Turquia em 2015 e, no início de 2017, instalou‑se definitivamente nos EUA. A reação do governo turco foi imediata: o pai foi preso durante quase um ano - só foi libertado devido a doença -, e tudo o que lhe restava foi confiscado. “Não me resta nada no mundo, Erdogan tirou‑me tudo“, diria mais tarde.
Nos EUA, tentou recomeçar. Abriu um pequeno café em Palo Alto, mas o negócio durou pouco. Depois de uma fã turca ter sido detida na Turquia por tirar uma fotografia com ele, começaram a aparecer no café pessoas “estranhas“, contou numa entrevista, que tocavam música dombra, um símbolo nacionalista usado pelo partido de Erdogan. O ambiente tornou‑se tão tenso que a polícia e até o FBI chegaram a vigiar o local. O café acabou por fechar. Sem alternativas, passou a conduzir um Uber e a vender livros para sobreviver. Para desanuviar, jogava futebol numa equipa amadora local. E, mesmo ali, continuava a ser o mesmo avançado de sempre: num dos jogos, marcou 11 dos 15 golos da equipa. Há coisas que nem o exílio apaga.
Hoje, é considerado persona non grata até pelo Galatasaray, o clube onde se tornou lenda. Na Turquia, o seu nome foi praticamente apagado do espaço público, como se nunca tivesse existido. Mas ele continua a falar sobre liberdade, política, futebol e tudo o que viveu. “A Turquia é o meu país e eu amo o meu povo“, continua a afirmar. “Sou inimigo do governo, não da nação.“
Vive longe de casa, não renega o passado, mas aprendeu de forma dura que a vida pode mudar tão depressa quanto um avançado turco a marcar num Mundial."