Últimas indefectivações

sábado, 25 de abril de 2026

Vitória... com roubo por antecipação!

Nun'Álvares 0 - 5 Benfica

Vitória fácil, num bom jogo, onde garantimos presença na Final... Agora, não sei se vale a pena, já sabíamos que o Diego estava lesionado, hoje o Kutchy não jogou... e o Arthur acabou expulso por mais um nojento Lagarto no apito!!! O Arthur mete o braço no peito do adversário, que acaba por resvalar na cara, lance claro para Amarelo, mas a Lagartada está com medo, precisa de ajuda!!!

Digo e volta a reafirmar, com estes apitadeiros, vamos ganhar o título máximo no Futsal de 10 em 10 anos, e as Taças de 5 em 5!!! Podemos trocar de treinador, podemos trocar os jogadores todos, nada vai mudar!

Derrota...

Benfica 28 - 40 Sporting
12-18

A diferença é grande, muitos jogadores estão de despedida, mas com tantas ausências era mesmo impossível! Pelo menos a juventude aproveitou o Miguel Mendes acabou por ser o melhor marcador!

Derrota...

Sporting 2 - 1 Benfica
Rocha


Equipa se recurso, sem esperanças de chegar à frente, com muitos jogadores com poucos minutos esta época, com 3 laterais esquerdos de raiz a titular... e ainda com uma lesão do nosso único ponta-de-lança! Numa partida que começou com mais um suto-golo... o 2.º esta semana, se juntarmos a equipa B !!!

Zé Neto


Depois do Anísio e do Banjaqui, o terceiro contrato profissional para um Campeão do Mundo de Sub17, para um jogador que já se estreou na equipa principal, e que promete ser titular nos próximos tempos, se calhar já na próxima época!

O Neto, destaca-se para 'leitura' de jogo. Inteligência posicional, boa definição com a bola nos pés. Não sendo um portento físico, sabe defender, não é fácil passar por ele no um para um...

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Mourinho - Antevisão - Moreirense

BI: Antevisão - Moreirense

O Benfica Somos Nós - É para cima deles #18 - Moreirense

Comercial: RAP - "O Benfica deu-me grandes alegrias na vida. E grandes tristezas também.”

SportTV: 🏆 - Quinas da Memória '66 c/ António Simões - O MELHOR RESULTADO DE PORTUGAL NUM MUNDIAL

Prestianni castigado por homofobia


"É METEREM A VIOLA NO SACO

1. É de aceitar o castigo a Prestianni, que assumiu que tinha chamado 'maricon' a Vinícius, mesmo que no calor do jogo um insulto deste tipo possa não ter nada a ver com homofobismo, que é o mais provável que tenha acontecido neste caso. Aliás, a ser tudo levado à letra, as mãezinhas dos jogadores e do árbitro passavam todas por reincidentes put@s.

2. Como pode o protocolo permitir que Vinícius pare um jogo por 10 minutos sem que se possa provar que foi alvo dos insultos que alega? Só pela sua versão? Não há contraditório? Logo Vinícius que é useiro em casos destes, alguns provados à posteriori como não verdadeiros. Mais: e o castigo para Vinícius pelos insultos dirigidos a Prestianni, nada?

3. Daqui em diante qualquer jogador pode provocar um conveniente 'time out' de 10 minutos para a sua equipa - basta que se faça de vítima de insulto racista.

4. Como pode Mbappé passar incólume de um castigo depois de se provar que mentiu descaradamente ao dizer que tinha ouvido Prestianni proferir cinco - cinco! - vezes o insulto racista 'mono' dirigido a Vinícius?

5. Vinícius e Mbappé podiam ter dado cabo da carreira de Prestianni, um colega de profissão. Que isto ao menos sirva de lição para o futuro.

6. Muitos surfaram o 'episódio Prestianni' para concluir, sem quaisquer provas, que Prestianni era um inqualificável racista e tinha que levar dez jogos de castigo. E agora?

7. Muitos surfaram o 'episódio Prestianni' para colar ao Benfica, sem quaisquer provas, o selo de racismo. E agora?

8. Depois de tudo o que foi dito sobre a inaptidão do Benfica para lidar com o 'episódio Prestianni', acho que se pode concluir, hoje, com a divulgação da decisão da UEFA, que as coisas não foram assim tão mal tratadas."

Imagem...

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica informa que foi notificado pela UEFA da sanção aplicada ao jogador Prestianni devido a utilização de linguagem homofóbica durante o jogo Benfica-Real Madrid.
O jogador Prestianni foi castigado com 6 jogos de suspensão, dos quais 3 de pena suspensa durante 2 anos. Dos 3 jogos de suspensão efetiva, 1 deles já foi cumprido e os 2 restantes terão de ser cumpridos em jogos da UEFA ou da seleção argentina em contexto FIFA."

Capas e capinhas !!!

Narrativas...

Gelados!!!

Longe das primeiras páginas...

Aqui, o defesa que invadiu a área, disputou a bola com um avançado...

Bolos !!!

O logótipo em vez do símbolo, caro José Mourinho?


"Não é o ego, só por si, que torna o atual treinador do Benfica um mau candidato à própria sucessão. É o contexto que lhe é, de novo, desfavorável. Já o Real Madrid...

Uma das palavras que começou a entrar bem fundo no léxico futebolês é «contexto». Ainda bem. No entanto, é menos utilizado ainda do que deveria. O contexto pode transformar o certo em errado e a verdade em mentira sobretudo dentro, mas também fora das quatro linhas. É a parcela mais importante de qualquer equação futebolística.
Esqueçam as frases feitas que vêm do tempo em que nos deixávamos maravilhar com tudo o que víamos na caixinha mágica, embelezada a naperons e anjinhos de gesso, na nossa juventude, ou ponham-nas um pouco de lado. Se apanharem pela frente um holandês, o povo mais frontal que existe, serão desmontadas em três tempos. Como repetiria Cruijff se fosse vivo, depois de tanto o ter dito a contemporâneos, «se tens o recorde de quilómetros percorridos é porque estiveste quase sempre mal posicionado».
Muitas vezes, ouvimos que «os melhores devem estar sempre em campo». Em tese, sim. Desde que se consiga equilibrar o coletivo — com nomes, dinâmicas ou características — para também encontrarmos nesse plano o ponto mais alto da equipa. Se dois ou três apagam ou diluem outros do processo, ofensivo ou defensivo, então há dois caminhos: impôr-lhes o mais possível do modelo sem que percam o que os torna únicos; ou, se não for possível, trabalhar no futuro para trazer atletas multidimensionais, que não se deixem prender a um único talento.
Claro que Haaland deu algo a Guardiola que este não tinha, e foi com o norueguês que o espanhol conheceu a glória continental, mas a quebra do princípio levou a abdicar de outros e ao afastamento cada vez maior da sua identidade. Guardiola colocou a sua bandeira com força no Elbrus, mas nunca mais encontrou as fórmulas que tinham feito dele o que é e que desapareceram na avalanche que provocou. As épocas tornaram-se difíceis e mesmo que ganhe nesta será sempre mais o Arsenal que a perdeu do que ele a conquistá-la, tal a vantagem perdida.
Também o Mourinho de 2000 fazia sentido na Luz, ao contrário de hoje. Há 25 anos, aquela energia e fé inabaláveis, o trato dos jogadores quase como iguais, oferecendo para exigir depois, e picando-lhes os miolos para extrair o que davam sem ter, elevaram-no à categoria de general, o líder que todos seguiam para a guerra. Depois, eram treinos dos quais a bola nunca desaparecia, o adeus à praia e ao mato, às corridas intermináveis e ao trepar bancadas com colegas às cavalitas. Tudo inspirado na Periodização Tática e trabalhado por Rui Faria — e não havia um único exercício que não refletisse uma situação de jogo. Não saberemos o que seria se o ultimato tivesse funcionado, porém vivemos um pouco o que foi. E a curva era ascendente.
Era outro Mourinho. Revolucionário. Hoje, a revolução é paradigma, e a diferença senso comum. Era organização, equilíbrio e estratégia, porém as suas equipas eram também ofensivas, gostavam de ter a bola e de jogar com ela. Hoje, é um treinador que não se importa de não a ter para jogar em contra-ataque, uma deformação que saiu do confronto com Guardiola e que depois nunca mais adquiriu a forma inicial quando se desencontraram. Ainda que os jogadores o respeitem, já não acreditam em tudo. E já não tem Rui Faria, o seu Peter Taylor. Não se superiorizando no treino ou na motivação, sobra-lhe a estratégia. E essa ganha jogos, não campeonatos.
O Benfica foi obrigado a reinventar-se sem ele. Demorou talvez mais tempo, mas conseguiu-o. Não é o mesmo clube moribundo, apenas vive sem rumo — e isso deveria ser um aviso para todos os treinadores que ficam a pensar que consigo seria diferente. Na verdade, na Luz é um dois-em-um que faz sentido, um treinador que traga um modelo vencedor e um manager, que além de tomar decisões mais macro ainda seja capaz de ser a figura central na gestão do mercado. Quem só for treinar, esqueça. Sofrerá com o vazio. E que não esqueça: estar-se só num clube tão grande faz aparecer todos os fantasmas.
Há também uma cultura. Começou a ser criada com Jorge Jesus, com os seus defeitos e qualidades, mas existe. Uma cultura que a primeira versão de Lage, por força do talento imenso de Félix e Jonas, ainda coloriu depois do maior cinzentismo de Rui Vitória. E que Schmidt voltou a resgatar para o Lage mais pragmático, primeiro, e Mourinho, depois, virarem do avesso. Uma cultura de futebol de ataque, que chegou a ser também de vitória em alguns momentos. No pós-JJ, cresceu a Academia. Que a natureza mercantilista do clube foi usando conforme deu jeito, estourando os milhões que esta e o scouting lhe deram em más decisões, ordenados incomportáveis e sabe-se lá bem mais o quê. Entretanto, mais uma bela geração volta agora a bater à porta sem estar lá quem a abra.
O que nos diz a lógica? Que o Benfica precisa de uma organização de ataque para dominar e ultrapassar adversários fechados, numa liga em que as diferenças são visíveis. E, para isso, tem de ter armas coletivas e não apenas individuais. Precisa que Lukebakio não apague Dedic, que este Schjelderup não seja vendido e se torne referência, que Sudakov volte a estabelecer ligações com Pavlidis, que a fase de criação tenha jogadores que consigam gerir a bola, resistindo à pressão, fazendo chegá-la ao sítio certo no momento ideal. Precisa de quem pegue neste plantel, não desista dele e lhe acrescente argumentos que lhe dêem sentido. Que acredite que na formação estão prontos. Ainda mais porque se terminar em terceiro o investimento será reduzido. E precisa, sobretudo, de um treinador que aponte para o símbolo do clube e não para o seu próprio logótipo. Um projeto desportivo nunca deve ser uma arma de arremesso contra os críticos. Tenham estes, ou não, razão
 Enquanto isso, num Real Madrid que adora a transição — os muitos anos de Ancelotti e até Zidane e Benítez acentuaram o anti-tiki-taka —, jogadores feitos, sem nunca ter tido muito espaço para Pavónes, e onde até o maior dos Galáticos o respeitará e se pensa mais na Liga dos Campeões do que na Liga, parece ser mesmo o contexto ideal. Por muito que o incomode — o que acredito que, no íntimo, nunca terá acontecido."

Sporting: não pode ser só azar


"Pela segunda época consecutiva, Rui Borges vê a equipa completamente arrasada por lesões e cansaço. Resistência no Dragão foi heróica, mas é preciso perceber o que se passa

Só uma hecatombe muito improvável impossibilitará o FC Porto de fazer a festa do título de campeão nos Aliados e pouco haverá a dizer sobre a justiça desse feito. Uma primeira volta a roçar a perfeição, na qual só o Benfica ousou tirar pontos no 0-0 do Dragão, lançou a equipa de Francesco Farioli e será uma questão de tempo até que a matemática confirme o título, mas a verdade é que, quando for analisada em retrospetiva, a temporada azul e branca poderá saber a pouco.
Duvido que tão cedo os dragões tenham uma chance tão boa para chegar a uma meia-final europeia — sim, é a Liga Europa, mas não deixa de o ser... — como a de ultrapassar uma equipa que luta para se manter na Premier League, ou voltem a apanhar um Sporting tão exausto como o que se aguentou, anteontem, agarrado ao nulo no Dragão para selar a ida ao Jamor.
Numa semana, o FC Porto teve dois match points e falhou em ambos: nota-se que à equipa falta poder de fogo e um 9 que faça a diferença, mas, a bem da verdade, aqui a sorte também não quis nada com o FC Porto: o que seria das épocas de Sporting e Benfica sem Suárez e Ioannidis e Pavlidis e Ivanovic ao mesmo tempo? Deniz Gul e Moffi são esforçados, mas curtos para materializar o caudal ofensivo que um grande tem em Portugal.
Se os problemas físicos tiraram Samu e De Jong a Farioli, a Rui Borges arrasaram a equipa, num filme repetido de 2024/25, em que várias vezes foi necessário remendar recorrendo à equipa B. Até ao jogo no Dragão, só João Virgínia, Vagiannidis, Hjulmand, Trincão, Faye, Nel e Suárez não tinham sido baixa por lesão e, como se sabe, a dura entrada de Gabri Veiga pode ter acabado com a época ao fundamental dinamarquês. Sobram seis, um deles o guarda-redes suplente, como aqueles que se mantiveram toda a época 100% disponíveis para o técnico.
O que teria sido da temporada do leão com Debast, Nuno Santos, Pedro Gonçalves e Ioannidis no baralho a tempo inteiro? Há lesões impossíveis de evitar, é certo, mas os números são esmagadores e não surpreende que Maxi Araújo, Trincão, Suárez ou Inácio estejam de rastos na fase decisiva da temporada. E, no caso destes quatro, ainda terão o Mundial pela frente antes das férias. É dose.
Rui Borges não está isento de culpas na perda de gás no último terço e tem de ganhar a final da Taça para que, apesar do tremendo sucesso na Champions, a época não seja um falhanço, mas, até a um tempo não muito distante, o Sporting, num contexto tão difícil, teria desmoronado como um castelo de cartas. É esse um dos grandes legados da era Varandas."

BolaTV: O lado Direito do Mister - S02E09 - O momento dos treinadores

O Benfica Somos Nós - Diário #8

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O segredo dos heróis de Torres Vedras

Observador: E o Campeão é... - O Sporting que se cuide, Torreense quer brincar ao Carnaval no Jamor

Observador: Três Toques - É superstição apostar contra o próprio clube?

SportTV: Primeira Mão - 🔥 Final da Taça definida! Quem vai levantar o troféu?

DAZN: Europa - Como Portugal pode ter 4 equipas na Champions e antevisão do SC Braga x Freiburg

SportTV: Ukra by Noght - S02E10 - David Simão

BolaTV: Toque de Bola - S01E21 - Jorge Andrade

Renascença: Bola Branca - Olhá a Bola - Edite Fernandes

Porque é que, romantica e infantilmente, deixei de apreciar o Atlético Madrid


"Se antes o Atletico ensinava a perder, mas a perder de cabeça alçada, depois do combate, do sofrimento, num estádio operário, agora parece acomodado à sua condição de clube que subiu na vida, sem sangue nas veias, jogando mal, sem arriscar, pensando apenas no resultado. E eu, como tenho uma queda para o sentimento quando o assunto é bola, desinteressei-me

Não sei se há algo de racional na minha relação com o Atlético Madrid. É tudo feito de sensações, de contrastes, do meu lugar no mundo naquele momento e naquele espaço específicos, em linha paralela com a própria metamorfose de clube.
Quando os jogos da liga espanhola começaram a ser assunto de televisão aberta em Portugal, ali nos anos 90, não os podia ver nem pintados de cores de colchão porque Simeone, Caminero e Kiko roubavam títulos ao Barça de Cruyff, Figo e Guardiola, depois de Robson e Ronaldo. Nem as camisolas patrocinadas pela Bandai, para mim sinónimo de Super Sentai e de Power Rangers, me fizeram empatizar mais com o Atlético enquanto festejava ferozmente aquele 5-4 na Taça do Rei, em 1997, em que o Barcelona tinha estado a perder por 3-0 antes de recuperar, num dos momentos fundacionais da minha relação com o desporto, porque quem não ama um bom drama?
Assisti, por isso, com alguma indiferença à queda do Atlético à segunda divisão, ao fim da colorida e muy criminosa era de Jesus Gil y Gil. Não me tocou particularmente o regresso à La Liga, duro, não tão fácil como seria de esperar. Mas algo mudou quando, nos dias áureos dos seis títulos na mesma época do Barcelona de Messi e Pep, me mudei para Madrid. Fazia a mesma linha de metro que os adeptos do Atlético em dias de jogos, eu de volta a casa, na Chueca, eles a caminho das estações de Marqués de Vadillo ou Pirámides, mesmo ao lado do Vicente Calderón, estádio de bairro, à antiga, onde se apanhava frio e chuva na cabeça. E onde se sofria.
E também me cruzava com eles na segunda-feira seguinte, quando a cidade ia trabalhar ou se dirigia para as universidades. Não se via uma camisola do Real Madrid, nunca. Já o vermelho e branco do Atlético era omnipresente na vida quotidiana de Madrid, na pele de jovens estudantes e na dos obreros, apaixonados na vitória e na derrota daquele clube que ensinou tanta gente a perder.
O título “Saber Perder” do livro de David Trueba vem desse ensinamento que o Real Madrid, altivo, aristocrático, arrogante, nunca deu aos seus adeptos. A vitória como direito histórico, nunca pela batalha com os mais fortes. E apesar de tal não ser referido no livro, sempre tive a certeza que o clube de Ariel Burano, o puto argentino que chega perdido a Madrid para jogar à bola, era o Atlético.
Neste fluxo de futebol e vida, tornou-se difícil não ficar do lado deles, da mole que tomava o metro orgulhosa da sua camisola do Atlético, mesmo depois de um qualquer desaire. Tornei-me, assim, simpatizante colchonera nos anos seguintes. Vibrei sozinha, já em Lisboa, em frente a um solitário prato de caracóis, com a vitória na Liga Europa em 2010 (passe de Agüero, calcanhar de Diego Forlán), depois em 2012 (Falcao, madre mía), com a liga de 2013/14, em plena guerra Barça-Real Madrid. A empatia chegou finalmente ao minuto 90’+3 da final da Champions desse ano, em Lisboa, depois da cabeçada de Sergio Ramos quando o Atleti já festejava.
Mas algo aí já se transformava, para pior, no Atlético, que já não era o clube que batia os seus recordes de investimento ao dar 20 milhões de euros por Forlán, por Agüero ou Simão Sabrosa. Já era o clube que punha 40 milhões na mesa para levar Falcao do FC Porto. Era o clube que deixava os bairros populares do centro de Madrid para se mudar para um estádio todo modernaço num subúrbio anódino. E em breve, o Atlético tornar-se-ia no clube que pagaria €120 milhões por um miúdo do Benfica que, estava claro desde o início, nunca se daria bem naquele Cholismo das defesas compactas, das transições, dos sacrifícios coletivos, do conforto sem bola.
Aqui entra o lado romântico, infantil de quem não gosta de ver um clube a aburguesar-se, a renunciar, em campo, à sua origem. É uma visão demasiado poética, sonhadora, admito. Mas se antes o Atletico ensinava a perder, mas a perder de cabeça alçada, depois do combate, do sofrimento, num estádio operário, agora parece acomodado à sua condição de clube que subiu na vida, sem sangue nas veias, jogando mal, sem arriscar, pensando apenas no resultado.
A final da Taça do Rei do último fim de semana, perdida sedativamente para a Real Sociedad, foi um quadro cinzento de um clube que, algures no caminho, entregou parte da sua alma ao diabo do futebol moderno. E, assim, não é fácil continuar a simpatizar."

Centralização dos Direitos Televisivos: o futebol português entra na era da equidade


"A recente aprovação, na assembleia geral da Liga decorrida na passada sexta-feira, de um novo modelo de centralização dos direitos televisivos assinala um verdadeiro ponto de viragem no futebol profissional português.
Com mais de 90 por cento dos votos favoráveis entre as 33 sociedades desportivas presentes - destacando-se o voto contra do Benfica e a abstenção do Nacional -, a decisão evidencia não apenas uma confiança coletiva no modelo de comercialização proposto pela Liga, mas também a emergência de uma nova racionalidade coletiva no seio da indústria futebolística: o abandono progressivo do modelo de comercialização individualizada, historicamente assente na força negocial de cada sociedade desportiva, em prol de um sistema de exploração conjunta, regulado e redistributivo, cuja matriz legal já fora traçada pelo Decreto-Lei n.º 22-B/2021.
O regime até aqui vigente consagrou uma lógica de mercado em estado quase puro, onde cada clube negociava autonomamente os seus contratos de transmissão, preservando a autonomia privada e a liberdade contratual. Na prática, porém, esse modelo gerou uma assimetria estrutural de contornos dramáticos: os clubes de maior implantação captaram a esmagadora fatia do valor comercial, enquanto os restantes emblemas se debateram com margens de receita exíguas, comprometendo a sua própria sustentabilidade.
Foi precisamente para corrigir esta clivagem que o legislador interveio, reconhecendo que a fragmentação da oferta audiovisual não só enfraquecia o produto global, como perpetuava desigualdades competitivas incompatíveis com a integridade desportiva.
No essencial, o modelo ora aprovado assenta na criação de um «pacote único» de direitos audiovisuais. Em termos substanciais, deixa de ser cada clube a vender o seu próprio produto, para passar a existir um «produto liga», potencialmente mais robusto, mais previsível e, em teoria, mais atrativo para o mercado audiovisual.
Portugal alinha-se, assim, às principais ligas europeias - como a Premier League, a La Liga ou a Bundesliga -, nas quais a centralização é norma consolidada.~

Melhor sustentabilidade financeira, maior equidade competitiva
Do ponto de vista jurídico, estamos perante um sistema de venda conjunta com subsequente repartição de receitas: cerca de 90 por cento do valor será afeto à Liga e 10 por cento à II Liga.
No principal escalão, a distribuição das verbas proposta pela Liga será feita com base em cinco critérios predefinidos: 44,2 por cento em função do mérito desportivo (classificação final, participações europeias e conquistas em taças nacionais; 33,2 por cento repartidos equitativamente entre todos os 18 clubes; cerca de 3 por cento para as condições para as transmissões televisivas e 1 por cento para a qualidade do relvado, iluminação e condições para o trabalho da comunicação social.
Apesar do aval dos clubes, o modelo carece, ainda, de validação governamental e crivo da Autoridade da Concorrência, para assegurar que a concentração negocial não distorça o mercado.
Certo é que, nos termos do Decreto-Lei n.º 22-B/2021, a centralização assumirá natureza obrigatória a partir das épocas subsequentes a 2027/2028, momento em que os direitos televisivos e multimédia deixarão de poder ser objeto de comercialização individualizada.
Nesta esteira, o que ora se delineia, ultrapassa largamente a mera engenharia de uma venda conjunta de direitos, para se afirmar como a consagração de um novo pacto económico no coração do futebol profissional português.
O modelo proposto não só aproximará Portugal dos padrões das principais ligas europeias, como poderá redefinir as bases de sustentabilidade financeira das competições profissionais, fomentando uma maior equidade competitiva, mitigando assimetrias históricas entre emblemas e contribuindo para um campeonato mais equilibrado, competitivo e, em última instância, mais fiel à própria essência do espetáculo desportivo."

Alterações regulamentares (II)


"No seguimento do anterior artigo sobre este tema, relembramos que foram aprovadas, em reunião de Direção da Federação Portuguesa de Futebol de 23 de março, propostas de alteração ao regulamento disciplinar para a próxima época, com o objetivo de reforçar a segurança e os valores do desporto.
Concretizando tais propostas, que entraram em consulta pública pelo período de 30 dias úteis, verificamos que o documento apresenta um agravamento das sanções disciplinares para a época 2026/27, essencialmente no âmbito de ilícitos disciplinares relacionados com agressões, declarações ofensivas, violência, discriminação, assédio e dívidas salariais.
No que toca a agressões e ofensas à equipa de arbitragem são apresentadas 36 propostas, 3 novas, com uma média agravamento de sanções na ordem dos 150%; No que respeita a declarações ofensivas entre dirigentes são feitas 5 propostas, 1 nova, com uma média agravamento de 158%; quanto ao uso de material pirotécnico trata-se de 34 propostas, 5 novas e uma média agravamento de 89% nas molduras sancionatórias;​ No que respeita a comportamentos discriminatórios foram elaboradas 6 propostas com média agravamento de 64%; Quanto ao assédio sexual e moral são apresentadas 4 propostas de alterações verificando-se uma média agravamento na ordem dos 75%; quanto a medidas de controlo económico, em concreto, em matéria de dívidas salariais existe uma nova proposta para previsão de ilícito disciplinar concreto, sendo adotada a sanção de dedução de pontos.
Estas medidas ora propostas visam proteger os mais elementares valores desportivos e, ao mesmo tempo, garantir a integridade e segurança nas competições."